quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O 03 de janeiro e a racionalidade imperial contra a Venezuela

Os acontecimentos do sábado, 03 de janeiro, são amplamente conhecidos; portanto, não faremos uma resenha dos eventos. Em vez disso, apontaremos as razões fundamentais do ataque dos Estados Unidos em solo venezuelano e do sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

Além da condenação ética, persiste uma pergunta necessária: por que os EUA chegaram ao extremo de tomar uma decisão dessa magnitude em pleno século XXI, claramente prejudicial, considerando os resultados políticos tanto nos Estados Unidos quanto na Venezuela?

A resposta não está nos discursos de Trump (“vamos administrar a Venezuela”) nem nos slogans de Pete Hegseth e Marco Rubio. Em vez disso, podem-se argumentar várias respostas, todas nucleadas em torno de um documento que anunciou as ações americanas com frieza técnica semanas antes: a Estratégia de Segurança Nacional 2025 (ESN).

O Corolário Trump: quando a soberania é uma oferta coercitiva

A ESN é um ato político que reconfigura as regras do jogo no hemisfério ocidental. Em suas 33 páginas, ela introduz o que chamou de “Corolário Trump à Doutrina Monroe”, onde não define se um Estado é soberano ou não, mas sim que tipo de soberania é considerada legítima para a ordem hemisférica americana.

Sem dúvida, trata-se de uma afirmação ontológica dentro do regime de exceção que Trump 2.0 tenta estabelecer nesta parte do mundo.

Porque a legitimidade já não depende do regime interno nem do cumprimento das normas internacionais, mas da sua compatibilidade com a cadeia de valor americana. A ESN formula-o sem ambiguidades:

  • “Negaremos aos concorrentes não hemisféricos a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais, em nosso Hemisfério” (p. 15).
  • “Os termos de nossos acordos […] devem ser contratos de fonte única para nossas empresas” (p. 19).
  • “Devemos fazer todo o possível para expulsar empresas estrangeiras que construam infraestrutura na região” (p. 19).

Isso implica que a soberania dos outros é medida pela sua capacidade de não interferir e, de preferência, facilitar os interesses vitais dos EUA.

Um Estado pode ser plenamente reconhecido pela ONU, realizar eleições e ter controle territorial. Mas se permitir que uma empresa chinesa construa um porto, uma mina ou uma rede 5G, sua soberania se torna funcionalmente ilegítima. Sob esse horizonte conceitual, nos referimos à soberania funcional em uma análise especial sobre o documento.

A Venezuela encarna o desafio máximo para essa doutrina: é o caso-limite. Ela mantém alianças estratégicas com a China, a Rússia e o Irã; controla recursos críticos sem entregar sua gestão a capitais alinhados; e desenvolveu mecanismos de intercâmbio que contornam o dólar e as cadeias de valor americanas.

Nesse vazio estrutural – onde um país é soberano segundo o direito internacional, mas ilegítimo segundo a lógica imperial – qualquer medida contra ele se torna “razoável”. De acordo com a razão imposta por Washington, não por analogia, mas por relação funcional:

  • As sanções são “medidas de contenção”.
  • O cerco econômico é “restabelecimento de condições mínimas de estabilidade”.
  • A agressão militar é “prevenção de ameaças”.

E o sequestro de um presidente constitucional, neste contexto, não é uma violação da soberania: é uma operação técnica de gestão de risco. É por isso que a ficção do “Cartel dos Sóis” já não é necessária no âmbito das justificativas violadoras.

O colapso do petrodólar

O cerne da questão não são as reservas petrolíferas da Venezuela – mesmo sendo as maiores do mundo, de longe –, mas em que moeda elas são comercializadas. Como aponta o analista Pepe Escobar:

“O cerne da questão não são as reservas petrolíferas da Venezuela em si, mas o petróleo denominado em dólares. Imprimir papel higiênico verde infinito – intrinsecamente sem valor – para financiar o complexo industrial-militar implica que o dólar continue sendo a moeda de reserva global, incluindo o petrodólar”.

A Venezuela, para alcançar um quadro de resistência às sanções ilegais – de forma eficaz ou não, isso é outra discussão –, rompeu o cerco financeiro. A integração ao sistema chinês CIPS, o mecanismo SWIFT que está começando a se projetar como uma alternativa real ao dolarcentrismo sistêmico, criou as condições para que o petróleo fosse pago em yuans, rublos ou uma cesta lastreada em ouro.

Esse passo não foi técnico, mas a primeira brecha real no monopólio do dólar do petróleo desde 1974.

O petrodólar é o pilar material do poder dos Estados Unidos, juntamente com a indústria e a projeção militar sofrida. Sem ele, os EUA não podem financiar seu déficit (6-7% do PIB), nem sua dívida (mais de 120% do PIB), nem seus gastos militares (1,5 trilhão de dólares para este ano).

O sequestro de Maduro buscava, assim, deter a fuga do dólar no comércio global de petróleo, ao mesmo tempo em que garantia o controle sobre a Citgo para entregá-la ao fundo do abutre financeiro Paul Singer (Elliot Investment Management). A filial da PDVSA nos EUA, também sequestrada pelo quadro sancionatório, é uma infraestrutura crítica de poder energético. Sua entrega faz parte de uma reconfiguração do hemisfério, em consonância com o referido na ESN.

A ficção financeira-especulativa e o esqueleto da pilhagem

O capitalismo contemporâneo, especialmente em sua variante norte-americana, entrou em uma fase em que o valor já não é produzido principalmente na esfera produtiva, mas na especulação financeira.

Desde a década de 1970, e de forma acelerada após a crise de 2008, a economia dos EUA se desmaterializou: sua riqueza se baseia em derivativos, algoritmos, dívida soberana e na financeirização da vida cotidiana. Esse processo não cria novo valor (em termos marxistas), mas redistribui e antecipa valor futuro por meio de mecanismos fictícios.

O valor no capitalismo atual continua baseado no trabalho humano; continua tendo raízes materiais. O paradoxo reside no fato de que, enquanto o capital financeiro-especulativo, negociado em Nova York, se afasta da produção, ele precisa urgentemente se reapropriar de espaços reais de riqueza material para sustentar sua ficção.

A Venezuela – com as maiores reservas de petróleo do mundo, ouro, coltan, biodiversidade estratégica e soberania energética – representa um território de resgate ontológico para um capital que já não sabe como criar valor.

Por isso, nunca se tratou de “libertar” a Venezuela, mas de reintegrar seus recursos à órbita da acumulação norte-americana, despojando-a de sua capacidade de resistência.

A história do capitalismo tem sido marcada por ciclos de expansão e crise. Mas hoje o sistema enfrenta uma crise estrutural de acumulação: os mercados estão saturados, a taxa de lucro cai e a inovação tecnológica já não reativa a produção, mas destrói empregos e valor, de acordo com a pesquisa de dados empíricos apresentada pelos pesquisadores Güney Işıkara e Patrick Mokre (em seu livro de 2025 Marx’s Theory of Value at the Frontiers, resenhado pelo economista inglês Michael Roberts).

Nesse contexto, o capital não pode mais se expandir “por dentro”, mas apenas “por fora”: por meio da desapropriação, da guerra e da reconfiguração forçada das fronteiras. A partir desse horizonte de análise, Işıkara e Mokre confirmam que o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela não foi uma aventura militar isolada. Vejamos.

Entre 1990 e 2020, 70 trilhões de dólares – 5,9% do produto global anual em indústrias produtivas – foram transferidos do Sul Global para o núcleo imperial, com os EUA e o Japão como principais beneficiários. México, Brasil, Indonésia e Rússia são grandes “doadores líquidos” de valor. Essa transferência não se deve apenas à exploração do trabalho, mas também às diferenças na composição orgânica do capital (tecnologia, produtividade).

No entanto, o caso da Venezuela é diferente: ao nacionalizar seus recursos e resistir à lógica extrativista neoliberal, ela se tornou um obstáculo decisivo para a reprodução do capital ocidental. Ela não apenas não entrega valor, como o retém. Por isso, a única forma de reintegrá-la ao circuito de acumulação é por meio da força ou da mudança de regime (algo que não conseguiu concretizar com o sequestro do presidente Maduro).

Nesse contexto, o envio de tropas para o Caribe é, essencialmente, a materialização da lógica do capital norte-americano em sua fase terminal, quando já não pode negociar, mas sim impor seu regime de exceção: Washington só ganha porque é mais predatório.

A Venezuela, ao se recusar a ser um “espaço de exploração”, tornou-se um obstáculo sistêmico. Sua eliminação – política, jurídica, física, como possibilidade de alternativa – era uma necessidade estrutural do capital imperial em sua fase terminal.

