domingo, 25 de janeiro de 2026

Como Teerão neutralizou a Starlink e frustrou o manual de Washington para Revoluções Coloridas

 



Bappa Sinha [*]

Terminal Starlink.

No dia 8 de Janeiro de 2026, ocorreu algo sem precedentes nos anais da guerra eletrónica. O Irão activou uma campanha de supressão digital em várias camadas que, em poucas horas, degradou o serviço de Internet por satélite Starlink de Elon Musk, passando de uma conetividade funcional para o que os engenheiros descreveram como uma “manta de retalhos” de acesso intermitente. De acordo com o Filter.Watch, um grupo iraniano de monitorização dos direitos da Internet, a perda de pacotes em Teerão aumentou de 30% para mais de 80%. Este foi o primeiro caso verificado de um Estado-nação que conseguiu neutralizar a Starlink à escala nacional durante uma crise política interna.

O Irão tem sido o país mais sancionado do mundo, à exceção da Rússia, após o início da guerra da Ucrânia. Os EUA, depois de se retirarem unilateralmente do Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA) no primeiro mandato de Trump, conseguiram que os seus aliados impusessem sanções ao Irão no final de 2025, voltando ao regime de sanções severas que existia antes do JCPOA. Isto levou o rial iraniano a cair de 817 mil por dólar 1,42 milhão por dólar no final de dezembro de 2025, uma desvalorização de mais de 73% em menos de três meses. Os preços dos produtos alimentícios aumentaram 72% em relação ao ano anterior. A inflação anual situou-se em 42,2%. Os lojistas do Grande Bazar de Teerão, incapazes de fixar o preço dos seus produtos devido à volatilidade diária da moeda, fecharam as suas lojas em protesto espontâneo. A questão não é saber se os iranianos tinham razões imediatas para se manifestarem. A questão é o que aconteceu a seguir:   uma tentativa coordenada dos serviços secretos americanos e israelenses de transformar o descontentamento económico numa mudança de regime, utilizando a tecnologia de satélite como arma principal, e o seu espetacular fracasso.

A INFRAESTRUTURA DA SUBVERSÃO

Os terminais Starlink não aparecem dentro de um país sancionado por acaso. São dispositivos físicos dispendiosos que têm de ser contrabandeados, distribuídos, escondidos, alimentados e activados. As estimativas sugerem que entre 50 000 e 100 000 terminais foram infiltrados no Irão até janeiro de 2026, o suficiente para criar uma rede de comunicações paralela no momento em que Teerão desligasse a Internet.

Há ainda a questão da calendarização e da logística. O contrabando em massa de terminais Starlink acelerou depois que o presidente Biden autorizou as empresas de tecnologia dos EUA a contornar as sanções em setembro de 2022, coincidindo com os protestos de Mahsa Amini. A infiltração intensificou-se após a guerra de doze dias entre o Irão e Israel, em junho de 2025, durante a qual Musk anunciou que os “feixes” da Starlink estavam ligados sobre o Irão. As autoridades iranianas afirmam que estes “feixes” foram utilizados por agentes israelenses para coordenar operações com drones e ataques aéreos. Em dezembro de 2025, uma rede sombra de comunicações por satélite havia sido pré-posicionada em todo o país, aguardando ativação.

As impressões digitais dos serviços secretos estrangeiros tornaram-se impossíveis de esconder. A Mossad emitiu uma declaração pública em que afirmava:   "Estamos convosco. Não apenas à distância e verbalmente. Estamos convosco no terreno". O ex-secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, também ex-diretor da CIA, publicou nas redes sociais: "Feliz Ano Novo para todos os iranianos nas ruas. E também a todos os agentes da Mossad que andam ao seu lado". Estas não são mensagens codificadas. São reconhecimentos abertos da presença operacional.

Alguns grupos curdos também aderiram ao plano de ação israelense-americano. Sete grupos da oposição curda, incluindo o Partido da Vida Livre do Curdistão (PJAK), um afiliado do PKK designado como terrorista pela Turquia, emitiram um apelo conjunto para um ataque geral em 8 de janeiro. O Partido da Liberdade do Curdistão (PAK) reivindicou ataques armados contra posições do IRGC em Kermanshah. A Reuters noticiou que a agência de informação turca, o MIT, avisou o IRGC de que combatentes curdos armados tentavam atravessar do Iraque e da Turquia para o Irão. Teerão afirma que estes combatentes foram “enviados” para explorar a agitação, e a Turquia transmitiu informações para impedir a infiltração.

O manual de mudança de regime seguiu um padrão estabelecido. O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, declarou a 29 de dezembro: "O povo do Irão quer liberdade... Estamos ao lado dos iranianos nas ruas". O Presidente Trump publicou que “a ajuda está a caminho”. O New York Times e o Wall Street Journal noticiaram que foram apresentadas a Trump opções de ataque militar. Em 15 de janeiro, de acordo com Axios, “dezenas de altos funcionários militares, políticos e diplomáticos em Washington e em todo o Oriente Médio acreditavam que as bombas dos EUA seriam lançadas em Teerão em poucas horas”.

A CONTRA-OFENSIVA ELECTRÓNICA

A resposta do Irão demonstrou que o Sul Global já não está indefeso contra a coerção tecnológica imperial. A operação de interferência do Irão combinou três capacidades distintas.

A base foi a negação do GPS. Os terminais Starlink dependem de sinais de GPS para se localizarem e estabelecerem ligações entre satélites. Ao inundar a banda L1 do GPS com interferências de alta potência, as forças iranianas tornaram os terminais incapazes de calcular as suas posições, quebrando a conetividade sem tocar nos próprios satélites. A segunda camada foi a interferência direta de radiofrequência. O Irão instalou unidades móveis de interferência capazes de atingir as frequências de alta frequência da banda Ku (10,9-14 GHz) e da banda Ka (18-40 GHz) da Starlink. De acordo com o Filter.Watch, estas unidades deslocaram-se de bairro em bairro, criando zonas de interferência localizadas. O padrão, observam os analistas, “reflecte de perto as tácticas de interferência russas utilizadas na Ucrânia”.

O terceiro elemento foram os sistemas de guerra eletrónica russos transferidos para o Irão em 2024-2025. A Defence Security Asia confirmou a entrega de sistemas Krasukha-4, bloqueadores de banda larga montados em camiões com um alcance efetivo de 150-300 quilómetros, capazes de interromper as comunicações por satélite nas bandas X/Ku/Ka utilizadas pela Starlink. O Irão recebeu também o sistema EW de longo alcance Murmansk-BN, que pode bloquear comunicações até 5.000 quilómetros de distância. Os meios de comunicação social estatais iranianos afirmam que especialistas da Rússia e da China ajudaram a utilizar estes sistemas contra a Starlink.

Os resultados foram dramáticos. No espaço de 30 minutos após o encerramento de 8 de janeiro, a Cloudflare registou um colapso de 98,5% no tráfego iraniano da Internet. A conetividade terrestre caiu para menos de 2% dos níveis normais. Mas o mais importante é que a Starlink, a suposta tábua de salvação dos manifestantes, ficou praticamente inoperacional precisamente quando era mais necessária.

