quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
Chilenos lutam contra modelo de previdência que Bolsonaro quer copiar
Rute Pina
Brasil de Fato
Há três anos, o Chile vive um ciclo contínuo de manifestações que coloca milhões
de pessoas nas ruas em torno de um tema: o modelo da previdência vigente no
país. Quase 40 anos depois de implementada, a previdência chilena, que inspira o
presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) a propor um sistema
semelhante no Brasil, enfrenta uma crise profunda.
Na década de 1980, período em que o país era conhecido como “laboratório
neoliberal” por conta de uma série de políticas privatizantes em áreas como
saúde e educação, o Chile instaurou um modelo de previdência baseado em contas
individuais, com contribuição obrigatória. A mudança, nunca implementada em
nenhum outro lugar do mundo, foi feita por meio de um decreto de lei imposto
pelo ditador Augusto Pinochet em 1981.
Os fundos são administrados pelas AFPs [Administradoras de Fundos de Pensão] e
investidos em aplicações financeiras. As primeiras gerações chilenas a se
aposentar pelo sistema se depararam com o valor de aposentadoria abaixo do
salário mínimo.
O cientista político Recaredo Gálvez, pesquisador da Fundación Sol, lembra que o
sistema imposto em um ambiente antidemocrático não possibilitou a disseminação
de informações corretas sobre o sistema e impediu o debate sobre as
consequências que sua implementação traria para o país.
“Não havia real participação para discutir sobre essa transformação de política
no Chile. E isso significou que muito do que a ditadura informou a respeito da
mudança de sistema foi algo que não estava baseado em nenhum fato”, pontua.
No Chile, apesar de o modelo ter sido implementado pelos militares, as forças
armadas não têm o mesmo sistema de aposentadoria porque se opuseram às contas
individuais.
Quatro décadas depois, efeitos nefastos
Nos modelos solidários de repartição, como o brasileiro, os trabalhadores que
estão no mercado de trabalho financiam, com aporte dos empregadores e do Estado,
quem está se aposentando. No sistema de capitalização, lançado pelo Chile, cada
pessoa é responsável por sua aposentadoria por meio de uma conta individual.
Para o advogado da Defensoria Popular dos Trabalhadores, Javier Piñeda, o modelo
privatizado representa um risco para os trabalhadores. “Esta lógica de
capitalização individual significa que cada pessoa tem que se salvar sozinha. E
com as altas taxas de desemprego e de informalidade, isso significa que as
pessoas estão condenadas a receber uma aposentadoria de miséria”, argumenta.
“O risco que existe é que esses fundos vão parar nas grandes empresas que
negociam no mercado de valores. Portanto, a crise impacta nos trabalhadores. A
crise do subprime de 2008 [nos EUA], por exemplo, provocou perdas milionárias
para os trabalhadores e levou, pelo menos, cinco anos para recuperar o fundo
perdido neste período.”
A promessa da ditadura de Pinochet era que os aposentados receberiam um valor
que poderia chegar a 80% do seu último salário antes de se aposentar. Mas o que
acontece hoje é que os chilenos recebem apenas 30% disso, explica o advogado.
“Ou seja, se um trabalhador tinha um salário de US$ 500, ele deveria receber uma
aposentadoria de US$ 400. No entanto, a taxa de retorno está aproximadamente em
30%. Isso significa que esse trabalhador só está recebendo US$ 150”.
Cerca de 90% dos aposentados chilenos recebem menos de 147 mil pesos (R$ 833),
aproximadamente US$ 225. Esse valor equivale a quase metade do salário mínimo do
país que, a partir de março, será fixado em 301 mil pesos chilenos (R$ 1,7 mil),
cerca de US$ 450 dólares.
Recaredo Gálvez destaca que outro efeito da privatização foi o aumento da
desigualdade e uma maior concentração de mercado controlado. Hoje as AFPs são
compostas, basicamente, por seis empresas — cinco delas estrangeiras.
Destas cinco empresas com capital internacional, três são controladas por
empresas estadunidenses: Principal Financial Group, Prudential Financial e
MetLife. Outra é controlada pela seguradora brasileira BTG Pactual.
“É um tipo de política que tem como motivação principal poder gerar uma fonte de
absorção de capital através do esquema financeiro. E que acaba com o direito
social aos trabalhadores e trabalhadoras”, diz o pesquisador.
Movimento “No + AFP”
Os movimentos populares do Chile estão preparando uma marcha em defesa da
Seguridade Social no país para o dia 31 de março de 2019. “Esperamos que essa
marcha também consiga colocar essa problemática em nível regional. Por isso é
necessário falar da experiência chilena e o avanço que representa esse modelo no
Brasil e em outros países da região”, explica Gálvez.
Desde 2015, a população chilena ocupa as ruas para lutar pela Previdência. A
ex-presidente Michelle Bachelet implementou, em 2008, o Pilar Solidário para
auxiliar pessoas que não contribuíram com o sistema, mas não mudou a estrutura
do sistema atual. Em resposta às mobilizações, o atual presidente, Sebastián
Piñera, apresentou há dois meses, em dezembro de 2018, uma medida para injetar
ainda mais recursos no setor privado.
A proposta de Piñera, consiste, em resumo, em aumentar progressivamente a taxa
de contribuição de 10% para 14% para as administradoras. O irmão do atual
presidente, José Piñera, é o economista por trás da proposta do sistema de
previdência privada do Chile que vigora hoje. Ele era ministro do Trabalho e
Segurança Social, e da Mineração, no regime ditatorial de Pinochet. Ele é um dos
famosos “Chicago boys”, como ficaram conhecidos os economistas que adotaram a
linha de pensamento neoliberal disseminada pela Universidade de Chicago — da
qual o ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, também faz parte.
Em 2016, no contexto das manifestações, foi formado o movimento No + AFP (Chega
de AFP, em português). A entidade esboçou sua própria proposta de sistema de
aposentadoria. “A tática do movimento é colocar esse projeto de lei como uma
alternativa viável de construção de um novo sistema de previdência”, explica
Javier Piñeda. O advogado participou da comissão que criou a iniciativa.
A principal reivindicação dos movimentos populares no Chile hoje é um sistema de
repartição solidária entre trabalhadores, empresa e Estado — o mesmo que vigora
no Brasil.
Olhando para as discussões no país vizinho, que quer copiar o modelo tão
questionado em seu país, o advogado chileno aconselha os brasileiros: “Nesse
contexto de privatizações, vocês têm que se opor de maneira contundente porque,
uma vez implementado esse sistema, vai ser difícil voltar atrás. Não só pelo
governo, mas pelas empresas do grande capital nacional e internacional que serão
beneficiados com esses recursos.”
Edição: Mauro Ramos
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11/2/2019
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Podem a Venezuela e os seus vizinhos sobreviver à guerra que se anuncia?
Thierry Meyssan
A crise que desestabiliza a Venezuela, tal como as que começam na Nicarágua e no
Haiti, deve ser bem analisada para poder ser enfrentada. Thierry Meyssan retoma
a análise de três hipóteses interpretativas e argumenta a favor de uma de entre
elas. Ele evoca ainda a estratégia dos Estados Unidos e a maneira de a
enfrentar.
Actualmente a Venezuela está dividida entre duas legitimidades, a do Presidente
constitucional Nicolas Maduro e a do Presidente da Assembleia Nacional, Juan
Guaidó.
Este último intitulou-se presidente interino pretensamente em virtude dos
Artigos 223 e 233 da Constituição. Basta ler estes Artigos para constatar que
não se aplicam, de forma alguma, ao seu caso e que não pode daí retirar
legitimidade para a função à qual se pretende alcandorar. Todavia, ele é
reconhecido nesta usurpada função pelos Estados Unidos, o Grupo de Lima e uma
parte da União Europeia.
Certos apoios de Nicolas Maduro garantem que Washington reproduz o derrube de um
governo de esquerda dentro do modelo do que fez contra Salvador Allende, em
1973, na época do Presidente Richard Nixon.
Outros, reagindo às revelações de Max Blumenthal e Dan Cohen sobre o percurso de
Juan Guaidó [1], pensam, pelo contrário, que se trata de uma revolução colorida
tal como vimos sob a presidência de George W. Bush.
Ora, face a uma agressão por um inimigo muito mais forte que nós, é crucial
identificar os seus objectivos e compreender os seus métodos. Apenas aqueles que
são capazes de antecipar os golpes que vão receber terão chances de sobreviver.
Três hipóteses dominantes
É lógico para os Latino-americanos comparar o que vivem com o que já
experimentaram, como o golpe chileno de 73. Mas seria arriscado para Washington
replicar, 46 anos depois, o mesmo cenário; seria um erro porque toda a gente
conhece hoje em dia os detalhes dessa impostura.
Da mesma forma, a revelação das ligações de Juan Guaidó com a National Endowment
for Democracy e a equipe de Gene Sharp leva, sobretudo, a pensar numa revolução
colorida, como uma falhada que a Venezuela experimentou, em 2007. Mas,
precisamente, seria também arriscado para Washington tentar repetir, 12 anos
depois, um plano que já falhou.
Para compreender as intenções de Washington, devemos primeiro conhecer o seu
plano de batalha.
A 29 de outubro de 2001, quer dizer, um mês e meio após os atentados de Nova
Iorque e no Pentágono, o Secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, criou o
Gabinete de Transformação da Força (Office of Force Transformation) cuja missão
era revolucionar os exércitos dos EUA, mudar a sua mentalidade de maneira a
responder a um objectivo, radicalmente novo, que assegure aos Estados Unidos a
sua supremacia sobre o mundo. Ele confiou esta tarefa ao Almirante Arthur
Cebrowski, o qual já tinha garantido a operacionalização em rede digital das
unidades militares e tinha participado, nos anos 90, na elaboração de uma
doutrina da guerra em rede (Network-centric warfare) [2].
Cebrowski apareceu com uma estratégia pré-elaborada que ele apresentou não só ao
Pentágono, mas um pouco por todo o lado nas academias militares. Embora muito
importante, o seu trabalho dentro da Forças Armadas não foi mediatizado até
aparecer um artigo na Vanity Fair. Em seguida, a sua teorização foi publicada
pelo seu assistente Thomas Barnett [3]. Escusado será dizer que estes documentos
não são necessariamente fiéis ao pensamento do Pentágono, que não procuram
explicá-lo, antes a justificá-lo. Ainda assim, a ideia principal é que os
Estados Unidos irão assumir o controle dos recursos naturais de metade do mundo,
não para os utilizar eles mesmos, mas para decidir quem os poderá utilisar. Para
o conseguir, terão de privar essas regiões de qualquer outro poder político além
do deles próprios e, portanto, destruir todas as estruturas de Estado que aí
existam.
Oficialmente, esta estratégia jamais foi aplicada. No entanto, aquilo que vemos,
desde há vinte anos, corresponde precisamente ao livro de Barnett. Primeiro, nos
anos 80 e 90, foi a destruição da região africana dos Grandes Lagos. Apenas nos
lembramos do genocídio ruandês e dos seus 900.000 mortos, mas toda a região foi
devastada por uma longa série de guerras que causaram um total de 6 milhões de
mortes. Passado 20 anos, o que é muito surpreendente é que muitos Estados ainda
não recuperaram a soberania sobre o conjunto do seu território. Este episódio é
anterior à doutrina Rumsfeld-Cebrowski. Não sabemos, portanto, se o Pentágono já
havia previsto o que aconteceu ou se foi ao destruir esses Estados que ele
concebeu o seu Plano. Posteriormente, nos anos 2000-10, foi a destruição do
«Médio-Oriente Alargado», desta vez após a doutrina Rumsfeld-Cebrowski. Claro,
pode-se acreditar que se tratou de uma sucessão de intervenções «democráticas»,
de guerras civis e de revoluções. Mas, para além de que as populações atingidas
contestam a narrativa dominante desses acontecimentos, constatamos também que as
estruturas de Estado são destruídas e que a paz só volta com o fim das operações
militares. Agora, o Pentágono evacua o «Médio-Oriente Alargado» e prepara a sua
ida para a «Bacia das Caraíbas».
Um grande número de elementos atesta que a nossa anterior compreensão sobre as
guerras de George W. Bush e Barack Obama estava errada, enquanto encaixam
perfeitamente na doutrina Rumsfeld-Cebrowski. Esta leitura dos acontecimentos
não é, pois, fruto de uma coincidência com a tese de Barnett e obriga-nos a
repensar sobre aquilo a que temos assistido.
Se adoptarmos esta maneira de pensar, temos de considerar que o processo de
destruição da Bacia das Caraíbas começou com o decreto do Presidente Barack
Obama, a 9 de Março de 2015, segundo o qual a Venezuela ameaça a segurança
nacional dos Estados Unidos da América [4]. Isto parece já muito antigo, mas não
é na realidade o caso. Assim, o Presidente George W. Bush assinou Syrian
Accountability Act (Lei de Responsabilização da Síria- ndT), em 2003, mas as
operações militares na Síria só começaram 8 anos mais tarde, em 2011. Esse foi o
tempo necessário a Washington para criar as condições para os motins.
Os ataques contra a esquerda antes de 2015
Se esta análise for correcta, temos de pensar que os elementos anteriores a 2015
(o Golpe de Estado contra o Presidente Hugo Chávez em 2002, a tentativa de
revolução colorida em 2007, a operação Jerichó em Fevereiro de 2015, e as
primeiras manifestações das guarimbas) respondiam a uma outra lógica, enquanto
os que surgiram depois (o terrorismo das guarimbas em 2017) se enquadram dentro
deste plano.
