terça-feira, 13 de janeiro de 2015
O regresso do fascismo
– A propósito do Charlie Hebdo
por Jorge Beinstein
Como era de prever, o ataque contra o Charlie Hebdó desencadeou uma onde
mediática global de condenação ao "terrorismo islâmico". Sente-se um certo
fedor de "11 de Setembro à francesa" [1] . Como também era de prever, a
direita ocidental capitaliza essa onda procurando orientá-la para uma
combinação de islamofobia e autoritarismo, de justificação da cruzada
colonial contra a periferia muçulmana e ao mesmo tempo de impulso no
ocidente à discriminação interna contra as minorias de imigrantes árabes,
turcos e outras. E como também era de prever, não faltaram cortesãos
progressistas do sistema que – depois de abrir o guarda-chuva assinalando
em primeiríssimo lugar que o "ataque terrorista"... "deve ser condenado
sem atenuantes" atribuindo-o ao "fanatismo religioso" (obviamente
islâmico) – passam sisudamente a enumerar algumas culpas ocidentais sem
darem tempo para um mínimo de prudência e decoro diante de um assunto que
cheira a podre.
O mínimo que se pode dizer é que o caso Charlie Hebdo ingressou velozmente
no pântano da confusão. Os dois supostos atacantes foram liquidados dois
dias depois dos ataque, ainda não se sabe bem como foram tão facilmente
identificados numas poucas horas – salvo se aceitarmos a incrível versão
policial de que um deles esqueceu o seu documento de identidade no
automóvel utilizado no atentado. Paul Craig Roberts, ex-subsecretário do
Tesouro dos Estados Unidos, assinala que "a polícia encontrou o cartão de
identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio (próximo da sede do Charlie
Hebdo). Soa familiar? Recordem que as autoridades (estado-unidenses)
afirmaram haver encontrado o passaporte intacto de um dos supostos
sequestradores do 11 de Setembro entre as ruínas das torres gémeas. Uma
vez que as autoridades descobrem que os povos ocidentais estúpidos vão
acreditar em qualquer mentira transparente, vão recorrer à mentira
repetidas vezes" [2] .
Não haverá julgamento, os irmãos Kouachi não desmentirão nem confessarão
nada. Por outro lado, em diferentes meios jornalísticos surge a informação
de que estes irmãos franceses filhos de imigrantes argelinos teriam sido
recrutados há algum tempo pelo aparelho de inteligência francês que os
encaminhou para o jihadismo na sua luta contra o governo sírio. Surge
inclusive o nome do agente recrutador, um tal David Drugeon, assinalado
desde há tempos como um personagem de alto nível do aparelho de
inteligência francês – que naturalmente desmentiu a referida informação,
reiterada antes e depois do desmentido por meios de comunicação
estado-unidenses e europeus [3] .
E como se isto fosse pouco, um dia depois do "atentado", de modo muito
marginal, deu-se a conhecer o estranho suicídio de Helric Fredou, comissão
subdirector da Polícia Judiciária de Limoges que trabalhava no caso
Charlie Hebdo [4] .
Guerras e bufões
Philippe Grasset assinala com razão que o ataque contra o Charlie Hebdo
não é um "atentado terrorista" e sim um "acto de guerra" perfeitamente
orientado para um objectivo concreto realizado por meio de uma operação
tipo comando [5] .
Mas de que guerra se trata?
Uma primeira constatação é que a França tem actualmente, de maneira
formal, cerca de 8 mil soldados em diferentes intervenções militares na
periferia, mais de 5 mil em África e importantes contingentes na Ásia
Central e no Médio Oriente, a mais recente foi no Iraque com o argumento
de combater o "Estado Islâmico" [6] . A intervenção no Afeganistão,
subordinada ao comando militar dos Estados Unidos, deslocava uns 4 mil
soldados por volta de 2009 [7] .
Ainda que a operação mais ruidosa tenha sido realizada contra a Líbia, os
bombardeamentos franceses, factor decisivo na intervenção da NATO,
causaram milhares de mortes entre a população civil, importantes centros
urbanos foram destruídos, o estado líbio foi liquidado. Segundo diferentes
avaliações a seguir ao derrube de Kadafi, cerca de dois milhões de líbios,
um terço da população total, deixaram o país submerso no caos, disputado
por bandos rivais. Também a França intervém activamente na operação da
NATO contra a Síria, introduzindo mercenários e armas.
Dito de outro modo, o estado francês é hoje uma componente decisiva do
dispositivo operacional da NATO que está empenhado numa estratégia de
intervenção global destinada à recolonização ocidental do planeta. O
comando supremo cabe, naturalmente, aos Estados Unidos. A estratégia
operatória da referida agressão não se limita a um conjunto de acções
militares do tipo clássico e sim a um leque completo de dispositivos
destinados à desestruturação, à caotização de diferentes áreas do "resto
do mundo", à sua transformação numa massa informe que seja presa fácil
para a depredação. Assim o demonstra a longa série de intervenções
ocidentais recentes na Ásia, África e América Latina, em alguns casos
através de invasões militares como no Afeganistão e Iraque, em outros
combinando bombardeamentos e/ou introdução de mercenários como na Líbia ou
na Síria, ou ainda instalando bases militares e inflando exércitos locais
e bandos paramilitares como na Colômbia – mas em todos os casos
incentivando formas caóticas e ultra violentas que desarticulam o tecido
social de que as realidades actuais do México, Líbia ou Iraque são um bom
exemplo.
Estas acções são combinadas com um vasto desenvolvimento comunicacional
destinado a controlar e arregimentar as sociedades ocidentais, bem como a
degradar, desarticular, submeter o resto do mundo. É reafirmado o velho
mito do ocidente como civilização verdadeira, única com legitimidade
universal relegando os demais à categoria de "bárbaros" ou
"semi-civilizados", conforme as circunstâncias. Mito imperial que
atravessou toda a história da modernidade até chegar à sua mutação actual
em delírio criminal no século XX como fascismo ou nazismo. Desse modo, o
liberalismo imperialista civilizador, o cristianismo colonial redentor e o
nazismo que floresceram em três momentos diferentes acabam agora em plena
decadência sistémica convergindo numa mistela grotesca, expressão de
sociedades privilegiadas em recuo cultural. Assim é que a Frente Nacional,
abertamente neonazi convertida no primeiro partido político da França,
enlaça na prática com comunicadores ou intelectuais da moda como Éric
Zemmour que reivindica a colaboração com a ocupação alemã durante a
segunda Guerra Mundial e a segregação das minorias muçulmanas e outras,
tudo isso em nome dos "valores cristãos" da França [8] ou outros como
Bernard-Henri Levy, instigador do genocídio da NATO na Líbia. A partir da
sua alta posição, o presidente socialista François Hollande explica a
intervenção na Síria e no Iraque e o apoio ao regime neonazi da Ucrânia
como fazendo parte da sua luta pela defesa dos interesses da França.
Santiago Alba Rico elogia os assassinados do Charlie Hebdo colocando-os na
categoria de bufões e explica-nos "o horror de que as suas vítimas se
dedicassem a escrever e desenhar... tarefas que uma longa tradição
histórica compartilhada situa no extremo oposto da violência... Em termos
humanos, sempre é mais grave matar um bufão do que um rei porque o bufão
diz o que todos queremos ouvir ainda que seja improcedente ou inclusive
hiperbólico... O que mata um bufão, ao qual encomendámos o livre-dizer,
mata a própria humanidade. Também por isso os assassinos de Paris são
fascistas. Só fascistas matam bufões. Só fascistas acreditam que objectos
não hilariantes ou não ridicularizáveis. Só os fascistas matam para impor
seriedade" [9] .
Não creio que Hitler, ao exercer a arte de escrever, o "Mein Kampf" por
exemplo, estivesse a realizar uma actividade oposta à violência e sim,
muito pelo contrário, a legitimá-la. Por outro lado, é necessário destacar
que grandes massacres foram acompanhados pela ridicularização das vítimas.
Nesse sentido, a arte de ridicularizar surge como um complemento
necessário da matança, cobri-la com um manto de humor oculta a tragédia,
desculpabiliza os assassinos.
Tenho diante de mim três fotografias do "Batalhão policial 101", unidade
operacional alemã famosa pela sua extrema crueldade durante a Segunda
Guerra Mundial nos territórios ocupados da Europa do Leste. Numa delas
vê-se um grupo de soldados-polícias alemães mortos de riso a rodearem um
velho judeu barbudo, os nazis muito divertidos estão em vias de cortar-lhe
a barba. Nas outras duas aparecem a custodiar um grupo de judeus na
localidade de Lukov a ponto de serem enviados ao campo de extermínio de
Treblinka. Numa delas um soldado nazi diverte-se à grande obrigando um
velho judeu andrajoso a realizar gestos bufonescos [10] .
Os reis costumavam incluir bufões na sua corte, os quais vertiam humor
burlando-se, por vezes astutamente, do rei e de alguns cortesãos – mas
sobretudo dos inimigos do rei e dos vassalos mais pobres, camponeses ou
humildes artesãos, ridicularizando seus gestos, sua maneira de falar e
vestir, ou seja, suas culturas. Um bufão da corte não é um bufão em geral,
não está ali porque sim, não é a expressão de algo bom e sim, antes, o
encarregado de banalizar a tragédia, de fazê-la divertida.