A GREVE ABORTADA

O momento foi revelador. Em 15 de janeiro, a administração Trump parecia estar pronta para ordenar ataques militares contra o Irão. As tropas americanas começaram a evacuar da base aérea de Al-Udeid, no Qatar. O Irão fechou o seu espaço aéreo. Mas nessa tarde, a ordem não foi dada. Trump anunciou que “fontes muito importantes do outro lado” o haviam informado de que a matança cessara. O ataque foi cancelado.

O que é que mudou? As provas sugerem que o êxito do apagão das comunicações do Irão perturbou os requisitos operacionais da mudança de regime. Sem o Starlink, a infraestrutura de coordenação dos protestos entrou em colapso. Sem vídeos contínuos das atrocidades cometidas pelo regime a chegarem ao público global em tempo real, a máquina de propaganda perdeu combustível. Sem a capacidade de comunicar com agentes e activos dentro do país, as operações dos serviços secretos ficaram cegas. A tão apregoada cartilha da revolução colorida, aperfeiçoada na Ucrânia em 2014, tentada na Bielorrússia em 2020 e parcialmente executada no Irão em 2022, deparou-se com um obstáculo tecnológico.

As autoridades iranianas anunciaram o desmantelamento do que descreveram como uma “rede de espionagem estrangeira”. O IRGC prendeu operacionais acusados de trabalhar para a Mossad, alegando ter descoberto armas, munições e materiais de fabrico de bombas em casas seguras. Vídeos difundidos pelos meios de comunicação estatais mostraram terminais Starlink confiscados ainda na embalagem original, descritos como “artigos de espionagem e sabotagem eletrónica” destinados a serem distribuídos em zonas de protesto.

O contraste com a Ucrânia é instrutivo. Quando a Rússia tentou interferir com a Starlink em 2022, a SpaceX lançou actualizações de software em poucas horas que contrariaram a interferência. Elon Musk se gabou da adaptabilidade da empresa. No entanto, no Irão, as actualizações apressadas da Starlink não conseguiram reativar o serviço de Internet. Os sistemas de guerra eletrónica russos, desenvolvidos através da experiência de combate na Ucrânia e na Síria, foram transferidos para o Irão. A experiência chinesa em interferência de satélites também terá sido partilhada. O Irão aperfeiçoou essas técnicas e frustrou os planos da CIA-Mossad, demonstrando as suas capacidades autóctones. O Sul Global está a aprender a ripostar.

CONCLUSÃO

O impacto da vitória do Irão na guerra eletrónica vai para além da crise imediata. O domínio que a tecnologia de satélite prometia dar às potências imperiais sobre o espaço de informação foi quebrado, pelo menos parcialmente, pelo menos temporariamente. A constelação de 6 000 satélites da SpaceX, avaliada em centenas de milhões, pode ser degradada por sistemas terrestres que custam uma fração dessa soma.

Este não é um veredito sobre a tecnologia de satélite, que tem um potencial genuíno para a conetividade global. É um veredito sobre o sistema imperial que arma infra-estruturas civis para operações de mudança de regime. Quando Musk declara que “os feixes estão ligados” sobre um país alvo, quando antigos diretores da CIA reconhecem publicamente agentes em multidões em protesto, quando 50.000 terminais contrabandeados aguardam ativação, a pretensão humanitária cai por terra.

As implicações vão para além da Ásia Ocidental. Para a Índia, as lições são claras. O governo de Modi decidiu emitir licenças para a Starlink operar na Índia, quebrando o precedente de longa data de que as empresas estrangeiras não podem possuir espetro de telecomunicações ou operar diretamente serviços de telecomunicações. Esta inversão, levada a cabo sem um debate público adequado, sob pressão dos EUA, ameaça a nossa soberania. Se as comunicações por satélite podem ser utilizadas como arma para a mudança de regime no Irão, podem sê-lo em qualquer lugar. O governo tem de reconsiderar seriamente estas medidas mal pensadas, antes que “feixes de luz se acendam” sobre a Índia.

Para os arquitectos em Washington e Telavive da mudança de regime, o Irão representa um revés estratégico. Para o Sul Global, representa uma lição:   a soberania tecnológica não é opcional. É obrigatório preservar a nossa soberania.

25/Janeiro/2026

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Trump establece su propia ONU: un peligroso eco de los años treinta

 


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Fuentes: Rebelión

Traducido del neerlandés por el autor

Donald Trump hace añicos el orden jurídico internacional con la creación de su propio “Consejo de Paz”. Esta peligrosa ONU en la sombra evoca fantasmas de los años treinta, cuando la desaparición de las reglas globales llevó a una conflagración mundial.

Se ha evitado, por el momento, una crisis entre EE. UU. y los demás países de la OTAN sobre Groenlandia. Pero a la sombra de eso, Trump está ocupado con algo mucho más trascendental que está llevando la diplomacia internacional a un peligroso punto de inflexión. Se trata del Board of Peace (Consejo de Paz) que Trump ha creado en Washington.

En noviembre de 2025 el Consejo de Seguridad de la ONU había aprobado formalmente mediante la resolución 2803 un consejo de este tipo como administración temporal para la reconstrucción de Gaza. Pero la iniciativa de Trump va mucho más lejos. El Consejo, que está presidido por el propio Trump, se presenta en documentos oficiales recientes como un mecanismo mundial de gestión de conflictos.

De varios documentos filtrados se desprende que el consejo tiene todas las ínfulas de una ONU en la sombra. Hace unos días Trump dijo que el Consejo de Paz “podría” sustituir a la ONU. Así, lo que oficialmente empezó como un órgano para la reconstrucción de Gaza, con la aprobación de la ONU, se está convirtiendo ahora en un ataque directo a las Naciones Unidas.

La ONU ciertamente no es perfecta. La composición del Consejo de Seguridad es problemáticai y los miembros permanentes poseen un derecho de veto del que se ha abusado durante décadas. Pero hay una gran diferencia entre un sistema defectuoso que debe reformarse y un sistema paralelo que sustituye la idea del derecho internacional por el derecho del patrocinador.

Un nuevo club mafioso

La composición de este Consejo de Paz se lee como el diseño de un nuevo orden mundial en el que el diplomático tradicional deja su lugar al «hacedor de tratos». En la cima está el propio Donald Trump como presidente de por vida, flanqueado por un círculo estrecho de personas de confianza como su yerno Jared Kushner y el influyente magnate inmobiliario y principal negociador Steve Witkoff. Ellos forman el núcleo duro de una administración que se complementa con pesos pesados del mundo financiero, entre ellos el presidente del Banco Mundial, Ajay Banga, y capitalistas de riesgo como Marc Rowan, de Apollo Global Management.

Al involucrar también en la ejecución a figuras experimentadas como el ex primer ministro británico Tony Blair y la diplomática neerlandesa Sigrid Kaag, el consejo intenta proyectar un halo de experiencia internacional y pragmatismo, mientras que la verdadera dirección permanece firmemente en manos de Mar-a-Lago.

Con ello, la base de la cooperación internacional se intercambia por un sistema de lealtad personal. Una estructura de poder de este calibre no tiene precedentes en la historia moderna. Trump dispone de un derecho de veto personal y de la competencia exclusiva para nombrar o destituir a los Estados miembros.

El alcance de la iniciativa ya se desprende de la lista de invitados, que abarca a más de sesenta países y constituye, con ello, un desafío directo a la universalidad de la ONU.