E aqui reside o paradoxo letal: quanto mais os EUA exigem que os outros sejam “funcionais”, mais evidente se torna sua própria disfunção. Sua economia depende de déficits insustentáveis; sua classe média, da qual depende sua estabilidade interna, está pulverizada; sua coesão política, fraturada por uma oligarquia tecnocrática que governa a partir de algoritmos e fundos de investimento.

O discurso do America First revela, no fundo, uma profunda insegurança: é a voz de quem teme perder o controle. Por isso, Trump (e Rubio e Miller e etc.) buscava um golpe de efeito que pudesse agitar seu próprio espírito narcisista.

O colapso da civilização

Mas, além do aspecto econômico, a operação de 03 de janeiro revela algo ainda mais grave: o colapso civilizatório do projeto americano.

Trump, Rubio e Hegseth não invocaram a Carta da ONU, nem o Direito Internacional, nem mesmo o pretexto do “livre comércio”. Eles justificaram com uma retórica apocalíptica, com os rótulos removíveis do narcotráfico, do terrorismo e das “ameaças iminentes”.

Essa retórica é a linguagem de uma potência que perdeu sua bússola, que não sabe mais que futuro oferecer ao mundo; nem mesmo aos seus próprios cidadãos.

E por trás da retórica está a prática: mais de 100 pessoas assassinadas no Caribe – entre venezuelanos, colombianos, trinitários, etc. – sem julgamento, sem testemunhas, sem base legal; o uso de drones, bombardeiros e fuzileiros navais sem autorização do Congresso; a invenção da categoria de “combatentes ilegais” para burlar as Convenções de Genebra. Trata-se de execuções extrajudiciais disfarçadas sob o pretexto da “guerra contra o narcotráfico”, mas que, na prática, constituem operações de caráter militar dirigidas a partir do alto escalão político dos Estados Unidos.

E o ataque contra a Venezuela representa a lógica final de um sistema sem projeto: quando não consegue mais seduzir, intimida; se não consegue mais convencer, elimina.

Porque, a todas as evidências, os EUA enfrentam uma crise de legitimidade civilizatória. O capitalismo americano prometeu democracia, progresso e bem-estar, mas gerou desigualdade extrema, racismo sistêmico, destruição ecológica e uma cultura de individualismo predatório. A classe média se desintegra; a expectativa de vida diminui; a saúde mental entra em colapso. O modelo não seduz mais nem mesmo em seu próprio território.

Diante dessa perda de hegemonia cultural, o establishment recorre a uma religião substituta: o nacionalismo imperial. A “Doutrina Donroe” e o MAGA são slogans políticos, sim, mas acima de tudo rituais de luto por uma grandeza perdida. Nesse contexto, a Venezuela se torna o bode expiatório perfeito: sua demonização e ameaça de destruição permitem – em teoria – reunificar simbolicamente uma sociedade fragmentada.

Essa lógica se expressa em uma racionalidade necropolítica (retomando novamente o conceito de Achille Mbembe): o poder não mais administra a vida, mas decide quem pode ser preso sem julgamento, sequestrado sem direitos ou bombardeado sem justificativa. Nada do que aconteceu em 03 de janeiro foi um incidente isolado, mas a normalização da exceção. A política externa dos Estados Unidos se tornou uma terapia coletiva para uma civilização em luto, onde cada ameaça militar é um ato de fé em um poder que não acredita mais em si mesmo: apenas na força, e daí o perigo (o que já é dizer muito).

Acima de tudo, diante da oligofrenia de um narcisista rico instalado na Casa Branca que encarna perfeitamente o desespero imperial.

O espelho quebrado

O dia 03 de janeiro não foi um “golpe bem-sucedido”: podemos comprovar isso nas ruas da Venezuela, na estabilidade política proporcionada pela continuidade administrativa do Estado com a presidente(a) Delcy Rodríguez à frente. Mas foi a primeira execução pública do Corolário Trump, além da mobilização caribenha: uma doutrina que substitui a soberania jurídica pela soberania funcional, o Direito Internacional pela gestão técnica do risco e a diplomacia pela coerção estrutural.

Nesse ato de força, os EUA revelaram sua fraqueza mais profunda: já não podem impor sua ordem por meio do consenso, nem mesmo por meio do medo sustentado. Precisam sequestrar presidentes, assassinar civis a sangue frio e fabricar inimigos existenciais para manter a ilusão de controle.

Sob esse regime de realismo imperial, a Venezuela constitui uma exceção histórica – imperfeita, contraditória, mas real – que conseguiu, contra todas as expectativas, manter o controle estatal sobre seus recursos estratégicos.

Isso representa um perigo para os interesses dos Estados Unidos e para a ordem predatória que sustentou o capital ocidental durante décadas.

Poderíamos afirmar, sem suspeita demagógica ou meramente propagandística, que não se temia Maduro, mas que seu exemplo se multiplicasse.

E, nesse sentido, o fracasso já está escrito: enquanto a Venezuela continuar existindo – repetimos: como possibilidade de alternativa –, a ordem funcional do império decadente não estará completa.

— Somos um grupo de pesquisadores independentes dedicados a analisar o processo de guerra contra a Venezuela e suas implicações globais. Desde o início, nosso conteúdo tem sido de uso livre. Dependemos de doações e colaborações para sustentar este projeto. Se você deseja contribuir com a Misión Verdad, pode fazê-lo aqui.

Fonte: https://misionverdad.com/venezuela/analisis-especial-el-3-de-enero-y-la-racionalidad-imperial-contra-venezuela

Em Sakerlatam

 https://sakerlatam.blog/o-03-de-janeiro-e-a-racionalidade-imperial-contra-a-venezuela/

14/1/2026

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

The Gangster Phase of Imperialism

 


Prabhat Patnaik

WHEN the Soviet Union collapsed, liberal bourgeois writers had proclaimed the arrival of an era marked by the universal triumph of democracy and stability; they had considered the socialist challenge unnecessary and counterproductive, and believed that capitalism which had already given political independence to its colonies, and introduced universal adult franchise and welfare state measures at its core, would, in the absence of this challenge, secure for mankind peace, economic security and individual freedom. Several Left writers, on the other hand, had seen decolonization, and the introduction of universal adult franchise and welfare state measures, as concessions wrung out of capitalism at a time when it faced an existential threat because of the socialist challenge, and had anticipated that the abatement of this challenge would make the system assume its usual predatory character and roll back these concessions; they have been proved right, and imperialism, with which alone we shall be concerned here, has shown its blatantly aggressive nature, exhibiting what can only be called a “gangster phase”.

To abduct, as US imperialism has done, a duly elected President of another country, Nicolas Maduro of Venezuela, and his wife, from their residence through a military operation, and bring them to the US in handcuffs to face trial on trumped up charges for which no credible evidence has ever been provided, and to run their country directly as a US colony until a suitable puppet government has been put in place, is an act of incredible audacity which violates all legal and moral norms of international behaviour and typifies this “gangster phase” of imperialism.

This however constitutes the latest act of the gangster phase of imperialism. The forcible removal of Iraq’s Saddam Hussein and his execution, again on totally false charges, the brutal killing of Libya’s Muammar Gaddafi, the occupation of Syria, the genocide perpetrated on the Palestinian people whose only “fault” lies in their desire not to be evicted from their homes by an imperialist-backed settler colonial project, the taking over of Gaza as a US colony to be ruled by a “Viceroy” selected by Donald Trump and to be converted into a piece of prime real estate, are all episodes in the unfolding of the gangster phase of imperialism.

Liberal opinion, again, holds Donald Trump as a maverick responsible for behaving like a gangster and puts the entire onus of recent predatory acts on him alone. But most of the episodes mentioned above predate Donald Trump’s ascendancy to power; the difference between Trump and earlier US Presidents lies only in the fact that the others had camouflaged their gangster acts under a patina of “civilized” verbiage, while Trump makes no bones about his administration’s intentions. Besides, every one of the episodes mentioned above, including even the genocide directed against the Palestinians, has the full support of other imperialist countries who never cease to advertise their so-called “liberal” principles. Even the abduction of Nicolas Maduro, while it has drawn condemnation from all over the world except a few in the global south wishing to curry favour with Trump (among whom alas India is included), has enjoyed the active or tacit backing of Germany, France and Britain.

An argument is being put forward, in particular by the European allies of the US, to the effect that Nicolas Maduro was an authoritarian ruler, so that no tears need be shed over his removal. The utter absurdity of this argument is palpable. International law does not allow the US, or any other country for that matter, to intervene militarily in the affairs of another country to establish democracy there; it is for the people of that country to determine who the ruler should be. Whether Maduro was authoritarian or not is thus completely irrelevant to the issue of US intervention.

