quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Como a análise política se tornou alvo de falsificações de IA

 


Pepe Escobar [*]

O monstro da IA.

Bem-vindo à IA, que está transformando a internet em uma máquina infernal determinada a apagar o significado, a cultura e a história — e a semear uma profunda confusão intelectual. Exatamente como o tecno-feudalismo deseja.

A IA está se expandindo rapidamente como uma praga por todo o espectro da internet. Isso é bastante previsível, considerando que o modelo das grandes empresas de tecnologia para a IA é o tecno-feudalismo, baseado no lucro e no controle mental/social, e não no compartilhamento/expansão do conhecimento e na criação de melhores condições para uma cidadania bem informada.

A IA, em muitos aspectos, é a antítese da civitas. Antes do boom da IA, várias camadas da internet já haviam sido transformadas em uma série de campos minados, um esgoto maior que a vida. A IA – controlada pelas grandes empresas de tecnologia – em muitos aspectos já havia se revelado uma fraude. Agora é uma arma.

Existem vários canais no YouTube manipulados pela IA, roubando a imagem e a voz de alguns de nós, analistas políticos independentes. Uma lista não exaustiva inclui como alvos John Mearsheimer, Larry Johnson, Richard Wolff, Glenn Diesen, Yanis Varoufakis, o economista Paulo Nogueira Batista e eu mesmo.[1]

Não é por acaso que todos somos analistas geopolíticos e geoeconômicos independentes, nos conhecemos pessoalmente e somos convidados dos mesmos podcasts.

No meu caso, existem canais em inglês, português e até espanhol:   raramente faço podcasts em espanhol, então até a voz é falsa. Em inglês, geralmente a voz é aproximadamente clonada. Em português, ela vem com um sotaque que eu não tenho. Em vários casos, o número de espectadores é enorme. Essencialmente, são bots.

Em todos os casos, no que diz respeito a nós, os alvos, todos esses canais são falsos. Repito: todos esses canais são falsos. Eles podem, pelo menos em alguns casos, ter sido criados por “fãs”– certamente visando lucrar por meio da monetização.

Ou todo o esquema pode ser parte de algo muito mais sinistro:   uma estratégia objetivando a perda de credibilidade. Como em uma operação dos suspeitos de sempre para semear confusão entre o grande público de vários pensadores independentes.

Não é por acaso que muitos espectadores já estão profundamente confusos. A pergunta mais comum é: “É realmente você ou é uma IA?” Muitos aparentemente denunciaram esses canais falsos, mas o YouTube, até agora, não fez absolutamente nada a respeito. Os algoritmos continuam sugerindo esses canais para grandes audiências.

A única maneira realista de combater o golpe é registrar uma reclamação no YouTube. Mas isso, na prática, é bastante inútil. A administração do YouTube parece estar mais interessada em ocasionalmente apagar canais “inconvenientes” que exibem pensamento crítico e análise.

Decifrando o código do golpe

Quantum Bird, físico e especialista em HPC (High Performance Computing, ou Computação de Alto Desempenho), ex-funcionário do CERN em Genebra, decifrou o código do golpe:

“A proliferação de agentes de redes neurais digitais de aprendizado profundo capazes de emular a escrita[2], a voz e o vídeo de seres humanos era inevitável, e seu impacto na pesquisa científica, na produção de conhecimento e na arte em geral tem um potencial negativo que ainda não foi totalmente analisado.”

Ele acrescenta:

“Enquanto escritores e acadêmicos estão relatando surgimento de textos atribuídos a eles, replicando até certo ponto seu estilo e opiniões, a última moda é o aparecimento de canais inteiros no YouTube, e outras plataformas notórias da Big Tech, que oferecem vídeos sintetizados de produtores de conteúdo populares, comunicando-se em seu idioma nativo ou em outras línguas. Em vários casos, a qualidade desse material sintetizado é suficientemente alta para não permitir a identificação imediata por um espectador comum. No contexto da comunidade de análise política, o impacto é óbvio:   revisionismo histórico, erosão de reputações e distorção de notícias e análises.”

