terça-feira, 9 de outubro de 2018
Derrotar Bolsonaro e construir a alternativa socialista!
Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a militância de todos os
nossos coletivos de luta, ao longo dessa campanha eleitoral, marcharam com
firmeza, ousadia e combatividade com a candidatura de Guilherme Boulos e Sônia
Guajajara para a Presidência da República, fato que representou a formação de
uma aliança histórica entre o PCB, o PSOL, MTST, APIB, Mídia Ninja e vários
outros movimentos populares do país, com um programa claro de enfrentamento aos
privilégios, ao capital financeiro, ao agronegócio, aos monopólios em geral,
revelando assim a possibilidade de uma alternativa socialista e de um novo rumo
para o Brasil. Foi correta essa opção e faremos todos os esforços para que a
nossa aliança se mantenha nas lutas cotidianas para além das eleições.
A crise sistêmica do capitalismo acirra as contradições interimperialistas e
interburguesas. Em países periféricos, como o Brasil, a burguesia, associada ao
imperialismo, mobiliza todas as suas forças para atacar os direitos
trabalhistas, sociais e previdenciários, diminuir os salários, cortar
investimentos públicos e programas sociais, aumentar a exploração, privatizar e
desnacionalizar empresas estatais estratégicas e entregar recursos naturais. O
golpe burguês de 2016, midiático e institucional, buscou acelerar esses ataques
de todas as formas, mesmo sem legitimidade política. Nas entranhas do golpe, do
sistema político apodrecido e das necessidades do grande capital, fortaleceu-se
uma alternativa radicalizada de extrema direita e neofascista.
Jair Bolsonaro reúne o que há de mais atrasado na sociedade brasileira. No plano
econômico, apresenta um programa ultraliberal, reacionário e antinacional. No
plano social, anuncia a retirada de direitos, o aprofundamento da exploração e o
fim de qualquer proteção social à classe trabalhadora. Legitima e
institucionaliza a violência contra os trabalhadores, as mulheres, LGBTs,
indígenas, quilombolas e a juventude pobre, sobretudo negra. Reúne em torno de
si a bancada da bala, o agronegócio, políticos corruptos, milícias,
neopentecostais oportunistas e setores militares favoráveis à ditadura. Para
além disso, um eventual governo desse bloco político representa a ameaça de uma
progressiva repressão aos direitos democráticos dos trabalhadores e dos
movimentos populares.
Por sua experiência histórica, o PCB não subestima o fascismo, razão pela qual,
em que pesem todas as divergências que jamais deixamos de expor publicamente,
neste segundo turno indicamos voto crítico no candidato do Partido dos
Trabalhadores (PT), Fernando Haddad. O gesto do PCB é unilateral, compromissado
com as lutas pelas liberdades democráticas e antifascistas. Isto significa, em
definitivo, que os comunistas do PCB não irão compor um eventual governo
petista. Alertamos que, na atual conjuntura, há ainda mais dificuldades e menos
margem política e econômica para estabelecer uma governabilidade de conciliação
de classes. Infelizmente, Haddad e o PT já fazem acenos ao grande capital e
aceitam as propostas de reforma da previdência, termos da reforma trabalhista, a
não revogação da venda da Embraer e da privatização do pré-sal. Barrar o
candidato da extrema direita não significa adesão ao projeto centrista de
remendar o pacto de classes rompido pelo golpe parlamentar e institucional de
2016.
Para o PCB a luta antifascista não se encerrará neste pleito. É fundamental
derrotar Bolsonaro nas urnas, defender as liberdades democráticas e fortalecer o
poder popular para enfrentar os ataques que virão. Será preciso manter a luta
pela revogação de todas as contrarreformas do governo Temer: a reforma
trabalhista, a lei das terceirizações, a reforma do ensino médio, a lei do teto
dos gastos, as privatizações, entre outras. Seguiremos lutando em defesa da
Petrobrás 100% estatal e do pré-sal, contra a reforma da previdência, pela
ampliação dos direitos políticos e sociais e por um programa que atenda os
interesses populares, apontando para a ruptura com o capitalismo e a construção
do socialismo.
07 de outubro de 2018.
Comitê Central do PCB
In
PCB
https://pcb.org.br/portal2/21028/derrotar-bolsonaro-e-construir-a-alternativa-socialista/
7/10/2018
domingo, 7 de outubro de 2018
Eleições brasileiras: de susto, de bala ou vício
Dóris Castro e Ana Araújo, da redação.
Pouca gente imaginava que a manifestação das mulheres brasileiras no sábado
passado fosse tão avassaladora. Meio milhão de pessoas (ou bem mais?) inundaram
ruas e cidades de norte a sul do país. Nenhuma cidade importante ficou fora. Por
algumas horas o Brasil ficou bonito. Alegre, colorido, inteligente.
Com seu incisivo #EleNao as mulheres balançaram a roseira da abjeta sociedade
civil brasileira. Devolveram a política para as ruas. Tencionaram os limites do
Estado democrático brasileiro. Os efeitos foram imediatos.
A crise voltou para as ruas. O #EleNao que contagiou a sociedade civil foi um
contundente recado político jogado na cara da protoburguesia brasileira: não
adianta ficar fazendo de conta que um novo presidente poderá restabelecer a
governabilidade deste país irremediavelmente falido.
Depois de terem aparentado, dias antes, certo desprendimento de soluções
políticas suicidas, como observado em nosso último boletim , as volúveis
convicções da protoburguesia de Fernando Henrique et caterva sofreram um giro de
180 graus. Resolveram eleger o candidato que a revista The Economist definira
ela mesma como a “a mais recente ameaça para a América Latina”.
Com ações incrivelmente articuladas, como uma verdadeira quartelada, a burguesia
e proprietários fundiários em peso jogaram todas suas fichas de apoio ao
#EleSim. E decidiram eleger a estranha criatura para comandar os destinos da
nação.
Acionaram propaganda super concentrada para a criatura na grande mídia, agiram
na descarada manipulação das pesquisas eleitorais Data Folha e Ibope, renovaram
emergencialmente novos ataques da ditadura do Judiciário – Aldo Moro, Supremo
Tribunal Federal, etc.
O espectro da rebelião popular assustou os parasitas. Em dois dias a
franco-maçonaria burguesa mudou totalmente seus planos eleitorais. Nada de um
“Macri brasileiro”. Nada de Alkmin, de Ciro, de Haddad ou qualquer outro
genérico.
Os dados de uma perigoso processo foram lançados. Trata-se agora de eleger
presidente da República alguém da própria milícia de torturadores profissionais
da ordem política e social para organizar a reação policial sobre a indefesa
sociedade civil em geral, de maneira reforçada e ideologizada ao máximo. Tudo
dentro da lei, é claro. Democraticamente. Constituição existe para isso.
No decorrer desta última semana, com medo de mínimos sinais de rebelião popular
nas ruas, a democracia brasileira não só definiu antecipadamente o resultado das
eleições de Outubro como mostrou melhor sua verdadeira face para sua distinta
plateia de cidadãos. Mais feia do que de costume. Com cara de “fascismo”, como
caracteriza apressadamente grande parte da esquerda democrática do país.
Mas então seria uma espécie de fascismo transgênico. Ao contrário do fascismo
natural dos integralistas “galinhas verdes” de antigamente, seria um fascismo
neoliberal, antinacional, antiprotecionista, antissindicalista, etc. Com a cara
“d’Ele”, um guardinha de esquina que está sendo promovido a presidente da
República e comandante das forças armadas nacionais.
Essa aplicação de uma cara supostamente fascistóide para a democracia brasileira
se apresenta à luz do dia no corpo de duas impiedosas irmãs siamesas que já
reinam há alguns anos na ordem burguesa nacional– violência policial na política
e “responsabilidade fiscal” na economia.
O que causa grande desconforto a essa desforme criatura é que enquanto a
burguesia faz de tudo para que as eleições de Outubro ainda pareçam uma coisa
séria, a economia nacional exaure. Enferruja. Cronicamente inviável. E o pior,
seu candidato antecipadamente eleito pelas fajutas pesquisas eleitorais do Ibope
e Datafolha diz que não entende nada de economia!
Todas as pessoas bem informadas sabem que sem economia funcionando não pode
haver governabilidade. E os dados econômicos mais recentes são muito
elucidativos a respeito. Dados cada vez mais frágeis para sustentar a nova ordem
política que virá depois das eleições.
Veja, por exemplo, o relatório da produção industrial que o IBGE publicou nesta
terça (02/outubro). Queda da base produtiva nacional pelo segundo mês seguido.
Essa sequência não acontecia desde o final de 2015. Passados oito meses de 2018,
a indústria está 1,1% abaixo do patamar de dezembro do ano passado.
Tem que crescer bastante neste último quadrimestre do ano para recuperar aquele
patamar do ano passado, quer dizer, apenas para ficar patinando no mesmo lugar.
O pior, mais uma vez, é que não há nenhum indício para apostar que isso será
conseguido.
É bom lembrar que no Brasil os capitalistas não têm a mínima autonomia para
fazer política econômica anticíclica. Isso é só para economia dominante. Por
isso a economia patina. Por enquanto. Quando estourar o próximo choque global, o
mergulho será profundo. Mas nem estamos considerando esse choque global nas
observações deste boletim. Já temos material abundante.
Aliás, enquanto burguesia dominada na ordem imperialista, os economistas da
“responsabilidade fiscal” são convictamente contra qualquer política
anticíclica, qualquer política econômica de defesa da economia nacional frente
as turbulências do mercado mundial.