Besides, Trump himself has openly admitted that Maduro’s principal opponent in Venezuela, Maria Corina Machado, did not enjoy sufficient popular support to take over the reins of administration after Maduro had been arrested. In a country with two main political platforms, if one does not enjoy sufficient popular support, then it stands to reason that the other must have greater support. In such a case, to claim, as Trump himself and many European leaders have done, that Maduro lacks political legitimacy, is utterly absurd. If Machado lacks political legitimacy and so does Maduro, then Trump must specify who in Venezuela does enjoy political legitimacy.

The real reason for removing Maduro was revealed by Trump with his characteristic bluntness, when he stated at his Press Conference on Saturday January 3: “We are going to be taking out a tremendous amount of wealth out of the ground”. The money made according to him would not only go to the people of Venezuela but also to American oil companies and to the “United States of America in the form of reimbursement for damages caused us by that country”. The “damages” he was referring to were caused apparently by Venezuela’s nationalizing its oil resources. Venezuela has more oil reserves than any other country in the world, reserves amounting to as much as 17 percent of total world reserves. And Trump’s proposal to loot Venezuela’s oil is a brazen admission of his motive for taking over and “running” that country. This is nothing else but open gangsterism: you have oil and we shall take it from you by abducting your President if he stands in the way, and either by running your country directly as a colony or by putting in place some puppet government that would allow us to loot your country.

To be sure, looting the resources of other countries, including land or products of land, is what imperialism has always done; it is central to imperialism. After decolonization, it attempted to carry on the process of looting by toppling governments that stood in the way and putting in place pliant governments. The CIA-sponsored coups against Arbenz in Guatemala, Mossadegh in Iran, Lumumba in Congo (as it was then called), and Allende in Chile, come to mind as obvious examples. More recently, the various colour revolutions in Eastern Europe and former Soviet republics, and the American assault on West Asia, belong to the same genre. The difference between all these earlier cases and Venezuela lies in the fact that in earlier cases the U.S. gave the appearance of supporting one side in an internal conflict, while working on coups behind the scenes; but in Venezuela it has simply carried out a military intervention without this fig-leaf of supporting one side in an internal conflict.

Of course, it also targets those countries which have anti-imperialist governments even when they may not be minerally rich, and Trump has already announced his plans of targeting Cuba, Mexico and Colombia as part of his attempted revival of the infamous Monroe Doctrine. But it is not just Latin America and the Caribbean that constitute the domain of his empire. No country in the world is safe from U.S. intervention today.

The Soviet Union had come to the defence of Cuba during the so-called Cuban missile crisis when the U.S. had threatened to attack that island, even at the risk of provoking a nuclear conflict with the U.S., just as it had earlier come to the defence of Egypt against an Anglo-French invasion following Nasser’s nationalization of the Suez Canal; in both cases imperialism had to beat a retreat. The absence of the Soviet Union today will be sorely missed by all countries of the world that are threatened by imperialism led by the U.S.

This gangster phase of imperialism which constitutes the highest stage of imperialism to date cannot obviously last for long. The people of the world, especially of the third world who have been victims of imperialism, will not allow themselves once again to remain in thraldom to imperialist domination. In fact even in earlier cases of imperialist gangsterism in the Arab world the outcome of its interference has been quite different from what was intended.

It is significant in this context that Trump’s bland assumption that, with Maduro out of the way, the Vice-President of Venezuela, Delcy Rodriguez, who has taken his place, will obey American diktat has already proved hollow: she has condemned the U.S. action and demanded the release of Maduro because of which Trump has started threatening her with “a fate worse than Maduro”; and indeed the entire country has stood up against this act of U.S. gangsterism. While the absence of the Soviet Union has emboldened imperialism in its quest for world domination, this domination will remain a pipe-dream.

 People democracy

 https://peoplesdemocracy.in/2026/0111_pd/gangster-phase-imperialism

January 11, 2026 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Pepe Escobar: la intervención en Venezuela es una operación de salvamento del petrodólar

 


La historia está siendo escrita en tiempo real y Venezuela es simplemente el primer capítulo de una historia mucho más grande, la historia de cómo el mundo aprende a vivir sin un hegemón.

Pepe Escobar, analista geopolítico 

Esta mañana el humo se está alzando desde Caracas. Y no es el humo de las refinerías petroleras, es el humo de las bombas estadounidenses que acaban de cambiar para siempre el equilibrio geopolítico del planeta. Estamos presenciando el momento más crítico desde el fin de la Guerra Fría. 

Las decisiones que se toman en Washington en estas próximas horas determinarán si Estados Unidos puede mantener su hegemonía por algunas décadas más o si acabamos de ver el acelerador definitivo de la transición hacia el mundo multipolar. 

Lo que está ocurriendo en Venezuela en estas últimas 72 horas no es simplemente una operación militar más. Es el último acto desesperado de un imperio en decadencia que ha decidido apostar todo a una sola carta, controlar las reservas de petróleo más grandes del mundo antes de que el sistema Petrodólar colapse definitivamente. 

La operación militar estadounidense contra Venezuela que Trump ha bautizado como Absolute Resolve no es lo que parece en la superficie. Mientras los medios occidentales hablan de narcotráfico y democracia, la realidad es mucho más brutal y calculadora. Estados Unidos está librando su última batalla por el corazón energético de América y cada barril de petróleo venezolano que fluye hacia China es un clavo más en el ataque de la hegemonía estadounidense. 

¿Por qué Venezuela? ¿Por qué ahora y por qué Trump está arriesgando una confrontación con China y Rusia por un país que Washington ha intentado derrocar durante más de dos décadas sin éxito? 

La respuesta está en los números que nadie quiere mencionar, en los contratos que nadie quiere discutir y en la realidad geoeconómica que está redefiniendo el planeta. Venezuela posee las reservas de petróleo probadas más grandes del mundo, 303.8.000 millones de barriles. Para poner esto en perspectiva, esto es más petróleo que Arabia, Arabia Saudita, Rusia, Canadá e Irak combinados, pero aquí viene la parte que mantiene despierto a Washington. 

El 76% de la producción petrolera venezolana actualmente está siendo comprada por China, no por Estados Unidos. Lo que hace aún más preocupante esta situación para los estrategas estadounidenses es que el petróleo venezolano no es cualquier petróleo. 

Su ubicación geográfica permite que llegue a China en 35 días por el canal de Panamá, mientras que el petróleo del Medio Oriente tarda 45 días y debe pasar por el estrecho de Malaca que Estados Unidos puede bloquear en cualquier momento. Venezuela le da a China seguridad energética en el hemisferio occidental. 

Justo en el patio trasero estadounidense, Beijing no solo está comprando el petróleo venezolano, está financiando toda la infraestructura para extraerlo, refinarlo y transportarlo. Los chinos han invertido más de 67.000 millones de dólares en el sector energético venezolano desde 2007 y cada dólar de esa inversión está denominado en yuanes, no en dólares. 

Estas inversiones chinas no son préstamos tradicionales como los que ofrece el Fondo Monetario Internacional. Son acuerdos de intercambio de recursos por infraestructura. China construye carreteras, puertos, refinerías y sistemas de telecomunicaciones a cambio de suministros garantizados de petróleo a precios preferenciales. 

Es un modelo completamente diferente al de extracción neocolonial que ha caracterizado las relaciones Estados Unidos América Latina durante dos siglos. Pero la historia se vuelve aún más fascinante cuando entendemos que no se trata solo de petróleo. 

Venezuela también posee las segundas reservas de oro más grandes de América Latina y desde 2018 cada onza de oro venezolano que venta del país va directamente a China, pagada en yuanes como parte de los acuerdos de swap de monedas entre Caracas y Beijing. Aquí es donde la narrativa estadounidense del narcotráfico se desmorona completamente. 

El verdadero crimen de Venezuela no son las drogas que supuestamente envían a Estados Unidos. Drogas que, por cierto, en su mayoría llegan desde Colombia, aliado estratégico de Washington. El verdadero crimen de Venezuela es estar construyendo un sistema económico completamente independiente del dólar estadounidense. Esto nos lleva al punto de que nadie en los medios occidentales quiere tocar. 

La operación militar estadounidense en Venezuela es fundamentalmente una operación de salvamento del petrodólar. Trump lo sabe, Maduro lo sabe, Putin lo sabe y Xi JinPing definitivamente lo sabe. El sistema Petrodólar, establecido por Henry Kissinger en 1973, requiere que todo el petróleo del mundo se comercialice en dólares estadounidenses. Esta es la base del poder financiero global de Estados Unidos. 