E aqui Quantum Bird apresenta o argumento decisivo em termos de tecnologia:

A sintetização desse tipo de conteúdo requer a disponibilidade de amostras abundantes e capacidade computacional massiva, muito além do alcance dos usuários domésticos. Embora a popularidade das vítimas do YouTube garanta a primeira condição, a segunda sugere a atividade de atores estatais ou corporativos de larga escala, uma vez que modelos avançados de aprendizado profundo devem ser desenvolvidos e treinados através do processamento de uma quantidade enorme – e volumosa, em termos de “espaço em disco” — de áudio e vídeo. A monetização do conteúdo não cobre os custos dessa operação. Ironicamente, é a disponibilidade e a exposição excessiva de voz e vídeo online que permitem esse tipo de ataque.”

Aqui vamos nós. Bem-vindos à IA transformando a rede em uma máquina infernal empenhada em apagar o significado, a cultura e a história – e semear uma profunda confusão intelectual. Exatamente como o tecnofeudalismo deseja.

NR
[1] O capitão Ibrahim Traoré, presidente do Burkina Fasso, também tem sido vítima de vídeos falsificados no You Tube.
[2] A emulação da escrita por vezes é detectável pelo facto de a IA cometer erros. Por exemplo: Já foi visto um vídeo em que se mencionava o sr. Blinken (ex-ministro do governo Biden) como se fosse um político em atividade no atual governo Trump.

30/Dezembro/2025

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Dialética do desenvolvimento

 João Pedro Stédile


   

  


    Prefácio à nova edição do livro de Celso Furtado


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Felicito as editoras pela republicação do livro /Dialética do
desenvolvimento/, do mestre Celso Furtado. Obra que foi escrita no calor
dos embates ideológicos e da luta de classes do ano de 1963, das quais o
autor participou ativamente como estudioso e ministro, e publicada em
1964, quando o golpe empresarial-militar já tinha acontecido.

Naquela época, o Brasil vivia uma crise cíclica do seu capitalismo
industrial dependente, e os debates nas universidades, de intelectuais,
partidos, governo e sociedade eram sobre a necessidade de um novo
projeto de Brasil. No nível político, esse debate foi condensado nas
propostas de “Reformas de base”, que incluíam a necessidade da reforma
agrária.

Nesse contexto, o governo preparou um projeto de reforma agrária que
teve as tintas de Celso Furtado, como uma proposta de reforma agrária
clássica, que visava o verdadeiro desenvolvimento da indústria nacional,
a distribuição de terras e o emprego e renda para toda a população. O
projeto foi apresentado ao povo no famoso comício de 13 de março de
1964, com mais de 100 mil trabalhadores da cidade do Rio de Janeiro em
frente à Central do Brasil – registrado no documentário /Jango/ de
Silvio Tendler. Enviado ao congresso em 18 de março de 1964, nem chegou
a ser apreciado, pois, em 1º. de abril, o golpe militar foi consolidado.

A burguesia brasileira se revelou mais uma vez antinacionalista,
antidemocrática e antipovo brasileiro, como resumiu Florestan Fernandes,
e preferiu seguir subordinada ao capital dos Estados Unidos a encontrar
uma saída da crise com seu povo. Escrevo sobre isso para nossos leitores
entenderem o clima político da luta de classes da época, e assim
percebam a reflexão do Celso Furtado condensada neste livro.

Hoje estamos vivendo uma nova crise do modelo capitalista brasileiro,
ainda mais dependente do capital internacional, agora sob a hegemonia do
capital financeiro e das empresas transnacionais.

*2.*

Infelizmente, o Brasil virou o paraíso do capital financeiro
especulativo, mantendo taxas de juros escorchantes que se transformaram
na principal forma de exploração de todo o povo brasileiro, que paga
impostos, e os impostos vão para o Tesouro nacional, que devolve aos
bancos na forma de pagamento de juros dos títulos da dívida pública –
que ninguém sabe como se formou! – e com isso abocanham mais de 40% de
todo o orçamento público nacional, ou seja, da mais-valia social que
deveria ir para serviços públicos e investimentos produtivos do Estado.

Do outro lado, as empresas transnacionais transformaram nosso setor
produtivo em um grande “lavourão de soja”! O modelo adotado pelo
agronegócio controlado por elas, que espolia nossa natureza e tem a
burguesia agrária como aliada, impôs de novo o modelo de agro-mineral-
exportador. A agricultura está organizada para produzir apenas o que o
mercado mundial e suas bolsas querem: soja, milho, cana-de-açúcar (para
açúcar e etanol) algodão e pecuária bovina.

