segunda-feira, 5 de julho de 2021

*A História das Invenções Chinesas. O Presente e o Futuro. As Inovações Recentes do Desenvolvimento Tecnológico Chinês*



Por *Larry Romanoff*

/A China, como nação, tem o mais longo e, de longe, o mais vasto registo
de invenções na História Mundial. Estima-se agora de forma fiável que
mais de 60% de todo o conhecimento existente no mundo actual teve origem
na China, um facto varrido para debaixo do tapete pelo Ocidente./

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*Joseph Needham*, um Bioquímico britânico, Historiador Científico e
Professor na Universidade de Cambridge, é amplamente classificado como
um dos intelectuais mais destacados do século XX. Os estudantes chineses
de visita a Cambridge informaram-no, repetidamente, de que os métodos e
as descobertas  científicas ocidentais discutidos nas suas aulas
tiveram,há séculos, origem na China. Needham ficou tão intrigado que se
tornou totalmente fluente na língua chinesa, tendo depois viajado para a
China a fim de  investigar. Descobriu inúmeras provas da verdade dessas
alegações e decidiu permanecer na China para escrever um livro a fim de
documentar o que considerava ser uma descoberta de grande importância
para o mundo. Needham nunca completou a sua tarefa de catalogar a
História da invenção chinesa. O seu único livro tornou-se em 26 livros e
morreu em 1995, com o seu trabalho ainda hoje a ser continuado pelos
seus alunos. O resumo da obra de Needham, elaborado por Robert
Temple,  é uma boa introdução a este tópico. *(1)*

Ensinaram-nos na escola que a prensa de impressão de caracteres
tipográficos móveis foi inventada na Alemanha por *Johannes
Gutenberg* por volta do ano 1550. De maneira nenhuma. A China não só
inventou o papel, como também a prensa de impressão com um conjunto de
tipos gráficos móveis, que era de uso comum na China 1.000 anos antes do
nascimente de Gutenberg. Foi-nos igualmente explicado, de forma precisa,
que o inglês *James Watt* inventou a máquina a vapor. Não, não inventou.
Os motores a vapor eram utilizados largamente, na China, 600 anos antes
do nascimento de *Watt*. Existem textos e desenhos antigos datados para
ilustrar e provar que os chineses descobriram e documentaram o
"*/Triângulo de Pascal/*", 600 anos antes de Pascal o copiar, e os
chineses enunciaram a */Primeira Lei do Movimento, /*/de Newton/, 2.000
anos antes de *Newton*.

Aplica-se o mesmo a milhares de invenções que o Ocidente afirma agora
como sendo suas, mas onde existe documentação conclusiva para provar que
tiveram origem na China centenas e, por vezes, milhares de anos antes do
Ocidente as ter copiado. Não é sem razão que *Marco Polo* é descrito na
China como "/o grande ladrão da Europa/". Os parágrafos seguintes são
adaptados principalmente a partir da informação contida no livro
de* Robert Temple*, que recomendo vivamente. *(1)*

Os chineses inventaram o sistema de número decimal, fracções decimais,
números negativos e o zero, tão longe no passado, que a origem se perde
na névoa do tempo. Os chineses rastrearam manchas solares e cometas com
tal pormenor e precisão que estes registos antigos ainda hoje são
utilizados como base para a sua previsão e observação. Os chineses
perfuravam o solo para obter gás natural há cerca de 2.500 anos, poços
com 4.800 pés de profundidade, com condutas de bambu para conduzir o gás
às cidades vizinhas. Os chineses foram pioneiros na exploração e
utilização do carvão muito antes de este ser conhecido no
Ocidente. *Marco Polo* e os comerciantes árabes maravilharam-se com a
"/pedra negra/" que os chineses extraíam do solo, que ardia lentamente
durante uma noite inteira.   

A China imprimiu papel-moeda desde há quase 1.500 anos, feito de forma a
evitar a contrafacção. Papel de embrulho, guardanapos de papel e papel
higiénico eram todos de uso geral na China 2.000 anos antes de o
Ocidente os poder produzir. Foram os primeiros a inventar e a
desenvolver um relógio mecânico completo com uma verdadeira peça de
sincronização, muitos séculos antes dos suíços o terem feito. Os
chineses inventaram um sismógrafo engenhoso ainda em uso, que determina
não só a gravidade como também a direcção e distância dos terramotos. Os
chineses inventaram os balões de ar quente, o pára-quedas, o voo
tripulado com papagaios, o carrinho de mão e os fósforos. Inventaram
laboratórios hermeticamente selados para experiências científicas.
Inventaram os accionamentos por correia e corrente, o vapor de rodas de
pás, o rotor e a hélice do helicóptero, a ponte sustentada por arcos.
Inventaram a utilização de bombas de água e correntes, a manivela, todos
os métodos de construção de pontes suspensas, pinças deslizantes, o
carretel de pesca, projecção de imagens, lanternas mágicas, o sistema de
suspensão por cardan. A China não só inventou as rodas giratórias, as
máquinas de cardar e os teares, como foi o líder mundial em inovações
técnicas no fabrico de têxteis, mais de 700 anos antes da revolução
têxtil britânica do século XVIII.

A perícia chinesa em porcelana fina estava tão avançada há milénios, que
ainda hoje se admite que a sua capacidade nunca foi igualada no
Ocidente, muito menos ultrapassada. Os chineses descobriram não só o
magnetismo, mas também a remanência magnética e a indução, bem como a
bússola. Inventaram a pólvora, as bombas de fumo, o canhão, a besta, a
armadura corporal revestida, os fogos de artifício, os lança-chamas, as
granadas, as minas terrestres e marítimas, os foguetes multi-estágio, os
morteiros e as armas de repetição. A China tinha canais de irrigação que
também eram utilizados para o transporte, e os chineses inventaram as
comportas dos canais, que podiam elevar e baixar os barcos para
diferentes níveis, 1.500 anos antes dos americanos construírem o Canal
do Panamá. A China tem actualmente em funcionamento barragens à prova de
terramotos que foram construídas por volta de 250 a.C.

*Há um milénio, os chineses conceberam e desenvolveram a ciência da
imunologia - vacinar as pessoas contra doenças como a varíola, saber
extrair e preparar a vacina de modo a imunizar e não infectar.
Descobriram o ritmo circadiano no corpo humano, a circulação sanguínea e
a ciência da endocrinologia.* Os chineses utilizavam a urina de mulheres
grávidas para produzir hormonas sexuais há 2.000 anos, compreendendo
como actuavam sobre o corpo e como as utilizavam. Ainda existem muitos
livros médicos chineses com muitos séculos de existência, documentando
tudo isto e muito mais. Por volta de 1550, a China compilou uma enorme
enciclopédia de 52 volumes de Medicina Tradicional Chinesa à base de
ervas que descreveu quase 2.000 fontes de ervas e 10.000 receitas
médicas. Entre elas está o óleo de chaulmoogra, que é ainda o único
tratamento conhecido para a lepra.

A China concebeu e construiu os maiores navios comerciais do mundo, que
eram muitas vezes mais longos e dez vezes maiores em volume, do que
qualquer coisa que o Ocidente pudesse construir na altura. Nos finais
dos anos 1500, os maiores navios ingleses deslocavam 400 toneladas,
enquanto a China deslocava mais de 3.000 toneladas. Os navios do
Ocidente eram pequenos, incontroláveis e frágeis e inúteis para viajar a
qualquer distância. Milhares de anos atrás, os navios chineses tinham
compartimentos estanques que lhes permitiam continuar as viagens mesmo
quando danificados. Além disso, os navios chineses não só tinham
múltiplos mastros, mas a China também inventou as velas de luff que nos
permitem navegar quase contra o vento, tal como os veleiros fazem hoje
em dia e, por isso, não estavam dependentes da direcção do vento para as
suas viagens. As suas velas de insuflação continham ripas de bambu
cosidas que mantinham as velas cheias e aerodinamicamente eficientes,
como os veleiros de regata utilizam hoje em dia. Os chineses inventaram
o leme do navio - algo que os europeus nunca conseguiram fazer, capazes
de se orientarem apenas com remos, e as velas europeias permitiam-lhes
viajar apenas na direcção do vento, o que significava que um navio teria
de permanecer no lugar, por vezes durante meses, à espera de vento
favorável.

Por ordem de grandeza, os mapas chineses eram os melhores do mundo,
durante mais de um milénio e a precisão dos seus mapas tornou-se
lendária, estando muito à frente do Ocidente. Os chineses inventaram as
projecções de Mercator {projecção cilíndrica do globo terrestre}, mapas
em relevo, cartografia quantitativa e traçados de grelha. A China tinha
bússolas e conhecimentos astronómicos tão extensos que sabiam sempre
onde estavam, podiam traçar percursos e segui-los tanto por bússolas
como por cartas estelares e podiam navegar para onde quisessem,
independentemente da direcção do vento. Como *Needham* salientou, a
China estava tão à frente do mundo ocidental em navegação e tecnologia
de navegação, que as comparações são mesmo embaraçosas. Foi só quando o
Ocidente conseguiu copiar e roubar a tecnologia de navegação e o modo de
navegação da China, que pôde começar a viajar pelo mundo e a
colonizá-lo. J*ames Petras* escreveu: "/É especialmente importante
salientar como a China, a potência tecnológica mundial entre 1100 e
1800, tornou possível o surgimento do Ocidente. Foi só quando adquiriu
por empréstimo e assimilou as inovações chinesas que o Ocidente foi
capaz de fazer a mudança para as economias capitalistas e imperialistas
modernas/".  (2)

*A China estava 1.000 anos à frente do Ocidente em tudo o que tenha a
ver com metais - ferro fundido, ferro forjado, aço, aço-carbono, aço
temperado, aço soldado.* Os chineses eram tão hábeis na metalurgia que
podiam fundir sinos afinados que podiam produzir qualquer tom. Muito
antes de 1.000 d.C., a China era o maior produtor mundial de aço. Creio
que foi James Petras quem notou que, cerca de 1.000 A.C. (antes de
Cristo) a China produzia cerca de 125.000 toneladas de aço por ano,
enquanto 800 anos mais tarde a Grã-Bretanha só conseguia produzir 75.000
toneladas. *(**1**) *Os chineses inventaram o alto-forno, o fole de
dupla acção para atingir as altas temperaturas necessárias para a
fundição e o recozimento de metais. Inventaram o fabrico de aço a partir
de ferro fundido. Os chineses destacaram-se na criação de ligas
metálicas e muito cedo fundiram e forjaram moedas feitas de cobre,
níquel e zinco. Todo o processo de extracção, fundição e purificação do
zinco, teve origem na China. Os chineses desenvolveram os processos de
mineração, bem como a concentração e extracção de metais.