Pero Venezuela junto con Rusia, Irán y cada vez más países BRICS Plus está comerciando petróleo en monedas nacionales, principalmente el yuan chino. Este sistema petrodólar le permite a Estados Unidos imprimir dólares infinitamente sin sufrir inflación porque hay una demanda global constante de dólares para comprar energía. 

Sin embargo, cuando países con grandes reservas energéticas comienzan a aceptar otras monedas, la demanda de dólares disminuye y la capacidad estadounidense de financiar su déficit comercial y militar se erosiona rápidamente. Venezuela representa el 18% de las reservas probadas de petróleo del mundo operando fuera del sistema dólar. Es una hemorragia que Washington no puede permitir. 

Cuando Trump dice que Venezuela está robando petróleo estadounidense, está revelando una mentalidad imperial que considera que todos los recursos energéticos del mundo le pertenecen naturalmente a Estados Unidos. 

Pero la realidad es que Venezuela está simplemente eligiendo a sus socios comerciales y esos socios no están en Washington, están en Beijing y Moscú. En los últimos 5 años Venezuela ha estado sistemáticamente repatriando todo su oro desde Londres y Nueva York hacia China y Uganda. Este no es un movimiento aleatorio, es una preparación para lo que está ocurriendo ahora. 

Venezuela sabía que eventualmente Estados Unidos tomaría medidas militares directas porque Venezuela representa una amenaza existencial para el sistema monetario estadounidense. Un país con las reservas de petróleo más grandes del mundo, operando completamente fuera del sistema dólar, es como una bomba de neutrones para la hegemonía financiera estadounidense. 

La respuesta china ha sido extremadamente estratégica y silenciosa. Mientras Trump despliega portaaviones y bombardea muelles en la Guaira, China está cerrando acuerdos energéticos alternativos con Arabia Saudí, Emiratos Árabes Unidos e Irán. Beijing entiende que Venezuela es solo el primer dominó en una guerra energética más amplia. 

Los analistas occidentales están subestimando completamente la velocidad con la que China puede reconfigurar los mercados energéticos globales. En las últimas 48 horas, mientras las bombas caían en Caracas, Beijing ha firmado contratos preliminares para importar gas natural licuado de Qatar, pagado en yuanes, acuerdos de refinamiento conjunto con Kuwait y lo más significativo, ha acelerado las conversaciones con Arabia Saudita para establecer un hub energético en el Golfo Pérsico que operaría completamente en monedas no occidentales. 

La ironía suprema de toda esta crisis es que la agresión militar estadounidense contra Venezuela está acelerando exactamente lo que Washington quiere prevenir, la desdolarización global. Cada bomba que cae en suelo venezolano envía un mensaje claro a todos los países del sur global. Si tienes recursos que Washington considera estratégicos, eres un objetivo. 

Brasil, que comparte una frontera de 2.200 kilómetros con Venezuela, ha respondido con una declaración que pocos medios occidentales han reportado. Brasilia ha anunciado que cualquier expansión de operaciones militares estadounidenses hacia territorio brasileño será considerada un acto de agresión. Argentina, se mantiene en silencio, pero sus generales están nerviosos. 

La reacción más interesante viene de Colombia. Bogotá apoya oficialmente la operación estadounidense, pero extraoficialmente Colombia está acelerando sus conversaciones para unirse a BRICS Plus. ¿Por qué? Porque Colombia entiende que si Estados Unidos puede bombardear a Venezuela por su petróleo, puede bombardear a Colombia por su oro, su carbón o cualquier otro recurso que Washington considere estratégico. 

La verdadera batalla no se está librando en los muelles de la Guaira o en los campos petroleros del Orinoco. Se está librando en los mercados financieros globales, en las cámaras de compensación de Shangai, en los bancos centrales de Riad y Teherán . Rusia ha respondido a la operación estadounidense de una manera que pocos analistas occidentales entienden. 

Moscú no está enviando tropas a Venezuela aún, pero está haciendo algo mucho más devastador para los intereses estadounidenses. Está acelerando la integración del comercio energético ruso, chino, iraní, venezolano, en una sola plataforma de liquidación denominada yuanes. 

Esta plataforma que Beijing y Moscú han estado desarrollada en secreto durante 3 años permitiría que todo el comercio energético entre estos países se realice sin tocar el sistema bancario occidental. No más Swift, no más dólares, no más bancos estadounidenses como intermediarios. Irán ya está probando esta plataforma con sus exportaciones de petróleo a China. Venezuela estaba a punto de integrarse completamente cuando comenzó la operación militar estadounidense. 

Putin entiende que la mejor manera de responder a la agresión estadounidense no es con más violencia, sino acelerando el sistema financiero que hará irrelevante la violencia estadounidense. 

La pregunta que todos en Washington deberían estar haciendo, pero que nadie quiere hacer es esto. ¿Qué pasará cuando Arabia Saudí se integre a esta plataforma? Porque los Saudíes ya han comenzado conversaciones exploratorias. Si Riad decide comerciar petróleo en yuanes a través de esta plataforma ruso-china, el sistema petrodólar colapsa de la noche a la mañana. 

Trump habla de proteger el petróleo venezolano para Estados Unidos, pero está ignorando una realidad fundamental. Venezuela ya no necesita Estados Unidos. China está comprando toda la producción venezolana. Rusia está proporcionando la tecnología militar y energética e Irán está compartiendo su experiencia en resistencia a las sanciones estadounidenses. 

La operación militar estadounidense en Venezuela está revelando algo que pocos en Washington quieren admitir. Estados Unidos ya no tiene la capacidad económica para competir con China en América Latina. Beijing puede ofrecer inversión real en infraestructura, tecnología y comercio a largo plazo. Washington solo puede ofrecer amenazas militares y sanciones. 

Esta es la razón por la cual la operación Absolute Resolve está destinada a fracasar estratégicamente, incluso si tiene éxito tácticamente. Trump puede derrocar a Maduro, puede instalar un gobierno títere en Caracas, puede incluso controlar temporalmente los campos petroleros venezolanos, pero no puede cambiar la realidad que China es ahora el socio comercial más importante de América Latina. 

Y esa realidad no va a cambiar con bombardeos. Los chinos están jugando una partida completamente diferente. Mientras Estados Unidos gasta billones de dólares en operaciones militares para controlar recursos energéticos, China está construyendo la infraestructura para hacer irrelevante esa dependencia. 

Beijing está invirtiendo masivamente en energías renovables, en tecnología de almacenamiento de energía, en redes eléctricas inteligentes que pueden funcionar con múltiples fuentes de energía. 

La estrategia China a largo plazo no es simplemente reemplazar a Estados Unidos como hegemón global, es crear un sistema multipolar donde ningún país pueda monopolizar los recursos energéticos globales como Estados Unidos lo ha hecho durante los últimos 50 años. Venezuela es crucial para esta estrategia china porque proporciona la base energética para todo el proyecto de la franja y la ruta en América Latina. 

Los puertos que China está construyendo en Perú, las carreteras que está financiando en Ecuador, los ferrocarriles que está planificando en Brasil, todo esto requiere un suministro seguro y estable de energía que no pueda ser interrumpido por sanciones estadounidenses. Maduro entiende perfectamente su papel en este gran juego. 

Venezuela no está simplemente resistiendo a la agresión estadounidense, está ayudando a construir la infraestructura del mundo post hegenómico . Cada tanque de petróleo venezolano que llega a China es una inversión en un futuro donde Washington no puede dictar quién comercia con quién. 

La respuesta rusa a la crisis venezolana está siendo igualmente calculada. Moscú no está enviando al almirante Kutnesov al Caribe para confrontar a la flota estadounidense. Putin está haciendo algo mucho más inteligente. Está acelerando la entrega de sistemas de defensa aérea S400 y misiles hipersónicos Quinzal a Venezuela. 

Estos sistemas se convertirán a Venezuela en prácticamente inexpugnables para ataques aéreos estadounidenses futuros. Pero más importante, envíen un mensaje claro a todos los países del sur global. Si se alían con Rusia y China, recibirán la protección militar necesaria para resistir la coerción estadounidense . 

El verdadero genio de la estrategia ruso china es que no requiere confrontación directa con Estados Unidos, simplemente requiere hacer que la coerción militar estadounidense sea demasiado costosa y arriesgada para ser sostenible. 

Si Estados Unidos tiene que bombardear un país diferente, cada vez que ese país elige comerciar con China, el imperio estadounidense se agotará económicamente en pocos años. Trump está caminando directamente hacia esta trampa. Cada escalada militar en Venezuela requiere más recursos que Estados Unidos ya no puede costear. 