Nos minérios, viramos exportadores de matérias-primas de ferro,
alumínio, lítio e até de petróleo cru – 40% da produção da Petrobras e
das concessionárias do pré-sal exportam o petróleo cru. E com a Lei
Kandir, todas as exportações de commodities agrícolas e minerais estão
isentas de impostos de exportação! Um acinte ao povo que foi doado pelo
governo de Fernando Henrique Cardoso às empresas exportadoras!

As estatísticas internacionais revelaram nos últimos meses que o Brasil
se transformou no país mais desigual do mundo. E também o país que tem o
maior número de bilionários, em termos de contingente.

É também o país que, tendo uma riqueza enorme de biodiversidade e
território, padece dos piores crimes ambientais, praticados pelo modelo
de mineração predatória e pelo agronegócio, que resultam na emissão de
gases, em agressões ao meio ambiente, na contaminação das águas, do solo
e dos alimentos pelo uso abusivo de agrotóxicos produzidos pelas
empresas transnacionais.

As consequências dessas agressões aparecem todos os dias: nas mudanças
climáticas, no calor intenso e secas, nas enchentes, nos fortes ventos e
até com chuvas com agrotóxicos.

Mais do que nunca o debate proposto por Celso Furtado está na ordem do
dia. Claro, agora com novas matizes e necessariamente como um projeto
popular para o Brasil, com mudanças estruturais muito mais profundas e
necessárias, se quisermos reconstruir uma sociedade mais justa,
combatendo a desigualdade.

*3.*

Finalmente, eu gostaria de comentar minhas impressões pessoais, pelo
privilégio que tive de cultivar uma amizade com Celso Furtado nos seus
últimos anos de vida. Sempre que possível, eu o visitava no Rio de
Janeiro. Ele era o nosso mestre, admirado por ser o maior estudioso de
nossa história econômica e um lutador por um projeto de país. Era um
ícone para toda minha geração, que estudou economia e lutou contra a
ditadura e o capital estrangeiro. Conversar com o mestre era, de fato,
uma realização pessoal.

Fiz muitas perguntas a ele, sobre muitos temas, desde o projeto de
reforma agrária que ele defendia até os dilemas de nosso país. E ele,
sempre muito atencioso, atendia com deferência e paciência.

Passei a admirá-lo ainda mais quando me disse que havia lutado na Itália
com a Força Expedicionária Brasileira (FEB), e que isso o ajudara a ver
o mundo com outro olhar, que foi o que o motivou a depois ir fazer
mestrado na França, no pós-guerra. Mostrou-me um capacete de um nazista
derrotado, que trouxe como recordação daqueles anos tão trágicos!

Sempre muito preocupado com a nossa situação, uma vez deu uma entrevista
à “direitosa” revista /Veja/ em que defendeu a necessidade da reforma
agrária. Disse que o Brasil era o único país do planeta que convivia com
imensas áreas de terras disponíveis para produção e milhões de
trabalhadores que não tinham terra para trabalhar, pois a burguesia
brasileira e seu controle sobre o Estado impediam que esses dois fatores
se encontrassem para desenvolver o Brasil.

Quando fundamos o jornal /Brasil de Fato/, em 2003, dialogamos no
conselho editorial qual seria a entrevista de peso que marcaria a linha
editorial do nascente jornal: entrevistar Celso Furtado foi aprovado de
forma unânime. E lá fomos. Eu, o José Arbex (editor geral) e Plínio de
Arruda Júnior passamos algumas horas de um sábado conversando e
apreendendo com o mestre. E a primeira edição praticamente saiu apenas
com sua histórica entrevista e algumas notícias.

Na volta, seguimos discutindo qual seria a chamada de capa e da
entrevista. A decisão foi unânime pela resposta que ele deu à última
pergunta, quando indagamos o que Lula deveria priorizar, já que acabava
de ser eleito em novembro de 2002. Lula precisa é ter coragem, só isso!
Essa sua sabedoria profética pode ser aplicada também agora, no governo
Lula.

