segunda-feira, 24 de abril de 2017
A guerra afegã forjada por Svetlana Alexievich
por Miguel Urbano Rodrigues
A editora Elsinor promove o livro "Rapazes de Zinco, A geração Soviética
Caída na Guerra do Afeganistão" afirmando que é um livro que "oferece uma
visão única e poderosa da realidade da Guerra do Afeganistão". Mas o que
efectivamente oferece é deturpação histórica e reaccionarismo
anti-soviético.
Os livros que conheço de Svetlana Alexievich são todos marcados por um
anti-sovietismo inocultável.
O último – Rapazes de zinco, A geração soviética caída na guerra do
Afeganistão [1] – é de longe o mais reacionário.
A editora Elsinor colaborou, convidando José Milhazes, um profissional do
anticomunismo, para escrever o prefácio da tradução portuguesa.
DETURPAÇÃO DA HISTÓRIA
A extensa narrativa da laureada escritora, Premio Nobel de Literatura,
configura uma agressão transparente à Historia, montada através de um
conjunto de documentos por ela selecionados. Um trabalho minucioso que lhe
exigiu centenas de horas de trabalho e um esforço enorme.
A autora informa que os depoimentos que publicou são de homens e mulheres
da URSS que participaram na guerra do Afeganistão ou de familiares de
militares que ali morreram.
Uma peculiaridade: nesses depoimentos não consta o nome dos
entrevistados, mas o posto e tarefa militar ou a relação familiar com
mães ou esposas daqueles que morreram na guerra.
Svetlana esclarece que omitiu a identificação de oficiais, soldados e
parentela.
"No livro – revela — não guardei nomes verdadeiros. Uns pediram o segredo
da confissão, outros querem esquecer tudo. Pode ser que um dia os meus
heróis queiram ser conhecidos".
A explicação não é de molde a convencer os leitores; o carater anonimo
dos depoimentos retira-lhes credibilidade.
ESTÓRIAS MEDONHAS
A grande maioria dos depoimentos que Svetlana afirma ter escutado e
gravado nas suas entrevistas é medonha, assustadora. A serem autênticos,
os oficiais e soldados que falaram com a escritora seriam responsáveis por
crimes monstruosos e as forças do Exercito Soviético que participaram na
guerra do Afeganistão uma horda de assassinos, drogados, sádicos,
violadores, ladrões, comparável às SS de Hitler.
Para que os leitores possam ter uma ideia das declarações supostamente
gravadas por Svetlana transcrevo breves excertos do livro:
- "Ouvi vários homens dizerem: matar pode dar gosto; matar é um prazer
(…) Eram alimentados a carne com vermes, peixe que sabia a ferrugem.
Tenhamos todos escorbuto."
- Enfermeira
- "Trouxeram do "verde malaquita" um tenente sem braços nem pernas. E sem
nada masculino."
- Conselheiro militar
- "As seringas deixavam de ser esterilizadas. Metade delas não aspirava a
solução, tinham defeito."
- Sargento-ajudante sanitário
- "…vi como se compram aos médicos com cheques dois copos de urina de um
doente com icterícia. Para a beber. Para adoecer."
- praça, operador de comunicações
- "Depois do combate pende de uma árvore uma orelha humana …um olho
humano vai deslizando por um rosto humano."
- Comandante de pelotão de infantaria.
- "Trouxeram dois prisioneiros. Era necessário matar um deles porque no
helicóptero não havia lugar para dois, mas precisávamos de um deles para
conseguir informações."
- praça, atirador de lança granadas
- "Por que é que os jovens de dezoito ou dezanove anos matam com mais
facilidade do que, digamos, os de trinta."
- major de um regimento de artilharia
- "Eu não era capaz de entrar na morgue. Levavam para lá carne humana
misturada com terra. E debaixo da cama das raparigas também havia carne"
- médica bacteriologista
- "Quem lhe vai mostrar um fio com orelhas humanas secas? … Troféus de
guerra."
- Primeiro-tenente de artilharia.
- "Traziam feridos para a União e descarregavam-nos nas traseiras do
aeroporto para que povo não visse, não soubesse."
- Major comandante de fuzileiros de montanha
- "Não contei o entusiasmo dos tripulantes de helicóptero quando lançam
bombas. Vangloriavam-se: como é belo o espetáculo do kichtak (aldeia
afegã) em chamas."
- Sargento batedor
- "Tinha comigo um canivete que servia para abrir latas de conserva. Um
canivete vulgar. Ele já estava no chão… Puxei-lhe a barba e cortei-lhe a
garganta."
- Praça, batedor
Eis uma amostra do género de depoimentos reunidos por Svetlana Alexievich
em mais de duzentas páginas do seu livro.
O OUTRO AFEGANISTÃO
A vida permitiu-me como jornalista visitar repetidamente o Afeganistão,
de 1980 a 1989, durante a guerra.
Além de Kabul, estive no norte em Mazar-i-Charif e Balkh, em Jalalabad no
Sul, percorri a planície que finda nas montanhas em que se abre o famoso
desfiladeiro de Kyber, atravessei numa coluna militar o túnel de Salang na
chamada estrada da vida que liga a capital à fronteira do Uzbequistão.
Corri pelo país de avião, de carro e em veículos militares soviéticos e
afegãos.
Falei com centenas de afegãos, militares, intelectuais, operários. No
exército havia muitas mulheres combatentes, na universidade as mulheres
não escondiam o rosto.
Desse Afeganistão revolucionário não fala Svetlana. Mas ele existiu, foi
real e durante uma década o seu exército resistiu vitoriosamente aos
bandos armados das Sete Organizações de Peshawar, armadas e financiadas
pelos Estados Unidos e treinadas pela CIA. Os mujahedines, qualificados de
"combatentes da liberdade", não tomaram uma só capital de província nesse
período. A Revolução não foi vencida pelas armas. Acabou quando
Gorbatchov, de acordo com Washington, pôs fim à entrega de trigo e
petróleo ao governo de Kabul. Sem pão e combustível, a luta tornou-se
impossível.
Visitei quarteis soviéticos nas montanhas. Conversei com oficiais e
soldados nos fortins da estrada de Salang. Nessas instalações militares
não identifiquei indícios de indisciplina, violência, sujeira. Escrevi
muito sobre esse Afeganistão, o real, um pais e uma sociedade nas
antípodas do Afeganistão imaginário de Svetlana Alexievich.
Pelo Afeganistão passaram, aproximadamente 500 mil militares soviéticos.
O total de mortos rondou os 15 mil. A URSS tinha na época 290 milhões de
habitantes. A percentagem de mortos (0,005%) foi portanto muitíssimo
inferior à dos portugueses (0,08%) que morreram nas três guerras coloniais
(8300). Registo isso porque ajuda a compreender o panorama esboçado por
Svetlana numa obra de falsificação da História.
As últimas 70 páginas dos Rapazes de Zinco – referência aos caixões
metálicos em que chegavam os mortos na guerra afegã – são ocupadas por
documentação relacionada com as acções judiciais por calúnia e difamação
instauradas contra Svetlana Alexievich por militares russos e familiares
dos mortos soviéticos no Afeganistão.
Ignoro se esses textos foram introduzidos a pedido da escritora ou por
iniciativa da editora.
Incluem parte do acórdão do Tribunal de Minsk, o extenso discurso que
Svetlana ali pronunciou, depoimentos na audiência que acusam a escritora
ou a defendem e cartas de personalidades e organizações, a maioria
semeadas de elogios à autora de Os Rapazes de Zinco.
A sentença absolve Svetlana num dos processos, condena-a parcialmente
noutro. Não há referências a mais duas acções judiciais também
instauradas contra Svetlana.
21/Abril/2017
[1] Svetlana Alexievich, Rapazes de Zinco - A geração soviética caída na
guerra do Afeganistão, Editora Elsinore, 343 p., Amadora, Março de 2017
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
In
RESISTIR.INFO
http://resistir.info/mur/mur_21abr17.html
21/4/2017
sábado, 22 de abril de 2017
"Cualquier ataque a Corea del Norte supondría el fin del mundo tal como lo conocemos"
David Romero
Hablamos con Alejandro Cao de Benós, el único representante de Corea del Norte
en Occidente. Le preguntamos por la Bomba H, por la administración Trump, y por
el futuro de la actual escalada de tensión.