La guerra en Ucrania ha demostrado que Washington no puede ni siquiera mantener el suministro de artillería para un solo conflicto próximo y ahora está abriendo un segundo frente en América Latina. La economía estadounidense simplemente no puede sostener operaciones militares simultáneas en Europa del Este, el Caribe, el Golfo Pérsico y potencialmente el estrecho de Taiwán. China y Rusia lo saben y están coordinando sus respuestas para forzar exactamente esta situación de sobrecarga militar estadounidense. 

La parte más importante de toda esta crisis es como está revelando las contradicciones internas del propio sistema estadounidense. Trump necesita el apoyo del complejo militar industrial para sus operaciones en Venezuela, pero ese mismo complejo militar industrial es cada vez más dependiente de materias primas chinas para fabricar armas estadounidenses. 

Las tierras raras necesarias para los sistemas de guía de tierras de misiles, los componentes electrónicos para los sistemas de comunicación militar, incluso los metales para las aleaciones de los aviones de combate. Una parte significativa de estos materiales viene de China o de países aliados con China. 

Estados Unidos está literalmente dependiendo de sus adversarios para construir las armas que planea usar contra sus adversarios. Más irónico aún, los sistemas de propulsión naval estadounidenses dependen de minerales extraídos en África por compañías chinas. 

Los semiconductores avanzados para sistemas de guerra electrónica requieren litio boliviano que China controla a través de joint ventures y los componentes para sistemas de defensa antimisiles incluyen elementos que solo se procesan en instalaciones chinas o rusas. Esta dependencia explica por qué la respuesta china a la operación venezolana ha sido tan medida. 

Beijing no necesita confrontar directamente a Estados Unidos, simplemente necesita esperar hasta que Washington se dé cuenta de que está luchando con armas hechas con materiales chinos. Aquí llegamos al punto central de toda esta crisis. 

La operación militar estadounidense en Venezuela no es realmente sobre Venezuela, es para prevenir el surgimiento de un sistema económico global que no depende de Estados Unidos. Pero ese sistema ya está emergiendo. Y bombardear Venezuela no va a detenerlo. 

El mundo multipolar no es una teoría o una aspiración, es una realidad que se está desarrollándose en tiempo real. El BRICS Plus representa ahora más del 40% de la población mundial y más del 35% del PIB global. Estas cifras van a aumentar dramáticamente cuando Arabia Saudita, Emiratos Árabes Unidos e Irán se integran completamente al sistema financiero BRICS Plus. 

Venezuela es importante porque representa la transición del mundo unipolar al multipolar. Un país con recursos enormes, eligiendo libremente sus socios comerciales, desarrollando su economía en cooperación con múltiples potencias, resistiendo exitosamente la coerción de la única superpotencia. Este es el futuro y ninguna cantidad de bombardeos lo va a cambiar. 

La ironía final de la operación Absolute Resolve es que está resolviendo absolutamente lo contrario de lo que pretende resolver. En lugar de restaurar la hegemonía estadounidense en América Latina, está acelerando la integración de América Latina con el bloque euroasiático liderado por China y Rusia. 

Brasil está acelerando sus conversaciones para una mayor integración comercial con China. Argentina está reconsiderando su alineación con Estados Unidos. Incluso México está explorando silenciosamente opciones para reducir su dependencia del mercado estadounidense. Trump está logrando lo que décadas de diplomacia china no pudieron lograr. Unificar América Latina contra la hegemonía estadounidense. 

Desde este café en París, mientras termino mi último sorbo de café etíope, la pregunta que queda flotando en el aire no es si Estados Unidos puede ganar en Venezuela. La pregunta es, ¿cuánto tiempo puede Washington sostener una estrategia que está acelerando su propia irrelevancia geopolítica? La verdadera tragedia de la operación Absolute Resolve es que está resolviendo exactamente lo opuesto a lo que pretende resolver. 

En lugar de restaurar el prestigio estadounidense, está demostrando al mundo que Estados Unidos ya solo puede relacionarse con sus vecinos a través de la violencia. En lugar de fortalecer el dólar, está acelerando la búsqueda global de alternativas. 

En lugar de aislar a China, está empujando a más países hacia la órbita china. Los historiadores del futuro marcarán la operación militar estadounidense en Venezuela como el momento en que la hegemonía unipolar se suicidó públicamente, no por las bombas que cayeron en Caracas, sino por la demostración de que el imperio ya no tenía instrumentos de poder más allá de la fuerza bruta. 

El petróleo y la sangre que están fluyendo en Venezuela hoy no son el final de una historia, son el principio de una nueva era donde ningún imperio puede monopolizar los recursos del mundo, donde los países pueden elegir libremente sus alianzas y donde la multipolaridad no es una aspiración, sino una realidad irresistible. 

La última batalla por el corazón de América está ocurriendo ahora, pero no se está librando donde Washington cree que se está librando. Se está librando en los bancos centrales de Beijín y Moscú, en los ministerios de energía de Riad y Teherán, en las mentes de líderes de todo el sur global que están observando como un imperio desesperado recurrir a la violencia cuando la economía y la diplomacia ya no funcionan. 

Estados Unidos puede ganar batallas, pero China y Rusia están ganando la guerra. Y esa guerra no se trata de territorio o ideología, se trata del futuro del poder en un mundo donde el poder ya no puede ser monopolizado por una sola nación sin importar cuán poderosa haya sido una vez. 

La historia está siendo escrita en tiempo real y Venezuela es simplemente el primer capítulo de una historia mucho más grande, la historia de cómo el mundo aprendió a vivir sin un hegemón único y cómo ese aprendizaje comenzó con sangre y petróleo en las costas del Caribe. 

Em

Observatorio de la crisis

https://observatoriocrisis.com/2026/01/05/pepe-escobar-la-intervencion-en-venezuela-es-una-operacion-de-salvamento-del-petrodolar/

5/1/2026 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Como a análise política se tornou alvo de falsificações de IA

 


Pepe Escobar [*]

O monstro da IA.

Bem-vindo à IA, que está transformando a internet em uma máquina infernal determinada a apagar o significado, a cultura e a história — e a semear uma profunda confusão intelectual. Exatamente como o tecno-feudalismo deseja.

A IA está se expandindo rapidamente como uma praga por todo o espectro da internet. Isso é bastante previsível, considerando que o modelo das grandes empresas de tecnologia para a IA é o tecno-feudalismo, baseado no lucro e no controle mental/social, e não no compartilhamento/expansão do conhecimento e na criação de melhores condições para uma cidadania bem informada.

A IA, em muitos aspectos, é a antítese da civitas. Antes do boom da IA, várias camadas da internet já haviam sido transformadas em uma série de campos minados, um esgoto maior que a vida. A IA – controlada pelas grandes empresas de tecnologia – em muitos aspectos já havia se revelado uma fraude. Agora é uma arma.

Existem vários canais no YouTube manipulados pela IA, roubando a imagem e a voz de alguns de nós, analistas políticos independentes. Uma lista não exaustiva inclui como alvos John Mearsheimer, Larry Johnson, Richard Wolff, Glenn Diesen, Yanis Varoufakis, o economista Paulo Nogueira Batista e eu mesmo.[1]

Não é por acaso que todos somos analistas geopolíticos e geoeconômicos independentes, nos conhecemos pessoalmente e somos convidados dos mesmos podcasts.

No meu caso, existem canais em inglês, português e até espanhol:   raramente faço podcasts em espanhol, então até a voz é falsa. Em inglês, geralmente a voz é aproximadamente clonada. Em português, ela vem com um sotaque que eu não tenho. Em vários casos, o número de espectadores é enorme. Essencialmente, são bots.

Em todos os casos, no que diz respeito a nós, os alvos, todos esses canais são falsos. Repito: todos esses canais são falsos. Eles podem, pelo menos em alguns casos, ter sido criados por “fãs”– certamente visando lucrar por meio da monetização.

Ou todo o esquema pode ser parte de algo muito mais sinistro:   uma estratégia objetivando a perda de credibilidade. Como em uma operação dos suspeitos de sempre para semear confusão entre o grande público de vários pensadores independentes.

Não é por acaso que muitos espectadores já estão profundamente confusos. A pergunta mais comum é: “É realmente você ou é uma IA?” Muitos aparentemente denunciaram esses canais falsos, mas o YouTube, até agora, não fez absolutamente nada a respeito. Os algoritmos continuam sugerindo esses canais para grandes audiências.