Limitam-se a seguir a cartilha do FMI. Bovinamente. Contentam-se, como
comportados cucarachas da economia do imperialismo, com um regime capitalista
produtor predominantemente de juros e renda fundiária, incapaz de produzir
lucro, como nas economias dominantes do sistema.
Entretanto, com essa passividade política, nos próximos anos os problemas
sociais só tenderão a acumular. A níveis insuportáveis para a governabilidade
política. Neste sentido, em outro relatório recente do IBGE é relatado que no
trimestre de junho a agosto de 2018, havia aproximadamente 27,5 milhões de
pessoas desempregadas ou subutilizadas no Brasil.
Dados oficiais. Tratando-se de governo Temer essas estatísticas podem estar
falseadas. Esses números podem ser muito mais elevados. De todo modo, já são
números suficientemente assombrosos para qualquer análise política da situação.
A miséria aumenta. A fome absoluta e imediata é uma ameaça concreta para grandes
contingentes do exército industrial de reserva brasileiro. Os capitalistas negam
à população trabalhadora o direito de participar do mercado e trocar sua força
de trabalho por um salário, por menor que seja. A fome absoluta ameaça
imediatamente quase trinta milhões de pessoas. Repita-se, são estatísticas
oficiais.
O desespero aumenta. O desemprego dos mais pobres sobe e seus salários reais
caem. A vida nas favelas, onde se amontoam multidões de proletários é o próprio
inferno na terra.
Os jovens proletários amontoados nas favelas brasileiras procuram sobreviver do
jeito que der. Fugir da polícia militar. E dos tanques do exército. De alguma
“bala perdida”. Caso contrário vira mais um número dos recordes brasileiros
estampados nas estatísticas mundiais de homicídios.
Estou aqui de passagem, sei que adiante, um dia vou morrer de susto, de bala ou
vício.
Se a fome, as doenças de todas as formas e a violência policial é o maior
problema dos trabalhadores que habitam guetos urbanos como o Complexo do Alemão,
no Rio de Janeiro, Capão Redondo, em São Paulo, etc. – a segurança dos bairros
capitalistas e o “combate ao banditismo” por todos os cantos das cidades
tornou-se a grande cruzada da burguesia e demais parasitas do regime.
As cidades mais violentas do mundo estão no Brasil. Dentre as vinte mais
violentas do mundo, sete (35% do total) são brasileiras. Ganha disparado de
países vizinhos como Venezuela, Colômbia, Argentina, etc.
O número de pessoas mortas de forma violenta no Brasil é semelhante ao de países
em guerra. É o que revelam os números do Atlas da Violência 2018, publicação do
Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em junho/2018.
Segundo o documento, 553 mil pessoas foram assassinadas no país nos últimos 11
anos. O total de mortos é um pouco maior que o ocorrido na Síria, país árabe que
enfrenta sete anos de conflito armado (inclusive com armas químicas de
destruição em massa, utilizadas principalmente pelos aliados de Washington e Tel
Aviv) e já contabiliza um saldo de 500 mil mortos, de acordo com estimativa da
Organização das Nações Unidas (ONU).
Outra comparação dimensiona a explosão da repressão armada em território
nacional. Os poucos mais de 553 mil mortos são mais da metade do número de
soldados ingleses, franceses e italianos que perderam a vida na 2ª Guerra
Mundial (1945-1949).
O relatório do Atlas da Violência confirma que no ano de 2016 o país bateu novo
recorde de homicídios, com 62.517 mortes, o que traduz em uma taxa também
recorde de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes –30 vezes a taxa de
homicídios da Europa.
Em 2007 essa taxa nacional era de 25,5.
Em 2013 pulou para 28,6.
Em 2016 já alcançava 30,3.
Mas isso não é tudo. O que mais comprova atualmente a enorme fratura política e
social no Brasil é que as vítimas mais afetadas pelos homicídios no país é a
juventude perdida no turbilhão desta ordem estatal de repressão armada.
Segundo o Atlas da Violência, entre as vítimas, os mais afetados são os jovens
entre 15 e 29 anos. De 2006 a 2016, aproximadamente 324.967 pessoas dessa faixa
etária morreram de forma violenta.
Fazendo outra pertinente comparação com outros históricos conflitos armados, o
número é quase sete vezes o total de 47.434 soldados estadunidenses mortos em
ação em 20 anos da Guerra do Vietnã (1955-1975).
A inimaginável taxa de homicídios da população jovem (65,5 mortos por 100 mil
habitantes) também é o dobro da média nacional e mais de seis vezes a taxa média
mundial de homicídios de jovens (10,4), segundo a Organização Mundial da Saúde.
Estou aqui de passagem, sei que adiante, um dia vou morrer de susto, de bala ou
vício.
As taxas dessa carnificina capitalista no Brasil não param de crescer. De
maneira inversamente proporcional àquela queda da produção da economia nacional
e aumento do desemprego e subutilização da classe trabalhadora, como observado
pelos números dos relatórios do IBGE acima destacados.
Discorremos longamente sobre essas tenebrosas relações porque isso tem que
necessariamente ser levado em conta em qualquer avaliação política do que vem
pela frente na luta de classes no Brasil. Quer dizer,0 o problema político
insuperável da burguesia brasileira é que ela não é capaz de resolver esse grave
encadeamento de estagnação da economia, de um lado, explosão do desemprego dos
trabalhadores, de outro, e, fechando o triangulo da morte, a matança
generalizada executada pelas forças armadas do capital sobre a classe proletária
espalhada por todo o território nacional.
Essa é a base material que comanda os acontecimentos políticos nacionais,
incluindo as eleições gerais marcadas para este domingo (7).
A governabilidade no fio da navalha. Qualquer movimento de rebeldia mais
incisivo da sociedade civil brasileira sobre esta base material putrefata do
Estado nacional, que ilustramos com alguns poucos dados, causa grandes e
incontornáveis transtornos para as classes proprietárias.
A democracia brasileira não tem mais suficiente elasticidade para suportar
qualquer manifestação de rua da sociedade civil. Foi o que ficou demonstrado uma
semana antes das eleições deste mês de outubro com a poderosa manifestação das
mulheres brasileiras. Um criativo abalo na fragilíssima paz dos cemitérios da
política nacional. Uma ameaça à segurança nacional!
A burguesia foi obrigada a se mexer. E o fez tirando em definitivo sua máscara
de abstrata imparcialidade democrática e mostrando sua verdadeira cara policial.
Os dados foram lançados. Abriu-se (ou consolidou-se) uma nova etapa na luta de
classes no país, com características institucionais absolutamente novas.
A decisão do conjunto das classes parasitas brasileiras de eleger Boçalnaro
presidente da República e torná-lo seu novo dirigente com a missão precípua de
aprofundar a violência policial na política e a “responsabilidade fiscal” na
economia vai intensificar simultaneamente a luta de classes e a
ingovernabilidade dessas mesmas classes proprietárias e de grandes fortunas.
Esta reveladora decisão dos parasitas da ordem e do progresso de aumentar a
militarização da violência política (estatal) e aprofundar a carnificina social,
os homicídios sobre o proletariado, é antes de tudo a demonstração da sua enorme
fragilidade política atual.
Os parasitas de todas as plumagens infringiram inadvertidamente uma antiga regra
de poder político teorizada brilhantemente pelo Grand Empereur e que ficou
definitiva na ciência politica em geral: nenhum soberano pode se manter em
equilíbrio por muito tempo sentando-se só na ponta do fuzil. Hic Rhodus, hic
salta.
In
CRÍTICA DA ECONOMIA
http://criticadaeconomia.com.br/eleicoes-brasileiras-de-susto-de-bala-ou-vicio/
7/10/2018
sábado, 6 de outubro de 2018
Fascismo e anticomunismo*
Albano Nunes
Tal como na década de 30 do século passado, a crise geral do capitalismo traz
consigo a emergência do fascismo. E tal como então a grande burguesia e o
imperialismo apadrinham-no e promovem-no, como têm feito tão frequentemente em
países de todos os continentes, da Ucrânia ao Brasil. O capitalismo na sua fase
monopolista é inconciliável com a democracia, mesmo com a mais esvaziada das
democracias burguesas.
O fascismo é uma criação do capitalismo para intensificar a exploração e salvar
o sistema. É a expressão mais terrorista do poder monopolista. O que está a
suceder é precisamente aquilo para que o PCP vem de há muito alertando: os
sectores mais reaccionários e agressivos da classe dominante jogam cada vez mais
no fascismo e na guerra como «saída» para o aprofundamento da crise estrutural
do capitalismo. Essa a principal razão para que, com expressões muito diversas,
o fascismo esteja a espreitar e a espalhar-se no mundo, da Ucrânia ao Brasil,
dos EUA a Israel, de países da União Europeia às mais diversas ditaduras
impostas a ferro e fogo pelo imperialismo. É cada vez mais evidente que o
fascismo conta com fortíssimas cumplicidades a nível do Estado, onde aliás, como
acontece com a administração Trump, já têm inquietante expressão. E o seu
crescimento seria impossível sem um tratamento mediático esquizofrénico que
tanto esconde como exagera graves manifestações de natureza reaccionária e
fascizante, num comportamento ideológico que tende a banalizar o fenómeno em
lugar de o combater. A verdade é que a extrema-direita e forças fascistas ocupam
já fortes posições em Parlamentos e em governos de vários países da Europa.