*A China estava muito avançada na agricultura, tendo inventado o
ventilador de neve e a broca da semente, tornando fácil o processo de
lavoura, plantação e colheita. Os Europeus e os americanos continuavam a
semear as culturas através da dispersão de grãos de um saco, uma prática
muito esbanjadora que necessitava de poupar 50% da colheita anual de
sementes.* A China desenvolveu arados cientificamente eficientes que
nunca foram igualados e que ainda hoje são utilizados em todo o mundo.
Inventaram e desenvolveram arreios e coleiras de animais que permitiram
primeiro que os cavalos fossem realmente utilizados para puxar cargas. A
Europa não tinha um arado eficiente, e a sua única forma de aproveitar
os animais era colocar uma corda à volta do pescoço, o que só conseguiu
que os animais se estrangulassem a si próprios. Os chineses inventaram
as selas e o estribo de montar. A produção alimentar da China, por ordem
de grandeza, esteve à frente do mundo durante mais de 1.000 anos, os
seus avanços na agricultura foram a causa facilitadora da revolução
agrícola da Europa, que primeiro lhe permitiram começar a alimentar-se
de maneira mais adequada. Os chineses vestiam roupas finas de seda e
algodão e usavam papel higiénico enquanto os europeus, séculos mais
tarde,  ainda usavam peles de animais.

Poucas pessoas no Ocidente estão familiarizadas com as *Esferas
Armilares* da China. Estas maravilhas do mundo, fundidas em bronze, com
vários metros de diâmetro e belamente decoradas com dragões e fénixes,
são alguns dos mais antigos e precisos instrumentos de observação
astronómica existentes, alguns criados há mais de 3.500 anos, quando os
países ocidentais não tinham conhecimento de tais coisas. Eles
determinam e medem as posições e coordenadas eclípticas e horizontais
equatoriais dos corpos celestes, as posições e movimentos diários de
1.500 estrelas e constelações e muito mais. Quando as Forças Armadas
Ocidentais invadiram a China no final do século XIX, ficaram tão
fascinadas que pilharam a maioria destes tesouros e os séculos de dados
dos antigos observatórios, desmontando os instrumentos e removendo-os
para a Europa, devolvendo alguns à China como parte dos Tratados após a
Primeira Guerra Mundial.

Conhecer a vasta extensão das invenções chinesas que existiram centenas
de anos e muitas vezes milénios, antes do seu aparecimento no Ocidente,
deixa um indivíduo sem palavras. *Needham* publicou não só textos
chineses antigos que podem ser datados com precisão, mas também
fotografias de desenhos antigos que retratam claramente todos estes
artigos. Não é uma simples questão de pólvora e fogo-de-artifício, mas
de descoberta que engloba toda o encadeamento do conhecimento humano e
tudo isto foi conscientemente escondido do mundo
ocidental. *Needham* fez as suas descobertas na década de 1940, mas nem
a educação ocidental nem os meios de comunicação social as referenciaram
ou  reconheceram. Não se trata de meras reivindicações; as provas são
conclusivas e estão disponíveis para exame, mas o Ocidente apagou
completamente a China da memória histórica do mundo.


    *Mito e Deturpação*

Os historiadores ocidentais têm distorcido e ignorado o papel dominante
da China na economia mundial até cerca de 1800. Existe uma enorme
quantidade de dados empíricos que provam a superioridde económica
civilização e tecnológica da China sobre a civilização ocidental durante
a maior parte de vários milénios. *Dado que a China foi a maior potência
tecnológica do mundo até cerca de 1800*, é especialmente importante
salientar que foi esta circunstância que tornou possível o surgimento do
Ocidente. Foi só ao copiar e ao assimilar as inovações chinesas e a
tecnologia muito mais avançada da China, que o Ocidente foi capaz de
fazer a transição para as economias capitalistas e imperialistas
modernas. Até então, a China era a principal nação comercial, alcançando
a maior parte do Sul da Ásia, África, Médio Oriente e Europa. As
inovações da China na produção de papel, impressão de livros, armas de
fogo e ferramentas conduziram a uma superpotência industrial cujos bens
eram transportados pelo mundo inteiro através do sistema de navegação
mais avançado. Além disso, a banca, uma economia estável de papel-moeda,
um excelente fabrico e elevados rendimentos agrícolas resultaram* num
rendimento per capita da China, superior ao da Grã-Bretanha, até cerca
de 1800.*

Não só isto, mas, como *James Petras* salientou, "... /a maioria dos
historiadores económicos ocidentais apresentaram a China histórica como
uma sociedade estagnada, atrasada e paroquial, um "despotismo
oriental""/. A China nunca foi assim. Durante o século XIII, Marco Polo
descreveu a China como sendo enormemente mais rica e avançada do que
qualquer país europeu, e filósofos europeus líderes como Voltaire
olharam para a sociedade chinesa como um exemplo intelectual,
nomeadamente os britânicos, utilizando a China como o modelo para
estabelecer um serviço público meritocrático. *(3)*

Um primeiro pensamento ao rever esta investigação é que o mundo, há 500
anos, deve ter parecido muito primitivo para a China,  o verdadeiro
"terceiro mundo", na altura. Quando Zhang He e outros realizaram as suas
viagens de exploração, devem ter ficado desapontados com o que
encontraram. O resto do mundo não tinha papel ou impressão, nem
matemática, nem ciência, pouca medicina de nota, quase nenhuma
metalurgia para falar, uma agricultura muito primitiva, nenhum fabrico
de qualquer tipo digno, nenhuma porcelana, nenhuma roda de fiar ou
teares para fazer roupa. Ao rever a história das invenções chinesas,
desenvolve-se um sentimento cada vez mais forte de que os chineses
olharam para o mundo e não encontraram nada de interessante em todas
aquelas sociedades que estavam séculos, e em alguns casos milénios,
atrasadas em relação à China, em quase todos os sentidos. Pode-se
teorizar facilmente que esta é a razão pela qual a China se fechou ao
mundo naquela época, concluindo que as outras nações eram tão atrasadas
que pouco se ganharia com um contacto prolongado. Pode-se imaginar que
voltaram para casa e fecharam a porta, talvez planeando regressar dentro
de mais 500 anos para ver se as coisas tinham progredido. Com o
acréscimo de pormenores, é muito provável que tenha sido assim que os
acontecimentos ocorreram.

O que a China não esperava, era que o Ocidente roubasse todas estas
ideias, transformando-as em armas de colonização e de guerra,
regressando à nação que era a fonte desse conhecimento, invadindo-a para
colonizar, roubar recursos, escravizar e massacrar a população. O
interesse da China foi sempre e somente,  a exploração e o comércio. Os
chineses nunca foram expansionistas ou guerreiros, querendo apenas
proteger as suas próprias fronteiras da invasão do Norte. A China não
estava preparada para a natureza violenta e brutalidade selvagem do
homem branco que navegou pelo mundo, invocando a bênção do seu Deus
sobre as suas inúmeras atrocidades. Juntamente com um governo interno
fraco *e a sagacidade dos judeus de Bagdad na utilização do ópio para
arrecadar biliões*, enquanto escravizavam uma nação com a protecção dos
militares britânicos, temos uma grave oscilação descendente durante 200
anos.


    *Duas Grandes Tragédias Históricas*

O resumo acima não começa sequer a catalogar adequadamente toda a
extensão da invenção chinesa, toda a soma de descobertas e contribuições
da China para o mundo moderno. Mas infelizmente, grande parte da soma
total dos conhecimentos e da História das Invenções da China está
perdida para o mundo, para sempre. *Uma grande parte do conhecimento
registado da História da China foi destruída num dos maiores actos de
genocídio cultural da História do mundo - o saque e o incêndio do
Palácio de Verão da China, o Yuanmingyuan, que continha mais de dez
milhões dados melhores e mais valiosos tesouros históricos e obras
académicas de 5.000 anos de História da China*. O que não podia ser
saqueado foi destruído, e todo o enorme palácio foi incendiado. Este
roubo e destruição total de uma das maiores colecções de conhecimento
histórico do mundo foi engendrado pelos Rothschilds e Sassoons em
retaliação à resistência chinesa ao ópio levado por deles. *(4) **(5)*

*Isto é um aparte, mas a destruição do Yuanmingyuan foi feita pela mesma
razão que os Aliados bombardearam Dresden até ficar tudo reduzido a
escombros, durante a Segunda Guerra Mundial.* Dresden não tinha valor
militar mas era o coração espiritual e cultural da Alemanha, a sua
destruição significou "/abrir uma ferida na alma alemã que nunca iria
sarar/". Precisamente pela mesma razão, o "/estado profundo/" americano
estava selvaticamente determinado a lançar a primeira bomba atómica
sobre Quioto, que era também o coração e a alma da cultura japonesa.
Quioto foi protegida pela Providência, com densas acumulações de nuvens
que impediram os bombardeiros de a localizar com precisão suficiente,
forçando-os a bombardear as cidades alternativas - Hiroshima e Nagasaki.

Mas em termos de destruição do espólio literário registado da cultura e
das invenções, houve talvez um crime ainda maior contra a História do
Conhecimento chinês - *a destruição da biblioteca e do Yongle Dadian na
Academia de Hanlin*. (6) Essa enciclopédia de 22.000 volumes escritos
por mais de 2.000 estudiosos ao longo de muitos anos, continha grande
parte do total de 5.000 anos do conhecimento, das invenções e do
pensamento chineses. Os britânicos levaram todos esses livros para o
exterior, deitaram-lhes combustível e reduziram toda a colecção a
cinzas. Só Deus sabe o que se perdeu nesta trágica destruição,* ordenada
pelos mesmos traficantes de droga como castigo por recusarem o ópio*,
destinado a quebrar a vontade da China ao atacar o próprio coração da
cultura da nação na destruição gratuita de algo de tão inestimável valor
que deixaria uma ferida aberta que nunca cicatrizaria. *Apenas cerca de
150 volumes sobreviveram à incineração, 40 dos quais residem hoje na
Biblioteca do Congresso dos EUA, que não tem qualquer intenção de os
devolver à China.*


    *O Darwinismo no seu Melhor*

Os ocidentais de hoje justificam a sua apropriação não reconhecida do
conhecimento chinês e as reivindicações subsequentes de propriedade,
alegando que os chineses inventaram essas coisas, mas nunca as
desenvolveram ou capitalizaram, mas a reivindicação é um disparate
inválido, uma vez que a minha invenção é minha, quer eu opte ou não, por
desenvolvê-la. A reivindicação também não é verdadeira.

