domingo, 27 de setembro de 2026

TRUMP PRESUME ANTE LA ONU DE QUEDARSE CON "EL BOTÍN" VENEZOLANO, DELCY RODRÍGUEZ SE LO AGRADECE

 

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Viernes, 25 de Septiembre de 2026Tiempo de lectura: 1 min

(VÍDEO)

VÍDEO DE IMPRESCINDIBLE VISUALIZACIÓN

 

 

REDACCIÓN CANARIAS-SEMANAL.ORG.-

 

   Durante el discurso que pronunció el pasado 22 de septiembre ante las Naciones Unidas, el presidente de Estados Unidos, Donald Trump, reivindicó la agresión militar contra Venezuela del pasado 3 de enero. Calificó a Nicolás Maduro de «criminal» y «dictador» y aseguró que ahora mantenía las mejores relaciones con el nuevo Gobierno venezolano.

 

   En un reconocimiento sin precedentes de los objetivos de la intervención militar norteamericana en el país latinoamericano, Trump añadió, al referirse a la toma de control del petróleo venezolano, que «al vencedor le corresponde el botín».

 

 En su turno de intervención, Delcy Rodríguez, actual presidenta encargada de Venezuela, respondió a Donald Trump agradeciéndole, tanto a él como a su Gobierno, el restablecimiento de las relaciones con Venezuela.

 

   Horas después, Rodríguez se reunía a puerta cerrada con Trump y se encargaba de publicitar el encuentro en su cuenta de X mediante una publicación en la que, sonriente, hacía el símbolo de la victoria y calificaba la cita como una «reunión histórica».

 Em

Canarias-semanal.org

https://canarias-semanal.org/art/39299/trump-presume-ante-la-onu-de-quedarse-con-el-botin-venezolano-delcy-rodriguez-se-lo-agradece-video

25/6/2026 

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Consciência de classe: um desafio

 

A forma como os trabalhadores se reconhecem enquanto classe social tem assumido diferentes configurações ao longo dos anos, acompanhando as transformações, e contradições, do próprio capitalismo.

CréditosTarsila do Amaral

Aglobalização veio fragmentar, em alguns casos, a antiga solidariedade operária; o neoliberalismo veio promover o individualismo, através da peregrina ideia do empreendedorismo. Todavia, e apesar dessas mudanças, continuam a existir antagonismos de classe, caso contrário a elite dominante não estaria tão preocupada em atacar e desacreditar a relação entre condição social e consciência de classe.

Eric Hobsbawm1 refere que a consciência de classe foi a grande novidade do movimento operário no início do século XIX, uma vez que deixou de ser o «pobre» a enfrentar o «rico», passando a existir uma classe específica: a classe trabalhadora, ou proletariado (Hobsbawn: 1988, 254). Tal facto deveu-se àquilo que Hobsbawn designou de «dual revolution»: a fusão dos ideais da Revolução Francesa com as necessidades e transformações da Revolução Industrial. A primeira, deu ao proletariado a confiança, a segunda, imprimiu-lhe a necessidade de uma permanente mobilização.

É certo que em termos absolutos nunca houve tantos trabalhadores como hoje. Mas também é certo que estar inserido no mercado de trabalho e receber um salário não significa partilhar a mesma condição social, muito menos a mesma identidade. Um gestor de topo de uma multinacional, um engenheiro informático em teletrabalho, ou um operário fabril a receber o salário mínimo são todos «assalariados», mas com níveis de rendimento, estilos de vida, interesses políticos e poderes de negociação radicalmente opostos. Para Lukács2, pertencer objetivamente a uma classe (ser trabalhador) não garante uma «consciência de classe», uma vez que existe uma distinção entre a consciência real (o que os trabalhadores pensam) e a consciência atribuída (o potencial revolucionário).

«É certo que em termos absolutos nunca houve tantos trabalhadores como hoje. Mas também é certo que estar inserido no mercado de trabalho e receber um salário não significa partilhar a mesma condição social, muito menos a mesma identidade.»

A verdade é que aquilo que se alterou não foi a existência de proletariado, mas as formas através das quais este se reconhece enquanto tal. A hegemonia do neoliberalismo («uma das mais poderosas e multifacetadas formas de economia política de hoje» [Rodrigues: 2022, p. 21]3) – principalmente a partir da década de 70 do século XX – promoveu a fragmentação das relações laborais através de uma cada vez maior precarização, mas também pela expansão dos serviços, o trabalho por plataformas e a crescente individualização da relação entre trabalhador e empregador. Tudo isto contribuiu para obscurecer a existência de interesses comuns entre o proletariado.

O proletariado contemporâneo pode já não ser reconhecido, nem se reconhecer, na sua imagem clássica, todavia continua a ocupar uma posição estruturalmente distinta daquela de quem detém e controla os meios de produção. A diversidade interna do proletariado contemporâneo não invalida, por isso, a existência de uma condição de classe e a importância de uma consciência de classe. A questão está em compreender como diferentes experiências de trabalho podem, e devem, ser articuladas numa consciência comum.

Apesar do capitalismo (na sua forma mais radical e selvagem: o neoliberalismo) ter tornado mais difícil a percepção de uma condição de classe comum – indo ao encontro daquilo que Mark Fisher4 diagnosticou como a privatização das nossas próprias ansiedades – a verdade é que não conseguiu eliminar as relações sociais que estão na sua origem.

O desafio político e teórico existe: consiste em procurar compreender as novas configurações do trabalho. A par disso, deverá também procurar identificar, na diversidade e fragmentação das experiências laborais, aquilo que permanece comum.

O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

  • 1

    Hobsbawm, Eric (1988), The Age of Revolution: 1789-1848, Londres: Abacus Books.

  • 2

    Lukács, Georg (1974), História e Consciência de Classe, tradução de Telma Costa, Lisboa: Publicações Escorpião.

  • 3

    Rodrigues, João (2022), O Neoliberalismo não É Um Slogan: Uma história de ideias poderosas, Lisboa: Tinta-da-China.
     

  • 4

    Fisher, Mark (2022), Realismo Capitalista, tradução de Vasco Gato, Lisboa: VS Editores.

     

     

     

    Em

    Abril Abril

     

    https://www.abrilabril.pt/nacional/consciencia-de-classe-um-desafio

     

    22/9/2026