A luta contra o fascismo será inconsequente se não identificar o caldo de
cultura que o alimenta: as profundas injustiças e desigualdades geradas pelo
capitalismo, uma situação social em que a polarização da riqueza atingiu um
nível sem precedentes, em que o desemprego, a precariedade e o trabalho sem
direitos se generalizam e os salários estagnaram ou retrocederam para níveis
anteriores a 2007/2008. Uma situação em que as dificuldades e contradições do
sistema de representação liberal burguês favorece a demagogia e uma
radicalização de extrema-direita dita «anti-sistema», e em que – como na União
Europeia - as ingerências e imposições que espezinham as soberanias nacionais,
são exploradas para fomentar o nacionalismo, alimento fundamental do racismo e
do fascismo. É realmente verdade que o neoliberalismo, cuja natureza exploradora
e predadora não cessa de se acentuar, tem o fascismo inscrito nos seus genes. A
sua primeira «experiência» foi no Chile de Pinochet e não faltam estudos bem
documentados a demonstrar (vide Avelãs Nunes) que neoliberalismo e democracia
(mesmo liberal) são incompatíveis.
O fascismo não é uma fatalidade. Mas é um perigo real que é necessário combater
com a maior energia. Um combate em que, como sempre, o PCP está na primeira
linha, coerente com a sua longa história de luta pela Liberdade e pela
construção da unidade antifascista. Essa a razão por que, a pretexto do voto de
princípio dos deputados do PCP no Parlamento Europeu em relação à aplicação do
artigo 7.º do Tratado da UE à Hungria, alguns comentadores encartados (vide
Público,16.09.18) não hesitam em vomitar o seu ódio, não contra o fascismo mas
contra o PCP. Não estamos surpreendidos. Como não nos surpreende o escandaloso
tratamento pela comunicação social dominante da nossa ímpar Festa do Avante!.
Reacção, fascismo e anticomunismo sempre andaram de mãos dadas. É necessário não
o esquecer.
*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2339, 27.09.2018
In
O DIARIO.INFO
https://www.odiario.info/fascismo-e-anticomunismo/
2/10/2018
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Governo diz não ter dinheiro pra saúde e educação, mas deu R$ 1,6 trilhão em isenções às empresas
Nos últimos seis anos, o governo federal concedeu R$ 1,6 trilhão em benefícios
fiscais a empresas brasileiras. O montante representa quase 10 vezes o valor do
chamado déficit fiscal previsto para 2018, de R$ 159 bilhões, que comumente é
usado pelo governo e empresários como justificativa para cortar gastos sociais.
Os dados foram divulgados pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O órgão
autorizou a publicação das informações após constatar que falta controle nos
recursos de benefícios fiscais. Em resumo, que além de falta de transparência,
não há qualquer efeito positivo com tais isenções para os trabalhadores e a
população. Confira aqui.
Além da falta de fiscalização em recursos bilionários, o TCU aponta que os
valores são concedidos sem estudos que demonstrem os benefícios sociais ou
econômicos em relação à perda de arrecadação.
A maior parte das renúncias está fora do Orçamento, ou seja, é implementada por
meio de mudanças na legislação. Dessa forma, depois de concedido, o benefício
não precisa disputar espaço dentro da contabilidade do governo com outras
despesas.
Segundo o TCU, para este ano, o valor projetado de renúncia fiscal alcançou R$
283 bilhões, o que equivale a cerca de 21% da arrecadação de receitas
tributárias.
“O volume desses recursos salta aos olhos, especialmente nesse contexto de
restrição fiscal severa que a União enfrenta nos últimos anos. Em situações de
bonança econômica a aplicação de recursos públicos por meios diversos ao
orçamento da União já deve ser objeto de atenção por parte do controle externo e
da sociedade, considerando os problemas variados que cercam esses instrumentos,
como: falta de transparência quando da criação e concessão dos benefícios,
ausência de informações sobre os beneficiários, complexidade que gera no sistema
tributário, desigualdade de tratamento entre contribuintes, possível
ineficiência e ineficácia, abertura de brechas para elisão e evasão, entre
outros. Adiciona-se a isso o caráter permanente da maioria desses benefícios,
que não se sujeitam anualmente ao crivo do Parlamento, como ocorre com as
despesas orçamentárias.
Portanto, quando há uma carência de recursos para consecução das políticas
públicas e, até mesmo, para o regular funcionamento da máquina pública, há que
se discutir com maior atenção as alternativas de intervenção governamental
escolhidas”, diz nota do Tribunal.
Farra com dinheiro público
O levantamento traz à tona a verdadeira farra com o dinheiro público,
patrocinada pelos governos para beneficiar empresas. O caso das montadoras, que
por muito tempo receberam isenção de IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados), é um bom exemplo. Falaram em criação de empregos, mas a
isenção só serviu para vender automóveis e encher os cofres das montadoras,
enquanto os trabalhadores seguiram amargando demissões e fechamento de postos de
trabalho, além de ataques aos direitos.
A EC 95 (emenda constitucional) foi aprovada por Temer e o Congresso para
supostamente segurar as contas públicas, mas na prática prejudica diretamente a
população, já que o mecanismo criou um teto para os gastos públicos, congelando
os investimentos em saúde e educação.
Ou seja, para esses governos, não há dinheiro para garantir as necessidades do
povo, como saúde e educação, mas há para entregar de mão-beijada, sem qualquer
tipo de controle como atesta o TCU, para os empresários, banqueiros e o
agronegócio.
A maioria dos candidatos à presidência da República é a favor de incentivos aos
empresários. Foi nos governos do MDB, PT e PSDB, nos últimos anos que essa
fortuna de dinheiro público foi parar nos cofres das grandes empresas e
multinacionais. Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas de intenção de voto,
também já declarou que os empresários “pagam muitos impostos” e são “muitos
fiscalizados”, e que num eventual governo seu irão pagar ainda menos impostos.
In
CSP CONLUTAS
http://cspconlutas.org.br/2018/10/nao-tem-dinheiro-para-saude-e-educacao-mas-governo-concedeu-r-16-trilhao-em-isencoes-as-empresas/
5/10/2018
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
ONU : nascimento do mundo post-ocidental
Thierry Meyssan
A Administração da ONU esperava por um choque entre os pró e os anti-Trump
durante a Assembleia Geral. O que aconteceu foi completamente diferente.
Enquanto vários Estados, entre os quais a França, denunciavam os métodos do
hóspede da Casa Branca, a Rússia dedicou-se a uma análise da aliança ocidental.
Segundo Moscovo, a grande maioria dos problemas actuais é devida a uma vontade
das antigas potências coloniais em conservar, custe o que custar, o seu domínio
sobre o resto do mundo. Para os ultrapassar uma formidável coligação viu a luz
do dia.
A audiência da 73ª sessão da Assembleia Geral da ONU.
Apesar das aparências, o desfile de chefes de Estado e de governo ou de
ministros dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores-br) pela Assembleia
Geral das Nações Unidas não é inútil. Claro, não tendo a maior parte de entre
eles nada a dizer acabam a falar para a sua opinião pública interna, fustigando
a incúria da ONU e apelando portanto ao respeito pelo Direito. No entanto,
várias outras intervenções vão ao fundo do debate : como resolver os litígios
entre Estados e garantir a paz ?
Os três primeiros dias foram marcados pelo discurso de Donald Trump (Estados
Unidos) e as respostas de Emmanuel Macron (França) e de Hassan Rohani (Irão).
Mas, ao quarto dia toda esta problemática voou em estilhaços durante a
intervenção de Serguei Lavrov, (Rússia) o qual apresentou o mapa do mundo
post-ocidental.
A viragem do mundo segundo Donald Trump
O Presidente Trump, cujos discursos são habitualmente extremamente improvisados,
preparara desta vez um texto muito estruturado [1]. Distinguindo-se dos seus
predecessores, ele afirmou privilegiar «a independência e a cooperação», mais do
que «a governança, o contrôlo e a dominação internacionais» (por outras
palavras: os seus interesses nacionais mais do que os do «Império americano»).
Prosseguiu assim enumerando os reajustamentos do sistema aos quais procedeu.
Os Estados Unidos não declararam guerra comercial à China, mas estão em vias de
recuperar a sua balança de pagamentos. Simultaneamente, tentam restaurar um
mercado internacional baseado na livre concorrência, tal como o prova a sua
posição em matéria energética. Eles tornaram-se grandes exportadores de
hidrocarbonetos e teriam, portanto, interesse em preços elevados, mas contestam
a existência de um cartel intergovernamental, a OPEP, e defendem preços mais
baixos.
Eles opõem-se às estruturas e tratados da globalização (quer dizer, do ponto de
vista da Casa Branca, o imperialismo financeiro transnacional), nomeadamente o
Conselho de Direitos do Homem, o Tribunal Penal Internacional e o UNRWA. Não se
trata, obviamente, de advogar a tortura (que foi legitimada à época por George
Bush Jr.) ou o crime, nem de matar à fome aos Palestinos, mas de quebrar as
organizações que instrumentalizam os seus interesses para alcançar outros fins.
Em relação às migrações da América Latina para os Estados Unidos, e dentro do
próprio continente sul-americano, eles pretendem por-lhe fim cortando o mal pela
raiz. Para a Casa Branca, o problema resulta das regras impostas pelos Tratados
da globalização, nomeadamente o Alena. O Presidente Trump negociou assim um novo
acordo com o México que vincula as exportações ao respeito pelos direitos
sociais dos trabalhadores mexicanos. Ele entende voltar à Doutrina Monroe
original: as multinacionais não mais poderão interferir na governança do
continente.