Celso Furtado foi um dos grandes filhos do povo brasileiro: pesquisador,
escritor, professor, historiador de nossa sociedade, homem público,
ocupando, durante sua vida, diversos ministérios e cargos na Sudene.
Mesmo assim, mantinha uma humildade e coerência impressionantes. Valores
de um verdadeiro sábio!

Em
Brasil 247
https://www.brasil247.com/blog/dialetica-do-desenvolvimento
22/12/2025

domingo, 28 de dezembro de 2025

Geopolítica del interregno: Perspectivas para el 2026 en un mundo poshegemónico.

 


En 2025, Estados Unidos ya no lidera el orden global. Lo vigila. Y la vigilancia, en la historia de las hegemonías, siempre es una señal de que la dirección ya ha cambiado.

 Mario Pietri, analista geopolítico italiano 

El año 2025 no será recordado como un año de guerra, porque la guerra, en la historia de las potencias, nunca es un acontecimiento excepcional, sino una constante: una forma recurrente mediante la cual se corrigen, alteran y redefinen los equilibrios. Más bien, será recordado como el año en que se hizo evidente que el orden que había gobernado el mundo durante décadas había dejado de funcionar como principio organizador, mientras seguía existiendo como un aparato.

Las instituciones siguen en pie. Las alianzas no se han derrumbado formalmente. Las reglas siguen invocándose, repitiéndose y defendiéndose. Y, sin embargo, cada vez más, ya no producen los efectos para los que fueron construidas.

El poder sigue ejerciéndose, pero le cuesta generar consenso. Se toman decisiones, pero no configuran el futuro. Se dicen palabras, pero ya no organizan la realidad. Lo que falta no es la fuerza en sí, sino la capacidad de orientar, de hacer comprensible y compartible el significado del movimiento histórico.

Durante más de treinta años, desde el fin de la Guerra Fría, Occidente ha vivido con una profunda creencia, rara vez enunciada pero constantemente practicada: que su modelo no solo era dominante, sino definitivo. Que el control financiero, monetario y narrativo podía reemplazar indefinidamente la producción real, la cohesión social y la capacidad de sostener los costos materiales a lo largo del tiempo. Que el lenguaje gobernante era suficiente para gobernar el mundo. 

En 2025, esta creencia no se derrumbó de forma espectacular. No hubo un acto final. No hubo una derrota simbólica. 

Se consumó. 

Y es precisamente este tipo de transición —lenta, ambigua, inestable— la que Antonio Gramsci describió con el término interregno: una fase histórica en la que el viejo orden ya no puede imponerse como necesario, pero el nuevo aún no es capaz de presentarse como una alternativa completa. En este espacio intermedio, las estructuras siguen funcionando, pero sin dirección; el poder sigue ejerciéndose, pero sin hegemonía; la política se reduce a la gestión, mientras que el significado general se disuelve.

El interregno no es caos. Es algo más sutil: orden sin rumbo. 

Es el momento en que las reglas sobreviven a las razones por las que fueron creadas, cuando las palabras siguen pronunciándose incluso cuando ya no son convincentes, cuando el mundo avanza sin que nadie lo dirija realmente. Es en este espacio donde surgen tensiones desproporcionadas, conflictos sin resolver, narrativas contradictorias y fenómenos que parecen «morbosos» no por anómalos, sino porque son sintomáticos de un vacío de hegemonía. 

2025 fue precisamente esto: no el fin de un mundo, sino la entrada consciente en un tiempo sin centro, en el que Occidente sigue hablando mientras la Historia, en silencio, empieza a pasar factura. 

Estados Unidos: hegemonía sin rumbo, poder sin plan

En 2025, Estados Unidos sigue siendo, al menos formalmente, la principal potencia militar del mundo. Nadie lo discute realmente. Y, sin embargo, es precisamente aquí donde se manifiesta la contradicción central del interregno: el poder permanece, pero la hegemonía se disuelve.

Antonio Gramsci distinguió claramente entre dominación y hegemonía. La primera se basa en la coerción; la segunda en la capacidad de universalizar los intereses particulares, haciéndolos parecer naturales, inevitables, incluso deseables. En 2025, Estados Unidos conserva el dominio, pero está perdiendo rápidamente su hegemonía. Y cuando una potencia ya no puede liderar, comienza a castigar. 

