sábado, 11 de abril de 2026

O imperialismo sionista fracassa diante do Irão e do Eixo da Resistência

 


CNC [*]

Mísseis com mensagens.

Quando os povos aprendem com a história, a velha toupeira entra em ação e a sabedoria acumulada impede que o guião do imperialismo se repita.

O imperialismo tentou repetir no Irão a mesma jogada que, com pequenas variações, levou a cabo no Iraque, na Jugoslávia, na Líbia, na Síria ou na Venezuela. Primeiro, sanções para estrangular a economia do país; depois, chantagem para o "abrir" às empresas dos EUA; e, finalmente, quando a vítima já está exausta, dar o golpe final. No Irão, não funcionou. Neste caso, as supostas vítimas assistiam atentas ao processo, já sabiam o final da peça e trabalharam durante décadas para mudar o desfecho.

Breve resumo histórico

O Irão sofreu 47 anos de sanções impostas pelo imperialismo anglo-saxónico; exatamente desde que a revolução islâmica impulsionada pelo aiatolá Khomeini derrubou, em 1979, a ditadura criminosa do xá Reza Pahlavi, que o próprio imperialismo sustentara durante 25 anos[1]. Anteriormente, em 1951, o governo de Mohammad Mossadegh, fortemente influenciado pelo partido Tudeh (comunista), nacionalizou o petróleo até então sob o controlo da Anglo-Iranian Oil Company. Este facto foi respondido pelos EUA e pela Grã-Bretanha com um embargo petrolífero total e um violento golpe de Estado planeado e financiado pela CIA e pelo MI6[2] em 1953. O partido Tudeh sofreu uma violenta repressão por parte da ditadura monárquica de Reza Pahlavi, colocado no poder pelo imperialismo após o golpe.

Em 1979, o petróleo voltou às mãos do Estado[3], a participação ocidental na indústria foi sendo eliminada e iniciou-se uma diversificação económica potente e duradoura para evitar a dependência do petróleo. Este árduo processo de desenvolvimento económico e cultural decorreu entre guerras[4], sanções e assassinatos seletivos de cientistas iranianos, bem como de outros Estados árabes, executados pelo Mossad numa manifestação bestial de imperialismo cultural. Em 1988, no contexto da guerra Irão-Iraque, o partido Tudeh recebeu o apoio de Saddam Hussein e interveio militarmente contra Teerão. Em retaliação, a República Islâmica levou a cabo uma dura perseguição aos militantes de esquerda, o que deixou este partido muito enfraquecido.

O projeto imperialista-sionista e o Eixo da Resistência

Após a queda da URSS e com os bombardeamentos devastadores do Iraque por parte da "coligação internacional" liderada pelos EUA em 1991, inicia-se a estratégia de dominação em grande escala da região que Washington denomina "Grande Médio Oriente" e os sionistas "Grande Israel".

Em essência, trata-se da mesma coisa:   incorporar os vassalos dóceis aos seus mandatos — Egito, Jordânia e, sobretudo, os Estados do Golfo — e aniquilar aqueles que resistam ao mandato anglo-sionista. Para aqueles que tendem a interpretar os factos de forma isolada e a atribuir os ataques dos EUA à maldade intrínseca de tal ou tal presidente, nada melhor do que recordar as palavras do general Wesley Clark sobre o plano de aniquilar sete países em cinco anos[5]. Demoraram um pouco mais, e o Irão estava entre eles.

Um elemento essencial ao serviço dessa estratégia de dominação tem sido instigar os confrontos históricos, religiosos, nacionais, etc, para enfraquecer e fragmentar o adversário. É o "dividir para conquistar" atribuído a Júlio César e usado por todos os impérios contra os povos e, claro, pelos EUA.

Para além de identidades de todo o tipo, fáceis de manipular e de utilizar como baluarte de uns contra os outros, a velha toupeira da história fazia o seu trabalho e estabelecia ligações que antes pareciam impossíveis:   o Hezbollah construía túneis cuja inspiração atribuía ao Vietcongue, retratos de Nasrallah eram carregados por militantes comunistas do FPLP e fotos do Che Guevara apareciam em manifestações xiitas.

