quarta-feira, 8 de julho de 2026

A guerra é tudo o que resta

 


Dmitry Orlov – 26 de junho de 2026

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Como a diplomacia, no sentido ocidental do termo, degenerou em uma troca de insultos e no árduo processo de negociação de acordos que ninguém jamais pretende cumprir, tudo o que resta é a guerra. Ou, talvez, a forma plural — guerras — seja mais apropriada, já que há várias ocorrendo ao mesmo tempo. Em cada caso, há um campo de batalha, há ações militares em andamento (ou preparativos para elas) e há, inevitavelmente, um desfecho final. As motivações para esses conflitos variam desde a ilusão total até a conveniência política, passando por imperativos ideológicos e pelas exigências da sobrevivência nacional.

Muito já foi dito e escrito sobre a morte da diplomacia no Ocidente, mas uma troca de palavras recente é simplesmente perfeita demais para ser ignorada. Quando os russos apontaram que os americanos renegaram os acordos alcançados durante a cúpula Putin-Trump em Anchorage, no Alasca, em 15 de agosto de 2025, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, argumentou que não se tratava de acordos, mas apenas de propostas. Acontece que foram os americanos que propuseram e os russos que aceitaram as propostas. Assim, os americanos fizeram propostas com as quais eles próprios não concordavam. Qual seria o sentido de tentar chegar a um acordo de paz com pessoas assim? Não há sentido algum, e isso só nos deixa com a guerra.

Embora se pense comumente que o objetivo da guerra seja a vitória — e esse é, na maioria das vezes, o objetivo declarado de qualquer guerra, para preservar o moral das tropas e manter o apoio da população que arca com os custos —, com a mesma frequência o objetivo é a perpetuação do conflito. Um excelente exemplo desse tipo de conflito perpétuo foi a Guerra Fria. É possível argumentar que ela não foi realmente uma guerra porque nunca foi travada; também é possível argumentar que foi travada de forma mais ou menos contínua. A Guerra Fria foi travada em dezenas de guerras regionais, grandes e pequenas. Caso você precise relembrar, aqui está um breve resumo delas:

Coreia (1950–1953): Um grande confronto direto no qual as forças dos EUA e da ONU lutaram contra tropas chinesas e norte-coreanas apoiadas e reabastecidas pela URSS. Os EUA conseguiram levar essa guerra a um impasse permanente, que deixou a península coreana dividida de forma definitiva no paralelo 38, com o Norte aliado à Rússia e à China e o Sul sob ocupação permanente das tropas americanas.

Vietnã (1955–1975): Os EUA intervieram na Indochina Francesa, assumindo o lugar da França colonialista em declínio para impedir a busca vietnamita pela independência, enquanto os soviéticos apoiavam o Viet Cong e as forças militares do Vietnã do Norte em um conflito prolongado e devastador que terminou quando o regime apoiado pelos EUA no sul entrou em colapso, os americanos foram derrotados e o norte triunfou.

Afeganistão (1979–1989): A URSS interveio para apoiar um governo socialista, levando os EUA (e seus aliados) a armar, treinar e financiar os insurgentes mujahedin. As últimas tropas soviéticas deixaram o Afeganistão em 15 de fevereiro de 1989. A retirada foi realizada de acordo com os Acordos de Genebra, e o comandante do 40º Exército, o tenente-general Boris Gromov, tornou-se o último militar a cruzar a ponte fronteiriça sobre o rio Amu Darya, com bandeiras hasteadas, como pode ser visto na foto acima. O governo socialista de Mohammad Najibullah permaneceu no poder por aproximadamente três anos e dois meses após a retirada definitiva das tropas soviéticas do Afeganistão. Seu colapso foi precipitado pela retirada do apoio soviético sob o comando do secretário-geral Mikhail Gorbachev. Uma guerra civil então se alastrou até 27 de setembro de 1996, quando Cabul foi tomada pelo Talibã. Os americanos ocuparam então o Afeganistão de 7 de outubro de 2001 até 30 de agosto de 2021, em uma tentativa fracassada de expulsar o Talibã, tendo acusado falsamente o grupo de cumplicidade nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Cuba: Os EUA e a URSS quase entraram em uma guerra nuclear durante a mal denominada Crise dos Mísseis de Cuba (1962). Na verdade, tratava-se da Crise dos Mísseis da Turquia: os EUA posicionaram mísseis nucleares na Turquia, o que ameaçava a URSS; a URSS respondeu posicionando mísseis nucleares em Cuba, o que ameaçava os EUA; no fim, cada lado retirou seus mísseis.