Fazer palhaçadas na corte, ou seja, no ocidente, ridicularizando as
crenças e costumes de muçulmanos bombardeados, invadidos, colonizados, faz
parte da banalização do mal, integra a maquinaria ideológica legitimadora
da tentativa ocidental de colonização da periferia. O suposto "humor
libertário" do Charlie Hebdo ensina-nos que tudo pode fazer parte da
festa, os fascistas realmente existentes não matam bufões em geral e sim
certos bufões incómodos e em numerosos casos incorporam bufões à sua
corte. A ridicularização da vítima é um aspecto significativo do humor
fascista, faz parte da humilhação do martirizado.
Finalmente, nem tudo é ridicularizável. Não creio que seja um fascista
quem considere que é inadmissível fazer piadas com o assassinato maciço de
crianças na Palestina executado pela aviação israelense, ou com os
massacres da população civil na Líbia realizados pela aviação da NATO, ou
com os assassinatos de camponeses na Colômbia praticados pelos
paramilitares. Quem considere que é possível, sim, converter esses factos
em objectos de riso pode ou não ser ideologicamente fascista mas
certamente trata-se de um canalha.
Bárbaros e civilizados
Para além da questão de saber se o ataque contra o Charlie Hebdo foi uma
operação montada pelo aparelho de inteligência francês, só ou em
cooperação com a CIA ou outra estrutura, ou então uma acção de um grupo
islâmico manipulado pelo aparelho francês ou inclusive independente e
hostil ao ocidente, o certo é que uns ou outros consideraram-no um
objectivo concreto da guerra globalizada em curso.
Seguindo a "hipótese 11 de Setembro" (auto-atentado), tratar-se-ia de
mobilizar na cruzada imperial uma Europa esmagada pela recessão.
Poderíamos fazer coincidir o acontecimento o anúncio de que a União
Europeia vai entrando numa etapa de deflação que ameaça ser prolongada e
está completamente submetida à estratégia global dos Estados Unidos. Isso
significa que as elites dominantes precisam criar rapidamente factores de
coesão social funcionais a suas aventuras militares e financeiras. O
demónio islâmico pode bem justificá-lo, para fazer aceitar ou obrigar a
aceitar guerras externas combinadas com repressões e empobrecimentos
internos.
A quota de barbárie introduzida com o golpe de estado na Ucrânia e a
tentativa posterior de depuração étnica no Sudeste desse país acompanharia
a ascensão generalizada do fascismo na Europa, desde a Ucrânia e os países
bálticos, até chegar à Frente Nacional em França e ao movimento Pegida na
Alemanha, passando pelo Amanhecer Dourado da Grécia. O que prefigura a
conformação de um fascismo muito extenso no espaço europeu a coincidir com
a previsível ascensão do Partido Republicano nos Estados Unidos. Neste
cenário a intensificação de actos de barbárie imperial na periferia
estaria a convergir com a internalização de formas significativas de
barbárie no centro imperial.
Seguindo a hipótese oposta, estaríamos na presença do início da caotização
do centro imperial do mundo. O desenvolvimento da sua "Guerra de quarta
geração" contra a periferia começaria a ter um efeito boomerang sobre o
protagonista ocidental. O provocador ocidental do caos começa por sua vez
a ser caotizado por um desenvolvimento que começa a escapar ao seu
controle e que gera deslocações na sua retaguarda. A crise económica, suas
derivações financeiras, ecológicas, sociais e militares iriam submergindo
o espaço euro-norteamericano numa espiral descendente irreversível.
Em ambos os casos, as imponente civilização ocidental, seus pretensos
"valores universais", estariam a evaporar-se – deixando a descoberto a sua
barbárie profunda.
[1] Thierry Meyssan, "¿Un 11 de septiembre en París?. ¿Quién está detrás
del atentado contra Charlie Hebdo?" , Voltairenet.org, 8 de enero de 2015
[2] Paul Craig Roberts: "Ataque contra 'Charlie Hebdo' fue una operación
de falsa bandera" , RT, 11/01/2015
ver também: Kevin Barret, "Planted ID card exposes Paris false
flag" , PRESSTV, Sat Jan 10, 2015
[3] Mitchel Prothero, "Videos show Paris gunmen were calm as they executed
police officer, fled scene" , McClatchy DC, January 7, 2015
[4] Quenel+, "Le numéro 2 de l'enquête sur Charlie hebdo s'est suicidé" ,
8 janvier 2015
[5] Philippe Grasset, "Un "11-septembre à la française" ?" ,
Dedefensa.org, 08/01/2015
[6] "De l'Irak au Mali, le casse-tête budgétaire de l'armée française" ,
Les Echos, 23/09/2014,
[7] "French forces in Afghanistan" , Wikipedia,
[8] Éric Zemour, "Le suicide français", Albin Michel, Paris 2014.
[9 Santiago Alba Rico, "Lo más peligroso es la islamofobia" , Rebelión,
08/01/2015,
[10] D. J. Goldhagen, "Los verdugos voluntarios de Hitler", páginas 314 e
331, Taurus, Madrid, 1997.
O original encontra-se em anncol.eu/...
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
http://www.resistir.info/franca/c_hebdo_beinstein.html
13/Jan/15
sábado, 10 de janeiro de 2015
Charlie Hebdo and Tsarnaev’s Trial: Cui bono?
By Dr. Paul Craig Roberts
There are two ways to look at the alleged terrorist attack on the French
satirical magazine Charlie Hebdo.
One is that in the English speaking world, or much of it, the satire would have
been regarded as “hate speech,” and the satirists arrested. But in France
Muslims are excluded from the privileged category, took offense at the satire,
and retaliated.
Why would Muslims bother? By now Muslims must be accustomed to Western
hypocrisy and double standards. Little doubt that Muslims are angry that they do
not enjoy the protections other minorities receive, but why retaliate for satire
but not for France’s participation in Washington’s wars against Muslims in which
hundreds of thousands have died? Isn’t being killed more serious than being
satirized?
Another way of seeing the attack is as an attack designed to shore up France’s
vassal status to Washington. The suspects can be both guilty and patsies. Just
remember all the terrorist plots created by the FBI that served to make the
terrorism threat real to Americans.
http://reason.com/blog/2014/07/22/human-rights-watch-all-of-the-high-profi
France is suffering from the Washington-imposed sanctions against Russia.
Shipyards are impacted from being unable to deliver Russian orders due to
France’s vassalage status to Washington, and other aspects of the French economy
are being adversely impacted by sanctions that Washington forced its NATO puppet
states to apply to Russia.
This week the French president said that the sanctions against Russia should end
(so did the German vice-chancellor).
This is too much foreign policy independence on France’s part for Washington.
Has Washington resurrected “Operation Gladio,” which consisted of CIA bombing
attacks against Europeans during the post-WW II era that Washington blamed on
communists and used to destroy communist influence in European elections? Just
as the world was led to believe that communists were behind Operation Gladio’s
terrorist attacks, Muslims are blamed for the attacks on the French satirical
magazine.
The Roman question is always: Who benefits? The answer is: Not France, not
Muslims, but US world hegemony. US hegemony over the world is what the CIA
supports. US world hegemony is the neoconservative-imposed foreign policy of the
US.
According to National Public Radio, Charlie Hebdo is about free speech. The US
has free speech, claim NPR’s pundits, but terrorists have taken it away from the
French.
Just how does the US have free speech when NY Times reporter James Risen was
psychologically put on the rack to force him to reveal his source, despite the
fact that Risen and his source are protected by the US Constitution and
whistleblower protections. Clearly, in the US “national security” has trumped
everything else.
“National security” has nothing to do with national security. It has only to do
with protecting the criminals in the US government from accountability for their
crimes.
Every time you hear Washington invoke “national security,” you know for a 100%
fact that the government has committed yet another crime. National security is
the cloak for Washington’s criminal operations. “National security” prevents the
government’s crimes from coming to light and, thereby, protects government from
accountability.
One wonders what role “national security” will play in the trial of alleged
Boston Marathon Bomber Dzhokhar Tsarnaev. Tsarnaev has been in custody since
April 2013 and under indictment since April 22, 2013. Yet jury selection is
only now beginning in January 2015. Why this long delay? The guarantee of a
speedy trial no longer means anything, but with all sorts of charges in addition
to the bombing for which the government claims eye witnesses and confessions and
with the Tsarnaev brothers already convicted in the media, the long delay is a
puzzle. Yet, we have not heard from Dzhokhar Tsarnaey himself. It is difficult
to push away the thought that Dzhokhar’s trial has been delayed in order to
compete his conditioning and acceptance of his guilt and in order for the many
questions raised by alternative media to be forgotten.
The print and TV media have dished up the government’s explanation without
investigation. However, the alternative media have taken great exception to
every aspect of the case. As the US government has taught us since the Clinton
regime, the safest assumption is that everything the government says is a lie.
The most suspicious aspect of the event was the speed with which an army of
10,000 heavily armed troops consisting of police from various jurisdictions and
National Guard soldiers outfitted in military gear and provided with tanks or
armored personnel carriers were on the streets of Boston. Never before has such
a massive force equipped with military heavy equipment been employed in a
manhunt, much less for one wounded, unarmed, 19-year old kid.