Mientras que aliados como el primer ministro húngaro, Viktor Orbán, y el presidente argentino, Javier Milei, expresaron de inmediato su apoyo, la invitación también se ha extendido ampliamente a actores regionales como Turquía, Egipto y los Emiratos Árabes Unidos para garantizar la estabilidad en Gaza. También Netanyahu, el arquitecto del genocidio en Gaza, pasa a ser miembro del consejo.

Los países que quieran un asiento permanente deben pagar por ello: una contribución de mil millones de dólares asegura un lugar en la mesa. Quien no pague, obtiene un asiento temporal de tres años, totalmente dependiente del favor del presidente.

El resultado es un órgano híbrido de poder de multimillonarios, servicios de inteligencia y tecnócratas que deciden conjuntamente sobre el futuro de las zonas de conflicto, por encima de las cabezas de la población local y al margen del derecho internacional. También podría describirse como una «ONU mafiosa».

Como si se tratara de una salida a bolsa, Trump quiere que la carta fundacional del consejo se firme en Davos.

Sombra de la Sociedad de Naciones

Este escenario recuerda de manera inquietantemente fuerte a los años treinta del siglo pasado. En aquel entonces, la Sociedad de Naciones, la precursora de la ONU, fue paralizada paso a paso. Los regímenes fascistas y autoritarios consideraban las reglas internacionales un obstáculo para su propia ansia de expansión y política de poder.

Cuando Japón ocupó Manchuria en 1931, Italia invadió Etiopía en 1935, y la Alemania nazi empezó abiertamente a desmantelar el sistema de tratados de la posguerra (entre otras cosas, al rearmarse), abandonaron la Sociedad de Naciones y este organismo se convirtió en un tigre de papel sin medios propios de poder.

Igual que entonces, vemos ahora que Estados Unidos cambia las reglas universales por sus propias estructuras paralelas y acuerdos oportunistas, con todas las consecuencias que ello conlleva. Cuando las grandes potencias abandonaron la Sociedad de Naciones en favor de sus propios “acuerdos”, el mundo se deslizó hacia la destrucción total de la Segunda Guerra Mundial.

El Consejo de Paz de Trump amenaza con hacer exactamente lo mismo al volver irrelevante el único lugar donde los países aún dialogan sobre la base del derecho: la ONU.

Llamada de atención

Al igual que en los años treinta, el auge de la extrema derecha no se traduce únicamente en la demolición de las instituciones democráticas, sino también en una incitación temeraria a la guerra. La creación de este Consejo de Paz es un ataque frontal a los valores compartidos que se construyeron con dificultad después de 1945. El Consejo es un síntoma de un orden jurídico que se derrumba.

Si el mundo permite que la ONU sea reemplazada por un club de poder privatizado, repetiremos los errores fatales de los años treinta y nos encaminaremos hacia un nuevo incendio mundial. Esta iniciativa debe ser una llamada de atención apremiante para todos nosotros.

Texto original: https://www.dewereldmorgen.be/artikel/2026/01/21/trump-richt-eigen-vn-op-gevaarlijke-echo-van-de-jaren-dertig

Nota:

i La composición actual refleja el mundo de 1945, no el de hoy: África y América Latina están infrarrepresentadas, mientras que países como India, Brasil o Nigeria no tienen una voz fija. Además, sin un poder ejecutivo propio, el Consejo depende de los Estados miembros para hacer cumplir las decisiones, lo que a veces lo hace parecer impotente o selectivo.

Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes.

Em 

Rebelion

https://rebelion.org/trump-establece-su-propia-onu-un-peligroso-eco-de-los-anos-treinta/

23/1/2026 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

The Drive for Colonialism

 

Prabhat Patnaik


Post-war imperialism was founded upon a basic contradiction, which becomes clear when we compare it with the pre-World War I period. The leader of the imperialist world in any period typically fulfils its leadership role by running an overall balance of payments deficit vis-à-vis other major countries to which capitalism is getting diffused. This is so for several reasons: it has to make capital exports to help the diffusion of capitalism; it has to keep its markets open for goods produced by these newly-industrializing countries to which capitalism is getting diffused; it has to undertake military expenditure to maintain its hegemony; and it has to periodically fight actual wars. The leader’s running a balance of payments deficit for all these reasons is almost an inexorable law of capitalism. Accordingly, the leading capitalist country of the pre-WWI period, Britain, had an overall balance of payments deficit, taking its current and capital accounts together, vis-à-vis the other emerging capitalist countries of that period, namely, Continental Europe, the U.S.A., Canada, Australia, New Zealand and South Africa. But while running this deficit Britain did not get into any external debt; on the contrary it had a net creditor’s position vi-a-vis the world as a whole.

This was made possible because of its tropical colonies of conquest (as distinct from its temperate colonies of settlement), and it happened in two ways: first, by Britain selling in these captive colonial markets its goods which were being increasingly ousted by competition from capitalist producers in the newly-industrializing countries; this ousting occurred both in the markets of the new industrializers and also in Britain’s own home market. Second, Britain simply appropriated without any quid pro quo the entire net foreign exchange earnings of these colonies, the part that corresponded to their commodity export surplus to these newly-industrializing countries. (This phenomenon was called the “drain of wealth” by the Indian anti-colonial writers and was noted by Marx in a letter to the Russian Narodnik economist N.F. Danielson in 1881).

Britain thus managed to maintain its leadership role without facing any difficulties because it could fall back on its colonial empire to sustain that role. For instance, Britain’s overall balance of payments deficit vis-à-vis Continental Europe and the United States in 1910, taking both current and capital accounts together, was 95 million pounds (out of a total of 145 million pounds with all countries with whom Britain had a deficit); of this as much as 60 million pounds came from only one colony, namely India (see S.B.Saul, Studies in British Overseas Trade); in addition of course it had similar extractions from the West Indies, Malaya and other colonies.

Now, the basic contradiction of post-war capitalism consisted in the fact that the leading imperialist country of this period, the United States, did not have any such colonies. It could neither access colonial markets, which constituted, to use S.B. Saul’s words, “markets on tap”, nor use any colonies as sources of loot. Fulfilling its leadership role in the absence of any British-type colonial empire, required therefore its getting increasingly into debt. We thus had this bizarre situation where the leading capitalist country of the world also became over time the most indebted country in the world.

This did not of course matter immediately since the rest of the world was perfectly willing to hold on to the IOUs pouring out of the U.S., namely the  American dollars or dollar-denominated assets, as the dollar was considered to be “as good as gold”. There was a brief setback to this belief when there was a rush to exchange dollars for gold in the early 1970s: the dollar was exchangeable for gold at $35 per ounce of gold under the Bretton Woods system and this provided scope for people to move away from the dollar and move into gold when there was an upsurge of inflation all across the world. But after the gold convertibility of the dollar was officially ended and the Bretton Woods system abandoned because of this, the confidence in the dollar gradually returned and wealth-holders once again went on holding American dollars without any complaints. The U.S. leadership of the capitalist world thus remained intact even after the end of the Bretton Woods system.