África: A URSS apoiou ativamente os movimentos de descolonização em todo o continente, ajudando uma série de países a alcançar a independência, incluindo Argélia, Angola, República do Congo, Egito, Guiné, Guiné-Bissau, Moçambique, Namíbia, África do Sul (onde a guerra era contra o apartheid) e Zimbábue. Após o colapso da URSS, essas relações ficaram suspensas por um tempo, mas, desde então, foram renovadas e revitalizadas. A 2ª Cúpula Rússia-África foi realizada em São Petersburgo, na Rússia, nos dias 27 e 28 de julho de 2023. A cúpula reuniu delegados de 49 dos 54 Estados-membros da União Africana, incluindo 17 chefes de Estado. A 3ª cúpula será realizada em Moscou no final de outubro de 2026.

Os movimentos de libertação nacional africanos envolveram um grande número de conflitos armados. Registros oficiais indicam um total combinado de 1.100.000 a 1.800.000 vítimas apenas nos principais conflitos anticoloniais na Argélia, Angola, Moçambique e Zimbábue. Esses foram, para evitar o uso de eufemismos como “conflito”, guerras de libertação nacional.

Bem no meio de todas essas guerras, em 1969, um popular cantor inglês chamado John Lennon cantou “All we are saying is give peace a chance!” (Tudo o que estamos dizendo é: dêem uma chance à paz!). Será que isso representa uma melhoria em relação ao “Exterminem todos os brutos!”, rabiscado no final de um panfleto pelo personagem Sr. Kurtz na novela “Coração das Trevas”, do escritor britânico de origem polonesa Joseph Conrad? Se for o caso, trata-se de um aumento na hipocrisia britânica — pedir humildemente paz àqueles que, por natureza, não a aceitariam, é um exercício fútil destinado a enganar os ingênuos. Quer consideremos massacres militares diretos ou incluamos fomes provocadas por políticas, o Império Britânico, ao longo de sua existência, “exterminou” centenas de milhões daqueles que considerava “brutos”. A definição de “brutos” muda com o tempo — atualmente, são os russos e os ucranianos —, mas a intenção de exterminá-los está profundamente enraizada no sistema operacional britânico.

Ao ouvir as notícias sobre a guerra atual, na antiga Ucrânia, frequentemente ouvimos uma série de eufemismos. O governo russo prefere usar o termo “Operação Militar Especial”. Não se trata de uma guerra, já que uma guerra precisaria ser declarada e exigiria a instauração de uma emergência nacional, a mobilização de reservistas e outras medidas impopulares e, na estimada opinião dos líderes civis e militares da Rússia, desnecessárias.

Embora o regime de Kiev e seus manipuladores ocidentais recorram cada vez mais a métodos terroristas, isso não está sendo chamado de “operação antiterrorista”. Fazer isso exigiria que o governo russo declarasse o regime de Kiev um Estado terrorista, juntamente com todos os seus apoiadores (toda a OTAN e toda a UE, e mais alguns), o que não seria muito útil para manter relações diplomáticas com todos eles, uma vez que tais relações diplomáticas são consideradas de interesse para a segurança nacional da Rússia.

Apesar dessas soluções eufemísticas, a maioria das pessoas sensatas está disposta a admitir que se trata, de fato, de uma guerra. Ela já está em seu quinto ano, o número de vítimas do lado ucraniano ultrapassou 1,2 milhão, e a principal pergunta na mente da maioria das pessoas é: quando isso vai acabar? E o problema é que pôr fim a ela não é do interesse de ninguém. De. Ninguém. Absolutamente.

Vamos enumerar as partes envolvidas na guerra na antiga Ucrânia: a Rússia, os EUA, os países europeus membros da UE e da OTAN, várias outras nações que não são hostis à Rússia e, é claro, a própria antiga Ucrânia (o regime de Kiev e a população da antiga Ucrânia). Cada uma dessas partes envolvidas não tem interesse em um fim rápido para a guerra na antiga Ucrânia, cada uma por suas próprias razões.

O objetivo final da Rússia em relação à antiga Ucrânia é torná-la inofensiva sem sobrecarregar-se indevidamente e sem sofrer muitas baixas. O que precipitou o conflito pode ser resumido a dois fatores principais. Havia a ameaça das tropas da OTAN estacionadas em solo ucraniano, bem na rota de invasão em direção a Moscou seguida tanto por Napoleão quanto por Hitler.