A minha reflexão funda-se igualmente no meu conhecimento destes elementos.
Assim, em 2002, eu publiquei uma análise do Golpe de Estado que relatava o papel
dos Estados Unidos por trás da Fedecamaras (o patronato venezuelano) [5]. O
Presidente Hugo Chávez quis verificar as minhas informações e enviou-me dois
emissários a Paris. Um acabou em General e o segundo é hoje uma das mais altas
personalidades do país. O meu trabalho foi utilizado pelo Procurador, Danilo
Anderson, para o seu inquérito. Ele foi assassinado pela CIA em 2004.
Identicamente, em 2007, estudantes trotskistas iniciaram um movimento contra a
não renovação da licença da rádio-televisão de Caracas (RCTV). Sabemos hoje,
graças a Blumenthal e Cohen, que Juan Guaidó já estava implicado e que ele tinha
recebido treino pelos discípulos do teórico da não-violência Gene Sharp. Em vez
de reprimir os excessos do movimento, o Presidente Hugo Chávez, por ocasião da
cerimónia de assinatura da ALBA, em 3 de Junho, leu, durante vinte minutos, um
antigo artigo que eu tinha consagrado a Gene Sharp e à sua concepção da
não-violência ao serviço da OTAN e da CIA [6]. Entendendo a manipulação de que
eram alvo, um grande número de manifestantes retirou-se da luta. Negando
desajeitadamente os factos, Sharp escreveu-me a mim e ao Presidente. Essa
iniciativa criou confusão entre a esquerda norte-americana para quem ele era uma
personalidade respeitável, sem ligação com o Governo dos EUA. O professor
Stephen Zunes tomou a sua defesa, mas face às evidências Sharp fechou o seu
instituto, deixando o lugar à Otpor e ao Canvas [7].
Voltemos ao período actual. É claro que a recente tentativa de assassínio do
Presidente Nicolas Maduro faz pensar no modo como o Presidente Salvador Allende
foi levado ao suicídio. É claro, as manifestações convocadas pelo Presidente da
Assembleia Nacional, Juan Guaidó, levam a pensar numa revolução colorida. Mas
isso não é, de forma alguma, contraditório com a minha análise. Assim, uma
tentativa de assassinato de Muammar Gaddafi precedeu, de pouco, as operações
militares contra a Líbia. Na altura em que os discípulos de Gene Sharp
enquadraram as primeiras manifestações contra o Presidente Hosni Mubarak no
Egipto. Eles até distribuíram aí uma versão árabe de seu opúsculo já usado em
outros países [8]. Mas, tal como a sequência dos acontecimentos mostrou, não se
tratava nem de um Golpe de Estado, nem de uma revolução colorida.
Preparar-se para a guerra
Se a minha análise for exacta —e de momento, tudo parece confirmá-la—, é preciso
preparar-se para uma guerra não apenas na Venezuela, mas em toda a Bacia das
Caraíbas. A Nicarágua e o Haiti estão já desestabilizados.
Esta guerra será imposta a partir do exterior. Ela não já não visará derrubar
governos de esquerda em proveito de partidos de direita, mesmo que as aparências
sejam à partida enganadoras. A lógica dos acontecimentos não fará distinção
entre uns e outros. Pouco a pouco, toda a sociedade será ameaçada, sem distinção
de ideologia ou de classe social. Identicamente, será impossível aos outros
Estados da região manter-se afastados da tempestade. Mesmo aqueles que creem
proteger-se servindo de base traseira às operações militares acabarão
parcialmente destruídos. Assim, e a imprensa raramente fala disso, cidades
inteiras foram arrasadas na região de Qatif, na Arábia Saudita, muito embora
este país seja o principal aliado de Washington no «Médio-Oriente Alargado».
Com base nos conflitos dos Grandes Lagos de África e no Médio-Oriente Alargado,
esta guerra deverá desenrolar-se por etapas.
Em primeiro lugar, destruir os símbolos do Estado moderno, atacando as estátuas
e museus consagrados a Hugo Chávez. Isso não faz vítimas, mas mexe com as
representações mentais da população.
Depois encaminhar armas e remunerar combatentes para organizar manifestações
que descambarão. A imprensa fornecerá, após um surto de explicações
inverificáveis, um rol sobre crimes imputados ao Governo contra os quais
manifestantes pacíficos se levantaram. É importante que os polícias acreditem
ter sido alvo de disparos da multidão e que a multidão acredite ter sido visada
por tiros da polícia porque o objectivo é semear a divisão. - A terceira etapa
será montar atentados sangrentos um pouco por todo o lado. Para isso muito
poucos homens são necessários, basta ter duas ou três equipas circulando pelo
país.
Só então é que será útil enviar para o terreno mercenários estrangeiros.
Durante a última guerra, os Estados Unidos enviaram para o Iraque e para a Síria
pelo menos 130. 000 estrangeiros, aos quais se juntaram120. 000 combatentes
locais. Tratou-se de exércitos muito numerosos embora mal preparados e
treinados.
É possível conseguir defender-se uma vez que a Síria o conseguiu. Várias
iniciativas devem ser tomadas com urgência:
Desde logo, por iniciativa do General Jacinto Pérez Arcay e do Presidente da
Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, oficiais superiores do Exército
venezuelano estudam as novas formas de combate (guerra de 4ª geração). Mas,
delegações militares devem ir à Síria para constatar, por si mesmas, como as
coisas se passaram. É muito importante porque estas guerras não se parecem com
as precedentes. Por exemplo, mesmo em Damasco a maior parte da cidade está
intacta, como se nada se tivesse passado, mas vários bairros estão totalmente
devastados, como em Estalinegrado após a invasão nazi. Isso pressupõe técnicas
de combate particulares.
É essencial estabelecer a unidade nacional de todos os patriotas. O Presidente
deve aliar-se à oposição nacional e fazer entrar alguns dos seus líderes para o
seu Governo. O problema não é saber se apreciamos ou não o Presidente Maduro:
trata-se de lutar sob o seu comando para salvar o país.
O exército deve formar uma milícia popular. Já existe uma na Venezuela, com
quase 2 milhões de homens, mas ela não está treinada. Por princípio, os
militares não gostam de confiar armas a civis, mas só os civis podem defender o
seu bairro, do qual eles conhecem todos os habitantes. - Grandes obras devem ser
realizadas para proteger os edifícios do Estado, do exército e dos hospitais.
Tudo isso deve ser feito com urgência. Estas medidas demoram a concretizar e o
inimigo já está quase pronto.
Thierry Meyssan
Tradução
Alva
In
VOLTAIRE.NET
https://www.voltairenet.org/article205151.html
12/2/2019
domingo, 10 de fevereiro de 2019
Privatização: mito vs. realidade
Pablo Lima*
O rompimento da barragem de Brumadinho, apenas três anos após Mariana, revela o
saldo de duas décadas de privatização da Vale: mortos, destruição e insegurança
pública em nome do lucro privado.
O QUE É UM MITO?
Um mito é uma mentira que se faz passar por verdade. O Brasil, graças à justiça
eleitoral, elegeu um mito para a presidência da república. A eleição de
Bolsonaro é um bom exemplo de como a mitologia está presente na vida política
atual. Bolsonaro é exatamente uma mentira travestida de verdade.
O QUE SUSTENTA UM MITO?
Um mito é sustentado por outros mitos, em uma trama mitológica criada e
propagada por pessoas com interesses e objetivos concretos. Assim, um mito é
útil como instrumento de marketing político. No caso brasileiro, o
mito-presidente foi eleito com base em diversos mitos disseminados pelas mídias
cotidianamente (as fake-news). 2018 foi um ano mitológico. Tivemos, por exemplo,
o mito de um sistema eleitoral democrático, na realidade manipulado pelo poder
judiciário para favorecer as candidaturas da direita. Somado a este, o mito de
que a corrupção teria se generalizado durante os governos do PT e que seria a
causa da crise econômica que o país enfrenta. A resposta para a crise, estampada
o tempo todo nos jornais da grande imprensa e no programa político de muitos
candidatos eleitos, seria o mito da privatização de estatais, acompanhado pelo
mito da flexibilização da legislação e fiscalização tanto trabalhistas quanto
ambientais, como exigências do deus mercado.
O MITO DA PRIVATIZAÇÃO
Bolsonaro foi eleito defendendo o mito da privatização. Nada de novo. Na década
de 1990, os governos Collor, Itamar e FHC gastaram milhões em publicidade para
convencer a população que privatizar as estatais e, assim, diminuir o tamanho do
Estado seria algo benéfico para toda a sociedade. Era a propagação do
neoliberalismo no Brasil, materializado no mito da privatização. Esse mito,
hoje, dá o tom do projeto político do atual governo federal. O governo Bolsonaro
afirma que seu objetivo é privatizar tudo. E que isso é um bom negócio.
A PRIVATIZAÇÃO DA CIA. VALE DO RIO DOCE
A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), foi criada em 1942, durante o primeiro
governo Vargas, quando o Brasil estava em plena guerra contra o nazi-fascismo,
com o objetivo de assegurar a soberania minerária brasileira, fundamental para o
processo de industrialização, bem como garantir que os lucros da mineração
servissem para o benefício de toda a sociedade. Durante cinco décadas, o Estado
brasileiro seguiu uma linha política nacional-desenvolvimentista, com uma forte
presença de empresas estatais na economia, como a CVRD, a Petrobrás (criada em
1953), a Embraer (criada em 1969 e privatizada em janeiro de 2019), e muitas
outras empresas. Os trabalhadores dessas estatais contavam com direitos
trabalhistas, como estabilidade, salários dignos e condições de segurança no
trabalho.
Em 1997, a CVRD, empresa superavitária, foi privatizada por pouco mais de 3
bilhões de reais, como parte do processo de privatizações promovido por FHC. A
CVRD foi rebatizada pelos compradores, em 1997, como apenas Vale, provavelmente
para facilitar a pronúncia dos gringos. A promessa mítica era que, uma vez
privatizada, a Vale seria uma empresa com mais eficiência e competitividade e,
portanto, contribuiria mais para o crescimento econômico e geraria mais
empregos.
O MITO DAS TERCEIRIZAÇÕES
Com a privatização, o lucro gerado pela Vale passou a ser embolsado pelos seus
diretores, como renda privada, e não mais direcionado a uma finalidade social.
Mas, isso não era suficiente. Após a privatização, os donos da Vale não se
satisfaziam com os lucros que a empresa já gerava. Precisavam de mais lucros,
para realizar seus sonhos milionários, suas viagens inesquecíveis, seus castelos
principescos. Assim, passaram a cortar o que consideravam como “despesas” e
“custos do trabalho”, tornando as condições de trabalho mais precárias com as
terceirizações.
O trabalho que antes era feito diretamente pelos funcionários da própria
empresa, então pública, passou a ser feito por trabalhadores de outras empresas
subcontratadas. A grande diferença estava no fato de que estes trabalhadores
terceirizados seriam mais baratos. Isso é possível com o pagamento de salários
mais baixos e com a flexibilização de diversas normas de segurança no trabalho.
A REALIDADE
Já no primeiro mês de mandato, a realidade da privatização toma o lugar do mito:
outra barragem se rompe, desta vez matando centenas de cidadãos brasileiros,
além da fauna e flora da região de Brumadinho. A verdade, como gostam de dizer
os bolsominions, prevaleceu. A privatização foi um péssimo negócio. E as
terceirizações matam. A barragem que se rompeu havia sido vistoriada e
considerada segura por uma empresa… terceirizada.
Em mais de 50 anos como empresa estatal, a CVRD foi orientada pelo interesse
público, vistoriada por trabalhadores bem-remunerados, com estabilidade no
emprego e condições de trabalho decentes. Neste período, nenhuma barragem se
rompeu. Após apenas duas décadas de privatização e terceirizações, o resultado é
a lama assassina.
SOLUÇÃO: REESTATIZAR A VALE E REVOGAR A REFORMA TRABALHISTA
Então, conhecendo a verdade, podemos nos libertar do mito da privatização. É
preciso defender a reestatização da Vale, acabando com a terceirização e as
condições precárias de trabalho. Para isso, é preciso que a reforma trabalhista
seja revogada, com a restauração plena dos direitos trabalhistas e a garantia de
condições seguras de trabalho. A cada dia, fica mais evidente que isso só
ocorrerá com uma revolução socialista!
TODA SOLIDARIEDADE ÀS POPULAÇÕES ATINGIDAS POR BARRAGENS! TODA SOLIDARIEDADE ÀS
VÍTIMAS DAS PRIVATIZAÇÕES E TERCEIRIZAÇÕES! TODA SOLIDARIEDADE AO POVO DE
MARIANA E VALE DO RIO DOCE! TODA SOLIDARIEDADE AO POVO DE BRUMADINHO! PELA
REESTATIZAÇÃO DA CIA. VALE DO RIO DOCE! PELA REVOLUÇÃO SOCIALISTA! PELO PODER
POPULAR!
*Pablo Lima é professor de história e membro do CC do PCB.
In
PCB
https://pcb.org.br/portal2/22248/privatizacao-mito-vs-realidade/
7/2/2019
sábado, 9 de fevereiro de 2019
A brilhante estratégia de Trump para desmembrar a hegemonia do dólar americano
Michael Hudson
A ofensiva global dos EUA constitui uma enorme ameaça. Mas está também a
produzir fracturas internas no sistema do capitalismo global, deslocações e
rearrumações de forças. A quebra do poderio económico dos EUA não pode ser
indefinidamente compensada pelo seu colossal poderio militar.
