segunda-feira, 22 de maio de 2017
VAMOS FIRMES AMPLIAR A LUTA CONTRA ESSE GOVERNO QUE ESTÁ A SERVIÇO DOS PATRÕES
RECEBEM DOS PATRÕES PARA FAZER O SERVIÇO SUJO CONTRA OS TRABALHADORES: MAIS DENÚNCIAS CONTRA O GOVERNO TEMER/PMDB E PARLAMENTARES COMO AÉCIO NEVES ESCANCARAM COMO O ESTADO ESTÁ A SERVIÇO DO CAPITAL.
Intersindical
As novas denúncias que vieram a público contra Michel Temer/PMDB e Aécio
Neves/PSDB são exemplos que mostram que a lama de corrupção que transborda agora
sempre fez parte da estrutura desse Estado que existe para atender os interesses
do Capital.
Michel Temer é flagrado em conversas com os representantes da empresa JBS
apoiando a ação da empresa em pagar uma “mesada” para o ex-deputado Eduardo
Cunha que está na cadeia denunciado por corrupção. Aécio Neves senador do PSDB é
flagrado em conversas pedindo e recebendo milhões da mesma empresa.
A JBS dona da marca Friboi, tem mais de 50 empresas nos EUA, expandiu seus
negócios para outros setores da economia e está na lista das maiores devedoras
da Previdência. Ou seja, a direção da JBS é o exemplo escancarado do interesse
patronal no desmonte da Previdência proposto por Temer: atacar a aposentadoria
dos trabalhadores e proteger as empresas caloteiras.
Em momentos como esse nem os meios de comunicação do Capital, como a rede Globo
conseguem esconder o caráter do Estado nessa sociedade capitalista: garantir
mais e melhores condições para os patrões explorarem a classe trabalhadora.
As ações na Bolsa de Valores caindo logo após as denúncias, os porta-vozes do
Capital na imprensa preocupados com o calendário do que chamam de reformas,
mostram o nervosismo da burguesia com o transbordamento da lama envolvendo seus
legítimos representantes. Pois agora tanto o governo, como o Congresso Nacional,
não têm mais condições de acelerar a entrega da encomenda feita pelas principais
confederações patronais do país: acabar com os direitos trabalhistas. Exemplo
disso foi a suspensão do calendário da comissão que trata da reforma trabalhista
logo após a revelação das denúncias.
A cada governo uma forma de ataque: basta ver os exemplos dos governos dos
últimos anos. FHC/PSDB aumentou a idade para aposentadoria impondo o Fator
Previdenciário, abriu a possiblidade do calote nas horas extras com o Banco de
Horas, ajudou os patrões arrocharem ainda mais os salários dos trabalhadores e
alterou várias regras na Previdência piorando a situação daqueles que adoeceram
nos locais de trabalho.
O governo do PT seja com Lula ou Dilma mantiveram esses ataques. Aceitaram a
proposta das centrais sindicais pelegas do Programa de Proteção ao Emprego, que
na verdade protege os empresários ao permitir a redução dos salários dos
trabalhadores, atacaram a Previdência dos servidores públicos, as pensões, o
abono salarial e o seguro-desemprego do conjunto dos trabalhadores.
E com o governo Temer /PMDB os ataques aumentaram em tamanho e ritmo ao tentar
desmontar a Previdência e acabar com os direitos trabalhistas.
Só a renúncia é pouco. Apenas eleições gerais não bastam, é preciso mais.
Só a suspensão do calendário das discussões no Congresso Nacional sobre o ataque
à Previdência e aos direitos trabalhistas é pouco, como também não basta somente
a renúncia de Temer e a convocação de eleições gerais, é preciso mais.
Esperar que os problemas da classe trabalhadora se resolvam na esfera do Estado
é atrasar a mobilização indispensável para avançar no necessário enfrentamento
contra os ataques do Capital.
É preciso seguir ampliando a luta em cada local onde a exploração acontece, essa
sim é a principal ferramenta para enfrentar os ataques do Capital à classe
trabalhadora.
A Intersindical- Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora
seguirá firme na mobilização nos locais de trabalho, estudo e moradia,
potencializando as lutas em curso para construção de uma nova e maior Greve
Geral no país contra o ataque dos patrões, do governo Temer/PMDB e do Congresso
Nacional, sem ilusões que os problemas da classe trabalhadora se resolverão na
esfera da superestrutura do Estado. Para que nenhum direito seja a menos e para
avançar nas conquistas, a luta continua e se amplia nos locais de trabalho e nas
ruas.
In
INTERSINDICAL
http://www.intersindical.org.br/mobilizacao/noticias2/item/1345-recebem-dos-patroes-para-fazer-o-servico-sujo-contra-os-trabalhadores-mais-denuncias-contra-o-governo-temer-pmdb-e-parlamentares-como-aecio-neves-escancaram-como-o-estado-esta-a-servico-do-capital
19/5/2017
sábado, 20 de maio de 2017
As opções abertas em meio à crise brasileira
por Roberto Bitencourt da Silva
O cenário nacional está totalmente imprevisível, contando com possibilidades e
alternativas as mais diferentes para responder aos dilemas presentes.
Evidentemente, o jogo articulado por cima prevalece no horizonte.
Mas, não enclausura as possibilidades de tentativas radicalmente diferentes de
equacionar a crise política, econômica e moral que assola o País. Muito
esquematicamente, considerando que, mais dia menos dia Temer seja carta fora do
baralho, abaixo menciono algumas possibilidades advogadas e hipóteses ventiladas
por distintos setores da sociedade.
1. Por cima, da ótica dos poderosos estratos burgueses e oligárquicos
(sobretudo, bancos, conglomerados de mídia, multinacionais, latifundiários,
rentistas, partidos conservadores):
A) Eleição indireta, a base de uma indicação do nome do presidente da República
pelo Congresso vigente. Nome possivelmente sem vínculos com o sistema
partidário-eleitoral, em franca erosão de credibilidade. Longe de ser
"apolitico", mas dotado da projeção de alguma imagem pretensamente técnica em
seu campo de atuação: finanças, direito. Via imediatamente segura para aprovar
as contrarreformas desfavoráveis ao País e ao Povo. Todavia, persistiriam os
"riscos" de instabilidade social, econômica e política. Alternativa que peca por
precaríssima legitimidade.
B) Eleição presidencial direta. Visaria proporcionar credibilidade e investir o
laureado de uma imagem democrática, sob o influxo e a base da pauta dos
conglomerados de mídia e do Congresso em vigor, dando maior força às
contrarreformas trabalhistas e previdenciárias. O calcanhar de Aquiles é o
imponderável de uma consagração de personagem refratário, em parte ou na
íntegra, à agenda reacionária e colonizante. A instabilidade, para o poder,
permaneceria.
C) Junto com a eleição direta para presidente, promoção de uma assembleia
constituinte. Apoiando-se na cantilena diuturnamente preconizada pela mídia
massiva, daria eventualmente legitimidade ao novo governo e, particularmente, às
contrarreformas asseguradas em nova Constituição, que perderia, ou teria
significativa redução dos parcos direitos sociais garantidos na Constituição de
88. Hipótese que poderia fechar por muito tempo o sistema político, assentado em
grande credibilidade reacionária. Porém, o "risco" óbvio é de incidência das
pautas populares e de maior número de representantes progressistas, a partir de
grandes e emergentes mobilizações cívicas e sindicais, na Constituinte.
2. Por baixo, da ótica da organização dos setores progressistas (parcelas da
pequena burguesia, das classes trabalhadoras humildes, medianas e altas, do
estudantado, de partidos políticos e demais organismos coletivos no quadrante à
esquerda):
D) Eleição direta para presidente, apoiando-se na realização de grandes
movimentos cívicos nas ruas (pós expediente de trabalho), escanteando ou
secundarizando a promoção de greves gerais. Partes expressivas das hostes
petistas já dão sinais nesse sentido, apostando em um retorno de Lula, novamente
consagrado nas urnas. Entre outras limitações não aventadas, o potencial
bloqueio parlamentar a qualquer ação do ex-presidente reconduzido. O
esvaziamento da notória habilidade conciliatória do líder petista, em uma
conjuntura em que a conciliação dos de cima com os de baixo desmoronou. A guerra
de classes travada pelas burguesias doméstica e gringa contra o Povo Trabalhador
é aguda e não demonstra sinal de recuo.
E) A anulação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, com a sua recondução
ao cargo. Se possui lógica do ângulo potencialmente juridico e simbólico, a
limitação que se pode identificar nessa alternativa é a mesma revelada no item
anterior, só que com acento bem maior. Em que pese o óbvio processo de natureza
golpista que afastou a presidente Dilma, a solução a ser alcançada na atual e
imprevisível conjuntura é eminentemente política. Diz respeito à correlação de
forças. Abandonando a sua tímida agenda apresentada na eleição e buscando
atender, em boa medida, bandeiras provenientes das hostes entreguistas e
privatistas do PSDB e do DEM, a presidente perdeu absoluta popularidade, não
tendo qualquer força para mobilizar dilatadas camadas dos estratos médios e
populares contra o golpe. Hoje, menor força ainda teria. Abdicou, inclusive, de
uma denúncia e interpelação popular via cadeia nacional de rádio e TV, para o
esclarecimento do público sobre o que estava em jogo.
F) Eleições gerais para o Congresso e a Presidência, sob a base de ampla
mobilização contra a agenda ultraconservadora, também contra a ilegitmidade de
grossa parte dos mandatos parlamentares, talhados no financiamento velado ou
aberto de campanhas por grandes empresarias. Hipótese que seria especialmente
apoiada em iniciativas cívicas e sindicais articuladas. As paralisações e greves
dos trabalhadores consistiriam em formas de repercutir com vigor o ponto de
vista dos de baixo, para interferir no jogo político institucional. Não oferece
garantia alguma - para as camadas populares e médias, diga-se, ela não existe -,
mas pode ao menos atenuar o furor privatista, lesa pátria e reacionário do
condomínio do poder. Este tem como maior preocupação as restrições à circulação
e à reprodução do dinheiro e dos lucros empresariais. Só a greve geral, e por
tempo indeterminado, tem a capacidade de oferecer essa restrição, guardando
força de incidência no debate político.
