quinta-feira, 7 de julho de 2016
Disputa de mercado explica cruzada americana contra corrupção***
por Jorge Nemr
Jornal GGN - Em artigo publicado no UOL, o advogado especialista em Direito
Internacional Jorge Nemr fala sobre as grandes operação de combate à corrupção,
movidas tanto no Brasil, como a Lava Jato, como no exterior, como as
investigações contra dirigentes da FIFA. Para ele, há um elo que liga todas
estas operações, chamado "disputa de mercado", principalmente após a recessão da
crise de 2008.
Nemr explica o Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), lei anticorrupção
norte-americana e a estratégia dos EUA de "forçar" os demais países a adotarem
legislação similar, restringindo o acesso ao FMI, Banco Mundial e aos países que
não adotassem esse tipo de legislação.
O advogado diz que, entre 2007 e 2011, o Departamento de Justiça Americano e a
SEC (órgão que regula o mercado financeiro) abriram investigação e aplicaram
sanções com base na FCPA, em um número maior de empresas e indivíduos em
comparação com todas as investigações e punições aplicadas entre 1977 e 2006.
Para Nemr, a Lava Jato representa a abertura da última fronteira para a
prestação de serviços no setor de infraestrutura. Com a operação, um mercado
bilionário, que antes era controlado por algumas grandes empresas brasileiras,
agora se abre para "players" americanos, europeus e asiáticos.
Leia o artigo compleo abaixo:
Do UOL
Disputa de mercado move grandes operações de combate à corrupção
Jorge Nemr
Os últimos dois anos impulsionaram no Brasil, principalmente com a Lava Jato, um
combate implacável e louvável contra a corrupção. Algumas outras investigações
aqui, como a Zelotes e a Acrônimo, ou no exterior, como o "Caso Fifa", também
têm como pano de fundo o combate à corrupção pública ou privada. Todas essas
operações têm um elo grande.
A corrupção é uma doença que se tornou uma epidemia. Mata mais que todas as
outras doenças juntas, ao sugar recursos que poderiam estar indo para a saúde e
para o saneamento público. Todos os anos, milhares de pessoas morrem por falta
de atendimento.
O elo entre elas chama-se "disputa de mercado", principalmente após a última
grande recessão que atingiu, a partir de 2007/2008, os EUA, a Europa e grande
parte do mundo. Recessão, aliás, que ainda tem efeitos hoje.
Para ver esse cenário com mais clareza, é preciso uma análise mais profunda do
comércio internacional de bens e serviços e também das leis. Com a globalização,
foi criado um único mercado mundial para ser disputado e um conjunto de leis que
rege esse mercado, adotado por diversos países. São regras globais. Um dos
maiores exemplos são as leis anticorrupção adotadas nas mais diversas
jurisdições, a partir da FCPA americana que surgiu na década de 70, e depois de
uma "cruzada" dos EUA junto a ONU e a OCDE.
Qual motivo dessa "cruzada americana"? A resposta é: disputa de mercado. A FCPA,
em síntese, é uma lei que proíbe empresas americanas, suas subsidiárias no
exterior ou empresas estrangeiras com participação no mercado americano de
corromperem funcionários públicos estrangeiros. Nada mais nobre.
Mas como as empresas americanas iriam conseguir disputar os mercados
internacionais, principalmente na área de infraestrutura e defesa, se empresas
de alguns países concorrentes podiam contabilizar em seus balanços as "propinas"
pagas aos governantes de países africanos, da América Latina e do Oriente Médio?
Para poder ganhar as concorrências internacionais, o governo americano tinha
duas alternativas: ou revogava a FCPA, o que causaria um dano enorme à sua
imagem, ou "forçava" os demais países a adotarem legislação similar,
restringindo o acesso ao FMI, Banco Mundial e aos países que não adotassem esse
tipo de legislação. Isso foi feito.
Apesar do esforço todo, a FCPA ficou quase 30 anos no ostracismo, até o advento
da crise americana de 2007/2008, que atingiu em cheio as suas empresas. Os
governos dos países mais desenvolvidos trabalham para ajudar as empresas de seus
países. O público trabalha para o privado. Bem diferente do que vimos
ultimamente no Brasil, onde o governo colocou as empresas privadas para
trabalharem para a sua sustentação do poder.
Uma das formas então encontradas pelas empresas, sedentas por novos mercados,
foi fazer com que o governo simplesmente aplicasse a lei que já existia.
Levantamentos mostram que o Departamento de Justiça Americano e a SEC (órgão
regulador do mercado de capitais americano)abriram investigação e aplicaram
sanções com base na FCPA, entre 2007 e 2011, em maior número de empresas e
indivíduos comparado com todas as investigações e punições aplicadas somadas
entre 1977 e 2006! Por quê?
Fifa e Lava Jato
Recentemente, o mundo, e especialmente os EUA, abriram os olhos para o futebol.
Somadas todas as receitas globais de eventos esportivos em 2013, que giraram em
torno de US$ 80 bilhões, é possível verificar que o faturamento, apenas do
futebol, foi de mais ou menos US$ 36 bilhões –ou seja, mais de 40% do mercado
esportivo mundial foi comandado pela Fifa.
Isso representa um mercado maior do que se somados todos os outros esportes
tradicionais nos EUA, como o futebol americano, beisebol, basquete, hockey e
tênis. Como aceitar que o esporte que mais cresce entre os jovens americanos, o
esporte número um praticado pelas mulheres nos EUA, tenha a sua liga controlada
por estrangeiros? Como permitir que quase metade do mercado mundial esportivo
seja controlado há décadas por meia dúzia de cartolas corruptos que escolhem
quem pode ou não participar desse mercado estimado em mais de US$ 40 bilhões,
quando se agrega ganhos indiretos? Inaceitável!
Já a Operação Lava Jato representa a abertura da última fronteira para a
prestação de serviços no setor de infraestrutura. Ela poderá ser tão marcante
quanto a queda do muro de Berlim foi para o fim do comunismo na Europa. Cabe
lembrar as revelações de Edward Snowden, que informou quais eram os dois alvos
grampeados pela espionagem americana. Um era a presidente Dilma Rousseff. O
outro era a Petrobras.
Com a "Lava Jato", um mercado de centenas de bilhões de dólares –que antes,
através da corrupção, era controlado por algumas grandes empresas brasileiras,
as estrangeiras não eram "convidadas" a participar, e que tinha a Petrobras como
monopolizadora do mercado do pré-sal– se abriu para grandes "players"
americanos, europeus e asiáticos.
Vale a pena acompanhar de perto, também, a Operação Zelotes, principalmente após
os recentes indiciamentos feitos pela Polícia Federal. Os supostos beneficiados
atuam em setores como siderúrgico, financeiro e automobilístico e disputam em pé
de igualdade, no Brasil e no exterior, um mercado gigantesco com seus
concorrentes estrangeiros.
Ou seja, o combate à corrupção exerce dois papéis fundamentais. O primeiro, e
mais óbvio, é beneficiar os mais carentes. Com o fim dos desvios de recursos
públicos, mais dinheiro deve sobrar para ser aplicado na saúde, educação,
segurança e em saneamento. O segundo é beneficiar os grandes "players" do
comércio exterior com a abertura de novos mercados que antes eram dominados pelo
clube dos corruptos e corruptores. Juntou-se, por caminhos heterodoxos, a fome
com a vontade de comer!