Houve também o genocídio incipiente perpetrado por Kiev contra a população russa nas antigas províncias orientais da Ucrânia, Donetsk e Lugansk, que serviu de gatilho para o lançamento da Operação Militar Especial da Rússia em fevereiro de 2022, como uma missão de R2P (Responsabilidade de Proteger). O aumento dramático dos bombardeios contra Donetsk pelos ucranianos em fevereiro de 2022 forneceu ampla justificativa para isso.

A necessidade imperativa de salvar vidas russas em Donetsk e Lugansk coincidiu com o objetivo secundário da Rússia, que era salvar os numerosos russos que ainda viviam nos territórios controlados pelo regime de Kiev. Assim, bombardear indiscriminadamente cidades ucranianas, como os americanos, os britânicos ou outras forças da OTAN teriam feito (e, de fato, já fizeram em circunstâncias semelhantes), não é algo que o governo russo jamais consideraria fazer.

Muito pelo contrário: aos russos que ainda vivem em territórios controlados por Kiev é oferecida a entrada sem visto na Federação Russa e um caminho para a cidadania russa e a integração na sociedade russa. Como todos os ucranianos falam russo — sendo essa a primeira língua da grande maioria deles —, eles se reintegram facilmente.

Se a guerra fosse terminar, isso poderia ocorrer de pelo menos três maneiras diferentes. A primeira forma, totalmente inaceitável para a Rússia em todos os níveis, seria concordar com um cessar-fogo, congelar o conflito na atual linha de separação (que atravessa o que, segundo a legislação russa, constitui território soberano russo, embora isso não vá durar muito mais tempo, dado o ritmo do avanço russo) e permitir o estacionamento de tropas da OTAN em território ainda controlado pelo regime de Kiev. Esse fim da guerra equivaleria a uma derrota.

Outra maneira pela qual a guerra poderia terminar seria por meio de uma vitória russa repentina e definitiva. As forças ucranianas seriam derrotadas e as Forças Armadas ucranianas se dissolveriam. Os EUA, a OTAN e a UE lavariam as mãos do conflito ucraniano, abandonando seus aliados ucranianos à própria sorte. A Rússia teria então, em sua fronteira, uma área caótica e ingovernável, transformada em desastre humanitário, da qual, de alguma forma, teria de resgatar as pessoas de seu terrível destino.

Os russos estão trabalhando assiduamente para libertar os pequenos trechos remanescentes do que é, constitucionalmente, território da Federação Russa nas regiões de Donetsk, Zaporozhye e Kherson (Lugansk foi completamente libertada em julho de 2022). Acabaram de libertar Konstantinovka. Restam agora apenas duas cidades importantes a serem libertadas: Kramatorsk e Slavyansk. Da mesma forma, grandes avanços estão ocorrendo no sul, em Zaporozhye em particular. Eles também estão avançando na criação de zonas-tampão nas regiões de Sumy e Kharkov para proteger as regiões russas vizinhas contra ataques. Esses são alguns dos objetivos declarados da Operação Militar Especial e estão sendo alcançados, embora de forma um pouco mais gradual do que muitas pessoas gostariam.

Enquanto isso, o regime de Kiev, com o apoio da OTAN, vem lançando uma série de ataques terroristas contra regiões russas. A Crimeia foi particularmente atingida e hoje se viu forçada a impor o estado de emergência para lidar com os danos causados pelos ataques com drones ucranianos. Outras regiões russas também foram afetadas, embora o impacto geral desses ataques seja, em geral, superestimado. Esses ataques terroristas estão sendo utilizados em uma campanha de propaganda no Ocidente que visa convencer a população de que a Ucrânia está vencendo e que, portanto, o apoio contínuo ao regime de Kiev se justifica. Aparentemente, a guerra, assim como a beleza, está nos olhos de quem vê. De que outra forma poderíamos explicar o seguinte: na última segunda-feira, em Gdańsk, na Polônia, o vice-secretário de Estado dos EUA, Jeremy Levin, declarou pomposamente que “a Ucrânia está vencendo a guerra”. Nada poderia estar mais longe da verdade!

O regime de Kiev está perdendo, mas não por falta de esforço. Seu ataque ao território russo durante a noite de 26 de junho foi o mais intenso até agora em 2026. Após analisar dados publicados pelo Ministério da Defesa russo, a agência de notícias RIA informou que os sistemas de defesa aérea russos abateram 660 drones ucranianos. Provavelmente, alguns drones conseguiram passar (nenhum sistema de defesa aérea pode ser 100% eficaz). As notícias na Rússia estão repletas de relatos sobre os danos causados por drones e seus fragmentos: algumas pessoas ficam feridas e algumas casas e prédios de apartamentos são danificados quase todos os dias. Isso é, obviamente, lamentável. Mas a guerra é assim mesmo; pessoas se ferem.