Para não ficar na mera observação e descrição, o autor dessas linhas se
posiciona: o ideal seria um grande movimento cívico-militar, norteado por
propósitos anti-imperialistas, nacionalistas, distributivistas e socializantes,
de sorte a responder com vigor as sérias ameaças de neocolonização do Brasil.
Uma agenda de combate e ruptura com a dependência externa, o neocolonialismo
galopante e o subdesenvolvimento atroz.
Recentemente, a experiência mais conhecida é a do bolivarianismo chavista na
Venezuela. Contudo, a história brasileira também já ensaiou relevante fenômeno
dessa natureza, entre as décadas de 1950-60, envolvendo trabalhistas,
comunistas, socialistas, getulistas e frações católicas nos meios políticos,
estudantis, sindicais, camponeses, populares, pequeno-burgueses, intelectuais e
militares. Naufragou com o golpe civil-militar dos de cima, em 1964. Mas teve
bastante expressão.
O jogo golpista, reacionário e entreguista é articulado dentro e fora do País,
com graves riscos à preservação de um fiapo ao menos de soberania nacional e
popular.
Contudo, para atender àquele ideal precisaríamos de amplas frações das Forças
Armadas dotadas da visão patriótica e democrática do general da reserva do
Exército, sr. Bolívar Marinho Meirelles. Estamos longe de poder contar com isso.
O fundamental é a organização e a mobilização populares, nessa quadra altamente
perigosa e crítica, em que a alienação do patrimônio e da soberania nacional,
assim como a potencial escravização do Povo brasileiro, são riscos salientes.
A greve geral é o maior instrumento e que antecede a qualquer reflexão e
alternativa sobre a atuação nas mudanças políticas em curso, do ângulo
popular-democrático das esquerdas e do mundo do trabalho. Recurso mais
importante à disposição do Povo para interferir, como sujeito político com
escolha e capacidade de ação, nos rumos da Nação.
Roberto Bitencourt da Silva - historiador e cientista político.
In
JORNAL GGN
http://jornalggn.com.br/blog/roberto-bitencourt-da-silva/as-opcoes-abertas-em-meio-a-crise-brasileira-por-roberto-bitencourt-da-silva
20/5/2017
sexta-feira, 19 de maio de 2017
Em direcção a uma «Primavera Latina» ?
Thierry Meyssan
A inquietação cresce na América Latina : os Estados Unidos e o Reino Unido
preparam aí uma «Primavera», decalcada no modelo das «Primaveras Árabes». É
claro, não se tratará desta vez de espalhar a guerra dividindo para isso as
populações na base de uma linha religiosa —os Latinos são quase todos cristãos—,
mas, antes de utilizar elementos de identidades locais distintivas. O objectivo
seria no entanto o mesmo : não o de substituir uns governos por outros, mas, sim
destruir os Estados para erradicar a mínima possibilidade de resistência ao
imperialismo.
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Com o tempo, inúmeros líderes políticos do mundo reinterpretaram as «Primaveras
Árabes». Aquilo que aparecia como sendo revoluções espontâneas contra governos
autoritários é agora percebido como o que realmente é: um plano anglo-saxónico
de desestabilização de toda uma região do mundo para lá colocar no poder os
Irmãos Muçulmanos. A memória da «Revolta Árabe de 1916», durante a qual Lawrence
da Arábia provocou o levantamento da região contra o Império Otomano fazendo os
Povos sonharem com a liberdade para acabar no final por escravizá-los ao Império
Britânico, mostra que Londres é perita no assunto.
Parece que os Anglo-Saxões preparam uma nova vaga de pseudo-revoluções na
América Latina. Tudo começou com um decreto de Barack Obama, a 9 de Março de
2015, declarando um “estado de emergência” em função da ameaça extraordinária
que a situação na Venezuela faria pesar sobre os Estados Unidos. Este documento
suscitou uma onda de indignação no continente forçando o Presidente dos EUA a
apresentar desculpas aquando de uma cimeira internacional. Mas... o decreto não
foi revogado e os preparativos para uma nova guerra continuam.
Ao contrário do Syrian Accountability Act (Lei de Responsabilização da Síria-
ndT) de George W. Bush (2003), o texto de Obama sobre a Venezuela é um decreto
presidencial e não uma lei. Por conseguinte, o Executivo não tem que prestar
contas dos preparativos ao Legislativo. Se levou oito anos aos Anglo-Saxões para
passar à acção no mundo árabe, em geral, e na Síria em particular, inúmeros
elementos sugerem que lhes bastará menos tempo para lançar um programa de
destruição de América Latina.
Motins irromperam no Brasil, por ocasião dos Jogos Olímpicos, contra a
Presidente Dilma Rousseff. Esta foi destituída na sequência de um processo
parlamentar, legal é certo, mas totalmente contrário ao espírito da
Constituição. Este golpe de Estado foi realizado sob a supervisão do Banco
Central —cujo nº2 era um brasileiro-israelita— por Deputados, dos quais muitos
estão hoje condenados por corrupção. Os Serviços de Segurança do Estado ficaram
estranhamente quietos durante este golpe. É que, durante os Jogos Olímpicos,
eles tinham sido colocados sob a coordenação de ... peritos israelitas.
Actualmente, o novo Presidente, o brasileiro-libanês Michel Temer é, por sua
vez, amplamente contestado.
A situação não é muito melhor no México. O país está de facto já dividido em
quatro. O Norte experimenta um forte crescimento, enquanto o Sul está em plena
recessão. Os dirigentes políticos venderam a companhia petrolífera nacional e
todas as suas reservas, a Pemex, aos Estados Unidos (que, aliás, não têm
necessidade do petróleo do Médio-Oriente). Apenas o Exército parece ainda
acreditar em Pátria.
Explorando os erros económicos do governo, a Oposição venezuelana conseguiu
organizar algumas grandes manifestações pacíficas. Simultaneamente, ela
organizou minúsculas reuniões extremamente violentas no curso das quais polícias
e manifestantes foram mortos. Semeando a confusão, as agências de notícias
internacionais dão a impressão que começou uma revolução contra os chavistas,
que não é o de todo o caso.
Assim, os três principais Estados latino-americanos estão a ser desestabilizados
ao mesmo tempo. Parece que os neo-conservadores norte-americanos
(“neo-cons”-ndT) antecipam uma possível paz na Síria e aceleram os seus
projectos latino-americanos.
Sexta-feira, numa alocução televisionada, o presidente venezuelano Nicolás
Maduro avisou o seu povo contra o projecto anglo-saxónico de «Primaveras
Latinas». Repetida e demoradamente ele citou os precedentes líbio e sírio,
perante uma plateia de intelectuais da região, à qual, Sírio de coração, eu me
associara.
Thierry Meyssan
Tradução
Alva
In
VOLTAIRENET.ORG
http://www.voltairenet.org/article196386.html
19/5/2017
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Reforma trabalhista: massacre em 120 pontos
Carlos D'Incao (historiador)
Estudei a Reforma Trabalhista em sua integralidade. Constatei um total de 120
ataques aos trabalhadores. Não é uma "mini-reforma" e muito menos uma
"modernização" das relações do trabalho.
Trata-se de uma profunda alteração das relações sociais de produção no Brasil e
um enorme retrocesso histórico.
Além disso, essa Reforma é um poderoso motor para a invalidação prática de uma
gigantesca parte do Direito Trabalhista, do Direito Tributário, do Direito
Empresarial, do Direito Civil e - por fim - da própria Constituição.
Não farei resumos e nem sínteses. Analisei cada ponto dessa Reforma e espero,
dessa forma, ter contribuído para a luta das forças populares contra o que chamo
de "imposição da Lei da Selva" nas relações de trabalho no nosso país.
Ao término desse meu estudo cheguei à mais nítida conclusão de que aqueles que
defendem esse governo e as forças conservadoras da direita não serão
reconhecidos pelas gerações futuras como homens e mulheres civilizados pois
apoiam - por ignorância ou livre opção - a barbárie e a selvageria para toda a
sociedade brasileira.
Peço - por fim - apenas que trabalhemos juntos em divulgar esse verdadeiro
massacre que as elites vão tentar perpetrar junto à classe trabalhadora nas
próximas semanas.
Vejamos ponto a ponto essa Reforma:
1 - Ela estabelece a possibilidade da fraude empresarial em detrimento do
trabalhador. Supomos um grande grupo societário. O mesmo poderá abrir várias
empresas (no nome dos próprios sócios) e pulverizar contratos de trabalho e
passivos trabalhistas nas menores empresas, mantendo a principal "blindada"
dessas questões.
Quando ela resolver demitir um ou mais funcionários, poderá alegar falta de
recursos financeiros para arcar com o pagamento de verbas rescisórias. Isso será
possível porque as várias empresas não serão consideradas mais parte de um grupo
econômico, como ocorre hoje.
2 - A reforma trabalhista permite a empresa computar como "tempo não produtivo"
todo tipo de ação do trabalhador, inclusive tempo para trocar de roupa,
interação social, intervalo para utilizar o banheiro, alguma alimentação fora do
horário do almoço, etc.
Com isso, a empresa poderá obrigar o trabalhador a fazer hora extra sem
remunerá-lo, alegando (de forma arbitrária) que trata-se de compensação de
"tempo não produtivo" do funcionário.
3 - A Justiça comum poderá ser utilizada pela empresa para recorrer de uma
decisão do Tribunal Trabalhista. Caso tenha êxito, o processo terá a morosidade
típica dessa modalidade da Justiça que, em alguns casos demora até 20 anos para
concluir um processo.
4 - Está elimina da Justiça do Trabalho a prerrogativa da Jurisprudência, o que
significa que sentenças passadas sobre casos idênticos ao ocorrido em uma
reclamação trabalhista, não servirão como elementos pacificadores para o
processo.
Isso tornará o julgamento de instâncias superiores mais demorados e passíveis de
serem reformados, dependendo do juiz.