In
GGN
http://jornalggn.com.br/noticia/disputa-de-mercado-explica-cruzada-americana-contra-corrupcao-por-jorge-nemr
7/7/2016
*** "Com o fim dos desvios de recursos
públicos, mais dinheiro deve sobrar para ser aplicado na saúde, educação,
segurança e em saneamento". Deveria sobrar. Mas, é o que parece?
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Todo mundo em pânico: clima de tensão se instala de vez em Brasília
Todo mundo em pânico: clima de tensão se instala de vez em Brasília
Medo de prisões e do aparecimento de mais conversas gravadas domina os
bastidores do Congresso Federal
Katia Brembatti
Os bastidores do Congresso Nacional estão tomados por especulação e temor. Desde
a semana passada, quando começou a circular a informação de que parlamentares
poderiam ser presos em breve, a tensão se instalou de vez nos corredores e nos
gabinetes da Câmara e do Senado.
Segundo fontes consultadas pela Gazeta do Povo, nunca antes na história do
Brasil o clima foi de tanta apreensão. O receio de muitos políticos é tanto com
o envolvimento direto – a partir da possibilidade de serem citados em gravações
ou delações premiadas que possam levar à prisão – como com a ruína na imagem de
aliados próximos, como Renan Calheiros e Eduardo Cunha.
Veja tambémJanot pede prisão de Renan, Sarney, Cunha e Jucá por tentativa de
barrar a Lava Jato. Alvaro Dias propõe renúncia geral do Executivo e do Congresso
Peemedebistas reagem com “indignação” ao pedido de prisão
Um deputado paranaense contou que o clima era de mais apreensão na semana
passada. A partir desta terça-feira (7), com a divulgação de que o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia pedido a prisão de Eduardo
Cunha, Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney, o foco deixou de ser o medo
de ser alvo de operações policiais e passou a se concentrar nas consequências do
momento de fragilidade que atinge o governo e a cúpula do Congresso. Aliados
estão a perigo, ameaçando toda a rede de laços políticos.
Segundo o deputado federal Chico Alencar (PSol-RJ), o risco de Cunha, Renan e
outros parlamentares serem presos já estava correndo ‘à boca pequena’, nos
grupos de conversa. “Há uma ansiedade, um rumor permanente. Começaram a falar
que o Teori Zavascki estava fechado no gabinete e que nas outras duas situações
que o ministro do STF agiu assim o resultado foi a prisão do senador Delcídio do
Amaral e o afastamento do Cunha”, comenta.
Alencar relata que segue em alta o receio, por parte de alguns parlamentares, de
serem citados em gravações feitas por ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado
ou na aventada delação de Marcelo Odebrecht. “Quem tiver que perder o sono, que
perca”, brincou.
Para o deputado, além do receio do envolvimento direto, também o que está em
jogo para muitos políticos é o fim do sistema de financiamento eleitoral, pelo
menos da forma como estava estruturado. “O ambiente é de insegurança, com a
perspectiva de tudo desmoronar. Uma situação que não vi em quatro mandatos”,
resume.
Segundo Alencar, nunca se viu “tanto cenho franzido, tantas mãos trêmulas. E
olha que parlamentares são hábeis na arte de dissimular”.
PGR pediu prisão de Romero Jucá, Eduardo Cunha e Renan Calheiros.
Ilustração/Robson Vilalba
Conforme reportagem da Gazeta do Povo, ao menos 36 senadores e 52 deputados
estão na mira da Operação Lava Jato.
Também o senador Alvaro Dias (PV-PR) falou sobre o clima de tensão, sem
paralelo, que está assombrando o Congresso. “Agora vem esse pedido de prisão,
mas nos dias anteriores já havia a especulação”, conta. Diante da sensação de
ruína iminente, ele chegou a defender a renúncia de todos os eleitos do
Executivo e do Legislativo e a convocação de eleições gerais. A expectativa é de
que as delações premiadas que estão em fase de homologação devem comprometer
ainda mais as instituições.
In
GAZETA DO POVO
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/todo-mundo-em-panico-clima-de-tensao-se-instala-de-vez-em-brasilia-713772xiinwdj2i3ctr17t6ig?ref=yfp
7/6/2016
terça-feira, 5 de julho de 2016
O que vem por aí sob o governo Temer
Nova regra de financiamento da Capes deve encolher a pós-graduação em Educação
no Brasil
Pesquisadores e coordenadores de programas repudiam teto a partir de mediana de
alunos; participação das Ciências Humanas reduz de 15% em 2015 para 5 % em 2016
a partir de cálculo de prioridade de áreas
reportagem: João Marcos Veiga
O programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG) conta atualmente com 12 linhas de pesquisa, totalizando
cerca de 90 professores, 140 alunos de mestrado e 250 de doutorado. O tamanho e
excelência do programa (nota 7, máxima atribuída pela Capes) passa a ser,
contraditoriamente, um revés no atual momento de financiamento da Educação
brasileira.
A partir de agora, pela nova metodologia estabelecida pela Capes, o
custeio dos PPGs, por intermédio do Programa de Apoio à Pós-Graduação (PROAP),
será baseado na mediana de alunos matriculados nos programas de todas as áreas
no país - 39 para mestrado e 41 para doutorado, segundo tal matriz. Já para os
que se enquadram no Programa de Excelência Acadêmica (notas 6 e 7), a mediana
estabelecida é de 70 doutorandos e 45 mestrandos. Conforme cálculos da
coordenadora do PPGs em Educação da UFMG, professora Maria Conceição Ferreira,
"na prática, os valores que nos serão concedidos por aluno não chegam a um terço
dos valores concedidos por aluno a programas menores", avalia Ferreira.
Atividade do PPG em Educação da UFMG: programas maiores serão penalizados por
nova metodologia adotada pela Capes
A nova metodologia foi recebida com grande preocupação pela
comunidade acadêmica. Em ofício enviado ao presidente da Capes em 8 de
junho, A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação
(ANPEd) se pronunciou sobre a questão, apontando os equívocos e perspectivas
negativas que tal metodologia deve acarretar, com impacto na estrutura e
funcionamento das universidades e áreas de conhecimento, sobretudo nas Ciências
Humanas e Sociais. A manifestação contesta uma medida que desconsidera as
especificidades das áreas e que ainda vai contra a perspectiva de expansão
(estabelecida tanto na lei do PNE quanto no Plano Nacional da Pós-Graduação).
Segundo Andrea Gouveia, presidente da ANPEd, "a área de Educação é grande e
tende com as metas do PNE a crescer, pois temos um compromisso republicano
expresso na meta 17 de formar pelo menos 50% dos professores da Educação Básica
na pós graduação. Assim, uma distribuição de recursos que não considera esta
característica vai frontalmente contra o PNE".