While this meant avoidance of any crisis arising from the basic contradiction of functioning without colonies, there always remained however the possibility of a future crisis, since this contradiction itself persisted. The confidence in the dollar arose among other things from the belief that the inflation rate within the U.S. would never be so high as to induce wealth-holders to move away from the dollar to some commodity; and this belief in turn was rooted in the conviction that the dollar price of labour power would always remain within bounds through the existence of sufficient unemployment, and the price of the most important current input, oil, would remain restrained though the imposition of U.S. hegemony over the oil-producing world. The possibility of these conditions getting undermined however always remained.

The U.S. hegemony over the oil producing world became threatened as several oil producers like Iran, Russia and Venezuela got into antagonistic relations with it and even became targets of sanctions by it. Because of the sanctions they began entering into arrangements with other countries to sell their oil in currencies other than the dollar. This began to erode the dominance of the dollar and portended a possible crisis in the future.

Besides, the very fact of becoming more and more embroiled in debt, even if this debt is readily held, is not a prospect that the U.S. relished. The prevailing situation therefore was becoming increasingly unacceptable to the U.S. and the Trump administration finally decided to curtail altogether the balance of payments deficit of the U.S. and hence reduce the debt it incurs at the margin.

Trump’s imposition of tariffs on imports from the rest of the world is one manifestation of this desire to curtail the payments deficit; the decision to sell American energy which earlier used to be stored within the U.S. itself is another manifestation; and the drive to acquire colonies, especially those endowed with rich mineral resources, so that these resources can be looted (as the tropical colonies earlier could be through the “drain”) to pay for the U.S. balance of payments deficit is another. This is not to say of course that other motives did not underlie each of these decisions; it is simply to highlight one important common motive.

Liberal opinion tends to blame Donald Trump for the current ultra-aggressive stance of the U.S. and there is no doubt that a major difference exists between Trump and the other Presidents, in so far as Trump is a neo-fascist while the other at worst could be considered only arch-conservative. But to single out Trump as the sole villain is to turn a blind eye to the frailties of the system as a whole. What Trump’s action against Venezuela demonstrates is not just his aggressive intent, but also the fact that capitalism functions properly only when it is sustained by direct colonies; and Trump understands this in an intuitive manner. Neo-liberalism and other such ways of controlling the world’s resources by the metropolis, which have been the instruments used until now, are not half as effective as direct colonial rule.

This indeed is the exact opposite of what liberalism believes, which is that the subjugation of people through colonial oppression might have occurred in the past but is not intrinsic to capitalism, that capitalism can function in a peaceful manner through international cooperation, just as it can maintain class cooperation and a welfare state in the metropolis. Trump’s behaviour deviates from this idealized picture of capitalism not because he is a nasty person but, above all, because this idealized picture itself is untenable and Trump’s nastiness fits in with the contemporary requirements of capitalism.

This implies that it is capitalism, not Donald Trump, that is pushing mankind to an extraordinarily dangerous situation. Historical advances such as democracy, decolonization and the welfare state which had been made through the struggles of the working people against the system at a time when it was vulnerable because of the socialist challenge, are being sought to be rolled back, now that this challenge appears to have abated. But the very aggressiveness of capitalism, its very effort to roll back the historical advances made by the people, only underscores the necessity of socialism.

Rosa Luxemburg’s assertion that mankind faced a stark choice between socialism and barbarism is being amply vindicated today by Donald Trump’s desperate shenanigans to keep imperialism afloat.

Em

People's Democracy

https://peoplesdemocracy.in/2026/0118_pd/drive-colonialism 

January 18, 2026 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

China responde a tope

 


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Fuentes: Abya Yala Soberana [Imagen: El presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, recibe en el palacio de Miraflores al enviado especial de China para Asuntos de América Latina, Qiu Xiaoqi, el 2 de enero de 2026, apenas unas horas antes del secuestro del presidente Maduro por las tropas usamericanas. Créditos: Marcelo García / Prensa Presidencial de Venezuela]

China condenó el secuestro y violación de la soberanía de Venezuela enérgicamente. Sin grandes poses grandilocuentes al estilo de Trump y Macron ha tomado una serie de medidas entendiendo que los EEUU ha definido el control del petróleo venezolano como una forma de detener la presencia de China en América del Sur y detener su imparable desarrollo.


China ha tomado una serie de medidas que apuntan a la línea de flotación del imperio norteamericano porque la agresión a Venezuela es una declaración de guerra a la propuesta de un mundo multipolar y a los BRICS.

A Pocas horas de conocerse la noticia del secuestro del Presidente Maduro, Xi Jinping convocó una reunión de emergencia del Comité Permanente del Poliburó que duró exactamente 120 minutos, no hubo comunicados ni amenazas diplomáticas, hubo el silencio que procede a la tormenta porque esa reunión activó lo que los estrategas chinos llaman Respuesta Integral Asimétrica con el fin de responder a una agresión a los socios del Hemisferio Occidental y Venezuela es la cabeza de playa para América Latina en el «patio trasero de los EEUU».

La primera fase de la respuesta China se activó a las 9:15 de la mañana del 4 de enero cuando el Banco Popular de China anunció discretamente la suspensión temporal de todas las transacciones en dólares americanos con corporaciones que tuvieran vínculos con el sector de defensa yanqui. Boeing, Lockheet Martin, Raytheon, General Dinámica despertaron ese jueves con la noticia de que todas sus transacciones con China habían sido congeladas sin aviso previo. A las 11:43 del mismo día la State Gris Corporation of China que controla la red eléctrica más grande del planeta anunció la revisión técnica de todos sus contratos con proveedores americanos de equipos eléctricos lo que implica que China se desacopla de la tecnología americana.

A las 2:17 de la tarde China National Petroleum Corporation, la petrolera estatal más grande del mundo anunció la reorganización estratégica de sus rutas de suministro global lo que significa que se ha reactivado el arma energética, lo que significa la anulación de contratos de suministro de petróleo con refinerías Americanas por un valor de 47 mil millones de dólares anuales, ese petróleo que llegaba a la costa Este de EEUU fue dirigido a la India, Brasil Sudáfrica y otros socios del Sur Global lo que determinó que los precios del petróleo se dispararon 23% en una sola sesión de Trading, pero lo más importante es el mensaje estratégico: China puede estrangular energéticamente a EEUU sin disparar un solo tiro.

En otra jugada la China Ocean Shiping Company que controla aproximadamente 40% de la capacidad de transporte marítimo global implementó lo que llamó Optimización de Rutas Operativas, lo que significa que los cargueros chinos han empezado a evitar usar los puertos americanos: Long Beach, Los Ángeles, Nueva York y Miami, que dependen de la logística naval china para mantener sus cadenas de suministro se encontraron súbitamente sin el 35% de su tráfico normal de contenedores, una catástrofe para Walmart, Amazon, Target…, que dependen de barcos chinos para su importación de productos manufacturados en China para puertos americanos vieron su cadena de suministros colapsados parcialmente en cuestión de horas.

Lo más impactante de todas estas medidas fue el ‘timing’ aplicado simultáneamente, crearon un efecto cascada que amplificó exponencialmente el impacto económico, no fue una escalada gradual, fue un shock sistémico diseñado para anular la capacidad americana de respuesta.