A única maneira realista de combater o golpe é registrar uma reclamação no YouTube. Mas isso, na prática, é bastante inútil. A administração do YouTube parece estar mais interessada em ocasionalmente apagar canais “inconvenientes” que exibem pensamento crítico e análise.

Decifrando o código do golpe

Quantum Bird, físico e especialista em HPC (High Performance Computing, ou Computação de Alto Desempenho), ex-funcionário do CERN em Genebra, decifrou o código do golpe:

“A proliferação de agentes de redes neurais digitais de aprendizado profundo capazes de emular a escrita[2], a voz e o vídeo de seres humanos era inevitável, e seu impacto na pesquisa científica, na produção de conhecimento e na arte em geral tem um potencial negativo que ainda não foi totalmente analisado.”

Ele acrescenta:

“Enquanto escritores e acadêmicos estão relatando surgimento de textos atribuídos a eles, replicando até certo ponto seu estilo e opiniões, a última moda é o aparecimento de canais inteiros no YouTube, e outras plataformas notórias da Big Tech, que oferecem vídeos sintetizados de produtores de conteúdo populares, comunicando-se em seu idioma nativo ou em outras línguas. Em vários casos, a qualidade desse material sintetizado é suficientemente alta para não permitir a identificação imediata por um espectador comum. No contexto da comunidade de análise política, o impacto é óbvio:   revisionismo histórico, erosão de reputações e distorção de notícias e análises.”

E aqui Quantum Bird apresenta o argumento decisivo em termos de tecnologia:

A sintetização desse tipo de conteúdo requer a disponibilidade de amostras abundantes e capacidade computacional massiva, muito além do alcance dos usuários domésticos. Embora a popularidade das vítimas do YouTube garanta a primeira condição, a segunda sugere a atividade de atores estatais ou corporativos de larga escala, uma vez que modelos avançados de aprendizado profundo devem ser desenvolvidos e treinados através do processamento de uma quantidade enorme – e volumosa, em termos de “espaço em disco” — de áudio e vídeo. A monetização do conteúdo não cobre os custos dessa operação. Ironicamente, é a disponibilidade e a exposição excessiva de voz e vídeo online que permitem esse tipo de ataque.”

Aqui vamos nós. Bem-vindos à IA transformando a rede em uma máquina infernal empenhada em apagar o significado, a cultura e a história – e semear uma profunda confusão intelectual. Exatamente como o tecnofeudalismo deseja.

NR
[1] O capitão Ibrahim Traoré, presidente do Burkina Fasso, também tem sido vítima de vídeos falsificados no You Tube.
[2] A emulação da escrita por vezes é detectável pelo facto de a IA cometer erros. Por exemplo: Já foi visto um vídeo em que se mencionava o sr. Blinken (ex-ministro do governo Biden) como se fosse um político em atividade no atual governo Trump.

30/Dezembro/2025

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Dialética do desenvolvimento

 João Pedro Stédile


   

  


    Prefácio à nova edição do livro de Celso Furtado


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Felicito as editoras pela republicação do livro /Dialética do
desenvolvimento/, do mestre Celso Furtado. Obra que foi escrita no calor
dos embates ideológicos e da luta de classes do ano de 1963, das quais o
autor participou ativamente como estudioso e ministro, e publicada em
1964, quando o golpe empresarial-militar já tinha acontecido.

Naquela época, o Brasil vivia uma crise cíclica do seu capitalismo
industrial dependente, e os debates nas universidades, de intelectuais,
partidos, governo e sociedade eram sobre a necessidade de um novo
projeto de Brasil. No nível político, esse debate foi condensado nas
propostas de “Reformas de base”, que incluíam a necessidade da reforma
agrária.

Nesse contexto, o governo preparou um projeto de reforma agrária que
teve as tintas de Celso Furtado, como uma proposta de reforma agrária
clássica, que visava o verdadeiro desenvolvimento da indústria nacional,
a distribuição de terras e o emprego e renda para toda a população. O
projeto foi apresentado ao povo no famoso comício de 13 de março de
1964, com mais de 100 mil trabalhadores da cidade do Rio de Janeiro em
frente à Central do Brasil – registrado no documentário /Jango/ de
Silvio Tendler. Enviado ao congresso em 18 de março de 1964, nem chegou
a ser apreciado, pois, em 1º. de abril, o golpe militar foi consolidado.

A burguesia brasileira se revelou mais uma vez antinacionalista,
antidemocrática e antipovo brasileiro, como resumiu Florestan Fernandes,
e preferiu seguir subordinada ao capital dos Estados Unidos a encontrar
uma saída da crise com seu povo. Escrevo sobre isso para nossos leitores
entenderem o clima político da luta de classes da época, e assim
percebam a reflexão do Celso Furtado condensada neste livro.

Hoje estamos vivendo uma nova crise do modelo capitalista brasileiro,
ainda mais dependente do capital internacional, agora sob a hegemonia do
capital financeiro e das empresas transnacionais.

*2.*

Infelizmente, o Brasil virou o paraíso do capital financeiro
especulativo, mantendo taxas de juros escorchantes que se transformaram
na principal forma de exploração de todo o povo brasileiro, que paga
impostos, e os impostos vão para o Tesouro nacional, que devolve aos
bancos na forma de pagamento de juros dos títulos da dívida pública –
que ninguém sabe como se formou! – e com isso abocanham mais de 40% de
todo o orçamento público nacional, ou seja, da mais-valia social que
deveria ir para serviços públicos e investimentos produtivos do Estado.

Do outro lado, as empresas transnacionais transformaram nosso setor
produtivo em um grande “lavourão de soja”! O modelo adotado pelo
agronegócio controlado por elas, que espolia nossa natureza e tem a
burguesia agrária como aliada, impôs de novo o modelo de agro-mineral-
exportador. A agricultura está organizada para produzir apenas o que o
mercado mundial e suas bolsas querem: soja, milho, cana-de-açúcar (para
açúcar e etanol) algodão e pecuária bovina.

Nos minérios, viramos exportadores de matérias-primas de ferro,
alumínio, lítio e até de petróleo cru – 40% da produção da Petrobras e
das concessionárias do pré-sal exportam o petróleo cru. E com a Lei
Kandir, todas as exportações de commodities agrícolas e minerais estão
isentas de impostos de exportação! Um acinte ao povo que foi doado pelo
governo de Fernando Henrique Cardoso às empresas exportadoras!

As estatísticas internacionais revelaram nos últimos meses que o Brasil
se transformou no país mais desigual do mundo. E também o país que tem o
maior número de bilionários, em termos de contingente.

É também o país que, tendo uma riqueza enorme de biodiversidade e
território, padece dos piores crimes ambientais, praticados pelo modelo
de mineração predatória e pelo agronegócio, que resultam na emissão de
gases, em agressões ao meio ambiente, na contaminação das águas, do solo
e dos alimentos pelo uso abusivo de agrotóxicos produzidos pelas
empresas transnacionais.

As consequências dessas agressões aparecem todos os dias: nas mudanças
climáticas, no calor intenso e secas, nas enchentes, nos fortes ventos e
até com chuvas com agrotóxicos.

Mais do que nunca o debate proposto por Celso Furtado está na ordem do
dia. Claro, agora com novas matizes e necessariamente como um projeto
popular para o Brasil, com mudanças estruturais muito mais profundas e
necessárias, se quisermos reconstruir uma sociedade mais justa,
combatendo a desigualdade.

*3.*

Finalmente, eu gostaria de comentar minhas impressões pessoais, pelo
privilégio que tive de cultivar uma amizade com Celso Furtado nos seus
últimos anos de vida. Sempre que possível, eu o visitava no Rio de
Janeiro. Ele era o nosso mestre, admirado por ser o maior estudioso de
nossa história econômica e um lutador por um projeto de país. Era um
ícone para toda minha geração, que estudou economia e lutou contra a
ditadura e o capital estrangeiro. Conversar com o mestre era, de fato,
uma realização pessoal.

Fiz muitas perguntas a ele, sobre muitos temas, desde o projeto de
reforma agrária que ele defendia até os dilemas de nosso país. E ele,
sempre muito atencioso, atendia com deferência e paciência.

Passei a admirá-lo ainda mais quando me disse que havia lutado na Itália
com a Força Expedicionária Brasileira (FEB), e que isso o ajudara a ver
o mundo com outro olhar, que foi o que o motivou a depois ir fazer
mestrado na França, no pós-guerra. Mostrou-me um capacete de um nazista
derrotado, que trouxe como recordação daqueles anos tão trágicos!

