segunda-feira, 31 de março de 2025

O marxismo neoliberal da USP

 


por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Fábio Mascaro Querido acaba de dar uma notável contribuição à história intelectual do Brasil ao publicar “Lugar periférico, ideias modernas”, no qual estuda o que ele denomina “marxismo acadêmico da USP

Fábio Mascaro Querido acaba de publicar Lugar periférico, ideias modernas, no qual estuda o que ele denomina “marxismo acadêmico da USP” – um grupo de intelectuais que, nos anos 1960, se aproximou do marxismo, que surgira com força na Europa no após-guerra e alcançara o Brasil. Esses intelectuais, principalmente sociólogos, criaram o “Seminário Marx” ou “Grupo do Capital” para estudar Marx, o qual, sob a liderança de Fernando Henrique Cardoso, teve duas versões, a primeira, em 1958, puramente acadêmica, e a segunda, de caráter mais político, após o golpe militar de 1964.

Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência da República em 1995, o seminário se tornou célebre, sempre citado pela imprensa conservadora de maneira simpática, porque os autores envolvidos já haviam abandonado há tempo o marxismo. Fábio Mascaro Querido diz que esse foi o “mito fundador” do grupo.

O núcleo do grupo – aqueles que proponho chamar de “marxistas neoliberais” – foi constituído por Fernando Henrique Cardoso, José Arthur Giannotti e Francisco Weffort. Trata-se de um oximoro que se aplica bem a eles, que se encantaram com o marxismo nos anos 1960, quando ainda estava viva a esperança na revolução socialista. Tornaram esse marxismo menos contraditório e revolucionário, e definiram os dois mais importantes sociólogos dos anos 1950, Gilberto Freyre em Pernambuco e Guerreiro Ramos no Rio de Janeiro como seus adversários.

Um caso clássico de competição universitária. Concentraram seu ataque em Guerreiro Ramos porque era desenvolvimentista, como, aliás, também eram Celso Furtado, Helio Jaguaribe e Ignacio Rangel – todos do ISEB.[1] Em 1963, Fernando Henrique Cardoso defendeu sua livre-docência – um livro escrito especialmente para demonstrar que no Brasil não havia uma burguesia nacional – uma tese central dos desenvolvimentistas que defendiam uma coalizão de classes associando empresários industriais nacionalistas, os trabalhadores urbanos e a burocracia pública moderna.

No final dos anos 1960, Fernando Henrique Cardoso abandonou o marxismo e desenvolveu a “teoria da dependência associada”, que defendia a subordinação do Brasil ao Império, embora não deixasse isto claro.[2] Mas os americanos compreenderam muito bem, o que permitiu que a dependência associada lograsse repercussão internacional, embora muitos dos que a divulgavam não compreendessem seu caráter “associado”. Em síntese, no final dos anos 1960, eles supunham ser marxistas mas já eram quase liberais, e nos anos 1990 tornaram-se de vez neoliberais.  

A denominação marxismo neoliberal naturalmente não se aplica a Roberto Schwarz e Chico de Oliveira, que eram do grupo, nem a Octávio Ianni e Florestan Fernandes, que não eram realmente do grupo. Florestan Fernandes foi o mestre de todos; foi o maior sociólogo que a USP já teve; inicialmente associou-se à sociologia da modernização, e depois, indignado com o que via no Brasil, tornou-se um marxista revolucionário. Fábio Mascaro Querido naturalmente não usa essa expressão porque ele era antes um admirador do que um crítico do marxismo neoliberal.

Fábio Mascaro Querido distingue Roberto Schwarz dos demais, que permaneceu marxista através dos anos, e, como afirma ele, “radicalizou a dimensão ‘negativa’ da crítica.” Como crítico literário e escritor, ele não se preocupou em propor políticas, nem fez concessões para ser aceito no seu entorno. Ao contrário do núcleo duro do grupo, Roberto Schwartz continuou nacionalista como fora antes dele seu grande mestre, Antonio Candido. E se associou a Paulo Arantes, um crítico do marxismo neoliberal. Entre todos, é o único que, no plano teórico, é reconhecido internacionalmente.[3]

Fábio Mascaro Querido usou o pensamento de Roberto Schwarz como uma referência ou fio condutor do livro e dedicou-lhe dois excelentes capítulos. Salientou o amplo papel que teve Theodor Adorno em seu pensamento, como também a crítica da modernização realizada por Robert Kurz em 1991, em um momento em que a União Soviética estava entrando em colapso.[4] Fábio Mascaro Querido deu pouca importância ao nacionalismo do crítico que contradiz a sua perspectiva negativa, mas no final do segundo ensaio citou um texto significativo: “a última palavra não pertence à nação, nem à hegemonia ideológica internacional, mas pertence ao presente conflituado que as atravessa”.[5] Este presente conflituado é o da luta de classes dos grupos de interesse específicos para este ou aquele problema.

Nos anos 1960 e 1970, o núcleo neoliberal-marxista e, mais amplamente, a esquerda antivarguista combateram o desenvolvimentismo nacionalista porque pretendiam ser revolucionários, enquanto o desenvolvimentismo implicava um compromisso da classe trabalhadora e da esquerda social-democrática com a burguesia. O núcleo acadêmico neoliberal-marxista seguiu o mesmo caminho; ao contrário da visão desenvolvimentista, pretendia não fazer concessões; acabou concedendo tudo anos 1990, quando se tornou neoliberal. E a esquerda antivarguista combateu-o porque ela definiu um “culpado interno” pela derrota: haviam sido os desenvolvimentistas, que ao invés de serem revolucionários, haviam apostado em um acordo da classe trabalhadora com a burguesia industrial intermediado pela burocracia pública.

O núcleo só passou a ter alguma relevância a partir do golpe militar de 1964 – da grande derrota da social-democracia desenvolvimentista que aconteceu então. Derrotados os adversários graças ao golpe, estava agora na hora dos sociólogos da USP assumirem o comando intelectual da esquerda. Coisa que fizeram, embora estivessem caminhando para deixar de ser de esquerda. No capítulo 2 “A Revanche dos Paulistas”, Fábio Mascaro Querido relata a nova fase. Na partida anterior, os desenvolvimentistas estavam no poder, os marxistas neoliberais estavam simplesmente fora do jogo. Em 1964, entraram no jogo, tornaram bem conhecidos, lideraram grande parte da esquerda, e esta deixou de ser nacionalista. É preciso, porém, considerar que a esquerda sempre teve dificuldade de adotar posições nacionalistas ou desenvolvimentistas, pois acreditava na possibilidade de uma revolução socialista no curto prazo.

Eles estavam fora do jogo, mas desesperados para entrar, especialmente para derrotar os dois mais importantes sociólogos dos anos 1950, Guerreiro Ramos e Gilberto Freyre. O golpe militar encarregou-se de derrotar Guerreiro ao cassar seu mandato de deputado federal e por dez anos, seu direito de se recanditar. Enquanto Celso Furtado foi exilado, ele e seus companheiros do ISEB, Jaguaribe e Rangel, foram submetidos a intenso ataque pela esquerda alienada para qual o nacional-desenvolvimentismo associado a Getúlio Vargas era inaceitável. Isto, além do ataque pela direita.