Apesar de induzir à ideia de média aritmética, a mediana tem outra
lógica. Suponha-se, de modo simplificado, que existam apenas cinco programas,
com os seguintes números de alunos matriculados: 10, 11, 14, 100 e 200. Nesse
caso, a mediana seria 14 e não 67. Vice-coordenador de Forpred, João Batista
Carvalho Nunes (UECE) expandiu esse raciocínio e realizou um detalhado estudo
sobre o impacto da metodologia para a área de Educação, também enviado à Capes
pela ANPEd. Em 2015, havia 125 cursos de Mestrado Acadêmico em Educação,
totalizando 10.435 alunos. "Se a Capes definiu um valor mediano de 39 alunos
como 'teto' para a concessão do PROAP, quantos PPGEs não ultrapassam esse valor?
Essa resposta é um importante indicador para avaliar o prejuízo dessa medida no
financiamento da área." Como mostra o documento , somente nove programas
(7,2% do total) não sofrerão com esse critério, enquanto 116 programas (92,8% do
total) serão penalizados. Tomando como exemplo o programa que possui 305 alunos
em nível de Mestrado Acadêmico, seu tamanho é 7,8 vezes o valor da mediana
definido pela Capes.
Quando analisa-se o doutorado, chega-se ao resultado de que somente
13 programas (19,4% do total) não ultrapassarão o valor mediano definido como
teto para a concessão do PROAP, enquanto 54 PPGEs (80,6% do total) serão
penalizados (acesse estudo sobre o PROEX também realizado por Nunes). Em
entrevista ao portal da ANPEd, o pesquisador considera que a nova metodologia
terá duas consequências diretas. "Em primeiro lugar, irá diminuir o
financiamento, tomando por base o ano de 2014, principalmente para os programas
maiores, formadores tradicionais de recursos humanos para a pesquisa no País. Em
segundo lugar, induzirá os programas a manter o número de alunos próximo ao teto
da mediana definida pela Capes, a fim de que o financiamento recebido consiga
suprir minimamente as necessidades dos programas. Isso diminuirá o número de
mestres e doutores formados anualmente no Brasil."
Coordenador do PPG em Educação da Universidade Estadual de Maringá
(UEM), Mário Azevedo também analisa que em médio prazo esta nova política de
financiamento deve trazer impactos na oferta de vagas de mestrado e doutorado na
área de Ciências Humanas, incluindo a educação, no sentido de induzir os
programas a aproximarem o número de matriculados à mediana nacional. "Outro
impacto negativo, em instituições que têm médios e grandes programas de
pós-graduação, seria a secessão por linhas de linhas de pesquisa, isto é,
internamente, estimula-se a divisão dos programas por linhas pesquisa, levando a
perda de organicidade, da solidariedade e da interdisciplinaridade", prevê
Azevedo.
Diferenciação entre áreas
Segundo a Capes, a nova metodologia de custeio tem como objetivo
corrigir uma desigualdade na distribuição de recursos entre programas de
diferentes tamanhos. Dessa forma, o cálculo por mediana seria uma forma de
equilibrar as distorções e de distribuir recursos de forma menos dependente das
trajetórias históricas dos PPGs. Porém, se por um lado a nova matriz atende uma
reivindicação antiga dos programas por mais transparência na concessão de
recursos e de cálculo por aluno matriculado ao invés de bolsista, por outro a
proposta da mediana leva a uma disparidade ainda maior quando alinhada a outro
pilar da nova metodologia: uma diferenciação de áreas prioritárias.
Adotada com intuito de reverter distorções no financiamento dos programas, nova
regra deve causar ainda mais desequilíbrio entre as diferentes áreas
Com a justificativa de separar grandes áreas por maior e menor
"demanda de custo", G1 (Ciências Agrárias, Biológicas, Ambientais, da Saúde,
Exatas e da Terra, Engenharias e Biotecnologia) passa a ter maior peso que G2
(Ciências Humanas, Sociais e Aplicadas, Linguística, Letras e Arte Ensino).
Segundo Antônio Carlos de Souza Lima, coordenador do Fórum de Ciências Humanas e
Sociais, tal diferenciação de grandes áreas por demanda de custo é relativa,
arbitrária e deve criar ainda mais desigualdades. Segundo o antropólogo, que já
foi coordenador o programa do Museu Nacional (UFRJ), existem pesquisas em áreas
como História e a própria Antropologia que exigem extensa pesquisa de campo,
viagens e investimento, tornando-se artificial a imposição.
Souza Lima também argumenta que a medida tira a possibilidade de
internacionalização das humanidades por atacar uma verba também utilizada para
tradução, exatamente em áreas mais dependentes de recursos públicos se
comparadas a outras que se beneficiam de financiamentos da indústria petrolífera
ou de laboratórios médicos. "O impacto disso sobre as Ciências Humanas e Sociais
é imenso e está se criando um padrão de desenvolvimento não pela mitigação das
desigualdades e do acesso de segmentos menos privilegiados, mas por sua
ampliação", analisa o coordenador do FCHS. Primeiro-secretário da ANPEd, Paulo
Carrano (UFF) considera que, "de um modo geral, a crítica é de que a Capes
demonstra que lida mal com a diversidade e que procura consolidar com as novas
regras a hierarquização e a diferenciação do prestígio expresso no financiamento
desigual das áreas de conhecimento".
Ao menos na perspectiva numérica já se tem uma boa ideia do impacto
que a nova metodologia trará. A definição de prioridades entre as áreas
significou uma diminuição da participação dos recursos das Ciências Humanas de
15% do total em 2015 para 5% do total de 2016. Coordenador do Forpred (Fórum dos
Coordenadores de Programas de Pós-Graduação em Educação da ANPEd), José
Gonçalves Gondra (UERJ) buscou exemplificar a ampliação que está se criando das
disparidades entre programas e áreas. Partindo do valor por aluno em G1 (R$ 550
para mestrado e R$ 1.100 para doutorado) e G2 (R$ 375, mestrado, e R$ 750,
doutorado), "se consideramos que os programas da área de educação foram
estimulados a crescer de modo a atenderem ao que se encontra estabelecido no
PNPG e PNE, um pós-graduando das humanas e sociais se encontra duplamente
penalizado, seja pela regra da mediana, seja pela distinção pouco compreensível
entre alunos - os mais caros e outros mais baratos". Para se ter uma ideia, um
programa com 473 alunos que, nesta regra, tenha recebido cerca de R$ 60 mil de
custeio/ano, terá um valor de R$ 126,84 para apoiar o aluno durante o ano
inteiro. Já um programa do G1, dentro da mediana PROEX, com até 45 mestrandos e
70 doutorandos, receberia R$ 101.750,00, com valor de R$ 1.100 para o doutorando
e R$ 550 para o mestrando por ano. "Com isto, pode-se notar a grande disparidade
no financiamento da malha da pós-graduação e seus efeitos nefastos na manutenção
dos programas, em especial, os da área de educação", afirma Gondra.
Diálogo com a Capes
Apesar do impacto para a área, a proposta de metodologia não foi
propriamente uma surpresa para área, uma vez que já era gestada sob a
presidência Carlos Nobre (à frente da agência até o afastamento de Dilma
Rousseff). Em 2015, houve um corte severo no custeio da Capes para manutenção e
fortalecimento do sistema nacional de Pós-graduação - 75% no PROAP e mais de 50%
no PROEX, com despesas de capital, por sua vez, totalmente eliminadas.