Alejandro Cao de Benós trabaja para el gobierno de Corea del Norte desde hace 25
años, en calidad de "delegado especial" en Occidente. Vive entre Pyongyang y
Tarragona (España) y sus palabras representan hoy en día al Gobierno de Kim
Jong-Un. Hemos querido hablar con él para sondear cuán peligrosa es la actual
escalada de tensión en las relaciones entre Estados Unidos y Corea del Norte.
Nos interesa hablar del arsenal nuclear norcoreano y de su alcance, pero también
desentrañar el momento político que atravesamos: es decir, cuánto hay de ruido y
cuánto hay de verdadero riesgo en toda la retórica belicista que ambos gobiernos
están empleando. Nos atiende por teléfono desde Tarragona.
RT: Una de las primeras medidas de la administración Trump con respecto a Corea
del Norte fue aplicar sanciones a 11 individuos y a una empresa norcoreana por
estar implicados en la financiación del programa nuclear de Pyongyang. ¿Cual es
su opinión sobre esas sanciones? ¿Y cuál es la fuente de financiación del
programa Nuclear?
"Corea del Norte, normalmente, cuando muestra algo es porque lo tiene. No es
como los Estados Unidos, que están amenazando con un portaviones que resulta que
va en dirección contraria".
Alejandro Cao de Benós, el único representante de Corea del Norte en Occidente
A.C.: Las sanciones de Estados Unidos no sirven absolutamente para nada, porque
las llevan implementando desde la creación de la República... El programa
nuclear norcoreano se basa en el propio desarrollo interno del país. El uranio y
el plutonio proceden de minas propias; los científicos son ciudadanos
norcoreanos y los aparatos que se usan están fabricados en la propia nación.
Corea del Norte sigue una política de autarquía en la que busca desarrollarlo
todo por sus propios medios sin depender de otras grandes potencias. Por lo
tanto, las sanciones son absurdas, son parte de la asfixia a la que quiere
someternos el gobierno de los Estados Unidos.
RT: Con respecto a la Bomba H, ¿a usted le consta personalmente que Pyonyang
tiene esa bomba lista para su uso?
A.C.: Lógicamente, yo no me encargo de la defensa del país, pero estoy seguro de
que cuando nuestro gobierno hace algo o muestra algo -como en el caso de la
última prueba nuclear- los sismógrafos y los expertos estadounidenses saben leer
perfectamente qué tipo de detonaciones se han llevado a cabo. Corea,
normalmente, cuando muestra algo es porque lo tiene. No es como los Estados
Unidos, que están amenazando con un portaviones que resulta que va en dirección
contraria: el Carl Vinson, cuando Trump informó al mundo de que se dirigía hacia
la peninsula coreana, resulta que estaba yendo hacia el sur, a hacer maniobras
en Australia. Eso demuestra que Trump no tiene ni conocimiento ni control de su
propio Ejército.
RT: ¿Cree usted que la administración Trump es más agresiva que sus predecesoras
o más proclive a materializar sus amenazas en un ataque real?
A.C.: Contra Corea del Norte no cumplirán ninguna amenaza, gracias precisamente
a nuestra capacidad de disuasión nuclear. Ellos saben que no vamos a tolerar ni
un sólo misil como los de Siria ni una invasión como Libia. Saben que eso
desembocaría una guerra nuclear y no sólo perdería Estados Unidos, sino Corea y
todo el mundo. No creo que vayan a atreverse a atacar. El punto más crítico fue
realmente durante la administración Bush, donde estuvimos realmente al límite.
El propio Bush pasó de amenazar también con un ataque nuclear preventivo contra
Corea a adoptar, al final de su mandato, un tono conciliador e incluso
respetuoso hacia nuestro líder.
RT: Hace poco, en el periódico oficial del Partido de los Trabajadores se podía
leer que "En caso de que lancemos un superpoderoso ataque preventivo, este
inmediatamente y por completo borrará no solo las fuerzas de invasión de los
imperialistas de EE.UU. en Corea del Sur y en zonas aledañas, sino que también
reducirá el territorio continental estadounidense a cenizas". Si Corea del Norte
"golpeara primero" con un ataque preventivo...¿Que consecuencias tendría? ¿En
qué escenario mundial nos pondría esto?
A.C.: Corea nunca va a golpear primero. Nunca lo ha hecho. Ni ha invadido o
amenazado a otras naciones. Corea solo quiere vivir en paz. En ningún caso vamos
a ser los primeros en atacar...
RT: ¿Pero acaso no hay una amenaza explícita de "ataque preventivo" en estas
palabras?
A.C.: En ocasiones, en la agencia central de noticias se habla de "ataque
preventivo", pero en Corea significa que si los Estados Unidos lanzan un misil,
nosotros responderíamos con 100 misiles. Eso es lo que Corea entiende por ataque
preventivo; no es lo mismo que entiende EE.UU., que sería un ataque unilateral
sin haber recibido un ataque previo. Corea jamás va a atacar primero a ninguna
nación del mundo. Pero en caso de ser atacados, aunque fuera con un sólo misil,
responderíamos con todo nuestro arsenal. Y hay que tener en cuenta que nuestro
programa nuclear lleva 25 años en funcionamiento, cinco pruebas, cuatro
satélites, una probada capacidad balística...
"Corea nunca va a golpear primero. Nunca lo ha hecho. Ni ha invadido o amenazado
a otras naciones. Corea solo quiere vivir en paz".
Alejandro Cao de Benós, el único representante de Corea del Norte en Occidente
RT: Sin embargo, en ocasiones se subestima la capacidad militar de Corea del
Norte y se insinúa que su Ejército es un rival muy pequeño para el Ejército de
los Estados Unidos, al que se supone el mayor ejército del mundo...
A.C.: Eso responde absoultamente a una distorsión interesada de la realidad. Es
una copia, por parte de los medios capitalistas imperialistas, del discurso de
Estados Unidos. No nos llamemos a engaño: la mayor parte del mundo es
capitalista y casi todos los países le deben pleitesía a los EE.UU. tanto
económica, como política, como militarmente, y esta sumisión incluye lógicamente
a los medios de comunicación. Si la verdad fuera realmente esa, si el alcance
militar de Corea del Norte fuera tan minúsculo como dicen, los Estados Unidos ya
la habría ocupado...¿Por qué se iban a molestar con todo esto? ¿No están
disparando Tomahawks en Siria a pesar de que Rusia se opone? ¿No han lanzado a
'la Madre de todas las bombas en Afganistan? ¡Ellos no se cortan! Si ellos ven
que el enemigo es pequeño, ellos atacan. Pero seguro que no van a atacar, por
ejemplo, a la Federación de Rusia abiertamente.
RT: Toda esta retórica belicista que se está dando entre Washington y Pyongyang
a veces parece una puesta en escena en la que cada presidente quiere satisfacer
a su propio pueblo y cohesionarlo frente a un enemigo común. ¿Cuanto hay de
política interna en esta escalada verbal de la tensión?
A.C.: En el caso de Trump, el 95% es política interna. Está clarisimo que su
aceptación ciudadana cae en picado, que es una persona que genera mucho malestar
y muchos problemas internos en su país; y todo esto le ha obligado a cambiar de
rumbo en su política exterior, que un principio iba a estar en un segundo plano
y a ser menos invasiva. Pero en el caso de Corea del Norte, esto no es así:
nosotros no necesitamos ganarnos el apoyo de la ciudadanía así. No tenemos
terrorismo interno ni grupúsculos que intenten derribar la soberanía del
gobierno socialista... En nuestro caso simplemente nos limitamos a mostrar al
invasor, en este caso Estados Unidos, que podemos defendernos.