For such a force to be assembled and deployed so quickly suggests pre-planning.
What was presented as a manhunt for one badly wounded suspect looks more like a
test case and precedent for locking down one of America’s largest cities, while
squads of troops evicted US citizens from their homes at gunpoint and conducted
indiscriminate searches of houses that contributed nothing to apprehending the
alleged suspect. The chances are zero that any household would have harbored a
badly wounded unarmed fugitive dying from the lack of medical care.
Not only was Boston and its suburbs locked down, the Federal Aviation
Administration restricted airspace over Boston and issued a “ground stop” for
Logan airport. Why?
Several other cities in Massachusetts and even some other states put their
police forces on alert. Why?
On the scene were the FBI, the Bureau of Alcohol, Tobacco Firearms and
Explosives, the CIA, the Drug Enforcement Administration, the National
Counterterrorism Center. The US Attorney General committed the full resources of
the US Department of Justice.
Why?
The only plausible answer is to raise the fear level in order to gain the
public’s acceptance of the lockdown of Boston and police invasions of citizens’
homes. It makes no sense that danger from a badly wounded unarmed 19 year-old
could possibly justify such expense and trampling of constitutional rights of
citizens.
A non-gullible person must wonder if the bombing was an orchestrated event for
the purpose of coordinating state, local, and federal governments in the
lockdown of a major city. A poll of Bostonians last July found that 42 percent
harbored doubts about the official version of events.
http://www.globalresearch.ca/four-in-ten-bostonians-skeptical-of-official-marathon-bombing-account/5390848
The gullible always say that if a conspiracy existed someone would have talked.
But people do talk. It just doesn’t do any good. For example, during George W.
Bush’s first term a NSA whistleblower leaked to the New York Times that the NSA
was bypassing the FISA Court and spying on American citizens without warrants.
Under US law, NSA was in a conspiracy with the Bush regime to commit serious
felonies (possibly for the purpose of blackmail), but the New York Times spiked
the story for one year until George W. Bush was re-elected and the regime had
time to ex post facto legalize the felonies.
Operation Gladio was a conspiracy kept secret for decades until a President of
Italy revealed it.
The Northwoods Project was kept secret until years afterward when the second
Kennedy Commission revealed it.
More than one hundred first responder police and firemen report hearing and
personally experiencing multiple explosions floor by floor and even in the
sub-basements of the World Trade Center twin towers, and these testimonies had
no effect whatsoever.
It only took one high school physics professor to shoot down NIST’s account of
the collapse of WTC 7. The fact that it has been conclusively proven that this
building was brought down by controlled demolition has had no effect on the
official story.
The co-chairmen and legal counsel of the 9/11 Commission published books in
which they say that information was withheld from the Commission, that the US
Military lied to the Commission, and that the Commission “was set up to fail.”
Neither Congress, the media, nor the US public had any interest in investigating
why information was withheld, why the military lied, and why the Commission was
set up to fail. These extraordinary statements by the leaders of the official
investigation had no impact whatsoever.
Even today a majority of the US population believes Washington’s propaganda that
Russia invaded Ukraine and annexed some provinces. Neither judgement nor
intelligence are strong points of the American public and juries.
Government tells Americans whatever story the government puts together and sits
and laughs at the gullibility of the public.
Today the US public is divided between those who rely on the “mainstream media”
and those who rely on the alternative Internet media. Only the latter have any
clue as to what is really happening.
The stories of Charlie Hebdo and the Tsarnaev brothers will be based not on
facts but on the interests of government. As in the past, the government’s
interest will prevail over the facts.
In
Global Research
http://www.globalresearch.ca/charlie-hebdo-and-tsarnaevs-trial-qui-bono/5423632
January 09, 2015
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Perspectivas para 2015
por Jorge Figueiredo
A banca foi concebida na iniquidade e nascida no pecado. Os
banqueiros possuem a terra. Afastando-os, mas deixando-lhes o poder
para criar dinheiro, com a ponta da caneta criarão suficientes
depósitos para comprar tudo outra vez. Entretanto, afastem-nos do
poder de criar moeda e todas as grandes fortunas como a minha
desaparecerão e devem desaparecer pois isto seria um mundo mais
feliz e melhor para nele viver. Mas se desejam permanecer escravos
dos banqueiros e pagarem o custo da sua própria escravidão,
deixem-nos continuar a criar moeda.
Josiah Stamp, Presidente do Banco da Inglaterra, década de 1920
O aumento contínuo da composição orgânica do capital é um facto bem
conhecido e não precisa ser demonstrado. A substituição de trabalho vivo
por trabalho morto constitui uma tendência permanente e secular do modo de
produção capitalista, pode-se dizer que uma tendência sistémica. Na nossa
época esta atingiu níveis paroxísticos e já não há nenhum sector de
actividade que dela escape. O último deles, após a indústria e a
agricultura, foi o de serviços. Mas também aí a informática fez o seu
trabalho.
O crescimento vertiginoso da composição orgânica teve e tem muitas
consequências. A primeira, mais óbvia, é a eliminação (ou não criação) de
postos de trabalho para populações que assim se tornam excedentárias. Mas
o que nos interessa aqui é a segunda consequência: a redução da taxa de
lucro (a qual varia inversamente à composição orgânica) nas actividades
produtivas da economia real. A lei tendencial da queda da taxa de lucro,
descoberta por Marx, tem na nossa época a sua comprovação plena na
realidade efectiva (há numerosos estudos empíricos que o confirmam).
No entanto, a mola real que faz funcionar este modo de produção é a busca
do lucro por parte dos capitalistas. Assim, a queda da taxa na economia
real teve como efeito que o capital monopolista e financeiro passasse a
buscar o lucro fora das actividades produtivas, sem a intermediação da
mercadoria. Tenta assim que o dinheiro gere dinheiro, provocando no último
quarto de século o fenómeno avassalador da financiarização. É inútil
classificar tal fenómeno como "perverso" pois isto seria apenas uma
crítica moralista do sistema. Importa sim entender o como e o porque da
sua existência, bem como as formas como se manifesta. As principais
manifestações são a titularização de dívidas, a explosão dos derivativos,
a desregulamentação da actividade bancária convencional, os hedge funds,
os paraísos fiscais, a especulação desenfreada que transformou o sector
financeiro num casino e a criação de uma actividade parabancária
totalmente desregulamentada. Esta última movimenta um volume de capital
tão grande ou maior do que o da banca convencional. É a esta gigantesca
acumulação de títulos de dívida, ou "pretensões a dinheiro" ( claims, em
inglês), que se pode chamar capital fictício. Trata-se de capitais que
giram pelo mundo pois não encontram aplicações produtivas às taxas de
lucro desejadas pelos seus detentores. O seu volume, hoje, é muitas vezes
maior do que o Produto Mundial Bruto [1] .
Esta infestação de capital fictício no mundo todo representa um problema
fatal para o modo de produção capitalista na sua fase financiarizada. Ele
já não pode crescer pois está tolhido pela camisa de força do
endividamento, o qual jamais poderá ser pago. O capital fictício paira
como uma nuvem negra sobre a economia mundial. Como notou Sapir , "Ele
trava os processos de investimento e deprime ao mesmo tempo o consumo,
produzindo estas economias de desemprego em massa que se vê a
desenvolverem-se nos países ocidentais". Instalou-se assim nos países
centrais o capitalismo rentista – mas já não há renda que chegue para tal
volume de títulos e é impossível resgatá-los.
Chega-se assim ao cerne do problema do capital fictício: provoca a
estagnação económica perene. Como escapar à estagnação? Uma das maneiras é
transcender o modo de produção de capitalista, o que elimina rentismo
parasitário e liberta o mundo do peso do endividamento geral – a aplicação
de recursos em actividades úteis já não será estrangulada pela obtenção ou
não de taxa de lucro. A outra, se se mantiver este modo de produção, é
esterilização do excesso de capital fictício. Nas últimas décadas isto tem
sido possível através de gastos governamentais inúteis, como por exemplo a
corrida armamentista. Só que agora, dado o volume atingido, tais soluções
já não são mais suficientes. Tal como um drogado, o capital financeiro
exige doses cada vez maiores do estupefaciente.
Historicamente, nas últimas duas crises gerais do capitalismo que
conduziram a depressões, o restabelecimento da taxa de lucro que permitiu
a retomada do crescimento foi feito através de destruições provocadas por
guerras mundiais. No século XX ambas permitiram gloriosas saídas em "V" .
Mas na actual depressão, iniciada em 2008, está a verificar-se uma saída
"em raiz quadrada" do tipo ondulante. A situação é de tal modo
catastrófica que nem mesmo a baixa drástica do preço do petróleo
verificada nos últimos seis meses está a ser suficiente para a retomada do
crescimento. Ainda que seja uma baixa artificial, provocada pelo
imperialismo em conluio com a Arábia Saudita, ela deveria estar a ter
algum efeito de reanimação. Mas até agora, nada. O sacrifício da sua
indústria do shale pelos EUA não parece estar a ser suficiente. O doente
continua nos cuidados intensivos em estado comatoso.