Se por um lado a área de Educação vem enfrentando um crescente
desafio de financiamento, é possível delimitar um claro retrocesso no que se
refere ao diálogo com o MEC e Capes sob o governo interino de Michel Temer. Para
a presidente da ANPEd, "estamos em um momento complexo da vida política
brasileira, com um governo interino sobre o qual a Associação já manifestou suas
preocupações quanto à necessidade de manter os rumos definidos no PNE para a
educação brasileira. Com a mudança na presidência da Capes não tivemos
oportunidade de sermos ouvidos quanto aos efeitos de tais procedimentos para o
desenvolvimento da pós graduação", conta Andrea Gouveia (UFPR). O quadro de
sub-financiamento pode ser agravado pelo conjunto de medidas que colocam em
risco o financiamento das políticas públicas atualmente e, em especial, a PEC
que define um teto artificial às vinculações constitucionais que garantem
recursos para educação e saúde." A ANPEd vem solicitando sistematicamente
audiência para discutir a questão na Capes.
Para Conceição Ferreira (UFMG), "embora a dinâmica dos cortes para o
sistema da pós-graduação já estivesse sendo empreendida desde o ano passado, a
maior dificuldade que enfrentamos hoje é não termos um interlocutor e não
sabermos com que critérios e valores vai operar um projeto de governo que não
foi submetido ao voto popular, e, portanto, não foi discutido com a população. É
lamentável que não só o sistema da pós-graduação, mas tantas conquistas das
últimas décadas no campo da Educação pública, laica, gratuita e de qualidade
estejam sendo desconsideradas ou frontalmente ameaçadas pela situação de exceção
que vivemos."
José Gondra considera que medidas com força indutora como esta devem
ser revistas imediatamente, considerando a malha estruturada, o funcionamento
efetivo dos programas e a contribuição dos mesmos na formação de quadros de alto
nível, conhecimento novo e ciência de ponta. "Qualquer medida que violente a
autonomia das universidades e de seus programas deve ser problematizada, de modo
a reconhecer a diversidade e os inúmeros desafios existentes para superar as
condições nas quais se faz ciência no Brasil."
* A ANPEd solicitou entrevista a Geraldo Nunes, novo diretor de Programas e
Bolsas da Capes, porém sem retorno de respostas até o fechamento dessa
reportagem.
In
Anped- Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação
http://www.anped.org.br/news/nova-regra-de-financiamento-da-capes-deve-encolher-pos-graduacao-em-educacao-no-brasil#.V3vJ6mjJ4ug.twitter
5/7/2016
Las cooperativas repudiamos el ataque al diario recuperado Tiempo Argentino
Las cooperativas repudiamos el ataque al diario recuperado Tiempo Argentino
CNCT
Un nuevo ataque a la Autogestión. Mañana martes 5 de julio nueva edición
especial del diario. Reproducimos comunicado de la Federación de Diarios
Cooperativos FADICCRA.
Esta vez fue una patota de 20 personas, comandada por el empresario Mariano
Martínez Rojas, que irrumpió durante la noche del 4 de julio en las
instalaciones que cuidan las y los trabajadores del Diario Tiempo Argentino,
destruyendo sus herramientas de trabajo.
Desde la Confederación Nacional de Cooperativas de Trabajo (CNCT) repudiamos
enérgicamente esta acción y exigimos a las autoridades nacionales que
instrumenten una investigación de los hechos.
Mañana nueva edición
Los trabajadores informan que mañana, 5 de julio, Tiempo vuelve mañana a los
kioscos con una edición especial: cómo fue el ataque de la patota comandada por
el empresario Mariano Martínez Rojas; quién es quién en el grupo de tareas que
irrumpió en la redacción del diario, golpeó a trabajadores y provocó destrozos;
la causa judicial en curso; antecedentes: Szpolski, Garfunkel y Martínez Rojas,
los principales nombres del vaciamiento, responsables de un conflicto que lleva
siete meses.
A continuación reproducimos los comunicado de prensa de la Federación Asociativa
de Diarios y Comunicadores Cooperativas de la República Argentina (FADICCRA) y
de la cooperativa Por Más Tiempo Ltda.
Fadiccra repudia agresión a trabajadores de Por Más Tiempo y exige a las
autoridades garantizar las fuentes de trabajo
Los trabajadores de la Federación Asociativa de Diarios y Comunicadores
Cooperativos de la República Argentina (FADICCRA) expresamos nuestro repudio a
la violenta agresión sufrida esta madrugada por nuestros compañeros y compañeras
de la “Cooperativa Por Más Tiempo” (ex Tiempo Argentino). Los agresores fueron
un grupo de unas 20 personas que dijeron responder a Mariano Martínez Rojas,
quien junto con Sergio Spolsky y Matías Garfunkel componen la tríada empresaria
que privó de sus más elementales derechos a los trabajadores y ahora los atacan
violentamente para afectar el camino de autogestión que emprendieran. Los que
irrumpieron en el edificio provocaron destrozos en el mobiliario, herramientas
de trabajo y elementos personales de los trabajadores y luego se retiraron sin
que la policía actuara para detenerlos.
Desde Fadiccra expresamos nuestra solidaridad con nuestros valientes compañeros
de Tiempo, a quienes seguiremos acompañando con todas nuestras fuerzas para no
ceder ante el patoterismo de los cobardes. Y exigimos a las autoridades de todos
los niveles que tomen medidas ante lo sucedido: los responsables de esta
agresión no pueden quedar impunes y los trabajadores deben ver garantizada la
continuidad de sus fuentes de trabajo sin ataques ni aprietes de quienes
pretendieron dejarlos en la calle.
Comunicado de los trabajadores de la cooperativa Por Más Tiempo – Diario Tiempo
Argentino
Apenas pasada la medianoche del domingo, un grupo de tareas comandado por el
supuesto empresario Mariano Martínez Rojas irrumpió en el edificio que comparten
el diario Tiempo Argentino y radio América. Martínez Rojas entró a la fuerza
junto con una patota de alrededor de veinte personas, atacó a tres trabajadores
y destruyó instrumentos clave para el funcionamiento de la redacción, con el
claro objetivo de impedir la salida del diario y el lanzamiento de la web.
La presencia de los trabajadores, que fueron llegando durante la madrugada,
junto con el acompañamiento de otros colegas, vecinos, dirigentes cooperativos y
políticos, forzó la intervención de la fiscal Verónica Andrade.
Luego de que los trabajadores de Tiempo Argentino y radio América lograran
ingresar al edificio por un portón alternativo, efectivos policiales
intercedieron ante la patota, liderada por Mariano Martínez Rojas, quien a fines
de enero se autoproclamó como nuevo dueño de las sociedades que administraban
Tiempo Argentino y Radio América, aunque nunca pagó los sueldos ni se hizo cargo
de su presunta responsabilidad.
Martínez Rojas amenazó a los trabajadores de Tiempo ante la presencia policial.
A pesar de haber golpeado a trabajadores, destrozado las instalaciones y forzado
cerraduras para remover papeles pertenecientes a la cooperativa Por Más Tiempo,
la fiscal ordenó la liberación de los atacantes, quienes insólitamente fueron
escoltados por la policía hacia el exterior del edificio.
Los trabajadores de Tiempo Argentino le exigimos al gobierno nacional que vele
por la integridad física de los trabajadores del diario, y a la justicia que
avance sobre los responsables de este brutal ataque a la libertad de expresión.