Mas, do ponto de vista do governo russo e das Forças Armadas russas, isso não é de forma alguma totalmente ruim. A Rússia desenvolveu o melhor sistema de defesa aérea do mundo, e o setor de defesa russo estará ocupado vendendo esses sistemas a clientes ansiosos em todo o mundo por muitos anos ainda. O conflito está permitindo que a Rússia acompanhe o desenvolvimento de drones e tecnologias relacionadas, incluindo o uso de sistemas de IA e comunicações via satélite no campo de batalha. E a Rússia ainda tem muitos trunfos na manga caso os ataques terroristas se tornem dolorosos demais. Em particular, a Rússia dispõe de armas capazes de neutralizar o sistema de satélites Starlink, de Elon Musk, que a IA Palantir, de Alex Karp, usa para gerar informações de alvos (o sistema demonstra um interesse perverso por escolas femininas) e que os drones, por sua vez, utilizam para navegar até esses alvos. Mas fazer isso agora privaria a Rússia do grande prazer de derrubar centenas de drones todas as noites.

Do ponto de vista do governo russo, sua guerra não é contra o regime de Kiev (que não sobreviveria mais do que algumas semanas sem o apoio constante do Ocidente), mas contra a OTAN e, cada vez mais, contra a UE. O fato de o governo ucraniano estar absorvendo — e fugindo com — quantidades fabulosas de capital ocidental é positivo para a Rússia: por que não deixar a Europa ir à falência ao alimentar o monstro ucraniano que ela mesma criou? Desse ponto de vista, quanto mais a guerra se prolongar, mais fraca a UE se tornará e menor será a ameaça que representará para a Rússia. Tendo em mente que vários líderes europeus (Merz, da Alemanha, em particular) fizeram declarações no sentido de que a Europa está se preparando para travar guerra diretamente contra a Rússia, uma maneira eficaz de enfraquecer a Europa é forçá-la a continuar apoiando o regime de Kiev.

Passando para os Estados Unidos, é improvável que um fim rápido da guerra na Ucrânia ocorra em termos aceitáveis para eles. Isso torna preferível adiar o momento em que a política de transformar a antiga Ucrânia em um país antirrusso e de desperdiçar incontáveis bilhões em busca do nobre objetivo de enfraquecer a Rússia finalmente fracasse e vá por água abaixo. Além disso, um fim prematuro dessa guerra privaria os fabricantes de armas americanos de vendas. Como as armas para o regime de Kiev estão agora sendo pagas pelos europeus, isso também privaria os EUA de uma forma valiosa de sangrar a economia europeia — um objetivo razoável para eles, já que a UE é o único grande concorrente econômico contra o qual os EUA ainda têm capacidade de competir, sendo cada vez mais deixados para trás pela China, Rússia e Índia. Por fim, muitos nos EUA ainda acalentam a esperança vã de que o conflito ucraniano enfraqueça a Rússia e a impeça de desenvolver sua economia. (Se você acredita nisso, tenho alguns milhares de sanções econômicas para lhe vender a preços de barganha.)

A UE, e em particular o trio formado por Reino Unido, França e Alemanha, gostaria que a guerra na Ucrânia continuasse pelo maior tempo possível, pois ela serve de desculpa para sua própria incompetência. O pretexto de defender a Europa contra a “agressão russa” alivia um pouco a pressão sobre eles para resolver problemas dentro de suas próprias sociedades e economias, em particular a situação desastrosa com os migrantes e os efeitos igualmente desastrosos do “New Deal Verde” sem sentido e de outras iniciativas ambientalistas quixotescas. Também é notável que a corrupção desenfreada dentro do regime de Kiev ofereça inúmeras oportunidades de propinas aos apoiadores do regime na UE. Cada carro de luxo e cada mansão suíça adquiridos por um funcionário ucraniano corrupto representam dinheiro lavado, por meio do qual fundos públicos roubados são adicionados ao tesouro particular de alguém.

Merecem destaque especial os escandinavos e os bálticos: um fim rápido da guerra na Ucrânia desvalorizaria seu principal trunfo, que é a russofobia. Eles usam sua fingida disposição de servir como baluartes contra o fantasma da “agressão russa” para atrair recursos da UE. Se essa “agressão russa” se dissolver como a névoa da manhã aos raios do sol nascente, eles terão que encarar a realidade do que realmente são: sem interesse nem para a Rússia nem para a UE.