Quando os chineses inventaram o papel e a impressão, os livros
espalharam-se por toda a China, tal como com a tecelagem de tecidos e o
desenvolvimento de têxteis. A China empregou as suas invenções de forma
ilimitada em benefício da sociedade chinesa. O que eles não fizeram foi
registar patentes, converter tudo em propriedade privada e transferir o
seu engenho de benefício social para o lucro privado. As críticas à
utilização pela China das suas invenções não são atribuídas à falta de
aplicação, mas à ausência de comercialização, estas justificações
ocidentais implicam que qualquer nação que não se esforce imediatamente
por maximizar o lucro das suas descobertas, é moralmente negligente,
sendo então justificado o roubo dessas descobertas por aqueles que as
utilizariam de forma mais adequada. É como o assaltante do banco que se
apodera dum fundamento moral elevado, alegando que utilizava melhor o
dinheiro do que o banco o teria feito.

Não foi nem uma falha de carácter nem um defeito de comportamento, ter
renunciado à comercialização privada,mas sim um reflexo da natureza
pluralista e socialista do povo chinês, a mesma razão pela qual ainda
hoje as leis e os regulamentos de Patentes e da Propriedade Intelectual
da China são muito menos agressivos do que os dos EUA. Em termos
simples, a China nunca foi tão capitalista ou tão individualista como o
Ocidente. Faz parte da grandeza da nação chinesa que esta imensa
população se tenha envolvido em milénios de investigações, descobertas e
invenções espantosas e tenha distribuido livremente esses frutos por
toda a nação. Esta determinação na procura do bem maior e do benefício
de toda a sociedade, em vez do lucro individual, é fundamental para a
humanidade natural do povo chinês, e não se pode permitir que seja
destruída pelo modelo sociopata ocidental, tão vigorosamente promovido
hoje em dia, com base numa superioridade moral fictícia.

O Ocidente opta por ignorar o facto de que o hiato de 200 anos na
inovação da China se deveu, quase exclusivamente, às invasões militares,
quando o Ocidente estava a devastar e a destruir a nação. O
desenvolvimento, o progresso social e as invenções da China só cessaram
com as invasões tanto dos americanos como dos europeus e, muito
especialmente, com o vasto programa de tráfico de ópio dos judeus na China.

Talvez de interesse mais directo é que o atraso da China na tecnologia
actual é, sobretudo, um infeliz acidente do destino que ocorreu durante
um breve espaço de tempo. Depois de Mao ter expulsado todos os
estrangeiros e da China se ter livrado dos efeitos de 200 anos de
interferência e de pilhagem estrangeira, para iniciar a transição para
uma economia industrializada, foi precisamente quando explodiu o mundo
da electrónica e da comunicação. Foi durante esse breve período de
algumas décadas que os computadores, a Internet, os telemóveis e muito
mais, foram concebidos e patenteados pelo Ocidente. Praticamente todo o
processo passou pela China, porque durante esse breve período a nação
estava totalmente envolvida nos fundamentos da sua revolução económica e
social, e não estava em posição de participar. A falta de patentes e de
PI (Propriedade Intelectual) da China no campo da electrónica, nos dias
de hoje, não se deve nem à superioridade ocidental nem à falta de
inovação chinesa, mas sim à agressão ocidental. A acumulação de patentes
americanas e europeias não se deveu de forma alguma à supremacia
ocidental na inovação, mas sim à ausência dos chineses.


    *O Presente e o Futuro*

* *A capacidade de invenção da China ainda não terminou. Com a China a
recuperar e, uma vez mais, a ocupar o lugar que lhe é devido no mundo,
ela continua onde parou há 200 anos. Ignorando o retrocesso histórico,
as empresas chinesas estão simplesmente a contornar as fases iniciais da
inovação por parte de empresas estrangeiras e a avançar para as fases
seguintes em que o campo está aberto e as patentes estrangeiras não
impediram a inovação e o desenvolvimento.

Se examinarmos os campos em que a China está hoje atrasada em termos de
patentes e de Propriedade Intelectual, é principalmente nas áreas da
ciência que progrediram durante esse breve período em que a China não
pôde participar. Assim que a China encontrou a sua base, a inovação
continuou inalterada como tinha acontecido durante milhares de anos. A
China falhou as patentes de computadores e smartphones, mas estava
perfeitamente cronometrada para a revolução dos painéis solares e surgiu
rapidamente  como líder mundial - altura em que os EUA impuseram tarifas
de 300% sobre os painéis solares chineses numa tentativa não só de matar
as vendas de exportação da China, mas de impedir a acumulação de fundos
para mais Investigação e Desenvolvimento.  A inovação da China disparou
- de um modo geral para a liderança mundial - em qualquer área que não
tenha sido previamente restringida pela Propriedade Intelectual.

Apesar das acusações dos EUA de que a China copia a tecnologia
estrangeira, as conquistas da China em matéria de alta tecnologia foram
inteiramente desenvolvidas no seu país, porque os EUA têm estado tão
determinados a impedir a ascensão da China, que, em 1950, criaram um
embargo internacional a todo o conhecimento científico e a quase todos
os produtos e processos úteis à China, incluindo a promulgação de leis
para que os cientistas chineses não possam ser convidados para fóruns
científicos americanos, ou a participar nos mesmos, enquanto estão a
coagir outras nações ocidentais a fazer o mesmo. Em Outubro de 2019 -
longe de ter sido a primeira vez que tal aconteceu - foi negado
o /visa/ a todos os cientistas chineses e empresas de tecnologia
espacial que pretendiam participar no Congresso Internacional de
Astronáutica, em Washington.

Ouvimos falar muito nos meios de comunicação ocidentais sobre a China
exigir transferências de tecnologia como condição de residência de
empresas na China, mas é sobretudo propaganda. Sem dúvida que ocorrem
expectativas de transferência de tecnologia e de know-how, uma vez que a
China não quer passar o resto da sua vida a fazer torradeiras e
sapatilhas de corrida mas, visto que a entrada no mercado chinês
representa um presente de biliões em lucros, é perfeitamente sensato
atribuir-lhe um preço. Contudo, é preciso ter em mente que nenhuma
empresa estrangeira está a realizar investigação comercial ou militar de
tecnologia de ponta, ou a fabricar computadores quânticos e mísseis
hipersónicos na China. Qualquer tecnologia realmente disponível para
transferência seria quase inteiramente de bens de consumo e dificilmente
constituiria uma mais valia ou uma ameaça à "segurança nacional" dos
EUA. E, a China já ultrapassou os EUA, em praticamente todos os campos e
indústrias de ponta, tais como a computação quântica, as
telecomunicações 5-G ou a energia solar.


    *Uma Breve Lista da Inovação Chinesa Recente*

Em 2015, os engenheiros chineses anunciaram a primeira rede mundial de
comunicações quânticas, um sistema de 2.000 quilómetros que liga Pequim
e Shanghai com transmissão de dados codificados através da distribuição
de chaves quânticas. Em Agosto de 2016, a China lançou o primeiro
satélite de comunicações quânticas do mundo, e conseguiu testar a
comunicação com as estações terrestres existentes no país. Em Setembro
de 2016, cientistas chineses conseguiram o primeiro teletransporte
quântico do mundo entre fontes independentes, fornecendo informação
quântica cifrada em fótons, entre dois locais.

Em 2014, investigadores da Universidade Nankai, em Tianjin,
desenvolveram um carro com uma unidade de controlo cerebral funcional,
com sensores que captam sinais cerebrais que permitem aos humanos
controlar o automóvel com as suas mentes. Em 2016, a China lançou um
laboratório espacial totalmente operacional para realizar as primeiras
experiências de interacção cérebro-máquina no espaço. Os cientistas
chineses acreditam que a interacção cérebro-computador será
eventualmente a forma mais elevada de comunicação homem-máquina, tendo
desenvolvido este processo muito mais longe do que qualquer nação
ocidental e detendo quase 100 patentes.

Em 2015, estudantes do ensino secundário de Tianjin ganharam uma medalha
de ouro internacional pela criação de uma bateria biológica microbiana.
Tais tentativas no passado falharam devido ao fraco desempenho e
utilidade limitada, mas estes estudantes conceberam a ideia de combinar
vários tipos de bactérias numa única célula de energia biológica, tendo
cada bactéria responsabilidades especializadas com base nas suas
próprias funções únicas. A sua minúscula célula multi-bacteriana atingiu
mais de 520 mV, e durou mais de 80 horas. Em escala, essa bateria
biológica era capaz de gerar tanta energia como uma bateria de lítio,
com uma vida útil muito mais longa e sem produzir poluição. Estes
inventores são apenas, jovens estudantes chineses, alunos do liceu.

Em 2015 os cientistas chineses conseguiram modificar um embrião humano
para permitir que as mudanças persistissem através das gerações futuras,
algo que nunca tinha sido conseguido antes, alterar o ADN humano pela
remoção de genes perigosos ou indesejáveis das gerações futuras. Os
investigadores chineses estão a desenvolver a tecnologia e os processos
para tornar a pele impressa em 3D uma realidade, pele feita à medida
para pacientes queimados, impressa de acordo com as suas feridas. O país
lidera o mundo da tecnologia da tomografia computurizada, no mapeamento
e sintetização de ADN e em muitos campos médicos, como a cirurgia ocular
a laser e os transplantes da  córnea./ /

/*Um TAC ou tomografia computorizada (anteriormente conhecida como
tomografia axial computorizada ou TAC) é uma técnica de imagiologia
médica utilizada em radiologia para obter imagens detalhadas do corpo de
forma não invasiva para fins de diagnóstico. Os funcionários que efectum
tomografias computorizadas são denominados radiologistas ou técnicos de
radiologia[2]/

Em Maio de 2019, um inovador chinês lançou um chip de IA (/Inteligência
Artificial/) revolucionário,com a potência computacional de oito
servidores *NVIDIA P4*, mas cinco vezes mais rápido, com metade do
tamanho e 20% do consumo de energia, custando 50% menos a fabricar. A
Universidade Fudan de Shanghai desenvolveu um transistor baseado em
sulfureto molibdico bidimensional, o que significa que a computação e o
armazenamento de dados acontecem em conjunto numa única célula, talvez
eliminando os chips baseados em silício que estão no seu limite. A *DJI
Technology*, fundada por um estudante universitário chinês, somente em
alguns anos, tornou-se no líder do mercado global de pequenos drones de
consumo, e já atrai sanções americanas por ter demasiado sucesso numa
área que os EUA querem controlar. O país produz quase 40% dos robots do
mundo, com tecnologias de núcleo amplamente melhoradas e é  líder
mundial em tecnologia 5-G.

*Os engenheiros chineses criaram um supercomputador sete vezes mais
rápido do que a instalação americana Oak Ridge*, o primeiro no mundo a
atingir velocidades superiores a *100 PetaFlops*, alimentado por um CPU
multi-core desenvolvido pela China e software chinês, enquanto afastam
os EUA com o maior número de supercomputadores entre os 500 melhores.
Após a revelação do supercomputador super-rápido da China, as
autoridades informaram que a NSA tinha lançado centenas de milhares de
ataques de hacking, procurando roubar a tecnologia dos novos
microprocessadores da China.