Seguimos insistiendo también para que se investigue a los empresarios del Grupo
23, Sergio Szpolski y Matías Garfunkel, cuyo vaciamiento mediático fue apenas el
principio de un conflicto que esta madrugada escribió una nueva página negra en
el periodismo argentino.
In
http://www.cnct.org.ar/las-cooperativas-repudiamos-el-ataque-al-diario-recuperado-tiempo-argentino
4/7/2016
segunda-feira, 4 de julho de 2016
Brexit: Uma revolta contra a hegemonia da finança globalizada
por Prabhat Patnaik [*]
Quase todos os comentaristas que dissertaram acerca do voto do eleitorado
britânico a favor do abandono da União Europeia, quer da direita quer da
esquerda, deixaram de captar o ponto essencial do mesmo: que se trata de
uma revolta maciça contra a hegemonia da finança globalizada. Na verdade,
o facto de não terem percebido este ponto é em si mesmo indicativo da
omnipresença desta hegemonia entre os literati, dos quais o eleitorado
britânico, de modo interessante, parece ter-se libertado substancialmente.
Sem dúvida, alguns, incluindo o presidente Barack Obama, foram
suficientemente antecipativos para ver o Brexit como uma rejeição da
globalização. Mas eles atribuíram-na a um medo ilegítimo da globalização,
o qual precisa ser apaziguado, ao invés de uma cólera legítima contra ele,
resultante daquilo que a hegemonia da finança globalizada fez à economia
britânica. Eles em suma defendiam a globalização, a qual sustentam ser
benéfica, enquanto ignoravam sua principal característica, nomeadamente a
globalização do capital financeiro, cujas consequências perniciosas
preferiram ignorar.
ATITUDE DA ESQUERDA EUROPEIA
Esta tendência de destacar os benefícios da globalização ("traz maior
aproximação à espécie humana"), enquanto se minimizam as implicações da
hegemonia do capital financeiro sobre este processo, caracteriza,
infelizmente, a atitude de grande parte da própria esquerda europeia.
Grande parte desta esquerda tem sido uma forte apoiante da União Europeia,
como corporificação da transcendência de conflitos "nacionais" que
infestaram a Europa na primeira metade do século XX, muito embora a
própria UE tenha sido dominada pelo capital financeiro alemão. A referida
esquerda procurou ultrapassar esta contradição óbvia com a esperança
irreal, a qual não é senão uma mera suposição, de que dentro da UE a
hegemonia do capital financeiro alemão pode ser neutralizada (negated)
através de pressão democrática.
Esta suposição foi aceite pelo Syriza na Grécia e sua invalidade foi
revelada no caso da própria Grécia, deixando o Syriza sem outra opção
dentro da UE senão a de aceitar ainda outro lancinante pacote de
"austeridade" imposto pelo ministro alemão das Finanças Wolfgang Schauble,
a actuar como representante do capital financeiro. Este processo também
incapacitou a esquerda como um todo de se tornar uma força coerente,
deixando assim o caminho aberto para partidos de extrema-direita,
racistas, fascistas ou semi-fascistas aproveitarem o descontentamento do
povo com a crise engendrada pela globalização sob a hegemonia do capital
financeiro.
Isto também ficou claramente evidente no caso da Grã-Bretanha. Jeremy
Corbyn, o líder do Labour que é um acérrimo oponente da "austeridade" que
o capital financeiro impôs à UE, e portanto à Grã-Bretanha, ao invés de
liderar a luta contra uma UE dominada pelo capital financeiro, pediu ao
povo que votasse pela "permanência" na UE, reflectindo portanto o
primeiro-ministro Tory David Cameron e seguindo alinha da "City of
London" (o sítio do capital financeiro britânico). Embora um segmento da
esquerda (a chamada "Lexit") fizesse campanha por uma saída britânica da
UE, ela naturalmente foi enfraquecida pela fragmentação da esquerda. A
iniciativa de exprimir a cólera popular nesta situação foi capturada pela
ultra-direita do United Kingdom Independent Party (UKIP) e uma secção dos
Tories liderada pelo antigo presidente da municipalidade de Londres, Boris
Johnson.
O facto de o voto "exit" ter sido aparentemente influenciado pela
retórica contra a imigração (as regras da UE impõem que todos os países
membros aceitem imigrantes dos outros países membros) e portanto tingida
por uma visão racista do mundo, foi mencionado pelos seus oponentes como
argumento para rejeitar a opção da "saída". Não está claro em que medida
esta acusação é verdadeira. Mas, qualquer que tenha sido o matiz racista
atado ao campo do "exit" ele verificou-se precisamente porque a esquerda e
o centro-esquerda (incluindo acima de tudo o Partido Trabalhista)
preferiram ignorar a cólera do povo contra o alto desemprego e a crise
imposta pelo capital financeiro e pediram-lhe que votasse pela
"permanência".
A cólera popular, ao invés de assumir implicações racistas, podia ter
sido dirigida conscientemente contra a hegemonia do capital financeiro e a
sua dominação sobre a UE – e um cenário de acção alternativa podia ter
sido apresentado se a esquerda se houvesse empenhado seriamente para
pressionar por um "desligamento" de uma globalização dominada pela
finança. Mas ao invés disso foi permitido que a votação fosse explorada
pelas forças da ultra-direita (não irrevogavelmente, esperemos) devido à
pusilanimidade da esquerda ao não pressionar pelo "desligamento". Os
motivos da esquerda para não actuar assim, baseados sem dúvida num desejo
de transcender o passado "nacionalista" destrutivo da Europa, podem ser
louváveis. Mas a sua suposição para não actuar desse modo, nomeadamente
de que alguém pode controlar o capital financeiro mesmo sem o
"desligamento" do fenómeno da globalização financeira, foi claramente
errado. No caso, o voto Brexit representou uma revolta não
auto-consciente contra a hegemonia da finança, com aqueles que sozinhos
podiam ter conduzido a uma revolta auto-consciente, a optarem por não
desempenhar tal papel.
A sua culpabilidade é ainda maior do que sugeri. Tenho até agora
utilizado a palavra "povo", mas claramente o grosso do voto anti-UE veio
da classe trabalhadora inglesa. Segundo um relatório, até 63 por cento dos
eleitores do Labour votaram contra a permanência na UE. Uma vez que o
grosso dos eleitores do Labour, mesmo nos dias de hoje apesar dos anos de
blairismo, pertencem à classe trabalhadora, claramente a classe
trabalhadora inglesa rejeitou esmagadoramente a UE, na qual, tristemente,
o grosso da esquerda e centro-esquerda aconselhava a votar. Dificilmente
se pode imaginar um caso mais rematado de desconexão (disjunction) entre
uma classe e aqueles que afirmam representá-la. Enquanto a classe
revoltava-se contra a hegemonia do capital financeiro, aqueles que
supostamente a lideravam seguiam a linha da finança.