O fim do indiscutido domínio económico global dos EUA chegou mais cedo do que o
esperado, graças aos mesmos neocons que deram ao mundo o Iraque, a Síria e as
guerras sujas na América Latina. Assim como a Guerra do Vietname retirou os
Estados Unidos do ouro em 1971, a sua violenta guerra de mudanças de regime
contra a Venezuela e a Síria - e ameaçando outros países com sanções se não se
associarem a essa cruzada - está a levar nações europeias e outras a criar
instituições financeiras alternativas suas.
Esta ruptura vem sendo construída há algum tempo e estava fadada a ocorrer. Mas
quem teria pensado que Donald Trump se tornaria o seu agente catalisador? Nenhum
partido de esquerda, nenhum líder socialista, anarquista ou nacionalista
estrangeiro em qualquer lugar do mundo poderia ter conseguido o que ele está a
fazer para rebentar com o império americano.
O Estado Profundo está a reagir em choque ao modo como este especulador
imobiliário de direita conseguiu levar outros países a defender-se desmantelando
a ordem mundial centrada nos EUA. Para conseguir isso, está a usar incendiários
neoconservadores do tempo de Bush e Reagan, John Bolton e agora Elliott Abrams,
para atiçar as chamas na Venezuela. É quase como uma comédia política negra. O
mundo da diplomacia internacional está a ser virado do avesso. Um mundo onde já
não existe a pretensão de aderir às normas internacionais, quanto mais a leis ou
tratados.
Os Neocons que Trump nomeou estão a conseguir o que parecia impensável não há
muito tempo: Juntar a China e a Rússia - o grande pesadelo de Henry Kissinger e
Zbigniew Brzezinski. Estão também a levar a Alemanha e outros países europeus
para a órbita da Eurásia, o pesadelo “Heartland” de Halford Mackinder um século
atrás.
A causa principal é clara: após o incremento das falsidades e enganos sobre o
Iraque, Líbia e Síria, juntamente com a nossa absolvição do regime sem lei da
Arábia Saudita, os líderes políticos estrangeiros estão a começar a reconhecer
aquilo que as sondagens de opinião à escala mundial detectaram ainda antes de os
rapazes do Iraque/Irão-Contra terem voltado a atenção para as maiores reservas
de petróleo do mundo na Venezuela: os EUA são agora a maior ameaça à paz no
planeta.
Chamar defesa da democracia ao golpe que os EUA vêm patrocinando na Venezuela
revela a hipocrisia (Doublethink) subjacente à política externa dos EUA. Define
“democracia” como significando apoio à política externa dos EUA, buscar a
privatização neoliberal de infraestruturas públicas, desmantelamento da
regulação governamental e seguimento da orientação das instituições globais
dominadas pelos EUA, desde o FMI ao Banco Mundial e à NATO. Durante décadas, as
guerras estrangeiras daí resultantes, os programas de austeridade doméstica e as
intervenções militares trouxeram mais violência, não democracia.
No Dicionário do Diabo que os diplomatas dos EUA são ensinados a usar como
“Elementos de Estilo” para o duplo discurso hipócrita, um país “democrático” é
aquele que segue a liderança dos EUA e abre sua economia ao investimento dos
EUA, e à privatização patrocinada pelo FMI e pelo Banco Mundial. . A Ucrânia é
considerada democrática, juntamente com a Arábia Saudita, Israel e outros países
que actuam como protetorados financeiros e militares dos EUA e estão dispostos a
tratar os inimigos dos EUA como inimigos seus.
Teria de se chegar a um ponto em que essa política colidisse com o interesse
próprio de outras nações, rompendo finalmente a retórica de relações públicas do
império. Outros países estão a procedendo a des-dolarização e a substituir
aquilo a que a diplomacia norte-americana chama “internacionalismo”
(significando o nacionalismo norte-americano imposto ao resto do mundo) pelo seu
próprio interesse nacional.
Essa trajectória já podia ser vista há 50 anos (descrevi-a em Super Imperialism
[1972] e Global Fracture [1978].) Tinha que acontecer. Mas ninguém pensava que o
fim chegaria da forma como vem a acontecer. A história converteu-se em comédia,
ou pelo menos em ironia, à medida que se desdobra o seu trajecto dialéctico.
Nos últimos cinquenta anos os estrategas americanos, o Departamento de Estado e
o National Endowment for Democracy (NED), receavam que a oposição ao
imperialismo financeiro dos EUA viesse de partidos de esquerda. Por isso,
gastava enormes recursos manipulando partidos que se denominavam socialistas (o
Partido Trabalhista Britânico de Tony Blair, o Partido Socialista francês, o
Partido Social-Democrata alemão etc.) a fim de adoptarem políticas neoliberais
que eram o oposto diametral do que a social-democracia significava há um século.
Mas os planeadores políticos dos EUA e os organistas de Great Wurlitzer
negligenciaram a ala direita, imaginando que ela apoiaria instintivamente o
rufianismo dos EUA.
A realidade é que os partidos de direita querem ser eleitos, e um nacionalismo
populista é hoje o caminho para a vitória eleitoral na Europa e em outros
países, tal como o foi para Donald Trump em 2016.
A agenda de Trump pode realmente ser acabar com o Império Americano, usando a
antiga retórica isolacionista do tio Sucker de há meio século. Ele está
certamente a atingir os órgãos mais vitais do Império. Mas é ele um agente
antiamericano consciente? Poderia muito bem ser - mas constituiria um errado
salto mental usar o “quo bono” para assumir que ele é um agente consciente.
Afinal, se nenhum empreiteiro, fornecedor, sindicato ou banco dos EUA quer lidar
com ele, serão Vladimir Putin, China ou Irão mais ingénuos? Talvez o problema
tivesse de irromper como resultado de a dinâmica interna do globalismo
patrocinado pelos EUA se tornar impossível de impor quando o resultado é
austeridade financeira, vagas de populações em fuga das guerras patrocinadas
pelos EUA e, acima de tudo, a recusa dos EUA em aderir às. regras e leis
internacionais que ela própria patrocinou há setenta anos, após a Segunda Guerra
Mundial.
Desmantelar o direito internacional e os seus tribunais
Qualquer sistema internacional de controlo requer o primado da lei. Pode ser um
exercício implacável de poder, sem lei moral, que impõe a exploração predatória,
mas é ainda a Lei. E precisa de tribunais para o aplicar (apoiado pelo poder da
polícia para a concretizar e punir os infractores).
Esta é a primeira contradição legal na diplomacia global dos EUA: os Estados
Unidos sempre resistiram a permitir que qualquer outro país tivesse voz nas
políticas internas dos EUA, no processo legislativo ou na diplomacia. Isso é o
que faz da América “a nação excepcional”. Mas por setenta anos os seus
diplomatas pretenderam que o seu superior entendimento promovia um mundo
pacífico (tal como o Império Romano afirmava ser), que permitia que outros
países compartilhassem prosperidade e crescentes padrões de vida.
Nas Nações Unidas, os diplomatas norte-americanos insistiram no poder de veto.
No Banco Mundial e no FMI, asseguraram também que a sua participação no capital
fosse suficientemente grande para lhes dar poder de veto sobre qualquer
empréstimo ou outra política. Sem esse poder, os Estados Unidos não se juntariam
a nenhuma organização internacional. Entretanto, ao mesmo tempo, descreviam seu
nacionalismo como protector da globalização e do internacionalismo. Foi tudo um
eufemismo para aquilo que na realidade era tomada de decisão unilateral pelos
EUA.
Inevitavelmente, o nacionalismo norte-americano teve que romper a miragem do
internacionalismo do Mundo Único e, com ele, qualquer ideia de um tribunal
internacional. Sem poder de veto sobre os juízes, os EUA nunca aceitaram a
autoridade de nenhum tribunal, em particular o Tribunal Internacional das Nações
Unidas em Haia. Recentemente esse tribunal realizou uma investigação sobre os
crimes de guerra dos EUA no Afeganistão, desde as políticas de tortura até o
bombardeamento de alvos civis como hospitais, casamentos e infraestrutura. “Essa
investigação concluiu por encontrar ‘uma base razoável para acreditar que crimes
de guerra e crimes contra a humanidade foram cometidos”. (1)
O conselheiro de segurança nacional de Donald Trump, John Bolton, entrou em
fúria, alertando em Setembro que: “Os Estados Unidos usarão todos os meios
necessários para proteger os nossos cidadãos e os dos nossos aliados de
processos injustos por este tribunal ilegítimo”, acrescentando que o Tribunal
Internacional da ONU não deve ser tão ousado a ponto de investigar “Israel ou
outros aliados dos EUA”.
Isso levou um juiz sênior, Christoph Flügge da Alemanha, a renunciar em
protesto. Na verdade, Bolton disse ao tribunal para se manter fora de quaisquer
assuntos envolvendo os Estados Unidos, prometendo proibir os juízes e promotores
do Tribunal de entrarem nos Estados Unidos. Tal como Bolton enunciou a ameaça
dos EUA: “Vamos sancionar os seus fundos no sistema financeiro dos EUA, e vamos
processá-los no sistema criminal dos EUA. Não vamos cooperar com o TPI. Não
forneceremos assistência ao TPI. Não vamos juntar-nos ao TPI. Vamos deixar o TPI
morrer sozinho. Afinal, para todos os efeitos, o TPI já está morto para nós”.
O que isso significava disse-o o juiz alemão: “Se estes juízes alguma vez
interferirem nos assunto domésticos dos EUA ou investigarem um cidadão
norte-americano, [Bolton] disse que o governo americano faria todo o possível
para garantir que esses juízes não teriam mais permissão para viajar para os
Estados Unidos - e que talvez até fossem processados criminalmente ”.
A inspiração original do Tribunal - usar as leis de Nuremberga que foram
aplicadas contra os nazis alemães para instaurar processos similares contra
qualquer país ou autoridades consideradas culpadas de cometer crimes de guerra -
já havia caído em desuso com a falha de indiciar por crimes de guerra os autores
do golpe chileno, do Irão-Contra ou da invasão do Iraque pelos EUA.
Desmantelando a hegemonia do dólar de FMI para SWIFT
De todas as áreas da política actual de poder global, as finanças internacionais
e o investimento estrangeiro tornaram-se o principal ponto crítico. As reservas
monetárias internacionais deveriam ser as mais sacrossantas e o constrangimento
da dívida internacional ser-lhes intimamente associado.
Os bancos centrais detêm há muito o seu ouro e outras reservas monetárias nos
Estados Unidos e em Londres. Em 1945 isso parecia razoável, porque o Federal
Reserve Bank de Nova York (em cuja cave era guardado o ouro de bancos centrais
estrangeiros) era militarmente seguro, e porque o London Gold Pool era o veículo
pelo qual o Tesouro dos EUA mantinha o dólar “tão bom quanto ouro ”a US $ 35 a
onça. As reservas estrangeiras sobre ouro foram mantidas sob a forma de títulos
do Tesouro dos EUA, para serem compradas e vendidas nos mercados de câmbio de
Nova York e Londres para estabilizar as taxas de câmbio. A maioria dos
empréstimos estrangeiros a governos era denominada em dólares americanos, de
modo que os bancos de Wall Street eram normalmente nomeados como agentes
pagadores.
Esse foi o caso do Irão sob o xá, que os Estados Unidos haviam instalado após
patrocinarem o golpe de 1953 contra Mohammed Mosaddegh quando ele tentou
nacionalizar a Anglo-Iranian Oil (agora British Petroleum) ou pelo menos
taxá-la. Depois de o Xá ser derrubado, o regime de Khomeini pediu ao seu agente
pagador, o banco Chase Manhattan, que usasse seus depósitos para pagar aos seus
detentores de títulos. Sob orientação do governo dos EUA Chase recusou-se a
fazê-lo. Os tribunais dos EUA declararam então que o Irão estava em situação de
não-pagamento e congelaram todos os seus activos nos Estados Unidos e em todos
os outros lugares em que puderam.
Isso mostrou que a finança internacional eram um braço do Departamento de Estado
dos EUA e do Pentágono. Mas isso foi há uma geração, e só recentemente os países
estrangeiros começaram a sentir-se constrangidos em deixar as suas posses de
ouro nos Estados Unidos, onde poderiam ser apropriados à vontade para punir
qualquer país que pudesse agir de maneira que a diplomacia norte-americana
considerasse ofensiva. Então, no ano passado, a Alemanha teve finalmente a
coragem de pedir que parte de seu ouro fosse enviado para a Alemanha. As
autoridades norte-americanas fingiram sentir-se chocadas com o insulto de que
poderiam fazer a um país Cristão civilizado o que fizeram com o Irão, e a
Alemanha concordou em desacelerar a transferência.
Mas então veio a Venezuela. Desesperada para utilizar as suas reservas de ouro
para disponibilizar importações para a sua economia devastada pelas sanções
americanas - uma crise que os diplomatas americanos culpam pelo “socialismo”,
não pelas tentativas políticas dos EUA de “fazer a economia gritar” (como
disseram funcionários de Nixon sobre o Chile de Salvador Allende) - A Venezuela
deu em Dezembro de 2018 instruções ao Banco da Inglaterra para transferir alguns
dos seus US $ 11 milhares de milhões em ouro mantidos nos seus cofres e os de
outros bancos centrais. Era exactamente como um depositante bancário esperaria
que um banco pagasse um cheque que esse depositante tivesse passado.