A actual agressividade do império é um indício do seu desespero. A
imposição de uma junta nazi na Ucrânia, de cerco à Rússia e à China com
bases militares, de sabotagem à Venezuela, etc são indícios alarmantes. E
o servilismo da União Europeia chega até à abjecção, submetendo-se
totalmente aos desígnios imperiais. Esperemos que as guerras energéticas e
monetárias agora iniciadas pelo imperialismo para salvar a hegemonia do
dólar não se transformem em guerra nuclear. Nesse caso, a alternativa
"Socialismo ou barbárie" formulada por Rosa Luxemburgo teria de ser
corrigida para "Socialismo ou extermínio".
Neste mar tormentoso, para a pequena nau lusitana a melhor saída será
retomar o seu destino nas suas próprias mãos: Recuperar a soberania
monetária de que a classe dominante portuguesa abdicou; criar uma moeda
nacional de emissão estatal; abandonar a UE e o seu tratado orçamental;
libertar-se das peias de organismos internacionais e iniciar um programa
de recuperação económica do país. Esta seria a melhor saída possível
diante da actual situação desastrosa. Quando será?
Votos de bom 2015.
[1] Cerca de 12 vezes segundo Jorge Beinstein, v. Capitalismo, violência e
decadência sistémica
Ver também:
O capital fictício, nova obra de Cédric Durand
Crises, os desenlaces possíveis
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
03/Jan/15
RESISTIR.INFO
http://www.resistir.info/jf/perspectivas.ht
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
SP- Brasil- Universidade 'democrática' reprime movimento estudantil
A comunidade deve se manifestar!
ADUNESP Associação dos Docentes
da Unesp - Seção Sindical
do Andes-SN
SINTUNESP Sindicato dos
Trabalhadores
da Unesp
Preocupados com a gravidade da decisão do
Conselho Universitário da Unesp de negar provimento
ao recurso interposto pelos advogados de defesa dos
estudantes sindicados no Processo de Sindicância nº
1.709/2013, instaurado para “apurar responsabilidades
de integrantes do corpo discente pela prática das infrações
disciplinares de que trata o art. 161, incisos II, IV,
VII, VIII, IX, X e XI, do Regimento Geral da Universidade
(Fl. 143).”, convidamos toda a comunidade acadêmica
da Universidade e todos aqueles que prezam
os valores democráticos a refletirem e manifestarem-se
quanto a algumas questões de maior importância, expostas
a seguir.
Não foi deferida a produção de prova testemunhal
pela defesa, ou seja, não foi aceita uma única
testemunha de defesa no Processo de Sindicância,
o que configura um cerceamento explícito do direito
dos sindicados à ampla defesa e ao contraditório. Os
sindicados foram objeto de apuração e punição pelo
descumprimento de alguns itens do Decreto Lei nº 477,
de 26 de fevereiro de 1969, transcritos no Regimento da
Unesp, com pequenas e insignificantes modificações,
que não lhes retiram o conteúdo truculento. Essas normativas
constituem uma inequívoca afronta ao estado
democrático de direito e ao exercício pleno das prerrogativas
democráticas consignadas na Constituição de
1988, que certamente não as acolhe, antes as veda.
Os advogados de defesa não puderam acompanhar
muitos estudantes sindicados, pois foram ouvidos
por carta precatória pelos respectivos diretores das suas
unidades universitárias de origem, na mesma data (19
de março de 2014). Não há no Processo em questão
uma testemunha sequer que tenha declarado presenciar
qualquer ato que configurasse depredação do patrimônio
público por parte dos estudantes que participaram
dos acontecimentos. Portanto, não houve imputação a
quem quer que fosse pelos atos pretensamente ilegais
que supostamente teriam praticado.
Durante a sessão do Conselho Universitário
que apreciou o recurso dos estudantes, os advogados
de defesa tiveram escassos 5 minutos
Ato dos estudantes em frente à reitoria da Unesp, no dia 11/12
para uso da palavra, tendo sido interrompidos pela Senhora
Secretária Geral quando ainda não haviam concluído
a fala. A Magnífica Vice-Reitora, no exercício da
Reitoria, falou durante aproximadamente 15 minutos,
solicitando ao CO que não acatasse o recurso. Foi seguida
por cerca de 5 minutos de fala do Pró-Reitor de
Administração, que fez indicações no mesmo sentido e
que precedeu a fala do Prof. Dr. José de Souza Martins,
que emitiu parecer, a pedido da reitoria. Este último fez
uso da palavra durante cerca de 9 minutos e reafirmou
a legalidade dos procedimentos realizados pela Comissão
Sindicante, assegurando aos membros do CO que
não havia quaisquer vícios que sugerissem a nulidade
da sindicância, contrariamente ao que afirmaram os advogados
de defesa.
Seguiu-se um intenso debate entre membros do
Conselho Universitário, ocasião em que vários conselheiros
admitiram reconhecer irregularidades na sindicância,
alguns deles citando parte dos argumentos
expostos acima. Outros chegaram a defender que, em
que pesassem sobre o Processo de Sindicância alguns
vícios, ainda assim era necessário que os estudantes
fossem punidos pela ocupação do Prédio da Reitoria da
Unesp em 16 e 17 de julho de 2013
O recurso foi colocado em votação pela Vice-
Reitora com o compromisso de discutir posteriormente,
na mesma reunião do CO, o tamanho da pena,
acenando com a perspectiva de, eventualmente, reduzi-
la, o que não aconteceu. Realizada a votação, vários
conselheiros que haviam admitido irregularidades na
Sindicância votaram contrariamente ao acatamento do
recurso interposto. Entre os que assim se manifestaram
houve conselheiros que optaram pela punição exemplar
do grupo de 95 estudantes, mesmo sabendo que, entre
eles, existem dois que sequer participaram da ocupação,
e houve também aqueles que optaram por discutir
a dosagem da pena, conforme assegurado pela Vice-
Reitora, com a expectativa de que pudessem diminuí-
la. Isto, de fato, não ocorreu, porque a mesa diretora
dos trabalhos descumpriu o encaminhamento inicial e
não lhes facultou essa possibilidade.
Os estudantes sindicados receberam a mesma
pena, como se todos tivessem praticado o mesmo ato,
embora não exista nos autos prova de que algum deles
se enquadre nas acusações que constam nos motivos da
Sindicância, o que avilta até a mais limitada concepção
de legalidade do estado democrático de direito.
Com isto, o Conselho Universitário da Unesp
perdeu a chance histórica de recolocar esta Universidade
num patamar que o discurso flagrantemente estéril
de muitos dos seus dirigentes pretende fazer crer que
seja democrático. Esta decisão indica que não há, por
parte da alta administração da Unesp, qualquer prurido
em se prestar ao papel de manter os tentáculos da ditadura
militar (1964-1984) vivos em nossa Universidade
e na sociedade brasileira.
Continuaremos na luta pela democratização das
instâncias de poder em nossa Universidade e conclamamos
a todos que prezam os valores democráticos a se
manifestarem. Não podemos permitir que qualquer um
que se contraponha aos interesses da Reitoria e de alguns
Diretores de Unidade seja considerado criminoso,
nem que a Universidade seja transformada em espaço
patrimonial particular em que comissões de sindicância,
cujas regras e procedimentos são similares às dos
tribunais de exceção, sejam criadas ("Aqui as regras
são nossas").
Esse tipo de procedimento, muito caro à ditadura
militar brasileira, foi utilizado para dar um viés
pretensamente legal às práticas de terrorismo de Estado
e foi utilizado para aniquilar seus opositores. Esses(as)
senhores(as) não podem se colocar acima da lei e da
ordem constitucional republicana, dando continuidade
ao arbítrio ditatorial.
Esses arroubos autoritários nos colocam, mais
do que nunca, a necessidade de estarmos organizados
política e academicamente para que os valores democráticos
pelos quais muitos brasileiros lutaram e foram
sequestrados, torturados e mortos não sejam enxovalhados.
A construção da democracia é sempre um processo
inacabado e exige de todos nós uma ação imediata
e decisiva para extirpar as sombras da ditadura que
ainda nos assediam.
São Paulo, 19 de dezembro de 2014.
Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp)
Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp)
Adunesp/Sintunesp
19/12/2014
ADUNESP Associação dos Docentes
da Unesp - Seção Sindical
do Andes-SN
SINTUNESP Sindicato dos
Trabalhadores
da Unesp
Preocupados com a gravidade da decisão do
Conselho Universitário da Unesp de negar provimento
ao recurso interposto pelos advogados de defesa dos
estudantes sindicados no Processo de Sindicância nº
1.709/2013, instaurado para “apurar responsabilidades
de integrantes do corpo discente pela prática das infrações
disciplinares de que trata o art. 161, incisos II, IV,
VII, VIII, IX, X e XI, do Regimento Geral da Universidade
(Fl. 143).”, convidamos toda a comunidade acadêmica
da Universidade e todos aqueles que prezam
os valores democráticos a refletirem e manifestarem-se
quanto a algumas questões de maior importância, expostas
a seguir.
Não foi deferida a produção de prova testemunhal
pela defesa, ou seja, não foi aceita uma única
testemunha de defesa no Processo de Sindicância,
o que configura um cerceamento explícito do direito
dos sindicados à ampla defesa e ao contraditório. Os
sindicados foram objeto de apuração e punição pelo
descumprimento de alguns itens do Decreto Lei nº 477,
de 26 de fevereiro de 1969, transcritos no Regimento da
Unesp, com pequenas e insignificantes modificações,
que não lhes retiram o conteúdo truculento. Essas normativas
constituem uma inequívoca afronta ao estado
democrático de direito e ao exercício pleno das prerrogativas
democráticas consignadas na Constituição de
1988, que certamente não as acolhe, antes as veda.