Os conhecimentos de engenharia dos megaprojectos da China já são
lendários, com as pontes marítimas mais longas, os túneis mais longos,
os maiores portos de águas profundas. A China construiu a maior e mais
longa ponte de vidro do mundo em Zhangjiajie, pendurada entre dois
penhascos íngremes a 300 metros acima do solo, e que estabeleceu 10
recordes mundiais no que diz respeito à sua concepção e construção.
A *Barragem das Três Gargantas* é a maior do mundo, com fechaduras de
navios de 5 níveis que podem conter os maiores navios do mundo, e também
um desvio para navios mais pequenos que é o maior e mais sofisticado do
mundo. A China formulou planos para construir um *colisor de electrões*,
quatro vezes mais longo (100 Kms) e operando a mais de sete vezes a
capacidade energética do *CERN* europeu. Em 2015, cientistas chineses
completaram o radiotelescópio de 500 metros, de longe o maior do mundo,
dez vezes  superior à área da instalação americana em Porto Rico.

Em 2014, arquitectos em Amesterdão começaram a trabalhar no que viria a
ser a primeira casa totalmente impressa em 3D do mundo, um
empreendimento dispendioso que exigia três anos. Exactamente na mesma
altura, em Shanghai, uma empresa chinesa concluiu dez casas impressas em
3D em menos de um dia, a um custo inferior a 5.000 dólares cada,
utilizando como "tinta", materiais de construção reciclados e sucata
industrial. Vi estas casas; estruturas grandes, elegantes, de vários
andares, de estilo europeu, e tão resistentes *que conseguem resistir a
terramotos até ao nível 8 na escala de Richter.*

Conhecemos os fabulosos comboios de alta velocidade da China, mas poucos
fora da China estão conscientes da elevada qualidade da rede HSR,
construída segundo os mais altos padrões do mundo moderno, incluindo a
estabilidade. Quando viajo de comboio, por vezes coloco uma moeda na
beira do parapeito da janela e tenho um vídeo da moeda mantendo-se
estável durante quatro ou cinco minutos antes de, finalmente, cair - e
isto a 300 Kms por hora. Shanghai tem um comboio Maglev de alta
velocidade (430 Kms/hr), enquanto muitas cidades têm Maglevs de baixa
velocidade (200 Kms/hr), e os engenheiros chineses estão preparados para
produzir comercialmente um Maglev de 600 Km/hr. O mesmo ritmo de
desenvolvimento é válido para os sistemas urbanos de metro do país.
Perdi a fonte destes números, mas a cidade de Londres precisou de 147
anos para construir 408 Kms. de linhas de metro, a cidade de Nova Iorque
106 anos para 370 Kms., Paris 110 anos para 215 Kms, enquanto Shanghai
precisou apenas de 20 anos para construir 500 Kms.

Escapou-me mencionar que estas realizações não foram repentinas. Foram
desenvolvidas a partir de um plano deliberado de execução durante 30
anos, embora só recentemente muitos destes esforços estejam a dar
frutos. Mais importante ainda, a China conseguiu concretizá-lo a partir
de uma base industrial de terceiro mundo, durante um embargo ocidental
total à transferência de tecnologia. *Os cientistas
chineses desenvolveram centrais de energia nuclear, colocaram homens no
espaço, fotografaram toda a superfície da lua, construíram uma estação
espacial, conceberam e lançaram um sistema GPS privado.* Temos
submarinos chineses projectados e construídos no mar alto e o país está
a desenvolver rapidamente a sua própria indústria aeronáutica.
Actualmente, a invenção e a inovação só podem aumentar devido à base
científica e tecnológica muito mais avançada, às despesas de educação a
aumentar quase 10% ao ano e aos gastos muito elevados com a Pesquisa e
com o Desenvolvimento.


    *Uma Nota para Finalizar*

Um dos mitos mais persistentes propagados sobre a China, uma
reivindicação sem um resquício de prova de apoio, é que os chineses não
têm criatividade e inovação devido a falhas no seu sistema pedagógico.
Já vimos estas acusações centenas de vezes: O sistema educativo chinês
ensina apenas através da memorização, enquanto sufoca a inovação. Os
chineses são incapazes de conceptualizar ou inovar, sabem apenas como
alcançar altas pontuações nos testes, mas não como pensar. Eis *Carly
Fiorina a* falar, a antiga Presidente da H-P: "/Há décadas que faço
negócios na China, e digo-vos que sim, os chineses podem fazer um teste,
mas o que não podem fazer é inovar.  Não são terrivelmente imaginativos,
não são empreendedores. Não inovam. Por isso é que estão a roubar a
nossa propriedade intelectual... a inovação e o empreendedorismo não são
os seus fortes. A sua sociedade, bem como o seu sistema de educação, é
demasiado homogeneizado e controlado para encorajar a
imaginação.../". *(7)* A reivindicação é um completo disparate por
multiplas razões para as quais não tenho mais espaço aqui, para poder
explicá-las.

Em 2015, *Eva Dou* relatou no /Wall Street Journal/ um estudo
da *McKinsey *que afirmava que a China tinhafeito todas as inovações
"/fáceis/", como tornar os produtos melhores e mais baratos, mas que "/o
país tem histórias de sucesso limitadas em tipos de inovação "mais
competitivos" que dependem de descobertas científicas ou de
engenharia/". *As conclusões da McKinsey não são apoiadas pelas provas
acima mencionadas.* (*8*)

*

*A obra completa do Snr. **Romanoff *está traduzida em 32 idiomas e
postada em mais de 150 sites de notícias e de política de origem
estrangeira, em mais de 30 países, bem como em mais de 100 plataformas
em inglês. Larry Romanoff, consultor administrativo e empresário
aposentado, exerceu cargos executivos de responsabilidade em empresas de
consultoria internacionais e foi detentor de uma empresa internacional
de importação e exportação. Exerceu o cargo de Professor Visitante da
Universidade Fudan de Shanghai, ministrando casos de estudo sobre
assuntos internacionais a turmas avançadas de EMBA. O Snr. Romanoff
reside em Shanghai e, de momento, está a escrever uma série de dez
livros relacionados com a China e com o Ocidente. Contribuiu para a nova
antologia de Cynthia McKinney, 'When China Sneezes'  com o segundo
capítulo, "Lidar com Demónios".

O seu arquivo completo pode ser consultado em

https://www.moonofshanghai.com/ e

http://www.bluemoonofshanghai.com/

Pode ser contactado através do email: 2186604556@qq.com

*

*Notas*

(1) Robert Temple, The Genius of China: 3,000 Years of Science,
Discovery, and
Invention; https://www.amazon.com/Genius-China-Science-Discovery-Invention/dp/1594772177

(2) James Petras; China: Rise, Fall and Re-Emergence
as a Global Power; Some Lessons from the
Past;  https://www.countercurrents.org/petras070312.htm

(3) Ron Unz; The American Conservative; April 18,
2012; China's Rise, America's Fall; Why Nations
Fail; https://www.theamericanconservative.com/articles/chinas-rise-americas-fall/

(4) China Remembers a Vast Crime - The New York
Times; https://www.nytimes.com/2010/10/22/arts/22iht-MELVIN.html

(5) Peking's Summer Palace
destroyed; https://www.history.com/this-day-in-history/pekings-summer-palace-destroyed

(6) "The Destruction of a Great Library: China's Loss
Belongs to the World; https://eric.ed.gov/?id=EJ552559

(7) Ex-HP CEO Carly Fiorina says Chinese 'don't
innovate'; Time; https://time.com/3897081/carly-fiorina-china-innovation/

(8) Chinese Innovation: Now Comes the Hard Part, Says
Study; https://blogs.wsj.com/chinarealtime/2015/10/22/chinese-innovation-now-comes-the-hard-part-says-study/

***

*Original em inglês*

*Copyright © **Larry Romanoff,**  **Moon of Shanghai**, 2020*

 In
PORT.PRAVDA.RU
https://port.pravda.ru/sociedade/cultura/04-07-2021/53080-invencoes_chinesas-0/
2/7/2021

sexta-feira, 2 de julho de 2021

OMS anuncia que China elimina a malária

 

   

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um comunicado à imprensa
nesta quarta-feira (30) confirmando oficialmente a erradicação da
malária na China edit


*Rádio Internacional da China -* A malária foi erradicada da China,
informa a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso torna a China o
primeiro país da região do Pacífico Ocidental em mais de 30 anos a
receber tal certificação da OMS.

De acordo com o comunicado, o número de infecções por malária na China
caiu de 30 milhões na década de 1940 para zero hoje. O resultado se deve
principalmente às medidas precisas de prevenção e contenção do governo
chinês e mostra que o Partido Comunista da China (PCCh), como partido no
poder, está consistentemente empenhado em colocar o povo em primeiro
lugar e dar prioridade à segurança e saúde da população.

Na década de 1950, a China começou a lutar contra a malária, uma das
doenças infecciosas mais mortais. No decorrer da assistência aos pobres,
as condições de vida das pessoas, bem como os serviços de
telecomunicação e medicina, melhoraram significativamente. Além disso,
com o passar do tempo, foi criada uma rede de seguro básico de saúde que
cobre toda a população chinesa. Tudo isso contribuiu significativamente
para a erradicação da malária.

Mais importante, a China sempre esteve na vanguarda da inovação técnica
para combater a malária em todo o mundo. Em 1967 foi iniciado o “projeto
523” para encontrar novas terapias contra a doença. Como parte desse
projeto, foi descoberta na década de 1970 a substância artemisinina, um
remédio eficaz contra a malária. Devido a isso, a cientista chinesa Tu
Youyou e sua equipe de pesquisa receberam o Prêmio Nobel de Medicina.

Também vale a pena mencionar, no entanto, que a China desenvolveu o
sistema de reação rápida e controle “1-3-7” na luta contra a malária.
Especificamente, isso significa que os laudos patológicos devem ser
apresentados em até um dia, a avaliação e investigação epidemiológica
devem ser concluídas em três dias, e a investigação e o tratamento dos
sítios epidêmicos devem ser realizados em sete dias. Este sistema foi
inscrito nos documentos técnicos da OMS e distribuído mundialmente.

Como o país mais populoso do mundo, o sucesso da China não apenas
demonstra a melhoria da saúde, mas também verifica o progresso da causa
dos direitos humanos. Depois de erradicar a pobreza absoluta, desta vez
a China, com a eliminação da malária, deu uma importante contribuição
para a saúde da humanidade e aos direitos humanos.