Outras nações também estão interessadas na guerra na Ucrânia. Elas observam ansiosamente a transformação do campo de batalha moderno, que passa de um cenário dominado por blindados pesados para outro dominado por drones, mísseis e sistemas de guerra eletrônica, todos sob controle de IA. Acalma seus ânimos ver que a Rússia, sempre disposta a fornecer ao mundo inteiro modelos de exportação de suas excelentes armas, sem restrições operacionais, está acompanhando esses avanços e poderá continuar a atuar como seu fornecedor de segurança por muito tempo no futuro. Além disso, muitos países ao redor do mundo estão encantados ao ver os EUA e a OTAN humilhados no campo de batalha e querem assistir a mais algumas temporadas desse excelente espetáculo.

Não é preciso dizer que o regime de Kiev se oporia veementemente ao fim da guerra na Ucrânia, já que isso significaria seu próprio fim. O fluxo de dinheiro do Ocidente cessaria, a capacidade de manter o aparato estatal desapareceria e, com ela, o próprio Estado ucraniano. A Ucrânia se transformaria rapidamente no que já é, em muitos aspectos: um Estado falido. Obviamente, eles querem manter as hostilidades pelo maior tempo possível.

A única parte interessada cujo interesse em perpetuar a guerra na Ucrânia não pode ser determinado é o próprio povo ucraniano, por uma razão muito simples: seu único e verdadeiro interesse parece ser a morte nacional autoinfligida. Sim, o regime de Kiev se manterá de pé enquanto os fundos do Ocidente continuarem fluindo, e depois por mais um pouquinho, mas a própria Ucrânia já está demograficamente morta, com taxas de mortalidade muito altas e taxas de natalidade muito baixas. Ela está sofrendo uma hemorragia populacional contínua, cuja população agora mal chega à metade do que era na independência, em agosto de 1991. Sua infraestrutura industrial, em grande parte um resquício da era soviética e mantida apenas esporadicamente nas últimas três décadas e meia, está praticamente inoperante. Parece que o propósito dado por Deus a algumas nações é meramente servir de advertência para outras: contemplai a Ucrânia, ó nações, e chorai! É isso que acontece com países que abandonam sua história, cultura, tradição e fé e tentam atrelar seu destino ao Ocidente em declínio.

A guerra na Ucrânia continuará até que não possa mais continuar. Na melhor das hipóteses, ela simplesmente se esgotará. Os EUA se retirarão para o Hemisfério Ocidental, deixando a Eurásia sozinha para resolver seus problemas. A UE perderá a capacidade de armar e abastecer o regime de Kiev. O próprio regime de Kiev se dissolverá e a elite ucraniana se refugiará em suas mansões em países politicamente estáveis. A Rússia poderá reivindicar para si mais algumas antigas regiões ucranianas — Nikolaev e Odessa, em particular — e, em seguida, isolar o que restar da antiga Ucrânia, deixando-a degenerar no que aquele território foi desde meados do século XIV até o final do século XVIII: o Campo Selvagem. É improvável que o que restar da sociedade ucraniana produza algo além do senhorio local e de pequenas ditaduras provinciais.

Como a vitória está nos olhos de quem vê, quando a guerra na Ucrânia finalmente terminar, quase todas as partes envolvidas sentirão que venceram. O Ocidente se orgulhará de ter usado habilmente os infelizes ucranianos para impedir que a Rússia dominasse toda a Europa (não importa que a Rússia nunca tenha tido tais intenções). Os russos comemorarão o fato de terem recuperado várias regiões historicamente russas, ao mesmo tempo em que reforçaram sua segurança nacional. Os aliados e amigos dos russos se alegrarão por alguém ter se encarregado de desenvolver defesas aéreas contra a nova guerra centrada em drones. Os ucranianos não terão nada com que se alegrar, mas apenas a princípio, pois logo passarão a procurar outros para culpar por sua derrota. Para um ucraniano, o oposto da vitória (peremoha) não é a derrota (porazka), mas a traição (zrada). E assim eles procurarão traidores, entre si e em outros lugares, e, ao encontrarem alguns, também se alegrarão por terem feito isso. Apenas os infelizes finlandeses, estonianos, letões e lituanos, tirados de seu cavalo de batalha que é a russofobia, não terão nada com que se alegrar, mas permanecerão bêbados demais para se importarem.

Em

Sakerlatam

https://sakerlatam.blog/a-guerra-e-tudo-o-que-resta/

8/6/2026

 

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