Os advogados de defesa não puderam acompanhar
muitos estudantes sindicados, pois foram ouvidos
por carta precatória pelos respectivos diretores das suas
unidades universitárias de origem, na mesma data (19
de março de 2014). Não há no Processo em questão
uma testemunha sequer que tenha declarado presenciar
qualquer ato que configurasse depredação do patrimônio
público por parte dos estudantes que participaram
dos acontecimentos. Portanto, não houve imputação a
quem quer que fosse pelos atos pretensamente ilegais
que supostamente teriam praticado.
Durante a sessão do Conselho Universitário
que apreciou o recurso dos estudantes, os advogados
de defesa tiveram escassos 5 minutos
Ato dos estudantes em frente à reitoria da Unesp, no dia 11/12
para uso da palavra, tendo sido interrompidos pela Senhora
Secretária Geral quando ainda não haviam concluído
a fala. A Magnífica Vice-Reitora, no exercício da
Reitoria, falou durante aproximadamente 15 minutos,
solicitando ao CO que não acatasse o recurso. Foi seguida
por cerca de 5 minutos de fala do Pró-Reitor de
Administração, que fez indicações no mesmo sentido e
que precedeu a fala do Prof. Dr. José de Souza Martins,
que emitiu parecer, a pedido da reitoria. Este último fez
uso da palavra durante cerca de 9 minutos e reafirmou
a legalidade dos procedimentos realizados pela Comissão
Sindicante, assegurando aos membros do CO que
não havia quaisquer vícios que sugerissem a nulidade
da sindicância, contrariamente ao que afirmaram os advogados
de defesa.
Seguiu-se um intenso debate entre membros do
Conselho Universitário, ocasião em que vários conselheiros
admitiram reconhecer irregularidades na sindicância,
alguns deles citando parte dos argumentos
expostos acima. Outros chegaram a defender que, em
que pesassem sobre o Processo de Sindicância alguns
vícios, ainda assim era necessário que os estudantes
fossem punidos pela ocupação do Prédio da Reitoria da
Unesp em 16 e 17 de julho de 2013
O recurso foi colocado em votação pela Vice-
Reitora com o compromisso de discutir posteriormente,
na mesma reunião do CO, o tamanho da pena,
acenando com a perspectiva de, eventualmente, reduzi-
la, o que não aconteceu. Realizada a votação, vários
conselheiros que haviam admitido irregularidades na
Sindicância votaram contrariamente ao acatamento do
recurso interposto. Entre os que assim se manifestaram
houve conselheiros que optaram pela punição exemplar
do grupo de 95 estudantes, mesmo sabendo que, entre
eles, existem dois que sequer participaram da ocupação,
e houve também aqueles que optaram por discutir
a dosagem da pena, conforme assegurado pela Vice-
Reitora, com a expectativa de que pudessem diminuí-
la. Isto, de fato, não ocorreu, porque a mesa diretora
dos trabalhos descumpriu o encaminhamento inicial e
não lhes facultou essa possibilidade.
Os estudantes sindicados receberam a mesma
pena, como se todos tivessem praticado o mesmo ato,
embora não exista nos autos prova de que algum deles
se enquadre nas acusações que constam nos motivos da
Sindicância, o que avilta até a mais limitada concepção
de legalidade do estado democrático de direito.
Com isto, o Conselho Universitário da Unesp
perdeu a chance histórica de recolocar esta Universidade
num patamar que o discurso flagrantemente estéril
de muitos dos seus dirigentes pretende fazer crer que
seja democrático. Esta decisão indica que não há, por
parte da alta administração da Unesp, qualquer prurido
em se prestar ao papel de manter os tentáculos da ditadura
militar (1964-1984) vivos em nossa Universidade
e na sociedade brasileira.
Continuaremos na luta pela democratização das
instâncias de poder em nossa Universidade e conclamamos
a todos que prezam os valores democráticos a se
manifestarem. Não podemos permitir que qualquer um
que se contraponha aos interesses da Reitoria e de alguns
Diretores de Unidade seja considerado criminoso,
nem que a Universidade seja transformada em espaço
patrimonial particular em que comissões de sindicância,
cujas regras e procedimentos são similares às dos
tribunais de exceção, sejam criadas ("Aqui as regras
são nossas").
Esse tipo de procedimento, muito caro à ditadura
militar brasileira, foi utilizado para dar um viés
pretensamente legal às práticas de terrorismo de Estado
e foi utilizado para aniquilar seus opositores. Esses(as)
senhores(as) não podem se colocar acima da lei e da
ordem constitucional republicana, dando continuidade
ao arbítrio ditatorial.
Esses arroubos autoritários nos colocam, mais
do que nunca, a necessidade de estarmos organizados
política e academicamente para que os valores democráticos
pelos quais muitos brasileiros lutaram e foram
sequestrados, torturados e mortos não sejam enxovalhados.
A construção da democracia é sempre um processo
inacabado e exige de todos nós uma ação imediata
e decisiva para extirpar as sombras da ditadura que
ainda nos assediam.
São Paulo, 19 de dezembro de 2014.
Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp)
Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp)
Adunesp/Sintunesp
19/12/2014
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
As experiências de produção e vida no assentamento Vitória
Por Luiz de Carvalho
Do Diário do Paraná
Coletividade, eficiência e método. Estas são as palavras que norteiam o trabalho
e a vida na Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (Copavi), criada há 21
anos por 20 famílias em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST) ao lado da área urbana de Paranacity (a 74 quilômetros de
Maringá), e levaram o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) e o MST a considerá-la uma experiência bem-sucedida de reforma agrária.
Diferente de outros assentamentos espalhados pelo País, onde a produção é para a
subsistência, os assentados trabalham cada um para si, moram em casas simples e
muitas vezes as propriedades são vendidas, as 22 famílias da Copavi não são
donas das casas que elas próprias construíram para morar e nem da estrutura
industrial e comercial implantadas nas últimas duas décadas, também não têm
ganhos próprios.
A produção agrícola e pecuária é industrializada no próprio assentamento,
chegando ao consumidor com valores agregados. Tanto que as 40 toneladas de
açúcar mascavo produzidas mensalmente são comercializadas em vários Estados,
parte com embalagem da Copavi, parte por meio de outras empresas. E a cachaça
artesanal Camponesa, com selo de produto orgânico, já chega à França, Itália e
Espanha e pode em breve ganhar outros países europeus.
“Tudo que há aqui foi sonhado, discutido e planejado desde que estávamos vivendo
em barracas de lona em acampamentos espalhados pelo Paraná”, conta Ildo Roque
Calza, 52 anos, um dos fundadores da cooperativa. Junto com a mulher, ele viveu
cinco anos em acampamentos e diz que entre os próprios assentados nasceu a ideia
de se criar um assentamento onde tudo fosse dividido igualitariamente.
A chance de transformar o sonho em realidade surgiu em 1992, quando o Incra
desapropriou uma fazendo improdutiva ao lado da área urbana de Paranacity e 20
famílias que tinham permanecido seis meses acampadas na frente do Palácio
Iguaçu, em Curitiba, foram selecionadas para o assentamento.
“Quando chegamos, em janeiro de 1993, acampamos em barracas próximo a uma mina,
nos fundos da área de pouco mais de 250 hectares, mas não podíamos começar a
trabalhar porque a fazenda estava em poder de uma usina de açúcar e um grupo de
famílias de Paranacity também disputava a área”.
Os assentados tiveram que esperar um ano morando em barracas de lona, fizeram
serviços braçais na cidade ou trabalharam de boia-fria até que houvesse uma
decisão da Justiça, “mas enquanto esperávamos, fortalecemos a ideia de um
assentamento comunitário e criamos a cooperativa no papel”.
Diferente de outros assentamentos, o Vitória não teve lotes entregues a cada
assentado. Foi definida uma área para a construção de casas, outra onde seriam
implantadas as indústrias planejadas e uma reserva de mata.
Depois aconteceram modificações e hoje há uma área de pastagem para a criação de
vacas leiteiras, outra para cana-de-açúcar. Mas, acontecem remanejamentos para
não cansar a terra e a área que hoje está com cana pode virar pasto e o pasto
virar horta.
“Uma das ideias que dá bom resultado e garante a continuidade do projeto inicial
é o refeitório coletivo”, explica Francisco Strozati, o Chicão, um gaúcho de 74
anos que morou em Guaíra e foi um dos líderes do MST na região de Ortigueira.
Ele é um dos fundadores da Cooperativa Vitória e diz que o refeitório foi criado
para que os assentados almoçassem juntos e assim as mulheres podem dedicar mais
tempo ao trabalho na cooperativa, não tendo que ir mais cedo para casa para
fazer almoço.
“Tudo na Copavi é conversado. Conversamos durante o almoço, as famílias são
estimuladas a discutir os assuntos da cooperativa em casa, há espaço para
discussão nos núcleos familiares, dentro de cada atividade e uma vez por semana
acontecem reuniões dos conselhos. Por último, há a assembleia, que é o órgão
maior.