A referência à Doutrina Monroe merece uma explicação, tanto mais que esta
expressão sugere o colonialismo norte-americano do início do século XX. Donald
Trump é um admirador da política externa de duas personalidades muito
controversas, os Presidentes Andew Jackson (1829-1837) e Richard Nixon
(1969-1974). A Doutrina Monroe (1823) foi elaborada durante a intervenção
daquele que à época era apenas o General Jackson, na colónia espanhola da
Florida. Na altura, James Monroe desejava proteger o continente americano do
imperialismo europeu. Foi a «era dos belos sentimentos». Ele comprometeu-se pois
a que os Estados Unidos não interviriam na Europa se os Europeus cessassem de
intervir nas Américas. Apenas três quartos de século mais tarde é que,
nomeadamente com Theodore Roosevelt (1901-1909), a Doutrina Monroe serviu de
cortina ao imperialismo dos Estados Unidos na América Latina.
A defesa do antigo mundo por Emmanuel Macron e Hassan Rohani
Numa estranha inversão de papéis, o Presidente francês, Emmanuel Macron,
apresentou-se como o “Barack Obama” europeu face ao “Charles De Gaulle”
norte-americano, que é Donald Trump. Simbolicamente, ele declarou-lhe guerra
afirmando assim: «Não assinemos mais acordos comerciais com as potências que não
respeitam o Acordo de Paris» (portanto, não mais com os Estados Unidos); uma
maneira muito estranha de defender o multilateralismo!
O Presidente francês começou com a constatação implícita de Donald Trump: a
crise da «ordem liberal westphaliana» actual [2]. Ou seja, a crise dos
Estados-nações, pressionados pela globalização económica. Mas para melhor
contestar a solução da Casa Branca, que ele qualificou de «a lei do mais forte».
Promoveu, portanto, a solução francesa «em torno de três princípios: o primeiro,
é o respeito pelas soberanias, o próprio fundamento da nossa carta; o segundo, é
o reforço das nossas cooperações regionais; e o terceiro sendo a defesa de
garantias internacionais mais robustas».
Depois, o seu discurso deu um giro para terminar com uma exaltação lírica.
Emmanuel Macron dedicou-se a um exercício de hipocrisia juvenil, no limite da
esquizofrenia.
Como exemplo do «respeito das soberanias», ele apelou a que não «se
substituíssem ao povo sírio» quanto a decidir sobre quem deve ser seu
dirigente... ao mesmo tempo que interditava ao Presidente Assad apresentar-se a
sufrágio dos seus concidadãos.
A propósito do «reforço das cooperações regionais», citou o apoio da União
Africana à operação antiterrorista francesa no Sahel. Mas esta não é senão, na
realidade, mais do que a parte terrestre de um plano mais amplo, dirigido pelo
AfriCom, e do qual o exército dos EUA assegura a componente aérea. A União
Africana, em si mesma, não tem exército propriamente dito, ela intervém
unicamente para legalizar uma operação colonial. Da mesma forma, as somas
investidas para o desenvolvimento do Sahel, que o Presidente francês citou não
em euros mas em dólares, misturam verdadeiros projectos africanos com uma ajuda
estrangeira ao desenvolvimento da qual toda a gente pode constatar a ineficácia.
Em relação ao «aporte de garantias internacionais mais robustas», ele anunciou
o trabalho de luta contra as desigualdades à qual se consagraria a cimeira do G7
de Biarritz. Na realidade, tratava-se, para ele, de afirmar um pouco mais a
liderança ocidental sobre o resto do mundo, Rússia e China incluídas. Assim,
assegurou que «os dias em que um clube de países ricos podia definir sozinho os
equilíbrios do mundo acabou há muito tempo», e empenhou-se em ... apresentar um
registo das decisões tomadas pelos Grandes ocidentais perante a próxima
Assembleia Geral. Ou, ainda, proclamou ele, o «G7 deverá ser o motor» da luta
contra as desigualdades empreendida pela ONU.
Intervindo por sua vez, o Presidente iraniano, Xeque Hassan Rohani, descreveu em
detalhe a maneira como a Casa Branca destruiu, um a um, os princípios do Direito
Internacional [3].
Ele lembrou que o acordo dos 5 + 1 (JCPoA) tinha sido validado pelo Conselho de
Segurança, que havia apelado a numerosas instituições para o apoiar (resolução
2231). Depois que os Estados Unidos de Donald Trump se retiraram dele,
contradizendo a assinatura do seu antecessor e o princípio de continuidade do
Estado. Ele sublinhou que, conforme o atestam 12 relatórios consecutivos da
AIEA, o Irão tinha cumprido e continua a respeitar as suas obrigações. Ele
indignou-se com o apelo do Presidente Trump ao desrespeito da resolução onusina
e a ameaça que ele dirigiu aqueles que a respeitam.
Ele terminou recordando alguns factos: o Irão combateu Saddam Hussein, os
Talibãs e o Daesh (E.I.) antes dos Estados Unidos (que os apoiavam então); uma
maneira, como qualquer outra, de sublinhar que desde há muito tempo as
reviravoltas dos Estados Unidos não respondem à lógica do Direito, mas, antes à
dos seus interesses ocultos.
Serguei Lavrov apresenta o mundo post-ocidental
Este debate, não a favor ou contra os Estados Unidos, mas a favor ou contra
Donald Trump, ordenava-se em torno de dois argumentos principais :
• A Casa Branca destruiu o sistema que tão bem aproveitou às elites financeiras
internacionais (Macron).
• A Casa Branca não mais finge sequer respeitar o Direito Internacional
(Rohani).
Para o Ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, este debate
mascara um problema muito mais profundo. «Por um lado, vemos o fortalecimento de
princípios policêntricos da ordem mundial, (...) a aspiração dos povos em
preservar a soberania e modelos de desenvolvimento compatíveis com as suas
identidades nacionais, culturais e religiosas. Por outro lado, vemos o desejo de
vários Estados ocidentais em conservar o seu estatuto de auto-proclamados
«líderes mundiais» e de abrandar o processo objectivo irreversível de
estabelecimento da multipolaridade», sentenciou ele. [4].
A partir daí, já não se tratava para Moscovo de atacar o Presidente Trump, nem
mesmo os Estados Unidos, mas os Ocidentais em geral. Serguei Lavrov chegou ao
ponto de traçar um paralelo com os Acordos de Munique (1938). À época, a França
e o Reino Unido fizeram aliança com a Alemanha e a Itália. Claro, este
acontecimento é actualmente considerado na Europa Ocidental como uma covardia
franco-britânica face às exigências dos nazistas, mas ele ficou gravado na
memória russa como o passo decisivo que desencadeou a Segunda Guerra Mundial.
Enquanto os historiadores da Europa ocidental buscam estabelecer quem tomou essa
decisão e quem lhe deu seguimento, os historiadores russos vêem apenas uma
coisa: nenhum dos Europeus Ocidentais assumiu as suas responsabilidades.
Estendendo a sua crítica, Lavrov denunciou já não mais os atentados ao Direito,
mas às estruturas internacionais. Ele observou que os Ocidentais entendem forçar
os povos a entrar contra a sua vontade em alianças militares e ameaçam certos
Estados que reivindicam escolher, eles próprios, os seus parceiros. Fazendo
alusão ao caso Jeffrey Feltman. [5], ele denunciou as tentativas para controlar
a administração da ONU, fazê-la jogar o papel reservado aos Estados-membros e,
em última análise, utilizar o secretariado-geral para os manipular.
Ele observou o carácter desesperado destas tentativas, salientando, por exemplo,
a ineficácia de cinquenta anos de bloqueio norte-americano a Cuba. Ele
estigmatizou a vontade britânica de julgar, e condenar, sem processo, usando
apenas a sua retórica do «altamente provável».
Serguei Lavrov concluiu sublinhando que todas as alterações ocidentais não
impediam o resto do mundo de cooperar e de se desenvolver. Ele lembrou a
«Parceria da Eurásia Alargada», evocada no Fórum Valdai, em 2016, pelo
Presidente Putin para completar a «Cintura e a Rota» do Presidente Xi. Esta
ampla iniciativa, à partida prontamente acolhida pela China, é agora apoiada
pela Organização do Tratado de Segurança Colectiva, a União Económica
Euroasiàtica, a Comunidade de Estados Independentes, os Brics e a Organização de
Cooperação de Xangai. As contrapropostas da Austrália, do Japão e da União
Europeia acabaram mortas à nascença.
Enquanto os responsáveis ocidentais têm o costume de anunciar antecipadamente os
seus projectos e de os propagandear, os diplomatas russos só os anunciam quando
já foram lançados e estão seguros de os concretizar.
Em resumo, a estratégia de cerco da Rússia e da China, imaginada pelo deputado
britânico Halford J. Mackinder [6] e explicitada pelo Conselheiro Segurança
Nacional norte-americano Zbigniew Brzeziński [7], falhou. O centro de gravidade
do mundo desloca-se para o Leste, não contra os Ocidentais, mas, provocado por
sua culpa [8].
Tirando as primeiras conclusões práticas destas análises, o Vice
Primeiro-ministro sírio, Walid al-Muallem, exigia no dia seguinte, na tribuna da
Assembleia Geral, a retirada imediata das tropas de ocupação norte-americanas,
francesas e turcas [9].