Los datos materiales son elocuentes y no requieren retórica: la deuda federal estadounidense ha superado los 34 billones de dólares, más del 120% del PIB, con el gasto en intereses creciendo más rápido que la capacidad productiva real. Este es el signo de una economía que no invierte para transformarse, sino que imprime para posponer, trasladando el costo de sus propias contradicciones estructurales. 

En ausencia de un nuevo proyecto hegemónico —industrial, social, infraestructural— Washington ha reemplazado progresivamente el consenso por la coerción sistémica. Las sanciones, una vez una herramienta excepcional, se han vuelto comunes; los aranceles, un arma táctica; El dólar, que durante décadas funcionó porque se lo percibía como neutral, se ha transformado abiertamente en un instrumento político y punitivo.

Aquí, la lección de Gramsci se vuelve central: cuando una clase dominante ya no puede liderar, gobierna por interdicción. No construye alternativas, sino que impide que otros las construyan. No proporciona dirección, sino que bloquea trayectorias. No organiza el futuro, sino que busca congelar el presente. 

En 2025, el dólar, antaño la base del orden global, se percibe cada vez más como un mecanismo de chantaje, acelerando los procesos de desdolarización en energía y comercio incluso entre países que, hasta unos años antes, nunca se habrían atrevido a desafiar la centralidad financiera de Estados Unidos. Esta es la paradoja de la hegemonía en declive: cuanto más se defiende por la fuerza, más pierde legitimidad. 

La política exterior estadounidense se reduce así a una forma de contención negativa, carente de visión histórica: no crea nuevas estructuras, sino sabotea las de otros; no integra a las potencias emergentes, sino las disciplina; No negociando transiciones, sino posponiéndolas mediante sanciones, presión financiera e inestabilidad controlada. 

Este es el comportamiento típico de lo que Gramsci habría definido como una clase dominante que ya no gobierna, sino que continúa ocupando el centro por inercia, incapaz de generar consenso, pero aún lo suficientemente poderosa como para imponer costos. Una hegemonía que sobrevive como un simulacro, mientras el mundo comienza a organizarse como si ese centro ya no fuera necesario.

En 2025, Estados Unidos ya no lidera el orden global. Lo vigila. Y la vigilancia, en la historia de las hegemonías, siempre es una señal de que la dirección ya ha cambiado.

Europa: La renuncia estratégica como modelo de gobernanza.

Si Estados Unidos representa el centro imperial en apuros, Europa en 2025 encarna el caso más emblemático de autolesión estratégica voluntaria. En tan solo unos años, el continente ha aceptado un aumento estructural de los costes energéticos que ha afectado directamente al núcleo de su modelo económico: la manufactura intensiva en energía. 

El gas natural, que durante décadas había estado disponible a precios estables y predecibles, ha sido sustituido por suministros más caros y volátiles, con efectos inmediatos en las industrias química, siderúrgica, del vidrio, cerámica y automotriz. Aquí sobran las interpretaciones: bastan los balances. 

El resultado es medible, no ideológico: estancamiento o declive de la producción industrial, fuga de inversiones manufactureras y creciente deslocalización hacia Estados Unidos y Asia, donde la energía y los incentivos públicos son más competitivos. Y mientras Europa perdía capacidad de producción, seguía hablando de «autonomía estratégica», como si repetir un concepto bastara para hacerlo realidad.

Immanuel Wallerstein habría sonreído amargamente a una semiperiferia que sigue creyéndose el centro, mientras transfiere valor real a la cima de la cadena imperial. En 2025, la Unión Europea ha renunciado definitivamente a una política energética autónoma, a una diplomacia independiente y a un papel de mediación sistémica. 

A cambio, ha recibido inflación importada, crecientes tensiones sociales y una guerra permanente en sus fronteras, útil para justificar emergencias constantes, pero incapaz de generar seguridad real. Europa no ha sido derrotada: se ha autoneutralizado. Y quizás este sea el aspecto más difícil de admitir. 

Israel y Gaza: el fin de la hegemonía moral occidental.