Atualmente, os cooperados planejam a construção de mais 10 casas e o plantio de
madeira de lei, como mogno africano, cedro australiano e leocena onde hoje é o
pasto.
Ninguém é dono, mas tudo é de todos
Na Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória todo mundo faz de tudo, mas
ninguém é dono de nada. As 18 casas em que vivem 22 famílias, totalizando
próximo de 80 pessoas, foram construídas pelos próprios assentados, muitas vezes
em regime de mutirão, e formam uma vila que parece um condomínio de classe
média, todas com carro na garagem e, misturada a roupas no varal ou afixada na
parede, há sempre uma bandeira do MST.
As ruas de terra, mas bem conservadas, são arborizadas e em todos os quintais há
muitas flores e árvores frutíferas. Quase não se vê cachorros na colônia e um
fato que chama a atenção é que nenhuma casa tem muro ou cerca, tanto que as
pessoas passam por dentro dos quintais das outras e ainda param para bater papo.
“Foi decidido que ninguém seria dono de imóveis, tudo pertence à cooperativa e
quem é sócio pode se sentir proprietário, mas se alguém quiser sair, não pode
vender sua parte na cooperativa”, conta Ildo Calza. Se alguém sair – o que
praticamente não acontece – outra família poderá entrar, fica com a casa e a
parte na cooperativa, mas precisará ser aceita pelos outros cooperados”.
Os assentados fazem de tudo. Há trabalho para homens e mulheres no cuidado das
vacas de leite, no ordenhamento, resfriamento, envazamento, produção de
iogurtes, bebidas lácteas, doce de leite e queijos, a padaria produz pães de
diversos tipos, biscoitos e cucas e em outro setor produz-se açúcar mascavo,
melaço e cachaça. Alguns cooperados trabalham ainda com porcos, galinhas
poedeiras, frangos de corte, criação de peixe e hortaliças para suprir o
refeitório coletivo e as próprias casas.
Os produtos de laticínio e panificadora são vendidos para a merenda escolar em
30 municípios da região e parte é comercializada nas cidades, de porta em porta,
e em acampamentos e outros assentamentos do MST.
“Tudo é feito em sistema de rodízio”, diz Calza. “É para que todos dominem todas
as atividades do assentamento”. Segundo ele, uma pessoa pode ser o responsável
pelo setor de laticínio e, em outro horário, ajudar na horta ou no corte de
cana. E a cada seis meses acontecem mudanças em todas as coordenações, de modo
que cada pessoa terá chance, em algum momento de coordenar alguma atividade.
Tudo que é produzido é vendido e o dinheiro é repartido entre quem trabalhou, de
acordo com as horas trabalhadas.
NÚMEROS
20 famílias participaram da criação da Copavi, em 1993
44 pessoas são sócias da cooperativa hoje, com direitos e deveres iguais
80 pessoas de 22 famílias moram nas 18 casas do assentamento
40% dos sócios têm curso superior e trabalham na cooperativa
18 anos é a idade mínima para tornar-se sócio
1 mil litros de leite são retirados por dia
40 toneladas de açúcar mascavo são produzidas por mês
20 empregados são contratados para auxiliar nos trabalhos da cooperativa
R$ 90 mil é o faturamento mensal médio da cooperativa
Um sonho de pai para filho
Um pequeno presépio com muitas luzes se destaca na sala do casal Armelinda-Vitor
Damasceno, mas também chama a atenção o tamanho da sala, toda pintada de azul
claro: 5 X 5 metros.
É nela que Vitor e Armelinda passam boa parte do tempo, em companhia dos três
netos que criam, pois é lá que está a TV de LED de 40 polegadas exibindo mais de
30 canais captados pela antena parabólica instalada aos fundos da casa de 110
metros quadrados.
Toda forrada, com piso cerâmico, varanda ampla e cercada de árvores frutíferas e
flores, com água de poço artesiano e internet banda larga, a casa é um dos
orgulhos de Vitor, um homem de 71 anos que até os 50 trabalhava como boia-fria
em lavouras de algodão, café, fez todo tipo de trabalho braçal e tentou a sorte
até em garimpos no Norte do Brasil.
Orgulho porque, afinal, ele fez a casa com suas próprias mãos, aproveitando as
horas do dia que restavam depois de muito trabalho no corte de cana, no
arranquio de mandioca, capina ou mesmo limpeza de pasto. Orgulho porque naquele
mesmo local ele e a família moraram debaixo de uma barraca de lona plástica,
enfrentando chuva e vendaval, frio e calor intenso, depois de viver em barracas
em outros pontos do Paraná.
Vitor é um dos fundadores da Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória, ou
Copavi, e ajudou a transformá-la em um caso de sucesso entre os assentamentos do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
“Não tenho o direito de vender esta propriedade, mas também não tenho interesse
em sair daqui. Esta casa, este lugar, a cooperativa, a maneira que vivemos são
resultado do que sonhamos juntos e me sinto realizado em chegarmos a este
ponto”, diz o homem que poderia ter se aposentado, mas prefere continuar
trabalhando. “Não sou proprietário, mas tenho a tranquilidade de saber que isto
ficará para meus netos, que poderão deixar para os filhos deles”.
Educação e consciência são prioridades
Cerca de 30 crianças, de recém-nascidos a pré-adolescentes, viviam nas barracas
de lona ao lado de uma mina d’água quando seus pais ganharam na Justiça o
direito de ocupar uma propriedade de 256 hectares próxima área urbana de
Paranacity e implantaram a Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória. Hoje,
21 anos depois, quase todas aquelas crianças continuam no assentamento, a
maioria com diploma de curso superior.
É o caso de Cristiano Czycza, que começou a viver em acampamentos em áreas
ocupadas por sem terra desde antes de aprender a andar. “Eu tinha 6 anos quando
meus pais vieram para cá, mas desde menos de 1 ano de idade já morava em
acampamentos”, conta o jovem de 27 anos, formado em Administração em Belo
Horizonte.
Segundo Czycza, uma das prioridades da cooperativa é a educação dos filhos e
todos os jovens têm apoio para estudar em algumas das melhores universidades do
Brasil, graças a convênios que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)
mantém com instituições de ensino.
O fato de garotos e garotas do Vitória saíram para estudar fora tem ajudado a
aumentar a população do acampamento. Vários acabam casando com colegas de
faculdade, como foi o caso de Carlos Roberto Cardoso, filho de um ex-vereador de
Sarandi, que foi cursar História na Universidade Federal da Paraíba e lá
conheceu Maria José, com quem se casou.
Assim, hoje as casas do acampamento são ocupadas por engenheiros florestais,
agrônomos, contadores, professores. Tem até um engenheiro elétrico espanhol, que
se casou com a filha de um cooperado e mudou-se para o Vitória.
A educação dos filhos e netos está entre as prioridades dos associados da Copavi
“Quase 100% dos jovens que saem para estudar fora acabam voltando, porque aqui
temos uma boa estrutura de trabalho e vivência, muitos trabalham na cooperativa
e outros podem prestar serviços em outros assentamentos, mas se a opção for por
ir para outro lugar, trabalhar fora, a pessoa tem liberdade e terá um ano para
decidir se continua fora ou se volta para a cooperativa”.
Na Copavi, uma pessoa com curso superior pode ganhar o mesmo que ganharia
trabalhando em outra empresa, “mas aqui temos a formação política e ideológica
para que o jovem compreenda seu papel na sociedade, que o desenvolvimento
econômico tem que estar associado ao desenvolvimento social das famílias,
desconstruindo a ideia de que o campo não é mais um bom lugar ou que é lugar de
jecas”, diz o engenheiro agrônomo Adilson Gumieiro, o Maguila, que não foi sem
terra, mas optou por viver no assentamento.
-------------------------
In
MST
http://www.mst.org.br/node/16913
5/1/2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Nova gestão nem começou e governo Dilma já ataca direitos trabalhistas
Tentativa de Reforma da Previdência
Governo restringe direito ao seguro-desemprego e auxílio-doença
Novas regras vão restringir direitos e cortar gastos do governo com
trabalhadores
O governo federal anunciou na última segunda-feira, dia 29, as novas regras que
cortam o acesso dos trabalhadores ao seguro-desemprego, abono salarial, auxílio
doença e pensão por morte. A medida passa a valer a partir desta terça-feira e
representa uma tentativa de Reforma da Previdência que vai retirar ainda mais
direitos dos trabalhadores.
No caso do seguro-desemprego, o tempo mínimo de trabalho para ter acesso ao
direito passa de seis meses para um ano e meio. Ou seja, vai triplicar o tempo
de carência para primeira solicitação. No caso da segunda solicitação, o tempo
mínimo será de 12 meses e para a terceira, de seis meses.
Já em relação ao abono salarial (PIS), o tempo mínimo passará de um mês
trabalhado ao ano para seis meses de trabalho ininterruptos. O valor do abono,
por sua vez, passa a ser proporcional ao salário ao invés de um salário mínimo
integral.
Juntas, estas medidas vão afetar, sobretudo, o trabalhador mais jovem, que
inicia no mercado de trabalho em serviços precarizados, temporários e com
característica de alta rotatividade.