O próximo passo foi o livro de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto, Dependência e desenvolvimento na América Latina (1969),[6] no qual a dependência se torna a causa do desenvolvimento ao invés do obstáculo. Era a “teoria da dependência associada” que surgia. A nova verdade, que se espalhou rapidamente por toda a esquerda intelectual, afirmava taxativamente que uma coalizão de classes desenvolvimentista associando os empresários industriais às esquerdas e à classe trabalhadora era impossível. A burguesia não existia nem poderia existir. (Na verdade, a burguesia industrial desenvolvimentista existiu no Brasil em dois breves períodos [1950-1964 e 1967-1980]).

Mas a falta de uma burguesia nacionalista não era problema, porque o chamado Império era na verdade apenas um hegemon benevolente, suas empresas multinacionais estavam contribuindo para o desenvolvimento do país, e bastava que o Brasil se associasse a ele que se desenvolveria. Não foi isto que aconteceu: em 1990 a submissão aconteceu, em 1995, se aprofundou, e o país entrou em quase-estagnação.

Não se imagine, porém, que os intelectuais nacionalistas e desenvolvimentistas escaparam do ataque de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto, ainda que esse ataque não fosse perfeitamente claro. Em um primeiro momento, a CEPAL de Raúl Prebisch e Celso Furtado percebeu que estava sob ataque, e não quis publicar o livro através do ILPES; mais tarde, porém, ela se adaptou à crítica, acomodou-se ao Império e perdeu qualquer relevância no plano das ideias. A CEPAL somente existiu como uma ideia – a do desenvolvimentismo estruturalista clássico voltado para a industrialização – entre 1949 e 1960 sob o comando de Raúl Prebisch. Em 1964, os desenvolvimentistas foram derrotados e obrigados a ficar silenciosos. No começo dos anos 1970 a CEPAL abandonou o desenvolvimentismo.

Nos anos 1970, essa mesma esquerda, desprevenida, deixou-se envolver pelas ideias propostas por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto. No plano econômico, essas ideias foram aceitas, provavelmente porque a ideia de associação ao Império não estava clara no livro e nos trabalhos que seguiram. E porque a esquerda estava ressentida com o golpe de 1964.

Por outro lado, a versão realmente marxista da teoria da dependência, de André Gunder Frank, Ruy Mauro Marini e Theotônio dos Santos também equivocada porque contava com a revolução socialista na América Latina no curto prazo. Essa versão sofreu um ataque violento e injusto em artigo assinado por José Serra e o próprio Fernando Henrique Cardoso.[7] Creio que a iniciativa tenha sido mais de José Serra do que de Fernando Henrique, porque este é um homem da melhor qualidade cuja personalidade é incompatível com uma atitude como aquela.

Em 1970, sob a liderança de Fernando Henrique Cardoso, e com apoio da Ford Foundation, o Cebrap foi criado. Logo ele se torna o grande centro de estudos em defesa da democracia e de crítica à desigualdade. É nessa época que sou convidado a ser membro do Conselho da nova entidade de pesquisa, e me junto a eles. Eu estava isolado na Fundação Getúlio Vargas e precisava de diálogo. Percebia que minhas ideias desenvolvimentistas não eram ali bem vistas, mas fui muito bem recebido, comunguei com eles a luta contra a ditadura e pela diminuição da desigualdade, e me senti bem no Cebrap, onde além dos intelectuais já citados, estavam figuras notáveis como Chico de Oliveira e Paul Singer. Lutávamos todos contra o regime militar.

Nessa época, porém, muitas das coisas que eu estou aqui narrando não estavam claras para mim. Entre 1995 e 1999, eu participei do governo Fernando Henrique Cardoso, fui ministro da Administração Federal e Reforma do Estado e da Ciência e da Tecnologia e, sob influência das ideias que me envolviam, minhas convicções desenvolvimentistas e meu interesse pelo marxismo perderam força (mas apenas por algum tempo).  Fiquei, porém, decepcionado pelo caráter neoliberal que assumiu a direção da economia, e afinal em 2003, afinal revi minha posição em relação a meu amigo Fernando Henrique, voltei a ler seu livro com Enzo Faletto, compreendi seu caráter anti-nacional, e escrevi o ensaio “Do ISEB e da CEPAL à teoria da dependência”, publicado em 2005, cuja primeira cópia eu entreguei a ele. Não era um rompimento pessoal, mas intelectual; afinal eu havia compreendido o sentido de sua obra e de seu pensamento.

Estimulado pelo excelente livro de Fábio Mascaro Querido, decidi nesta resenha voltar agora ao tema da história intelectual. Uma resenha mais crítica do que fora o artigo de 2005 – uma crítica ao marxismo neoliberal. Afinal, eu me pergunto, qual foi a contribuição ao Brasil desse grupo de sociólogos, cientistas políticos e filósofos? Como compará-lo com a contribuição dos desenvolvimentistas social-democráticos? Os desenvolvimentistas associaram-se a Vargas, ainda que ele tenha sido um ditador entre 1937 e 1945; associaram-se porque ele foi o grande estadista que promoveu a industrialização e o grande desenvolvimento econômico do Brasil.

Os principais desenvolvimentistas tiveram uma influência significativa na realização da revolução capitalista brasileira, que aconteceu entre 1930 e 1980. Alguns deles eram socialistas, mas sabiam que a revolução socialista não era uma possibilidade realista. Enquanto isso, nossos marxistas neoliberais flertaram com a revolução sem muito empenho, e mais tarde se associaram ao Império e se tornaram neoliberais.

Na conclusão do livro, Fábio Mascaro Querido afirma que enquanto os intelectuais do ciclo nacional-desenvolvimentista-popular das décadas de 1950 e 1960 estavam interessados em um projeto de modernização nacional (anti-imperialista, eu acrescentaria), “os acadêmicos paulistas expressavam a redefinição entre intelectuais e política ocorrida na esteira das transformações pelas quais passaram tanto a sociedade quanto a universidade brasileira, a partir dos anos 1970 (p. 261)”.

Ou seja, eles lograram se adaptar à realidade social e política que os circundava, ao invés de tentar mudá-la. Algumas vezes eu vi Fernando Henrique, enquanto Presidente da República, agir procurando se adaptar ao que estava acontecendo ao invés procurar moldá-lo. Ele e seus companheiros eram mais sociólogos do que agentes republicanos. O livro de Fábio Mascaro Querido é uma notável contribuição à história intelectual do Brasil.

*Luiz Carlos Bresser-Pereira é professor Emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Autor, entre outros livros, de Em busca do desenvolvimento perdido: um projeto novo-desenvolvimentista para o Brasil (Editora FGV) [https://amzn.to/4c1Nadj]


Notas


[1] Furtado era associado ao ISEB; os três outros parte do ISEB – o instituto que reuniu os principais intelectuais nacionalistas dos anos 1950.

[2] Não confundir a teoria da dependência associada da teoria da dependência de Andre Gunder Frank e Ruy Mauro Marini, que era realmente marxista.

[3] A teoria da dependência associada teve repercussão internacional, mas além de ser equivocada, não pode ser considerada uma teoria – é apenas uma sofisticada (e pouco clara) justificação de uma subordinação.

[4] Robert Kurz (1991 [1992]) O Colapso da Modernização, São Paulo: Paz e Terra. Original alemão, 1991.

[5] Querido, p. 246. Retirado de “Leituras em competição”, Novos Estudos Cebrap, 75, julho.

[6] Cardoso, Fernando Henrique e Enzo Faletto (1969 [1970]) Dependência e Desenvolvimento na América Latina, São Paulo: Difusão Europeia do Livro. Original em espanhol, 1969.