5 - O trabalhador perde o direito de ter qualquer adiantamento financeiro em um
processo trabalhista, pois deixa de ser considerado hipossuficiente perante a
lei. Isso ocorrerá em qualquer caso, mesmo quando a empresa deixa de pagar os
salários do trabalhador.
6 - Limita a 2 anos a responsabilidade do sócio de uma empresa em responder por
questões trabalhistas. Mais uma avenida para a fraude. Supomos uma empresa que
tenha grandes dívidas e irregularidades trabalhistas. Os sócios podem sair do
quadro societário e colocar algum "laranja" em seu lugar.
Esse "laranja" liquida a sociedade depois de dois anos e os verdadeiros sócios
não precisam responder por mais nada. E o trabalhador não poderá acioná-los em
nenhuma instância judicial.
7 - O trabalhador fica proibido de reclamar na Justiça de Trabalho por perdas de
direitos (mesmo que legais) caso tenha sido notificado pelo empregador sobre
essas perdas. Ao assinar a notificação, se entenderá que o empregado "concordou"
em abrir mão de seus direitos.
8 - Proíbe a celebração de acordos extra-judiciais entre patrão e empregado,
exclusivamente pela parte do empregado. Caso o acordo extra-judicial parta do
patrão, o acordo poderá ser celebrado.
9 - O processo trabalhista pode ser decretado prescrito após dois anos, mesmo se
ele esteja em andamento. Esse dispositivo serve para impedir o trabalhador de
solicitar, por exemplo, perícias contábeis ou perícias médicas, que em regra são
demoradas.
10 - Retira do juiz trabalhista o acesso a informações patrimoniais das
empresas. Assim, não existirá mais "confisco on-line" e nem mesmo decretação de
penhora de bens por informações disponíveis na Receita Federal.
11 - As multas em caso de não registro de funcionários será reajustada pelo TRD,
um índice depreciativo. Em breve as multas se tornarão simbólicas o que vai
estimular o trabalho informal.
12 - Está eliminado qualquer remuneração pelo tempo de deslocamento do
trabalhador para a empresa, mesmo que o seu posto seja de difícil acesso ou nos
casos em que o trabalhador resida em outra cidade.
13 - O regime parcial de trabalho (com menos benefícios), passa de 25 horas para
36 horas semanais.
14 - Agora a empresa pode solicitar trabalho extra no regime parcial de
trabalho, apenas remunerando as horas adicionais de trabalho. Trata-se de um
convite à precarização das relações de trabalho...
15 - A lei estimula as empresas a adotarem o regime parcial. Na prática as
empresas vão deixar de contratar funcionários no regime integral, pois não
compensará economicamente fazê-lo.
16 - As horas extras feitas pelo trabalhador em uma determinada semana podem ser
compensadas por dispensa de horas de trabalho ao longo do mesmo mês. Algo que
antes era inconstitucional.
17 - O cumprimento de horas extras poderá ser convencionado por acordo
individual e sem a necessidade de ser registrado por escrito. A justiça
entenderá que se o trabalhador fez hora extra, fez porque aceitou e ponto final.
18 - A empresa pode determinar banco de horas e remunerar o trabalhador em até 6
meses. Os acordos poderão ser celebrados de forma individual, não sendo
obrigatório o seu registro por escrito.
19 - Fica estabelecida a possibilidade da jornada de trabalho de 14 horas
diárias (12 horas + 2 horas extras). Ainda que esteja estabelecida a
obrigatoriedade de 36 horas de descanso após essa jornada, esse "direito" pode
ser suprimido por acordo ou pelo próprio regime parcial de trabalho.
20 - Caso a empresa exceda seu direito de exigência de horas extras diárias ou
semanais, fica proibido ao trabalhador de reclamar desse excesso em uma futura
ação trabalhista.
21 - As horas extras (que são remuneradas em 50% a mais do que o valor da hora
de trabalho regular) poderão se tornar - ao livre arbítrio do empregador - em
banco de horas. Assim, o trabalhador fará na prática hora extra, mas poderá
receber esse extra como hora normal.
22 - As jornadas de 12 horas por 36 horas poderão ser feitas também em ambientes
insalubres.
23 - A empresa pode exigir do trabalhador uma jornada excepcional de trabalho em
casos onde, por exemplo, a empresa alegue que supostamente necessite terminar um
serviço de forma urgente e poderá pagar multa em caso de não entregá-lo. Tudo
isso independente de acordo ou notificação ao Ministério do Trabalho.
24 - A empresa está desobrigada a remunerar o trabalhador por serviços feitos em
sua residência, o chamado "teletrabalho", devendo o mesmo entregar relatórios,
e-mails, fazer planilhas, responder mensagens, etc., como parte integrante de
suas responsabilidades profissionais já estabelecidas à priori.
25 - A empresa poderá "comprar" os intervalos de descanso do trabalhador.
26 - A empresa poderá caracterizar como "teletrabalho" o trabalho feito pelo
trabalhador nas dependências da própria empresa. Como o conceito de
"teletrabalho" inclui serviços com computadores, o trabalhador poderá ficar
preso na empresa pelo tempo que for necessário para cumprir um determinado
trabalho e a empresa estará desobrigada a remunerá-lo por esse tempo extra.
27 - A empresa poderá incluir a possibilidade do "teletrabalho" no contrato
inicial do trabalhador. No caso dos contratos antigos poderá inclui-lo de forma
unilateral.
28 - A empresa poderá exigir que o trabalhador tenha o seu próprio equipamento
de trabalho, em especial no setor tecnológico (computadores, celulares, etc).
29 - O empregador estará isento de qualquer responsabilidade de acidente de
trabalho ou adoecimento do trabalhador, desde que o "oriente" de forma escrita
ou oral sobre os riscos do seu trabalho.
30 - As férias poderão ser divididas em três partes. "Férias" de cinco dias
corridos agora serão legais.
31 - O trabalhador está proibido de acessar qualquer instância da justiça em
caso de perdas patrimoniais ou extra-patrimoniais causadas pela empresa.
32 - O patrão agora poderá processar o empregado por danos morais.
33 - O empregado poderá ser monitorado pela empresa. Opiniões políticas ou
contrárias aos interesses da empresa poderá ser objeto de demissão por justa
causa.
34 - A empresa poderá ter acesso à correspondência e e-mails de seus
funcionários quando os mesmos estiverem nas suas dependências.
35 - O empregado poderá responder junto com a empresa por eventuais processos de
danos morais movidos por um cliente contra a empresa.
36 - Cria-se um regramento limitador para o empregado entrar com ação por danos
morais contra uma empresa.
37 - No caso de indenização estabelece uma tabela: dano leve (indenização de 3
salários); dano médio (5 salários); dano grave (20 salários); dano gravíssimo
(50 salários). Além de inconstitucional - por considerar o trabalhador um
cidadão de segunda categoria, sujeito a tabelas de indenização - estabelece um
fato horrendo: custa mais barato humilhar aquele que ganha menos...
38 - A mesma tabela de indenização é aplicada para o trabalhador. Lembremos que
agora o trabalhador pode ser processado pela empresa por danos morais. O que
ocorrerá é um festival de judicialização do trabalho. O trabalhador entra com
uma ação por falta de pagamentos de direitos, e a empresa - em retaliação -
entra com outro processo por danos morais...
39 - No caso de danos morais cometidos pela empresa, a reincidência só aumentará
o valor da pena se o caso ocorrer com um mesmo funcionário.
40 - Mulheres gestantes estarão mais expostas a ambientes insalubres de trabalho
colocando em risco a sua saúde e a de seu bebê.
41 - Acaba os dois intervalos para a mãe amamentar seu filho até os seis meses.
O que valerá é o livre acordo...
42 - A empresa pode determinar livremente quem é trabalhador da empresa e quem é
autônomo. Pode inclusive alterar o status de um funcionário da maneira que bem
lhe prouver.
43 - Cria a modalidade do "trabalho intermitente" e não contratual. É a
institucionalização do "bico" sem qualquer direito que assista o trabalhador em
caso de abuso da empresa.
44 - O trabalhador que ganha mais de 11 mil reais não terá amparo em reclamações
trabalhistas básicas como excesso de jornada, hora extra, etc.
45 - No caso de venda da empresa, o novo dono responderá somente pelas
reclamações trabalhistas da sua gestão. O que ocorreu antes, fica a cargo dos
antigos donos. Mais uma avenida para a fraude empresarial.
46 - Estabelece do-responsabilidade em questões trabalhistas entre atuais e
antigos donos da empresa apenas quando se comprova que trata-se de uma sucessão
fraudulenta. Isso, na prática, coloca uma muralha ao trabalhador para reclamar
por seus direitos, pois antes de qualquer julgamento trabalhista, um outro
deverá ser analisado: o da suposta "fraude"... um processo que pode demorar
décadas para ser julgado.
47 - O trabalho intermitente terá que ter o valor de hora piso equivalente ao
valor de hora do salário mínimo. Surpresa! É o fim do salário mínimo. Pois um
trabalhador intermitente pode ter uma jornada inferior a de um trabalhador que
já recebe um salário mínimo... Logo, milhões receberão menos que um salário
mínimo.
48 - Um mesmo trabalhador pode ter diversos contratantes, mesmo que façam parte
de um mesmo grupo econômico. Isto é, pode acumular condições precarizadas.
49 - O trabalhador poderá ser convocado a fazer hora extra ou um trabalho
excepcional (com 3 dias de antecedência). Caso não execute ou falte à convocação
terá que pagar multa para a empresa no valor de 50% da sua hora de trabalho
requisitada.
50 - Elimina o prazo de prestação de um serviço para o trabalho intermitente.
Com isso, esse trabalhador poderá, na prátic,a nunca gozar de férias ou outros
benefícios.
51 - A empresa pode emitir recibo de pagamento para o trabalhador intermitente
de tal forma que a mesma omita o real valor do seu trabalho, considerando esse
valor apenas em sua futura recisão.
52 - Caberá ao trabalhador fiscalizar o recolhimento de seu INSS e FGTS por
parte da empresa. O poder público se retira dessa função. Com isso abre-se o
processo de falência da seguridade social e da privatização da Previdência.