A Inglaterra recusou-se a honrar o pedido oficial, seguindo a indicação de
Bolton e do secretário de Estado dos EUA, Michael Pompeo. Tal como relatou a
Bloomberg: “As autoridades dos EUA estão a tentando conduzir os activos da
Venezuela no exterior [para o Chicago Boy Juan] Guaido para ajudar a aumentar as
suas possibilidades de efectivamente assumir o controlo do governo. Os US $ 1,2
milhares de milhões de ouro representam uma grande fatia dos US $ 8 milhares de
milhões em reservas externas detidas pelo banco central venezuelano”. (2)
A Turquia parecia ser um destino provável, levando Bolton e Pompeo a
prevenirem-na de deixar de ajudar a Venezuela, ameaçando sanções contra ela ou
qualquer outro país que ajudasse a Venezuela a enfrentar a sua crise económica.
Quanto ao Banco de Inglaterra e outros países europeus, o relatório da Bloomberg
concluiu: “Foi ordenado às autoridades do banco central em Caracas que não
entrassem mais em contacto com o Banco de Inglaterra. Foi dito a esses
banqueiros centrais que os funcionários do Banco da Inglaterra não iriam
responder-lhes”.
Isso levou a rumores de que a Venezuela estava a vender 20 toneladas de ouro
através de um Boeing 777 russo - cerca de US $ 840 milhões. O dinheiro teria
provavelmente acabado a pagar detentores de títulos russos e chineses, além de
comprar alimentos para aliviar a fome local (3). A Rússia negou este relatório,
mas a Reuters confirmou que a Venezuela vendeu 3 de um total de 29 toneladas de
ouro previsto aos Emiratos Árabes Unidos (4), com outras 15 toneladas a ser
enviados na sexta-feira, 1 de Fevereiro. O senador “batista-cubano” de
extrema-direita Rubio acusou isto de “roubo”, como se alimentar o povo para
aliviar a crise patrocinada pelos EUA fosse um crime contra a alavancagem
diplomática norte-americana.
Se há algum país que os diplomatas dos EUA detestem mais do que um país
latino-americano recalcitrante é o Irão. A ruptura pelo presidente Trump dos
acordos nucleares de 2015, negociados por diplomatas europeus e da administração
de Obama, escalou a ponto de ameaçar a Alemanha e outros países europeus com
sanções punitivas se eles não violarem também os acordos que assinaram.
Somando-se à oposição dos EUA à importação de gás russo pela Alemanha e outros
países europeus, a ameaça dos EUA levou finalmente a Europa a encontrar uma
maneira de se defender.
As ameaças imperiais já não são militares. Nenhum país (incluindo a Rússia ou a
China) pode montar a invasão militar de outro país de maior dimensão. Desde a
era do Vietname, o único tipo de guerra que um país democraticamente eleito pode
travar é atómico, ou pelo menos o bombardeamento pesado como o que os Estados
Unidos infligiram ao Iraque, à Líbia e à Síria. Mas agora a guerra cibernética
tornou-se uma maneira de afectar as conexões de qualquer economia. E as
principais conexões cibernéticas são as de transferência de dinheiro, lideradas
pela SWIFT, sigla da Society for Worldwide Interbank Financial
Telecommunication, que tem sede na Bélgica.
A Rússia e a China já tomaram a iniciativa de criar um sistema-sombra de
transferência bancária, caso os Estados Unidos os desconectem do SWIFT. Mas
agora, os países europeus perceberam que as ameaças de Bolton e Pompeo podem
levar a multas pesadas e à captura de activos se continuarem o comércio com o
Irão, conforme exigido pelos tratados que negociaram.
Em 31 de Janeiro, a barragem rompeu-se com o anúncio de que a Europa havia
criado seu próprio sistema de pagamentos para uso com o Irão e outros países
alvo dos diplomatas dos EUA. Alemanha, França e até o poodle dos EUA - a
Grã-Bretanha - uniram-se para criar o INSTEX - Instrumento de Apoio às Trocas
Comerciais. A promessa é que isto será usado apenas para ajuda “humanitária”
para salvar o Irão de uma devastação do tipo Venezuela patrocinada pelos EUA.
Mas em vista da crescente oposição dos EUA ao gasoduto Nord Stream para
transportar gás russo, este sistema alternativo de compensação bancária estará
pronto e apto a tornar-se operacional se os Estados Unidos tentarem apontar à
Europa um ataque de sanções.
Acabei de voltar da Alemanha e constatei uma notável fractura entre os
industriais dessa nação e a sua liderança política. Durante anos, as grandes
empresas têm visto a Rússia como um mercado natural, uma economia complementar
que precisava modernizar sua indústria e capaz de abastecer a Europa com gás
natural e outras matérias-primas. A nova postura de Guerra Fria dos EUA está a
tentar bloquear essa complementaridade comercial. Advertindo a Europa contra a
“dependência” do barato gás russo, ofereceu-se para vender o caro GNL dos
Estados Unidos (através de instalações portuárias que ainda não existem em
nenhum lugar para o volume requerido). O presidente Trump insiste também que os
membros da NATO gastem 2% do seu PIB em armas - de preferência compradas nos
Estados Unidos - não em mercadores de morte alemães ou franceses.
O exagero na sua posição dos Estados Unidos está a levar ao pesadelo eurasiano
de Mackinder-Kissinger-Brzezinski que mencionei acima. Além de conduzir à
aproximação de Rússia e China, a diplomacia norte-americana está a acrescentar a
Europa ao núcleo central, independente da capacidade dos EUA de intimidar até ao
estado de dependência que a diplomacia americana tem procurado alcançar desde
1945.
O Banco Mundial, por exemplo, é tradicionalmente é dirigido por um Secretário de
Defesa dos EUA. A sua firme política desde a criação é fornecer empréstimos para
que os países dediquem as suas terras a culturas de exportação, em vez de dar
prioridade à sua própria alimentação. É por isso que os seus empréstimos são
feitos apenas em moeda estrangeira, e não na moeda nacional necessária para
fornecer suporte de preços e serviços de extensão agrícola, como os que tornaram
tão produtiva a agricultura dos EUA. Seguindo o conselho dos EUA, os países
deixaram-se abertos à chantagem de alimentos - sanções contra o fornecimento de
grãos e outros alimentos, caso eles deixem de alinhar com exigências
diplomáticas dos EUA.
Vale a pena notar que a nossa imposição global das míticas “eficiências” de
forçar os países latino-americanos a tornarem plantações de culturas de
exportação como café e bananas em vez de cultivarem trigo e milho falhou
catastroficamente em proporcionar vidas melhores, especialmente para aqueles que
vivem na América Central. A “distância” entre as culturas de exportação e as
importações de alimentos mais baratos dos EUA, que era suposto materializar-se
para os países que seguem nosso manual fracassaram miseravelmente –
testemunham-no as caravanas e os refugiados que atravessam o México. É claro que
nosso apoio aos mais brutais ditadores militares e senhores do crime também não
ajudou.
Da mesma forma, o FMI foi forçado a admitir que as suas diretrizes básicas eram
fictícias desde o início. Um núcleo central tem sido o de impor o pagamento da
dívida oficial intergovernamental, retendo o crédito do FMI dos países em
default. Esta regra foi instituída no momento em que a maior parte da dívida
intergovernamental oficial era devida aos Estados Unidos. Mas há alguns anos a
Ucrânia não pagou US$ 3 milhares de milhões devidos à Rússia. O FMI disse, com
efeito, que a Ucrânia e outros países não tinham que pagar à Rússia ou a
qualquer outro país considerado como agindo de forma de forma demasiado
independente dos Estados Unidos. O FMI tem estendido o crédito ao poço sem fundo
da corrupção ucraniana para encorajar a sua política anti-russa, em vez de
defender o princípio de que as dívidas intergovernamentais devem ser pagas.
É como se o FMI operasse agora numa pequena sala na cave do Pentágono, em
Washington. A Europa tomou conhecimento de que o seu próprio comércio monetário
internacional e vínculos financeiros correm o risco de atrair a ira dos EUA.
Isso ficou claro no outono passado, no funeral de George H. Bush, quando o
diplomata da UE se viu rebaixado ao final da lista de chamada aos lugares na
cerimónia. Foi-lhe dito que os EUA já não consideram a UE uma entidade em boa
situação. Em Dezembro, “Mike Pompeo fez um discurso sobre a Europa em Bruxelas -
seu primeiro, ansiosamente aguardado - no qual exaltou as virtudes do
nacionalismo, criticou o multilateralismo e a UE e disse que “organismos
internacionais” que restringem a soberania nacional“ devem ser reformados ou
eliminados”. (5)
A maioria dos eventos acima foram notícia em apenas um dia, 31 de Janeiro de
2019. A conjunção das movimentações EUA em tantas frentes, contra a Venezuela,
Irão e Europa (para não mencionar a China e as ameaças comerciais e movimentos
contra a Huawei também em erupção nos dias de hoje) parece que este será um ano
de fractura global.
Não é tudo resultado do que o presidente Trump vem fazendo, é claro. Nós vemos o
Partido Democrata mostrar as mesmas cores. Em vez de aplaudir a democracia
quando países estrangeiros não elegem um líder aprovado por diplomatas dos EUA
(seja Allende ou Maduro), eles deixaram cair a máscara e mostraram-se os
principais imperialistas da Nova Guerra Fria. Está agora à vista. Eles fariam da
Venezuela o novo Chile da era Pinochet. Trump não está sozinho no apoio à Arábia
Saudita e seus terroristas Wahabi, como Lyndon Johnson disse: “Bastardos, mas
são os nossos bastardos”.
Onde fica a esquerda em tudo isso? É essa a questão com a qual abri este artigo.
Quão notável é que sejam apenas os partidos de direita, Alternative for
Deutschland (AFD), ou os nacionalistas franceses de Marine Le Pen e de outros
países que se opõem à militarização da NATO e procuram reavivar os laços
comerciais e económicos com o resto da Eurásia.
O fim do nosso imperialismo monetário, sobre o qual escrevi pela primeira vez em
1972 em “Superimperialism”, assombra até mesmo um observador informado como eu.
Foi preciso um nível colossal de arrogância, falta de visão e ilegalidade para
acelerar o seu declínio - algo que apenas Neocons enlouquecidos como John
Bolton, Elliott Abrams e Mike Pompeo poderiam realizar por Donald Trump.
Notas:
(1) Alexander Rubenstein, “It Can’t be Fixed: Senior ICC Judge Quits in Protest
of US, Turkish Meddling,” 31 Janeiro, 2019.
https://www.mintpressnews.com/icc-judge-quits-turkish-meddling/254443/
(2) Patricia Laya, Ethan Bronner and Tim Ross, “Maduro Stymied in Bid to Pull
$1.2 Billion of Gold From U.K.,” Bloomberg, 25 Janeiro, 2019.
https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-01-25/u-k-said-to-deny-maduro-s-bid-to-pull-1-2-billion-of-gold.c
Antecipando já uma golpada deste tipo, o Presidente Chávez tratou de repatriar
para Caracas 160 toneladas de ouro que estavam nos EUA e na Europa.
(3) Patricia Laya, Ethan Bronner and Tim Ross, “Maduro Stymied in Bid to Pull
$1.2 Billion of Gold From U.K.,” Bloomberg, 25 Janeiro, 2019,.
https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-01-25/u-k-said-to-deny-maduro-s-bid-to-pull-1-2-billion-of-gold
(4) Corina Pons, Mayela Armas, “Exclusive: Venezuela plans to fly central bank
gold reserves to UAE – source,” Reuters, 31 Janeiro, 2019.
https://www.reuters.com/article/us-venezuela-politics-gold-exclusive/exclusive-venezuela-prepares-to-fly-tonnes-of-central-bank-gold-to-uae-source-idUSKCN1PP2QR
(5) Constanze Stelzenmüller, “America’s policy on Europe takes a nationalist
turn,” Financial Times, 31 Janeiro, 2019.
Fonte:
https://www.counterpunch.org/2019/02/01/trumps-brilliant-strategy-to-dismember-u-s-dollar-hegemony/
In
O DIARIO.INFO
https://www.odiario.info/a-brilhante-estrategia-de-trump-para/
9/2/2019
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
A estratégia perdedora de Trump – Abraçar o Brasil e confrontar a China
por James Petras
Os EUA adotam um regime destinado ao fracasso e ameaçam a economia mais
dinâmica do mundo. O presidente Trump elogia Jair Bolsonaro, o
recém-eleito presidente do Brasil, e promete promover estreitamento dos
laços económicos, políticos, sociais e culturais. Em contraste, o regime
de Trump está empenhado em desmantelar o modelo de crescimento da China,
impondo sanções severas e generalizadas, e fomentar a divisão e
fragmentação duma China maior.
Washington escolhe os seus aliados e inimigos com base num acanhado
conceito de vantagens a curto prazo e de perdas estratégicas.
Neste artigo, vamos analisar as razões por que a relação EUA-Brasil se
encaixa no objetivo de Washington para o domínio global e porque é que
Washington receia o crescimento dinâmico e o desafio de uma China
independente e competitiva.
O Brasil à procura de um patrono
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, anunciou desde o primeiro dia, um
programa de inverter quase um século de crescimento económico orientado
pelo estado. Anunciou a privatização de todo o setor público, incluindo
setores estratégicos, como as finanças, a banca, os minérios, as
infraestruturas, os transportes, a energia e as atividades de manufatura.