Segundo dados do próprio governo, 74% dos que recorrem ao seguro-desemprego são
pessoas que estão entrando no mercado de trabalho. Além disso, um estudo feito
pelo Dieese no último ano apontou que 55% dos trabalhadores no Brasil não chegam
a completar nem um ano no mesmo emprego.
Longe de combater a alta taxa de rotatividade no trabalho, com a medida, o
governo retira os poucos direitos dos trabalhadores mais precarizados.
Auxílio doença e pensão
O auxílio-doença (B-31) também foi cortado. A nova fórmula de cálculo do
benefício leva em consideração apenas a média das últimas 12 contribuições à
Previdência, e não mais as maiores contribuições, como ocorria antes.
Neste caso, o que é ainda mais grave é que as próprias empresas estão
autorizadas a fazer as perícias médicas nos trabalhadores, e não apenas o INSS.
Não é difícil imaginar que os patrões farão de tudo para dificultar ainda mais o
acesso a este direito.
Com esta mudança, o governo dá um grande presente aos empresários. Mesmo valendo
apenas para o auxílio-doença, ao conceder a eles direito às perícias, o governo
vai atingir também o direito ao auxílio-acidente (B-91).
“Os patrões sempre fizeram de tudo para que o trabalhador não tivesse acesso ao
B-91, que dá direito a estabilidade no emprego. Com a perícia nas mãos, vai
ficar muito mais fácil, pois quem vai dizer que a doença foi causada pelo
trabalho ou não é o médico do próprio patrão. Aí é que está o problema maior”,
avalia a coordenadora da Secretaria de Saúde do Sindicato Patrícia Pena.
Já no caso da pensão por morte, será exigida carência de dois anos de
contribuição previdenciária do segurado, além de tempo mínimo de dois anos de
união estável. O valor da pensão também vai sofrer corte, sendo a metade do
salário, mais 10% por dependente (chegando ao limite de 100% do salário).
Economia com o trabalhador
A mudança nas regras foi estabelecida por Medida Provisória assinada pela
presidente Dilma Rousseff, mas será votada no Congresso para se tornar lei.
Durante a campanha eleitoral, a presidente havia se comprometido a não mexer nos
direitos dos trabalhadores. Entretanto, a apenas alguns dias da posse para seu
segundo mandato, Dilma impõe um duro ataque e tenta fazer uma nova Reforma na
Previdência via Medida Provisória, ou seja, sem debater com os trabalhadores, os
sindicatos e o conjunto das centrais sindicais.
Com a medida, o governo vai cortar nada menos que R$ 18 bilhões da Previdência.
A “economia” com o trabalhador será uma forma de compensar um rombo provocado
pelo próprio governo com a desoneração da folha de pagamento concedida aos
empresários.
Com esta desoneração, a Previdência deixou de receber R$ 16,5 bilhões em 2013. A
estimativa para este ano é de que o rombo seja ainda maior, R$ 21,4 bilhões.
O novo corte vem no contexto de mudança da equipe econômica do governo, que já
anunciou que pretende cortar investimentos em serviços públicos como saúde e
educação, que vão atingir em cheio os trabalhadores e população mais pobre.
Antes de anunciar os cortes, o governo federal se reuniu com as centrais
sindicais CUT, CTB, UGT e NCST que, segundo o Ministro da Casa Civil Aloísio
Mercadante, concordaram com as novas regras. Mais uma vez, estas centrais traem
os trabalhadores.
“Enquanto o governo mantém uma série de benefícios aos patrões, está cortando os
direitos dos trabalhadores. Não é difícil prever o que vem pela frente, por
isso, teremos de começar o ano mobilizados e pressionando o Congresso Nacional e
votar contra estes ataques”, afirma o diretor do Sindicato, Edson Alves da Cruz.
Veja como ficam as novas regras
ABONO SALARIAL (PIS)
Como é:
– Basta trabalhar um mês durante o ano e receber até dois salários mínimos
– O valor é um salário mínimo para todos
Como fica:
– Haverá carência de seis meses de trabalho ininterruptos
– O pagamento passa a ser proporcional ao tempo trabalhado
SEGURO DESEMPREGO
Como é:
– Carência de seis meses de trabalho
Como fica:
– Carência de 18 meses na 1ª solicitação; 12 meses na 2ª e 6 meses a partir da
3ª
PENSÃO POR MORTE
Como é:
– Não há prazo mínimo de casamento
Como fica:
– Falecido deve ter 24 meses de contribuição previdenciária.
– Será exigido tempo mínimo de casamento ou união estável de 24 meses.
– Valor do benefício varia de acordo com o número de dependentes
– Prazo de pagamento varia de acordo com a idade
AUXÍLIO DOENÇA
Como é:
– Benefício é de 91% do salário do segurado, limitado ao teto do INSS
– Empresas arcam com o custo de 15 dias de salário antes do INSS
Como fica:
– O teto será a média das últimas 12 contribuições
– Empresas arcam com o custo de 30 dias de salário antes do INSS
FACÃO NA PREVIDÊNCIA
R$ 18 bilhões é o corte de gastos por ano na Previdência
(Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
–
http://www.sindmetalsjc.org.br/imprensa/ultimas-noticias/2296/governo+restringe+direito+ao+seguro-desemprego+e+auxilio-doenca.htma
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CSP Conlutas
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30/12/2014
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Defending Dollar Imperialism
by MIKE WHITNEY
“The Fed’s ‘need’ to take on an even more active role as foreigners further slow
the purchases of our paper is to put the pedal to the metal on the currency
debasement race now being run in the developed world — a race which is speeding
us all toward the end of the present currency regime.”
– Stephanie Pomboy, MacroMavens
“No matter what our Western counterparts tell us, we can see what’s going on.
NATO is blatantly building up its forces in Eastern Europe, including the Black
Sea and the Baltic Sea areas. Its operational and combat training activities are
gaining in scale.”
– Russian President Vladimir Putin
If there was a way the United States could achieve its long-term strategic
objectives and, at the same time, avoid a war with Russia, it would do so.
Unfortunately, that is not an option, which is why there’s going to be a clash
between the two nuclear-armed adversaries sometime in the near future.
Let me explain: The Obama administration is trying to rebalance US policy in a
way that shifts the focus of attention from the Middle East to Asia, which is
expected to be the fastest growing region in the coming century. This
policy-change is called the “pivot” to Asia. In order to benefit from Asia’s
surge of growth, the US plans to beef up its presence on the continent, expand
its military bases, strengthen bilateral alliances and trade agreements, and
assume the role of regional security kingpin. The not-so-secret purpose of the
policy is China “containment”, that is, Washington wants to preserve its
position as the world’s only superpower by controlling China’s explosive growth.
(The US wants a weak, divided China that will do what it’s told.)
In order to achieve its goals in Asia, the US needs to push NATO further
eastward, tighten its encirclement of Russia, and control the flow of oil and
gas from east to west. These are the necessary preconditions for establishing US
hegemonic rule over the continent. And this is why the Obama administration is
so invested in Kiev’s blundering junta-government; it’s because Washington needs
Poroshenko’s neo Nazi shock troops to draw Russia into a conflagration in
Ukraine that will drain its resources, discredit Putin in the eyes of his EU
trading partners, and create the pretext for deploying NATO to Russia’s western
border.
The idea that Obama’s proxy army in Ukraine is defending the country’s
sovereignty is pure bunkum. What’s going on below the surface is the US is
trying to stave off irreversible economic decline and an ever-shrinking share of
global GDP through military force. What we’re seeing in Ukraine today, is a 21st
century version of the Great Game implemented by political fantasists and
Koolaid drinkers who think they can turn the clock back to the post WW2 heyday
of the US Empire when the world was America’s oyster. Thankfully, that period is
over.
Keep in mind, the glorious US military has spent the last 13 years fighting
sheep herders in flip-flops in Afghanistan in a conflict that, at best, could be
characterized as a stalemate. And now the White House wants to take on Russia?
Can you appreciate the insanity of the policy?
This is why Secretary of Defense Chuck Hagel was sacked last week, because he
wasn’t sufficiently eager to pursue this madcap policy of escalating the wars in
Afghanistan, Iraq, Syria and Ukraine. Everyone knows it’s true, the
administration hasn’t even tried to deny it. They’d rather stick with
foam-at-the-mouth buffoons, like Susan Rice and Samantha Powers, then a
decorated veteran who has more credibility and intelligence in his little finger
than Obama’s whole National Security team put together.
So now Obama is completely surrounded by rabid warmongering imbeciles, all of
whom ascribe to the same fairytale that the US is going to dust-off Russia,
remove Assad, redraw the map of the Middle East, control the flow of gas and oil
from the ME to markets in the EU, and establish myriad beachheads across Asia
where they can keep a tight grip on China’s growth.
Tell me, dear reader, doesn’t that strike you as a bit improbable?
But, of course, the Obama claque think it’s all within their grasp, because,
well, because that’s what they’ve been told to think, and because that’s what
the US has to do if it wants to maintain its exalted position as the world’s
lone superpower when its economic significance in the world is steadily
declining. You see, here’s the thing: The exceptional nation is becoming more
unexceptional all the time, and that’s what has the political class worried,
because they see the handwriting on the wall, and the writing says, “Enjoy it
while it lasts, buddy, cuz you ain’t gonna be numero uno much longer.”