En este contexto, Gaza en 2025 no fue solo una tragedia humanitaria, sino el momento en que Occidente perdió definitivamente el control de su propia narrativa moral. El derecho internacional no se violó —siempre se ha violado—, sino que se aplicó de forma tan selectiva que perdió cualquier pretensión de universalidad. La distinción entre civiles y combatientes se ha vuelto flexible, la proporcionalidad, un concepto negociable, las bajas, un problema de comunicación.

Y aquí es donde la retórica dejó de funcionar. 

Israel actuó como un puesto avanzado armado de un orden en crisis, seguro de que ninguna línea sería realmente infranqueable, porque el orden mismo ya no tenía la fuerza para imponer límites a sus propios instrumentos de coerción. 

Estados Unidos vetó no solo las resoluciones de la ONU, sino la posibilidad misma de una solución política, mientras Europa observaba, dudaba y finalmente aceptó, pagando un enorme precio político en el Sur global. El resultado fue simple y devastador: el llamado orden basado en reglas fue descartado como retórica colonial actualizada, válida solo mientras no obstaculice el uso de la fuerza. 

BRICS, Rusia y China: Hegemonía que no requiere consenso

Mientras Occidente sancionaba, castigaba y moralizaba, el resto del mundo hizo algo mucho más efectivo: construyó alternativas. Para 2025, los BRICS ya no son un club simbólico, sino una plataforma funcional que, a pesar de las obvias contradicciones y limitaciones, ofrece lo que Occidente ya no ofrece: previsibilidad, infraestructura y continuidad. China planifica durante décadas, invirtiendo en logística, energía, tecnología y finanzas reales; Rusia ha demostrado que la resiliencia estratégica —la capacidad de soportar altos costos sin un colapso político— tiene más sentido que el PIB nominal calculado a los tipos de cambio occidentales.

Este no es un mundo ideal. Es un mundo operativo. Los pagos alternativos, las rutas redundantes y las instituciones paralelas no nacieron para desafiar simbólicamente a Occidente, sino para hacerlo innecesario. El Sur global lo ha comprendido con extrema claridad: los acuerdos imperfectos son mejores que la dependencia estructural, los socios cínicos son mejores que los guardianes morales dispuestos a castigar. 

El fin del monopolio y el interregno: el silencio tras el Imperio (y el caso italiano)

2025 no marcó la derrota militar de Occidente, ni el colapso repentino de sus instituciones, ni el fin formal de su poder. Marcó algo mucho más profundo, y precisamente por eso mucho más difícil de aceptar: la pérdida de su monopolio sobre la definición de la realidad. 

Durante décadas, Occidente no se limitó a ejercer el poder; ejerció la interpretación. Decidió qué era legítimo y qué no, qué conflicto merecía atención y cuál podía archivarse como «complejo», qué violación era intolerable y cuál podía, en cambio, explicarse, posponerse, absorberse por el ciclo mediático. Él gobernó el mundo no sólo con armas y dinero, sino con vocabulario, con la capacidad de nombrar lo que importa y lo que se puede ignorar.

En 2025, este privilegio no fue usurpado por la fuerza. Fue consumido. 

No porque el mundo dejara repentinamente de escuchar a Occidente, sino porque dejó de creer en él. Y cuando la credibilidad se disuelve, la fuerza bruta —sanciones, vetos, coerción económica, chantaje financiero— no reconstruye el orden: lo consume, lo vacía, lo transforma en una repetición cansina de gestos que antaño funcionaban, pero que ahora solo producen habituación. 

Es aquí donde la transición histórica se hace más clara al leer las palabras de Antonio Gramsci, quien describió el interregno como el momento en que 

«lo viejo muere y lo nuevo no puede nacer, y en este interregno ocurren los fenómenos mórbidos más variados». 

2025 fue precisamente eso: un interregno global. El orden occidental ya no es capaz de afirmarse como universal, pero ningún nuevo orden necesita declararse como tal todavía. El resultado no es el caos, sino algo más sutil y corrosivo: la normalización de la falta de centralidad.

Occidente sigue hablando de valores universales, pero lo hace en un lenguaje cada vez más autorreferencial, comprensible solo para sí mismo y sus aliados más disciplinados. Mientras tanto, fuera de ese perímetro, el mundo ha adoptado criterios mucho más elementales —y mucho más despiadados— para medir el poder: acceso a la energía, suministros estables, continuidad de pagos, fiabilidad de las relaciones a lo largo del tiempo. 