[7] José Serra e Fernando Henrique Cardoso (1979) “As desventuras da dialética da dependência”, Estudos CEBRAP, n°. 23.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Em

JORNAL 247

https://jornalggn.com.br/cultura/o-marxismo-neoliberal-da-usp-por-luiz-carlos-bresser-pereira/

31/3/2025

 

domingo, 30 de março de 2025

Armarse para salvar el capitalismo financiero! (La lección de Rosa Luxemburgo, Kalecki, Baran y Sweezy)




/*El verdadero peligro no son los rusos, sino los alemanes con su rearme
de € 500.000 millones y otros € 500.000 millones para infraestructuras*/

MAURIZIO LAZZARATO, SOCIÓLOGO y FILÓSOFO ITALIANO

/«Por grande que sea una nación, si ama la guerra perecerá;
por pacífico que sea el mundo, si olvida la guerra estará en
peligro»(«Wu Zi», antiguo tratado militar chino)./

/«Cuando decimos sistema de guerra nos referimos a un sistema como el
vigente que asume la guerra, aunque sólo sea planeada y no combatida,
como fundamento y vértice del orden político, es decir, de la relación
entre los pueblos y entre los hombres. Un sistema en el que la guerra no
es un acontecimiento sino una institución, no una crisis sino una
función, no una ruptura sino una piedra angular del sistema, una guerra
siempre obsoleta y exorcizada, pero nunca abandonada como posibilidad
real». (Claudio Napoleoni, 1986)./

El advenimiento de Trump es apocalíptico, en el sentido literal que
significa deshacerse de lo que oculta, sacar el velo, desvelar (?!). Su
convulsa agitación tiene el gran mérito de mostrar la naturaleza del
capitalismo, la relación entre guerra, política y beneficio, entre
capital y Estado habitualmente cubierta por la democracia, por los
derechos humanos, por los valores y la misión de la civilización occidental.

La misma hipocresía está en el corazón de la narrativa construida para
legitimar los 840.000 millones de euros para el rearme que la UE le
impone mediante el recurso al estado de excepción a los Estados miembros.

Armarse no significa, como dice Draghi, defender «los valores que han
fundado nuestra sociedad europea» y han «garantizado durante décadas a
sus ciudadanos la paz, la solidaridad y, con el aliado estadounidense,
la seguridad, la soberanía y la independencia», sino salvar el
capitalismo financiero.

Ni siquiera hacen falta grandes discursos ni documentados análisis para
desenmascarar la pobreza de estas narrativas, bastó otra masacre de 400
civiles palestinos para sacar a la luz la verdad de la indecente
cháchara sobre la exclusividad la y supremacía moral y cultural de
Occidente.

Trump no es un pacifista, se limita a reconocer la derrota estratégica
de la OTAN en la guerra de Ucrania, mientras las élites europeas
rechazan la evidencia. La paz para ellos significaría volver al estado
catastrófico al que han reducido a sus naciones.

La guerra debe continuar porque para ellos, como para los demócratas y
el Estado profundo estadounidense, es el modo de salir de la crisis
iniciada en 2008, como ya ocurrió con la gran crisis de 1929.

Trump piensa resolver la cuestión privilegiando la economía sin renegar
de la violencia, del chantaje, de la intimidación, de la guerra. Es muy
probable que ni el uno ni los otros tengan éxito en el intento porque
tienen un enorme problema: el capitalismo, en su forma financiera, está
en profunda crisis y precisamente desde su centro – EEUU – llegan
señales «dramáticas» para las élites que nos gobiernan. En lugar de
converger hacia EEUU, los capitales huyen hacia Europa.

Gran novedad, síntoma de rupturas imprevisibles que corren el riesgo de
ser catastróficas. El capital financiero no produce mercancías, sino
burbujas que se inflan todas en Estados Unidos y estallan en detrimento
del resto del mundo, demostrando ser armas de destrucción masiva.

La finanza estadounidense chupa valor (capital) de todo el mundo, lo
invierte en una burbuja, que tarde o temprano estallará, obligando a los
pueblos del planeta a la austeridad, al sacrificio para pagar sus
fracasos: primero fue la burbuja de internet, luego la burbuja de las
subprimes que provocó una de las mayores crisis financieras de la
historia del capitalismo, abriendo la puerta a la guerra.

Intentaron incluso la burbuja del capitalismo verde que nunca despegó y,
por último, la burbuja incomparablemente mayor de las empresas de alta
tecnología.

Para tapar los agujeros de los desastres de la deuda privada descargada
sobre la deuda pública, la Reserva Federal y la banca europea inundaron
los mercados de liquidez que en lugar de «gotear» en la economía real,
sirvió para alimentar la burbuja de la alta tecnología y el desarrollo
de los fondos de inversión conocidos como los «Tres Grandes», Vanguard,
BlackRock y State Street (el más grande monopolio de la historia del
capitalismo, gestiona 50 billones de dólares, accionista mayoritario de
todas las empresas cotizadas más importantes). Ahora incluso esta
burbuja se está desinflando.

Si dividimos por dos toda la capitalización de la lista de la Bolsa de
Wall Street, todavía estamos muy lejos del valor real de las empresas de
alta tecnología, cuyas acciones han sido infladas por los propios fondos
para mantener altos los dividendos para sus «ahorradores» (los
demócratas contaban incluso con sustituir el bienestar por las finanzas
para todos, como antes habían delirado con la vivienda para todos los
estadounidenses).

Ahora la diversión llega a su fin. La burbuja ha llegado a su límite y
los valores caen con riesgo real de un colapso. Si a esto añadimos la
incertidumbre que las políticas de Trump – representante de unas
finanzas que no son las de los fondos de inversión – introducen en un
sistema que éstos habían conseguido estabilizar con la ayuda de los
demócratas, comprendemos el temor de los «mercados».

El capitalismo occidental necesita otra burbuja porque no conoce sino la
reproducción de lo mismo de siempre (el intento trumpiano de reconstruir
la industria manufacturera en Estados Unidos está destinado a un fracaso
seguro).

*La identidad perfecta de «producción» y destrucción*

Europa, que hoy ya gasta más del 60% que Rusia en armas (la OTAN
representa el 55% del gasto mundial en armas, Rusia el 5%) decidió un
importante plan de inversión de 800.000 millones de euros para seguir
aumentando el gasto militar.

La guerra y la Europa donde siguen activas las redes políticas y
económicas, centros de poder que remiten a la estrategia representada
por Biden, derrotada en las últimas elecciones presidenciales, son la
ocasión para construir una burbuja basada en el armamento para compensar
las crecientes dificultades de los «mercados» estadounidenses.

Desde diciembre, las acciones de las empresas armamentísticas son objeto
de especulación, yendo de subida en subida y fungiendo de refugio seguro
para los capitales que ven la situación estadounidense demasiado riesgosa.

En el centro de la operación están los fondos de inversión, que también
figuran entre los principales accionistas de las grandes empresas
armamentísticas. Poseen participaciones significativas en Boeing,
Lockheed Martin y RTX, influyendo en la gestión y las estrategias de
estas empresas.

También en Europa están presentes en el complejo militar-industrial:
Rheinmetall, empresa alemana que fabrica Leopard y que ha visto subir el
precio de sus acciones un 100% en los últimos meses, tiene como
principales accionistas a Blackrock, Société Générale, Vanguard, etc.

Rheinmetall, el mayor fabricante de municiones de Europa, ha superado en
capitalización al mayor fabricante de automóviles del continente,
Volkswagen, la última señal del creciente apetito de los inversores por
los valores ligados a la defensa.