53 - As férias do trabalhador podem ser suprimidas pelo grupo empresarial, mesmo
depois de 12 meses de trabalho continuado.
54 - A empresa pode obrigar o empregado a usar vestimenta com logomarcas de uma
outra empresa. Com isso essa empresa estará livre para negociar valores
publicitários usando os seus trabalhadores como veículos desse negócio.
Obviamente que os trabalhadores nada ganham por serem obrigados a venderem seu
corpo para fins publicitários.
55 - O uniforme tem que ser lavado, bem cuidado e estar sempre em bom estado de
uso. E a responsabilidade por isso é exclusivamente do trabalhador.
56 - Para além do salário fixo, outras remunerações e bonificações não serão
tributadas. Aqui está a grande prova de que o governo quer quebrar de vez com a
Previdência e a seguridade social.
57 - A empresa está livre de qualquer obrigação social, cultural, médica ou
assistencial para com os seus trabalhadores, independente do tipo de trabalho
realizado.
58 - O princípio da igualdade salarial pelo mesmo trabalho realizado só será
válida em uma determinada unidade da empresa. Uma empresa com mais de uma
unidade pode praticar salários diferentes pelo mesmo trabalho realizado. É o fim
da isonomia salarial.
59 - Mesmo em uma mesma unidade da empresa, o salário por um mesmo trabalho
realizado poderá ser diferente. Os salários serão apenas equiparados depois que
o funcionário estiver nessa unidade por mais de 4 anos.
60 - Fica livre à empresa estabelecer planos de carreiras com as mais distintas
diferenças salariais, sem a necessidade de homologação ou aviso às autoridades
competentes.
61 - A empresa pode promover um funcionário única-exclusivamente pelo critério
do bom desempenho, eliminando-se a obrigatoriedade da promoção por tempo de
serviço. Além de aumentar a submissão do trabalhador, a empresa pode julgar que,
simplesmente ninguém foi merecedor de promoção pois ninguém obteve um "bom
desempenho".
62 - As regras para promoção podem ser alteradas a qualquer tempo. Com isso, um
trabalhador que atinge um determinado nível de promoção e fica muito caro para a
empresa, pode ser dispensado e outro pode ser promovido na mesma função com
salário inferior e dentro de um "novo sistema de promoção".
63 - Caso se julgue que houve discriminação na promoção de um funcionário,
estabelece-se multa irrisória (50% dos benefícios não concedidos) mas a Reforma
impede o juiz de atuar de forma corretiva junto à empresa, como denunciando o
caso ao Ministério do Trabalho ou aplicando um TAC (Termo de Ajuste de Conduta).
64 - O trabalhador perde a seguridade de benefícios e gratificações que ficam de
acordo com as condições econômicas da empresa.
65 - A rescisão do trabalho não precisa mais ser feita no sindicato.
66 - Revoga-se qualquer multa ou punição no caso de não pagamento de verbas
rescisórias pela empresa ao trabalhador.
67 - As empresas podem realizar demissões em massa sem a necessidade de dialogar
com o sindicato da categoria.
68 - Extingue-se todas as garantias anteriores estabelecidas em convenções que
podem ser substituídas por novas regras ditadas pela empresa no caso de
demissões em massa.
69 - Torna-se mais ampla as possibilidades de demissão por justa causa. Além
disso, a empresa agora terá poderes de cassar a habilitação de um profissional
que atuou (no seu critério) de forma não profissional.
70 - Cria-se uma nova modalidade de demissão: a "demissão por acordo", na qual o
trabalhador ganha apenas metade de seus direitos e não pode sacar seu FGTS e não
terá direito de seguro desemprego.
71 - Para quem ganha mais de 11 mil reais de salário, o contrato pode
estabelecer uma "câmara de arbitragem" para debater sua rescisão. Nesse caso as
despesas são divididas.
72 - O empregado deverá assinar uma "carta anual de cumprimento de obrigações
trabalhistas" para a empresa. Dessa forma, não poderá reclamar de nenhuma
irregularidade futura.
73 - Em empresas com mais de 200 funcionários, poderão se formar comissões de
trabalhadores para debater as propostas da empresa, sem a presença do sindicato.
74 - Essas comissões de trabalhadores (de 3 a 10 funcionários) não precisam
debater as propostas da empresa em assembleia com os demais funcionários e nem
submetê-las a votação. Possuem o poder de assinarem qualquer tipo de acordo
coletivo.
75 - As comissões de trabalhadores podem exercer todas as funções do sindicato,
desde que a empresa aceite isso.
76 - As comissões de trabalhadores só possuem assegurado o poder de debater
questões sobre demissões arbitrárias. Greves, aumento salarial, etc, só se a
empresa deixar...
77 - Fica estabelecido o fim do imposto sindical.
78 - Cria-se mecanismos burocráticos para os trabalhadores que quiserem
contribuir voluntariamente com o sindicato.
79 - Não estabelece controle sobre o repasse das contribuições sindicais. Isso
significa que não há punição no caso de uma empresa atrasar esse repasse ao
sindicato ou simplesmente não repassa-lo.
80 - Estabelece prazo limitado para o trabalhador optar pelo pagamento da
contribuição sindical.
81 - Estabelece calendários distintos para o pagamento da contribuição sindical
para diferentes categorias, aumentando a possibilidade da não realização do
pagamento da contribuição mesmo para aqueles trabalhadores que querem apoiar seu
sindicato.
82 - Retira a possibilidade de pagamento automático da contribuição voluntária.
O empregado todo ano deverá optar por escrito que deseja contribuir.
83 - Estabelece o mês de janeiro como o mês da contribuição para a maioria dos
trabalhadores, retirando-lhes o direito de optar pelo mês da contribuição
voluntária (com certeza a adesão poderia ser muito maior se fosse possível optar
por realizá-la no mês do recebimento do 13º salário, por exemplo...)
84 - O acordo entre trabalhadores e a empresa tem maior valor do que a lei.
85 - Coloca o banco de horas como procedimento anual a ser validado pelo acordo
entre trabalhadores e empresa. Com isso o limite constitucional de 44 horas fica
suprimido. No fim, o acordado não respeita nem mesmo os direitos
constitucionais.
86 - A empresa poderá reduzir para 30 minutos o horário para almoço.
87 - O trabalhador poderá abrir mão do "Programa de Seguro-Emprego", aumentando
a sua insegurança trabalhista.
88 - Estabelece a possibilidade da empresa criar cargos de "confiança" sem
qualquer critério, aumentando problemas de disparidades salariais para trabalhos
idênticos.
89 - Dá liberdade para a empresa se organizar da forma que bem entender sem
comunicar aos órgãos fiscais competentes.
90 - A empresa pode delimitar e alterar quando quiser as funções dos
representantes dos trabalhadores na empresa.
91 - A empresa é que definirá as regras de todos os sobre-trabalhos feitos fora
da empresa, desde que acordado com os representantes dos trabalhadores.
92 - A empresa determinará regras de gorjetas, prêmios e bonificações em
acordos. As leis que antes regravam esses temas deixam de existir.
93 - A empresa pode alterar quando bem quiser e sem aviso prévio a jornada de
trabalho do trabalhador e o seu regime de trabalho.
94 - A empresa pode trocar os feriados, independente da vontade de uma parte dos
trabalhadores.
95 - A empresa é quem determinará o grau de insalubridade de um determinado
ambiente de trabalho.
96 - A empresa é quem determinará a tamanho da jornada no ambiente insalubre.
97 - A empresa poderá estabelecer prêmios e bonificações de forma contínua. Na
prática ela vai substituir o grosso do salário dos trabalhadores por essas
formas "alternativas" de remuneração. Mais um ataque à Previdência e à
seguridade social.
98 - A empresa poderá incorporar no salário a "participação de lucros", o que
hoje é uma bonificação.
99 - Nos acordos entre empresa e trabalhadores a Justiça do Trabalho só poderá
ser acionada para debater questões do Direito Civil.
100 - A Reforma estabelece que poderá haver perdas de direitos sem qualquer
contrapartida equivalente.
101 - Fica estabelecida a legalização da redução salarial e ainda fica
determinado os direitos trabalhistas só serão assegurados para aqueles que
aceitarem os termos dessa redução.
102 - Elimina-se todas as cláusulas compensatórias que existiam antes dessa lei,
em especial aquelas que estavam estabelecidas em convenções sindicais.
103 - Os sindicatos estão obrigados a se envolverem em cada queixa trabalhista
individual, quando os acordos forem firmados entre empresa e sindicato. Trata-se
de uma flagrante forma de desmoralizar os sindicatos. Pois, em nenhum lugar do
mundo um sindicato possui condições para isso.
104 - A jornada de trabalho excessiva deixa de ser matéria de discussão do campo
da saúde e do bem-estar físico e psicológico do trabalhador.
105 - Fica vedada a ultratividade, isto é, o aumento de direitos dos
trabalhadores em convenções com as empresas. O Estado não interfere nas perdas
dos trabalhadores, mas nos ganhos... não só interfere como proíbe.
106 - As multas sobre atrasos de obrigações passarão agora pelo índice da TR e
não mais do IPCA. O TR é um índice sempre inferior ao da inflação...
107 - A Justiça do Trabalho será obrigada a homologar qualquer acordo
extra-judicial, desde que parta do patrão,e não importando seus termos e seu
conteúdo.
108 - A Justiça do Trabalho poderá alongar os prazos para o julgamento das
causas pelo tempo que for necessário, acabando por vez com a celeridade dos
processos trabalhistas.
109 - A gratuidade da Justiça do Trabalho só existirá para aqueles que ganham
até R$1659,39. O trabalhador que receber mais do que isso terá que pagar pelas
custas do processo. Caso não tenha recursos para isso, terá que provar que não
pode pagar.
110 - O trabalhador é quem terá que pagar as custas de qualquer tipo de perícia,
mesmo que estiver sob o regime de gratuidade da justiça.
111 - Quando a perícia for solicitada pela empresa, a Justiça poderá parcelar o
pagamento.