RT: ¿Usted, honestamente, que cree que va ocurrir? ¿Cómo cree que estará esta
cuestión dentro de, digamos, un año?
A.C.: En este momento EE.UU. está haciendo maniobras militares conjuntas con
Corea del Sur, en las que simulan la invasión de Corea del Norte. Eso lo hacen
cada año. Ahora la situación, efectivamente es de alerta, por si acaso se
atreven a dar un paso más alla de eso. Pero mi opinión personal, tras 25 años de
trabajar para la república y ver las diferentes administraciones americanas y
sus reacciones, es que en cuestión de diez días la tensión disminuirá y Trump no
se atreverá a nada. Esto es una escalada de tensión al servicio de su política
interna y una vez hecho el golpe de efecto al estilo de Hollywood sólo le queda
replegarse y continuar el statu quo.
RT: Entiendo que usted no teme por la seguridad de Corea del Norte.
A.C.: No. Temer por la seguridad de Corea del Norte significaría el fin del
mundo tal y como lo conocemos. Las bombas termonucleares tienen cien veces la
potencia de las bombas que arrasaron Hiroshima o Nagasaki, y bastan 4 de ellas
para cambiar este planeta para siempre. Y cualquier ataque a Corea del Norte
tendría como respuesta el uso de armas termonucleares.
RT: Sólo una curiosidad final: Cuando usted menciona el socialismo de la
república de Corea del Norte suena muy distinto a como los políticos españoles
hablan de socialismo. Ya que usted vive en España...¿Qué siente cuando escucha
la palabra socialismo para hablar, por ejemplo, del PSOE?
"¿Por qué EE.UU. se iba a molestar con todo esto? ¿No están disparando Tomahawks
en Siria a pesar de que Rusia se opone? ¿No han lanzado a 'la Madre de todas las
bombas en Afganistan? ¡Ellos no se cortan! Si ellos ven que el enemigo es
pequeño, ellos atacan".
Alejandro Cao de Benós, el único representante de Corea del Norte en Occidente
A.C.: La palabra "socialismo" en occidente está totalmente corrupta y por eso en
muchas ocasiones tengo que aclararlo, porque en España la gente lo relaciona con
el Partido Socialista Obrero Español, que ni es socialista ni es obrero desde
hace mucho tiempo. Es un partido que, como sabemos, no sólo ha estado metido en
la corrupción al igual que el PP, sino que ha estado haciéndole el juego al
capital. No tiene nada de socialista; tal vez lo fue en sus orígenes, pero hoy
en día, la absoulta mayoría de partidos están movidos únicamente por sus propios
intereses, que son económicos. Están vacíos de ideología.
In
RT
https://actualidad.rt.com/actualidad/236536-ataque-corea-norte-alejandro-cao-benos
21/4/2017
sexta-feira, 21 de abril de 2017
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Freno al desalojo del Bauen
La justicia hizo lugar al pedido de queja realizado por las y los trabajadores
El martes 18 de abril trajo un alivio importante para los compañeros y
compañeras del Hotel Bauen, ya que la justicia suspendió la orden de desalojo
que regía sobre la cooperativa.
Ataliva Dinani, abogado de la Federación a la que está asociada la cooperativa
del Bauen -FACTA-, explica que la decisión tomada por la Cámara Nacional de
Apelaciones en lo Comercial tiene que ver con entender que la Dra. María Paula
Hualde (del Juzgado Comercial número 9, en donde se tramita la quiebra de quien
fuera la ex empleadora del Bauen), había cometido un error al negar a los
trabajadores el derecho a apelar.
"Ahora, la Cámara se va a abocar a tratar el recurso de apelación y a decidir
si, además de suspender, deja definitivamente sin efecto la orden de desalojo
que pesa sobre la Cooperativa", agrega
Asimismo, Dinani afirma que este “es un triunfo que se debe festejar, un granito
de arena de justicia ante tanta oquedad judicial”. Sin embargo, plantea que no
hay que perder de vista que la solución sigue siendo la ratificación por parte
de ambas Cámaras del Congreso de la Nación, del proyecto que declara de utilidad
pública y sujeto a expropiación a las instalaciones del Hotel.
"Lo que va a resolver ahora la Cámara es el fondo de la cuestión: la orden de
desalojo emitida por Hualde es prematura y arbitraria porque viola el principio
de la división de poderes. Por mandato de la Constitución Nacional en su
artículo 83, una vez que se produce el veto presidencial, las Cámaras deben
volver a tratar el proyecto vetado y si ratifican su sanción con 2/3 de los
votos de los presentes, el proyecto se convierte en ley y queda sin efecto el
veto presidencial", agrega.
En este sentido, señala que sin dar explicaciones, la Jueza se inmiscuye en una
facultad que le es propia al Poder Legislativo y procura, con una orden de
desalojo, violar mecanismos constitucionales.
"Esta decisión de la Dra. Hualde, confirmada como errónea por la Cámara, no hace
más que evidenciar la connivencia que lamentablemente existe entre la Jueza de
primera instancia y la ex empleadora de los trabajadores, que figura como Solari
SA. En realidad, podemos decir ese nombre como Mercoteles SA, o Bauen SA, pero
siempre el hilo conductor sigue siendo la familia Iurcovich, a través de
distintos testaferros o ellos mismos, dirigiendo estas empresas en procura de
obtener el inmueble (que nunca han pagado) y tratando de burlar los créditos
laborales de los trabajadores, que tampoco nunca han sido abonados", sostiene el
abogado.
In
CNCT CONFEDERACIÓN NACIONAL DE COOPERATIVAS DE TRABAJO
http://www.cnct.org.ar/freno-al-desalojo-del-bauen
19/4/2017
quarta-feira, 19 de abril de 2017
“Todos os governos progressistas da América do Sul evitaram as mudanças estruturais”
Incapazes de responder à crise estrutural do capitalismo
global, que já alcança uma década, os governos de esquerda da América Latina
vão beijando a lona ou vendo o ressurgimento de alternativas radicalmente
antissociais, sem formular respostas à altura. Para analisar o desencanto,
entrevistamos Fabio Luís Barbosa dos Santos, que acaba de lançar o livro “Para
Além do PT – A crise da esquerda brasileira em perspectiva latino-americana”,
que se presta a analisar as razões do fim do ciclo.
“Faltou enfrentar a raiz dos problemas, na dimensão estrutural. O Brasil, a Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai, enfim, todos os países identificados com o processo, apostaram numa tímida redistribuição da renda, na melhor das hipóteses. Mesmo na Venezuela, o que desencadeou a tentativa de golpe em 2002? A apropriação estatal da renda petroleira e recuperação da capacidade distributiva. Mas ao não se promover a mudança estrutural, o vínculo dos povos com tais processos manteve natureza volátil, a flutuar ao sabor das conjunturas políticas e econômicas”, explicou o professor de Relações Internacionais da Unifesp em Osasco (SP).
Na conversa, Fábio traça alguns paralelos entre a experiência petista e os chamados governos “progressistas”, eleitos na esteira da destruição social dos anos 90, em muitos casos a partir de comoventes mobilizações populares. Em comum, o fato de não terem jamais atacado, de fato, os grandes alicerces do capital, inclusive culturalmente, de maneira que quando se chegou ao fim da bonança econômica baseada no boom das commodities não havia bases dispostas a renovar os processos.
“A lição principal é que as estratégias e caminhos traçados pelos partidos foram suficientes para chegar à presidência de vários países, num contexto de forte contestação ao neoliberalismo. No entanto, insuficientes para mudar os países. Para mudá-los é preciso uma correlação de força, práticas, programas e valores diferentes das experiências que agora se encerram”, afirmou.
A entrevista completa com Fabio Luis Barbosa dos Santos pode ser lida a seguir.
“Faltou enfrentar a raiz dos problemas, na dimensão estrutural. O Brasil, a Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai, enfim, todos os países identificados com o processo, apostaram numa tímida redistribuição da renda, na melhor das hipóteses. Mesmo na Venezuela, o que desencadeou a tentativa de golpe em 2002? A apropriação estatal da renda petroleira e recuperação da capacidade distributiva. Mas ao não se promover a mudança estrutural, o vínculo dos povos com tais processos manteve natureza volátil, a flutuar ao sabor das conjunturas políticas e econômicas”, explicou o professor de Relações Internacionais da Unifesp em Osasco (SP).