Sempre muito preocupado com a nossa situação, uma vez deu uma entrevista
à “direitosa” revista /Veja/ em que defendeu a necessidade da reforma
agrária. Disse que o Brasil era o único país do planeta que convivia com
imensas áreas de terras disponíveis para produção e milhões de
trabalhadores que não tinham terra para trabalhar, pois a burguesia
brasileira e seu controle sobre o Estado impediam que esses dois fatores
se encontrassem para desenvolver o Brasil.

Quando fundamos o jornal /Brasil de Fato/, em 2003, dialogamos no
conselho editorial qual seria a entrevista de peso que marcaria a linha
editorial do nascente jornal: entrevistar Celso Furtado foi aprovado de
forma unânime. E lá fomos. Eu, o José Arbex (editor geral) e Plínio de
Arruda Júnior passamos algumas horas de um sábado conversando e
apreendendo com o mestre. E a primeira edição praticamente saiu apenas
com sua histórica entrevista e algumas notícias.

Na volta, seguimos discutindo qual seria a chamada de capa e da
entrevista. A decisão foi unânime pela resposta que ele deu à última
pergunta, quando indagamos o que Lula deveria priorizar, já que acabava
de ser eleito em novembro de 2002. Lula precisa é ter coragem, só isso!
Essa sua sabedoria profética pode ser aplicada também agora, no governo
Lula.

Celso Furtado foi um dos grandes filhos do povo brasileiro: pesquisador,
escritor, professor, historiador de nossa sociedade, homem público,
ocupando, durante sua vida, diversos ministérios e cargos na Sudene.
Mesmo assim, mantinha uma humildade e coerência impressionantes. Valores
de um verdadeiro sábio!

Em
Brasil 247
https://www.brasil247.com/blog/dialetica-do-desenvolvimento
22/12/2025

domingo, 28 de dezembro de 2025

Geopolítica del interregno: Perspectivas para el 2026 en un mundo poshegemónico.

 


En 2025, Estados Unidos ya no lidera el orden global. Lo vigila. Y la vigilancia, en la historia de las hegemonías, siempre es una señal de que la dirección ya ha cambiado.

 Mario Pietri, analista geopolítico italiano 

El año 2025 no será recordado como un año de guerra, porque la guerra, en la historia de las potencias, nunca es un acontecimiento excepcional, sino una constante: una forma recurrente mediante la cual se corrigen, alteran y redefinen los equilibrios. Más bien, será recordado como el año en que se hizo evidente que el orden que había gobernado el mundo durante décadas había dejado de funcionar como principio organizador, mientras seguía existiendo como un aparato.

Las instituciones siguen en pie. Las alianzas no se han derrumbado formalmente. Las reglas siguen invocándose, repitiéndose y defendiéndose. Y, sin embargo, cada vez más, ya no producen los efectos para los que fueron construidas.

El poder sigue ejerciéndose, pero le cuesta generar consenso. Se toman decisiones, pero no configuran el futuro. Se dicen palabras, pero ya no organizan la realidad. Lo que falta no es la fuerza en sí, sino la capacidad de orientar, de hacer comprensible y compartible el significado del movimiento histórico.

Durante más de treinta años, desde el fin de la Guerra Fría, Occidente ha vivido con una profunda creencia, rara vez enunciada pero constantemente practicada: que su modelo no solo era dominante, sino definitivo. Que el control financiero, monetario y narrativo podía reemplazar indefinidamente la producción real, la cohesión social y la capacidad de sostener los costos materiales a lo largo del tiempo. Que el lenguaje gobernante era suficiente para gobernar el mundo. 

En 2025, esta creencia no se derrumbó de forma espectacular. No hubo un acto final. No hubo una derrota simbólica. 

Se consumó. 

Y es precisamente este tipo de transición —lenta, ambigua, inestable— la que Antonio Gramsci describió con el término interregno: una fase histórica en la que el viejo orden ya no puede imponerse como necesario, pero el nuevo aún no es capaz de presentarse como una alternativa completa. En este espacio intermedio, las estructuras siguen funcionando, pero sin dirección; el poder sigue ejerciéndose, pero sin hegemonía; la política se reduce a la gestión, mientras que el significado general se disuelve.

El interregno no es caos. Es algo más sutil: orden sin rumbo. 

Es el momento en que las reglas sobreviven a las razones por las que fueron creadas, cuando las palabras siguen pronunciándose incluso cuando ya no son convincentes, cuando el mundo avanza sin que nadie lo dirija realmente. Es en este espacio donde surgen tensiones desproporcionadas, conflictos sin resolver, narrativas contradictorias y fenómenos que parecen «morbosos» no por anómalos, sino porque son sintomáticos de un vacío de hegemonía. 

2025 fue precisamente esto: no el fin de un mundo, sino la entrada consciente en un tiempo sin centro, en el que Occidente sigue hablando mientras la Historia, en silencio, empieza a pasar factura. 

Estados Unidos: hegemonía sin rumbo, poder sin plan

En 2025, Estados Unidos sigue siendo, al menos formalmente, la principal potencia militar del mundo. Nadie lo discute realmente. Y, sin embargo, es precisamente aquí donde se manifiesta la contradicción central del interregno: el poder permanece, pero la hegemonía se disuelve.

Antonio Gramsci distinguió claramente entre dominación y hegemonía. La primera se basa en la coerción; la segunda en la capacidad de universalizar los intereses particulares, haciéndolos parecer naturales, inevitables, incluso deseables. En 2025, Estados Unidos conserva el dominio, pero está perdiendo rápidamente su hegemonía. Y cuando una potencia ya no puede liderar, comienza a castigar. 

Los datos materiales son elocuentes y no requieren retórica: la deuda federal estadounidense ha superado los 34 billones de dólares, más del 120% del PIB, con el gasto en intereses creciendo más rápido que la capacidad productiva real. Este es el signo de una economía que no invierte para transformarse, sino que imprime para posponer, trasladando el costo de sus propias contradicciones estructurales. 

En ausencia de un nuevo proyecto hegemónico —industrial, social, infraestructural— Washington ha reemplazado progresivamente el consenso por la coerción sistémica. Las sanciones, una vez una herramienta excepcional, se han vuelto comunes; los aranceles, un arma táctica; El dólar, que durante décadas funcionó porque se lo percibía como neutral, se ha transformado abiertamente en un instrumento político y punitivo.

Aquí, la lección de Gramsci se vuelve central: cuando una clase dominante ya no puede liderar, gobierna por interdicción. No construye alternativas, sino que impide que otros las construyan. No proporciona dirección, sino que bloquea trayectorias. No organiza el futuro, sino que busca congelar el presente. 

En 2025, el dólar, antaño la base del orden global, se percibe cada vez más como un mecanismo de chantaje, acelerando los procesos de desdolarización en energía y comercio incluso entre países que, hasta unos años antes, nunca se habrían atrevido a desafiar la centralidad financiera de Estados Unidos. Esta es la paradoja de la hegemonía en declive: cuanto más se defiende por la fuerza, más pierde legitimidad. 

La política exterior estadounidense se reduce así a una forma de contención negativa, carente de visión histórica: no crea nuevas estructuras, sino sabotea las de otros; no integra a las potencias emergentes, sino las disciplina; No negociando transiciones, sino posponiéndolas mediante sanciones, presión financiera e inestabilidad controlada. 

Este es el comportamiento típico de lo que Gramsci habría definido como una clase dominante que ya no gobierna, sino que continúa ocupando el centro por inercia, incapaz de generar consenso, pero aún lo suficientemente poderosa como para imponer costos. Una hegemonía que sobrevive como un simulacro, mientras el mundo comienza a organizarse como si ese centro ya no fuera necesario.

En 2025, Estados Unidos ya no lidera el orden global. Lo vigila. Y la vigilancia, en la historia de las hegemonías, siempre es una señal de que la dirección ya ha cambiado.

Europa: La renuncia estratégica como modelo de gobernanza.

Si Estados Unidos representa el centro imperial en apuros, Europa en 2025 encarna el caso más emblemático de autolesión estratégica voluntaria. En tan solo unos años, el continente ha aceptado un aumento estructural de los costes energéticos que ha afectado directamente al núcleo de su modelo económico: la manufactura intensiva en energía. 

El gas natural, que durante décadas había estado disponible a precios estables y predecibles, ha sido sustituido por suministros más caros y volátiles, con efectos inmediatos en las industrias química, siderúrgica, del vidrio, cerámica y automotriz. Aquí sobran las interpretaciones: bastan los balances. 

El resultado es medible, no ideológico: estancamiento o declive de la producción industrial, fuga de inversiones manufactureras y creciente deslocalización hacia Estados Unidos y Asia, donde la energía y los incentivos públicos son más competitivos. Y mientras Europa perdía capacidad de producción, seguía hablando de «autonomía estratégica», como si repetir un concepto bastara para hacerlo realidad.