112 - Caso o trabalhador perca a causa, deverá arcar com as despesas do processo
e pagar os honorários advocatícios para a empresa.
113 - O trabalhador poderá além de responder pelo crime de litigância de má-fé,
arcar com indenização a título de perdas e danos, para a empresa.
114 - A Reforma estabelece multa para o suposto falso testemunho de uma
testemunha arrolada pelo trabalhador no valor de 10% da causa. Agora, com esse
risco, quem se arriscará a depôr?
115 - A empresa pode solicitar ampliação de prazos e até mesmo mudança de fórum
para julgar uma causa. Com isso o processo torna-se ainda mais moroso.
116 - O ônus da prova se torna obrigatório para o trabalhador. Antes ele era
isento. No caso de uma acusação, deverá reunir provas e a empresa pode se valer
da presunção da inocência.
117 - O trabalhador obrigatoriamente terá que determinar o valor pleiteado na
ação inicial para que a mesma tenha validade. Isso restringe o direito pericial
e a análise do tribunal de questões que não são contábeis (como danos morais,
por exemplo).
118 - Elimina-se a obrigatoriedade do Preposto ser um funcionário ou sócio da
empresa reclamada no momento do julgamento. Agora a empresa poderá contratar um
"Preposto profissional" que, por ser um expert, terá enorme vantagem
argumentativa frente ao trabalhador.
119 - Após uma eventual condenação a empresa ainda terá uma enormidade de prazos
para recorrer sem ter que fazer qualquer "adiantamento de tutela". A liquidação
da dívida ainda concede mais prazos e estabelece as formas mais arcaicas e
morosas para que o trabalhador enfim receba seus direitos.
120 - Em caso de penhora, a empresa pode indicar os bens a serem penhorados...
Uma boa forma de se desfazer de patrimônio em desuso (móveis, cadeiras,
luminárias velhas, máquinas usadas, etc.)
In
BRASIL 247
http://www.brasil247.com/pt/colunistas/carlosdincao/295967/Reforma-trabalhista-massacre-em-120-pontos.htm
17/7/2017
Cumbre de Ruta de la Seda: último paso hacia la quiebra del dominio de EEUU
Raúl Zibechi
El Foro Internacional "Cinturón y Ruta de la Seda" celebrado el 14 y 15 de mayo
en Pekín, es un paso decisivo en el viraje global a favor de los países
emergentes y en desarrollo. La Ruta terrestre y marítima conecta China y Asia
con Europa, incluye 65 países con 4.400 millones de habitantes, el 63% de la
población mundial, y casi el 30% del PIB global.
En Pekín se dieron cita 28 presidentes y primeros ministros, cien ministros y
unos 1.200 delegados de todo el mundo. Entre las presencias destaca la de
Vladimir Putin, lo que implica la consolidación de la alianza estratégica
Rusia-China, mientras la ausencia más notoria fue la de Donald Trump.
Chile dispuesto a unir a Latinoamérica con Asia
Entre los europeos predomina la división. Asistieron mandatarios de primer nivel
de España, Italia, Grecia, Suiza, Polonia, Hungría, República Checa y Serbia,
mientras Alemania, Francia, Gran Bretaña y Japón enviaron delegaciones de menor
nivel. La ausencia de India es la más notoria, molesta por el "corredor
económico" que China construye en Pakistán, uniendo Xinjiang con el estratégico
puerto de Gwadar en el mar Arábigo.
En América Latina destacó la presencia de Chile y Argentina, países que apuestan
fuerte al comercio con China y a las inversiones del dragón en sus economías.
Brasil envió una delegación simbólica y México estuvo también ausente.
Fotos: El Primer Foro Internacional de la Ruta de la Seda
Los seis corredores de la Ruta pasan por Rusia o por las repúblicas de Asia
Central (Kazajstán, Kirguistán, Uzbekistán, Pakistán), además de Sri Lanka,
Turquía y Mongolia. Las obras de la Ruta de la Seda consisten en ferrocarriles,
carreteras, puertos, aeropuertos, oleoductos y redes de internet con los que
China apuesta a lubricar el comercio mundial y potenciar la globalización,
mientras Estados Unidos tiende a aislarse en un proteccionismo defensivo.
China pretende convertirse en la fuerza motriz de Eurasia
El año pasado los bancos estatales chinos anunciaron que disponen de 900.000
millones de dólares para financiar mil proyectos de la Ruta de la Seda, en la
que participa también el Banco Asiático de Infraestructura e Inversiones (AIIB).
Muchos de los proyectos incluyen empresas estatales chinas de petróleo y gas,
pero también han confirmado su participación las occidentales General Electric y
Siemens, entre otras.
En el largo plazo, la Ruta de la Seda "podría impulsar la internacionalización
del yuan fomentando su uso tanto en transacciones comerciales como financieras",
sostiene Tianjie He, de Oxford Economics. La internacionalización de la moneda
china, clave en su ascenso al rango de potencia global, se verá facilitada
porque las enormes obras que requiere la Ruta serán préstamos chinos en su
propia moneda.
En opinión de Xulio Ríos, director del Observatorio de la Política China, "la
Franja y la Ruta tiene la potencialidad para modificar el mapa económico mundial
y proyectar un nuevo modelo de globalización. Incluso sus más aciagos
detractores lo reconocen".
'Un cinturón, una ruta', el proyecto chino que pretende relanzar la
globalización
Uno de los hechos que más sorprende es la rapidez con que ha despegado la Ruta
de la Seda. Cuando se lanzó la iniciativa, en 2013, apenas 17 trenes de carga
unieron China con Europa. En 2016, fueron 1.702, cien veces más en cuatro años.
"Frenética" es la palabra usada por el analista Pepe Escobar para explicar la
construcción de 51 líneas de trenes que unen 28 ciudades de Europa y 27 de
China. Considera que las inversiones en la Ruta "serán un impulso para las
economías, desde Bangladesh hasta Egipto y desde Myanmar hasta Tajikistan".
En el mismo lapso de solo cuatro años, China abrió 356 líneas internacionales de
transporte de mercancías y pasajeros a lo largo de las carreteras del Cinturón y
la Ruta y opera 4.200 rutas aéreas semanales entre el dragón y sus socios de la
Ruta.
Sin embargo, uno de los aspectos más importantes de la iniciativa es que "está
ayudando a los países a unirse", como sostiene el oficialista Global Times. En
su discurso de apertura del Foro, el presidente Xi Jinping explicó que el
Cinturón y la Ruta es "el proyecto del siglo", que definió como "un camino de
paz" que busca convertir "la actual gobernanza global en una versión más
inclusiva y más justa".
Lea más: Banco de Desarrollo chino inyectará $36.200 millones en proyectos de la
Franja y la Ruta
Según Escobar, estamos ante un proyecto de "globalización inclusiva" que pasa
por "des-americanizar la globalización", lo que supone un fuerte contraste con
la política de Washington (goo.gl/G5i7tn).
Rusia apoya la iniciativa de la Franja y la Ruta
Ningún país puede alcanzar el rango de potencia hegemónica en base a la fuerza
militar. Por el contrario, para alcanzar la hegemonía sin dominación una nación
debe encarnar visiones del mundo capaces de atraer el interés de millones de
personas en los más remotos rincones.
Algo así sucedió con la Revolución de Octubre, un siglo atrás. El poder de los
soviets entusiasmó y enamoró (literalmente) a millones de obreros y campesinos
en todo el mundo, ya que era la primera vez en la historia que los de abajo
ejercían el poder y lo hacían a favor de los desheredados.
Incluso el ascenso de Estados Unidos al rango de gran potencia, fue posible
porque esa sociedad había realizado notables conquistas en el terreno científico
y en el cultural, convirtiéndose en polo de atracción para muchísimas personas
alrededor del mundo.
Presidente chino: La Ruta de la Seda llevará a la paz, prosperidad e
innovaciones
Por el contrario, la actual supremacía estadounidense, anclada en la potencia de
sus armas, es un síntoma de decadencia, como lo fue el poder militar de los
nazis. Nunca en la historia el dinero y las armas fueron suficientes para
sostener una supremacía, que siempre se asentó en el resplandor de una nueva
cultura política.
La milenaria China parece haber comprendido que debe mostrarle al mundo que su
superioridad económica debe jugar a favor de la mayoría de las naciones. En
paralelo, la colaboración estratégica entre Rusia y China es la "salvaguarda de
la paz y la estabilidad regionales y mundiales", según afirmó Xi en su discurso.
En los hechos ambos países se posicionan de la misma manera en los más
conflictivos escenarios, como en la guerra siria, y apuntan a profundizar la
cooperación económica y energética a la vez que tienden a elevarla hacia otras
áreas, como la innovación y las tecnologías. En los hechos, está naciendo un
mundo centrado en Eurasia.
Lea también: La Ruta de la Seda desafía guerras y conflictos
LA OPINIÓN DEL AUTOR NO COINCIDE NECESARIAMENTE CON LA DE SPUTNIK
In
SPUTNIK
https://mundo.sputniknews.com/firmas/201705161069187619-china-eeuu-dominio/
16/5/2017
terça-feira, 16 de maio de 2017
O engano, a traição e a esquerda: O prémio "Traidor do Ano"
por James Petras
Enquanto a direita apoia fielmente as políticas e interesses dos seus
apoiantes da classe dominante, a esquerda tem traído sistematicamente as
promessas da sua plataforma política e enganado a classe trabalhadora, os
empregados assalariados, os pequenos negócios e os seus apoiantes
regionais.
Inversões históricas têm acontecido em rápida sucessão por parte de
líderes de esquerda, incluindo maior controle oligárquico sobre a
economia, dominação política mais ditatorial pelas potências imperiais
(EUA, UE), aumento de desigualdades e pobreza e apoio "de esquerda" a
guerras imperiais.
Em alguns casos líderes de esquerda foram além dos seus oponentes de
direita ao aprovarem políticas reaccionários ainda mais extremas depois de
assumir o poder.
Neste ensaio identificaremos alguns dos vira-casacas de esquerda: Os
"Campeões da Traição".