Na conversa, Fábio traça alguns paralelos entre a experiência petista e os chamados governos “progressistas”, eleitos na esteira da destruição social dos anos 90, em muitos casos a partir de comoventes mobilizações populares. Em comum, o fato de não terem jamais atacado, de fato, os grandes alicerces do capital, inclusive culturalmente, de maneira que quando se chegou ao fim da bonança econômica baseada no boom das commodities não havia bases dispostas a renovar os processos.
“A lição principal é que as estratégias e caminhos traçados pelos partidos foram suficientes para chegar à presidência de vários países, num contexto de forte contestação ao neoliberalismo. No entanto, insuficientes para mudar os países. Para mudá-los é preciso uma correlação de força, práticas, programas e valores diferentes das experiências que agora se encerram”, afirmou.
A entrevista completa com Fabio Luis Barbosa dos Santos pode ser lida a seguir.
Correio da Cidadania: Começando pelo tema de seu livro, por que chegamos ao fim de um ciclo – político e econômico, mas com outros reflexos – dos governos ditos de esquerda, “progressistas”, na América do Sul, após uma onda de vitórias eleitorais no começo do século?
Fábio Luís Barbosa dos Santos: É hora de balanço. Falar em onda conservadora, como agora, supõe uma inflexão, uma mudança de sentido geral da história e dos anos recentes. Quando analisamos as características fundamentais da chamada onda progressista e também de seus substitutos, como na Argentina e Brasil, vemos uma aceleração no tempo e na intensidade das medidas, mas não uma mudança de sentido.
Não entendo que o “golpe” no Brasil ou a derrota do kirchnerismo configura cavalo de pau na história. Temos uma agudização de políticas vinculadas à agenda do ajuste estrutural, que na verdade estavam na agenda de todos os governos, petistas e demais. A exceção é a Venezuela, que tem dificuldades de outra natureza.
É possível entender que o movimento anterior contribuiu para a criação das condições da chamada onda conservadora. No caso brasileiro, é um fenômeno que vem muito de trás, que contou com a participação mais recente do PT. Não considero que as gestões petistas tenham sido progressistas em nenhum aspecto.
Correio da Cidadania: Mas por que os governos supostamente progressistas criaram as condições de retorno dos governos puramente neoliberais, acompanhados de amplo rancor social e até cultural que em alguns casos remete até ao fascismo de outros tempos?
Fábio Luís Barbosa dos Santos: A questão fundamental é que tais governos não enfrentaram os problemas históricos da sociedade sul-americana. Optaram pela linha de menor resistência. No caso brasileiro, a proposta das gestões do PT foi conciliar capital e trabalho. Ou seja, avanços para o campo do trabalho até o limite em que não implicassem em concessões do campo do capital.
Na política de integração sul-americana, a perspectiva brasileira foi conciliar soberania e imperialismo. Vimos avanços na soberania do continente, como na criação da Unasul, mas até o ponto de não contradizer os interesses dos EUA.
Na medida em que não se enfrentam os problemas históricos e suas causas estruturais, é impossível resolvê-los. Ao não resolvê-los, voltam, em muitos casos com intensidade maior. Primeiro porque neste processo se desprestigiou aquilo que o povo entende por esquerda. Em segundo lugar porque em casos como o brasileiro e alguns outros o percurso de chegar ao governo e lá se manter, com as concessões que foram feitas para “os de cima”, implicaram, por outro lado, no apassivamento dos “de baixo”.
O que alguns chamaram de modo lulista de regulação do conflito social envolveu o apassivamento das organizações populares. O que devemos avaliar é como se esgotaram as condições para a manutenção dessas situações, em que a ambição de conciliar opostos se esgota e traz um conservadorismo mais forte.
A situação internacional se agrava, com a crise estrutural do capitalismo, que marca medidas mais intensas contra os trabalhadores. Ao mesmo tempo, esse campo popular, do trabalho, está fragilizado. No caso brasileiro, devemos entender que o PT teve uma política que desmobilizou, alienou e apassivou os setores populares.
E por quê? Confundiu porque abraçou programa e práticas da direita, fazendo-se passar por esquerda. Apassivou porque envolveu setores populares na gestão pública, mas não para realizar as bandeiras históricas das organizações populares, e sim neutralizar tais movimentos. Alienou porque promoveu o consumo como solução para problemas sociais; consumo que é uma via individual, não coletiva, e que tende a mercantilizar o que deve ser entendido como direito.
Em tais circunstâncias, em que por um lado se debilita o campo popular, fortaleceram-se todos os segmentos que costumam enfrentá-los. Por exemplo, o agronegócio, o capital financeiro, os partidos conservadores, o neopentecostalismo, todos foram fortalecidos pelas gestões do PT. E podemos estender esse raciocínio pelos países da América do Sul.
O PT não é vítima, mas corresponsável, em todos os aspectos. Manteve intocável o poder das grandes corporações de comunicação e nunca fomentou canais alternativos seriamente. Deram muito anúncio e carinho pra Globo, Veja e similares. Incorporou as ideias e serviu aos propósitos da Lei de Responsabilidade Fiscal, à qual o partido foi historicamente contra, inclusive quando o governo FHC a aprovou, e que serviu, há pouco, para depor Dilma.
Também praticou a combinação entre cooptação ou repressão aos movimentos populares, basta ver a lei antiterrorismo promulgada por Dilma, como desdobramento evidente das manifestações de junho de 2013. Também porque fez do lodaçal da política parlamentar sua base, jamais o povo ou a esquerda. E foi neste lodaçal que tentou negociar até o último momento sua salvação, sempre na vil moeda da política mercantil.
Se for parodiar o dito de Roosevelt sobre Somoza, o ditador da Nicarágua – “pode ser um filho da puta, mas é o nosso filho da puta” -, Temer foi esse sujeito para o PT. E não é verdade que não foi eleito. Foi eleito como vice, assim como Jango e Itamar.
Portanto, o resultado de tal política foi a desilusão do povo com um partido e um projeto identificado com a esquerda, o que por sua vez reforça o cretinismo parlamentar, expressado nas eleições recentes, tanto no alto índice de abstenção como através de vitórias como de Crivella no Rio de Janeiro e Doria, o novo CEO de São Paulo.
Ao mesmo tempo em que o preço pra ficar no poder foi debilitar e neutralizar o potencial de reivindicação e protesto autônomos do campo popular fortaleceram-se todos os elementos da política, da economia e da sociedade conservadora que agora devemos enfrentar, porém, mais enfraquecidos de nossa parte.
Correio da Cidadania: Ainda nesse sentido, o que você comenta da trajetória e do governo de Nicolas Maduro, tendo como referência o próprio projeto chavista em sua gênese?
Fábio Luís Barbosa dos Santos: No arco desses governos, a experiência venezuelana foi a mais diferente. Confrontada com a reação das oligarquias – expressada primeiro no golpe de 11/04/2002 seguida de locaute que paralisou a produção petroleira e derrubou o PIB – a peculiaridade é a radicalização do processo.
Quando derrotado o locaute patronal, coincide-se com Lula e Kirchner assumindo o poder, o que enche de novas perspectivas o processo bolivariano e faz Chávez adotar nova retórica, identificada com o socialismo. E também prática, a fim de superar as debilidades iniciais do chavismo. A questão fundamental é que não havia base social orgânica. A Venezuela sempre foi uma sociedade rentista, sem tradição de movimentos sociais, partidos organizados etc.
Foi depois disso que se evoluiu para a ideia do Estado comunal, uma ideia de poder popular e paralelo ao Estado. Como o processo boliviariano sempre esteve em disputa, tal iniciativa inclusive nunca foi unânime dentro do próprio processo. Tanto que a única derrota eleitoral que Chávez sofreu – o plebiscito 2008 – era voltada a esse aspecto, de radicalizar o poder comunal. E alguns de seus expoentes não estavam dispostos a tal avanço. Um prefeito de uma cidade como Lara não tem interesse em fomentar um poder alternativo ao seu.