O funcionário da OMS, Pedro Alonso, disse que décadas de pesquisa e
inovação por parte do governo e do povo chineses aceleraram a
erradicação da malária.

In
BRASIL 247
https://www.brasil247.com/saude/oms-anuncia-que-china-elimina-a-malaria
1/7/2021

quarta-feira, 30 de junho de 2021

O mito da direita democrática – A propósito da vitória de Pedro Castillo no Peru ***

 

*por Atilio A. Boron *

Castillo, o candidato vitorioso. Apesar do veredicto da história, é
irrefutável que a sabedoria convencional das ciências sociais e a
opinião pública estabelecida difundem sem cessar a concepção errada de
que a direita latino-americana se reconciliou com a democracia; que
cortou amarras com a sua génese oligárquica, racista, patriarcal e
colonial; que pôs fim à sua história como visível instigadora e
frequente executora directa de inumeráveis golpes de estado, atentados,
sabotagens, massacres e toda classe de violações aos direitos humanos e
às liberdades política. Apesar dessa origem perversa, dizem agora alguns
académicos e "opiniólogos" despistados (ou que jogam para a direita),
esta "aggionou-se" e aceita as regras do jogo democrático. Erro trágico,
confirmado, como dizia no princípio, pela vida prática: a direita nunca
foi democrática, não o é e jamais o será no futuro. Pelo seu
enraizamento cultural e interesses de classe está destinada a defender
com unhas e dentes a ordem social do capitalismo dependente do qual é
sua exclusiva beneficiária. Por isso apela a todos os imensos recursos
de que dispõe (dinheiro, greve de investimentos, fuga de capitais,
evasão e fuga tributárias, ataques especulativos contra a moeda local,
despedimentos de pessoal, fecho de estabelecimentos, terrorismo
mediático, apelo ao intervencionismo militar, o favor de juízes e
promotores, protecção "da embaixada", etc) perante qualquer ameaça, por
moderada que seja. No meu "Sete teses sobre reformismo, revolução e
contra-revolução na América Latina" (incluído no livro de
descarregamento gratuito compilado pelo CLACSO sob o título /Bitácora de
un Navegante/
<https://www.clacso.org.ar/libreria-latinoamericana/buscar_libro_detalle.php?id_libro=2233&campo=titulo&texto=Bit%E1cora%20de%20un%20navegante>
) indico alguns antecedentes decisivos sobre o tema. Por isso sugiro às
pessoas interessada que leiam o referido artigo para aceder a uma
elaboração mais completa sobre este argumento.

Por agora, conformo-me com este breve recordatório sobre a conduta da
direita latino-americana para que os leitores extraiam as suas próprias
conclusões. Na Argentina, em 2015, aquela representada por Maurício
Macri triunfou na segunda volta da eleição presidencial sobre Daniel
Scioli. A diferença foi de uns 3 por cento e a coligação perdedora
admitiu a derrota nessa mesma noite. Em 2017 o narco-político Juan O.
Hernández impôs-se na eleição presidencial hondurenha graças a uma
fraude escandalosa que foi tão descarada que aditou durante várias
semana o reconhecimento de Washington, do qual aquele era a sua peça.
Apesar dos protestos da oposição esta não teve outro remédio senão
admitir a sua "derrota". Nas presidenciais brasileira de 2018 triunfou
Jair Bolsonaro, porta-voz dos golpistas que derrubaram, mediante
/lawfare, / Dilma Rousseff da presidência. Apesar das grosseiras e
múltiplas violações da legislação eleitoral (entre as quais o não
comparecimento de Bolsonaro ao debate presidencial); o papel sinistro
desempenhado pelo poder judicial – que ilegalmente impediu que Lula
fosse candidato – e os meios de comunicação, ferreamente controlados
pela direita, a derrotada aliança opositora respeitou o resultado das
urnas. Os políticos brasileiros no Congresso, a "justiça" desse país e
os grandes meios de comunicação, cada qual mais corrupto, estão a fazer
pagar um preço imenso ao povo desse país por haver instalado no Palácio
do Planalto um sociopata como Bolsonaro, que com o seu negacionismo da
pandemia enviou à morte mais de meio milhão dos seus compatriotas.

No Uruguai, em 2019, o candidato da direita Luis Lacalle Pou derrotou
Daniel Martínze, da Frente Ampla, por 1,5 por cento dos votos válidos e
o perdedor admitiu sua derrota sem refilar. Pouco depois de assumir a
presidência Lacalle Pou fez gala de um negacionismo suicida, proclamando
com uma atitude chauvinista que no Uruguai não aconteceria o mesmo que
aos seus vizinhos argentinos e brasileiros. Teve que engolir suas
palavras e hoje o Uruguai está a pagar um preço muito elevado pela
soberba do seu presidente.

No México, o candidato de esquerda Cuauhtémoc Cárdenas ia ganhando a
eleição presidencial de 1988 até uma suspeita "queda do sistema" da
Comissão Federal Eleitoral obrou o milagre: ao serem reiniciados os
computadores o candidato de Washington, Carlos Salinas de Gortari,
aparecia a desfrutar de uma ampla vantagem sobre o seu oponente e foi
proclamado ganhador. De nada valeram os protestos populares diante de
uma fraude tão descarada como essa. A direita queria ganhar "de qualquer
forma" e, com o visto bom de Washington e da OEA, conseguiu.

Também no México, em 2016, a direita produziu outro roubo eleitoral.
Vários dias depois de finalizada a renhida eleição o Instituto Federal
Eleitoral emitiu um comunicado anunciando o fim da contagem dos votos e
que o candidato conservador Felipe Calderón se impunha por uma diferença
de 0,62 por cento dos sufrágios sobre Andrés M. López Obrador. Apesar do
repúdio generalizado perante um roubo eleitoral tão descarado – exemplo:
em numerosas mesas de votação votou muito mais gente do que a que estava
registada – Calderón foi proclamado ganhador da contenda eleitoral.

Na eleição presidencial da Nicarágua (25/Fevereiro/1990) triunfou a
candidata da União Nacional Opositora, Violeta Barrios de Chamorro.
Obteve 55 por cento dos votos, sobrepujando Daniel Ortega, então
presidente da Nicarágua e candidato do Sandinismo, que foi apoiado por
41 por cento do eleitorado. Dois dias depois de concluída a eleição
Ortega reconheceu publicamente a sua derrota e felicitou a candidata
triunfante. Ortega só voltaria a ser eleito presidente no ano de 2007.

Na Argentina da década dos trinta a fraude da direita adquiriu um status
quase institucional, sob o nome de "fraude patriótica". O objectivo:
impedir a qualquer custo que a "chusma radical" e os socialistas e
comunistas acedessem a qualquer cargo de eleição popular. A fraude era
exaltada como um serviço que uma virtuosa oligarquia, com seus partidos,
juízes e diários prestavam à pátria. Até os dias de hoje persistem nessa
atitude de pretender burlar a vontade popular, claro que recorrendo às
novas tecnologias do neuromarketing político para manipular, mediante o
ódio e o medo, as atitudes e as condutas das massas. A direita não só
recorreu à fraude; além disso proscreveu o peronismo durante dezoito
anos, a principal força política do país. E quando nem um nem outro eram
suficientes, a "carta militar" sempre estava à mão: uma interminável
sucessão de "planteos militares" carcomia os débeis e ilegítimos – por
causa da proscrição do peronismo – governos civis surgidos depois do
derrube do peronismo em 1955. Duas brutais ditaduras assinalaram este
processo de decomposição política: primeiro, a encabeçada por Juan C.
Onganía em 1966 e, dez anos depois, a apoteose do crime e do genocídio
com a ditadura cívico-militar instaurada com o golpe militar de 24 de
Março de 1976 que afundaria o país num inesquecível e imperdoável banho
de sangue. Em ambos os casos, a colaboração da direita argentina foi
essencial fornecendo ideias, projectos, funcionários, diplomatas e pondo
o seu aparelho mediático ao serviço dos ditadores.

Em contrapartida, em 20 de Outubro de 2019 Evo Morales ganhou as
eleições presidenciais da Bolívia ao obter 47,08 por cento dos votos,
contra os 36,51% do candidato da oposição Carlos Mesa. A legislação
eleitoral desse país estabelece que se nenhum candidato atingir os 50
por cento dos votos válidos deveria ser convocada uma segunda volta
eleitoral, salvo quando se superasse os 40 por cento e houvesse uma
diferença de 10 por cento ou mais em relação ao segundo, o que
efectivamente se verificou por aproximadamente 0,60 por cento do total
de votos. Apesar disso, dois relatórios da OEA, um antes e outro depois
da votação, assinalando alegadas irregularidades na contagem dos votos,
criaram um clima de fraude e suspeita que potenciou até ao infinito as
denúncias de uma direita que já havia declarado antes das eleições que
não reconheceria qualquer outra vitória que não fosse a do candidato da
oposição. Após uma série de manifestações violentas e perante a
incompreensível impotência oficial, os altos comandos do Exército e da
Polícia apoiaram as denúncias da direita racista e exigiram a demissão
do presidente Morales. Algumas semanas mais tarde, vários relatórios de
organizações académicas americanas, especializadas em assuntos
eleitorais, confirmaram a transparência e honestidade das eleições
bolivianas, mas era demasiado tarde e a Bolívia estava a esvair-se em
sangue perante a violência do novo regime. Um ano depois, o MAS
boliviano recuperava a presidência esmagando eleitoralmente a direita
golpista.

O capítulo mais recente desta saga fraudulenta da direita
latino-americana está a ter lugar nestes dias, em Junho de 2021, no
Peru. Ali o candidato presidencial da esquerda, Pedro Castillo, impõe-se
diante da corrupta representante dos poderes de facto nesse país, Keiko
Fujimori. Apesar das virulentas reclamações da oposição a contagem
definitiva concede uma vantagem clara, ainda que pequena, ao candidato
do /Perú Libre. / Complexos procedimentos de verificação de actas com
irregularidades realizadas por organizações especializadas concluem que
em caso algum estas alteram o resultado eleitoral. Apesar disto a
coligação direitista recorre a toda classe de recursos, incluindo o
subreptício apelo a um golpe militar feito por Mario Vargas Llosa para
impedir que o Peru "caia nas garras do totalitarismo chavista". Houve
inclusive um pronunciamento de militares reformados neste sentido,
energicamente repudiado pelo presidente Francisco Sagasti. De qualquer
modo não se descarta que possa produzir-se um golpe parlamentar
destinado a anular as eleições ou a desqualificar o seu vencedor, Pedro
Castillo. Desgraçadamente, o Congresso da República do Peru, composto
por 130 membros, tem poderes para destituir o presidente por múltiplas
causas, dentre elas as muito enigmática "incapacidade moral". A
presidente dessa instituição, Mirtha Vásquez – frente-amplista com vasta
experiência na defesa dos direitos humanos no seu país – apelou à
reflexão dos seus colegas para evitar converterem-se em cúmplices da
manobra de derrube ou golpista da direita. Para que isso aconteça esta
deve controlar dois terços dos votos no Congresso, ou seja, 87
congressistas. Que por enquanto não tem mas, conforme rumores em Lima,
"não os tem mas pode alugá-los". O êxito ou não desta manobra dependerá,
como sempre, da capacidade de mobilização e organização das forças de
esquerda que se oponham à mesma. O desenlace desta eleição será
conhecido nos próximos dias.