A seguir faremos a revisão das suas inversões políticas e as
consequências para a sua classe trabalhadora e apoiantes rurais.
Em terceiro lugar, apresentaremos um estudo de caso do pior traidor "de
esquerda" do mundo de hoje: Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia.
Na secção final, discutiremos algumas das possíveis explicações para a
tendência de reversões políticas de líderes de esquerda.
"Esquerdistas" vira-casaca do princípio do século XXI
Há numerosos exemplos de antigos movimentos de guerrilha, regimes de
esquerda e líderes políticos que obtiveram apoio popular de massa com a
promessa de transformações radicais de estrutura e que deram meia volta
para abraçar os interesses dos seus adversários oligárquicos e imperiais.
Uma geração inteira de radicais, das décadas de 1960 e 1970, começou à
esquerda e, durante os anos 80 e 90 acabaram em regimes "centristas" e de
direita – tornando-se até colaboradores da extrema-direita e da CIA.
Antigos combatentes guerrilheiros, que acabaram como centristas e
direitas, tornaram-se ministros ou presidentes no Uruguai, Brasil, Peru,
Equador e Chile.
O comandante da guerrilha de El Salvador, Joaquin Villalobos,
posteriormente colaborou com a CIA e proporcionou "aconselhamento" aos
"esquadrões da morte" do presidente da Colômbia.
A lista dos traidores do fim do século XX é longa e lúgubre. Suas
traições políticas provocaram grande sofrimentos à massa dos seus
apoiantes os quais sofreram perdas sócio económicas, repressão política,
prisões, torturas, morte e uma profunda desconfiança em relação a
intelectuais e líderes políticos "de esquerda", assim como às suas
"promessas".
O século XXI: Começar à esquerda e acabar à direita
A primeira década do século XXI testemunhou uma revitalização de regimes
e partidos políticos de esquerda na Europa e na América Latina.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), conduzidas pelo
grande líder camponês Manuel Marulanda, tinham 20 mil combatentes e
milhões de apoiantes. Em 1999, ela havia avançados para os arrabaldes da
capital, Bogotá. A realidade hoje é uma inversão dramática.
Em França, o Partido Socialista adoptou um programa de esquerda e em 2012
elegeu François Hollande como presidente. Ele prometeu aumentar os
impostos sobre os ricos para 75% a fim de financiar um programa maciço de
empregos. Ele prometeu estender a legislação progressista do trabalho e
defender as indústrias nacionais. Hoje a sua credibilidade está próxima do
zero.
Por toda a América Latina, gente de esquerda foi eleita para encabeçar
governos, incluindo o Brasil, Argentina, Peru, Uruguai, Bolívia,
Venezuela, Equador e El Salvador. Com a possível excepção da Bolívia e do
Equador, eles foram removidos pelos seus parceiros ou oponentes de
direita.
Em Espanha, Portugal e Grécia emergiram novos partidos radicais de
esquerda com promessas de acabar com os brutais programas de austeridade
impostos pela União Europeia e lançar profundas transformações
estruturais, com orientação de classe. Aqui a história está a repetir-se
com outra série de traições.
As FARC: Da revolução à rendição
Em Junho de 2017 a liderança das FARC desarmou seus combatentes,
abandonando milhões de apoiantes camponeses em regiões anteriormente sob
o seu controle. A assinatura das FARC do Pacto de Paz com o regime Santos
não leva nem à paz nem a um pacto real. Dúzias de activistas já estão a
ser assassinados e centenas de pessoas de esquerda e camponeses fogem para
salvar a vida devido aos esquadrões da morte ligados ao regime Santos.
Verificaram-se assassinatos ao logo do processo de negociação e
posteriormente. Combatentes da guerrilha que depuseram as suas armas agora
enfrentam julgamentos em processos farsa (kangaroo trials), enquanto
camponeses que pedem a reforma agrária são expulsos das suas terras.
Combatentes rasos e militantes das FARC são abandonados na selva com suas
famílias sem lares, empregos e segurança em relação aos esquadrões da
morte. As bases militares dos EUA e seus conselheiros permanecem. A
totalidade do sistema sócio-económico está intacta. Só aos "líderes" da
guerrilha que estão em Cuba é garantida segurança, duas confortáveis
poltronas no Parlamento – as quais foram recusadas – e o louvor do governo
estado-unidense.
Os líderes e negociadores chefe das FARC, Ivan Marquez e Timoleon
Jimenez, são claros competidores ao "Prémio Traidor do Ano".
Presidente Hollande da França: Um colaborador imperial despejado pela
sanita abaixo
O mandato do presidente François Hollande não foi muito além da traição
da FARC. Ao ser eleito presidente da França em 2012 pelo Partido
Socialista, prometeu "tributar os ricos" em 75%, estender a aprofundar
direitos dos trabalhadores, reduzir o desemprego, reviver indústrias em
bancarrota, impedir a fuga capitalista e acabar com a intervenção militar
da França em países do Terceiro Mundo.
Após um breve namoro com a sua retórica de campanha, o presidente
Hollande avançou violentamente em favor dos negócios e do militarismo,
contra os seus eleitores.
Primeiro, ele desregulamentou as relações dos negócios com o trabalho,
tornando mais fácil e mais rápido despedir trabalhadores.
Em segundo lugar, reduziu a tributação dos negócios em €40 mil milhões.
Em terceiro, impôs e depois ampliou um draconiano estado de emergência a
seguir a um incidente terrorista. Isto incluiu a proibição de greves de
trabalhadores a protestarem contra a legislação anti-trabalho e a taxa de
desemprego com dois dígitos.
Em quarto, Hollande lançou ou promoveu uma série de guerras imperiais no
Médio Oriente e na África do Norte e Central.
A França sob François Hollande iniciou o bombardeamento da NATO da Líbia,
o assassínio do presidente Kadafi, a destruição total daquele país e o
desenraizamento de milhões de líbios e trabalhadores da África
sub-saariana. Isto levou a uma inundação maciça de refugiados
aterrorizados através do Mediterrâneo e para dentro da Europa com dezenas
de milhares a afogarem-se neste processo.
O projecto neo-colonial do presidente Hollande administrou a expansão de
tropas francesas no Mali (desestabilizado pela destruição da Líbia) e na
República Centro-Africana.
Como claro promotor do genocídio, Hollande vendeu armas e enviou
"conselheiros" para apoiar a grotesca guerra da Arábia Saudita contra o
empobrecido Iémen.
O presidente Hollande aderiu à invasão mercenária dos EUA na Síria,
permitindo a alguns dos mais puros jihadistas da França juntarem-se à
carnificina. Suas ambições coloniais resultaram na fuga de milhões de
refugiados para a Europa e outras regiões.
No fim do seu mandato, em 2017, a popularidade de Hollande havia
declinado para 4%, o mais baixo nível de aprovação eleitoral de qualquer
presidente na história francesa! O único movimento racional que ele fez
em todo o seu regime foi não procurar a reeleição.
Primeiro-ministro grego Alexis Tsipras: "Traidor do ano"
Apesar da árdua competição de outros infames traidores da esquerda por
todo o mundo, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras vence o prémio
"Traidor global do ano".
Tsipras merece o título de "Traidor global" porque:
1) Fez a viragem mais rápida e mais brutal da esquerda para a direita do
que qualquer dos seus venais competidores.
2) Apoiou a subjugação da Grécia aos ditames dos oligarcas de Bruxelas
quanto a exigências de privatizações, concordando em vender todo o seu
património nacional, incluindo sua infraestrutura, ilhas, minas, praias,
museus, portos, transportes, etc.
3) Ele decretou a mais brutal redução de pensões, salários e salários
mínimos da história europeia, enquanto aumentava drasticamente o custo de
cuidados de saúde, hospitalização e remédios. Ele aumentou o IVA (imposto
sobre o consumo) e impostos sobre importações e sobre o rendimento
agrícola enquanto "olhava para o outro lado" em relação a impostos de
evasores ricos.
4) Tsipras é o único lider eleito a convocar um referendo sobre as duras
condições da UE, recebe um mandato maciço para rejeitar o plano da UE e
então dá meia volta e trai os eleitores gregos em menos de uma semana. Ele
até aceitou condições mais severas do que as exigências originais da UE!
5) Tsipras reverteu suas promessas de se opor às sanções da UE contra a
Rússia e retirou o apoio histórico da Grécia aos palestinos. Ele assinou
um acordo de mil milhões de dólares sobre petróleo e gás com Israel, o
qual capturou campos petrolífero no offshore de Gaza e na costa libanesa.
Tsipras recusou opor-se ao bombardeamento da Síria pelos EUA-UE, assim
como da Líbia, ambos antigos aliados da Grécia.
Tsipras, como líder do supostamente partido de "esquerda radical" SYRIZA,
saltou da esquerda para a direita num piscar de olhos.
A primeira e mais reveladora indicação da sua viragem para a direita foi
o apoio de Tsipras à continuação da Grécia como membro da União Europeia
(UE) e da NATO durante a formação do SYRIZA (2004).
A "esquerda" do SYRIZA balbucia as platitudes habituais que acompanham a
condição de membro da UE, levantando "questões" e "desafios" vazios
enquanto fala de "lutas". Nenhuma destas frases "semi-grávidas" faz
sentido para qualquer observador que entenda o poder que os oligarcas
dirigidos pelos alemães têm em Bruxelas e sua adesão rígida à austeridade
imposta pela classe dominante.
Em segundo lugar, o SYRIZA tem desempenhado um papel menor, na melhor das
hipóteses, nas numerosas greves gerais e movimentos de trabalhadores e
estudantes que conduziram à sua vitória eleitoral em 2015.
O SYRIZA é um partido eleitoral da classe média baixa, conduzido por
políticos que querem subir na vida e que têm poucas, se é que algumas,
ligações ao chão da fábrica e às lutas agrárias. Suas maiores lutas
parecem revolver-se em torno de guerras internas de facção sobre assentos
no Parlamento!