Um militar iraniano, Qasem Soleimani[6], tirando lições da história e no calor das vitórias do Hezbollah sobre Israel em 2000 e 2006, foi o principal arquiteto do Eixo da Resistência. Trata-se de uma aliança inédita entre povos, da formação de um bloco histórico não confessional e estritamente político sobre os pilares da luta anti-imperialista e anti-sionista, cujo centro nevrálgico é a libertação da Palestina. Qasem Soleimani, alto dirigente do Corpo dos Guardas da Revolução Islâmica, foi assassinado em Bagdade por ordem direta de Donald Trump em 2020. Matou-se um homem, mas não as ideias.

O Eixo da Resistência, cimentado na vontade inabalável de resistir e em bases políticas não confessionais, conseguiu tecer a unidade de combate dos povos da região:   da Resistência Palestina — sobretudo a partir de 7 de outubro de 2023 —, da aliança entre o Hamas e o Hezbollah, da incorporação à luta do Iémen e das milícias iraquianas e, agora mais do que nunca, da espinha dorsal do Irão. E fê-lo quando, após os assassinatos seletivos contra líderes palestinos, o Hezbollah e contra o próprio Irão, parecia reinar o desânimo. O sionismo e o imperialismo euro-americano pareciam invencíveis e os seus grandes meios de comunicação davam o Eixo da Resistência como morto.

Até mesmo o sequestro de Nicolás Maduro e da sua esposa, bem como as mudanças ocorridas na Venezuela que permitiram aos EUA controlar o petróleo com um mínimo de esforço, pareciam mostrar a omnipotência dos EUA. Mas não foi assim.

O Irão mostrou ao mundo como, ao desenvolver técnicas militares de alta eficácia e baixo custo, ao guardar o armamento em depósitos subterrâneos e ao usar o petróleo como arma — tal como recomendava Mossadegh —, é capaz de enfrentar com êxito o ataque conjunto da maior potência militar do mundo e da principal potência militar da região.

A ele juntou-se o Eixo da Resistência, que está a desempenhar um papel decisivo com a incorporação do Iémen e a sua ameaça de fechar o estreito de Bab-el Mandeb, de um Hezbollah fortalecido que desferiu golpes duros a Israel, ao mesmo tempo que supera o seu isolamento inicial face ao governo fantoche do sionismo e angaria o apoio de outras forças políticas libanesas, e de milícias iraquianas que, juntamente com o Irão, estão a expulsar os EUA do país 23 anos depois.

Evidentemente, sem alarde mediático, a Rússia e a China têm desempenhado um papel importante, sobretudo do ponto de vista da inteligência militar, em apoio a um parceiro estratégico para ambas as potências.

Tudo muda e a guerra acelera essa mudança

Esta guerra representa um soco no tabuleiro mundial. O ataque dos EUA e de Israel ao Irão, decidido unilateralmente, sem qualquer provocação, no decorrer de negociações, e sem sequer se darem ao trabalho de inventar uma mentira que o justificasse, impediu a ampliação das suas alianças e aprofundou contradições inter-imperialistas há muito existentes.

Perante os povos do mundo, tornou-se impossível ocultar toda a barbárie com que o imperialismo e o sionismo devastam povos desde o primeiro momento da sua existência e com que pretendem alargar o seu domínio.

A autoproclamada supremacia absoluta do imperialismo norte-americano, que, como os cobardes, ataca sempre inimigos isolados e previamente enfraquecidos, ficou aparentemente reafirmada pela sua fácil vitória na Venezuela. E é essa imagem de omnipotência que tem presidido às relações internacionais desde a Segunda Guerra Mundial que está a sucumbir perante o Irão e o Eixo da Resistência, demonstrando ao mundo do que é capaz o lema dos oprimidos de todos os tempos: "Só podemos vencer".

O espelho do poder imperial está partido em mil pedaços; as suas múltiplas manifestações, que mal começaram a surgir, já afetam todo o equilíbrio de forças do planeta.