Thierry Meyssan
Tradução
Alva
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$("div#formulaire_recommander:hidden").slideDown("slow"); return
false})})}(jQuery)); /* ]]> */
[1] “Remarks by Donald Trump to the 73rd Session of the United Nations General
Assembly”, by Donald Trump, Voltaire Network, 25 September 2018.
[2] « Discours d’Emmanuel Macron devant la 73e séance de l’Assemblée générale
des Nations unies », par Emmanuel Macron, Réseau Voltaire, 25 septembre 2018.
[3] “Remarks by Hassan Rohani to the 73rd Session of the United Nations General
Assembly”, by Hassan Rohani, Voltaire Network, 25 September 2018.
[4] “Remarks by Sergey Lavrov to the 73rd Session of the United Nations General
Assembly”, by Sergey Lavrov, Voltaire Network, 28 September 2018.
[5] “A Alemanha e a ONU contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, 28 de
Janeiro de 2016. “Como é que a Administração da ONU organiza a guerra”, Thierry
Meyssan, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Rede Voltaire, 4 de Setembro de
2018.
[6] “The geographical pivot of history”, Halford J. Mackinder, The Geographical
Journal, 1904, 23, pp. 421–37.
[7] The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives,
Zbigniew Brzeziński, Basic Books. 1997.
[8] “The Geopolitics of American Global Decline”, by Alfred McCoy, Tom Dispatch
(USA) , Voltaire Network, 22 June 2015.
[9] “Remarks by Walid Al-Moualem to the 73rd Session of the United Nations
General Assembly”, by Walid Al-Moualem, Voltaire Network, 29 September 2018.
Fonte : “ONU : nascimento do mundo post-ocidental”, Thierry Meyssan, Tradução
Alva, Rede Voltaire, 2 de Outubro de 2018,
www.voltairenet.org/article203267.html
Thierry Meyssan
Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis
for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa
árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du
11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2,
Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada
em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en
los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).
In
VOLTAIRENET.ORG
http://www.voltairenet.org/article203267.html
2/10/2018
terça-feira, 2 de outubro de 2018
#ELE NÃO
(Da equipe do blog) - Iniciado, pelo que informa a imprensa, por um núcleo de apenas 30 mulheres, que trabalharam, replicando as táticas da extrema-direita, principalmente com as redes sociais, usando o Facebook e o WhatsApp, o movimento #Ele Não transformou-se, com as manifestações de ontem no Brasil e no exterior, no maior fenômeno político das eleições até agora, abrindo caminho para a criação, pelos próprios cidadãos, de uma ampla aliança democrática antifascista para o segundo turno, com o intuito de impedir a ascensão, neste país, de um governo autoritário, violento, racista, preconceituoso, armamentista, misógino, inquisitorial, retrógrado e medieval a partir do dia primeiro de janeiro do ano que vem.
Resta saber agora se a bem sucedida estratégia das mulheres brasileiras será adotada por outros grupos sociais que estão sendo ameaçados por essa perspectiva.
Como os jovens, os trabalhadores - vide declarações em defesa do fim do décimo-terceiro e do ECA, entre outros absurdos recentes - os negros e os índios, com a criação de suas próprias comunidades no Facebook, a adoção do mesmo slogan e a realização, depois de marchas setoriais, de manifestações conjuntas no segundo Turno.
Do ponto de vista tático-eleitoral, duas grandes ameaças pairam sobre a democracia brasileira.
A primeira, representada pela parte mais canalha da elite, responsável em grande parte pelo país ter chegado onde chegamos, que ameaça lavar as mãos como Pilatos no segundo turno ou que já acena pura e simplesmente com a previsível e abjeta adesão a um governo liberticida que tem tudo para destruir a democracia.
Fazendo isso - repetindo o mesmo erro histórico de sempre - como fez a burguesia alemã às vésperas da ascensão de Hitler ao poder, achando que seus interesses seriam protegidos, quando a preservação da liberdade precede e é o pressuposto maior de qualquer perspectiva de paz, da oportunidade e da prosperidade.
E a segunda, o voto nulo e branco (nada a ver com a cor da pele dos candidatos em pauta) que na ponta do lápis, na reta final deverá beneficiar o fascismo, cujos seguidores seguem seus sonhos de brutalidade, estupidez e violência com viseiras presas às orelhas e uma cega, surda e canina fidelidade.
Só a mobilização maciça de trabalhadores, negros, índios, e outros grupos sociais, debaixo do mesmo slogan suprapartidário do #Ele não pode provar que a opção pelo lado escuro da força não é majoritária na sociedade brasileira.
E afastar da opinião pública outras falácias golpistas, como a fantasiosa teoria da carochinha da manipulação das urnas eletrônicas por uma justiça eleitoral que, desafiando o mundo, optou por manter atrás das grades o candidato que desde o início esteve à frente das pesquisas de intenção de voto.
Impedindo-o, à moda da Gestapo e de países sob despudorado Estado de Exceção, para escândalo de nações democráticas e civilizadas, até mesmo de dar entrevistas.
Trinta mulheres, multiplicadas em milhares, começaram a mudar o rumo deste país, mostrando como desviá-lo, como boi farreado, da beira do precipício do retrocesso e da ignorância, para onde parecia estar inexoravelmente indo.
A defesa da Liberdade precisa de mais trinta trabalhadores, trinta artistas, cientistas, intelectuais, homens, trinta negros, trinta índios.
Alguém se habilita?
In
MAURO SANTAYANA BLOG
http://www.maurosantayana.com/2018/09/ele-nao.html
30/8/2018
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Quem vota em Jair Bolsonaro, por que e o que esperar do bolsonarismo?
David Maciel*
Quem é o eleitor de Bolsonaro?
Pesquisa do Instituto Vox Populi em parceria com a Central Única dos
Trabalhadores, divulgada em julho de 2018, revela 12% de intenção de voto no
deputado Jair Bolsonaro, do PSL. Trata-se de um voto orgânico, não influenciado
pelos cálculos do “voto útil”, pois na pesquisa também aparecem o ex-presidente
Lula e diversas outras candidaturas conservadoras como Geraldo Alckmin e Marina
Silva, que apresentavam maior viabilidade eleitoral do que hoje, dividindo o
voto antipetista. Ainda não havia ocorrido o atentado ao candidato, o
impedimento definitivo da candidatura Lula e nem a desidratação das candidaturas
Alckmin e Marina, como acontece hoje, o que ampliou as intenções de voto no
deputado em todos os indicadores (região, sexo, idade, faixa de renda, faixa de
idade e nível de escolaridade), como indicam pesquisas recentes. Por isso, a
pesquisa de julho nos permite apurar melhor quem é o eleitor convicto de Jair
Bolsonaro, que forma o “núcleo duro” do eleitorado bolsonarista e que mesmo após
as eleições tende a se manter como uma base social importante para a
extrema-direita. É importante ressaltar que, com pequenas variações, as
tendências aqui apresentadas também aparecem em outras pesquisas realizadas na
mesma época, particularmente as do IBOPE e do DataFolha, e que posteriormente
tenderam a se confirmar.
Decompondo-se esse percentual por critérios regionais, é nas regiões Sul, onde
tem 19% e Centro-Oeste/Norte, onde tem 17% que o candidato apresenta maiores
índices de intenção de voto. Na região Sudeste ele reproduz sua média nacional,
com 12%, enquanto na região Nordeste este índice cai para 7%. Assim, é nas
regiões Sul e Centro-Oeste/Norte que Bolsonaro tem os melhores índices de
intenção de voto. Decompondo os dados, além de sulista e centroestino/nortista,
podemos dizer que predominantemente o eleitor médio de Bolsonaro é homem (15% no
eleitorado masculino, contra 9% no feminino); jovem, tem entre 16 e 29 anos,
(16%, contra 12% entre os adultos e 6% entre os maduros); pertence às classes
médias (incluindo- se aqui a pequena burguesia), com renda mensal acima de cinco
salários mínimos (17%, contra 9% entre os ganham até dois SM e 14% entre os que
ganham de dois a cinco SM); tem nível de escolaridade médio ou superior (16%
para cada nível contra 7% entre os que têm ensino fundamental) e é
majoritariamente evangélico (14% contra 10% entre os católicos) (1).
Socialmente falando é um eleitorado predominantemente formado por setores da
pequena burguesia urbana e rural (comerciantes, prestadores de serviços,
industriais, pequenos proprietários rurais), trabalhadores de classe média
(profissionais liberais, autônomos, funcionários públicos) e agentes do aparato
repressivo estatal (militares, policiais, etc.). É fato que o bolsonarismo conta
com a adesão de setores das classes dominantes, particularmente dos grandes
proprietários de terra, e dos trabalhadores precarizados, mas é nos setores de
classe média que apresenta maior inserção. A adesão proletária à candidatura do
deputado é relativamente reduzida e limitada à categorias profissionais que se
auto-identificam como micro empresários (caminhoneiros, camelôs, e outras
categorias de trabalhadores autônomos precarizados). Portanto, setores bastante
sensíveis ao problema da segurança pública e que tendem a ver os direitos
trabalhistas como privilégios de uns poucos. Nos setores incluídos no mercado
formal de trabalho e/ou corporativamente organizados e naqueles trabalhadores
precarizados que acessam as políticas sociais compensatórias a posição
predominante é de hostilidade à sua candidatura.