Conclusão desta breve revisão: quando ganha a direita, a esquerda admite
o veredicto adverso das urnas; quando ganha a esquerda, a direita
recorre à chantagem, à fraude ou ao golpe militar ou institucional,
ratificando pela enésima vez que a direita não é nem será democrática.
Não esqueçamos esta lição. À direita não se pode confiar nem um
bocadinho, nada!, como dizia Che Guevara em relação ao imperialismo. E a
mesma atitude convém seguir com os filhos putativos do império,
espalhados por toda a América Latina e o Caribe.
In
RESISTIR.INFO
https://www.resistir.info/peru/boron_21jun21.html
21/6/2021

***
Tem um resumo da atividade golpista na região

domingo, 27 de junho de 2021

“Conspiração internacional para derrubar o PT começou em 2012”, diz

 

    Guido Mantega

Ex-ministro da Fazenda avaliou que o golpe contra Dilma Rousseff, em
2016, foi resultado de um processo que teve início em 2012, quando o
lucro dos bancos brasileiros foi reduzido por conta de políticas de
incentivo aos bancos públicos. Assista na TV 247 edit



Guido Mantega


*247 - *O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, em entrevista à TV 247,
avaliou que a derrubada do PT do poder em 2016, através do golpe contra
Dilma Rousseff, foi resultado das políticas dos governos petistas que
levaram à redução das margens de lucro do grande capital, nacional e
internacional.

“Em 2011, começamos a interferir na entrada de capital volátil. Taxamos
o mercado de derivativos, que é onde a coisa pega, onde se tem um
conjunto grande de investimentos. Então, os capitais que vinham aqui,
com a vida fácil, ganhar todo esse lucro, passaram a não ter mais esse
lucro. Compramos uma briga com cachorro grande, com os grandes fundos
internacionais e o capital financeiro internacional”, disse Mantega.

A conspiração pela derrubada de Dilma, segundo o ex-ministro, teve
início quando os bancos públicos passaram a ganhar competitividade em
relação aos bancos privados, cujos lucros caíram. “Depois, em 2012-2013,
começamos a atacar o spread dos bancos. Liberamos os bancos públicos
para colocar mais crédito na economia com juros menores, fazendo
concorrência. Os bancos privados baixaram o spread a contragosto.
Fizemos inclusive uma campanha contra as tarifas dos bancos, que eram
enormes no Brasil”, lembrou.

“Isso trouxe popularidade para Dilma. Ela estava melhor avaliada até que
Lula, a não ser o primeiro período. Agora, isso nos custou uma luta
política que nos desgastou. Começou a ter matérias na The Economist e no
Financial Times criticando a nossa gestão, dizendo que estávamos
intervindo. Eles estavam respondendo aos interesses do grande capital
internacional. E os bancos locais também ficaram possessos com as nossas
atividades, porque foi a primeira vez que o lucro deles começou a cair.
Os bancos brasileiros tinham lucros maiores até que os bancos
americanos, proporcionalmente”.

A conspiração foi bem-sucedida, de forma que em junho de 2013 campanhas
antipetistas financiadas por grupos estrangeiros já começavam a se
espalhar pela internet. “Então, essa festa meio que acabou. Derrubamos
isso. É claro que os bancos são importantes. O financiamento é
importantíssimo, sem ele a produção e o consumo não sobrevivem. Mas foi
aí que começou o nosso desgaste. A partir de 2012, se inicia uma
conspiração internacional para nos derrubar, porque estávamos pisando
nos calos. Em 2013, já se tinha uma campanha na internet. Não percebemos
o poder que a internet já tinha naquela época, com grupos americanos
financiando aqui no Brasil os grupos de direita. Em junho de 2013, após
as manifestações, a popularidade da Dilma caiu 30%”, completou Guido
Mantega.

In
BRASIL 247
https://www.brasil247.com/brasil/conspiracao-internacional-para-derrubar-o-pt-comecou-em-2012-diz-guido-mantega
25/6/2021

quinta-feira, 24 de junho de 2021

La enorme mayoría pertenecemos a la clase trabajadora

 





*HADAS THIER, ESCRITORA Y PERIODISTA ESTADOUNIDENSE* *

Un conjunto muy diverso de experiencias y miles de opresiones definen a
la clase trabajadora —negra, blanca, indígena e inmigrante—, en la que
se cuentan todas las personas que son explotadas para generar las
ganancias de unos pocos capitalistas.

Comprender cómo funciona el concepto de clase y qué determina las
posiciones de clase sirve para revelar las estructuras de poder y
explotación de nuestra sociedad.

Una definición muy básica de las clases tal como existen en el
capitalismo comienza con esta premisa: los trabajadores están obligados
a vender su fuerza de trabajo y los capitalistas la compran y la gobiernan.

Es imposible explicar las posiciones de clase del trabajador o del
patrón sin entender que todo el sistema funciona con el objetivo de
poner en marcha el trabajo para generar una ganancia en beneficio de
otra persona. La clase, en otros términos, es una relación de explotación.

*La clase no se trata solo de números*

Los análisis más difundidos suelen pasar por alto esta definición de la
clase como relación social. Cuando se plantea el problema —algo poco
frecuente— se lo considera en términos de riqueza y estratificación social.

Se utilizan los niveles de ingreso y de educación, los estilos de vida y
los patrones de consumo para clasificar a las personas en una sociedad
que se presenta principalmente como de clase media, con algunos ricos y
pobres en los márgenes. En efecto, en buena parte de los informes, la
mayoría de la gente pertenece a la clase media y la clase trabajadora
prácticamente no existe.

Se nos recuerda este hecho al menos cada dos o cuatro años, durante las
campañas electorales, cuando los políticos apelan a la «clase media que
la pelea», una categoría que aparentemente incluye a todos los «buenos
americanos», como solía decir Bill Clinton, gente que «trabaja
arduamente y tiene los papeles en regla». Uno de los motivos por el que
las campañas de Bernie Sanders se destacaron, fue precisamente el haber
pronunciado las palabras «clase trabajadora».

Existe otra explicación de las clases, más progresista, que también se
funda en los niveles de riqueza: la popularizada por el movimiento
Occupy Wall Street en 2011. La consigna «Somos el 99%» se propagó como
el fuego luego que los activistas identificaran al 1% de la élite
económica del país, que posee alrededor de un tercio de la riqueza de la
nación, como el culpable de crear la crisis financiera de 2008 y la Gran
Recesión que le siguió. A pesar de que este análisis representa un
avance respecto al otro, que asume que casi todos somos parte de la
clase media, todavía supone que la cantidad de riqueza es el
determinante de las posiciones de clase.

Evidentemente, la clase y la riqueza están relacionadas, pero no son lo
mismo. Alguien con un empleo estable y bien remunerado (en la medida en
que algo así existe todavía) como, por ejemplo, un inspector de trenes
de Nueva York, cobra alrededor de 70 000 dólares por año, mientras que
el propietario de un pequeño almacén en el Bronx gana mucho menos. Aun
así, el primero es un trabajador, que no controla sus horarios ni las
condiciones en las que ejerce su actividad, mientras que el segundo es
un pequeño propietario que carga con su propia explotación y con la de
otros (por pocos que sean).

Los números que aparecen en un recibo de sueldo no dicen todo. No dicen,
por ejemplo, que un administrador en Starbucks, que gana menos que un
chofer de metro, tiene el poder de despedir a todos los empleados del
local en que trabaja. Entonces, comprendemos que la riqueza es solo una
parte del cuadro, más sintomática de la desigualdad de clase que
explicativa de sus orígenes. De hecho, el poder, el control sobre las
condiciones de trabajo y la posibilidad de tomar decisiones financieras
son las piedras de toque de la explotación.

Michael Zweig, profesor de economía y autor de The Working Class
Majoritity, lo explica en estos términos: «Al considerar únicamente el
ingreso y el estilo de vida, percibimos las consecuencias de la clase,
pero no sus orígenes. Vemos que somos distintos en virtud de nuestra
propiedad, pero no la forma en que nos relacionamos y conectamos, ni
aquello que nos hace diferentes en el proceso de llegar a tener lo que
poseemos».

La explicación marxista enfatiza que la posición que cada uno ocupa en
la sociedad no se mide en términos cuantitativos, sino que está
determinada por la relación que cada persona tiene con el trabajo, con
los frutos del trabajo y con los medios de producción.

Forma parte de la clase capitalista cualquiera que ejerza el poder
político, tenga control económico en un lugar de trabajo, sea capaz de
establecer las pautas de trabajo de los otros o posea capital
susceptible de ser invertido en la producción. Por el contrario, forma
parte de la clase trabajadora cualquiera que deba intercambiar su fuerza
de trabajo por un salario y no tenga posibilidad de producir lo
necesario para satisfacer sus propias necesidades vitales.

*La riqueza y la pobreza no determinan la clase*

La definición no se reduce a los trabajadores que participan en la
producción de bienes físicos. Los docentes y los trabajadores de la
salud deben vender su fuerza de trabajo para prestar sus servicios, y,
por lo tanto, son parte de la clase trabajadora. Como dijo Marx: «/Si se
nos permite ofrecer un ejemplo al margen de la esfera de la producción
material, digamos que un maestro de escuela, por ejemplo, es un
trabajador productivo cuando, además de cultivar las mentalidades
infantiles, se mata trabajando para enriquecer al empresario. Que este
último haya invertido su capital en una fábrica de enseñanza en vez de
hacerlo en una fábrica de embutidos, no altera en nada la relación»./

En el mismo sentido, Marx y Engels escribieron que el «proletario es
quien carece de propiedad». «Proletario» es otra palabra para decir
trabajador; y propiedad privada no significa bienes personales, como el
televisor o la computadora, sino medios de producción: edificios,
maquinaria, software, equipamiento, herramientas y otros materiales que
están en manos de los capitalistas.

Marx no se refería a que los trabajadores no tuviésemos nada, aunque
esto es cada vez más cierto. Quería decir que carecemos de los medios
para producir y reproducir nuestras vidas, motivo por el que quedamos a
merced de la explotación capitalista. Una empresa constructora tiene
palas, taladros y topadoras que le permiten explotar a los trabajadores
y extraer una ganancia. Yo tengo una pala que apenas puedo usar para
plantar flores o tomates.