No había terminado de asimilar el gobierno yanqui el golpe cuando China activa un nuevo paquete de medidas: la movilización del Sur Global, a las 4:22 del mismo día 4 de enero el ministro de relaciones exteriores Chino Wang Yi ofrece a Brasil, India, Sudáfrica, Irán, Turquía, Indonesia y otros 23 países términos comerciales preferenciales inmediatos para cualquier país que se comprometiera públicamente a no reconocer ningún gobierno venezolano que llegara al poder de la mano criminal de los EEUU.

En menos de 24 horas 19 países habían aceptado la oferta, Brasil fue el primero, seguido de la India, Sudáfrica y México y eso es la materialización práctica del Mundo Multipolar en Acción. China ha logrado una coalición antinorteamericana instantánea usando el arma de los incentivos económicos.

La guinda del pastel legó el 5 de enero cuando Beijing activó el arma financiera: el sistema de pagos interbancaria transfronterizos de China anunció que estaba expandiendo su capacidad operativa para absorber cualquier transacción global que quisiera evitar el sistema SWIFT controlado por Washington, lo que significa que China ha dispuesto una alternativa al mundo completamente funcional al sistema financiero occidental. Cualquier país, corporación, banco, que quiera comerciar sin depender de la infraestructura financiera americana podía usarlo usando el sistema chino más barato y rápido en un 97%. La respuesta fue inmediata y masiva, en las primeras 48 horas de operación se procesaron transacciones por valor de 89 mil millones de dólares. Bancos centrales de 34 países abrieron cuentas operativas en el sistema chino, lo que significa una desdolarización acelerada de una de las fuentes más importantes del financiamiento de los EEUU.

En el frente tecnológico china que controla el 60% de la producción mundial de tierras raras, elementos críticos para la fabricación de semiconductores y componentes electrónicos anunció restricciones temporales a la exportación de tierras raras hacia cualquier país que hubiese apoyado el secuestro del Presidente Nicolás Maduro. Apple, Microsoft, Google, Intel, todas las gigantes tecnológicas americanas que dependen de cadenas de suministro chinas para componentes críticos andan asustadas ya que sus sistemas de producción podrían colapsar en cuestión de semanas.

Cada movimiento chino golpea el corazón económico del imperio norteamericano.

¿Qué ha hecho China a favor de Venezuela? preguntan amigos y enemigos del gobierno. Lo anteriormente expuesto es la explicación de que sin declarar la guerra China actúa.


Kurt Grötsch es cofundador y vicepresidente de Cátedra China y embajador de la Minzu University of China.

Fuente: https://abyayalasoberana.org/noticias/venezuela-china-responde-a-tope/

Em

Rebelion

https://rebelion.org/china-responde-a-tope/

19/1/2026

 

 

sábado, 17 de janeiro de 2026

Como Washington usa a energia como arma – A militarização do comércio mundial de petróleo fundamenta a ordem baseada em regras dos EUA

 


Michael Hudson [*]

Cartoon de Matt Wuerker.

Irão (1953), Iraque (2003), Líbia (2011), Rússia (2022), Síria (2024) e agora Venezuela (2026). O denominador comum subjacente aos ataques e sanções económicas dos EUA contra todos estes países é o armamento americano do comércio mundial de petróleo. O controlo do petróleo é um dos seus principais métodos para alcançar o controlo unipolar do comércio mundial e dos acordos financeiros dolarizados. A perspetiva de os países acima mencionados utilizarem o seu petróleo para seu próprio benefício e diplomacia representa a ameaça mais séria à capacidade global da América de utilizar o comércio do petróleo para impor os objectivos da sua diplomacia.

Todas as economias modernas precisam de petróleo para alimentar as suas fábricas, aquecer e iluminar as suas casas, produzir fertilizantes (a partir do gás) e plásticos (a partir do petróleo) e abastecer os seus transportes. O petróleo sob o controlo dos Estados Unidos ou dos seus aliados (British Petroleum, Holland's Shell e, atualmente, a OPEP) tem sido, desde há muito, um potencial ponto de estrangulamento que os responsáveis norte-americanos podem utilizar como alavanca contra países cujas políticas considerem adversas aos desígnios dos Estados Unidos: os Estados Unidos podem mergulhar as economias desses países no caos cortando-lhes o acesso ao petróleo.

O objetivo primordial da atual diplomacia americana, naquilo a que os seus estrategas chamam uma guerra civilizacional contra a China, a Rússia e os seus potenciais aliados dos BRICS, é bloquear a retirada de países da economia mundial controlada pelos EUA e frustrar a emergência de um agrupamento económico centrado na Eurásia. Mas, em contraste com a posição da América no final da Segunda Guerra Mundial, quando era a potência económica e monetária dominante do mundo, hoje tem poucos incentivos positivos para atrair países estrangeiros para uma economia mundial centrada nos EUA, na qual, como o Presidente Trump disse, os Estados Unidos devem ser os ganhadores em qualquer acordo de comércio exterior e investimento, e outros países devem ser os perdedores.

Foi para isolar a Rússia e, por trás dela, a China e o Irão, que o Presidente Trump utilizou as suas tarifas do Dia da Libertação, a 2 de abril de 2025, para pressionar os líderes da Alemanha e da UE a absterem-se voluntariamente de importar mais energia da Rússia, apesar de partes do gasoduto Nord Stream 2 ainda estarem operacionais. A anterior aceitação pela Alemanha e pela UE da destruição dos gasodutos Nord Stream, em fevereiro de 2022, é um testemunho da capacidade dos diplomatas americanos para forçar os países a aderirem – em seu próprio prejuízo – às alianças militares americanas da Guerra Fria e a seguirem as políticas por eles estabelecidas. A desindustrialização e a perda de competitividade da Alemanha, desde que o seu comércio de petróleo e gás com a Rússia foi bloqueado, foi o sacrifício exigido a este país (e à UE) pelos Estados Unidos no seu esforço para isolar e prejudicar as economias russa e chinesa (e também para gerar receitas adicionais de exportação de GNL para si próprios, é certo).

Uma caraterística fundamental da política de segurança nacional dos EUA é o seu poder de impedir que outros países protejam e actuem de acordo com os seus próprios interesses económicos e de segurança. Esta assimetria foi incorporada na economia mundial desde o final da Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos tinham um enorme apoio económico para oferecer às economias europeias devastadas pela guerra. Mas, atualmente, o poder americano de coação é apoiado principalmente pelas suas ameaças de causar danos e caos, criando e explorando pontos de estrangulamento ou, como último recurso, bombardeando países mais fracos para forçar o seu cumprimento. Esta alavancagem destrutiva é o único instrumento político que resta a uma economia americana que se desindustrializou e caiu numa dívida externa de uma magnitude que ameaça agora acabar com o papel monetário dominante e lucrativo do dólar.

No final da Segunda Guerra Mundial, o dinheiro era o principal ponto de estrangulamento das economias ocidentais. O Tesouro dos EUA estava a caminho de aumentar as suas reservas de ouro para 80% do ouro monetário mundial – do qual a expansão financeira estrangeira dependia sob o padrão dólar/ouro para pagamentos internacionais que durou até 1971.

Com a maioria dos países sem ouro monetário e necessitando de contrair empréstimos para financiar o seu comércio externo e os défices da balança de pagamentos, os diplomatas americanos utilizaram o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para conceder empréstimos em condições que impunham políticas de privatização pró-EUA, impostos regressivos e uma abertura das economias estrangeiras aos investidores americanos. Tudo isto se tornou parte do sistema dolarizado do comércio internacional e da política monetária que o financia.