O SYRIZA era uma colecção frouxa de grupos e facções briguentas,
incluindo "movimentos ecológicos", seitas marxistas e políticos
tradicionais que flutuaram sobre o moribundo e corrupto Partido Socialista
Pan Helénico (PASOK). O SYRIZA expandiu-se como partido no princípio da
crise financeira de 2008 quando a economia grega entrou em colapso. De
2004 a 2007 o SYRIZA aumentou sua presença no Parlamento de 3,5% para
apenas 5%. Sua falta de participação nas lutas de massa e suas querelas
internas levaram a um declínio nas eleições legislativas de 2009 para 4,6%
dos assentos.
Tsipras assegurou que o SYRIZA pemaneceria na UE, mesmo sua
auto-designada "ala esquerda", a Plataforma de Esquerda, liderada pelo
"académico marxista" Panagiotis Lafazanis, prometeu "manter uma porta
aberta para a saída da UE". Alexis Tsipras foi eleito primeiramente para o
conselho da municipalidade de Atenas, onde atacou publicamente colegas
corruptos e demagogos enquanto tomava lições privadas de poder da parte da
oligarquia.
Em 2010, o direitista PASOK e o partido de extrema-direita Nova
Democracia concordaram com um bail-out da dívida ditado pela UE que levou
a perdas maciças de empregos e cortes de salários e pensões. O SYRIZA, que
estava fora do poder, denunciou o programa de austeridade e fez elogios
verbais aos protestos maciços. Esta postura permitiu ao SYRIZA
quadruplicar sua representação no parlamento, passando a 16% na eleição
de 2012.
Tsipras saudou [a entrada] de membros corruptos e conselheiros
financeiros do PASOK para dentro do SYRIZA, incluindo Yanis Varoufakis,
que passava mais tempo a andar de motocicleta para bares de luxo do que a
apoiar nas ruas os trabalhadores desempregados.
Os "memorandos" da UE ditavam a privatização da economia, bem como cortes
mais profundos na educação e saúde. Estas medidas foram implementadas em
ondas de choque desde 2010 até 2013. Como partido da oposição, o SYRIZA
aumentou suas cadeiras em 27% em 2013 ... uns escassos 3% atrás do partido
governante Nova Democracia. Em Setembro de 2014, o SYRIZA aprovou o
Programa Salónica prometendo reverter a austeridade, reconstruir e
estender o estado de bem-estar social, restaurar a economia, defender
empresas públicas, promover justiça fiscal, defender a democracia
(democracia directa, nada menos!) e implementar um "plano nacional" para
aumentar o emprego.
Todo o debate e todas as resoluções revelaram-se como uma farsa teatral!
Uma vez no poder, Tsipras nunca implementou uma única das reformas
prometidas no Programa. Para consolidar o seu poder como chefe do SYRIZA,
Tsipras dissolveu todas as facções tendências em nome de um "partido
unificado" – o que estava longe de ser um passo rumo a maior democracia!
Sob o controle do "Querido Tio Alexis", o SYRIZA tornou-se uma máquina
eleitoral autoritária apesar da sua postura de esquerda. Tsipras insistiu
em que a Grécia permaneceria dentro da UE e aprovou um "orçamento
equilibrado" contradizendo toda as suas falsas promessas de campanha de
investimentos públicos para "ampliar o estado de bem-estar social"!
Um novo bail-out da UE foi seguido por um salto no desemprego de mais de
50% entre a juventude e de 30% de toda a força de trabalho. O SYRIZA
venceu as eleições parlamentares de 25 de Janeiro de 2015 com 36,3% do
eleitorado. Faltando um único voto para assegurar uma maioria no
parlamento, o SYRIZA fez uma aliança com o partido de extrema-direita
ANEL, ao qual Tsipras deu o Ministério da Defesa.
Imediatamente depois de tomar posse, o primeiro-ministro Alexis Tsipras
anunciou seus planos para renegociar com a oligarquia da UE e o FMI o
bail-out da Grécia e o "programa de austeridade". Este falso
posicionamento não podia ocultar sua impotência. Uma vez que o SYRIZA
estava comprometido a permanecer na UE, a austeridade continuaria e outro
oneroso bail-out se seguiria. Durante "reuniões internas", membros da
"Plataforma de Esquerda" do SYRIZA no gabinete ministerial apelaram ao
abandono da UE, ao repúdio da dívida e a forjar laços mais estreitos com a
Rússia. Apesar de estarem totalmente ignorados e isolados, eles
permaneceram como um impotente "sinal esquerdista" no gabinete
ministerial.
Com Tsipras agora liberto para impor políticas de mercado neoliberais,
milhares de milhões fluíram para fora da Grécia e os seus próprios bancos
e negócios permaneceram em crise. Tanto Tsipras como a "Plataforma de
Esquerda" recusaram-se a mobilizar a base de massa do SYRIZA, a qual havia
votado em favor da acção e exigiu um fim à austeridade. O impertinente dos
media, o ministro das Finanças Varoufakis, simulou um espectáculo com
grandes gestos teatrais de desaprovação. Estes foram abertamente
descartados pela oligarquia UE-FMI como travessuras de um impotente
palhaço mediterrânico.
Superficiais como sempre, académicos de esquerda canadianos,
estado-unidenses e europeus estavam amplamente inconscientes da história
política do SYRIZA, da sua composição oportunista, da sua demagogia
eleitoral e ausência total da luta de classe real. Eles continuaram a
palrar acerca do SYRIZA como governo da "esquerda radical" da Grécia e
cumpriram suas funções de relações públicas. Quando o SYRIZA abraçou
flagrantemente os cortes mais selvagens contra os trabalhadores gregos e
seus padrões de vida afectando a vida diária, os bem pagos e distintos
professores finalmente falaram os "erros" do SYRIZA e serviram a
"esquerda radical" deste ensopado de oportunistas! Suas grandes excursões
oratórias à Grécia estavam acabadas e eles voaram para longe a fim de
apoiar outras "lutas".
Ao aproximar-se o Verão de 2015, o primeiro-ministro Tsipras tornou-se
ainda mais próximo de toda a agenda de austeridade da UE. O "querido
Alexis" despediu o ministro das Finanças Varoufakis, cujo histrionismo
havia irritado o ministro das Finanças da Alemanha. Euclid Tsakalotos,
outro "radical" de esquerda, substituiu-o como ministro das Finanças, mas
revelou-se ser um maleável subordinado de Tsipras, desejoso de implementar
toda e qualquer das medidas de austeridades impostas pela UE sem as
travessuras.
Em Julho de 2015, Tsipras e o SYRIZA aceitaram um duro programa de
austeridade ditado pela UE. Isto rejeitava todo o Programa de Salónica do
SYRIZA, proclamado no ano anterior. A totalidade da população e os membros
da base do SYRIZA estavam cada vez mais irados, exigindo um fim à
austeridade. Apesar de aprovarem um "cinturão de austeridade" para a sua
base eleitoral de massa durante o Verão de 2015, Tsipras e sua família
viviam no luxo numa villa generosamente emprestada por um plutocrata
grego, longe das filas da sopa e barracas dos desempregados e pobres.
O primeiro-ministro Alexis Tsipras implementou políticas merecedoras do
prémio "Traidor do Ano". A sua estratégia foi dúplice. Em 5 de Julho de
2015 ele convocou um referendo sobre a aceitação das condições do bail-out
da UE. Pensando que os seus apoiantes "favoráveis à UE" votariam "Sim",
ele tencionava utilizar o referendo como um mandato para impor novas
medidas de austeridade. Tsipras julgou mal o povo: A sua votação foi um
repúdio esmagador ao duro programa de austeridade ditado pelos oligarcas
de Bruxelas.
Mais de 61% do povo grego votou "não" ao passo que apenas 38% votaram a
favor das condições do bail-out. Isto não se limitou a Atenas. A maioria
em todas as regiões do país rejeitou os ditames da UE – um resultado sem
precedente! Mais de 3,56 milhões de gregos exigiram um fim à austeridade.
Tsipras estava "confessadamente surpreendido" ... e desapontado! Ele
secretamente e estupidamente pensava que o referendo lhe daria carta
branca para impor austeridade. Quando os resultados da votação foram
anunciados afixou a sua habitual cara risonha.
Menos de uma semana depois, em 13 de Julho, Tsipras renunciou aos
resultados do seu próprio referendo e anunciou o apoio do seu governo ao
bail-out da UE. Talvez para punir os eleitores gregos, Tsipras apoiou um
esquema de austeridade ainda mais duro do que aquele rejeitado no seu
referendo! Ele cortou drasticamente pensões públicas, impôs maciças altas
regressivas de impostos e cortou US$12 mil milhões de serviços públicos.
Tsipras concordou com o infame "memorando Judas" de Julho de 2015, o qual
aumentavam o regressivo imposto geral sobre o consumo (IVA) para 23%, um
imposto de 13% sobre alimentos, um aumento agudo nos custos médicos e
farmacêuticos e de taxas de instrução, além de adiar a idade de reforma em
cinco anos, para a idade de 67.
Tsipras continuou a sua violência "histórica" sobre o sofredor povo grego
ao longo de 2016 e 2017. O seu regime privatizou mais de 71.500
propriedades públicas, incluindo o património histórico. Só a Acrópole foi
poupada do leilão em bloco.. por enquanto! O desemprego resultante levou
mais de 300 mil gregos educados e qualificados a emigrarem. Pensões
cortadas para 400 euros levaram à desnutrição e a um triplicar de
suicídios.
Apesar destas grotescas consequências sociais os banqueiros alemães e o
regime de Angela Merkel recusaram-se a reduzir os pagamentos da dívida. A
abjecção de Tsipras não teve efeito.
Altas agudas de impostos sobre combustíveis agrícolas e transporte para
ilhas turísticas levaram a manifestações constantes e greves em cidades,
fábricas, campos e auto-estradas.
Em Janeiro de 2017 Tsipras perdeu metade do seu eleitorado. Ele respondeu
com repressão: asfixiando com gás e espancando gregos idosos que
protestavam contra suas pensões de pobreza. Três dúzias de sindicalistas,
já absolvidos pelos tribunais, foram reprocessados pelos promotores de
Tsipras num vicioso "julgamento espectáculo". Tsipras apoiou os ataques
dos EUA-NATO à Síria, as sanções contra a Rússia e os acordos de energia e
militares de mil milhões de dólares com Israel.