A difícil relação entre os países da Europa e os EUA, que até agora se mantinha com dificuldade graças à submissão da UE, sobretudo nos últimos tempos com a compra massiva de armamento a Washington, parece ter-se rachado. A recusa dos seus governos em apoiar o ataque ao Irão e em enviar tropas para desbloquear o estreito de Ormuz, o que, por sua vez, implica a rejeição do envolvimento da NATO, representou o seu maior confronto desde a Segunda Guerra Mundial. Sem dar crédito ao impudente Trump e às suas ameaças de sair da NATO, é evidente que, sem os EUA, a guerra da UE e da Grã-Bretanha contra a Ucrânia está condenada. Muito mais está o delírio europeu de um futuro confronto com a Rússia, que já conta com a vitória total sobre Kiev.

Os EUA não vão abandonar uma NATO que, apesar de tudo, eles dirigem e que é o seu principal instrumento de controlo da Europa. As contradições entre os EUA e a Europa sempre existiram, mas são disputas de baixo nível entre dominadores e dominados. A UE nunca terá soberania política ou económica enquanto não tiver independência militar, e não a tem desde a criação da NATO em 1949.

Por isso, a recusa dos governos europeus em apoiar as aventuras bélicas americanas no Golfo Pérsico, mais do que uma demonstração de autonomia face aos EUA, é a prova palpável do esgotamento dos arsenais europeus nas suas aventuras fracassadas na Ucrânia e do seu colapso económico.

É sob esta perspetiva que se deve analisar a decisão de Pedro Sánchez de recusar aos EUA, considerando o seu ataque contrário ao direito internacional, a utilização das bases para as suas operações militares contra o Irão. Para além da dúvida quanto à aplicação prática destas declarações – os meios de comunicação locais[7] continuam a constatar o voo de aviões-tanque provenientes da Base de Morón semanas após o anúncio de Sánchez –, o que é evidente é a importante utilidade política e eleitoral deste posicionamento.

As suas declarações foram acompanhadas por manifestações em várias cidades com toda a parafernália do "Não à guerra" que deu tão bons resultados eleitorais ao PSOE em 2004, incluindo a utilização da imagem do Guernica de Picasso. A manobra não só colocou o PP e o Vox contra as cordas, privando-os do seu lema favorito "a soberania de Espanha", como também roubou o "Não à guerra" aos seus satélites Sumar, Podemos e outros oportunistas de menor importância que se escudavam no seu antibelicismo para dizer, apenas em voz baixa, "não à NATO".

A inteligente jogada de Sánchez tem, apesar de ele se ter tornado da noite para o dia um líder europeu, pernas muito curtas para além dos ganhos eleitorais. O que isto ajudou a pôr em evidência é que as bases estrangeiras só servem para nos tornar alvo legítimo de ataques de povos que não são nossos inimigos; e que a pertença à NATO, agora que o fim da guerra na Ucrânia se aproxima, obriga a enormes gastos militares que enchem os cofres das empresas de armamento, ao mesmo tempo que desmantelam os nossos serviços públicos. Em suma, o lema "Não à NATO, fora as bases" permanece mais atual do que nunca.

Os BRICS nunca pretenderam ser uma aliança anti-imperialista, papel que muitos lhes atribuíram erroneamente; mesmo assim, o posicionamento nesta guerra de alguns dos seus membros mais significativos ao lado do sio-imperialismo e contra um dos seus membros fundadores, o Irão, revelou a fragilidade dos seus laços. O papel infame desempenhado pela Índia ao abraçar Netanyahu na sua visita a Israel 48 horas antes do ataque ao Irão e do assassinato de Kamenei, bem como o alinhamento da Arábia Saudita com os EUA e Israel, não foram menos flagrantes por serem previsíveis; ou a insignificância do Brasil ou da África do Sul. Tudo isto obrigará, sem dúvida, a uma reconfiguração. A guerra contra o Irão está a mostrar claramente o que a história teimosamente repete:   não há soberania, nem independência política, que não seja defendida militarmente.

O mais transcendente e que hoje é inocultável no cenário mundial é um facto que a ideologia burguesa tentou esconder ao longo da história:   que toda a sua força militar “invencível” pode sucumbir perante povos ou classes oprimidas que colocam a sua inteligência e determinação ao serviço da Resistência; ou, nas palavras de Mao Tsetung, que "o imperialismo norte-americano é um tigre de papel".