Para além do dinheiro, o petróleo tornou-se uma necessidade internacional importante – e, portanto, um potencial ponto de estrangulamento. É também, desde há muito, um dos pilares da balança comercial dos EUA (juntamente com as exportações de cereais) e tem sido o principal suporte do papel dominante do dólar nas finanças desde 1974, quando os países da OPEP quadruplicaram os preços do petróleo e chegaram a um acordo com os funcionários dos EUA para investirem os seus ganhos de exportação na compra de títulos do Tesouro e de empresas dos EUA e de depósitos bancários – tendo-lhes sido dito que não o fazer seria considerado um ato de guerra contra os Estados Unidos. O resultado foi a criação do mercado dos petrodólares, que se tornou um pilar da balança de pagamentos dos EUA e, consequentemente, da força do dólar.

Desde 1974, os responsáveis norte-americanos têm procurado não só manter o comércio mundial de petróleo e outras matérias-primas a preços em dólares, mas também emprestar petróleo e outros excedentes de exportação aos Estados Unidos (ou investir neles). Este é o tipo de “retorno” que Donald Trump passou o último ano a negociar com países estrangeiros como condição para lhes permitir manter o acesso ao mercado dos EUA para os seus produtos.

O exemplo mais recente desta insistência foi o anúncio do Departamento de Energia, a 6 de janeiro, de que a administração Trump iria permitir que a Venezuela exportasse 30 a 50 milhões de barris de petróleo, no valor de até 2 mil milhões de dólares, e que isso “continuasse indefinidamente” numa base selectiva, sujeito a uma disposição chave:   “As receitas serão depositadas em contas controladas pelos EUA em ‘bancos mundialmente reconhecidos’ e depois serão distribuídas às populações dos EUA e da Venezuela, segundo o critério da administração Trump”.

Exigências dos EUA de privilégios prioritários para si no comércio mundial de matérias-primas vitais

Em setembro de 1973, um ano antes da revolução dos preços da OPEP, os Estados Unidos derrubaram o presidente eleito do Chile, Salvador Allende. O problema não era a “chilenização” da sua indústria do cobre. Na verdade, esse plano havia sido proposto pelas empresas americanas de cobre Anaconda e Kennecott. Estas consideravam que a aquisição negociada das empresas americanas contribuía para aumentar o preço mundial do cobre. Isso criou uma barreira de preços para as empresas aumentarem os lucros da sua própria exploração mineira e refinação nos EUA. Este foi o mesmo princípio que levou as empresas petrolíferas a aceitarem as nacionalizações e o aumento de preços da OPEP em 1974.

A condição fundamental associada ao acordo chileno sobre o cobre era que o cobre seria vendido às empresas americanas como primeiro da fila, independentemente do preço chileno fixado. As empresas de cobre americanas necessitavam desta garantia para assegurar aos seus clientes o fornecimento contínuo de cabos eléctricos, armas e outras aplicações importantes. Este direito de primeira recusa era uma concessão que não implicava um sacrifício económico por parte do Chile. Mas Allende insistia que esta concessão violava a soberania chilena. Tratava-se de uma exigência desnecessária do ponto de vista do interesse nacional chileno, mas Allende manteve-se firme – e foi derrubado. No caso da Venezuela, o que mais perturba os responsáveis pela segurança nacional dos Estados Unidos é o facto de ter estado a fornecer 5% das necessidades de petróleo da China.

Também fornecia o Irão e Cuba, embora a Rússia a tenha substituído cada vez mais como fornecedor destes dois países desde 2023. Esta liberdade russa e venezuelana de exportar petróleo enfraqueceu a capacidade dos funcionários americanos de usar o petróleo como arma para esmagar outras economias, ameaçando-as com a mesma retirada de energia que destruiu a indústria alemã e os níveis de preços. Este fornecimento de petróleo que não está sob o controlo dos EUA foi, portanto, considerado uma violação da ordem baseada em regras dos EUA.

Para piorar a situação, a Venezuela anunciou em 2017 que iria começar a fixar os preços das suas exportações de petróleo em moedas que não o dólar, ameaçando a prática de mercado do petrodólar. E, à medida que a China se tornava um investidor na indústria petrolífera venezuelana, falava-se que o Presidente Maduro começaria a cotar o preço das suas exportações de petróleo em yuan chinês (tal como a Zâmbia acaba de fazer com as suas exportações de cobre). Maduro deixou claro o desafio que estava a lançar. Já em 2017 tinha anunciado que o seu objetivo era acabar com “o sistema imperialista dos EUA”.

As regras não escritas baseadas em ordens dos EUA governam a economia mundial de hoje, não a Carta da ONU

A diplomacia americana não se sente segura a não ser que possa tornar os outros países inseguros, e vê a sua liberdade de ação ameaçada se for permitida aos outros países a liberdade de decidirem com quem querem negociar e o que querem fazer com as suas poupanças. A política externa dos EUA de criar pontos de estrangulamento para manter outros países dependentes do petróleo sob controlo dos EUA, e não do petróleo fornecido pela Rússia, Irão ou Venezuela, é um dos principais meios da América para tornar outros países inseguros. Mas esta política não foi até agora registada em documentos públicos. Até às declarações contundentes de Trump e dos seus conselheiros, na semana passada, os diplomatas americanos pareciam ter vergonha de declarar explicitamente este e outros princípios fundamentais da ordem baseada em regras dos Estados Unidos.

A razão para esta relutância foi o facto de estes princípios serem antitéticos ao direito internacional (e também aos princípios do mercado livre, que os Estados Unidos até agora subscreveram, pelo menos na sua retórica). O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do Presidente Maduro é o exemplo mais recente deste facto. Embora a liderança dos Estados Unidos considere a sua agressão um exercício permissível dos seus princípios de ordem baseados em regras, é uma violação flagrante – na verdade, um repúdio – do direito internacional, mais notavelmente o Artigo 2 (4) da Carta das Nações Unidas que afirma, de facto, que “uma nação não pode usar a força no território soberano de outro país sem o seu consentimento, uma razão de autodefesa ou a autorização do Conselho de Segurança da ONU”.

Por incrível que pareça, os Estados Unidos justificam frequentemente as suas agressões e ameaças militares com base na auto-defesa. O colunista do Financial Times, Gideon Rachman, por exemplo, relata que “os EUA acreditam que a sua própria segurança nacional seria posta em perigo se a indústria de semicondutores de Taiwan caísse nas mãos da China – ou se Pequim controlasse a navegação que passa pelo Mar do Sul da China”. A América parece ser o país mais ameaçado e vulnerável do mundo, muito aquém do seu antigo poder. O próprio Trump parece viver com medo, chegando mesmo a citar a localização geográfica da Gronelândia como uma ameaça à segurança nacional dos EUA:   “Precisamos da Gronelândia do ponto de vista da segurança nacional”, disse ele aos jornalistas no Air Force One, a 4 de janeiro. "A Gronelândia está coberta de navios russos e chineses por todo o lado. Trump prometeu tratar da questão da Gronelândia nos próximos dois meses. E os líderes da UE estão a apoiar Trump como o derradeiro protetor da Europa contra tais ameaças. O presidente da Letónia sugeriu que as “necessidades legítimas de segurança dos EUA” têm de ser abordadas num “diálogo direto” entre os EUA e a Dinamarca.