Quando digo revolta contra o capital financeiro, não me refiro apenas ao
capital alemão. Quero dizer acima de tudo contra o próprio capital
financeiro britânico. (Para dizer de modo diferente, é o capital
financeiro globalizado, não importa quais as suas origens nacionais, o
qual opunha-se ao Brexit). A City sempre foi resolutamente a favor da
Europa, a fim de frustrar a ambição de Frankfurt de substituir Londres
como centro financeiro do continente, o que seria o caso se a Grã-Bretanha
se afastasse. A City foi instrumental na promoção da entrada da
Grã-Bretnha na Europa. Ela também foi instrumental em livrar-se de
Margaret Thatcher como primeiro-ministro quando ela começou a exprimir
sentimentos anti-europeus. Mesmo neste referendo, a City fez campanha
vigorosa contra o Brexit. E não deveria ser surpresa que além da Escócia e
Irlanda do Norte, onde sentimentos pró-europeus podem ter sido
fortalecidos por um nacionalismo anti-inglês (o que mais uma vez
testemunha uma leitura totalmente errada da situação por parte da
esquerda que de outra forma poderia ter acalmado suas preocupações), a
única outra região do país que apoiou a "permanência" fosse a cidade de
Londres (apesar de Boris Johnson). Sem dúvida o facto de Londres ter uma
população imigrante apreciável que estaria inclinada a opor-se ao Brexit
foi um factor por trás da sua votação no "remain". Mas a influência do
capital financeiro britânico também desempenhou um papel significativo.
IMPLICAÇÕES CRUCIAIS
Os próximos tempos vão ser extremamente difíceis para o povo britânico,
por várias razões. A primeira é que qualquer "desligamento" da hegemonia
do capital financeiro globalizado acarreta necessariamente sérios
problemas de transição. Estes incluem fuga de capitais, um colapso da
divisa, um agravamento da balança de pagamentos e uma aceleração da
inflação, todos os quais prejudicam o próprio povo que optou pelo
"desligamento". Isto no momento devido afectará a Grã-Bretanha e com
particular severidade porque é uma economia altamente aberta.
Em segundo lugar, a Grã-Bretanha já tinha problemas sérios antes do
referendo do Brexit devido a um grande défice em conta corrente (que monta
até a 7 por cento do PIB). Sustentar um tal défice é extremamente difícil,
mesmo nos melhores tempos. Mas fazer isso num período de antagonismo em
relação à finança globalizada é duplamente difícil.
Em terceiro lugar, o capital financeiro está em vias em tomar todos os
passos concebíveis para tornar difícil a vida do povo britânico devido ao
seu voto pelo Brexit. Tendo perdido a batalha, o que nunca esperara, ele
tentará agora vencer a guerra pela manipulação da situação de um modo que
o povo desobediente será forçado a prostrar-se diante dele.
E em quarto lugar, no preciso momento em que o povo provavelmente
enfrentará imensas dificuldades, ele está destituído de lideranças das
forças de esquerda. Os Nigel Farages (chefe do UKIP) e os Boris Johnsons
do mundo são particularmente incapazes de liderá-los em qualquer luta
contra a finança globalizada (de facto, como todos os fascistas, o UKIP
estaria à espera de ser cortejado pelo capital financeiro e o mesmo seria
verdadeiro em relação a Johnson). A esquerda sozinha tinha a visão de
assim fazer mas preferiu abandoná-lo. O povo está, em suma, empenhado numa
luta de classe contra a hegemonia da finança em que as probabilidades de
êxito acumulam-se contra si e foi abandonado pela sua liderança
tradicional.
A menos que o Labour Party (actualmente sob uma liderança supostamente de
esquerda) rectifique o seu erro e aprenda a ouvir e respeitar a voz da sua
própria base de apoio, o povo descobrirá ser difícil sustentar uma luta
que lançou contra a finança. O Labour Party deve cumprir o resultado do
referendo (o que foi feito mesmo por David Cameron), pedir novas eleições
gerais imediatas e abordar o eleitorado com um programa novo crível. Tal
programa deve incluir o fim da "austeridade", a conexão a outras formações
de esquerda como o Podemos que estão à beira do poder [NT] e a tomada
disposições imediatas para financiar o défice em conta corrente de maneira
a que isso não implique "austeridade" e simultaneamente passos para
reduzir este défice através de, se necessário, de medidas directas.
Mas aconteça o que acontecer na Grã-Bretanha no futuro próximo, o voto
britânico para abandonar a UE tem duas implicações cruciais para a
economia capitalista mundial como um todo. Primeiro, ele sublinha e agrava
a crise na qual o capitalismo mundial está actualmente submerso: a revolta
contra essa crise assinalada pela votação britânica só solapará ainda mais
o "estado de confiança" dos capitalistas e, mais uma vez, desmentirá todas
as afirmações superficiais de uma recuperação iminente. Segundo, este
mesmo facto por sua vez encorajará ainda mais outros países a seguirem o
exemplo dos britânicos e isto acontecerá mesmo que as dificuldades
transicionais da economia britânica se demonstrarem formidáveis.
Permanecer fincado numa crise, em suma, doravante será inaceitável para o
povo trabalhador. Agora que a primeira pedra foi lançada contra o ninho de
vespas, voltar ao status quo ante será impossível. Estamos portanto a
testemunhar um descarrilamento do fenómeno da globalização que
caracterizou o mundo até agora.
03/Julho/2016
[NT] O Podemos espanhol é tão de "esquerda" quanto o Syriza grego pois
ambos os partidos defendem a submissão dos seus países à UE e à NATO,
assim como o apoio a agressões imperialistas a outros povos. As últimas
eleições espanholas desmentem que o Podemos esteja "à beira do poder".
[*] Economista, indiano, ver Wikipedia
O original encontra-se em peoplesdemocracy.in/... . Tradução de JF.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
In
RESISTIR.INFO
http://resistir.info/patnaik/brexit_03jul16.html
1/7/2016
domingo, 3 de julho de 2016
Trabajo y producción: Enlatadora "La Gaviota" despacha sardinas y harina después de 2 años de paralizada
Por: Prensa Minppibes
3 de julio de 2016.- Como parte del reimpulso productivo ejecutado por el
Gobierno Nacional, la Unidad de Producción Social de Alimentos (U.P.SA.) La
Gaviota ubicada en el estado Sucre despachó este sábado en presencia del
Ministro del Poder Popular de Industrias Básicas, Estratégicas y Socialistas
Juan Arias, el primer cargamento de 1500 cajas de sardinas y 40 sacos de harina
de pescado destinados a los CLAP obreros de Sidor y al Ministerio del Poder
Popular para las Comunas y Movimientos Sociales.
Así lo afirmó Juan Arias encargado por el presidente Nicolás Maduro de impulsar
el Motor n° 15 de la Agenda Económica Bolivariana el cual destacó que “esta
empresa Socialista la cual tuvo más de dos años paralizada la hemos recuperado
gracias a la mística de los trabajadores y trabajadoras quienes con el apoyo del
Gobierno, vencieron las dificultades económicas y técnicas para lograr hoy tener
el primer cargamento de 1500 cajas de sardinas y 400 sacos de harina de pescado
que van destinadas a los CLAP y a la Alimentación Balanceada de Animales ABA”.
Destacó también que la harina de pescado con un alto potencial de
aprovechamiento para la alimentación balanceada de animales ABA, es un producto
que se obtiene gracias a la incorporación de las Empresas Calderys, Equipetrol,
e Indorca del Sistema de Empresas RONCA quienes participaron en el proceso de
recuperación de la Planta de Harina de Pescado dándole mayor valor agregado y
aprovechamiento al productos del mar procesados en la empresa.