La Unión Europea quiere recoger y canalizar el ahorro continental hacia
el armamento con consecuencias catastróficas para el proletariado y una
mayor división de la Unión.

La carrera armamentística no podrá funcionar como «keynesianismo de
guerra» porque la inversión en armamento interviene en una economía
financiarizada y ya no industrial. Construida con dinero público
beneficiará a una pequeña minoría de particulares, mientras empeora las
condiciones de la inmensa mayoría de la población.

La burbuja armamentística sólo puede producir los mismos efectos que la
burbuja de alta tecnología estadounidense. Después de 2008, las sumas de
dinero captadas para la inversión en la burbuja de alta tecnología nunca
han «goteado» hacia el proletariado estadounidense.

Por el contrario, han producido una desindustrialización cada vez mayor,
empleos precarios y poco cualificados, salarios bajos, pobreza rampante,
la destrucción del escaso bienestar heredado del New Deal y la posterior
privatización de todos los servicios. Esto es lo que sin duda producirá
en Europa la burbuja financiera europea.

La financiarización conducirá no sólo a la destrucción completa del
Estado del Bienestar y a la privatización a ultranza de los servicios,
sino a una mayor fragmentación política de lo que queda de la Unión
Europea. Las deudas, contraídas por cada Estado por separado, tendrán
que ser reembolsadas y habrá enormes diferencias entre los Estados
europeos en cuanto a su capacidad para honrar las deudas contraídas.

El verdadero peligro no son los rusos, sino los alemanes con su rearme
de € 500.000 millones y otros € 500.000 millones para infraestructuras,
financiación decisiva en la construcción de la burbuja.

La última vez que se armaron combinaron desastres mundiales (25 millones
de muertos sólo en la Rusia soviética, la solución final, etc.), de
donde surgió la famosa declaración de Andreotti contra la unificación
alemana: «Amo tanto a Alemania que prefiero dos».

A la espera de los desarrollos ulteriores del nacionalismo y de la
extrema derecha ya al 21 %, que inevitablemente producirá «Deutschland
ist zurück», Alemania impondrá su habitual hegemonía imperialista a los
demás países europeos.

Los alemanes han abandonado rápidamente el credo ordo-liberal que no
tenía ninguna base económica, sólo política, y abrazan a ultranza la
financiarización angloamericana, con el mismo objetivo, dominar y
explotar Europa.

El Financial Times habla de una decisión tomada por Merz, el hombre de
Blackrock, y Kukies, el ministro del Tesoro, hombre de Goldman Sachs,
con el aval de los partidos de «izquierda» PDS y Die Linke, que, como
sus predecesores en 1914, asumen una vez más la responsabilidad de la
futura carnicería.

Si el anterior imperialismo alemán se fundaba en la austeridad, el
mercantilismo de exportación, la congelación salarial y la destrucción
del Estado del Bienestar, éste se fundará en la gestión de una economía
de guerra europea jerarquizada en los diferenciales de tipos de interés
a pagar para reembolsar la deuda contraída.

Los países ya muy endeudados (Italia, Francia, etc.) tendrán que
encontrar quién compre sus bonos emitidos para pagar su deuda, en un
«mercado» europeo cada vez más competitivo. A los inversionistas les
convendrá más comprar bonos alemanes, bonos emitidos por empresas
armamentísticas sobre los que jugará la especulación al alza, y títulos
de deuda pública europea, sin duda más seguros y rentables que los bonos
de los países super-endeudados.

El famoso «diferencial» (spread) seguirá desempeñando su papel como en
2011. Los miles de millones necesarios para pagar a los mercados no
dejarán de estar a disposición de los Estados del Bienestar. El objetivo
estratégico de todos los gobiernos y oligarquías desde hace cincuenta
años, la destrucción de los gastos sociales para la reproducción del
proletariado y su privatización, será alcanzado.

Veintisiete egoísmos nacionales lucharán entre sí sin nada en juego,
porque la historia, que «somos los únicos que sabemos lo que es», nos ha
arrinconado, inútiles e irrelevantes tras siglos de colonialismo,
guerras y genocidios.

La carrera armamentística va acompañada de una machacona justificación
de «estamos en guerra» contra todo el mundo (Rusia, China, Corea del
Norte, Irán, los Brics) que no puede abandonarse y que corre el riesgo
de llegar a buen puerto porque esta delirante cantidad de armas aún debe
«consumirse».

*La lección de Rosa Luxemburgo, Kalecki, Baran y Sweezy*

Sólo los ingenuos pueden asombrarse de lo que está ocurriendo. Todo se
repite, sólo que dentro de un capitalismo financiero y ya no industrial
como en el siglo XX.

La guerra y el armamento estén en el centro de la economía y de la
política desde que el capitalismo se hizo imperialista. Y son también el
centro del proceso de reproducción del capital y del proletariado, en
feroz competencia entre sí.

Reconstruyamos rápidamente el marco teórico proporcionado por Rosa
Luxemburgo, Kalecki, Baran y Sweezy, firmemente plantado, – en contraste
con las inútiles teorías críticas contemporáneas –, sobre las categorías
de imperialismo, monopolio y guerra, que nos ofrece un espejo de la
situación contemporánea.

Empecemos por la crisis de 1929, que tuvo sus raíces en la Primera
Guerra Mundial y en el intento de salir de ella activando el gasto
público mediante la intervención del Estado. Según Baran y Sweezy (en
adelante, B&S) el inconveniente del gasto público en los años 30 era su
volumen, incapaz de contrarrestar las fuerzas depresivas de la economía
privada.

«Visto como una operación de rescate de la economía estadounidense en su
conjunto, el New Deal fue, por tanto, un fracaso estrepitoso. Incluso
Galbraith, el profeta de la prosperidad sin compras bélicas, reconoció
que en la década 1930 – 1940, ‘la gran crisis’ nunca terminaba».

Saldrá solo con la Segunda Guerra Mundial: «Luego vino la guerra, y con
la guerra la salvación (…) el gasto militar hizo lo que el gasto social
no había conseguido hacer», porque el gasto público pasó de 17.500
millones de dólares a 103.100 millones.

B&S demuestran que el gasto público no dio los resultados que dio el
gasto militar porque estaba limitado por un problema político que sigue
siendo el nuestro. ¿Por qué el New Deal y su gasto no consiguieron un
objetivo que /«estaba al alcance de la mano, como demostró más tarde la
guerra»?/

Porque sobre la naturaleza y composición del gasto público, es decir, la
reproducción del sistema y del proletariado, se desata la lucha de clases.

/«Dada la estructura de poder del capitalismo monopolista
estadounidense, el aumento del gasto civil casi había alcanzado sus
límites extremos. Las fuerzas que se oponían a una mayor expansión eran
demasiado poderosas para ser superadas»./

El gasto social competía o perjudicaba a las corporaciones y
oligarquías, arrebatándoles poder económico y político.

/«Como los intereses privados controlan el poder político, los límites
del gasto público se fijan rígidamente sin preocuparse de las
necesidades sociales, por vergonzosamente evidentes que sean»./

Y estos límites valían también para el gasto, la sanidad y la educación,
que en aquella época, a diferencia de hoy, no competían directamente con
los intereses privados de las oligarquías.

La carrera armamentística permite aumentar el gasto público del Estado,
sin que esto se transforme en un aumento de los salarios y del consumo
del proletariado.