Immanuel Wallerstein habría sonreído amargamente a una semiperiferia que sigue creyéndose el centro, mientras transfiere valor real a la cima de la cadena imperial. En 2025, la Unión Europea ha renunciado definitivamente a una política energética autónoma, a una diplomacia independiente y a un papel de mediación sistémica. 

A cambio, ha recibido inflación importada, crecientes tensiones sociales y una guerra permanente en sus fronteras, útil para justificar emergencias constantes, pero incapaz de generar seguridad real. Europa no ha sido derrotada: se ha autoneutralizado. Y quizás este sea el aspecto más difícil de admitir. 

Israel y Gaza: el fin de la hegemonía moral occidental.

En este contexto, Gaza en 2025 no fue solo una tragedia humanitaria, sino el momento en que Occidente perdió definitivamente el control de su propia narrativa moral. El derecho internacional no se violó —siempre se ha violado—, sino que se aplicó de forma tan selectiva que perdió cualquier pretensión de universalidad. La distinción entre civiles y combatientes se ha vuelto flexible, la proporcionalidad, un concepto negociable, las bajas, un problema de comunicación.

Y aquí es donde la retórica dejó de funcionar. 

Israel actuó como un puesto avanzado armado de un orden en crisis, seguro de que ninguna línea sería realmente infranqueable, porque el orden mismo ya no tenía la fuerza para imponer límites a sus propios instrumentos de coerción. 

Estados Unidos vetó no solo las resoluciones de la ONU, sino la posibilidad misma de una solución política, mientras Europa observaba, dudaba y finalmente aceptó, pagando un enorme precio político en el Sur global. El resultado fue simple y devastador: el llamado orden basado en reglas fue descartado como retórica colonial actualizada, válida solo mientras no obstaculice el uso de la fuerza. 

BRICS, Rusia y China: Hegemonía que no requiere consenso

Mientras Occidente sancionaba, castigaba y moralizaba, el resto del mundo hizo algo mucho más efectivo: construyó alternativas. Para 2025, los BRICS ya no son un club simbólico, sino una plataforma funcional que, a pesar de las obvias contradicciones y limitaciones, ofrece lo que Occidente ya no ofrece: previsibilidad, infraestructura y continuidad. China planifica durante décadas, invirtiendo en logística, energía, tecnología y finanzas reales; Rusia ha demostrado que la resiliencia estratégica —la capacidad de soportar altos costos sin un colapso político— tiene más sentido que el PIB nominal calculado a los tipos de cambio occidentales.

Este no es un mundo ideal. Es un mundo operativo. Los pagos alternativos, las rutas redundantes y las instituciones paralelas no nacieron para desafiar simbólicamente a Occidente, sino para hacerlo innecesario. El Sur global lo ha comprendido con extrema claridad: los acuerdos imperfectos son mejores que la dependencia estructural, los socios cínicos son mejores que los guardianes morales dispuestos a castigar. 

El fin del monopolio y el interregno: el silencio tras el Imperio (y el caso italiano)

2025 no marcó la derrota militar de Occidente, ni el colapso repentino de sus instituciones, ni el fin formal de su poder. Marcó algo mucho más profundo, y precisamente por eso mucho más difícil de aceptar: la pérdida de su monopolio sobre la definición de la realidad. 

Durante décadas, Occidente no se limitó a ejercer el poder; ejerció la interpretación. Decidió qué era legítimo y qué no, qué conflicto merecía atención y cuál podía archivarse como «complejo», qué violación era intolerable y cuál podía, en cambio, explicarse, posponerse, absorberse por el ciclo mediático. Él gobernó el mundo no sólo con armas y dinero, sino con vocabulario, con la capacidad de nombrar lo que importa y lo que se puede ignorar.

En 2025, este privilegio no fue usurpado por la fuerza. Fue consumido. 

No porque el mundo dejara repentinamente de escuchar a Occidente, sino porque dejó de creer en él. Y cuando la credibilidad se disuelve, la fuerza bruta —sanciones, vetos, coerción económica, chantaje financiero— no reconstruye el orden: lo consume, lo vacía, lo transforma en una repetición cansina de gestos que antaño funcionaban, pero que ahora solo producen habituación. 

Es aquí donde la transición histórica se hace más clara al leer las palabras de Antonio Gramsci, quien describió el interregno como el momento en que 

«lo viejo muere y lo nuevo no puede nacer, y en este interregno ocurren los fenómenos mórbidos más variados». 

2025 fue precisamente eso: un interregno global. El orden occidental ya no es capaz de afirmarse como universal, pero ningún nuevo orden necesita declararse como tal todavía. El resultado no es el caos, sino algo más sutil y corrosivo: la normalización de la falta de centralidad.

Occidente sigue hablando de valores universales, pero lo hace en un lenguaje cada vez más autorreferencial, comprensible solo para sí mismo y sus aliados más disciplinados. Mientras tanto, fuera de ese perímetro, el mundo ha adoptado criterios mucho más elementales —y mucho más despiadados— para medir el poder: acceso a la energía, suministros estables, continuidad de pagos, fiabilidad de las relaciones a lo largo del tiempo. 

La diferencia es ahora evidente: Occidente predica, el resto del mundo calcula. 

En 2026, esta grieta no se sanará. Se normalizará. Las instituciones occidentales seguirán existiendo, produciendo documentos, cumbres, declaraciones solemnes y hojas de ruta, pero lo harán en un espacio cada vez más restringido, dirigiéndose a un público que ya comparte las mismas premisas, mientras que las decisiones verdaderamente relevantes se tomarán en otros lugares, en foros menos visibles, menos ideológicos e infinitamente más pragmáticos. 

El Imperio no será derrocado. Ni siquiera será cuestionado formalmente. Será eludido. Y ésta es la forma más humillante de decadencia: no la derrota, sino la irrelevancia progresiva; no el colapso espectacular, sino la comprensión silenciosa de que ya no es necesario.

Italia: El interregno como condición permanente.

En esta transición histórica, Italia no es la excepción. Es una estadística. 

Si el mundo occidental en su conjunto vive un interregno, Italia es una de sus expresiones más puras y avanzadas: un país donde el viejo modelo continúa muriendo lentamente, y el nuevo no solo lucha por emerger, sino que ni siquiera se busca. 

La Italia de 2026 seguirá declarándose «en el centro» de Europa y el Mediterráneo, manteniéndose cuidadosamente al margen de cualquier verdadero proceso de toma de decisiones estratégicas; seguirá definiéndose como un aliado, actuando como un territorio fiable, útil para bases, rutas, restricciones y alineaciones automáticas; seguirá hablando de interés nacional, aceptando que este se defina en otro lugar, con diferentes idiomas y con diferentes prioridades. 

Aquí, la lección de Gramsci cobra aún más fuerza: la hegemonía no es solo dominación, es la capacidad de naturalizar lo conveniente. Y en Italia, en 2025-2026, lo que se ha vuelto “natural” es la idea de que tomar decisiones es peligroso, que negociar es inadecuado, que utilizar las propias palancas –geográficas, industriales, diplomáticas– es una forma de irresponsabilidad.

Italia no será castigada. No se le impondrá una administración especial. No se la expulsará de nada. 

Simplemente no se la consultará. 

Y como siempre ocurre con los países que confunden la prudencia con la virtud y la inercia con el realismo, descubrirá que la ausencia de opciones no es neutralidad, sino una elección pasiva a favor de quienes deciden. 

Después del Imperio, durante el interregno de 2026, algunos actores —estados, empresas, sistemas financieros— se posicionarán en consecuencia, reorientando flujos, alianzas, cadenas de valor y estrategias monetarias hacia un mundo que ya no requiera autorización ni certificación moral. Los demás seguirán hablando de orden, liderazgo y la «comunidad internacional», sin darse cuenta de que esa comunidad simplemente ha cambiado. 

Y mientras Occidente sigue preguntándose cómo «defender sus valores», incluida Italia, el resto del mundo ya habrá resuelto una cuestión mucho más elemental, mucho más concreta y mucho más despiadada: cómo vivir, comerciar y sobrevivir sin ella. 

Esto no es una profecía. Es la constatación de un hecho. Y para un Imperio —y para sus vasallos más celosos, atrapados en un interregno que confunden con estabilidad— no hay condena más severa.

Em

Observatorio de la crisis

https://observatoriocrisis.com/2025/12/28/geopolitica-del-interregno-perspectivas-para-el-2026-en-un-mundo-poshegemonico/
 
28/12/2025