Enfim, em minha leitura a Venezuela foi onde mais se ambicionou, com muitas contradições e dificuldades, algumas herdadas, outras reproduzidas. A própria Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América) é exemplo, com seus próprios limites e problemas. Só de se aliar com Cuba, que há décadas faz diferente, defende soberania e igualdade com grandes dificuldades, já é um sintoma disso. A Venezuela penou no cenário regional porque nunca contou com a solidariedade dos governos vizinhos, a não ser mercantil. O Brasil, por exemplo, ofereceu bons negócios, mas isso é diferente de um projeto hegemônico – ou contra-hegemônico.
A própria Unasul, se é positiva pela unidade do continente e subcontinente, também serviu pra neutralizar a Alba. A Venezuela não teve, digamos, um campo aberto para explorar a diversificação econômica e sinergias que poderiam resultar de uma integração regional pautada por outros valores. E penso que o Brasil e o caráter conservador da política regional petista contribuíram.
Posto tudo isso, o resultado de tais impasses é que a Venezuela não conseguiu superar a dependência da renda do petróleo. No momento em que o Estado gastou muito no último esforço eleitoral do Chávez antes de sua morte, ao lado da queda dos preços do petróleo, voltaram as pressões que caracterizam economias subdesenvolvidas, no caso do país com pressão inflacionária e desajuste cambial.
Resumo da ópera: o descompasso entre o câmbio oficial e paralelo gerou pressões especulativas, o que resultou na vida das pessoas a necessidade de obter dólares pra sobreviver, portanto, alternativas ao seu meio de trabalho corriqueiro. Ganha mais dinheiro o cara que enche o tanque de gasolina e vai na fronteira fazer o tráfico do que o professor.
A reação do Maduro a tais problemas é, na minha interpretação, a de recusar os caminhos tradicionais do ajuste. Num segundo momento – presumo, pois não acompanho em cima – a situação passou a ser muito problemática do ponto de vista popular, democrático e também das escolhas econômicas.
Correio da Cidadania: Para além das análises socioeconômicas, podemos encarar a ideia, a essa altura, de que o selo “onda progressista” e sua integração regional foram mais uma abstração ideológica, com o tempo reforçada por análises ufanistas e bons resultados em termos pragmáticos, mas que deixou em falta um projeto emancipatório mais concreto?
Fábio Luís Barbosa dos Santos: Faltou enfrentar a raiz dos problemas, na dimensão estrutural. O Brasil, a Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai, enfim, todos os países identificados com o processo, exceto a já citada Venezuela, apostaram numa tímida redistribuição da renda, na melhor das hipóteses.
Mesmo na Venezuela, o que desencadeou a tentativa de golpe em 2002? A apropriação estatal da renda petroleira e recuperação da capacidade distributiva. Mas ao não se promover a mudança estrutural, o vínculo dos povos com tais processos manteve natureza volátil, a flutuar ao sabor das conjunturas políticas e econômicas. Porque nenhum dos processos se preocupou em construir correlação de forças pra modificar o Estado ou mudar a própria estrutura da sociedade.
Penso como pano de fundo a situação cubana. Nos anos 90, a União Soviética tinha acabado de sumir, e o comércio internacional do país desabou, o PIB caiu 35% em poucos anos; o país, que tinha alto padrão social, passou fome, enquanto todos os países do bloco socialista foram caindo. E, no entanto, Cuba atravessou, numa dificuldade infinitamente maior.
Isso se deve ao fato de Cuba ter na raiz uma revolução, alicerçada em dois valores: igualdade e soberania. Sem querer idealizar a revolução cubana, que tem e teve diversos problemas, inclusive vários associados à aproximação total com os soviéticos: mas lá se construiu e reforçou no povo a noção de que soberania e igualdade são direitos e conquistas inalienáveis de todos.
De modo que quando confrontado com as alternativas apresentadas nos anos 90 – conduzido por uma direção vista como íntegra, comprometida com os valores da revolução – o povo apertou os cintos e atravessou. Porque o povo faz sacrifício quando entende o sentido desse sacrifício. Mas tal sentido precisa ser construído historicamente.
E qual a retórica de todos os governos petistas? É a do consumo. Se a promessa é sempre consumir mais, qual a referência de padrão civilizatório? Miami. Na América Latina, como Celso Furtado e outros mostraram, tal padrão só se sustenta por meio do privilégio. A outra face desse privilégio é a pobreza, miséria, exclusão. Os governos lulistas apostaram na retórica do consumo, referenciada numa sofisticação dos padrões de consumo, que nem preparam nem politizam o povo para as condições da mudança social e a busca pela igualdade.
Correio da Cidadania: Faltou um espírito extrainstitucional, pra não dizer revolucionário, em todo o continente, para manter o horizonte em pé na hora da tempestade.
Fábio Luís Barbosa dos Santos: Por exemplo: o Bolsa Família. Os petistas adoram falar que tirou não sei quantos milhões da pobreza, da miséria e os mais empolgados dirão que se criou uma nova classe média, classe C etc.
Porém, em 13 anos de gestões nunca foi institucionalizado como política de Estado, isto é, convertido em direito. Portanto, é muito diferente uma política social, que entenda a renda mínima como um direito, de uma política assistencialista condicionada a cumprimento de alguns requisitos, que beneficia mais ou menos provisoriamente uma camada da população.
O livro do André Singer – Os sentidos do lulismo – diagnosticou que os setores mais pobres do país são conservadores, se identificam mais com valores de direita que de esquerda, ainda que acreditem que o Estado deva ajudar os mais pobres. Mas eles seriam contra qualquer medida de ruptura. Penso que o PT governou de acordo com esse diagnóstico, que é uma situação produto de uma sociedade massacrada por essa ideologia. E assim abdicou de construir outros valores, opostos.
São três aspectos importantes:
1) Políticas refletem direitos, não são ocasionais, conjunturais; 2) sem rupturas profundas, que na história são violentas, não há mudança substantiva; 3) o Estado em defesa do povo brasileiro precisa garantir soberania e igualdade, mas isso implica enfrentar o privilégio e o império.
Não dá pra conciliar Capital x Trabalho, não dá pra manter privilégio e combater a desigualdade, assim como não dá pra defender soberania e manter relações mais que amistosas, mas de complementaridade, com os EUA. Os governos petistas não tiveram o horizonte de construir outras correlações de força e valores alternativos.
O PT no poder central foi pela linha do menor esforço. Do ponto de vista econômico, isso implicou em políticas que atacaram a distribuição, não a produção. Do ponto de vista da cultura política e mobilização, reforçou os valores da sociedade brasileira que eles encontraram, ao invés de construir novos. O povo pensa assim porque é formado pela Rede Globo. Precisamos de um povo formado por outras ideias.
Eles apoiaram o Correio da Cidadania? Eles apoiaram, por exemplo, a Telesur, iniciativa da Venezuela de criar uma TV com outra narrativa de mundo? O Brasil é o único desses países ditos progressistas que deu as costas para a Telesur. Pergunte pra quem fez parte do governo PT ou o apoiava porque não fomentaram a emissora. Vão dizer que não sabem, mas temos uma hipótese: infelizmente, o Brasil via as políticas saídas de lá como concorrentes, não como parceiras de um projeto contra-hegemônico na América do Sul.
Portanto, iniciativas como Banco do Sul, Alba, Telesur, com potencial mais radical, foram boicotadas pelo Brasil, neutralizando seu alcance. Afinal, trata-se de metade da América do Sul.
Correio da Cidadania: Finalizando, qual sua visão do Equador, que acaba de eleger, por pouca margem, Lenin Moreno, dando sequência ao processo liderado por Rafael Correa, chamado de Revolução Cidadã?