¿Cómo se puede gastar el dinero público para evitar la depresión
económica que conlleva el monopolio, evitando al mismo tiempo el
fortalecimiento del proletariado? /«Con armamento, con más armamento,
con más y más armamento/».

Michael Kalecki, trabajando sobre el mismo periodo pero sobre la
Alemania nazi, consigue dilucidar otros aspectos del problema. Contra
todo economicismo que amenaza siempre la comprensión del capitalismo
incluso por las teorías críticas marxistas, pone en evidencia la
naturaleza política del ciclo del capital: «/La disciplina en las
fábricas y la estabilidad política son más importantes para los
capitalistas que los beneficios corrientes»./

El ciclo político del capital, que ahora sólo puede ser garantido por la
intervención del Estado, debe recurrir al gasto armamentístico y al
fascismo. Para Kalecki, el problema político también se manifiesta en la
«dirección y los fines del gasto público». La aversión a la «subvención
del consumo de masas» está motivada por la destrucción que provoca /«de
los fundamentos de la ética capitalista ‘ganarás el pan con el sudor de
tu frente’ (a menos que vivas de las rentas del capital)»./

¿Cómo conseguir que el gasto estatal no se convierta en aumento del
empleo, del consumo y de los salarios y, por tanto, en fuerza política
del proletariado?

El inconveniente para las oligarquías se supera con el fascismo porque
la maquinaria estatal está entonces bajo el control del gran capital y
de la dirección fascista, con «la concentración del gasto estatal en
armamento», mientras que «la disciplina de fábrica y la estabilidad
política se garantizan mediante la disolución de los sindicatos y los
campos de concentración. La presión política sustituye aquí a la presión
económica del desempleo».

De ahí el inmenso éxito de los nazis entre la mayoría de los liberales
británicos y estadounidenses.

La guerra y el gasto en armamento ocupan un lugar central en la política
estadounidense, incluso después del fin de la Segunda Guerra Mundial,
porque es inconcebible una estructura política sin una fuerza armada, es
decir, sin el monopolio de su ejercicio.

El volumen del aparato militar de una nación depende de su posición en
la jerarquía mundial de explotación. /«Las naciones más importantes
serán siempre las que más necesiten, y la magnitud de sus necesidades
(de fuerza armada) variará en función de que entre ellas haya o no una
lucha encarnizada por el primer puesto»./

Por lo tanto, el gasto militar sigue creciendo en el centro del
imperialismo: «/Naturalmente, la mayor parte de la expansión del gasto
público tuvo lugar en el sector militar, que pasó de menos del 1% a más
del 10% del PNB, y que representó alrededor de dos tercios del aumento
total del gasto público desde 1920. Esta absorción masiva del excedente
en preparativos militares ha sido el hecho central de la historia
estadounidense de posguerra»./

Kalecki señala que en 1966 «/más de la mitad del crecimiento de la renta
nacional se traduce en el crecimiento de los gastos militares»./

Ahora, en la posguerra, el capitalismo ya no puede contar con el
fascismo para controlar el gasto social. El economista polaco, «alumno»
de Rosa Luxemburgo, señala: «/Una de las funciones fundamentales del
hitlerismo fue superar la aversión del gran capital a la política
anticoyuntural a gran escala. La gran burguesía había dado su
asentimiento al abandono del laisser-faire y al aumento radical del
papel del Estado en la economía nacional, a condición de que el aparato
estatal estuviera bajo el control directo de su alianza con la
«dirección fascista» y de que el destino y el contenido del gasto
público estuvieran determinados por el armamento.
/

En los Treinta Gloriosos, sin el fascismo asegurando la dirección del
gasto público, los Estados y los capitalistas se vieron forzados a un
compromiso político. Relaciones de poder determinadas por el siglo de
las revoluciones obligan al Estado y a los capitalistas a concesiones
que, en cualquier caso, son compatibles con beneficios que alcanzan
tasas de crecimiento desconocidas hasta entonces.

Pero incluso este compromiso es demasiado porque, a pesar de los grandes
beneficios, /«en tal situación los trabajadores se vuelven
‘recalcitrantes’ y los ‘capitanes de la industria’ se muestran ansiosos
por ‘darles una lección’»/.

La contrarrevolución, desplegada a partir de finales de los años 60,
tendrá en su centro la destrucción del gasto social y la feroz voluntad
de orientar el gasto público hacia los intereses únicos y exclusivos de
las oligarquías.

El problema, a partir de la República de Weimar, nunca fue una
intervención genérica del Estado en la economía, sino el hecho de que el
Estado haya sido investido por la lucha de clases y haya sido obligado a
ceder a las exigencias de las luchas obreras y proletarias.

En los tiempos «pacíficos» de la Guerra Fría, sin la ayuda del fascismo,
la explosión del gasto militar necesita una legitimación, asegurada por
una propaganda capaz de evocar continuamente la amenaza de una guerra
inminente, de un enemigo a las puertas dispuesto a destruir los valores
occidentales:

/«Los creadores oficiosos y oficiales de la opinión pública tienen
preparada la respuesta: los Estados Unidos deben defender el mundo libre
de la amenaza de agresión soviética (o china)»./

Kalecki, para el mismo período, precisa:

/«Los periódicos, el cine, la radio y la televisión que trabajan bajo la
égida de la clase dominante crean una atmósfera que favorece la
militarización de la economía»./

El gasto en armamento no sólo tiene una función económica, sino también
de producción de subjetividades sometidas. La guerra, al exaltar la
subordinación y el mando, «contribuye a crear una mentalidad conservadora».

/«Mientras que el masivo gasto público en educación y bienestar tiende a
socavar la posición privilegiada de la oligarquía, el gasto militar hace
lo contrario. La militarización favorece a todas las fuerzas
reaccionarias (…) se determina un respeto ciego a la autoridad; se
enseña y se impone una conducta de conformidad y sumisión; y la opinión
contraria se considera un acto antipatriótico o directamente una traición.»/

El capitalismo produce un capitalista que, precisamente por la forma
política de su ciclo, es un sembrador de muerte y destrucción, más que
un promotor del progreso.

Richard B. Russell, un senador conservador del sur de EEUU en los años
60 citado por B&S, nos dice:

/«Hay algo en los preparativos para la destrucción que induce a los
hombres a gastar el dinero más descuidadamente que si fuera para fines
constructivos. No sé por qué ocurre esto; pero durante los treinta años
que llevo en el Senado, más o menos, comprendí que al comprar armas para
matar, destruir, borrar ciudades de la faz de la tierra y eliminar
grandes sistemas de transporte, hay algo que hace que los hombres no
calculen los gastos con el mismo cuidado que cuando se trata de pensar
en una vivienda digna y en la atención sanitaria para los seres humanos»./

La reproducción del capital y del proletariado se politizó con las
revoluciones del siglo XX. La lucha de clases, ocupando también esta
realidad hizo emerger una oposición radical entre la reproducción de la
vida y la reproducción de su destrucción que desde los años 1930 no ha
hecho sino profundizarse.

*¿Cómo funciona el capitalismo ?*

La guerra y el armamento, prácticamente excluidos de todas las teorías
críticas del capitalismo, funcionan como discriminadores en el análisis
del capital y del Estado. Es muy difícil definir el capitalismo como un
“modo de producción”, como hizo Marx, porque la economía, la guerra, la
política, el Estado y la tecnología son elementos estrechamente
entrelazados e inseparables.

