quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Nassif: quando o Estado resolveu coordenar: JK e o New Deal

  

Dois exemplos históricos: o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e o
New Deal, de Franklin Delano Roosevelt.


Juscelino Kubitscheck e Lúcio Costa - Reprodução

Resumo da notícia ​

O Plano de Metas de JK (1956-1961) coordenou bancos, ministérios e
empresas para acelerar o desenvolvimento do Brasil.
O New Deal nos EUA integrou Estado, sindicatos e empresas, usando obras
públicas e comunicação para legitimar ações.
Hoje, o Brasil tem mais tecnologia e gestores que no passado, com
potencial para um novo Plano de Metas coordenado.


          Resumo gerado por Inteligência artificial

Há momentos raros, na história dos países, em que governos param de
discutir sobre como o Estado deve agir ou não e passam a decidir como
ele vai agir.


 

Aqui, dois exemplos históricos: o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek
e o New Deal, de Franklin Delano Roosevelt.

*Plano de Metas: desenvolvimento por coordenação*


O Plano de Metas (1956-1961) de JK não foi apenas uma lista de
objetivos. Foi um método de articulação política entre órgãos públicos,
empresas privadas, bancos, técnicos e atores internacionais.

O primeiro passo foi juntar estruturas já existentes:

  * *BNDE* (criado em 1952, ainda jovem, mas central)
  * *Banco do Brasil*
  * *SUMOC* (embrião do Banco Central)
  * *Ministérios setoriais*
  * *Empresas estatais* (Petrobras, Eletrobras em gestação)
  * *Empresas privadas nacionais e estrangeiras*
  * *Corpo técnico do ISEB e da Cepal*

Nada foi criado por JK. O que ele fez foi conectar.

*Como funcionava o Estado Orquestrador*

Na partida, havia metas claras e finitas. 31 metas agrupadas em energia,
transporte, alimentação, indústria de base e educação. E um objetivo
explícito: “50 anos em 5”.

O crédito era direcionado. O BNDE financiava projetos aderentes à meta.
E também a infraestrutura necessária, usinas, barragens e redes, já
sabendo antecipadamente quais setores industriais seriam viabilizados
depois.

Havia uma aliança clara Estado-empresa. O Estado entrava com crédito,
proteção cambial e infraestrutura. O setor privado entrava com capital,
tecnologia e execução.

O plano atraiu multinacionais porque havia plano e metas, e não porque
havia discurso liberal.

Ponto central: coordenação política no Centro através da Casa Civil, que
funcionava como núcleo estratégico. Conflitos entre Ministérios eram
resolvidos politicamente.

*O New Deal: o nascimento do Estado coordenador moderno*

Nos Estados Unidos, o New Deal mobilizou as seguintes instituições:

  * Tesouro dos EUA
  * Federal Reserve
  * Governos estaduais e municipais
  * Sindicatos
  * Associações empresariais
  * Universidades
  * Judiciário (mesmo sob tensão)

O desafio maior não foi criar agências, mas fazer o sistema operar em rede.

Os principais mecanismo de articulação:

1. Planejamento com legitimidade social.

Havia conselhos tripartite (Estado, empresas e trabalhadores), pactos
setoriais de salários, preços e produção, e sindicatos como atores
institucionais, não como inimigos.

2. O eixo de integração eram as obras públicas, que geravam emprego,
renda, demanda e conexão social.

Houve também uma regulação financeira coordenada, proibindo que um mesmo
banco fosse, ao mesmo tempo, banco comercial e banco de investimentos. O
sistema financeiro deixou de comandar o Estado, eliminando um dos
grandes fatores para a crise de 1929.

3. Além disso, havia comunicação permanente. Com o /Fireside Chats/,
Roosevelt falava direto com a sociedade e conseguia legitimar decisões
difíceis.

*O Brasil de hoje*

O país, hoje, está semelhante ao Brasil pré-JK. As instituições já
existem, a tecnologia facilita a coordenação e o capital humano é maior. 

A diferença é que possui muito mais condições para um novo Plano de
Metas do que nos tempos de JK. Na época, com exceção da Cemig, não havia
tradição na montagem de projetos. Economistas tiveram que vestir a
camisa de gestores para ajudar nos desenhos do plano.

O número de instituições superiores era pequeno e havia pouquíssimos
cursos técnicos. Havia a Universidade do Brasil (atual UFRJ) formando
engenheiros, médicos, economistas e advogados. Também a Universidade de
São Paulo, como polo de ciência aplicada, engenharia, física, química e
economia. E escolas de engenharia tradicionais, como a Politécnica da
USP, a Escola de Minas de Ouro Preto e a Escola Nacional de Engenharia
(RJ). O CNPq tinha poucos anos de vida, assim como o CAPES.

Hoje há forte mais que suficiente de gestores, pesquisadores e técnicos
para um novo Plano de Metas.

Em
Jornal GGN
https://jornalggn.com.br/coluna-economica/nassif-quando-o-estado-resolveu-coordenar-jk-e-o-new-deal/
28/1/2026

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