Fábio Luís Barbosa dos Santos: O candidato vencedor não deve ser identificado à esquerda. Por que, tal como o governo de Evo Morales, o correísmo tem adotado sistemática postura de perseguição e repressão aos movimentos sociais e populares, ao mesmo tempo em que estimula o chamado extrativismo, a exportação de produtos primários, com todas as consequências agressivas ao meio ambiente e modos de vida indígenas implicados por tais atividades.
Por isso, diga-se, o Evo perdeu o plebiscito feito no ano passado que reivindicava um quarto mandato. E não foi porque a direita o derrotou, mas porque sua base social está fraturada. Militantes de esquerda, autônomos e setores comprometidos com a mudança diminuíram seu apoio.
Não é um cenário que apresenta muita esperança para quem acredita em mudanças de fundo na América do Sul. A lição fundamental que devemos tirar da chamada onda progressista é que o espaço para a mudança dentro da ordem na América Latina é exíguo, muito pequeno. A boa intenção não é o bastante. É indiferente se o Lula queria fazer a reforma agrária ou não, mas se pactuou com os latifundiários não vai fazer reforma agrária.
A lição principal é que as estratégias e caminhos traçados pelos partidos foram suficientes para chegar à presidência de vários países, num contexto de forte contestação ao neoliberalismo. No entanto, insuficientes para mudar os países. Para mudá-los é preciso uma correlação de força, práticas, programas e valores diferentes das experiências que agora se encerram.
Em poucas palavras: a burguesia tem uma agenda, do ajuste estrutural. Tem organizações, como o parlamento, a mídia, o judiciário, a polícia. Tem método, que é o do medo, como do desemprego e da repressão. E tem os valores, que são os do capitalismo, do neoliberalismo.
A esquerda tem de construir outra coisa, oposta. Tem de ser contra a agenda do ajuste, não basta o Fora Temer, porque o banco de reserva do Temer está cheio, inclusive o Lula está lá, sentado na pontinha. É preciso colocar a riqueza do trabalho a serviço da população, o que sintetiza o conteúdo do que seria uma “Revolução Brasileira”. São necessárias organizações que combinem a luta dentro da ordem e contra a ordem. É preciso múltiplas organizações para fazer isso. A ocupação das escolas é um exemplo, mas pra multiplicar a experiência e mudar a correlação de forças é preciso ocupar o país. E é preciso fomentar valores alternativos, de solidariedade e igualdade substantiva. Precisamos ter uma cultura de esquerda diferente.
Finalizo, para me referir ao caso brasileiro, mas que pode ser entendido a outros, com um refrão do Emicida: “sobre as chances, é bom vê-las, às vezes se perde o telhado para ganhar as estrelas”. Nesse momento, tem muita gente olhando o telhado. Pra quem se identifica com o PT, a casa caiu, para quem tem como referência a mudança necessária, tem-se nova oportunidade de olhar as estrelas.
Gabriel Brito é jornalista e editor do Correio da Cidadania; Matias Pinto é historiador e colaborador da webrádio Central3.
In
CORREIO DA CIDADANIA
19/4/2017
terça-feira, 18 de abril de 2017
Este 15 de abril del 2017 se cumplen 6 años de imposibilidad en Cherán. Imposible no felicitarlos: Feliz aniversario.
Luis Ramírez Trejo
“Una política de emancipación radical no se origina en una prueba de posibilidad
que el examen del mundo subministraría.”
Alain Badiou, Condiciones, p. 210 [1]
La mañana del 15 de abril del 2011, un grupo de alrededor de 10 mujeres del
municipio p’urhépecha de Cherán, Michoacán, detuvieron a una de las centenas de
camionetas que todos los días cruzaban el pueblo para transportar madera robada
de los bosques de la comunidad. Las camionetas siempre iban tripuladas por
hombres armados hasta los dientes. Desde al menos el 2008, los criminales no
sólo habían arrasado los bosques cercanos de Tres esquinas, Pakárakua, San
Miguel, Cerritos los Cuates, Carichero, Cerrito de León, Patanciro y El
Cerecito, sino que asesinaron, insultaron, humillaron y amenazaron a cualquiera
que insinuara un reclamo. Al parecer, también violaron a varias jovencitas. Las
múltiples denuncias de la comunidad naufragaron por años en un valle de silencio
e indiferencia en las oficinas de gobierno.
En general, la agresión sexual a las mujeres del lugar era pan de todos los
días. Rosa [2], una cheranense de 34 años de edad, cuenta con los ojos y las
mejillas a punto de reventar:
“Ya cada que pasaba, decían: ya se va a acabar la madera; pero seguimos con las
viejas de aquí de Cherán, decían.”
Rosa fue parte del grupo de mujeres que detuvo a la camioneta mencionada en la
esquina de Allende y 18 de Marzo, cerca de la Iglesia del Calvario, en el Barrio
Tercero de Cherán. Esas mujeres no usaron ningún camión o auto para cerrar el
paso a los talamontes. Tampoco recolectaron armas previamente ni planearon una
emboscada. Ni siquiera se pusieron de acuerdo un día antes. Los únicos vehículos
con que se enfrentaron a los criminales fueron sus cuerpos. Los suyos eran
cuerpos hechos de los mismos átomos que los de los demás: con los mismos
tejidos, las mismas cicatrices, las mismas asimetrías de carne, las mismas
redondeces, los mismos granos, los mismos excesos. Es decir, en principio,
cuerpos como cualquier otro y como ningún otro.
La verdad es que frente a ese grupo de hombres armados, los cuerpos de esas
mujeres eran cuerpos que pudieron terminar baleados en cuestión de segundos. Ahí
hubieran quedado los huérfanos, los viudos, las madres con las lágrimas
rebotando en los regazos. Por fortuna no fue así. Aunque después se sumaron los
jóvenes y el pueblo entero, el horizonte para transformar la realidad se
constituyó, al menos en los momentos iniciales, por un manojo de cuerpos de
mujer: cuerpos quebrantables, precarios, vulnerables, en perpetuo riesgo de
perderse en el abismo de la muerte. Cuerpos que en ningún momento perdieron el
miedo; tampoco la rabia, la ira, el coraje necesario para transformar su mundo.
Como dice Rosa:
“Nomás detuvimos los carros. Se daba miedo. Pero al mismo tiempo se daba miedo y
coraje de que no podíamos hacer otra cosa más que de echarle ganas. Los señores
trataban de aventar el carro así. Pues el carro así pa’rriba. Se levantaba como
parándose de llantas. Y nosotros pus lo parábamos. Era mucho coraje […] pero
teníamos un como temorcito dentro del corazón. […] Se decide uno a levantarse
porque ya no le importa a uno el coraje, y así pues.”
Ese 15 de abril por la tarde, la mayor parte de los 18,000 habitantes del pueblo
se reunió alrededor de fogatas que instalaron en sus barrios, en sus esquinas,
afuera de sus casas. En esas mismas calles de las que habían sido expulsados por
la complicidad del crimen organizado y el gobierno local. Cherán en p’urhépecha
significa asustar. Los habitantes de este pueblo descubrieron que en esas
fogatas podían no sólo compartir el susto, el miedo, el pánico cada vez que las
alarmas anunciaban que regresaban “los malos”. Ahí, junto a las llamas
protectoras, también compartieron la ira, el café, la dignidad, el té de
nuriten, el mezcal, el amargo y la cena.
En las primeras semanas del movimiento, expulsaron a los talamontes ilegales, a
la policía coludida con el crimen, al presidente municipal y a todos los
partidos políticos. El pueblo entero se organizó en una forma de democracia
innovadora que desde entonces se concentra en la participación directa en unas
150 fogatas instaladas a lo largo y ancho de la comunidad. La Suprema Corte de
Justicia de la Nación aprobó una controversia constitucional que permite a
Cherán regirse por sus usos y costumbres. Eligieron, en voto público, un concejo
mayor formado por 12 notables llamados Keri (grandes). Todos ellos propuestos
primero en sus fogatas, elegidos en sus asambleas de barrio y designados por la
asamblea general. La mayor grandeza de estos Keri es que no son autoridades.