Excepto durante a ocupação nazi (1941-44) e a guerra civil anglo-grega
(1945-49), o povo grego não havia experimentado um declínio tão
precipitado dos seus padrões de vida desde o tempo dos otomanos. Esta
catástrofe ocorreu sob o regime Tsipras, vassalo da oligarquia de
Bruxelas.
Turistas académicos de esquerda da Europa, Canadá e EUA têm "aconselhado"
o SYRIZA a permanecer na UE. Quando as consequências desastrosas dos seus
"conselhos políticos" se tornaram claros... eles simplesmente voltaram-se
ao aconselhamento de outras "lutas" com os seus falsos "fóruns
socialistas".
Conclusões
As traições de líderes "de esquerda" e "esquerdistas radicais" são
devidas parcialmente às suas práticas comuns como políticos a fazerem
acordos pragmáticos nos parlamentos. Em outros casos, antigos líderes
extra-parlamentares e guerrilheiros foram confrontados com isolamento e
pressão de regimes "de esquerda" vizinhos para submeterem-se a "acordos
de paz" imperiais, como no caso das FARC. Enfrentando o fortalecimento
maciço dos exércitos dos oligarcas, abastecidos e aconselhados pelos EUA,
eles dobraram-se e traíram seus apoiantes de massa.
O quadro eleitoral dentro da UE encorajou a colaboração de esquerda com
classes inimigas – especialmente banqueiros alemães, potências da NATO,
militares dos EUA e o FMI.
Desde as suas origens, o SYRIZA recusou-se a romper com a UE e sua
estrutura autoritária. Desde o seu primeiro dia de governo, ele aceitou
mesmo as dívidas pública e privadas mais comprovadamente ilegais
acumuladas pelos regimes corruptos do PASOK e da Nova Democracia. Em
consequência, o SYRIZA foi reduzido a mendigar.
Inicialmente o SYRIZA poderia ter declarado a sua independência, salvado
seus recursos públicos, rejeitado dívidas ilegais dos seus antecessores,
investido suas poupanças em novos programas de emprego, redefinido suas
relações comerciais, estabelecido uma divisa nacional e desvalorizado o
dracma para tornar a Grécia mais flexível e competitiva. A fim de romper
as cadeias de vassalagem e da oligarquia estrangeira que impuseram a
austeridade, a Grécia precisaria sair da UE, renunciar à sua dívida e
lançar uma economia socialista produtiva baseada em cooperativas
auto-administradas.
Apesar do seu mandato eleitoral, o primeiro-ministro grego Tsipras seguiu
o caminho destrutivo do líder soviético Mikhail Gorbachov, traindo seu
povo a fim de continuar debaixo de uma aliança cega de submissão e
decadência.
Se bem que vários líderes ofereçam árdua competição para o "Prémio
Traidor do Ano", a traição de Alexis Tsipras tem sido mais longa, mais
profunda e continua até os dias de hoje. Ele rompeu mais promessas e
reverteu mais mandatos populares (eleições e referendos) mais rapidamente
do que qualquer outro traidor. Além disso, nada excepto uma geração
permitirá aos gregos recuperar sua esquerda política [NR] . A esquerda tem
sido devastada pelas mentiras monstruosas e a cumplicidade dos antigos
"críticos de esquerda" de Tsipras.
As obrigações de dívidas acumuladas pela Grécia exigirão pelo menos um
século para terminarem – se o país puder mesmo sobreviver. Sem dúvida,
Alexis Tsipras é o "Traidor do Ano" por unanimidade!!!
30/Abril/2017
[NR] Os preconceitos do autor levam-no a esquecer que não é preciso
"recuperá-la" pois já existe o KKE com uma posição firme, coerente e
combativa.
O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/?p=2138
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
In
RESISTIR.INFO
http://resistir.info/petras/petras_30abr17.html
16/5/2017
segunda-feira, 15 de maio de 2017
La dictadura democrática de los poderosos
Raúl Zibechi
Nos hacen falta ideas. La mente no piensa con información sino con ideas, como
destaca Fritjof Capra en La trama de la vida. En esta tremenda
transición/tormenta que vivimos, necesitamos lucidez y organización para
comprender lo que sucede y para construir las salidas. Cuando la realidad se
hace más compleja y la percepción se enturbia, una característica de las
tormentas sistémicas, aclarar la mirada es un paso ineludible y vital.
Por eso nos atiborran con información basura, porque contribuye a potenciar la
confusión. Es en este sentido que los medios juegan un papel sistémico que
consiste en desviar la atención, hacer que las cosas importantes y decisivas
tengan un trato idéntico a las más superficiales (un accidente en carretera
tiene más cobertura que el caos climático) y tratan los temas serios como si
fueran un partido de futbol.
Como sabemos, hay quienes piensan que no hay cambios mayores, que la tormenta
sistémica es una crisis pasajera, luego de la cual todo seguirá su curso normal.
Pero los de abajo necesitamos aguzar los sentidos, detectar los sonidos y los
movimientos imperceptibles, porque nuestras vidas están en riesgo y cualquier
despiste puede tener consecuencias desastrosas. No tenemos seguros de vida ni
guardias privados, como tienen los de arriba.
El historiador francés Emmanuel Todd reflexiona sobre las elecciones en su país,
con análisis bien interesantes. El primero, es que desde hace varias décadas
existen campos de fuerzas sociales estables, que le permiten asegurar que la
sociedad está dividida en dos mitades y que esa división permanece casi
inalterada (goo.gl/p1i6WN).
En segundo lugar, se pregunta porqué en el pasado cuarto de siglo el rechazo al
modelo neoliberal no ha crecido (en Europa), pese al aumento de la desocupación
y al fracaso del euro. Analiza la población, un dato estructural que tienden a
minimizar los analistas. En Francia, la población envejeció hasta seis años
desde 1992 y, de hecho, los ancianos han perdido el derecho de voto, porque una
salida del euro derrumbaría sus pensiones.
La segunda cuestión que contempla es la estratificación educativa. Concluye que
la gente con estudios superiores produjo una oligarquía de masas y que esa élite
pasó de 12 por ciento de la población en 1992 a 25 por ciento, en sólo 25 años.
La conclusión estremece: una población envejecida sumada a una mayor masa
oligárquica desemboca en un creciente conformismo de la mitad de la población,
mientras la otra mitad de abajo se ha deteriorado notablemente desde el tratado
de Maastricht de 1992.
Cuando Marx escribe el Manifiesto Comunista, la relación entre los de abajo y
los de arriba era de nueve a uno. No había pensiones para los mayores y la
universidad estaba reservada para las élites. Era un sistema inestable, donde 90
por ciento tenía interés en derribarlo.
Los dos cambios mencionados por Todd (demografía y educación superior)
representan mutaciones profundas para quienes aspiramos a transformar el mundo.
Todavía en 1960 abundaban los universitarios como el Che, dispuestos a utilizar
sus conocimientos junto a los oprimidos. El sistema supo comprender que tenía un
punto débil entre los jóvenes universitarios y tomó medidas.
Ahora los docentes de ese nivel ganan fortunas, hasta 30 veces el salario mínimo
en varios países. Los estudiantes cuentan con becas que les permiten estirar los
estudios de posgrado hasta bordear los 40 años y luego aspiran a ingresar en la
élite universitaria. En el imaginario colectivo el ascenso social pasa por los
estudios superiores a los que se entrega buena parte de la vida.
Immanuel Wallerstein sostenía hace tres décadas (en Marx y el subdesarrollo) que
bajo el capitalismo la clase alta pasó de 1 a 20 por ciento de la población
mundial. La cifra puede acercarse ahora a 25 por ciento que presume Todd para la
oligarquía de masas. En América Latina las cifras deben matizarse, pero vamos
hacia allá.
Es posible que estemos bordeando la dominación perfecta: sociedades divididas en
partes casi iguales, entre los que necesitan patear el tablero y los que temen
cualquier cambio. Una mitad conformista y la otra mitad apabullada por la cuarta
guerra mundial. Por encima de ambas, 1 por ciento controla el poder estatal, el
material y las democracias electorales.
A medida que se expanden las dimensiones del grupo en la cima, a medida que
vamos haciendo a los miembros del grupo de la cima cada vez más iguales entre sí
en sus derechos políticos, se hace posible extraer más de los de abajo, escribe
Wallerstein en Después del liberalismo (página 168). Y agrega que un país mitad
libre y mitad esclavo sí puede durar mucho tiempo.
Las consecuencias de estos cambios deberían llevarnos a sacar algunas
conclusiones estratégicas.
Primero, la democracia se asienta en ese sector que no quiere desestabilizar el
sistema, mientras la otra mitad no se siente representada. La democracia
electoral tiene sentido para la mitad de arriba, pero es una cárcel para los de
abajo.
Dos, para la mitad desheredada de la población, el diseño actual del capitalismo
es una realidad opresiva, ya que las políticas sociales focalizadas tienden a
neutralizar y dividir a quienes necesitan levantarse contra el sistema.
Los partidos de centro-izquierda recogen las aspiraciones, y los miedos, de esa
mitad de la población que sólo quiere cambios cosméticos y cuyo ejercicio
político excluyente es votar cada cinco o seis años y asistir a mítines para
aplaudir a sus caudillos.
La mitad de abajo no puede confiar en un sistema político que funciona como una
dictadura democrática. Una estructura política con total libertad para la mitad
de arriba puede ser la forma más opresiva que se pueda imaginar para la mitad de
abajo, sigue Wallerstein.
Los que viven en la zona del no-ser, en palabras de Fanon, son los que resisten
y construyen otros mundos, por mera necesidad de sobrevivir. Pero son
bombardeados por la fantasía de que pueden cambiar su destino sin quebrar el
sistema.
In
LA JORNADA
http://www.jornada.unam.mx/2017/05/12/opinion/022a2pol
12/5/2017
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