Além disso, dá prioridade à centralidade das empresas multinacionais
estrangeiras. Os anteriores regimes autoritários, civis e militares,
protegeram as empresas nacionalizadas que faziam parte de alianças
tripartidas que incluíam empresas privadas estrangeiras, estatais e
nacionais.
Em contraste com os anteriores regimes eleitos que tentaram – nem sempre
com êxito – aumentar as pensões, os salários e o nível de vida e
reconheceram a legislação laboral, o presidente Bolsonaro prometeu
despedir milhares de funcionários do setor público, reduzir as pensões e
aumentar a idade da reforma, ao mesmo tempo que reduzir os salários, a fim
de aumentar os lucros e baixar os custos dos capitalistas.
O presidente Bolsonaro promete inverter a reforma agrária, expulsar,
prender e assaltar as famílias rurais para reinstalar os latifundiários e
encorajar os investidores. A desflorestação da Amazónia e a sua entrega
aos barões da pecuária e aos especuladores de terras incluirá a ocupação
de milhões de hectares de terras indígenas.
Na política externa, o novo regime brasileiro compromete-se a seguir a
política dos EUA em todas as questões estratégicas: o Brasil apoia os
ataques económicos à China, apoia a ocupação de terras de Israel no Médio
Oriente (incluindo a mudança da capital para Jerusalém), defende os
esquemas dos EUA de boicote e políticos para derrubar os governos de Cuba,
da Venezuela e da Nicarágua. Pela primeira vez, o Brasil pôs à disposição
do Pentágono bases militares e forças militares para quaisquer invasões ou
guerras futuras.
A satisfação dos EUA quanto à cedência gratuita do presidente Bolsonaro
de recursos e riquezas e à perda de soberania é apreciada nas páginas do
Financial Times, do Washington Post e do New York Times, que preveem
um período de crescimento, de investimento e de recuperação – se o regime
tiver a "coragem" de impor a venda ao desbarato.
Como já aconteceu em inúmeras experiências recentes com mudanças de
regime para a direita neoliberal na Argentina, no México, na Colômbia e no
Equador, jornalistas e especialistas das páginas financeiras deixaram-se
cegar pelos dogmas ideológicos quanto a possíveis dificuldades e crises.
A política económica do regime de Bolsonaro ignora o facto de que o
Brasil depende das exportações agrominerais para a China e compete com as
exportações dos EUA… as elites da agroindústria brasileira vão
ressentir-se da mudança dos seus parceiros comerciais. Vão opor-se,
derrotar e corroer a campanha anti-China de Bolsonaro, se ele se atrever a
persistir.
Os investidores estrangeiros vão apoderar-se das empresas públicas, mas
tudo indica que não vão expandir a produção, dada a profunda redução do
emprego, dos salários, à medida que o mercado dos consumidores vai
decaindo.
Os bancos podem fazer empréstimos, mas exigirão altas taxas de juro para
'riscos' altos, em especial à medida que o governo for enfrentando uma
oposição social crescente dos sindicatos e dos movimentos sociais, e uma
violência maior da militarização da sociedade.
Bolsonaro não tem a maioria no Congresso que depende do apoio eleitoral
de milhões de funcionários públicos, de trabalhadores assalariados, de
pensionistas e de minorias étnicas. Uma aliança no Congresso será difícil
sem corrupção e sem compromissos… O gabinete de Bolsonaro inclui vários
ministros fundamentais que estão a ser investigados por fraude e lavagem
de dinheiro. A sua retórica anticorrupção irá evaporar-se perante as
investigações judiciais e as denúncias.
O Brasil dificilmente poderá fornecer quaisquer forças militares de
préstimo para aventuras militares, regionais ou internacionais, dos EUA.
Os acordos militares com os EUA terão pouco peso perante o profundo
turbilhão interno.
A política neoliberal de Bolsonaro dependerá das desigualdades, em
especial entre os cinquenta milhões que acabaram de sair da pobreza. O
apoio dos EUA ao Brasil enriquecerá a Wall Street que vai agarrar no
dinheiro e desaparecer, deixando os EUA a enfrentar a ira e a rejeição do
seu aliado frustrado.
O confronto dos EUA com a China
Ao contrário do Brasil, a China não está disposta a sujeitar-se a uma
pilhagem económica e a abdicar da sua soberania. A China está a seguir uma
estratégia a longo prazo, concentrada no desenvolvimento dos setores mais
avançados da economia – incluindo a tecnologia de ponta da eletrónica e
das comunicações.
Os investigadores chineses já produziram mais patentes e artigos
científicos de referência do que os EUA. Formam mais engenheiros, mais
investigadores de ponta e mais cientistas inovadores do que os EUA,
apoiados por altos níveis de financiamento estatal. A China, com uma taxa
de investimento de mais de 44% em 2017, ultrapassa em muito os EUA. A
China passou de um baixo valor acrescentado para um alto valor, nas
exportações, incluindo carros elétricos a preços competitivos. Por
exemplo, os iPhones chineses estão a ser mais competitivos do que a Apple,
tanto no preço como na qualidade.
A China abriu a sua economia às empresas multinacionais dos EUA, em troca
do acesso à tecnologia avançada, uma coisa que Washington classificou como
apreensões "forçadas".
A China tem promovido acordos multilaterais de comércio e investimento,
incluindo mais de sessenta país, em acordos de infraestruturas de grande
escala e a longo prazo, por toda a Ásia e África.
Em vez de seguir o exemplo económico da China, Washington queixa-se de
comércio desleal, roubo tecnológico, restrições de mercado e
constrangimentos estatais aos investimentos privados.
A China oferece oportunidades a longo prazo para Washington atualizar o
seu desempenho económico e social – se Washington reconhecer que a
concorrência chinesa é um incentivo positivo. Em vez de investimentos
públicos de grande escala na melhoria e promoção do setor de exportações,
Washington virou-se para as ameaças militares, as sanções económicas e as
tarifas que protegem os setores industriais de retaguarda dos EUA. Em vez
de negociar os mercados com uma China independente, Washington favorece
regimes vassalos, como o recém-eleito presidente Jair Bolsonaro do Brasil,
que confia no controlo e nas conquistas económicas dos EUA.
Os EUA têm um caminho fácil para dominar o Brasil em termos de ganhos a
curto prazo – lucros, mercados e recursos – mas o modelo brasileiro não é
viável nem sustentável. Em contraste, os EUA precisam de negociar,
discutir e firmar acordos reciprocamente competitivos com a China. O
resultado final da cooperação com a China permitirá aos EUA aprender e
crescer de modo sustentável.
Conclusão
Porque é que os EUA escolheram a via de apoiar um Brasil retrógrado em
vez de um líder, um país, virado para o futuro?
Basicamente, os EUA estão mergulhados estruturalmente num sistema
político profundamente militarizado que é movido pela ânsia do domínio
mundial – o 'imperialismo'. Os EUA não querem competir com uma China
inovadora, procura coagir a China a desmantelar as instituições, a
política e as prioridades que engrandecem a China.
Washington exige que a China abdique da relativa autonomia do estado,
aumente a penetração dos EUA nos setores estratégicos e confie nos
banqueiros e académicos do mercado livre. A política económica dos EUA é
modelada por banqueiros, especulações corruptas e 'lobbyists' de
interesses regionais especiais, incluindo regimes como Israel. A política
económica da China é modelada por interesses industriais, orientada pelos
objetivos estratégicos da autoridade central do estado, capaz e disposto a
prender centenas de funcionários de altos cargos, se forem corruptos.
Os EUA não podem conter a trajetória ascendente da China com um cerco
militar – porque a estratégia económica de Pequim neutraliza as bases
militares dos EUA e derrota os constrangimentos tarifários através da
diversificação de importantes acordos comerciais. Por exemplo, a China
está a negociar com a Índia um grande aumento de importações de
mercadorias agrícolas, que incluem arroz, açúcar, leite, soja e algodão. A
Índia tem atualmente um grande défice comercial com a China, em especial
em maquinaria e bens industriais e está ansiosa por substituir os
exportadores norte-americanos. A China tem importantes acordos comerciais
e de investimento em todo o sudeste asiático, na Coreia do Sul, no Japão,
no Paquistão, na Rússia e na Austrália, assim como em África, na América
Latina (Brasil e Argentina) e no Médio Oriente (Irão, Iraque e Israel).
Os EUA têm pouca margem de manobra para "espremer" a China, mesmo em
setores de alta tecnologia, à medida que a China é menos dependente do
'know-how' dos EUA. Washington garantiu acordos com a China, aumentando as
exportações de carros e de entretenimento. A China pode facilmente
concordar em reduzir o alegado "roubo de propriedade", especialmente desde
que deixou de ser um fator importante, dado que a maior parte das
inovações da China são criadas internamente. Além disso, o big business
e a Wall Street exigem que o regime de Trump chegue a um acordo de
mercados livres com a China e ignore os seus inimigos autárquicos.
Dada a continuada economia pujante da China (6,5% do PIB em 2018), a
crescente ênfase na expansão dos serviços sociais, no mercado de consumo e
na facilidade de crédito, as políticas de tarifas coercivas de Trump estão
condenadas e as ameaças militares só encorajarão a China a aumentar e
atualizar a sua defesa militar e programas espaciais superiores.
Quaisquer que sejam os acordos comerciais temporários e limitados que
surjam das negociações EUA-China, o regime de Trump continuará a sua
agenda imperial unipolar de apoiar regimes vassalos, como o Brasil, e
confrontar a China.
O futuro pertence à China independente, inovadora e competitiva e não a
regimes vassalos, militarizados e subservientes como o Brasil.
O original encontra-se em www.unz.com/...
. Tradução de Margarida Ferreira.
In
RESISTIR.INFO
https://www.resistir.info/petras/petras_08jan19_p.html
29/1/2019
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Un diagnóstico sobre la agresión a la República Bolivariana Experto ruso en asuntos militares escribe sobre Venezuela
The Saker
kritica.info / unz.com
Los neocons nunca dejan de sorprender. Su último truco con Venezuela cae en esa
categoría extraña de acontecimientos que son absolutamente impensables y, al
mismo tiempo, absolutamente previsibles.
categoría extraña de acontecimientos que son absolutamente impensables y, al
mismo tiempo, absolutamente previsibles.
Esta aparente contradicción lógica es el resultado directo de una visión del
mundo y una mentalidad exclusiva de los neoconservadores: una mezcla de
arrogancia imperial, total falta de decencia, desprecio por el resto de la
humanidad, ignorancia burda, además de la incapacidad de un narcisista y
sociópata incapaz de tener empatía con otros seres humanos y por último, pero no
menos importante, una estupidez supina.
mundo y una mentalidad exclusiva de los neoconservadores: una mezcla de
arrogancia imperial, total falta de decencia, desprecio por el resto de la
humanidad, ignorancia burda, además de la incapacidad de un narcisista y
sociópata incapaz de tener empatía con otros seres humanos y por último, pero no
menos importante, una estupidez supina.
Hay tanto que se puede decir sobre la última agresión de Estados Unidos a
Venezuela que se podrían escribir libros enteros sobre esto, pero quiero
comenzar por observar algunos aspectos específicos pero sintomáticos:
Venezuela que se podrían escribir libros enteros sobre esto, pero quiero
comenzar por observar algunos aspectos específicos pero sintomáticos:
¿Recuerda la reacción casi universal de horror cuando Bolton fue nombrado asesor
de Seguridad Nacional?
de Seguridad Nacional?
Bueno, al parecer, los neocons lo pasaron por alto completamente o hicieron lo
que siempre hacen, decidieron doblar la apuesta recuperando a Elliott Abrams
como Enviado Especial para Venezuela.
que siempre hacen, decidieron doblar la apuesta recuperando a Elliott Abrams
como Enviado Especial para Venezuela.
Quiero decir que los neocons son lo suficientemente estúpidos y sociópatas como
para no preocuparse por los demás, pero en este caso creo que estamos tratando
con una “táctica Skripal”: hacer algo tan ridículamente estúpido y ofensivo que
pone a tus vasallos ante una dura elección: haz como si no te hubieras dado
cuenta o atrévete a decir algo y enfrenta la ira del tío Sam.
para no preocuparse por los demás, pero en este caso creo que estamos tratando
con una “táctica Skripal”: hacer algo tan ridículamente estúpido y ofensivo que
pone a tus vasallos ante una dura elección: haz como si no te hubieras dado
cuenta o atrévete a decir algo y enfrenta la ira del tío Sam.
Y les funcionó, en nombre de la “solidaridad”, o lo que sea, los lacayos más
fieles del Imperio se alinearon inmediatamente detrás de la última agresión
estadounidense contra una nación soberana, a pesar de la evidencia de que esta
agresión viola los principios más sagrados del derecho internacional.
fieles del Imperio se alinearon inmediatamente detrás de la última agresión
estadounidense contra una nación soberana, a pesar de la evidencia de que esta
agresión viola los principios más sagrados del derecho internacional.
Esta es exactamente la misma táctica que cuando te hacen limpiar los inodoros
con un cepillo de dientes o hacer flexiones en el barro durante un entrenamiento
militar básico: no solo es para condicionar una obediencia total, sino también
para hacer que renuncies públicamente a cualquier apariencia de dignidad.
con un cepillo de dientes o hacer flexiones en el barro durante un entrenamiento
militar básico: no solo es para condicionar una obediencia total, sino también
para hacer que renuncies públicamente a cualquier apariencia de dignidad.