Como lo explican con orgullo los habitantes de Cherán: al interior de la
comunidad “los Keri son sólo representantes; la única autoridad es la asamblea”.
Lo que esto significa de manera práctica es que los Keri sólo pueden ejecutar
las decisiones que se toman en fogatas y asambleas y pueden ser relevados de su
puesto en cualquier momento que la asamblea lo decida. Algo bien distinto a lo
que pasa con el resto de los representantes del país.
Como resultado de esta nueva política, Cherán no participó en las elecciones
federales del 2012 y 2015. El pueblo no se llenó de propaganda ni de las
componendas, sobornos y promesas con las que todos los partidos políticos de
este país operan. En mayo del 2015, Cherán eligió, por usos y costumbres, su
segundo Concejo Mayor. A la distancia de cinco años, la comunidad enfrenta un
sinnúmero de desafíos al interior y de presiones continuas del exterior. Sin
embargo, pase lo que pase, el municipio de Cherán ha dado testimonio de cómo
crear una política muy distinta a la que tiene a este país ahogado en sangre.
No obstante, desde el comienzo del movimiento y hasta la fecha, la mayor parte
de los analistas, estudiosos y políticos han mostrado escepticismo, cuando no
hostilidad y desdén, hacia el proceso que se lleva a cabo en Cherán. Para
muchos, es imposible que una pequeña comunidad p’urhépecha despliegue de manera
duradera una política que desafía los límites establecidos por las instituciones
gubernamentales, los partidos políticos, los medios de comunicación y las
empresas. “Es imposible que Cherán dure”, dijeron muchos hace cinco años. “Es
imposible que Cherán sobreviva”, dicen muchos cinco años después. Es tan
imposible como que 10 mujeres detengan a un doble rodado tripulado por un
comando de criminales armados con AK-47; tan imposible como que los huicholes
detengan el avance de las mineras canadienses en Wirikuta; tan imposible como
que los zapatistas existan desde hace más de 30 años; tan imposible como que la
política signifique algo más que la tragedia con que se gobierna a este país.
Quizá la política, al menos la política como se practica en Cherán, sea justo
eso: una especie de compromiso con la imposibilidad. La política como una suerte
de alfarería de lo imposible; como un telar en el que ―a contrapelo de lo que
nos dictan los partidos políticos, las instituciones y los gobiernos― se teje un
rebozo imposible que atraviesa y cobija a todos los que participan en ella. O
quizás esta política sea como una máquina sin poleas ni engranes en la que se
fabrican palabras imposibles como justicia, verdad, dignidad o comunidad;
palabras que se afirman como posibilidades a partir de los despojos de la
imposibilidad.
Este 15 de abril del 2017 se cumplen 6 años de imposibilidad en Cherán.
Imposible no felicitarlos: Feliz aniversario.
[1] Badiou, Alain, Condiciones. México: Siglo XXI, 2003.
[2] En este texto sigo la misma política para citar entrevistas que la del
proyecto en elaboración Cherán: la invención de lo imposible. A menos que se
aclare explícitamente, los nombres de los entrevistados fueron cambiados, previo
acuerdo con ellos, como una forma de respeto a su seguridad y privacidad.
Publicado el 14 de Abril de 2017 en:
http://rupturacolectiva.com/cheran-keri-la-invencion-de-lo-imposible/
In
KAOSENLARED
http://kaosenlared.net/cheran-keri-la-invencion-de-lo-imposible/
16/4/2017
segunda-feira, 17 de abril de 2017
MANIFESTO DO PCB AOS TRABALHADORES E À JUVENTUDE
PCB
Contra a reforma da previdência, reforma trabalhista, a terceirização e o ajuste
fiscal. Pelo poder popular e o socialismo!
O Brasil vive a mais grave crise de sua história, resultado tanto do fracasso
dos governos do PT e de sua política de aliança com o empresariado e os velhos
políticos tradicionais, bem como do ataque brutal desse governo golpista de
Michel Temer contra os trabalhadores e a juventude. Na verdade, não se trata de
um governo, mas de uma quadrilha encastelada no Planalto, no Parlamento e na
Administração Pública, que rouba descaradamente os cofres públicos e que agora
realiza todo tipo de manobras para se safar da cadeia. O país está há quatros em
recessão profunda, com crescimento médio negativo e um brutal desemprego que
atinge mais de vinte milhões de trabalhadores, considerando os treze milhões a
procura de vagas, somados aos sete milhões que desistiram de procurar emprego. A
essa situação se juntam o caos no sistema de transporte, a degradação da saúde
pública, os baixos salários, a insegurança nas grandes cidades, a crise
financeira dos Estados e a falta de saneamento para amplas faixas da população.
Não bastasse essa situação dramática, o governo ilegítimo de Michel Temer, a
serviço dos patrões, vem realizando um conjunto de medidas antipopulares para
favorecer os bancos, o agronegócio e as grandes empresas em geral. Aprovou no
Parlamento um ajuste fiscal por 20 anos, cujo objetivo é congelar por duas
décadas os gastos públicos, reduzir as verbas para saúde e educação, de forma a
privatizar os hospitais e as escolas públicas, além de cortar os recursos para
as áreas sociais. Os primeiros resultados desses cortes já podem ser sentidos na
crise financeira dos Estados e Municípios, com atraso e parcelamento dos
pagamentos de funcionários e aposentados, fechamento de postos de saúde, redução
da merenda escolar, falta de creches, além da violenta crise nas penitenciárias,
cuja face mais visível são as cenas de barbárie nos presídios de vários Estados.
Na sua escalada para servir aos milionários e poderosos, o governo aprovou a lei
das terceirizações do trabalho, que na prática revoga grande parte da CLT
(Consolidação das Leis do Trabalho), reduzindo direitos, salários e garantias
dos trabalhadores. Com esta lei, as empresas podem terceirizar todas as suas
atividades, o que vai resultar no rebaixamento de salários e na precarização das
condições de trabalho. Além disso, governo quer aprovar ainda uma reforma
trabalhista para acabar de vez com os direitos dos trabalhadores, que foram
conquistados com muita luta na década de 40 do século passado. Essas duas
medidas favorecem o trabalho escravo no campo, retiram os direitos dos
trabalhadores nas cidades, configurando-se assim o mais brutal retrocesso contra
o proletariado brasileiro em toda sua história moderna.
Para completar o ciclo de barbárie, o governo quer aprovar ainda a reforma da
previdência, a partir da qual os trabalhadores só poderão receber o benefício
pleno se trabalharem ao longo de 49 anos. As mulheres e homens terão que
trabalhar até os 65 anos para ter direito à aposentadoria. Num país onde, em
muitos Estados e, especialmente, na área rural, a média de vida é de 65 anos,
isso significa que grande parte da população irá morrer sem poder se aposentar.
A juventude, além de perder a perspectiva da aposentadoria, vai ser prejudicada
também com a reforma do ensino médio, que reduz as disciplinas de ciências
sociais, implanta o obscurantismo e a repressão contra o ensino crítico e
democrático.
Que os ricos paguem pela crise
Na verdade, é importante entender claramente que essas medidas antipopulares têm
como objetivo favorecer os ricos e poderosos às custas dos trabalhadores, da
juventude e do povo pobre dos bairros. As terceirizações vão baratear o preço
da mão de obra, aumentar a rotatividade no trabalho e reduzir salários; a
reforma trabalhista tira nossos direitos e vai acabar com férias, 13º salário, a
licença maternidade, o descanso semanal renumerado e um conjunto de outros
direitos trabalhistas. A reforma da previdência, além de inviabilizar a
aposentadoria dos trabalhadores e da juventude, visa a desmontar e privatizar o
sistema previdenciário e deixar que esses recursos públicos sejam administrados
por bancos e financeiras privados. Esse governo usurpador quer roubar o nosso
futuro para servir aos agiotas nacionais e internacionais, ao grande capital e
ao agronegócio. A crise que o país vive foi provocada pelos patrões e seus
aliados. Portanto, que eles paguem pela crise e não os trabalhadores.