O Irão está a demonstrar a sua superioridade militar através de armas muito mais baratas e eficazes face a gigantes voadores transformados em sucata. Toda a presença avassaladora de bases militares dos EUA no Médio Oriente, que as petromonarquias financiam em troca de "proteção militar", tornou-se um alvo perfeitamente acessível para os mísseis iranianos e os da Resistência, que estão a destruir as suas instalações. Especialmente significativa foi a destruição e posterior desmantelamento da gigantesca base militar dos EUA “Victoria” em Bagdade, com a saída precipitada, com o rabo entre as pernas, das forças de ocupação da NATO, incluindo 226 soldados espanhóis.

O que garante o poder militar do Irão é a sua sustentabilidade. Enquanto a República Islâmica se preparou para manter durante muito tempo uma guerra em que apostam tudo na vitória, os EUA e Israel vão esgotando os seus arsenais dispendiosos.

No entanto, a arma secreta do Irão e o que lhe confere maior poder é, tal como recomendava Mossadegh há 75 anos, converter o acesso ao petróleo numa arma contra os inimigos. Precisamente o objetivo perseguido pelos EUA em todas as suas guerras na região era o controlo do petróleo e do gás; ou seja, deter a chave do acesso de todos os Estados a um recurso indispensável. E este facto transcendental, sobretudo em momentos de crise como os atuais, está também presente na recusa dos membros da NATO em ajudar militarmente a abrir o Estreito de Ormuz para depois entregar as chaves do mesmo aos EUA.

Outro aspecto inquietante para o imperialismo sionista é o despertar dos povos da região submetidos a governos fantoches. As importantes manifestações contra a presença da 5ª Frota dos EUA no Bahrein ou a crescente indignação do povo sírio contra Israel, incluindo o assalto à embaixada dos Emirados Árabes Unidos em Damasco, considerada aliada do sionismo, são os primeiros indícios de um barril de pólvora prestes a explodir.

O que os povos do Médio Oriente, alinhados com o Irão e o Eixo da Resistência, mostram ao imperialismo sionista é que os recursos lhes pertencem, que o comércio passa pelo Estreito de Ormuz e que o Golfo Pérsico é persa e que estão dispostos a defendê-lo. A soberania não se negocia, conquista-se pelas armas.

POSTSCRIPTUM

Este texto foi concluído quatro dias antes do anúncio do acordo de uma trégua de duas semanas entre os EUA e o Irão, assinado a 8 de abril. Como costuma acontecer quando se analisam os processos desde as suas raízes e se utiliza o materialismo histórico para identificar as mudanças e as relações entre os diversos fenómenos, não há nada de fundamental a alterar.

O acordo para declarar a trégua baseou-se nos 10 pontos propostos pelo Irão e, embora a desconfiança em relação aos EUA leve as autoridades da República Islâmica a afirmar que "têm o dedo no gatilho", o mundo inteiro — exceto Trump e a sua camarilha — classifica-o como uma derrota sem atenuantes do imperialismo sionista.

Embora o histrionismo delirante tenha levado Washington, na véspera do acordo, a ameaçar destruir a civilização persa, no final aceitou os termos do Irão com o rabo entre as pernas. Obviamente, Trump referia-se a varrer o Irão do mapa com uma bomba nuclear. Devemos saber que, se não a utilizaram, não foi por qualquer consideração moral, mas porque as suas bases, os seus aliados e Israel seriam inevitavelmente afetados. Quem testou a sua "arma nuclear" nesta guerra foi o Irão e chama-se Estreito de Ormuz.

A determinação do governo do Irão, juntamente com a unidade inabalável do seu povo em torno da sua liderança, tem sido, com o Eixo da Resistência, o baluarte contra o qual os EUA e Israel se chocaram, ambos profundamente enfraquecidos pelo abandono dos seus aliados e, sobretudo, pelo crescente questionamento interno.

O Estado sionista, profundamente humilhado pelo desrespeito sofrido nas negociações e porque, em grande medida, a derrota é um questionamento da sua própria existência — cercado de inimigos e abandonado pelos EUA — bombardeou massivamente Beirute e outras cidades libanesas, provocando centenas de mortos e feridos. O presidente do Parlamento libanês, após sair ileso de um atentado, classificou o ataque de Israel como "crime de guerra total". O Hezbollah pediu à população deslocada que, por enquanto, não regresse às suas casas e retomou os seus ataques a Israel.