And the US has allies in this wacky crusade too, notably Israel and Saudi
Arabia. The Saudis have been particularly helpful lately by flooding the market
with oil to push down prices and crush the Russian economy. (On Friday,
Benchmark crude oil prices plummeted to a four-year low, with Brent crude
sinking to $69.11 a barrel.) The Obama administration is using the classic
one-two punch of economic sanctions and plunging oil revenues to bully Moscow
into withdrawing from Crimea so Washington can move its nuclear arsenal to
within spitting distance of Moscow. Here’s a bit of background from the
Guardian:
“Think about how the Obama administration sees the state of the world. It wants
Tehran to come to heel over its nuclear programme. It wants Vladimir Putin to
back off in eastern Ukraine. But after recent experiences in Iraq and
Afghanistan, the White House has no desire to put American boots on the ground.
Instead, with the help of its Saudi ally, Washington is trying to drive down the
oil price by flooding an already weak market with crude. As the Russians and the
Iranians are heavily dependent on oil exports, the assumption is that they will
become easier to deal with.
John Kerry, the US secretary of state, allegedly struck a deal with King
Abdullah in September under which the Saudis would sell crude at below the
prevailing market price. That would help explain why the price has been falling
at a time when, given the turmoil in Iraq and Syria caused by Islamic State, it
would normally have been rising.” (Stakes are high as US plays the oil card
against Iran and Russia, Larry Eliot, Guardian)
And here’s more from Salon’s Patrick L. Smith at Salon:
“Less than a week after the Minsk Protocol was signed, Kerry made a little-noted
trip to Jeddah to see King Abdullah at his summer residence. When it was
reported at all, this was put across as part of Kerry’s campaign to secure Arab
support in the fight against the Islamic State.
Stop right there. That is not all there was to the visit, my trustworthy sources
tell me. The other half of the visit had to do with Washington’s unabated desire
to ruin the Russian economy. To do this, Kerry told the Saudis 1) to raise
production and 2) to cut its crude price. Keep in mind these pertinent numbers:
The Saudis produce a barrel of oil for less than $30 as break-even in the
national budget; the Russians need $105.
Shortly after Kerry’s visit, the Saudis began increasing production, sure enough
— by more than 100,000 barrels daily during the rest of September, more
apparently to come…
Think about this. Winter is coming, there are serious production outages now in
Iraq, Nigeria, Venezuela and Libya, other OPEC members are screaming for relief,
and the Saudis make back-to-back moves certain to push falling prices still
lower? You do the math, with Kerry’s unreported itinerary in mind, and to help
you along I offer this from an extremely well-positioned source in the
commodities markets: “There are very big hands pushing oil into global supply
now,” this source wrote in an e-mail note the other day.” (What Really Happened
in Beijing: Putin, Obama, Xi And The Back Story The Media Won’t Tell You,
Patrick L. Smith, Salon)
The Obama team managed to persuade our good buddies the Saudis to flood the
market with oil, drive down prices, and put the Russian economy into a nosedive.
At the same time, the US has intensified its economic sanctions, done everything
in its power to sabotage Gazprom’s South Stream pipeline (that would bypass
Ukraine and deliver natural gas to Europe via a southern route), and cajole the
Ukrainian parliament into auctioning off 49 percent of the leasing rights and
underground storage facilities to privately-owned foreign corporations.
How do you like that? So the US has launched a full-blown economic war against
Russia that’s been completely omitted in the western media. Are you surprised?
Washington is determined to block further Russo-EU economic integration in order
to collapse the Russian economy and put foreign capital in control of regional
energy distribution. It’s all about the pivot. The big money guys figure the US
has to pivot to Asia to be a player in the next century. All of these unprovoked
attacks on Moscow are based on that one lunatic strategy.
But aren’t people in the EU going to be angry when they can’t get the energy
they need (at the prices they want) to run their businesses and heat their
homes?
Washington doesn’t think so. Washington thinks its allies in the Middle East can
meet the EU’s energy needs without any difficulty. Check out this clip from an
article by analyst F. William Engdahl:
“…details are emerging of a new secret and quite stupid Saudi-US deal on Syria
and the so-called IS. It involves oil and gas control of the entire region and
the weakening of Russia and Iran by Saudi Arabian flooding the world market with
cheap oil. ….
On September 11, US Secretary of State Kerry met Saudi King Abdullah at his
palace on the Red Sea. The King invited former head of Saudi intelligence,
Prince Bandar to attend. There a deal was hammered out which saw Saudi support
for the Syrian airstrikes against ISIS on condition Washington backed the Saudis
in toppling Assad, a firm ally of Russia and de facto of Iran and an obstacle to
Saudi and UAE plans to control the emerging EU natural gas market and destroy
Russia’s lucrative EU trade. A report in the Wall Street Journal noted there had
been “months of behind-the-scenes work by the US and Arab leaders, who agreed on
the need to cooperate against Islamic State, but not how or when.
The process gave the Saudis leverage to extract a fresh US commitment to beef up
training for rebels fighting Mr. Assad, whose demise the Saudis still see as a
top priority.”
(The Secret Stupid Saudi-US Deal on Syria, F. William Engdahl, BFP)
So the wars in Ukraine and Syria are not really separate conflicts at all.
They’re both part of the same global resource war the US has been prosecuting
for the last decade and a half. The US plans to cut off the flow of Russian gas
and replace it with gas from Qatar which will flow through Syria and onto the EU
market after Assad is toppled.
Here’s what’s going on: Syria’s troubles began shortly after it announced that
it was going to be part of an “Islamic pipeline” that would transfer natural gas
from the South Pars gas field off the coast of Iran across Iraq and Syria,
eventually connecting to Greece and the lucrative EU market. According to author
Dmitri Minin:
“A gas pipeline from Iran would be highly profitable for Syria. Europe would
gain from it as well, but clearly someone in the West didn’t like it. The West’s
gas-supplying allies in the Persian Gulf weren’t happy with it either, nor was
would-be no. 1 gas transporter Turkey, as it would then be out of the game.”
(The Geopolitics of Gas and the Syrian Crisis: Syrian “Opposition” Armed to
Thwart Construction of Iran-Iraq-Syria Gas Pipeline, Dmitri Minin, Global
Research)
Two months after Assad signed the deal with Iraq and Iran, the rebellion broke
out in Syria. That’s quite a coincidence, don’t you think? Funny how frequently
those kinds of things happen when foreign leaders don’t march to Washington’s
tune.
Here’s more from Minin:
“Qatar is doing all it can to thwart the construction of the pipeline, including
arming the opposition fighters in Syria, many of whom come from Saudi Arabia,
Pakistan and Libya…
The Arabic newspaper Al-Akhbar cites information according to which there is a
plan approved by the U.S. government to create a new pipeline for transporting
gas from Qatar to Europe involving Turkey and Israel…
This new pipeline is to begin in Qatar, cross Saudi territory and then the
territory of Jordan, thus bypassing Shiite Iraq, and reach Syria. Near Homs the
pipeline is to branch in three directions: to Latakia, Tripoli in northern
Lebanon, and Turkey. Homs, where there are also hydrocarbon reserves, is the
project’s main crossroads, and it is not surprising… that the fiercest fighting
is taking place. Here the fate of Syria is being decided. The parts of Syrian
territory where detachments of rebels are operating with the support of the
U.S., Qatar and Turkey, that is, the north, Homs and the environs of Damascus,
coincide with the route that the pipeline is to follow to Turkey and Tripoli,
Lebanon. A comparison of a map of armed hostilities and a map of the Qatar
pipeline route indicates a link between armed activities and the desire to
control these Syrian territories. Qatar’s allies are trying to accomplish three
goals: to break Russia’s gas monopoly in Europe; to free Turkey from its
dependence on Iranian gas; and to give Israel the chance to export its gas to
Europe by land at less cost.”
How do you like that; another coincidence: “The fiercest fighting (in Syria) is
taking place” where there’s massive “hydrocarbon reserves” and along the planned
pipeline route.
So the conflict in Syria isn’t really about terrorism at all. It’s about natural
gas, competing pipelines and access to markets in the EU. It’s about money and
power. The whole ISIS-thing is a big hoax to conceal what’s really going on,
which is a global war for resources, more blood for oil.
But how does the US benefit from all of this, after all, won’t the gas revenues
go to Qatar and the transit countries rather than the US?
Yep, they sure will. But the gas will also be denominated in dollars which will
shore up demand for USDs thus perpetuating the petrodollar recycling system
which creates a vast market for US debt and which helps to keep US stocks and
bonds in the nosebleed section. And that’s what this is all about, preserving
dollar supremacy by forcing nations to hold excessive amounts of USDs to use in
their energy transactions and to service their dollar-denominated debts.
As long as Washington can control the world’s energy supplies and force the
world to trade in dollars, it can spend well in excess of what it produces and
not be held to account. It’s like having a credit card you never have to pay
off.
That’s a racket Uncle Sam is prepared to defend with everything he’s got, even
nukes.
MIKE WHITNEY lives in Washington state. He is a contributor to Hopeless: Barack
Obama and the Politics of Illusion (AK Press). Hopeless is also available in a
Kindle edition. He can be reached at fergiewhitney@msn.com.
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In
COUNTERPUNCH.ORG
http://www.counterpunch.org/2014/12/01/defending-dollar-imperialism/
December, 1, 2014
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