A Gronelândia deve fazer parte dos Estados Unidos", disse Stephen Miller, vice-chefe de gabinete de Trump para Política e Segurança Interna. “O presidente tem sido muito claro sobre isso, essa é a posição formal do governo dos EUA”. Desmentindo a ideia de que a tomada da Gronelândia envolveria uma operação militar, Miller avisou que “ninguém vai lutar militarmente contra os Estados Unidos pelo futuro da Gronelândia”.

Muito menos os dinamarqueses, pelos vistos. O aspeto mais sinistro das ameaças de Trump de anexar a Gronelândia aos Estados Unidos no início de 2026 foi a intenção dos EUA – apoiada pela NATO – de bloquear o acesso ao Ártico a partir do Atlântico Norte “em ambos os lados do fosso entre a Gronelândia, a Islândia e o Reino Unido, através do qual os navios russos – ou chineses – devem passar para entrar no Atlântico Norte”. Um porta-voz da NATO referiu-se aos comentários feitos pelo secretário-geral Mark Rutte em [6 de janeiro], em que afirmou que “a NATO coletivamente (...) tem de garantir que o Ártico se mantém seguro”. O próprio Rutte disse à CNN que “todos nós [membros da NATO] concordamos que os russos e os chineses estão cada vez mais activos nessa área”, não deixando dúvidas de que manter o Oceano Ártico ‘seguro’ significa “livre” da navegação chinesa e russa que ambos os países têm trabalhado para desenvolver de modo a encurtar as rotas e os tempos de navegação.

Um editorial do Wall Street Journal apoia a afirmação de que a América precisa de se defender contra países que permanecem independentes do controlo dos EUA. Salientando que “os EUA também alegaram auto-defesa para prender o ditador panamenho Manuel Noriega”, o jornal argumenta que o derrube militar é “a única defesa contra os bandidos globais”.

Mais concretamente, adverte que seria uma ilusão idealista, mas anacrónica, imaginar que o direito internacional rege realmente as acções das nações. “Como se Moscovo e Pequim já não espezinhassem o direito internacional quando este se interpõe no seu caminho”, ironiza, desvalorizando a relevância do direito internacional, que se tornou “o melhor amigo dos tiranos”.

O atual direito das nações sempre esteve, naturalmente, sujeito ao uso da força e ao princípio do “Poder faz a razão”. O conselheiro de Trump, Stephen Miller, explicou a sua filosofia numa entrevista à CNN:   "Vivemos num mundo, no mundo real... que é governado pela força, que é governado pela força, que é governado pelo poder. Estas são as leis de ferro do mundo desde o início dos tempos".

Os diplomatas americanos podem simplesmente encolher os ombros e perguntar quantas tropas têm as Nações Unidas. Não tem nenhuma e as resoluções do Conselho de Segurança estão, de qualquer modo, sujeitas ao veto dos Estados Unidos. E os Estados Unidos simplesmente ignoram as disposições da Carta da ONU, como o mundo acaba de ver com o sequestro do chefe de Estado da Venezuela. São as regras dos EUA que servem de lei operativa a que estão sujeitos os outros países, pelo menos os que estão na órbita comercial, financeira e militar dos EUA.

Trump não tem qualquer embaraço em reconhecer o princípio operativo que se aplica à sua mais recente diplomacia internacional:   “Queremos o petróleo da Venezuela”. Ele já confiscou petróleo em trânsito de petroleiros que saíram da Venezuela no mês passado. E anunciou que, se a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, não concordar voluntariamente em entregar o controlo do seu petróleo, o exército dos EUA entregará as suas reservas de petróleo a empresas americanas e trará um novo cleptocrata ou ditador para governar o país em nome dos interesses dos EUA.

Quando o Departamento de Estado dos EUA pressionou os países da OPEP a reciclarem os seus ganhos com a exportação de petróleo em títulos em dólares americanos em 1974, os líderes da OPEP estavam dispostos a fazê-lo, porque os Estados Unidos eram de longe a principal economia financeira do mundo nessa altura. Ainda dominam o sistema financeiro baseado no dólar, mas já não têm o seu antigo poder industrial e acabaram de reduzir a sua ajuda externa e a sua participação na Organização Mundial de Saúde e noutras agências de ajuda da ONU. Em vez de apoiar o crescimento de outras economias, a sua força diplomática baseia-se agora na sua capacidade de perturbar o seu comércio e crescimento económico. E foi o declínio do seu poder industrial que tornou tão urgente a ação dos EUA contra a Venezuela, com a sua agressão militar e ameaças contínuas contra esse país, como parte da sua tentativa de dissuadir os países de romperem com as regras não escritas do controlo unipolar dos EUA sobre o comércio internacional e os pagamentos, desdolarizando as suas relações comerciais e monetárias.

Há também uma apropriação de recursos. Stephen Miller, o principal conselheiro de Trump acima referido, afirmou sem rodeios que “os países soberanos não têm soberania se os EUA quiserem os seus recursos”. Os seus comentários seguiram-se a uma declaração igualmente contundente numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU pelo embaixador dos EUA Michael Waltz:   “Não se pode continuar a ter as maiores reservas de energia do mundo sob o controlo de adversários dos Estados Unidos.”

O princípio legal dos EUA é que “a posse é nove décimos da lei”. E a lei em ação no caso presente é a dos Estados Unidos, não a da Venezuela ou a das Nações Unidas. Há uma série de outros princípios em ação, encabeçados pelo já mencionado direito de autodefesa ao abrigo da permissão americana “Stand your ground” para se defender. A história de cobertura para o ataque de Trump à Venezuela (testada nos media pela Fox News e pelas sondagens) é que a Venezuela ameaça os Estados Unidos com cocaína e outras drogas. Ou, pelo menos, com drogas que não são coordenadas pela CIA e pelos militares americanos, como tem sido documentado desde o Vietname até ao Afeganistão e à Colômbia. A acusação judicial contra Maduro, no entanto, não faz referência às afirmações de Trump sobre um “Cartel de los Soles” que ele alegadamente lidera, mas cita principalmente acusações não relacionadas com o porte de uma metralhadora e outras acusações semelhantes inaplicáveis a um chefe de Estado estrangeiro.

Não houve qualquer acusação contra Maduro pelas suas verdadeiras infracções aos olhos dos Estados Unidos:   ameaçar a capacidade da América de controlar o petróleo do seu país e a sua comercialização, e a sua intenção de fixar o preço do petróleo venezuelano em yuan e noutras moedas que não o dólar e de utilizar as receitas da exportação de petróleo para pagar à China os seus investimentos no seu país. A analogia adequada para as acusações forjadas de tráfico de droga contra Maduro é a falsa alegação – utilizada para justificar a invasão americana do Iraque em 2003 – de que Saddam Hussain estava a trabalhar para obter armas de destruição maciça. Isto foi suficiente para fazer cair o respeito pelo secretário de Estado Colin Powell após o seu discurso de 5 de fevereiro de 2003 perante as Nações Unidas. Mas, de acordo com o princípio americano de “stand your ground”, os Estados Unidos tinham razões para se sentirem ameaçados pela tentativa da Venezuela de assumir o controlo do seu comércio de petróleo – e, na verdade, de comerciar com os adversários designados pelos Estados Unidos, a China, a Rússia e o Irão. A agressão dos Estados Unidos em resposta a essa ameaça foi apoiada pelo princípio americano conexo que permite aos proprietários de casas ou aos polícias matar quem quer que seja que pensem ser uma ameaça, por mais subjectiva ou tardia que seja a desculpa.