De onde vem sua força eleitoral no atual período?
À primeira vista parece surpreendente que o candidato favorito para disputar o
segundo turno nas atuais eleições presidenciais seja um obscuro deputado de
direita, militar da reserva, de origem malufista, filiado a um partido
minúsculo, membro veterano do “baixo clero” da Câmara dos Deputados (está no
sétimo mandato), sem qualquer participação expressiva nos grandes embates
políticos nacionais, notabilizado apenas pela defesa dos interesses corporativos
dos militares e pelos juízos políticos e morais estapafúrdios à luz da
civilidade e do Estado de Direito. No entanto, seu favoritismo eleitoral
expressa a força política de uma extrema-direita que sempre esteve por aí, mas
que recentemente ganhou musculatura organizativa e mobilizatória, o que lhe
tornou capaz de mudar o eixo da disputa política no país, até hoje polarizada
entre PT e PSDB.
Desde a ascensão do PT ao governo federal, em 2003, formou-se uma oposição
social com forte inserção nas classes sociais acima descritas, porém,
polarizadas politicamente pelo PSDB e pelo PFL/DEM, partidos que se mantiveram
na oposição aos governos petistas todo o tempo. Na chamada “crise do Mensalão”
(2005) esses setores se mobilizaram fortemente contra a administração petista,
patrocinando manifestações massivas de direita, nas ruas, na mídia e nas redes
sociais, como não se via desde os idos do golpe de 1964 e antecipando o que
viria a partir de 2013. Nas campanhas eleitorais de 2006 e 2010 tais setores se
alinharam às candidaturas de oposição, mas particularmente em torno da
plataforma neoliberal extremada representada pelas candidaturas da aliança
PSDB-PFL/DEM. No entanto, em 2013 a força política e organizativa dessa oposição
de direita se adensou, mobilizando setores ainda passivos e adquirindo um perfil
ainda mais reacionário, demonstrando que a perspectiva fascista tinha diante de
si uma base social de massa, que poderia ser mobilizada para além do
oposicionismo institucional representado pelo peessedebismo/peefelismo. Em 2015
sua emergência na cena política foi fundamental para conferir “apoio popular” ao
impeachment e ao golpe em curso desde então; além de alimentar as pretensões
eleitorais do deputado. A crise do sistema de representação politica, do qual o
PSDB e o DEM são dois importantes pilares, favoreceu o deslocamento de parte
desses setores de oposição para a extrema-direita e para a perspectiva da
“antipolítica” típica do fascismo clássico, como veremos adiante, favorecendo
sua autonomia e mesmo hostilidade diante dos partidos tradicionais de direita.
A ascensão politica da extrema-direita, e do fascismo em seu interior, é um
fenômeno mundial, alimentado no longo prazo pelo predomínio do neoliberalismo
como programa político principal do capital internacional, pela crise econômica
mundial e pela ofensiva contra os trabalhadores. Neste sentido o que ocorre no
Brasil reflete a correlação de forças e o processo da luta de classes na
atualidade em termos internacionais. No entanto, para além da dinâmica
internacional da luta de classes e da trajetória específica da direita no
Brasil, é preciso considerar que, contraditoriamente, estas forças francamente
hostis ao lulismo e ao petismo foram alimentadas e fortalecidas pelas próprias
políticas de governo do PT na presidência da República entre 2003 e 2016. Ou
seja, o apogeu do lulopetismo alimentou o seu adversário.
Em primeiro lugar, é preciso considerar que uma das facetas da política
econômica dos governos do PT foi o fortalecimento dos setores primários e/ou de
baixa densidade tecnológica da economia, particularmente do agronegócio. A onda
internacional de valorização das commodities, reforçando o papel dos setores
primário-exportadores na conquista de sucessivos superávits na balança comercial
e as políticas governamentais de financiamento e apoio à expansão da agricultura
comercial possibilitaram o fortalecimento deste segmento econômico e dos setores
a ele vinculados (distribuição de alimentos, matérias primas e insumos
agrícolas, assistência técnica agronômica e veterinária, e um sem número de
atividades desenvolvidas nas pequenas e médias cidades, mais ou menos ligadas à
cadeia do agronegócio e dependentes da renda gerada por ele). Nas regiões Sul e
Centro-Oeste/Norte, justamente aquelas onde o bolsonarismo é mais forte, o
agronegócio se constitui como o setor econômico mais importante, fortalecendo-se
ainda mais no período em relação ao cenário nacional. Mesmo nos setores da
pequena propriedade rural, que foram relativamente preteridos pelos governos
petistas em favor do agronegócio, o apoio ao bolsonarismo é considerável, por
razões que exporemos adiante. Neste sentido, a base de massas do bolsonarismo
ganhou musculatura material durante os governos do PT, fazendo com que o eleitor
típico de Bolsonaro seja homem, jovem, religioso, conservador, anticomunista
ferrenho e morador das pequenas e médias cidades do interior.
Também é preciso considerar que a adesão ao neoliberalismo pelos governos
petistas, a adoção de uma política de conciliação de classes em relação aos
interesses dominantes e de transformismo em relação aos trabalhadores e suas
organizações, contribuíram para fortalecer a cultura da “antipolítica” que
alimenta o bolsonarismo. É claro que a “antipolítica” também é uma politica, mas
a estamos entendendo enquanto negação da esfera de representação politica como
instância de representação dos interesses sociais junto ao Estado, como
instância de mediação e negociação dos conflitos sociais e da luta de classes. O
discurso da “antipolítica” faz parte do pensamento autocrático em geral,
inclusive do neoliberalismo, mas particularmente se insere no ideário fascista.
Nesta perspectiva, a esfera de representação política, particularmente aquela
definida pelos critérios democráticos de escolha dos representantes, é tida como
fonte de desestabilização social, pois baseada na divisão social e no conflito
de interesses entre classes e grupos sociais, o que fere a unidade e a coesão
sociais, necessárias para o desenvolvimento e o progresso do conjunto da
nacionalidade. Assim, em lugar da representação politica deve prevalecer a
representação burocrática, em que o Estado é ocupado e dirigido pela burocracia,
pois esta pretensamente representa o conjunto do Povo-Nação, não suas partes,
como fazem os políticos em sentido estrito.
A esta altura o leitor atento deve estar se perguntando se Mussolini e Hitler
eram ou não políticos! Sim, eles eram, mas se diziam estar acima dos interesses
específicos de classes e grupos sociais, pois representavam toda a Itália ou
toda a Alemanha. Neste sentido, assumiam a perspectiva da representação própria
da burocracia e justificavam seu direito ao comando do Estado com base nisto.
Ora, neste aspecto o fascismo reforça um dos elementos constitutivos do Estado
burguês, o princípio da representação burocrática, em detrimento de outro, o
princípio da representação politica. No que se aproxima da própria ideologia
neoliberal, que também refuta a representação politica quando argumenta que
determinados aspectos das políticas de Estado, cruciais para a vida social, como
a politica econômica, não devem ser definidas por critérios “políticos e
ideológicos”, mas sim por critérios “técnicos”, devendo ficar a cargo de
especialistas, ou seja, de burocratas e tecnocratas! A pergunta que fica no ar
é: especialistas para que e para quem? Em certa medida, é esta base ideológica
comum que permitiu à Bolsonaro transitar do nacional- estatismo para o
neoliberalismo em termos programáticos sem grandes turbulências, como veremos
mais à frente.
Voltando ao nosso argumento, avaliamos que as políticas adotadas pelo PT no
governo federal contribuíram para o fortalecimento da cultura da “antipolítica”.
Ao longo dos anos, particularmente as novas gerações (aqueles atingiram a
adolescência sob o período de governo do PT), foram (des)educadas politicamente
pelo fenômeno do lulismo nos seguintes pontos:
a)entendendo que o neoliberalismo e sua perspectiva antiestatista e de
eliminação dos controles políticos sobre a movimentação do capital são
inevitáveis, pois mesmo o maior partido do espectro político historicamente
identificado como não-neoliberal adota políticas neoliberais quando assume o
governo. Além de desqualificar a perspectiva transformadora e mesmo reformista
da ação política, desqualifica ainda sua dimensão propositiva e seu papel na
mediação dos conflitos, fortalecendo uma espécie de “realismo cínico”
fascistizante e messiânico.
b)deslegitimando a perspectiva política dos partidos de esquerda, não apenas
aplicando o programa do grande capital, mas adotando práticas fisiológicas e
patrimonialistas tradicionalmente identificadas com os partidos de direita. O
que deu base para a criação de um senso comum que concebe todos os partidos
como corruptos e degenerados (“todos os partidos são iguais”, “o maior esquema
de corrupção da história do país”, etc.), favorecendo a associação liberal
entre estatismo e corrupção/ineficiência e o próprio discurso da
“antipolítica”.
c)submetendo os movimentos sociais a uma lógica transformista, por meio de sua
cooptação e transformação em correias de transmissão das políticas
governamentais, em especial das políticas sociais compensatórias, o que os
apresenta comoreivindicantes de demandas meramente corporativas e
assistencialistas, não de interesse geral, corroendo assim a legitimidade
política e ideológica de sua constituição como sujeitos políticos e de sua
pauta.
d)com o fenômeno do lulismo criou-se a antípoda da perspectiva de
auto-organização dos trabalhadores, tradicionalmente identificada com o
petismo e com a cultura política da esquerda socialista, apesar da já longeva
opção petista pela via institucional. O paternalismo lulista permitiu ao
pensamento liberal reforçar a identificação entre
socialismo/estatismo/populismo e destes com privilégios, incompetência,
ineficácia e manipulação política. O que deslegitimou aos olhos dos setores
médios as políticas minimamente voltadas para as classes populares e que
fundamentam o caráter neoliberal moderado dos governos
Finalmente, é preciso considerar a importância da chantagem do “mal menor” (ruim
com o PT, pior com o PSDB/DEM) e do transformismo impostos pelos governos
petistas à esquerda e aos movimentos sociais na apatia politica e no desarme
ideológico de intelectuais, artistas e lutadores sociais frente à ofensiva
ideológica da grande mídia e dos aparelhos privados de hegemonia de perfil
neoliberal e ou fascista (Instituto Millenium, Movimento Brasil Livre, Vem pra
Rua, Indignados On Line, Movimento Brasil 200, etc.). O ataque não só ao
petismo, mas à democracia, à perspectiva politica do socialismo e aos valores
igualitários da esquerda não suscitou reação à altura, configurando uma derrota
no campoideológico.