La “crítica de la economía” no basta para producir una teoría
revolucionaria. Ya con el advenimiento del imperialismo se produjo un
cambio radical en el funcionamiento del capitalismo y del Estado, puesto
de manifiesto claramente por Rosa Luxemburgo para quien la acumulación
tiene dos aspectos.

El primero /«se refiere a la producción de plusvalía – en la fábrica, en
la mina, en la explotación agrícola – y a la circulación de mercancías
en el mercado. Considerada desde este punto de vista, la acumulación es
un proceso económico cuya fase más importante es una transacción entre
el capitalista y el asalariado»./

El segundo aspecto tiene como teatro el mundo entero, una dimensión
mundial irreductible al concepto de «mercado» y a sus leyes económicas.

/«Aquí los métodos empleados son la política colonial, el sistema
internacional de créditos, la política de esferas de interés, la guerra.
La violencia, el engaño, la opresión, la depredación se desarrollan
abiertamente, sin máscara, y es difícil reconocer las estrictas leyes
del proceso económico en el entrelazamiento de la violencia económica y
la brutalidad política»./

La guerra no es una continuación de la política, sino que siempre
coexiste con ella, como muestra el funcionamiento del mercado mundial.
Aquí, donde la guerra, el fraude y la depredación coexisten con la
economía, la ley del valor nunca ha funcionado realmente. El mercado
mundial tiene un aspecto muy diferente del esbozado por Marx. Sus
consideraciones parecen ya no ser válidas, o mejor dicho, son
precisadas: sólo en el mercado mundial el dinero y el trabajo devendrían
adecuados a su concepto, haciendo realidad su abstracción y su
universalidad.

A contrario, lo que podemos constatar es que el dinero, la forma más
abstracta y universal del capital, es siempre la moneda de un Estado.

El dólar es la moneda de Estados Unidos y reina sólo en cuanto tal.

La abstracción del dinero y su universalidad (y sus automatismos) se los
apropia una «fuerza subjetiva» y son gestionados según una estrategia
que no está contenida en el dinero.

Incluso la finanza, como la tecnología, parece ser objeto de apropiación
por parte de fuerzas subjetivas «nacionales», muy poco universales.

En el mercado mundial, ni siquiera el trabajo abstracto triunfa como
tal, sino encontrando en su lugar otros trabajos radicalmente diversos
(trabajo servil, trabajo esclavo, etc.) y es objeto de estrategias.

La acción de Trump, – caído el velo hipócrita del capitalismo
democrático –, nos revela el secreto de la economía: sólo puede
funcionar a partir de una división internacional de la producción y la
reproducción definida e impuesta políticamente, es decir, mediante el
uso de la fuerza, que implica también la guerra.

La voluntad de explotar y dominar, gestionando simultáneamente las
relaciones políticas, económicas y militares, construye una totalidad
que nunca puede cerrarse sobre sí misma, sino que siempre permanece
abierta, escindida por los conflictos, las guerras, las depredaciones.
En esta totalidad escindida, convergen y se gobiernan todas las
relaciones de poder.

Trump interviene sobre el uso de las palabras, pero también sobre las
teorías de género, al mismo tiempo que quiere imponer un nuevo
posicionamiento global, político y económico, de los Estados Unidos.

De lo micro a lo macro, acción política que los movimientos
contemporáneos están lejos sólo de pensar.

La construcción de la burbuja financiera, proceso que podemos seguir
paso a paso, tiene lugar del mismo modo. Los actores que intervienen en
su producción son múltiples: la Unión Europea, los Estados que deben
endeudarse, la Banca Europea, el Banco de Inversiones europeas, los
partidos políticos, los medios de comunicación y la opinión pública, los
grandes fondos de inversión (todos estadounidenses) que organizan el
trasiego de capitales de una Bolsa a otra, y las grandes empresas.

Sólo después de que el choque/cooperación entre estos centros de poder
haya dado su veredicto, la burbuja económica y sus automatismos podrán
funcionar.

Hay toda una ideología sobre el funcionamiento automático que hay que
desmentir. El «piloto automático», sobre todo a nivel financiero, existe
y funciona sólo después de que ha sido instituido políticamente. No
existía en los 30 gloriosos porque se decidió políticamente en ese
sentido. Funciona desde finales de los 70 por voluntad política explícita.

Esta multiplicidad de actores que llevan meses agitándose se mantiene
unida por una estrategia. Hay, pues, un elemento subjetivo que
interviene de manera fundamental. De hecho, dos. Desde el punto de vista
capitalista, hay una lucha feroz entre el «factor subjetivo» Trump y el
«factor subjetivo» de las élites que fueron derrotadas en las elecciones
presidenciales, pero que todavía tienen una fuerte presencia en los
centros de poder en los EEUU y Europa.

Pero para que el capitalismo funcione debemos tomar en consideración
también un factor subjetivo proletario.

Éste desempeña un papel decisivo porque, o bien se convertirá en el
portador pasivo del nuevo proceso de producción/reproducción del
capital, o bien tenderá a rechazarlo y destruirlo.

Constatada la incapacidad del proletariado contemporáneo, el más débil,
el más desorientado, el menos autónomo e independiente de la historia
del capitalismo, la primera opción parece la más probable.

Pero si no logra oponer su propia estrategia a las continuas
innovaciones estratégicas del enemigo, capaces de renovarse
continuamente, caeremos en una asimetría de las relaciones de poder que
nos retrotraerá a antes de la revolución francesa, a un nuevo/ya visto
«ancien régime».

Notas

*Apocalipsis*
Aquellos que saben, pretenden que la palabra “apocalipsis” – en el
griego cristiano antiguo – evoca una revelación. Es el sentido utilizado
en el texto. Para este modesto editor la significación conocida es la de
la RAE, es decir Fin del mundo, una Situación catastrófica, ocasionada
por agentes naturales o humanos, que evoca la imagen de la destrucción
total.

*Capital financiero
*El capital financiero suele ser un espejismo, como el dinero que se
supone lo constituye. Desde la elección de Trump, la “riqueza” de media
docena de oligarcas (Musk, Bezos, Zuckerberg…) se incrementó en varios
centenares de miles de millones de dólares (sin que se hubiese creado un
céntimo de valor añadido…), para luego desaparecer tan rápidamente como
había llegado (sin que se destruyese ni un céntimo de valor…). El autor
de la nota se refiere a este moderno fantasma que, a su vez, recorre en
mundo. El capital financiero es, efectivamente, un arma de destrucción
masiva, en la medida en que muchos líderes contemporáneos y los países
que regentan son sensibles a los espejismos…

*Deuda pública
*O deuda soberana. Proviene del derecho de cada Estado a emitir dinero
sin contrapartida real. El dólar es la moneda de todos los récords, y de
la más gigantesca irresponsabilidad monetaria desde que Richard Nixon
decidiera abandonar el respaldo oro (15-08-1971). De ahí en adelante los
EEUU han emitido dólares sin límites y sin respaldo, exportando
inflación a todo el planeta. Se trata de la llamada “liquidez” que no es
sino un “pase mágico”. Emitir dinero sin respaldo significa aumentar la
cantidad de dinero en circulación sin incrementar la cantidad de bienes
y servicios disponibles en la economía. Los EEUU pagan con papelitos
verdes que no valen la tinta con la que fueron impresos. La deuda
pública yanqui supera el 120% del PIB de los EEUU. Y subiendo… Expresar
el “valor” de una empresa en dólares truchos (monnaie de singe), es una
forma (otra forma) de estafa.