A resposta do Irão não se fez esperar e o país cancelou a reabertura do Estreito de Ormuz.

Como afirmou o líder palestino Yahya Sinwar, a paz na região é impossível enquanto o cancro sionista não for extirpado. O acordo de trégua é extremamente frágil e ainda não se vislumbram os contornos do cenário que se seguirá a esta batalha transcendental. As consequências mais graves do aumento dos preços do petróleo, do gás, dos fertilizantes e de outras matérias-primas, caso a guerra continue, ainda não se fizeram sentir.

A classe trabalhadora dos povos dos EUA e da Europa, que tem diante de si a missão histórica de enfrentar o seu próprio bloco imperial, ainda não percebe a necessidade vital e existencial de acabar com o imperialismo e com o capitalismo, começando pelas suas estruturas político-militares, como a NATO e a UE. O guião da peça está a ser escrito.

Como o CNC tem afirmado, é imprescindível adotar uma abordagem integral das relações sociais que determinam a nossa vida: desde as mais imediatas – o trabalho e os meios de subsistência – até às aparentemente mais distantes, mas que já estão a bater à nossa porta:   as guerras imperialistas.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras dos povos que vivemos em países imperialistas, mesmo que subalternos, devemos saber que a agressividade da burguesia será cada vez mais feroz e que a nossa trincheira é a mesma dos povos que combatem o imperialismo, o sionismo e o fascismo.

Para que essa compreensão se transforme em força material atuante, precisamos de algo que os povos do Eixo da Resistência estão a concretizar diante dos nossos olhos. Na luta pela vida que nos espera, é necessário assumir que "para além do Volga não há nada" e que os oprimidos são capazes de vencer um inimigo aparentemente mais poderoso, quando defendem a sua terra, o seu mar, o seu ar, e se preparam conscientemente para isso.

[1] Desde a descoberta de petróleo no Irão, em 1908, a Anglo-Persian Oil Company – na qual o Governo britânico detinha uma participação maioritária – controlava a perfuração, extração e venda do petróleo do país
[2] Este foi o primeiro golpe de Estado orquestrado pela CIA que, após o sucesso, repetiu-se em muitos outros países, a começar pela Guatemala, em 1954. www.rferl.org/a/iran-coup-mossadegh-cia-60th-anniversary/25076552.html
[3] O caráter teocrático da nova República não foi obstáculo para que a URSS fosse o primeiro Estado a reconhecê-la em 1979. Assim, retomou-se uma história de relações iniciada pelos bolcheviques ao devolverem ao Irão a zona de influência que a Rússia czarista obteve da partilha com a Grã-Bretanha em 1907, cancelando dívidas e outros tipos de concessões.
[4] A guerra Irão-Iraque (1980-1988), instigada pelos EUA com o objetivo de que ambas as potências regionais se destruíssem mutuamente, resultou num milhão de mortos entre os dois países e em grandes perdas económicas.
[5] www.youtube.com/watch?v=2VkwiY2nuUE&t=36s
[6] Recomendamos a leitura da sua biografia, que explica melhor do que qualquer tratado o seu trabalho destinado a construir o Eixo da Resistência. es.wikipedia.org/wiki/Qasem_Soleimani
[7] www.lavozdealmeria.com/almeria/sucesos/497565/avion-estados-unidos-material-guerra-iran-sobrevuela-almeria.html

07/Abril/2026

[*] Coordinación de Núcleos Comunistas, Espanha.

O original encontra-se em cncomunistas.org/?p=2743

Em

RESISTIR.INFO

https://resistir.info/crise/editorial_cnc_abr26.html

7/4/2026 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

La derrota en curso de EEUU frente a Irán. Un momento de impasse para el mundo.

 

sábado, 4 de abril de 2026

La larga y mortífera fase degenerativa del capitalismo

 


Andrés Piqueras, profesor senior la Universidad Jaume I

La fase degenerativa del capitalismo viene de la mano de su crisis ecológica y económica insalvable. La sobreacumulación de capital ha llevado al descenso de la tasa de ganancia y con él al de la inversión productiva, generando una enorme masa de capital excedente que se hace parasitario-especulativo, disparando la dimensión financiera (o “financiarización de la economía”), el trasvase de recursos sociales al mundo financiero, el sobre endeuda- miento y una enorme bola de capital ficticio.