A estrutura ideológica do bolsonarismo
Da confluência entre a cultura política autocrática presente historicamente em
setores importantes das classes dominantes e das classes médias, e os influxos
político-ideológicos estimulados pelo lulismo nos governos petistas reforçou-se
uma estrutura ideológica aparentemente contraditória, mas que dá sentido à ação
da extrema-direita. Uma concepção que faz uma miscelânea de idéias e valores
conservadores e reacionários de origens e matrizes variadas e é coerente com a
perspectiva fascista em tempos de hegemonia cultural neoliberal.
De um lado se realça a tradicional perspectiva autocrática, que considera como
fontes de caos, divisionismo, desorganização e irracionalidade o processo
político em geral, e em particular o processo democrático e a participação
política das massas populares. A ação política das massas populares é vista como
algo que serve apenas para manter no poder políticos profissionais que mobilizam
o apoio popular para representar interesses escusos e reforçar suas posições de
mando nos partidos e no interior do Estado por meio da corrupção e de medidas
populistas e demagógicas. Nisto reside um dos aspectos do atual discurso da
“antipolítica”. Este foi um dos argumentos utilizados em 1964 para justificar o
golpe militar e legitimá-lo como “revolução”. Porém, há mais, e nisto reside um
dos elementos fundamentalmente fascistas desta cultura autocrática, qual seja a
negação ontológica das classes subalternas como sujeito, o não reconhecimento do
seu direito de elaborar demandas próprias e acessar o Estado e a arena da
disputa politica em nome delas; o que requer o tratamento manu militari da sua
ação político-social e até mesmo sua eliminação física. Quando Bolsonaro afirma
que a Ditadura “matou e torturou pouco” ou promete fuzilar a “petralhada” para
“limpar o país” está reverberando esta concepção. Quando convoca o general
Mourão, outro militar saudoso da Ditadura como ele, para compor sua chapa
presidencial a reforça ainda mais.
Outro elemento propriamente fascista, e que deriva da compreensão da luta
política como império da violência, é a recusa da ação consciente, racionalmente
definida e autonomamente executada em favor do “deixar-se levar”, da submissão
voluntária, mas irracional, à direção dos que portam a “solução final”, simples
e sem mediações, para os intrincados problemas do real. Atualmente o discurso da
“antipolítica”, alimentado pela crise do sistema de representação política,
potencializa esse componente do ideário fascista.
O nacionalismo também aparece. Mesmo sem se vincular à perspectiva de
independência econômica e de expansão imperialista, também presentes no fascismo
clássico (2), hoje o ideário nacionalista aparece identificado com certa
xenofobia. Veja-se, por exemplo, a hostilidade aos médicos cubanos contratados
pelo Programa Mais Médicos, os ataques à postura amigável do Itamaraty e da
Petrobrás quando da nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia e a reação
recente aos imigrantes venezuelanos em Roraima (estado onde Bolsonaro ganha até
mesmo de Lula nas intenções de voto e defendeu criação de um “campo de
refugiados”). Porém, a perspectiva nacionalista aparece identificada
principalmente com um “patriotismo de caserna”, saudoso da Ditadura Militar
(1964-1985) e que a vê como momento de apogeu da nacionalidade, quando se
criaram as condições para o pleno desenvolvimento nacional, devidamente
desbaratadas após a redemocratização. Com base no revisionismo que predomina na
historiografia sobre o golpe e a Ditadura desde os anos 2000 e numa narrativa
inventada sobre o período, criou-se uma imagem falsa da Ditadura Militar, tida
como um período de ordem, prosperidade, honestidade nas relações pessoais,
segurança pública, probidade administrativa, compromisso com a coisa pública por
parte dos agentes públicos, defesa dos valores tradicionais da família, da
religião e da propriedade, etc. Ou seja, o oposto do descalabro criado pela
democracia, marcado pela crise econômica, pela corrupção, pela criminalidade,
pelo abandono dos valores “sadios”, etc. Mas uma imagem que, mesmo
historicamente falsa, dá sentido à mobilização e manifestações de grande
repercussão. Daí o desembaraço dos que, em plena luz do dia, defendem uma
intervenção militar e a volta da ditadura. A presença do general Mourão na chapa
presidencial de Bolsonaro reforça esta perspectiva fascista.
Soma-se a isso um incisivo conservadorismo nos planos comportamental e cultural,
que reage ao identitarismo pós-moderno e às pautas democráticas valorizando a
família tradicional, baseada na supremacia masculina e paterna sobre mulher e
filhos; alimentando forte preconceito contra negros, índios e homossexuais;
reagindo às pautas identitárias e ao reconhecimento de direitos para negros,
mulheres, lgbt’s, pobres, etc. Na atualidade essa perspectiva se manifesta no
combate à descriminalização do aborto, ao casamento homossexual, à dita
“ideologia de gênero” e defende propostas como “Escola sem Partido”, “cura gay”,
etc., das quais Bolsonaro se tornou propagandista.
Por outro lado, ao invés da perspectiva corporativista de unificação do ente
nacional ou racial pela ação estatal totalizante e “totalitária”, em tempos de
hegemonia neoliberal o autocratismo fascista se combina com o individualismo
proprietário em suas diversas faces. O que, para além da hostilidade fascista
aos direitos civis e à democracia liberal, repõe em novas bases a tradicional
afinidade entre fascismo e liberalismo baseada no entendimento da desigualdade
social como fenômeno natural e ou divino. Esta mescla entre ideário fascista
clássico e neoliberalismo se apresenta nos seguintes pontos:
a)defesa do empreendedorismo e da livre iniciativa, como alternativa aos
direitos sociais e trabalhistas e às políticas sociais compensatórias, tidos
como privilégios, “estatismo”, fonte de demagogia e leniência com “os fracos”.
Esta perspectiva se reproduz em setores da pequena burguesia e mesmo do
proletariado (trabalhadores autônomos e precarizados). Nas grandes cidades
esta perspectiva polariza ainda certos setores proletários desencantados com o
sistema de representação política e afeitos ao discurso da “antipolítica”.
b)ultraliberalismo instrumental, presente na tese manhosa de que em nome da
eficiência os serviços e as empresas públicas devem ser privatizados, porém o
Estado deve apoiar com recursos públicos ou reduzindo impostos os setores
dinâmicos da
c)crença numa religiosidade cristã conservadora, que combina a defesa da
família, das relações hierárquicas entre os gêneros e uma visão moralista do
cotidiano com a teologia da prosperidade, que enxerga a conquista da
propriedade e do sucesso profissional como graça divina. Neste sentido, o
bolsonarismo também foi cevado nos últimos anos pelo avanço do
pentescostalismo evangélico e da renovação carismática católica, fortalecendo
a perspectiva conservadora nos planos social e cultural. Não à toa, o
candidato tem obtido apoio de lideranças e entidades religiosas,
particularmente entre os evangélicos, como a Confederação dos Pastores do
Portanto, em tempos de hegemonia ideológica do neoliberalismo o discurso
fascista se atualiza, incorporando contraditoriamente o ultraindividualismo e a
defesa do livre mercado, sem abandonar o salvacionismo da “solução final”. Neste
ponto, o “antiestatismo” neoliberal se cruza com a “antipolítica” fascista. A
adesão de Bolsonaro à pauta neoliberal extremada, abandonando a perspectiva
nacional-estatista com a qual era historicamente identificado e visando atrair o
apoio das frações hegemônicas do bloco no poder, contribuiu para reforçar a
associação contemporânea entre o ideário fascista clássico e o neoliberalismo,
mostrando sua afinidade nos tempos atuais.
Por que o voto em Bolsonaro?
Em primeiro lugar, além dos influxos ideológicos alimentados pelo lulopetismo, a
crise do sistema de representação política criado a partir da Nova República
abriu brecha para um discurso da “antipolítica” e de “urgência” que propugna
“soluções fortes”, definitivas, para a crise global. Daí o apoio à volta da
Ditadura Militar, como se o problema fosse falta de decisão e “patriotismo”; o
apoio à tortura, como se a criminalidade se devesse à impunidade e aos “direitos
humanos” dos criminosos; o apoio à repressão politica, como se as demandas
sociais existissem por liberalidade do Estado em permitir manifestações
políticas, e por fim, a crítica ao papel da política como instância de mediação
e negociação dos conflitos sociais e à universalidade de direitos. Por sua
origem militar e pelo perfil fascista de seu discurso Bolsonaro se apresenta
como o “genérico” da intervenção militar direta, alimentando a perspectiva
salvacionista de que vai sanear o sistema de representação política, varrer a
corrupção, cortar privilégios, acabar com a criminalidade, etc., ou mesmo
promover um “auto-golpe”, fechando o Congresso, os partidos e cancelando
eleições.