*Gasto militar
*El autor se enreda en las verdes mallas del camuflaje. Lo que hay que
retener es que la OTAN gasta el 55% de lo que el planeta gasta en
instrumentos de destrucción. Rusia gasta un 5% de ese monto. En el año
2024 el gasto militar de la Unión Europea, más el Reino Unido, alcanzó
U$ 457 mil millones. El gasto militar ruso fue estimado en U$ 462.000
millones de dólares (según el Instituto Internacional de Estudios
Estratégicos, cuya confiabilidad es vecina a la de las previsiones
meteorológicas). Para equilibrar las cosas, la UE se propone gastar €
850.000 millones más (o sea U$ 914.000 millones). EEUU, solito, gasta
esa suma cada año.

*Financiación del rearme
*Hasta antes de ayer en la UE no había dinero para financiar la Salud
(sólo en Francia se han suprimido 48 mil camas en los hospitales), ni
para financiar la Educación (miles de clases no tienen todos sus
profesores y sus salarios son miserables). Y he aquí que en 48 horas
cronometradas la UE enconttó € 850 mil millones para financiar la compra
de armamento. Digan lo que digan, el modelo social pagará las habas que
se comerá el burro.

*Consecuencias del rearme
*Gastar la enorme suma de € 850 mil millones en armas generará empleos
bien pagados, y la colaboración de parte del proletariado (amén de
ganancias extraordinarias para el gran capital). La industria
armamentística tiene un detalle: para crecer requiere el consumo de lo
ya producido, o sea… una guerra lo más destructiva posible. En ese
sentido se trata de la peor corrupción en extensión, volumen y
profundidad. La propaganda que debe convencer a los europeos de la
necesidad de la guerra ya está entre nosotros, día y noche… Heil!

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      NOTA IMPORTANTE

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las reflexiones de aquellos analistas que creemos que nuestros lectores
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30/3/2025

quinta-feira, 27 de março de 2025

Europa rumo à guerra – Há algo obsceno e cansativamente repetitivo escondido por trás da cortina do falso militarismo europeu: a corrupção.

 


Dmitry Orlov [*]

O carocha militarizado.

Numa recente reunião cimeira da União Europeia, a ginecologista-chefe Frau Leyen exigiu 800 mil milhões de euros para um plano de quatro anos destinado a rearmar a UE. Apenas 150 mil milhões de euros desse montante viriam dos eurobônus recém-criados; os 650 mil milhões de euros restantes seriam obtidos pelos estados-membros da UE por meio do aumento de suas dívidas soberanas, que já são muito altas. Para facilitar o processo de obtenção de fundos, a regra do limite de 3% do défice orçamental seria dispensada. Todos esses fundos seriam direcionados para o rearmamento, num ritmo alucinante.

O plano de rearmamento vem com algumas letras pequenas:   os fabricantes de armas só poderão participar depois de assinar um pacto de segurança especial com a Comissão Europeia. Essa pequena pílula de veneno foi inserida pelo arrogante galo gaulês Emmanual Macron na esperança de que isso direcione alguns dos fundos para a indústria de armas francesa. Caso algum fabricante de armas concorde com esse pacto de segurança um tanto absurdo, há outras estipulações:   eles não receberiam mais do que um terço do total, já que 65% desse valor deve ser gasto no complexo militar-industrial europeu, que deve surgir espontaneamente e começar a produzir sistemas de armas modernas em um modelo de fabricação de ciclo fechado e altamente localizado. Menção especial foi dada à Noruega (como o arsenal da Europa) e, dentre todos os lugares, à Ucrânia (como a… lavandaria de dinheiro da Europa?).

Vamos voltar um pouco e dizer o óbvio:   o plano de guerra da senhora ginecologista é absurdo. Os bebês podem ser feitos em nove meses; os sistemas de armas de alta tecnologia, com a capacidade industrial subjacente, levam décadas para serem desenvolvidos. Nada disso está em vigor; nem estará em quatro anos. Mas, há mais:   por uma questão de política do governo dos EUA, nenhum fabricante de armas europeu pode montar quase nada sem peças de origem americana. Isso é intencional:   no final da Segunda Guerra Mundial, as pessoas por trás do Plano Marshall acharam melhor manter os fabricantes de armas da Europa em rédea curta. Os alardeados “padrões da OTAN”, aos quais todos os exércitos europeus devem aderir, exigem que dois terços de todas as compras de armas sejam feitas de empreiteiras de defesa dos EUA, enquanto o terço restante deve ser generosamente polvilhado com peças fabricadas nos EUA.

Portanto, está claro que não haverá armas no valor de 800 mil milhões euros, fornecidas pela UE, surgindo nos próximos quatro anos. E isso, ao que parece, não faz mal, porque nem Frau Leyen, nem ninguém na UE, sabe para que essas armas seriam usadas. Não há nenhuma menção aos exércitos que seriam equipados com essas armas. Em primeiro lugar, seriam exércitos nacionais ou formações em toda a UE? Exércitos nacionais podem ser pensados no caso de algumas das maiores nações (Alemanha, França e Itália, essencialmente), mas quando se trata de várias Letônias e Eslovênias, não há soldados suficientes para fazer o exercício valer a pena.

Se esse for um esforço de toda a UE, em paralelo ou em substituição à OTAN, então provavelmente seria uma boa ideia pelo menos dobrar o preço de 800 mil milhões euros para incluir todo o apoio, logística, reconhecimento, inteligência, comando e controle, etc, que uma organização tão grande, ampla e amorfa implicaria. A OTAN pode funcionar porque, essencialmente, são as forças dos EUA para o prato principal mais algumas bruschettas, tapas e canapés europeus. O tipo de refeição que poderia ser preparado sem os EUA seria um lanche leve. Lembre-se de que já se passaram oitenta anos desde a última vez que a Europa lutou numa guerra (que perdeu) e, desde então, o vagão militar europeu foi atrelado ao cavalo de guerra americano. Por sua vez, durante esse interbellum de 80 anos, esse cavalo de guerra, apesar de receber a mais abundante forragem, perdeu todas as guerras, com exceção da invasão da pequena ilha de Granada durante o reinado de Regan.

Não importa para quais exércitos essas armas possam ser usadas; a estrutura da força armada é, afinal de contas, uma consequência da doutrina militar. Não se decide simplesmente que teremos uma espécie de salada de defesa com um ou dois exércitos continentais, uma força expedicionária, uma bandeja de forças especiais e uma variedade de defesas aéreas como cobertura. O que a União Europeia está pagando para conseguir em termos de estratégia militar? É para atacar a Rússia? Então seu problema não é militar, mas psiquiátrico. A Rússia é perfeitamente capaz não apenas de derrotar, mas de destruir completamente qualquer parte da Europa que decida ameaçar seriamente sua segurança. Ao contrário da Europa, a Rússia tem uma doutrina militar e a segue à risca.

A intenção da Europa é se defender de um ataque russo? Então, por que o plano é se rearmar em quatro anos, em vez de quatrocentos ou quatro mil? A Rússia precisa da Europa? Não, a Rússia já conseguiu tudo o que precisa da Europa. Nos últimos três anos, os russos aprenderam a fazer excelentes salsichas e queijos e as vinícolas russas estão se saindo extremamente bem, enquanto os produtos manufaturados que antes eram fornecidos pela Europa agora vêm da China ou de outros lugares do Sudeste Asiático. A Rússia está satisfeita em deixar a Europa se refogar em seus próprios sucos e nunca mais incomodá-la, desde que ela permaneça inofensiva, como está agora.