La dura realidad
Sin embargo, este no es sólo otro caso en el que la historia se repite como una
farsa. Es difícil exagerar lo totalmente ofensivo que es un personaje como
Elliott Abrams para los latinoamericanos que recuerdan la sangrienta debacle de
Estados Unidos en Nicaragua. Los estados vasallos ahora tienen que renunciar a
cualquier tipo de dignidad frente a su propia gente y actuar como si Abrams
fuera un ser humano respetable.
farsa. Es difícil exagerar lo totalmente ofensivo que es un personaje como
Elliott Abrams para los latinoamericanos que recuerdan la sangrienta debacle de
Estados Unidos en Nicaragua. Los estados vasallos ahora tienen que renunciar a
cualquier tipo de dignidad frente a su propia gente y actuar como si Abrams
fuera un ser humano respetable.
Creo que este tipo de “condicionamiento de la obediencia mediante la
humillación” no significa que los neoconservadores sean idiotas, antes bien me
parece que es una táctica deliberada que, por supuesto, será contraproducente y
terminará lastimando a los títeres de EEUU en todo el mundo.
humillación” no significa que los neoconservadores sean idiotas, antes bien me
parece que es una táctica deliberada que, por supuesto, será contraproducente y
terminará lastimando a los títeres de EEUU en todo el mundo.
Me parece que los antiguos neocons están demostrando que están asustados y
paranoicos al poner a Abrams en un puesto clave pese al fuerte olor a naftalina
que emana de él. Pareciera que la Casa Blanca simplemente ya no pueden hacer
nada, Todos sus pseudo-éxitos están inevitablemente seguidos de fracasos
vergonzosos.
paranoicos al poner a Abrams en un puesto clave pese al fuerte olor a naftalina
que emana de él. Pareciera que la Casa Blanca simplemente ya no pueden hacer
nada, Todos sus pseudo-éxitos están inevitablemente seguidos de fracasos
vergonzosos.
La buena noticia de la Presidencia de Trump es que la estupidez puede llegar a
ser buena porque estas personas sólo adelantarán el colapso del Imperio
anglo-sionista, lo cual es algo muy bueno. Lo malo es que los neocons se están
resistiendo a un colapso lento y gradual. En cambio, están creando una dinámica
en la que un colapso repentino y catastrófico, se vuelve mucho más probable.
ser buena porque estas personas sólo adelantarán el colapso del Imperio
anglo-sionista, lo cual es algo muy bueno. Lo malo es que los neocons se están
resistiendo a un colapso lento y gradual. En cambio, están creando una dinámica
en la que un colapso repentino y catastrófico, se vuelve mucho más probable.
Todos hemos visto la última aparición de Bolton con un cuaderno amarillo donde
se leía: “5.000 soldados a Colombia”. Esto podría significar que Bolton esté
senil o que no le importe nada. Lo dudo. Creo que es sólo otra manera, nada
sutil, de amenazar a Venezuela con una invasión dirigida por Estados Unidos. Y,
en serio, ¿por qué no?
se leía: “5.000 soldados a Colombia”. Esto podría significar que Bolton esté
senil o que no le importe nada. Lo dudo. Creo que es sólo otra manera, nada
sutil, de amenazar a Venezuela con una invasión dirigida por Estados Unidos. Y,
en serio, ¿por qué no?
Si el Imperio cree tener la autoridad para decidir quién debe ser el Presidente
de Venezuela, tiene que respaldar esta postura con una amenaza, la pregunta
obvia es, ¿cómo recibirán esta amenaza los venezolanos?
de Venezuela, tiene que respaldar esta postura con una amenaza, la pregunta
obvia es, ¿cómo recibirán esta amenaza los venezolanos?
La respuesta depende, en gran medida, de lo creíble que sea esa amenaza. Ahora,
“5.000 soldados” podría significar cualquier cosa, desde un equipo de combate de
infantería hasta una combinación típica estadounidense de tantas fuerzas como
sean posible para quedar bien con todos los estamentos militares y dar a todos
una parte de lo esperado (repartir el “pastel de victoria”. le llaman).
“5.000 soldados” podría significar cualquier cosa, desde un equipo de combate de
infantería hasta una combinación típica estadounidense de tantas fuerzas como
sean posible para quedar bien con todos los estamentos militares y dar a todos
una parte de lo esperado (repartir el “pastel de victoria”. le llaman).
En este punto, prefiero no especular y obtener información técnica sobre cómo
podría estructurarse tal fuerza. Supongamos que sea una fuerza creíble y bien
entrenada. Entonces analicemos cómo los venezolanos podrían reaccionar ante una
intervención de este tipo.
podría estructurarse tal fuerza. Supongamos que sea una fuerza creíble y bien
entrenada. Entonces analicemos cómo los venezolanos podrían reaccionar ante una
intervención de este tipo.
El estado de los militares venezolanos
En este asunto tengo suerte porque cuento con un amigo latinoamericano de
confianza que ahora es teniente coronel retirado y que trabajó en Venezuela con
su ejército en un tipo de entrenamiento que no puedo revelar. Mi amigo tuvo
acceso a casi todas las unidades e instalaciones militares del país y, hace
apenas un par de años, compartió conmigo su impresión sobre el ejército
venezolano. Aquí está lo que me dijo:
confianza que ahora es teniente coronel retirado y que trabajó en Venezuela con
su ejército en un tipo de entrenamiento que no puedo revelar. Mi amigo tuvo
acceso a casi todas las unidades e instalaciones militares del país y, hace
apenas un par de años, compartió conmigo su impresión sobre el ejército
venezolano. Aquí está lo que me dijo:
Un militar, cualquier militar, es siempre producto de la sociedad en que vive,
esto también es cierto en Venezuela. Sería una tontería no admitir que la
economía venezolana es un desastre y creer que las fuerzas armadas venezolanas
sean un ejemplo de profesionalismo, honestidad y patriotismo. La triste realidad
es muy diferente.
Por un lado, gran parte de los militares venezolanos son corruptos, al igual que
parte de la sociedad. En un país cuya economía está implosionando, esto no debe
sorprendernos. Además, durante años, tanto Chávez como Maduro han librado una
batalla cuesta arriba para eliminar a traidores y enemigos de clase (en un
sentido marxista) entre los militares venezolanos y reemplazarlos con elementos
“socialmente cercanos” a los sectores más pobres de la sociedad.
parte de la sociedad. En un país cuya economía está implosionando, esto no debe
sorprendernos. Además, durante años, tanto Chávez como Maduro han librado una
batalla cuesta arriba para eliminar a traidores y enemigos de clase (en un
sentido marxista) entre los militares venezolanos y reemplazarlos con elementos
“socialmente cercanos” a los sectores más pobres de la sociedad.
A decir verdad, esta fue una estrategia parcialmente exitosa, como se vio en el
último intento de golpe. Los militares venezolanos apoyaron de manera abrumadora
la Constitución venezolana y la legitimidad de Maduro. Sin embargo, ese tipo de
lealtad a menudo sobrevive en medio del profesionalismo y el riesgo de
corrupción, como hemos visto con el agregado militar venezolano en EEUU, que
claramente es un agente estadounidense.
último intento de golpe. Los militares venezolanos apoyaron de manera abrumadora
la Constitución venezolana y la legitimidad de Maduro. Sin embargo, ese tipo de
lealtad a menudo sobrevive en medio del profesionalismo y el riesgo de
corrupción, como hemos visto con el agregado militar venezolano en EEUU, que
claramente es un agente estadounidense.
Me temo que la situación actual en Venezuela podría ser similar a lo que fue en
Siria en las etapas iniciales de la guerra anglo-sionista contra este país,
cuando unos veinte altos funcionarios del Gobierno sirio demostraron ser
traidores y/o agentes estadounidenses.
Siria en las etapas iniciales de la guerra anglo-sionista contra este país,
cuando unos veinte altos funcionarios del Gobierno sirio demostraron ser
traidores y/o agentes estadounidenses.
En Siria, el Gobierno volvió a tomar el control de la situación, pero sólo con
la ayuda de Irán y Rusia y después de ser casi derrocado por las fuerzas de
Takfiri dirigidas por Estados Unidos.
la ayuda de Irán y Rusia y después de ser casi derrocado por las fuerzas de
Takfiri dirigidas por Estados Unidos.
La buena noticia, según mi amigo, es que las fuerzas especiales venezolanas
(tropas del ejército, tropas de infantería de la selva, unidades de
contrainsurgencia “Caribe” y unidades aéreas, etc.) están en mucho mejor y
podrían formar el núcleo de una fuerza de resistencia a la invasión, no muy
diferente a la Guardia Republicana de Irak.
(tropas del ejército, tropas de infantería de la selva, unidades de
contrainsurgencia “Caribe” y unidades aéreas, etc.) están en mucho mejor y
podrían formar el núcleo de una fuerza de resistencia a la invasión, no muy
diferente a la Guardia Republicana de Irak.
La mayor diferencia con Irak es que en Venezuela la mayoría de la gente todavía
respalda a Maduro y que cualquier fuerza de invasión debería encontrar mucha
resistencia del tipo que Estados Unidos encontró en Irak después de la invasión
del país. Además, pese a que Hugo Chávez logró que la guerrilla de izquierda
aceptara detener sus operaciones militares en Colombia, esta fuerza ha mantenido
todas sus armas “por si acaso”. Esta combinación con seguridad es muy peligrosa,
a mediano y largo plazo.
respalda a Maduro y que cualquier fuerza de invasión debería encontrar mucha
resistencia del tipo que Estados Unidos encontró en Irak después de la invasión
del país. Además, pese a que Hugo Chávez logró que la guerrilla de izquierda
aceptara detener sus operaciones militares en Colombia, esta fuerza ha mantenido
todas sus armas “por si acaso”. Esta combinación con seguridad es muy peligrosa,
a mediano y largo plazo.
Hay que tener en cuenta que a los oficiales corruptos no les gusta el combate y
que, si bien pueden ayudar a una fuerza de invasión de EEUU, solo lo harán
mientras las cosas parezcan fáciles, pero tan pronto como las cosas vayan mal
(que es lo que siempre ocurre) las fuerzas de invasión correrán tan rápido como
puedan.
que, si bien pueden ayudar a una fuerza de invasión de EEUU, solo lo harán
mientras las cosas parezcan fáciles, pero tan pronto como las cosas vayan mal
(que es lo que siempre ocurre) las fuerzas de invasión correrán tan rápido como
puedan.
Entonces, si bien la corrupción endémica ahora parece ser un problema para el
Gobierno de Maduro, se convertirá en un problema para Estados Unidos apenas el
Gobierno legítimo sea derrocado.
Gobierno de Maduro, se convertirá en un problema para Estados Unidos apenas el
Gobierno legítimo sea derrocado.
Las comparaciones son necesariamente difíciles y terriblemente crudas, pero con
estas advertencias, no piense en Siria sino en Irak cuando considere los
posibles resultados de una invasión de EEUU.
estas advertencias, no piense en Siria sino en Irak cuando considere los
posibles resultados de una invasión de EEUU.
El estado del pueblo venezolano
Esto es realmente crucial. Las reformas de Hugo Chávez enajenaron a muchos
venezolanos, especialmente a aquellos que hicieron su fortuna sirviendo los
intereses de Estados Unidos y que se convirtieron en su versión típica de una
burguesía “compradora” pero también afectó a gran parte de la clase media, que
está molesta y enojada.
venezolanos, especialmente a aquellos que hicieron su fortuna sirviendo los
intereses de Estados Unidos y que se convirtieron en su versión típica de una
burguesía “compradora” pero también afectó a gran parte de la clase media, que
está molesta y enojada.
Sin embargo, las reformas dieron poder a un gran número de venezolanos pobres
que, por primera vez, sintieron que un gobierno defendía sus intereses y que ya
no vivían en la pobreza extrema bajo un régimen respaldado por Estados Unidos.
que, por primera vez, sintieron que un gobierno defendía sus intereses y que ya
no vivían en la pobreza extrema bajo un régimen respaldado por Estados Unidos.
Es probable que estas personas combatan con firmeza (no necesariamente de manera
competente) para mantener los derechos que adquirieron durante los años de
Chávez. Incluso hay “Chavistas sin Chávez”, que son una facción más pragmática,
menos ideológica, que reconocen los errores de Chávez pero no quieren que su
país se convierta en una colonia estadounidense al estilo colombiano.
competente) para mantener los derechos que adquirieron durante los años de
Chávez. Incluso hay “Chavistas sin Chávez”, que son una facción más pragmática,
menos ideológica, que reconocen los errores de Chávez pero no quieren que su
país se convierta en una colonia estadounidense al estilo colombiano.
De todas maneras, las políticas populares de Hugo Chávez dejaron una huella muy
profunda en el país y se puede esperar que muchos venezolanos tomen las armas y
resistan una invasión de Estados Unidos y Colombia.
profunda en el país y se puede esperar que muchos venezolanos tomen las armas y
resistan una invasión de Estados Unidos y Colombia.
¿Cuál sería el resultado?
Creo que todos debemos expresar nuestro sincero agradecimiento por el
nombramiento de “Elliott Iran-Contra Abrams". Esta nominación ha hecho más que
cualquier propaganda del Gobierno venezolano para explicar de manera clara y
directa al pueblo que está haciendo Estados Unidos y por qué.
nombramiento de “Elliott Iran-Contra Abrams". Esta nominación ha hecho más que
cualquier propaganda del Gobierno venezolano para explicar de manera clara y
directa al pueblo que está haciendo Estados Unidos y por qué.