Para intentar paliar, desesperadamente, esa espiral degenerativa, las elites capitalistas recurren más y más al saqueo de la riqueza social, la mercantilización de todas las actividades de la vida, la acentuación de la venta de mercancías innecesarias, inútiles y muy poco duraderas, con el consiguiente pillaje de la naturaleza, en una espiral exponencial de desechos que se correlaciona con un acelerado agotamiento de recursos.

Es decir, el capitalismo degenerativo agranda y acelera el deterioro social y ambiental.

Pero aun así todos estos procesos ya no son suficientes para paliar el estancamiento crónico, la reducción del incremento del valor que acompaña a la tecnificación de los procesos productivos y al desvío de capital hacia el rentismo especulativo, lo que significa a menudo su involución a su forma simple, como mero dinero.

Así que el capitalismo degenerativo encuentra su última línea de fuga en la salida bélica. El masivo consumo improductivo tanto de mercancías como de la propia fuerza de trabajo (empleada en el mejor de los casos en labores improductivas que no generan nuevo valor), se complementa crecientemente con la destrucción destructiva (ya no más “creativa”).  El armamentismo y la guerra se convierten así en una maquinaria improductiva que “produce” (o salva pasajeramente al) capitalismo terminal, tanatocapitalismo o capitalismo de muerte.

Además, el capital excedente que no se reinvierte provoca una fuerza de trabajo redundante, que en las condiciones actuales del Sistema es tanto como decir desechable

Más y más se agranda esa fuerza de trabajo (más enorme es el “ejército laboral de reserva”), más adquiere la humanidad entera la condición de suprimible.

Nos encontramos, así, ante la construcción de un apartheid global y amurallamiento del mundo, acompañado de necropolíticas específicas para cada vez más poblaciones. Una “fronterización” de las relaciones sociales (para decidir quién queda a un lado y otro de la ciudadanía) que acompaña a la militarización de las relaciones interestatales (para ver quién queda a un lado y otro de la destrucción y la muerte).

Es decir, las elites capitalistas, a través de su brazo ejecutor hasta ahora hegemónico (pero ya perdiendo legitimidad y capacidad de dirección a gran velocidad), EE.UU., han desatado una GUERRA SISTÉMICA PERMANENTE y rocían al planeta de GENOCIDIOS: Palestina, Líbano, Sudán, Haití, Congo y ahora también pretenden el de Cuba, entre otros casos.

Un capitalismo que está succionando lo social para hacerlo “rentable” y que recurre con alarmante asiduidad a la eliminación de poblaciones, multiplicando los “estados de excepción”, “de exclusión” y “de asedio”, hace de la Guerra una forma preponderante de regulación del Sistema. Dentro de ella, el terrorismo patrocinado, los golpes de Estado, los enfrentamientos sociales provocados (como “contiendas civiles”) y, en general, las guerras sucias, son estrategias cada vez más recurrentes de las élites capitalistas mundiales para enfrentar enemigos así designados por ellas mismas y sostener el Sistema a través de la mera rapiña.

De las posibles potencias emergentes ninguna ha hecho ni hace nada efectivo para frenar esos genocidios (ni siquiera han condenado al ente sionista y en cambio sí se han abstenido ante la condena a Irán en el Consejo de Seguridad de la ONU, que a efectos prácticos es lo mismo que apoyarla -y da carta de legitimidad a una posterior agresión conjunta contra ese país-. 

Tampoco ninguna ha enviado un solo barril de petróleo a Cuba desde hace meses, por poner algunos ejemplos). Esperar a que el enemigo se hunda en sus tierras movedizas (bajo la máxima de “nunca interrumpas a tu enemigo cuando está cometiendo un error”) podría, quién sabe, ser una buena estrategia propia, pero jamás de salvamento de la muerte, la destrucción y el genocidio para tantos pueblos.