A razão para o prazo de quatro anos não tem nada a ver com qualquer ameaça militar real e é bastante simples:   é a quantidade de tempo que resta antes do fim designado do reinado de Trump, após o qual, Frau Leyen et al, devem estar pensando, será possível reinserir na Casa Branca algum novo cadáver empunhando uma máquina automática ou uma mulher-cavalo mentalmente retardada ou algum outro imbecil e a onda de saques globalista seria retomada. É claro que, até lá, os pagamentos de juros sobre a dívida nacional dos EUA poderão muito bem consumir o restante do orçamento nacional dos EUA, o que significa que não sobrará nada para saquear, mas não podemos esperar que uma ginecologista aposentada entenda essas questões.

Mas vamos, por enquanto, supor que atacar a Rússia seja o plano real, apesar do que isso implica em termos de psiquiatria clínica. A Europa seria capaz de repetir o plano de rearmamento de quatro anos do Marechal Hermann Göring? Durante esse período, Göring conseguiu rearmar a Wehrmacht, a Lüftwaffe e a Kriegsmarine até o nível de 50%. Em seguida, a Alemanha nazista ficou sem ouro e teve que se precipitar na guerra, que perdeu. Para conseguir isso, os nazistas tiveram que reorganizar a Europa em um campo de trabalho, impor inúmeras restrições aos negócios privados, proibir os sindicatos, congelar o serviço da dívida e os pagamentos de dividendos e, em geral, agir como um bando de nazistas enlouquecidos. A Alemanha é capaz de se tornar totalmente nazista novamente? Isso parece bastante duvidoso, embora o Bundeskanzler Scholz e o Bundeskanzler Merz somem “Schmerz”, que significa “dor” e, no caso desses dois personagens, está claro que o sangue de seus avós nazistas ferveu seus cérebros. Ainda assim, os alemães de Scholz e Merz não são os alemães de Hitler, de Keiser Wilhelm ou de Bismarck, mas são feitos de um material muito mais macio e mole.

O que parece ainda mais duvidoso é a disposição ou a capacidade dos estados europeus de desembolsar os 800 mil milhões euros exigidos por Frau Leyen. A tendência é oposta. Dos 40 mil milhões de euros anunciados como ajuda a Kiev para este ano, a fim de compensar a reticência americana em continuar a financiar o fiasco ucraniano, restaram apenas 5 mil milhões de euros após os protestos da França, Espanha, Itália, Portugal e Hungria. Como, em tais circunstâncias, eles podem ser convencidos a fornecer 200 vezes mais para as fantasias militaristas de Frau Leyen? E se isso, de alguma forma, magicamente acontecesse, Donald Trump não iria franzir a testa com raiva e cancelar todo o processo, ameaçando fechar e desmantelar a OTAN?

Felizmente, nada disso é de facto relevante. Há algo obsceno e cansativamente repetitivo escondido por trás da cortina do falso militarismo europeu:   a corrupção. A elite europeia tornou-se viciada em dinheiro americano gratuito lavado por meio da Ucrânia. O esquema funcionava como um encanto:   vários dignitários europeus tomavam o lento comboio noturno para Kiev e voltavam com milhões de dólares em dinheiro na sua bagagem diplomática. Mas a era do presidente zumbi Biden e seus asseclas ladrões acabou e Trump não pagará mais por essa podridão; portanto, os europeus precisam encontrar uma maneira de manter a festa sem a ajuda dos EUA – tomando emprestado o dinheiro para jogar no regime de Kiev.

Isso não é apenas necessário para manter o fluxo de propinas e dinheiro secreto, mas também é essencial para impedir que Zelensky e outros chantageiem toda a liderança europeia. Deve haver um pequeno livro negro em uma gaveta da mesa de Zelensky, que contém os nomes dos funcionários europeus com os valores das somas lavadas escritos ao lado deles, e Donald Trump e Elon Musk não gostariam de descobrir o que há nele? Assim, eles poderiam iniciar um processo criminal, congelar contas bancárias e recuperar parte do dinheiro que Zelensky lavou. Trump gostaria muito de proferir sua frase clássica – “Você está demitido!” – para quase toda a liderança da UE (com exceção de Orbán, Fico e talvez Meloni), mas ele não pode fazer isso diretamente. No entanto, se ficar claro que todos eles são corruptores descarados que fugiram com os fundos do contribuinte dos EUA, a demissão deles se tornará mais ou menos automática.

Se isso acontecesse, a Europa passaria por uma grande reorganização. A União Europeia e a OTAN desapareceriam; a Alemanha poderia se dividir em Länder pró-AfD e anti-AfD, com a linha divisória convenientemente ao longo da fronteira RFA/RDA da Guerra Fria; e vários líderes europeus recém-formados iriam diretos a Moscovo para ver que acordos poderiam conseguir para impulsionar suas economias com energia, fertilizantes e muito mais a preços razoáveis.

Mas também haveria um problema bastante sério:   a Europa precisaria se preparar para uma guerra com… a Ucrânia. Veja bem, Zelensky, o menino mau que ele é, é apenas parte do problema. O restante do problema consiste nos batalhões nazistas, nutridos e mimados pelos americanos (como fizeram com a Al Qaeda/ISIS). Esses canalhas foram condicionados a uma guerra sem fim e pensam em apenas duas categorias:   “peremoha” (vitória) e “zrada” (traição). Como os russos lhes negaram a vitória, eles naturalmente procuraram quem os traiu e descobriram imediatamente que foram os americanos (Trump já está sendo difamado nos canais de propaganda ucranianos) e, por extensão, os europeus. Os americanos são difíceis de serem alcançados, pois se escondem atrás de um grande oceano, mas os europeus estão bem ali – a uma curta distância de carro, macios e moles, ainda bastante ricos e, o que é mais importante, já estão cheios de fugitivos ucranianos.

Quando ficar claro que a Ucrânia perdeu seus territórios russos (novorussos e malorussos), bem como o apoio americano, a autoridade central se desintegrará. O território remanescente da antiga Ucrânia será dominado pela ilegalidade com elementos de guerra civil. Há precedentes históricos para isso:   por longos períodos de tempo, partes do que hoje é o território ucraniano eram chamadas de “A Ruína” ou “O Campo Selvagem”. Eventualmente, o processo de autodestruição seguirá seu curso e a Rússia gradualmente restaurará a ordem nesses territórios. Mas esse processo pode facilmente levar várias décadas.

Enquanto isso, que melhor maneira de financiar uma guerra civil ucraniana do que roubar os pequenos e indefesos países europeus? O padrão já foi estabelecido e os europeus estão fazendo fila para serem roubados. Lembre-se de que essas brigadas nazistas, embora tenham sido bastante prejudicadas pelos russos, ainda estão organizadas, muito bem armadas e suficientemente disciplinadas para causar estragos. Os sobreviventes dessas brigadas sofreram lavagem cerebral e são assassinos em massa experientes que acreditam na Ucrânia acima de tudo. Eles são, em sua atual reencarnação, criação dos Estados Unidos, mas serão o pesadelo da Europa.

26/Março/2025

[*] Escritor, russo.

O original encontra-se em boosty.to/cluborlov/posts/7b508cd5-341d-4ebc-b35a-99f923dc

4855 e a tradução em sakerlatam.blog/europa-rumo-a-guerra/

Em

RESISTIR.INFO

https://resistir.info/europa/orlov_26mar25.html

26/3/2025

 

28/Mar/25
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