Esse é um governo sem legitimidade, nem popularidade, odiado pela grande maioria
da população, um governo que não foi eleito e por isso mesmo não tem nenhum
respeito para com os trabalhadores e a juventude e que só está se sustentando
porque faz o trabalho sujo para seus patrocinadores, o grande capital, a
oligarquia financeira e o agronegócio. Um governo cheio de corruptos, desde o
presidente, ministros e funcionários da administração governamental, que
transformaram a coisa pública em um balcão de negócios. Governa com um
Parlamento que é uma vergonha nacional, cheio também de corruptos, com mais da
metade envolvidos nas investigações em curso. Alguns deles já foram presos, como
o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Ou seja, governantes desse tipo
deveriam estar na cadeia e não aprovando medidas contra o povo.
Por que tudo isso está acontecendo? Primeiro, porque o sistema capitalista está
em crise no mundo inteiro. A burguesia mundial realiza uma ofensiva contra os
direitos e garantias dos trabalhadores procurando colocar na conta dos
assalariados todo o ônus da crise internacional. O que está ocorrendo atualmente
no Brasil acontece também na maior parte dos países capitalistas. A crise
brasileira também é parte da crise mundial do capital. Mas a crise brasileira
encerra um ciclo que se fechou dramaticamente com o impeachment da presidente
Dilma. Um ciclo que demonstrou o fracasso da política de conciliação de classes
e que também foi pedagógica para todos, pois evidenciou claramente que as
alianças com a burguesia sempre levarão os trabalhadores à derrota.
Por isso, o PT também tem grande responsabilidade nessa crise, pois, ao longo
dos seus 13 anos de governo, se aliou com o grande empresariado e com todos
aqueles políticos corruptos que no passado criticava e não realizou as mudanças
necessárias para reduzir o poder dos milionários e poderosos. Amarelou diante da
luta pelas transformações sociais e foi descartado pelas classes dominantes
quando já não servia mais. Fez muito pouco pelos trabalhadores. Para se ter uma
ideia, os gastos com o Bolsa Família, por exemplo, representam apenas 10% do que
é embolsado pelos bancos e rentistas em geral por conta do pagamento dos juros
da dívida interna. Esses recursos pagos aos rentistas dariam para investir na
produção, retomar o crescimento econômico, ampliar as verbas para saúde e
educação, construir creches nos bairros e mais escolas, hospitais e
universidades públicas. É sempre assim: quem dorme com o inimigo acorda morto,
ou quase.
Só a luta organizada muda a vida
Em outras palavras, estamos à beira de uma catástrofe social que precisa ser
evitada de qualquer maneira. O PCB, com sua longa experiência de luta contra os
patrões e o governo, quer alertar a todos que não adianta ficar acomodado em
casa esperando a fatalidade chegar. Não adiante se fingir de morto como se nada
estivesse acontecendo. A crise atinge a imensa maioria do povo. Se não reagirmos
agora, iremos pagar um preço terrível pela omissão: levaremos uma vida pior do
que a que estamos vivendo atualmente. Nossos filhos e nossos netos terão também
uma vida mais difícil que a nossa, uma vida de pobreza, miséria, baixos
salários, péssimas condições de vida, desemprego, saúde pública privada, onde se
você não tiver dinheiro morre na porta do hospital; ensino também privado, onde
só os ricos e poderosos terão educação de qualidade e poderão cursar uma
universalidade, além de uma juventude marginalizada, sem qualquer futuro,
aliciada pelo banditismo e assassinada diariamente nas periferias.
Esse será nosso destino se não lutarmos. O PCB acredita que somente a
organização e a luta dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre dos bairros
pode reverter essa conjuntura dramática. É necessário generalizar a luta contra
o corte de direitos e garantias dos trabalhadores e da juventude. Chegou a hora
de transformar a grande insatisfação que envolve a maioria da população em luta
concreta e organizada para derrotar esse governo ilegítimo. As lutas que estão
sendo realizadas nas ruas, os protestos nos estádios de futebol, nas
manifestações culturais, as recentes paralisações e manifestações dos dias 15 e
31 de março apontam no sentido de que é fundamental intensificarmos a luta nas
ruas, nos locais de trabalho e estudo, organizar a população nos bairros num
processo de acumulação de forças rumo à greve geral contra todas essas medidas
de arrocho.
As centrais sindicais e os movimentos sociais estão chamando uma greve geral
contra as reformas antipopulares, sob o lema “Dia 28 de abril vamos parar o
Brasil”. É nosso dever trabalharmos ativamente para o sucesso dessa jornada de
lutas, procurando transformar o 28 de abril num marco histórico que irá mudar a
correlação de forças em favor dos interesses populares até a queda desse
governo, a revogação de todas as medidas antipopulares, a colocação dos
corruptos na cadeia e o confisco de seus bens para pagar o que foi roubado dos
cofres públicos. Portanto, cada trabalhador, cada jovem, cada morador dos
bairros, cada dona de casa deve se incorporar a essa luta em cada cidade
brasileira formando os Comitês Populares Contra as Reformas. É importante
pressionar para a realização de assembleias nos sindicatos, reunir os amigos nos
bairros ou nas associações de moradores, realizar debates nos grêmios e centros
acadêmicos, conversar com os vizinhos, explicar as consequências dos ataques que
estão sendo realizados contra os trabalhadores e a juventude e convencer a todos
a participar dessa luta.
Um programa alternativo para o Brasil
Para contribuir com a unidade das forças contra Temer, o PCB propõe um
calendário de reuniões com organizações da esquerda socialista e dos movimentos
sociais, assim como as entidades nacionais da luta sindical e democrática,
dentre outras, visando à articulação de um espaço de lutas mais amplo, para além
dos blocos e frentes da esquerda socialista, pois, diante da gravidade da
situação brasileira, dos ataques contra os trabalhadores, das ameaças às
liberdades democráticas e à soberania nacional, há um vasto campo progressista
que poderá ser atraído para engrossar e fortalecer as lutas anticapitalistas e
contra a barbárie que o governo Temer quer nos impor.
Sabemos pela própria experiência histórica que nem todos os componentes desse
processo de lutas têm os mesmos objetivos. Por isso, é imprescindível que, no
interior do campo unitário, se fortaleça a esquerda socialista e classista
visando a constituir uma frente política permanente, um campo alternativo no
qual os interesses dos trabalhadores não sejam trapaceados por quem quer apenas
canalizar a insatisfação popular das ruas para as eleições em 2018. É
fundamental que, nesse processo de debate e entendimentos, se produzam as
ferramentas para a realização do Encontro Nacional dos Trabalhadores e do
Movimento Popular, com vistas à construção de um projeto alternativo para o país
que se transforme em referência organizativa para a grande insatisfação que hoje
existe na sociedade brasileira. Quanto mais forte esse bloco estiver, maiores
serão as possibilidades para se avançar nas conquistas populares.
O ano de 2017 será decisivo para o futuro do Brasil. Do resultado das lutas que
realizarmos dependerá o futuro próximo do país. Nesse sentido, é preciso varrer
do poder os velhos políticos e seus partidos corruptos. Queremos construir uma
outra sociedade onde as decisões não sejam tomadas nos salões da burguesia, mas
entre os trabalhadores e o movimento popular. Uma sociedade sem exploração, sem
miséria, sem fome, uma sociedade nova onde todos possam ter uma vida digna e
feliz. O PCB conclama os trabalhadores, a juventude e o povo pobre dos bairros
para uma longa jornada de lutas para destruir os podres poderes do decadente
sistema de representatividade eleitoral brasileiro e conquistar um novo governo,
que tenha como norte de ação os interesses populares, na perspectiva de
construção do poder popular e do socialismo.
Todos juntos na greve geral de 28 de abril!
Derrotar a reforma trabalhista e da previdência!
Colocar todos os corruptos na cadeia e confiscar seus bens!
Pelo poder popular e o socialismo!
Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)
In
PCB
https://pcb.org.br/portal2/14083
11/4/2017
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