Em segundo lugar, a crise econômica radicaliza a disputa pela renda e pelas
oportunidades no mercado, inclusive o de trabalho, particularmente em setores da
classe média que se vêem ameaçados em seu status e em seus rendimentos pela
melhoria da renda salarial e pelo acesso a determinados bens de consumo de
setores anteriormente marginalizados. Daí a crítica às políticas inclusivas e às
políticas sociais compensatórias adotadas pelos governos petistas. O antipetismo
desses segmentos sociais de classe média reside mais nisso do que na própria
questão da corrupção, tão alardeada.
Em terceiro lugar, um elemento importante na pauta do candidato é sua política
de segurança pública. Conforme anunciado aos quatro cantos, para o candidato
“violência se combate com violência”, ou seja, à criminalidade não só o Estado
deve responder de maneira mais repressiva, mas os próprios cidadãos devem ter o
direito de reagir aos ataques à sua vida e ao seu patrimônio. Neste sentido
Bolsonaro defende leis e penas mais duras, melhor armamento e maior liberdade de
ação para as forças repressivas e liberalização do direito à posse de armas para
os indivíduos privados. É uma visão fascista do problema da segurança pública,
pois entende que este deve ser resolvido com mais repressão e violência, não com
políticas sociais. Além de atrair o apoio entusiasmado de militares, policiais e
demais agentes repressivos, esse discurso também reverbera a perspectiva
proprietária pequeno burguesa típica, que define o direito de propriedade como
algo sagrado. O aumento da violência e da criminalidade tem estimulado o
verdadeiro pavor dos proprietários em geral, do pequeno lojista às grandes redes
de comércio, com o crescimento dos assaltos, “arrastões”, roubos de carga,
seqüestros e do próprio tráfico de drogas. No campo, além dos assaltos
acrescente- se a isso o medo dos acampamentos e ocupações de terra, a unificar
numa mesma consciência proprietária de latifundiários à camponeses. Não à toa
tais segmentos hoje bolsonaristas possuem um histórico de vinculação à partidos
conservadores e organizações de extrema direita, como a UDR.
Portanto, essa pauta é afinada com os interesses corporativos do agronegócio, do
latifúndio em geral e de segmentos significativos da pequena burguesia e da
classe média. Tradicionalmente atemorizados diante da possibilidade de perda da
propriedade, tais segmentos são altamente sensíveis ao problema da criminalidade
e da violência urbana e francamente hostis às ocupações de terras e imóveis
pelos movimentos sociais. Não à toa, o candidato não só é contra a reforma
agrária e ao direito à terra de indígenas e quilombolas, como considera os
movimentos de luta pela terra e pela moradia nada menos que organizações
criminosas, que devem ser tratadas à bala. Esse discurso atrai o apoio desses
setores sociais, principalmente do agronegócio, do latifúndio em geral e da
pequena burguesia rural, descrente no poder de justiça do Estado e ansiosa por
se auto-defender de bandidos e também dos sem terra. Se somarmos a este discurso
o compromisso do candidato com a ampliação do crédito rural e a redução ainda
maior das restrições ambientais à expansão da produção agrícola, não surpreende
que grande parte das lideranças e entidades representativas do agronegócio e dos
grandes proprietários de terras apóiem Bolsonaro, inclusive a direção da UDR. Na
verdade, esses segmentos lideram esta frente eleitoral e dão apoio material à
candidatura do deputado. O que surpreende é que mesmo setores vinculados à
agricultura familiar, tradicionalmente polarizados por uma perspectiva mais
progressista em termos políticos e ambientais, também venham aderindo ao
bolsonarismo por conta do direito de propriedade e do tema da segurança no
campo, evidenciando sua subordinação ideológica às frações agrárias das classes
dominantes nas pequenas e médias cidades e a vocação hegemônica desse discurso.
A adesão de Bolsonaro a determinados aspectos da agenda neoliberal extremada
também explica o apoio de vários setores à sua candidatura. De um lado, seu
compromisso com as privatizações, a autonomia do Banco Central, o ajuste fiscal
em um ano, a reforma da previdência, a emenda que corta gastos públicos por 20
anos e a redução da carga tributária para o capital busca atrair o apoio das
classes dominantes e qualificá-lo como um gestor “confiável” para o “mercado”.
Por outro lado, seu apoio à reforma trabalhista e à redução dos gastos com as
políticas sociais compensatórias atrai o apoio da pequena burguesia, que emprega
mão de obra e para quem os custos salariais tem um peso significativo em seus
gastos totais, e de setores das classes médias, hostis à políticas de proteção e
inclusão social.
Finalmente, o histrionismo e a agressividade de Bolsonaro dão-lhe uma aparência
de candidato outsider, de alguém que não tem compromisso com as elites políticas
e governamentais, o que é importante numa situação de crise do sistema de
representação política, pois dá à sua intervenção pública um caráter
pretensamente espontâneo, verdadeiro e direto, sem “papas na língua”;
escamoteando o fato de que o candidato é um político profissional há mais de
trinta anos. Isto combina com a perspectiva fascista clássica da “solução
final”, de negação das mediações, de irracionalismo, tão ao gosto das classes e
segmentos sociais polarizados pela “antipolítica”.
Do Bolsonarismo emergirá um movimento fascista típico?
Apesar de até o momento deter o maior índice de intenção de votos na eleição
presidencial (3), de galvanizar o voto de direita e de possuir inserção em
segmentos sociais significativos, a candidatura Bolsonaro ainda não apresenta as
condições para dar organicidade ao movimento criado em torno de suas pretensões
eleitorais. O crescimento de sua candidatura em termos de intenção de votos pode
gerar uma onda de adesismo baseado no antipetismo e atrair votos dos outros
candidatos da direita, principalmente Alckmin. Também poderá atrair apoio
material de outros setores do grande capital, ainda vinculados a outras
candidaturas, porém, amedrontados com a possibilidade vitória do petismo. Porém,
mesmo contando com a presença militante de seus apoiadores nas redes sociais e
com o apoio de entidades corporativas e culturais variadas e numerosas,
falta-lhe ainda uma estrutura política sólida e suficientemente articulada à sua
rede de apoiadores, que unifique essas iniciativas e entidades num movimento que
se mantenha para além das eleições polarizando o processo político. Esse papel
poderia ser exercido por um partido, no entanto, o mesmo ainda não existe. O PSL
é fundamentalmente um partido fisiológico, que absorveu a candidatura do
deputado por razões puramente eleitoreiras, visando ampliar seu espaço
institucional. Neste sentido, está relativamente longe ainda do esforço de
organização, mobilização, pregação ideológica e enraizamento na sociedade civil
necessários para a formação de um movimento político e social de tipo fascista
clássico, com vida orgânica, capacidade de intervenção permanente na cena
política e de criar consenso de massas ativo e militante. O que não quer dizer
que isto não possa vir a ocorrer no futuro, com Bolsonaro e o PSL ou não, pois a
base social de massa e o caldo de cultura de perfil fascista tendem a permanecer
por tempo considerável na cena política brasileira, podendo ser galvanizada por
outra liderança política e organização partidária.
Esta hipótese é particularmente plausível no caso de um retorno do PT ao governo
federal, pois o campo político da extrema direita continuará operando com
relativa força durante o atual período da luta de classes, radicalizando a
oposição ao governo. Por isso, podemos afirmar que por enquanto a mobilização em
torno de Bolsonaro apresenta caráter proto-fascista, carecendo ainda de uma
estrutura organizativa unificada e presente de forma orgânica nos aparelhos
privados de hegemonia e na sociedade política. Caso o movimento de
extrema-direita mantenha seu atual perfil proto-fascista, ele tende a funcionar
como base de massa mobilizável em termos políticos e eleitorais pelos partidos
da direita não-fascista, que devem acentuar a perspectiva conservadora de seus
programas para atrair este tipo de apoio, ou mesmo de um governo oriundo de uma
intervenção militar.
Agradeço as críticas e sugestões dos professores Cláudio Maia, Walmir Barbosa,
Danilo Martuscelli e João Alberto da Costa Pinto. Os erros e imprecisões que
este artigo por ventura contém são de minha inteira responsabilidade.
1 – https://admin.cut.org.br/system/uploads/ck/CUT_Brasil/VOX_POPULI_ELEICOES_P
RESIDENCIAIS_DIVULGACAO_26_07_1.pdf, acessado em 1 de agosto de 2018.
2 – Consideramos como fascismo clássico aquele desenvolvido entre os anos 20 e
40 do século XX em diversos países e que teve no Nazismo alemão a sua
experiência mais acabada como partido, ideologia e regime.
3 – no momento em que escrevemos, o candidato do PT é Fernando Haddad, pois a
candidatura de Lula foi impugnada e Bolsonaro aparece em primeiro lugar nas
pesquisas de intenção de votos para o primeiro turno.
*Professor de História na Universidade Federal de Goiás e militante da Unidade
Classista
In
PCB
https://pcb.org.br/portal2/20939/quem-vota-em-jair-bolsonaro-por-que-e-o-que-esperar-do-bolsonarismo/
26/9/2018
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