Ahora en serio, Ron Paul o Tulsi Gabbard hablando de democracia son una cosa,
pero tener pandilleros y matones psicópatas como Pompeo, Bolton y Abrams como
responsables nos envía un mensaje fatal. Este mensaje es que estamos lidiando
con un asalto provocado por dos consideraciones muy crudas:
pero tener pandilleros y matones psicópatas como Pompeo, Bolton y Abrams como
responsables nos envía un mensaje fatal. Este mensaje es que estamos lidiando
con un asalto provocado por dos consideraciones muy crudas:
Primero, retomar el control de los inmensos recursos naturales de Venezuela.
Segundo, demostrar al mundo que el tío Sam todavía puede, “atacar un pequeño
país y demostrar al mundo que Estados Unidos habla en serio”
país y demostrar al mundo que Estados Unidos habla en serio”
El problema obvio es que nadie toma en serio a los militares de Estados Unidos
porque, desde hace décadas, no han sido capaces de derrotar a ningún país de se
decide resistir una agresión.
porque, desde hace décadas, no han sido capaces de derrotar a ningún país de se
decide resistir una agresión.
Las diversas fuerzas especiales de EEUU, que normalmente encabezan cualquier
invasión, tienen un registro especialmente espantoso de fallas cada vez que
dejan de posar para las cámaras y tienen que participar en un combate real.
invasión, tienen un registro especialmente espantoso de fallas cada vez que
dejan de posar para las cámaras y tienen que participar en un combate real.
Estoy seguro de que a nadie en el ejército venezolano le importan películas como
Rambo o Delta Force. Mientras tanto es seguro que estudian atentamente cómo
actuaron las fuerzas especiales de EEUU en Somalia, Granada, Irán y otros
lugares. También puedo apostar por los cubanos (que son muy competentes), que
han tenido muchos años de experiencia en Angola y en otros lugares; ellos
compartirán su experiencia con sus colegas venezolanos.
Rambo o Delta Force. Mientras tanto es seguro que estudian atentamente cómo
actuaron las fuerzas especiales de EEUU en Somalia, Granada, Irán y otros
lugares. También puedo apostar por los cubanos (que son muy competentes), que
han tenido muchos años de experiencia en Angola y en otros lugares; ellos
compartirán su experiencia con sus colegas venezolanos.
Por último, pero no por ello menos importante, hay muchas armas en circulación
en Venezuela y las milicias populares y la Guardia Nacional estarían felices de
distribuir más armas en la población local si una invasión pareciera tener
éxito.
en Venezuela y las milicias populares y la Guardia Nacional estarían felices de
distribuir más armas en la población local si una invasión pareciera tener
éxito.
El estado del imperio y su presidente marioneta
Bueno, aquí la frase “locura es repetir lo mismo una y otra vez esperando
resultados diferentes” es la mejor descripción posible de las acciones de
Estados Unidos. Solo observe esta secuencia:
resultados diferentes” es la mejor descripción posible de las acciones de
Estados Unidos. Solo observe esta secuencia:
– Los líderes del Imperio anglo-sionista han nombrado un híbrido de Obama y
Macron llamado Juan Guaidó como “Presidente interino legítimo”
– Las marionetas estadounidenses en Europa y América Latina se alinean
inmediatamente detrás del tío Sam
inmediatamente detrás del tío Sam
– Estados Unidos promete una guerra (también conocida como "graves
consecuencias") si Guaidó es arrestado
consecuencias") si Guaidó es arrestado
– El imperio roba a Venezuela miles de millones de dólares en activos
– El Imperio entrega parte de ese dinero a la “oposición moderada” para
financiar una insurrección
financiar una insurrección
– La “oposición” venezolana pide armas estadounidenses
– Los medios vasallos del Imperio lanzan una información acerca de aviones rusos
que se llevan oro venezolano fuera del país
que se llevan oro venezolano fuera del país
– El Imperio sabotea a la mayor petrolera de Venezuela.
– El Imperio entrega un ultimátum evidentemente inaceptable a Venezuela, el cual
es evidentemente rechazado.
es evidentemente rechazado.
– Ningún político occidental se atreve a decir una sola palabra sobre esta
violación masiva de los principios más sagrados del derecho internacional. De
hecho la ley internacional ha estado muerta desde la guerra de Estados Unidos y
la OTAN contra el pueblo serbio, por lo que esto no esto no es una “noticia”…
violación masiva de los principios más sagrados del derecho internacional. De
hecho la ley internacional ha estado muerta desde la guerra de Estados Unidos y
la OTAN contra el pueblo serbio, por lo que esto no esto no es una “noticia”…
¿Esta mezcla de neoconservadores, gerontocracia más miembros del estado profundo
es realmente efectiva?
es realmente efectiva?
¿Creen que esta vez van a “ganar”?
Más relevante aún: ¿Alguna vez esta receta funcionó en el pasado?
Yo diría que si aceptamos el argumento, que el objetivo es “restaurar la
democracia”, entonces obviamente “no ha funcionado nunca”. Pero si el objetivo
es destruir un país, entonces ha funcionado, muy pocas veces.
democracia”, entonces obviamente “no ha funcionado nunca”. Pero si el objetivo
es destruir un país, entonces ha funcionado, muy pocas veces.
Algunas esperanzas mal puestas
Recibo muchos correos electrónicos que sugieren que Rusia podría hacer en
Venezuela lo que hizo en Siria. Déjame decirles inmediatamente que esto no va a
suceder.
Venezuela lo que hizo en Siria. Déjame decirles inmediatamente que esto no va a
suceder.
Sí, hay muchos rusos en Venezuela, pero los “rusos no llegarán”.
Por un lado, nunca dejaré de repetir que la intervención rusa en Siria fue muy
pequeña, y que incluso si esta pequeña fuerza resultó formidable, realmente
actuó sólo como un multiplicador de potencia para las fuerzas del Gobierno
sirio, los iraníes y Hezbolá.
pequeña, y que incluso si esta pequeña fuerza resultó formidable, realmente
actuó sólo como un multiplicador de potencia para las fuerzas del Gobierno
sirio, los iraníes y Hezbolá.
Sin embargo, el despliegue de esta fuerza tan pequeña requirió un gran esfuerzo
logístico de Rusia, cuyo ejército (siendo puramente defensivo) simplemente no
está estructurado para una proyección de poder a larga distancia. Siria está a
unos 1.000 km de Rusia, Venezuela está cerca de 10 veces más lejos.
logístico de Rusia, cuyo ejército (siendo puramente defensivo) simplemente no
está estructurado para una proyección de poder a larga distancia. Siria está a
unos 1.000 km de Rusia, Venezuela está cerca de 10 veces más lejos.
Sí, ya sé, unos pocos aviones Tu-160 visitaron Venezuela dos veces y hay
asesores rusos en el país y los venezolanos tienen algunos sistemas de armas
rusos bastante buenos. Pero aquí, de nuevo, este es un juego de números. Un
número limitado de aviones de combate de fabricación rusa (ala fija y
giratoria), misiles de defensa aérea o incluso un gran número de MANPAD
avanzados o rifles de asalto no serán suficientes contra una invasión de Estados
Unidos y Colombia.
asesores rusos en el país y los venezolanos tienen algunos sistemas de armas
rusos bastante buenos. Pero aquí, de nuevo, este es un juego de números. Un
número limitado de aviones de combate de fabricación rusa (ala fija y
giratoria), misiles de defensa aérea o incluso un gran número de MANPAD
avanzados o rifles de asalto no serán suficientes contra una invasión de Estados
Unidos y Colombia.
Luego está el terreno de batalla. Gran parte de Venezuela es difícil de acceder,
pero no para las fuerzas con la experiencia en la jungla que tienen el ejército
estadounidense y el colombiano. Además, no hay absolutamente ninguna necesidad
de invadir todo el país para derrocar al gobierno legítimo.
pero no para las fuerzas con la experiencia en la jungla que tienen el ejército
estadounidense y el colombiano. Además, no hay absolutamente ninguna necesidad
de invadir todo el país para derrocar al gobierno legítimo.
Para eso, todo lo que se necesita es controlar algunas instalaciones claves en
algunos puntos clave, y listo. Por ejemplo, no veo que la Fuerza Aérea de EEUU o
su Marina pierdan tiempo en un combate aire-aire contra los (pocos) Shukov
venezolanos; simplemente los destruirán en sus hangares junto con las pistas y
los radares de control de combate aéreo y los puestos de mando.
algunos puntos clave, y listo. Por ejemplo, no veo que la Fuerza Aérea de EEUU o
su Marina pierdan tiempo en un combate aire-aire contra los (pocos) Shukov
venezolanos; simplemente los destruirán en sus hangares junto con las pistas y
los radares de control de combate aéreo y los puestos de mando.
Por lo tanto, el terreno no impedirá que el Imperio suprima las defensas aéreas
venezolanas y tan pronto como esto se haga, se puede esperar la combinación
habitual de ataques con bombas y misiles que creará caos, destruirá la capacidad
de comando y, básicamente, tratará de desorganizar gran parte de las fuerzas
militares venezolanas. De esta manera las fuerzas estadounidenses instaladas en
Colombia y sus barcos de guerra apostados frente a la costa venezolana podrán
lanzar tantos golpes mortíferos como deseen.
venezolanas y tan pronto como esto se haga, se puede esperar la combinación
habitual de ataques con bombas y misiles que creará caos, destruirá la capacidad
de comando y, básicamente, tratará de desorganizar gran parte de las fuerzas
militares venezolanas. De esta manera las fuerzas estadounidenses instaladas en
Colombia y sus barcos de guerra apostados frente a la costa venezolana podrán
lanzar tantos golpes mortíferos como deseen.
La esperanza de que de alguna manera Rusia y China resuciten la economía
venezolana también es infundada. Primero, ninguno de los países está interesado
en verter dinero en un pozo sin fondo. Una cosa es firmar contratos que
probablemente generarán un retorno de la inversión y otra muy distinta es
arrojar dinero en un pozo sin fondo (como lo han descubierto Estados Unidos y
Europa en Ucrania).
venezolana también es infundada. Primero, ninguno de los países está interesado
en verter dinero en un pozo sin fondo. Una cosa es firmar contratos que
probablemente generarán un retorno de la inversión y otra muy distinta es
arrojar dinero en un pozo sin fondo (como lo han descubierto Estados Unidos y
Europa en Ucrania).
En segundo lugar, la economía venezolana está tan profundamente enredada en el
sistema financiero internacional de Estados Unidos y del Reino Unido que ni
China ni Rusia pueden hacer nada al respecto.
sistema financiero internacional de Estados Unidos y del Reino Unido que ni
China ni Rusia pueden hacer nada al respecto.
Esto no quiere decir que las sanciones, la subversión y el sabotaje de Estados
Unidos no hayan desempeñado un papel importante en el colapso de la economía
venezolana. Sí lo hicieron, pero es igualmente cierto (para los especialistas
rusos) que muchas de las reformas chavistas fueron frustradas y los cambios han
llegado demasiado tarde.
Unidos no hayan desempeñado un papel importante en el colapso de la economía
venezolana. Sí lo hicieron, pero es igualmente cierto (para los especialistas
rusos) que muchas de las reformas chavistas fueron frustradas y los cambios han
llegado demasiado tarde.
Pero no nos equivoquemos. No hay que comparar manzanas con naranjas: el objetivo
del Imperio es destruir la economía venezolana, mientras que el objetivo chino y
ruso es, al menos en teoría, rescatarla. Destruir es mucho más fácil que
construir, por lo tanto toda comparación es errónea y fundamentalmente injusta.
del Imperio es destruir la economía venezolana, mientras que el objetivo chino y
ruso es, al menos en teoría, rescatarla. Destruir es mucho más fácil que
construir, por lo tanto toda comparación es errónea y fundamentalmente injusta.
Realmente no quiero ofender a los partidarios de Hugo Chávez y sus ideales (me
incluyo en esa categoría) pero los informes sobre el colapso económico de
Venezuela no sólo es “propaganda de los Estados Unidos”.
incluyo en esa categoría) pero los informes sobre el colapso económico de
Venezuela no sólo es “propaganda de los Estados Unidos”.
Lamentablemente, gran algo de esto es cierto. Pero lo que dice la propaganda es
exagerado, desequilibrado, de hecho esconde, interesadamente, los éxitos reales
de las reformas de Chávez. Esto explica el continuo apoyo popular que, a pesar
de todo, sigue disfrutando el Gobierno de Maduro. Sin embargo, el panorama
general es muy sombrío y Venezuela deberá tomar medidas consistentes para
recuperarse de la situación actual.
exagerado, desequilibrado, de hecho esconde, interesadamente, los éxitos reales
de las reformas de Chávez. Esto explica el continuo apoyo popular que, a pesar
de todo, sigue disfrutando el Gobierno de Maduro. Sin embargo, el panorama
general es muy sombrío y Venezuela deberá tomar medidas consistentes para
recuperarse de la situación actual.
¿Hay esperanza todavía?
Hace poco respondí lo siguiente a un amigo que me preguntó acerca de una posible
intervención rusa en Venezuela: “Yo no confío ni en el ejército venezolano, ni
en la ayuda china o rusa, creo que nuestro mejor aliado es la increíble
capacidad de los estadounidenses de cometer actos con estupidez, ignorancia,
arrogancia y cobardía “.
intervención rusa en Venezuela: “Yo no confío ni en el ejército venezolano, ni
en la ayuda china o rusa, creo que nuestro mejor aliado es la increíble
capacidad de los estadounidenses de cometer actos con estupidez, ignorancia,
arrogancia y cobardía “.