Embora justificada por estes princípios da ordem baseada em regras da América, a última arma de Trump no comércio de petróleo envolveu, como discutido acima, o repúdio pelos Estados Unidos de princípios fundamentais do direito internacional, incluindo o direito do mar. Antes do seu ataque militar a Caracas e do sequestro do Presidente Maduro, o seu embargo às exportações de petróleo venezuelano (a qualquer comprador, exceto às companhias petrolíferas americanas) e a apreensão de petroleiros que transportavam o petróleo do país foram especialmente flagrantes, para não mencionar o seu bombardeamento de barcos de pesca não identificados e outras embarcações ao largo da costa da Venezuela, assassinando as suas tripulações sem aviso prévio.

Outra vítima da ênfase dos EUA em armar o comércio mundial de petróleo e energia é o ambiente. Como parte do seu objetivo de tornar o resto do mundo dependente do petróleo e do gás sob o seu firme controlo e dos seus aliados, os Estados Unidos estão a lutar para impedir que outros países descarbonizem as suas economias na tentativa de evitar uma crise climática e as suas condições meteorológicas extremas. Assim, os Estados Unidos opõem-se ao Acordo de Paris sobre o Clima, que apoia uma política “verde” de substituição dos combustíveis de carbono por energia eólica e solar.

O problema para os Estados Unidos é que a energia eólica e a energia solar constituem uma alternativa ao petróleo, que os Estados Unidos procuram controlar. A eliminação progressiva do petróleo não só eliminaria um dos pilares da balança comercial dos EUA, como também privaria os seus estrategas da capacidade de desligar as luzes e o aquecimento dos países cujas políticas se opõem. E para piorar a situação, a China assumiu a liderança na tecnologia das energias renováveis, incluindo a produção de painéis fotovoltáicos e pás de moinhos de vento. Este facto é visto como uma grande ameaça, uma vez que aumenta o risco de outras economias se tornarem independentes da dependência do petróleo. Entretanto, a oposição dos EUA a outros combustíveis que não o petróleo sob o seu controlo causou danos na própria economia americana, ao bloquear o seu próprio investimento em energia solar e eólica.

A administração Trump tem sido particularmente agressiva em bloquear não só as iniciativas estrangeiras para reduzir os combustíveis de carbono, mas também as alternativas americanas. "No primeiro dia do seu segundo mandato presidencial, o Sr. Trump emitiu uma ordem executiva suspendendo todo o arrendamento de terras e águas federais para novos parques eólicos. Desde então, a sua administração tem perseguido os parques eólicos que receberam licenças da administração Biden e que estavam em construção ou prestes a entrar em funcionamento, recorrendo a explicações variáveis". Suspendeu os contratos de arrendamento de todos os projectos eólicos offshore num novo ataque ao sector", invocando preocupações de segurança nacional.

O que torna este movimento contra as fontes de energia alternativas ainda mais impressionante é a projectada escassez de eletricidade nos Estados Unidos, que se prevê ser causada pelo aumento da procura por parte dos centros informáticos de IA, em circunstâncias em que os Estados Unidos têm grandes esperanças na inteligência artificial (IA). Para além das rendas dos recursos petrolíferos, os estrategas americanos esperam aumentar as rendas de monopólio dos Estados Unidos à custa de outros países através das suas tecnologias da informação, das empresas de plataformas de Internet e (esperam) do domínio da IA. O problema é que a IA requer uma enorme quantidade de energia para operar os seus computadores. Mas a tendência dos EUA para a produção de energia tem-se mantido estável na última década e o investimento em novas instalações de produção de energia é um processo moroso e burocrático (daí a projectada escassez de energia acima mencionada). Isto contrasta fortemente com o enorme aumento da produção de eletricidade da China, em grande parte devido à produção intensiva de painéis solares e moinhos de vento, em que estabeleceu uma ampla liderança tecnológica – enquanto a prática dos EUA tem evitado esta fonte de energia por “não ter sido inventada aqui” e, mais fundamentalmente, por ter o potencial de minar a sua tentativa de tornar o mundo dependente do petróleo que controla.

Resumo: As principais exigências da ordem baseada em regras dos EUA em relação ao petróleo são:

1. O controlo do comércio mundial de petróleo deve continuar a ser um privilégio dos EUA

Os Estados Unidos devem controlar o comércio mundial de petróleo. Devem poder decidir que países estão autorizados a fornecer petróleo aos seus aliados e a que países os exportadores de petróleo aliados estão autorizados a vender o seu petróleo. Isto significa proibir os aliados de importarem petróleo de países como a Rússia, o Irão e a Venezuela. Implica também a interferência nas exportações de petróleo dos seus adversários (como acaba de acontecer com o bloqueio e a apreensão das exportações de petróleo venezuelano, e tem acontecido com a frota petrolífera russa) e a agressão militar para se apoderar do petróleo dos seus adversários. O petróleo do Iraque e da Síria foi simplesmente roubado pelos ocupantes americanos e está a ser fornecido a Israel. O petróleo da Líbia também foi confiscado em 2011 e continua a ser objeto de perturbações.

2. O comércio do petróleo deve ser cotado e pago em dólares americanos

O petróleo e outras exportações devem ser cotados em dólares e comercializados através de bolsas de mercadorias ocidentais, sendo os pagamentos efectuados através de bancos ocidentais que utilizam o sistema SWIFT, todos eles sob o controlo diplomático efetivo dos EUA.

3. O domínio do petrodólar

Além disso, os ganhos internacionais da exportação de petróleo devem ser emprestados ou investidos nos Estados Unidos, de preferência sob a forma de títulos do Tesouro americano, obrigações de empresas e depósitos bancários.

4. As alternativas energéticas “verdes” ao petróleo devem ser desencorajadas e o fenómeno do aquecimento global e das condições meteorológicas extremas deve ser negado.

Para promover o controlo contínuo dos mercados energéticos por parte dos EUA, as alternativas não carbónicas ao petróleo e ao gás – e as políticas verdes de proteção ambiental que apoiam essas alternativas – devem ser desencorajadas, porque as fontes de energia alternativas reduzem a influência que a diplomacia dos EUA possui para impor as regras anteriores.

5. Nenhuma lei se aplica ou limita as regras ou políticas dos EUA

Finalmente, os Estados Unidos e os seus principais aliados devem ser imunes a tentativas estrangeiras de bloquear as suas políticas, incluindo tentativas através das Nações Unidas e dos tribunais internacionais. Os Estados Unidos devem manter a sua capacidade de vetar as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e simplesmente ignorarão as resoluções da Assembleia Geral da ONU e as ordens dos tribunais internacionais a que se opõem. Este princípio leva os Estados Unidos a oporem-se à criação de quaisquer tribunais ou órgãos de direito alternativos e, acima de tudo, a impedir que essas autoridades tenham o poder militar para fazer cumprir as suas decisões.

12/Janeiro/2026

 12/1/2026