La diferencia es ahora evidente: Occidente predica, el resto del mundo calcula. 

En 2026, esta grieta no se sanará. Se normalizará. Las instituciones occidentales seguirán existiendo, produciendo documentos, cumbres, declaraciones solemnes y hojas de ruta, pero lo harán en un espacio cada vez más restringido, dirigiéndose a un público que ya comparte las mismas premisas, mientras que las decisiones verdaderamente relevantes se tomarán en otros lugares, en foros menos visibles, menos ideológicos e infinitamente más pragmáticos. 

El Imperio no será derrocado. Ni siquiera será cuestionado formalmente. Será eludido. Y ésta es la forma más humillante de decadencia: no la derrota, sino la irrelevancia progresiva; no el colapso espectacular, sino la comprensión silenciosa de que ya no es necesario.

Italia: El interregno como condición permanente.

En esta transición histórica, Italia no es la excepción. Es una estadística. 

Si el mundo occidental en su conjunto vive un interregno, Italia es una de sus expresiones más puras y avanzadas: un país donde el viejo modelo continúa muriendo lentamente, y el nuevo no solo lucha por emerger, sino que ni siquiera se busca. 

La Italia de 2026 seguirá declarándose «en el centro» de Europa y el Mediterráneo, manteniéndose cuidadosamente al margen de cualquier verdadero proceso de toma de decisiones estratégicas; seguirá definiéndose como un aliado, actuando como un territorio fiable, útil para bases, rutas, restricciones y alineaciones automáticas; seguirá hablando de interés nacional, aceptando que este se defina en otro lugar, con diferentes idiomas y con diferentes prioridades. 

Aquí, la lección de Gramsci cobra aún más fuerza: la hegemonía no es solo dominación, es la capacidad de naturalizar lo conveniente. Y en Italia, en 2025-2026, lo que se ha vuelto “natural” es la idea de que tomar decisiones es peligroso, que negociar es inadecuado, que utilizar las propias palancas –geográficas, industriales, diplomáticas– es una forma de irresponsabilidad.

Italia no será castigada. No se le impondrá una administración especial. No se la expulsará de nada. 

Simplemente no se la consultará. 

Y como siempre ocurre con los países que confunden la prudencia con la virtud y la inercia con el realismo, descubrirá que la ausencia de opciones no es neutralidad, sino una elección pasiva a favor de quienes deciden. 

Después del Imperio, durante el interregno de 2026, algunos actores —estados, empresas, sistemas financieros— se posicionarán en consecuencia, reorientando flujos, alianzas, cadenas de valor y estrategias monetarias hacia un mundo que ya no requiera autorización ni certificación moral. Los demás seguirán hablando de orden, liderazgo y la «comunidad internacional», sin darse cuenta de que esa comunidad simplemente ha cambiado. 

Y mientras Occidente sigue preguntándose cómo «defender sus valores», incluida Italia, el resto del mundo ya habrá resuelto una cuestión mucho más elemental, mucho más concreta y mucho más despiadada: cómo vivir, comerciar y sobrevivir sin ella. 

Esto no es una profecía. Es la constatación de un hecho. Y para un Imperio —y para sus vasallos más celosos, atrapados en un interregno que confunden con estabilidad— no hay condena más severa.

Em

Observatorio de la crisis

https://observatoriocrisis.com/2025/12/28/geopolitica-del-interregno-perspectivas-para-el-2026-en-un-mundo-poshegemonico/
 
28/12/2025
 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Las razones históricas del progresismo y de su estafadora impotencia


Un respuesta al fracaso del progresismo: luchar por recuperar la idea del socialismo, marcar con claridad lo que es un auténtico programa alternativo e implicarse en la miríada de luchas que la sociedad lleva a cabo de forma segmentada…

Andrés Piqueras, profesor senior de la Universidad Jaume I

El progresismo postmoderno o tardocapitalista tiene tres fundamentales razones históricas que confluyen para posibilitarle y explicarle:

• La incorporación de la socialdemocracia clásica al círculo de poder por delegación de la clase dominante.

•    La descomposición y adhesión al Sistema de la buena parte de los partidos de la III Internacional, especialmente en Europa

• La propia crisis del Sistema.