Por su parte Luisa Segura afirmó “estamos demostrando que la primera producción
que sacamos va a ser para SIDOR por lo tanto este día es histórico porque las
mafias que habían en esta empresa siempre impidieron que nuestra producción
llegara a ninguna empresa del Estado. Ahora estamos dando un paso hacia adelante
porque esta producción va a seguir incrementando para llegar a los CLAP que
tienen no sólo la tarea de distribuir mejor sino de producir los alimentos para
la población”.
La recuperación de la caldera y la Planta de Harina de Pescado tuvo un monto de
inversión aproximado de 200 Millones de Bolívares lo cual permitió lograr
incrementar la producción de esta importante empresa que alberga a 269
trabajadores y trabajadoras.
Así mismo coincidió Betsy Rojas quien tiene 23 años trabajando en la UPSA La
Gaviota, expresó “esta es una lucha que teníamos nosotros por querer producir,
nos llevó a tener este logro agradecemos a Nicolás Maduro por ayudarnos
nuevamente a alzar el vuelo a estos 269 trabajadores, no lo defraudaremos
estamos conformados en un Consejo de Trabajadores y Trabajadoras”.
Es importante mencionar que actualmente existe un proyecto para la recuperación
de la planta para obtener OMEGA 3 componente esencial para medicamentos y
cosméticos.
El Ministro Juan Arias sentenció “en lo que la producción se estabilice
lograremos ser sustentables, sustituir maquinarias, cubrir los gastos de sueldos
y salarios porque nuestro pueblo demuestra que produciendo venceremos, hay que
producir más y distribuir mejor, a Venezuela no la va a detener nadie, esta
Guerra Económica es totalmente superable con trabajo y producción”.
In
APORREA
http://www.aporrea.org/actualidad/n293290.html
3/7/2016
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Fábricas recuperadas exigen respuestas al Gobierno nacional
Mario Hernandez
Distintas fábricas recuperadas del país se movilizaron el miércoles 29 en Buenos
Aires para exigir respuestas del gobierno nacional a sus reclamos. Entre los
convocantes se encontraban los obreros y obreras de las fábricas ceramistas de
Neuquén, que viajaron con delegaciones de Zanón, Stefani y Cerámica Neuquén,
todas gestionadas por sus trabajadores. También fueron parte de la movilización
los trabajadores y trabajadoras de las gráficas MadyGraf (ex Donnelley),
Worldcollor y Chilavert, todas bajo control obrero, y distintas cooperativas
agrupadas en el Movimiento Nacional de Empresas Recuperadas.
En un comunicado, el Secretario Adjunto del Sindicato Ceramista de Neuquén,
Andrés Blanco, aseguró que “las gestiones obreras venimos sufriendo duramente el
nuevo ajuste de Macri, como el impacto de los tarifazos, que se suman al ahogo
financiero que arrastramos del anterior gobierno nacional. Esta situación pone
en peligro miles de puestos de trabajo en todo el país.”
Entre las demandas de las fábricas recuperadas se encuentran la exigencia de un
aporte individual del Programa de Trabajo Autogestionado (PAT) del Ministerio de
Trabajo, el no aumento de las tarifas de gas, electricidad y agua, un plan para
que las fábricas y empresas recuperadas sean proveedoras privilegiadas de los
Estados Nacional, Provinciales y Municipales, los créditos blandos para renovar
la tecnología y una Ley nacional de expropiación sin cargo favorable a los
trabajadores.
La concentración se desarrolló desde las 11:00 en 9 de Julio y Av. Belgrano,
para marchar luego hasta el Ministerio de Producción y finalizar la movilización
en las puertas del Ministerio de Trabajo.
Conferencia de prensa en RB
El próximo viernes 1° de julio a las 16 horas, en las puertas de la empresa
recuperada RB, ubicada en Panamá 1726 de Martínez, integrantes del MNER- CTEP,
junto con referentes de distintas organismos de derechos humanos y
organizaciones sociales, sindicales y políticas, realizarán una conferencia de
prensa para anunciar las próximas acciones en defensa de las fuentes de trabajo
de los compañeros y compañeras de la Cooperativa RB.
Eduardo “Vasco” Murúa, referente del Movimiento Nacional de Empresas
Recuperadas, expresó: “Este viernes, luego de la conferencia, junto con un grupo
de trabajadores de distintas empresas recuperadas, vamos a ingresar
pacíficamente al inmueble de la Cooperativa RB, para hacer cumplir la Ley de
Expropiación provincial vigente, que desconoció la Jueza Paula Hualde y el Juez
de Garantías Orlando Díaz, para continuar la estafa perpetrada por Eric Heuser,
quien se enriqueció con sus vínculos con la última Dictadura Militar”. Asimismo
agregó: “Es inconcebible que en estos tiempos hayamos tenido 3 compañeros
desaparecidos por más de 5 horas y que ninguna autoridad se acercara para dar
respuesta”.
Luego de semanas con violentas intimidaciones, la Policía Bonaerense reprimió a
trabajadores de la fábrica recuperada RB, en San Isidro, deteniendo a 13 de
ellos.
El 8 de junio pasado los habían desalojado por la fuerza, ya que el juez
considera que están usurpando el inmueble, pese a tener una Ley de expropiación
vigente hasta el 2017. Dicha ley especifica que Cooperativas RB puede dar uso al
inmueble hasta que el Gobierno efectivice el pago del canon y una vez que lo
haga, los trabajadores pasarían a ser propietarios del inmueble.
Había un rumor en el Juzgado de que iban a sacar las máquinas y llevarlas a un
depósito judicial. Si los trabajadores permitían que las máquinas -que tardaron
siete años en pagar y son propias- se fuesen del inmueble entonces la fábrica ya
no quedaría operativa.
Frente a esto un grupo de trabajadores y vecinos se apersonaron en la fábrica el
jueves 23 con el objetivo de solicitar -ya que no quisieron darles una
entrevista- que el juez o el fiscal asistiesen al lugar, con uno o dos
compañeros que actuasen como veedores, para corroborar que no les sacaran o
rompieran ninguna herramienta. Ahí fueron reprimidos brutalmente. Detuvieron a
13 manifestantes, -entre ellos Julián Ríos, Concejal del Movimiento Evita de San
Martín y Eduardo Murúa, referente del MNER-, sin dar información de su paradero.
Cuando más de 400 manifestantes asistieron a la comisaría 1ª para pedir
información sobre los detenidos, fueron violentamente reprimidos otra vez.
Tres trabajadores permanecieron desaparecidos durante cinco horas, hasta que sus
compañeros lograron ubicarlos: estaban detenidos en la Comisaría 7ª de San
Isidro. Ellos y el resto de los detenidos, alojados en la Comisaría 10ª de
Martínez y en la primera y segunda de San Isidro, fueron liberados a lo largo de
la madrugada.