El historiador Geoffrey de Ste. Croix lo pone en estos términos:

[La clase] es la expresión social colectiva del hecho de la explotación,
la forma en que la explotación se encarna en una estructura social […].
La clase es esencialmente una relación, al igual que el capital, otro de
los conceptos fundamentales de Marx, que él define específicamente […]
como una «relación», «una relación social de producción», etc. Y una
clase (una clase particular) es un grupo de personas a las que es
posible identificar en virtud de su posición en la totalidad del sistema
de producción social, y se define principalmente en función de su
relación (sobre todo en términos de control) con las condiciones de
producción (es decir, los medios y las actividades productivas) y con
las otras clases.

Esta definición nos permite comprender que la riqueza y la pobreza no
determinan la clase. En cambio, son sus manifestaciones. Por lo tanto,
los patrones no se definen en función de sus niveles de incongruencia. A
su vez, los pobres de la sociedad no representan una «clase marginal»
que, debido a la falta de empleo o riqueza, estaría posicionada fuera de
la sociedad. La pobreza es una parte integral de la experiencia de la
clase trabajadora, y —como demuestra la crisis que estamos viviendo— el
desempleo siempre ronda cerca de la mayoría de los trabajadores.

Aun antes de la pandemia, casi la mitad de la población estadounidense
no era capaz de pagar sus cuentas si perdía un mes de salario, y una de
cada cuatro personas declaraba haberse privado de algún tratamiento de
salud porque no podía pagarlo. Un cuarto de la población se desempeñaba
en actividades que califican como empleos de bajos salarios.

A este lúgubre cuadro debe añadirse la montaña de deudas estudiantiles
que pesan sobre las espaldas de decenas de millones de personas y un
costo de vida que es cada vez más alto. Se comprende entonces que la
pobreza es algo intrínseco al entramado social estadounidense. Ahora,
con treinta millones de personas desempleadas y cuarenta millones que
corren el riesgo de ser desalojadas de sus hogares durante los próximos
meses, cobra nitidez la línea delgadamente brutal que separa al trabajo
de la indigencia.

De hecho, el capitalismo necesita que exista todo el tiempo un
determinado nivel de desempleo, o, como decía Marx, un «ejército
industrial de reserva». Los patrones dependen de este ejército a la hora
de garantizar que siempre habrá alguien dispuesto a quitarnos el
trabajo. De esa manera, logran disciplinar a la fuerza de trabajo
remunerada para que se conforme a los términos definidos por los
empleadores.

Los altos niveles de desempleo son un aspecto cruel que sale a relucir
en cada recesión económica, pero incluso en los momentos en que «las
cosas marchan bien», el desempleo es una realidad dolorosa que afecta a
millones de personas. En realidad, eso que los economistas
convencionales definen como «pleno empleo» significa 5% de desempleo. La
introducción de nueva maquinaria, el crecimiento de la fuerza de trabajo
debido a factores demográficos o flujos migratorios, los cambios
regulares de la estructura económica (qué se produce y dónde),
contribuyen a generar desempleo aun en los «mejores» momentos.

*Estados Unidos no es un país de clase media*

Esta explicación de la sociedad arroja una imagen muy distinta de la
versión popular que define a Estados Unidos como un «país de clase media».

Evidentemente, la clase media existe. No solo vive en el universo
paralelo que proyectan las pantallas de los televisores. La clase media
es una capa de la sociedad que está entre la clase trabajadora y la
clase dominante. Incluye a los propietarios de pequeños comercios, como
así también a los gerentes, a los supervisores y a quienes tienen
ocupaciones profesionales que les garantizan algo de autonomía al
interior del sistema (como los doctores y los abogados).

Con frecuencia son la cara cotidiana de la explotación. Uno se encuentra
con su gerente todos los días en el trabajo. Él tiene el poder de
recompensar el trabajo con un aumento o aplicar una reprimenda por una
tardanza. Pero lo cierto es que rara vez uno se encuentra con el
ejecutivo que se beneficia de esta situación.

Con todo, la clase media es mucho más pequeña de lo que suele pensarse,
y muchos de los que tradicionalmente formaban parte del grupo de los
«profesionales», están siendo arrastrados hacia la clase trabajadora (o
se están «proletarizando»), como los programadores que trabajan en
horarios definidos y marcan tarjeta, los trabajadores sociales que
enfrentan escritorios repletos de expedientes y deben pasar sus días
llenando formularios y los académicos que cada vez consiguen menos
cargos docentes y ocupan más posiciones auxiliares.

También sucede que entre los empleos que clasifican como clase media,
las diferencias entre las condiciones que enfrentan los profesores de
las universidades de élite y las que enfrentan los que trabajan en
universidades públicas, o los médicos que practican la profesión de
forma privada y los que trabajan en salas de emergencia, llevan a
niveles muy distintos en lo que respecta al control en el lugar de trabajo.

«La burguesía despojó de su halo de santidad a todo lo que antes se
tenía por venerable y digno de piadoso acontecimiento», escribieron Marx
y Engels. «Convirtió en sus servidores asalariados al médico, al
jurista, al poeta, al sacerdote, al hombre de ciencia».

Michael Zweig y Kim Moody, periodista especializada en cuestiones
laborales, estiman que la clase trabajadora representa cerca del 63% de
la fuerza de trabajo de Estados Unidos. (Según mis propios cálculos,
realizados en base a los datos oficiales, 63% sigue siendo una cifra muy
conservadora). La élite empresarial representa el 2% y la clase media
representa el 35%.

Si incluyéramos a la sociedad en general, más allá de la parte que
«califica» como fuerza de trabajo (es decir, miembros de la familia que
no trabajan, gente mayor, discapacitada, etc.), los números de la clase
trabajadora serían todavía más grandes. Como sostiene Moody: «Si las
personas de clase trabajadora empleadas representan solo dos tercios de
la fuerza de trabajo, aquellas que pertenecen a la clase a secas llegan
a representan tres cuartos de la población (es decir, a la enorme
mayoría). A medida que los docentes, los trabajadores de la salud y
otros profesionales son empujados a la clase trabajadora, esta mayoría
sigue ensanchándose».

Esto nos permite subrayar una cuestión más general: las clases son
fluidas y existe una enorme área gris entre ellas. Estos números solo
ofrecen una guía general para enfatizar una tendencia más amplia hacia
la polarización.

Es lo mismo que, hace más de 150 años —en una época en la que, por
cierto, la clase trabajadora representaba a una clara minoría de la
población mundial—, Marx y Engels escribieron en el Manifiesto del
Partido Comunista: «Hoy, toda la sociedad tiende a separarse, cada vez
más abiertamente, en dos grandes campos enemigos, en dos grandes clases
antagónicas: la burguesía y el proletariado».

En fin, uno pertenece a una clase sin importar si uno cree en esta
noción o se identifica con los intereses de esa clase. Aunque los
demócratas nos digan que somos parte de una clase media que ellos desean
salvar, o Donald Trump prometa alivianar la carga impositiva de la
«olvidada clase media», e independientemente de si les creemos, nada de
esto define si mañana debemos levantarnos temprano para ir a trabajar,
obedecer a las órdenes de otra persona y volver a casa con dolor de
espaldas y un salario miserable.

Es decir que la posición de clase está determinada por la realidad
material y no por la ideología.

*Atizando la conciencia de clase*

Al mismo tiempo, la estructura que determina a la clase trabajadora
imprime en ella la tendencia a desarrollar la conciencia de clase. En
este sentido, es posible identificar una definición secundaria de la
clase trabajadora en función de su conciencia y de su actividad.

Marx distinguía entre la clase trabajadora como una «clase en sí»,
definida por su relación con los medios de producción, y una «clase para
sí», que se organiza para luchar activamente por sus propios intereses.
Como explica Ste. Croix:

Los individuos que constituyen una clase determinada pueden ser o no ser
completa o parcialmente conscientes de su propia identidad y de sus
intereses comunes en tanto clase, y pueden sentir o no el antagonismo
hacia los miembros de otras clases. El conflicto de clase (la lucha de
clases, la Klassenkampf) es en lo esencial la relación fundamental que
existe entre las clases, e implica explotación y resistencia, pero no
necesariamente conciencia de clase ni actividad colectiva, política, o
de otro tipo.

Aunque es muy probable que estos rasgos sobrevengan cuando una clase
alcanza cierta etapa de desarrollo y se convierte en lo que Marx
(utilizando la jerga hegeliana) definió como «una clase para sí».

Una clase para sí es una clase organizada. La posición de clase común
crea las condiciones objetivas que nos conectan y nos unen. Pero, si
deseamos pasar de esta posibilidad objetiva a un avance subjetivo,
debemos combatir las divisiones que se producen al interior de la clase
y las formas en que las opresiones de raza y de género, entre otras,
afectan a los trabajadores.

Los socialistas y otros militantes de la clase trabajadora pueden jugar
un rol fundamental a la hora de forjar una política solidaria y ayudar a
que la clase en sí emerja como una clase para sí.

* Fragmento del libro «A People’s Guide to Capitalism: An Introduction
to Marxist Economics» escrito por Hadas Thier

In
OBSERVATORIO DE LA CRISIS
https://observatoriocrisis.com/2021/06/23/la-enorme-mayoria-pertenecemos-a-la-clase-trabajadora/
23/6/2021

terça-feira, 22 de junho de 2021

 

Como a privatização da Eletrobras é o negócio do século, por Luis Nassif

Marcello Casal Jr - Agência Brasil

A privatização da Eletrobras é o chamado golpe do século. E beneficia o mais ladino dos capitalistas brasileiros, Jorge Paulo Lehmann.

A lógica é simples.

Hoje em dia, o capital da Eletrobras é dividido da seguinte maneira. As ações ordinárias – com direito a voto – são 51,82% da União, 16,78%o do BNDESPAR, 3,62%o de fundos governamentais e 27,78% de investidores privados. As ações preferenciais – sem direito a voto – são 13,19% do BNDESPAR e 86,81% de investidores privados.

A Eletrobrás já tem dois grandes sócios privados, o grupo de Jorge Paulo Lehmann e J.J.Abdalla. A privatização consistirá em um dispositivo que impedirá a União de participar do conselho de administração dz empresa; e na autorização para que as usinas da Eletrobras, que hoje vendem energia através do mercado regulado, possam vender no mercado livre, a um preço imensamente superior.

Significará uma explosão no custo da energia, independentemente dos jabutis colocados pelo Congresso.

Sem precisar aportar um tostão, portanto, os atuais acionistas da empresas terão uma elevação exponencial no valor de sua participação. Em vez de uma empresa preocupada em gerar energia barata, se terá uma gestão medida por sua capacidade de gerar dividendos aos acionistas.

