quarta-feira, 18 de março de 2026

Lula e o mais do mesmo, por Luís Nassif



Agora está na hora de entender o novo momento, a construção da fé no
futuro, a esperança de que amanhã será melhor do que hoje.

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Resumo da notícia ​

Lula representa a continuidade democrática, mas o país precisa de um
plano claro para o futuro e desenvolvimento coordenado.
O Brasil enfrenta desafios como juros altos e falta de estratégia em
energia e indústria, exigindo mobilização e metas claras.
Lula deve apresentar um projeto nacional abrangente, envolvendo setores
diversos, para legitimar um possível quarto mandato.



          Resumo gerado por Inteligência artificial

Em uma disputa com qualquer dos Bolsonaro, eu votaria no Lula, é
evidente. Porque ele representa a continuidade democrática, a soberania
nacional, a esperança de impedir o desmanche do país.


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Mas, em termos de construção do futuro, seria mais do mesmo. O país
continuaria amarrado ao livre fluxo de capitais, exigindo taxas de juros
elevadas, os spreads bancários continuariam nas alturas, a política
industrial seria uma série de esboços sem envolver mercado, indústria,
comércio, sindicatos, movimentos sociais.

O problema é que para a parte decisiva do eleitorado – aquele que ainda
não definiu seu voto -, a construção do futuro é peça central, a criação
da esperança, a perspectiva de que amanhã será melhor do que hoje, são
elementos centrais. A construção do sonho não passa apenas pelos dados
do PIB ou do IPCA.



O governo JK registrou uma inflação média de 25% a 30% ao ano, um
déficit público entre 2% a 4% do PIB, uma dívida externa que, entre 1955
e 1961, saltou de US$700 milhões para US$3 bilhões. Mas com o PIB
crescendo 7% ao ano, uma industrialização acelerada.

A situação atual do Brasil é incomparavelmente melhor do que a de JK.
Mas não há espaço para repetir alguns dos recursos de JK – crescimento
com inflação e gastos públicos. Mas a lição maior continua de pé:
desenvolvimento exige coordenação. JK entendia que o país precisava de
direção, escala e prioridade.

Sem esses planos, sem um discurso de mobilização, o mais do mesmo irá se
impor. O país continuará com Selic de dois dígitos, para administrar o /
carry trade/, continuará com o vôo de galinha, abrirá terras raras e
energia verde a parcerias estrangeiras, sem dispor de uma estratégia
clara de contrapartidas.

Grande parte da carreira de Lula se deveu à sua notável intuição, de
entender um país que aspirava o combate à miséria e as formas de
inclusão social. Agora está na hora de entender o novo momento, a
construção da fé no futuro, a esperança de que amanhã será melhor do que
hoje.

Vale não apenas para as eleições, mas para legitimar um eventual quarto
mandato. Há uma sede de Brasil, presente em todos os cantos, na torcida
pelo Oscar, até em competições alpinas, na explosão da nova música
nordestina. O Brasil quer Brasil e Lula precisa se dar conta disso. E a
maneira de atender esta demanda é ter um plano de meta com uma marca
Lula, com várias metas, cada qual envolvendo vários setores.

Há várias pontas soltas aguardando a costura final de um plano de
governo: os investimentos do BNDES, as propostas da Nova Indústria
Brasil, a transição energética. E há jogadores de primeiríssima
aguardando a convocação para o grande projeto nacional: universidades,
institutos de pesquisas, confederações empresariais e sindicais,
movimentos sociais, organizações da sociedade civil.

A bola está na marca do pênalti pedindo a Lula para chutar.

Se Lula julga que já deu tudo o que tinha dar ao país – e sua
contribuição para a preservação do Brasil como Nação é imensa – lamento
informá-lo que não deu. Personagens da história, como ele, só se
aposentam quando apontam sucessores capazes de levar adiante e aprimorar
sua obra. Um quarto mandato se justificaria não pelo reconhecimento de
tudo o que ele fez até agora pelo país, mas pela esperança de que amplie
seus horizontes e apresente um plano de construção do país do século 21.

*LEIA TAMBÉM:*

    É hora de Lula virar a chave e apresentar ao país o governo
    empreendedor <https://jornalggn.com.br/coluna-economica/e-hora-de-
    lula-virar-a-chave-e-apresentar-ao-pais-o-governo-empreendedor/>

    Lula e a sina dos homens comuns, por Luís Nassif <https://
    jornalggn.com.br/politica/lula-e-a-sina-dos-homens-comuns-por-luis-
    nassif/>

    Lula, entre o reconhecimento tardio e a missão global, por Luís
    Nassif <https://jornalggn.com.br/coluna-economica/lula-entre-o-
    reconhecimento-tardio-e-a-missao-global-por-luis-nassif/>

Em
Jornal GGN
https://jornalggn.com.br/coluna-economica/lula-e-o-mais-do-mesmo-por-luis-nassif/
18/3/2026

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