En efecto, lo que pasa actualmente con la “política” de Estados Unidos en
Venezuela es una buena herramienta para hacer un diagnóstico. No sólo
diagnostica la degeneración moral y la patología mental de los líderes
estadounidenses, sino también describe el estado real de desesperación y caos
del Imperio .
Venezuela es una buena herramienta para hacer un diagnóstico. No sólo
diagnostica la degeneración moral y la patología mental de los líderes
estadounidenses, sino también describe el estado real de desesperación y caos
del Imperio .
Gobernado por Obama, a pesar de todas sus fallas y debilidades, EEUU logró
subvertir una lista de países latinoamericanos cruciales (como Brasil o
Argentina), pero ahora ni siquiera puede hacer eso.
subvertir una lista de países latinoamericanos cruciales (como Brasil o
Argentina), pero ahora ni siquiera puede hacer eso.
El tipo de travesuras de la pandilla de Pompeo, Bolton y Abrams es asombroso por
su crudeza y, francamente, hace que la supuesta “nación indispensable” parezca
absolutamente ridícula. Estos perdedores ya tuvieron que retirarse varias veces
de otros escenarios, y aun así piensan que sus métodos de acoso pueden ser
exitosos. No entienden que su inmensa potencia de fuego nunca sustituirá al
cerebro humano.
su crudeza y, francamente, hace que la supuesta “nación indispensable” parezca
absolutamente ridícula. Estos perdedores ya tuvieron que retirarse varias veces
de otros escenarios, y aun así piensan que sus métodos de acoso pueden ser
exitosos. No entienden que su inmensa potencia de fuego nunca sustituirá al
cerebro humano.
En su corta historia EEUU casi siempre ha actuado como una empresa criminal
dirigida por pandilleros brutales, pero en el pasado algunos de estos
pandilleros podían ser bien educados e inteligentes (pienso en James Baker). Hoy
en día el Imperio es manejado por ignorantes. Ahora bien, un ignorante armado
puede ser muy peligroso, pero nunca será efectivo.
dirigida por pandilleros brutales, pero en el pasado algunos de estos
pandilleros podían ser bien educados e inteligentes (pienso en James Baker). Hoy
en día el Imperio es manejado por ignorantes. Ahora bien, un ignorante armado
puede ser muy peligroso, pero nunca será efectivo.
Conclusión
En este momento Estados Unidos, respaldado por sus diversas colonias y estados
vasallos, parece estar preparado para dar un golpe mortal a Venezuela. Y a decir
verdad, sería capaz de hacerlo. Pero mi intuición me dice que volverá a fallar.
vasallos, parece estar preparado para dar un golpe mortal a Venezuela. Y a decir
verdad, sería capaz de hacerlo. Pero mi intuición me dice que volverá a fallar.
Esto último no quiere decir que Venezuela no tenga un problema muy grave. Pero,
creo que a pesar de estar en una condición crítica, Venezuela podrá recuperarse,
al igual que Siria. Después de todo, el ejemplo sirio demuestra que es posible
resistir a una fuerza invasora superior y al mismo tiempo realizar con éxito las
reformas necesarias.
creo que a pesar de estar en una condición crítica, Venezuela podrá recuperarse,
al igual que Siria. Después de todo, el ejemplo sirio demuestra que es posible
resistir a una fuerza invasora superior y al mismo tiempo realizar con éxito las
reformas necesarias.
Sí, la Caracas de hoy está en peligro, pero la ciudad de Alepo estaba mucho peor
hasta que fue liberada (pese a que todavía está en ruinas). Los yanquis (para
usar la expresión latinoamericana habitual) son como los israelíes: capaces de
devastar violentamente un país pero incapaces de permanecer en su territorio; si
las cosas no van rápido, se empantanan en algún lugar.
hasta que fue liberada (pese a que todavía está en ruinas). Los yanquis (para
usar la expresión latinoamericana habitual) son como los israelíes: capaces de
devastar violentamente un país pero incapaces de permanecer en su territorio; si
las cosas no van rápido, se empantanan en algún lugar.
Incluso podrían hacer lo que hicieron en Irak y Afganistán: construir embajadas
obscenamente enormes, crear una zona especial a su alrededor y quedarse quietos
mientras el país este envuelto en una sangrienta guerra civil.
obscenamente enormes, crear una zona especial a su alrededor y quedarse quietos
mientras el país este envuelto en una sangrienta guerra civil.
De esta manera, podrían proporcionar imágenes a la CNN y compañía con un
“vecindario pacífico”. Este sueño americano sería desastroso para la nación
venezolana. Por eso tenemos que tratar de prevenir un resultado como este.
“vecindario pacífico”. Este sueño americano sería desastroso para la nación
venezolana. Por eso tenemos que tratar de prevenir un resultado como este.
Con suerte los fracasos humillantes de otras sangrientas invasiones lograrán
convencer a algunas personas responsables en el Pentágono y conseguirán evitar
que EEUU se involucre en otra guerra estúpida e inmoral orquestada por los
neocons.
convencer a algunas personas responsables en el Pentágono y conseguirán evitar
que EEUU se involucre en otra guerra estúpida e inmoral orquestada por los
neocons.
* Análisis publicado por la Revista Digital The Saker (http://thesaker.is/),
http://www.unz.com/tsaker/the-us-aggression-against-venezuela-as-a-diagnostic-tool/
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
A tragédia neoliberal de Brumadinho
por Andre Araujo
Os fanáticos das privatizações só veem vantagens em qualquer privatização. A
máxima de uma empresa privada consagrada pela segunda onda do capitalismo é
MAXIMIZAR O VALOR PARA O ACIONISTA. Dento dessa lógica a ferramenta central é a
redução de custos dos fatores de produção, a redução de custos está por trás da
recente tragédia do rompimento da represa de Brumadinho.
Nem sempre foi assim. O capitalismo imperial nascido na Inglaterra na virada do
Seculo XVIII para o XIX tinha uma lógica de poder ligado à visão civilizatória
de mundo que vinha do "ethos" britânico. Os ingleses espalharam pelo mundo suas
ferrovias, plantações, docas (até o porto de Manaus era inglês). Junto com o
investimento vinha um estilo, uma postura de orgulho da civilização inglesa
espalhada pelos territórios primitivos.
As obras de engenheiros britânicos eram de extraordinária qualidade como as
represas que deram energia a São Paulo, a Gurapiranga e a Billings, sem um único
acidente em mais de um século, a ferrovia da Serra do Mar de São Paulo a Santos,
a maior do mundo em cremalheira em um declive impossível, linhas de navegação,
serviços de águas, companhias de bondes, gás e eletricidade. Pelo caminho abriam
mercado para os produtos da crescente indústria inglesa. Era uma visão de
conquistadores mais do que de contadores. Cecil Rhodes criou um País e o Império
britânico dominava 1/4 da superfície terrestre.
O atual capitalismo de matiz americanizada tem uma lógica mais estreita ligada
ao valor das ações na bolsa, não há interesse na glória de um império, por isso
veem como normal vender uma empresa símbolo como a MONSANTO, ícone de St.Louis
para os alemães da Bayer. O negócio foi bom para os acionistas da Monsanto e
isso é a única coisa que interessa. O orgulho americano e os 14.000 empregos
cortados nos EUA não valem nada.
O estouro das represas da VALE se insere nessa lógica. É óbvio, evidente,
cristalino, que o desastre nasceu da INSUFICIÊNCIA da barragem de contenção dos
rejeitos. Não houve trovão, tempestade ou terremoto para culpar. A pressão do
material contido foi maior do que a resistência da barragem e essa só rompeu
porque o muro deveria ser maior e mais espesso, o que custa mais investimento e
MENOS VALOR PARA O ACIONISTA. É simples assim.
Técnicas de barragem são conhecidas desde os sumérios e assirios, há 10 mil
anos. O cálculo é perfeitamente possível, o animal castor constrói barragens que
não se rompem, os romanos e árabes construíram barragens precisas, as grandes
hidroelétricas brasileiras têm barragens monumentais e seguras.
Hoje, o executivo é treinado para economizar no CURTO PRAZO, mesmo com o risco
de prejuízos no longo prazo. Mas aí o executivo pode ser outro.
Toda, absolutamente toda a bússola da administração de uma EMPRESA DE MERCADO
está no valor das ações. Essa é a religião dos administradores. Não há nenhum
valor social, humanitário, patriótico no código dos rapazes com MBA, são mentes
estreitas, focadas em um só objetivo.
Citemos um exemplo, a ELETROPAULO. Quando estatal a falta de energia durava 1, 2
ou 3 horas, quando havia. Hoje leva no minimo 10 horas e há muitos casos de
falta de energia por mais de 24 horas ou até 4 dias. Qual a explicação? Para
maximizar o lucro, e portanto o VALOR PARA O ACIONISTA, desmontou-se todo o
valioso sistema de manutenção das redes, que vinha da antiga companhia São Paulo
Tramway, Light and Power, de espírito inglês. Os funcionários tinham orgulho do
uniforme LIGHT, orgulho que continuou na ELETROPAULO, estatal que tinha 27.000
empregados, número compatível com a extensão da concessão, uma das maiores do
mundo, atendia a Grande São Paulo com 20 milhões de habitantes. Depois de
privatizada o número de empregados caiu para pouco mais de 3.000, a manutenção
foi terceirizada para quem cobrasse o menor preço. Obviamente que nesse esquema
a qualidade dos funcionários caiu de 100 para 5, o serviço ficou péssimo, tudo
em função de criar o MAIOR VALOR PARA O ACIONISTA.
Enquanto isso os Sardenbegs & Tecos da mídia só veem vantagem nas privatizações,
continuam alardeando que o Brasil tem 400 estatais, nenhum Pais tem tantas,
etc., o que é PURA LENDA. Os Estados Unidos tem estatais em numero de 8.600 mas
com outro nome, são entes públicos que cuidam de águas e esgotos, aeroportos,
portos, transportes coletivos nas cidades, usinas hidroelétricas, rodovias
pedagiadas. O FORMATO LEGAL é de ente público mas têm a mesma função de estatais
no Brasil. Aqui é SABESP, lá é NEW YORK WATER DEPARTMENT, mas fazem exatamente a
mesma coisa, fornecem água, emitem fatura casa a casa, tem reservatórios,
consertam as tubulações na rua, só que nos EUA não tem o nome de ESTATAIS, aqui
seriam estatais.
Nos EUA são raríssimos aeroportos privados, no Brasil os maiores já são
privatizados, nos EUA as rodovias com pedágio são do Estado e não de companhias
como a CCR, os transportes coletivos são das Prefeituras, as represas e usinas
hidroelétricas são Federais, os portos são estaduais. Os EUA, matriz do
capitalismo neoliberal, NEM COGITAM DE PRIVATIZAR aeroportos, serviços de água,
portos, ônibus e metrô, REALIDADE QUE OS NEOLIBERAIS BRASILEIROS ESCONDEM.
Por que os americanos não pensam em privatizar? Porque eles sabem que certos
serviços públicos devem ter como prioridade o atendimento ao interesse publico e
não o MÁXIMO VALOR AO ACIONISTA, certos serviços não se prestam a ser
financeirizados.
A Companhia Vale do Rio Doce tem origem no governo Arthur Bernardes e foi
estatal por 60 anos. NÃO HOUVE ROMPIMENTO DE REPRESA nesse período. A Companhia
tinha um viés de interesse público e era assim dirigida por engenheiros com foco
no Pais e não na Bolsa de Nova York.
A privatização da VALE foi um banquete da especulação financeira, os grupos mais
piratas do Brasil se sentaram à mesa para trinchar o porco, ninguém estava
minimamente interessado em produção e País, o único que queria disputar e que
era do ramo, Antonio Ermirio de Moraes, foi posto para fora do leilão.
Conclusão, hoje a VALE é uma empresa de financistas, sua única lógica é a de
mercado de ações, é dirigida por financistas desde a privatização.
E ainda o novo governo tem como bandeira AFROUXAR OS CONTROLES AMBIENTAIS para
estimular a mineração na Amazônia.
Na verdade as BARRAGENS DE CONTENÇÃO DE REJEITOS deveriam ter regras de
RECUPERAÇÃO DE SOLO para evitar que nas áreas de mineração só fiquem crateras
lunares, as áreas deveriam ser replantadas para uso ao menos recreativo, é assim
que fazem países civilizados, como o Canada.
A mineração no Brasil rende dólares hoje, mas deixa para trás uma ruína
ambiental muitas vezes maior do que o que o Brasil ganhou com a exportação de
minério barato. Qual a vantagem para o povo brasileiro? Mineração desse estilo é
para países primitivos, o Brasil deveria ter outro rumo para seu futuro.
Por ironia da História, o desastre se dá exatamente no início de um governo que
tem como uma de suas bandeiras RELAXAR a fiscalização ambiental que já é quase
nula no Brasil. Hoje, no espasmo do desastre, se verifica que só 3% das
barragens brasileiras foram fiscalizadas nos últimos dois anos.
País que não liga para dano ambiental é país primitivo, incivilizado. Essa
atitude é indigna do Brasil moderno e com pretensões de grande Pais.
In
GGN
https://jornalggn.com.br/noticia/a-tragedia-neoliberal-de-brumadinho-por-andre-araujo
29/1/2019
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