Pela métrica de avaliação de eficiência do mercado – adotada pela mídia -, o gestor mais eficiente será aquele que cortar todos os investimentos, tratar de colocar a energia no mercado pelo mais alto valor, e reduzir todos os gastos em manutenção.

O estilo Lehmann de gestão é este, conhecido pela visão de curtíssimo prazo, e pela busca incessante de cortes de custos, redução de investimentos, em pesquisas, para poder garantir o máximo possível de dividendos. Até hoje, sua preferência sempre foi por setores tradicionais, com baixa propensão à inovação, justamente para privilegiar os resultados trimestrais.

Recentemente, esse estilo foi atropelado no mercado de alimentos pela revolução inesperada do consumidor em favor de alimentos naturais.

Agora, Lehmann assumirá o controle da maior empresa brasileira de energia, em um momento em que ocorre a mais importante revolução energética desde o uso do carvão. O setor caminha para as energias naturais, eólica, solar, biocombustível e hidrelétrica. Há uma mudança radical, com o lançamento dos carros elétricos; uma pressão cada vez mais por energias limpas, o avanço da energia distribuída.

As novas formas de energia não dispõem de sistemas de armazenamento. Se venta muito em determinado período, a energia produzida é imediatamente gasta. Não há como armazenar. Por isso mesmo, o setor hidrelétrico é essencial, com suas “baterias” – os lagos acumulando água-energia. É essa garantia que permite despachar outras formas de energia quando necessário, mas sempre preservando aquelas de menor custo pra o consumidor.

Mais do que nunca, a Eletrobras deveria desempenhar um papel central. É a única empresa de energia a bancar um centro de pesquisas, a Cepel. 

Além disso, há uma resistência enorme do setor privado em investir em hidrelétricas e outros investimentos de longa maturação. No Brasil, os grandes investimentos, mesmo sendo privados, sempre foram feitos com base na segurança proporcionada pelo setor público, com estatais entrando como sócias e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financiando.

Essas duas pernas estão sendo desmontadas. E isso em um momento em que, mais que nunca, o setor exige um planejamento meticuloso do futuro.

Mais uma vez, a financeirização se impõe sem que um setor sequer – governo, Congresso ou mídia – se importem em defender os chamados interesses difusos.

Você pode fazer o Jornal

segunda-feira, 21 de junho de 2021

 


Queridos amigos e amigas,

Saudações do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social.

Em 26 de junho de 2021, dezenas de milhares de agricultores indianos se reunirão em frente aos escritórios do governo nos 28 estados da Índia. Eles irão comemorar a conclusão de sete meses de seu protesto nacional contra o governo de extrema direita do Partido Bharatiya Janata (BJ), do primeiro-ministro Narendra Modi. Esse encontro fará parte de um longo ciclo de protestos que começou em 26 de novembro de 2020, como parte de uma greve geral de 250 milhões de trabalhadores e camponeses indianos. Desde novembro, dezenas de milhares de agricultores, ou kisans, cercaram a capital da Índia, Nova Delhi, formando uma Comuna de Kisan [agricultores]. Esta surgiu 150 anos depois da Comuna de Paris, de cuja derrota, escreveu Marx, surgiria a próxima experiência com a democracia socialista. A Comuna de Kisan, ao lado das comunas da Venezuela e das ocupações de terra da África do Sul, é um desses experimentos.

Os camponeses enfrentaram o inverno indiano com rebeldia. O que os provocou foi a aprovação de três leis em setembro de 2020 que entregaram a agricultura indiana nas mãos de um pequeno grupo de mega corporações. A Samyukta Kisan Morcha [Frente Unida dos Agricultores], formada por mais de 40 sindicatos de agricultores e trabalhadores agrícolas, convocou o protesto em junho. Sua palavra de ordem para esse protesto, Kheti Bachao, Loktantra Bachao [Salve a agricultura, salve a democracia], resume a luta dos agricultores.

 


Os trabalhadores agrícolas imediatamente perceberam, assim que o governo Modi aprovou essas leis, que as mega corporações assumiriam o controle dos mandis, o mercado para os produtos agrícolas. As leis enfraquecem a intervenção do Estado e entregam mecanismos de preços a poderosas firmas monopolistas que têm uma relação estreita com Modi e seu partido. A sobrevivência da vida agrária está em jogo. Isso não é um exagero. Os agricultores conhecem o impacto da política neoliberal: desde 1991, quando a Índia adotou tais políticas em todos os aspectos da vida econômica, incluindo para a Índia agrária, mais de 300 mil agricultores cometeram suicídio. Esse movimento de protesto, a Comuna Kisan, é um grito contra o suicídio.

O Censo de 2011 diz que 833,1 milhões de pessoas em uma população de 1,2 bilhão vivem na Índia rural, o que significa que dois em cada três indianos vivem no campo. Nem todos são agricultores ou trabalhadores agrícolas, mas todos estão de uma forma ou de outra ligados à vitalidade da economia rural. Existem artesãos e tecelões, trabalhadores florestais e carpinteiros, mineiros e trabalhadores industriais. Todo um mundo social baseado em uma economia agrícola sustentável e saudável corre o risco de ser destruído. Isso é o que os agricultores sabem: que o ataque capitalista minará a existência dos trabalhadores rurais da Índia e sua capacidade de alimentar a crescente população urbana do paí



 

Dois meses depois do início do protesto, os fazendeiros ocuparam Delhi. A data que escolheram para entrar na cidade foi 26 de janeiro, Dia da República, quando a recém-independente Índia adotou sua Constituição em 1950. Os agricultores dirigiram 200 mil tratores em direção ao coração da capital, enquanto outros chegaram a cavalo ou a pé. A polícia os deteve em barricadas ao longo das principais rodovias. A trilha sonora desse confronto entre quem alimenta o povo e quem se alimenta do povo foi fornecida em 1971 pelo poeta Sahir Ludhianvi, em sua meditação no Dia da República:

 

O que aconteceu com nossos lindos sonhos?

Quando a riqueza do país aumentou, por que essa pobreza cresce?

O que aconteceu com o caminho para o aumento da prosperidade dos comuns?

Aqueles que uma vez caminharam conosco para a forca,

Onde estão esses amigos, esses companheiros, esses amados?

Cada rua está em chamas, cada cidade é um campo de matança.

O que aconteceu com a nossa solidariedade?

A vida nos arrasta pelos desertos das trevas.

Para onde foi a lua que uma vez surgiu no horizonte?

Se eu sou culpado, você também é um pecador.

Líderes de nosso país, vocês também são culpados.

 

 



 

Do escritório do Instituto Tricontinental em Nova Delhi chega um importante dossiê, A revolta dos agricultores na Índia (dossiê n. 41, junho de 2021), que faz perguntas simples: o que aconteceu com a agricultura na Índia e por que os agricultores estão em revolta? No cerne do dossiê está uma exploração da crise agrária, uma condição crônica cujos sintomas são variados: as contingências da agricultura, incluindo quebras de safra, que resultam em rendas baixas a negativas; endividamento, subemprego, desapropriação e suicídio. As raízes dessa crise não são inevitáveis; elas podem ser encontradas na estrutura do domínio colonial britânico, nos fracassos do novo Estado indiano após 1947 (um Estado que capitulou perante o senhorio e a classe burguesa) e nos fracassos acelerados do período neoliberal de 1991 até o presente.

Uma coisa é reconhecer a revolta dos agricultores; sua presença ativa nos arredores de Nova Delhi não pode ser totalmente ignorada. Outra é tentar entender por que eles estão ali, compreender as raízes profundas da crise a que respondem com tanta firmeza. Esse dossiê amplia as opiniões dos sindicatos camponeses e fornece uma avaliação resumida da transferência total do governo de Modi da economia indiana para a classe bilionária, especialmente seus comparsas mais próximos, os Adanis e as famílias Ambanis. Em janeiro de 2020, a Oxfam afirmou que o 1% mais rico da Índia possui quatro vezes mais riqueza do que a soma da renda de 953 milhões de pessoas, ou os 70% mais pobres da população, a maioria dos quais vive em áreas rurais.

Essa desigualdade só piorou durante a pandemia. Entre março e outubro de 2020, Mukesh Ambani, o homem mais rico da Índia, viu sua riqueza dobrar para 78,3 bilhões de dólares, tornando-o a sexta pessoa mais rica do mundo. Em quatro dias, Ambani ganhou mais do que o total dos salários de seus 195 mil funcionários. Durante esse período, o governo de Modi alocou apenas 0,8-1,2% do PIB à sua população para alívio. Os fazendeiros e suas famílias respondem a essa guerra de classes nua e crua com a formação de sua inflexível Comuna de Kisan.

 

 



 

Modi não pode desistir facilmente de seu compromisso com as megacorporações, e os trabalhadores agrícolas não podem entregar suas vidas. O impasse não tem saída fácil. Grande parte da população urbana simpatiza com aqueles que a alimentam. A aplicação da força, muitas vezes mascarada sob o pretexto de impor o bloqueio, foi feita, mas falhou. O governo de Modi arriscará usar mais força? Em caso afirmativo, a opinião pública irá tolerar? Não existe uma resposta fácil para essas perguntas.

Um importante estudo da Sociedade para Pesquisa Social e Econômica, de Vikas Rawal e Vaishali Bansal, mostra que a agricultura indiana é destruída por uma enorme desigualdade econômica. Mais da metade das famílias nas áreas rurais da Índia não têm terra, enquanto alguns poucos proprietários possuem não apenas a maior área cultivada, mas também as melhores terras. A falta de terra e a desigualdade de acesso à ela aumentaram nas últimas décadas, demonstram Rawal e Bansal, e as relações inseguras de arrendamento apenas se tornaram mais comuns. Eles mostram que o campo indiano “é caracterizado por uma vasta massa de camponeses e trabalhadores rurais que vivem em extrema pobreza, não têm acesso a educação e saúde decentes e não têm acesso a comodidades básicas para viver uma vida digna”. Essa é a razão pela qual eles protestam. É por isso que, argumentam Rawal e Bansal, as reformas agrárias são uma pré-condição para sua liberdade.

 

 



As fotos deste boletim são do dossiê. Foram feitas por Vikas Thakur, que é membro do departamento de arte do Tricontinental. Sobre suas fotos, Vikas escreve: “Esses são retratos de seres humanos com nomes, lutas e aspirações, um modo de vida. Esses são retratos de uma classe. Esses são retratos de um protesto histórico”.

Cordialmente,

Vijay.

In

TRICONTINENTAL

A Comuna de agricultores da Índia | Carta semanal 24 (2021) (thetricontinental.org) 

17/6/2021