"Presentamos un hábeas corpus y denunciamos a la Policía por el abuso de
autoridad. Nosotros nos estábamos manifestando de forma pacífica”, dijo Ricardo
Perea, presidente de la cooperativa. Además, indicó que el herido de mayor
gravedad fue Daniel Zakuski, trabajador de la planta: "Le dieron en la cara,
estaba desfigurado." La Procuraduría de Violencia Institucional (Procuvin) está
trabajando en el caso.
La fábrica RB funciona como cooperativa desde el año 2003, tras sufrir dos años
de vaciamiento e irregularidades en el pago de los sueldos. La empresa, fundada
en 1958, fue recuperada por sus trabajadores luego del cierre patronal durante
la crisis económica de 2001, y se dedica a la producción de diversos
instrumentos y aparatos de medición y control (instrumental automotor y de uso
naval, instrumentos de magnitudes eléctricas y temperatura, sistemas de cobro y
expendio automático de pasajes, etc.) y es proveedora de firmas como Metrovías y
Edenor, entre otras.
En el año 2007, los trabajadores lograron la Ley Provincial de Expropiación,
pero el poder ejecutivo provincial -en ese momento a cargo de Daniel Scioli-
nunca cumplió con el pago dictaminado por la ley, por lo que ésta tiene aún un
carácter transitorio, que vence en 2017.
Paralelamente, el empresario Eric Heuser compró en el año 2002 una hipoteca que
el dueño anterior había contraído. Este empresario, conocido en la zona por sus
negociados durante la dictadura, esperó 12 años para que el terreno se
valorizara al calor del boom inmobiliario, y en 2015 inició una causa en fuero
diferente al que tutela los bienes, de la mano del juez Díaz, con quien mantiene
un vínculo de amistad.
Esta dupla empresarial-judicial es la que determinó dos desalojos en 2015, en
junio y en septiembre, pero que con la fuerza de los trabajadores y la
solidaridad del barrio, lograron ser revertidas al poco tiempo.
Ahora, con Mauricio Macri y María Eugenia Vidal en el poder, Heuser y Díaz
volvieron al ataque: luego de semanas de violentas intimidaciones, se produjo el
desalojo, con gases y golpes.
Heuser no tiene un interés económico en el mantenimiento de la producción, sino
en el lucro inmobiliario a través del control del terreno de la fábrica. La
empresa recuperada RB, está ubicada en una coqueta zona de Martínez, en San
Isidro.
Detrás del desalojo la verdadera intención es construir un emprendimiento
inmobiliario, algo que se convirtió en uso y costumbre en la zona norte del
Conurbano bonaerense. "El terreno en donde está ubicada la empresa vale millones
de dólares, está al lado de una planta de IBM, es una zona de suelos muy caros,
por eso está la complicidad entre los dirigentes, la policía y la justicia",
explicó Bruno Chiodi, de Patria Grande Zona Norte.
Se repite el caso de la Cooperativa Petinari, una empresa dedicada a la
fabricación de acoplados. Ellos tuvieron su propia Ley de expropiación y la
Gobernadora Vidal la vetó.
El proyecto de ley de expropiación de Donnelley obtuvo un despacho favorable en
la Comisión de Legislación General de Diputados
El día anterior al violento desalojo de RB, los distintos bloques del Frente
para la Victoria, el de Unión por los Argentinos (UNA) y el Frente Amplio
Progresista (FAP) le dieron su apoyo, mientras que los oficialistas de Cambiemos
se abstuvieron.
Como paso siguiente el proyecto tiene que ser tratado en las comisiones de
Asuntos Constitucionales y Presupuesto para poder votarse en la Cámara de
Diputados de la Provincia de Buenos Aires. Recordemos que el año 2014 el
proyecto obtuvo una media sanción que luego no se completó al no haber sido
tratado en la Cámara de Senadores.
La reunión ocurrió luego de que el martes 21, diputados de los distintos bloques
de de la Legislatura bonaerense visitaran la planta de la Cooperativa Madygraf
junto a funcionarios de la Secretaría de Acción Cooperativa de la Provincia de
Buenos Aires y de la Secretaría de Gobierno del Municipio de Escobar.
La delegación estuvo compuesta por los diputados miembros de la Comisión de
Legislación General de la Cámara de Diputados, Rocío Giaccone (FpV), Ricardo
Lissalde (UNA), Hugo Oroño (Justicialismo Bonaerense-Cambiemos), Maximiliano
Abad (Cambiemos), así como de asesores de los restantes miembros de la comisión
y el diputado Guillermo Kane (PO-Frente de Izquierda). Participaron también
Pablo Nogués, Subsecretario de Acción Cooperativa y Pablo Ramos, Secretario de
Gobierno del Municipio de Escobar. Los acompañó el diputado provincial (mc)
Christian Castillo (PTS-Frente de Izquierda), autor original del proyecto que
obtuviera media sanción en 2014.
Los diputados provinciales del massismo y el kirchnerismo dejaron planteado su
compromiso en apoyar la Ley de Expropiación. Y de conjunto adelantaron que
acompañarían la pelea de los trabajadores con las medidas que sean necesarias
para preservar los puestos de trabajo y aprovechar toda la capacidad productiva
de la planta.
Los diputados y funcionarios recorrieron la planta y luego se reunieron en una
asamblea con los trabajadores. Destacaron el esfuerzo de los trabajadores que
han logrado sacar adelante la producción en la ex Donnelley y sumar nuevos
compañeros y compañeras a la cooperativa. Sostuvieron la necesidad de preservar
la fuente de trabajo, desarrollando trabajo para poder hacer rendir la planta al
máximo y mantener la continuidad de la cooperativa.
Por su parte, los trabajadores les transmitieron su experiencia luego de casi
dos años de gestión obrera. Contaron todo lo que se ha avanzado en mejoras en la
planta y en las condiciones de trabajo y destacaron la construcción de una
guardería para los hijos de los trabajadores.
Recordaron los difíciles momentos que tuvieron que atravesar tras el cierre y la
ida del país de los dueños de Donnelley. La situación que se vive hoy por el
problema que significaron los tarifazos y cómo están coordinando con otras
empresas recuperadas para tirarlos atrás.
Los trabajadores de la cooperativa sostuvieron la necesidad de lograr la Ley de
expropiación para ganar la estabilidad que les permita proseguir con la gestión
de la cooperativa y el sostenimiento de los puestos de trabajo.
“Hay más de 440 fábricas recuperadas en un limbo jurídico enorme”
Eduardo Murúa recordó en Enredando las mañanas que desde el Movimiento Nacional
de Empresas Recuperadas “venimos reclamando hace 18 años que nuestra patria
debería tener una Ley de expropiación de unidades productivas para no perder los
puestos de trabajo”. Además, remarcó que “hoy un bien tan escaso como es el
trabajo necesita que tengamos una ley específica, tenemos remiendos y leyes que
no terminan de concretarse y hay más de 440 fábricas recuperadas por sus
trabajadores y trabajadoras en un limbo jurídico enorme”.
“Si tuviéramos una ley como la que proponemos, con una compensación de los
créditos que tiene el Estado y los bancos oficiales en impuestos, y los
trabajadores, nos quedaríamos con la empresa sin poner un peso”, explicó el
referente.
Fuentes: El Argentino Zona Norte, Marcha, Conurbanonline, Anred, La Izquierda
Diario y Enredando las mañanas.
In
REBELION
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=214035
1/7/2016
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