Más allá de ello, sólo China alberga la potencialidad de una realización alternativa al capitalismo. El problema es que dentro de las normas de este modo de producción esa vía se le agota. En principio porque su propio proceso de sobreacumulación de capital está ya empezándose a notar. 

China intentó esquivarlo exportando capitales en forma de infraestructuras, vías de comercio y redes de interconexión basadas en economía productiva (precisamente aquella de la que cada vez más carecen las formaciones de “capitalismo avanzado”), para desarrollo mutuo de las sociedades atañidas. 

Sin embargo, esas redes e infraestructuras vienen siendo socavadas o directamente destrozadas por las intervenciones del Imperio Occidental (con USA y el Poder Sionista Mundial al mando) a través de su Estrategia del Caos a escala planetaria: guerras directas, guerras “proxy”, golpes de Estado, revoluciones de colores, infiltración de paramilitares, expansión del yihadismo…

Frente a la implosión de la globalización y a la recuperación del proteccionismo (toda potencia en declive vuelve a él en un intento desesperado de no ser superada por quien de hecho ya la supera; es lo que hizo Inglaterra entre finales del siglo XIX y principios del XX, elevando las tarifas aduaneras en sus dominios, amurallando su imperio con restricciones al comercio para limitar las pérdidas ocasionadas por su declinación industrial y forjando una federación de colonias de cara a tener abastecimiento exclusivo en ellas), la Gran Formación Social Emergente, China, está intentando darse y dar al mundo un plazo para un “aterrizaje suave” a una posible transición socialista o, en todo caso, al seguro postcapitalismo que nos espera.

Entre sus “propuestas” al mundo, como se dijo arriba, reconectar el capital ficticio a la economía productiva, establecer una amplísima red de redes comerciales, masiva inversión en infraestructuras y la reconversión energética o una fase de energía en transición. Una Zona Mundial de Estabilidad (ZME), en suma.

Una ZME que es despiadada y brutalmente bombardeada por la potencia en declive, dispuesta a devastar el mundo y deshacerse de gran parte de la humanidad con tal de impedir durante algo más de tiempo el relevo, salvar algo de su poder de saqueo (con apenas el 4,2% de la población mundial, EE.UU. se apropia de alrededor del 25% de los recursos del mundo) y mantenerse mínimamente a flote.

Hasta ahora China, inferior militarmente al monstruo imperial, ha jugado la carta de ganar con las propias reglas del juego del capitalismo histórico. “Sin pegar un solo tiro”, como les gusta decir a tantos analistas.  No obstante, todo indica que estamos llegando ya a la fase efervescente de la Guerra Total de largo plazo o Guerra Sistémica Permanente desatada por el Imperio, que también trastoca y puede disolver los grandes conglomerados económicos y políticos hasta ahora formados (la UE, por ejemplo, pero también los BRICS, cada vez menos relevantes y más incoherentes ante la Guerra).

Así que quizás esa carta de ganar a través de la paciencia y la economía no la pueda seguir jugando China mucho tiempo. Lo que está claro es que mientras tanto, los países son devastados uno a uno y los pueblos se mueren bajo la bota del Imperio. Pero también, no hay que olvidarlo, en muchos casos pelearán hasta el final, poniendo aún más difícil las cosas al monstruo (y, en su caso, a su ente sionista), precipitando su degeneración, como Irán está ejemplificando.  

¿Es tiempo, pues, de que la Gran Formación Social Emergente (+ Rusia) empiece(n) a actuar como tal(es), más allá de permanecer en un segundo plano dejando toda la iniciativa estratégica al monstruo imperial estadounidense y a su Poder Sionista Mundial? 

¿Es tiempo de que China comience realmente a dar pasos por el socialismo, más allá de las reglas de juego del capital?, ¿o seguirá esperando a quedarse sola frente al Monstruo -el externo y el que lleva alimentando en su propio seno-, el cual más pronto que tarde la acorralará -desde fuera y puede que desde dentro-?

Em

OBSERVATORIO DE LA CRISIS

https://observatoriocrisis.com/2026/04/01/la-larga-y-mortifera-fase-degenerativa-del-capitalismo/

1/4/2026

 

terça-feira, 31 de março de 2026

Michael Hudson: la guerra contra Irán determinará el futuro económico del mundo