 Las comentamos brevemente por separado.

1.  El movimiento de la humanidad hacia su liberación de la opresión y de la explotación, así como por la eliminación de las desigualdades, o movimiento comunista de la humanidad, pudo empezar a coagular ideológicamente y adquirir efectiva fortaleza universal, según precisamente la clase más universal o clase trabajadora, iba resultando organizada por el propio medio de producción dominante, el capitalismo de la primera y segunda revoluciones industriales, que socializaba la producción aceleradamente.

La socialdemocracia se llamó así por buscar la democracia social, de base, más allá de las recetas y posibilidades que de la “democracia” hacía el capitalismo liberal para que se pudiera elegir entre sus élites. Se concebía a sí misma como opción organizada para el socialismo (que tenía como reivindicación y objetivo básicos la socialización de los medios de producción), una alternativa obrera al capitalismo que con ese fin quiso cuajar en una Internacional proletaria mundial.

Sin embargo, cuando en el último cuarto del siglo XIX, en Europa occidental, este modo de producción empezó a agotar su ejército laboral de reserva, y teniendo al frente un proletariado cada vez más organizado, tuvo que comenzar a cuidar en cierta medida de su fuerza de trabajo, que no podía ser sustituida tan fácilmente en el caso de ser explotada hasta la extenuación, así como por enfermedades o accidentes.

Por otra parte, el desarrollo y paulatina preponderancia de la plusvalía relativa fue facilitando la desconcienciación de la clase trabajadora, su pérdida del sentido de explotación, pues la mejora de la productividad que procura el cambio técnico permite la desvalorización de los medios de vida de los trabajadores (y por tanto el abaratamiento de la fuerza de trabajo) sin afectar especialmente a su situación material, lo que permite aumentar la tasa de explotación en su modalidad intensiva sin acentuar el conflicto social. 

Los primeros seguros sociales, la entrada de los partidos obreros en los parlamentos, la lenta pero sostenida elevación de la calidad de vida de la fuerza de trabajo, la sensación de poderío de una clase trabajadora crecientemente organizada, generó la ilusión de conquistas indefinidas dentro del capitalismo, hasta el punto de que llegó a hacerse común que este Sistema se podría superar a sí mismo, sin rupturas de clase, digamos que “pacíficamente” (lo que marcaría a la II Internacional en adelante).

Esa socialdemocracia cada vez más acoplada a las reglas de juego del capitalismo, terminó por hacerse capitalista. 

En la I y II Guerras Mundiales mostró a los cuatro vientos que en adelante su “patria” era la del capital. No sólo no se opuso a la guerra, sino que se manifestó en contra de los procesos revolucionarios (renegando de la URSS), para sustituirlos por los parlamentarios electoralistas.

Sería en los años 30 del siglo XX, y sobre todo en la post-guerra keynesiana (con el protagonismo del capitalismo reformista, posible gracias a la URSS), cuando paso directamente a formar parte de la agencialidad política de la clase capitalista. El congreso de Bad Godesberg (1959), en Alemania, marcaría el momento emblemático de esa deriva.

Tras la caída de la URSS, la globalización neoliberal de la ley del valor que entrañó una brutal ofensiva de clase a escala planetaria, tuvo ya de cómplice directo a la socialdemocracia capitalista, por más que se intentara auto-otorgar un toque de legitimidad bajo la pantalla de una Tercera Vía que nunca tuvo contenido práctico alguno.

La concomitante destrucción de conquistas históricas, acelerada con la posterior degeneración sistémica que se ha ido acentuando en las primeras décadas del siglo XXI, no haría sino hacer cada vez más indistinguible su papel dentro de las diferentes versiones del capitalismo.

2.  La descomposición y entrega de la III Internacional tiene también algunos momentos clave.

Con la Revolución Soviética y su III Internacional el movimiento comunista de la humanidad experimentó un acelerón y una gran acumulación de fuerzas.

Acumulación que sufriría sus primeros bandazos con la división bolchevique en tres tendencias: la estalinista (que llevó al éxito de la URSS contra las monstruosas agresiones externas y procuró un desarrollo social y humano sin precedentes en la historia de la humanidad), la trotskista y la bujarinista.  

Más tarde, esa acumulación de fuerzas del movimiento comunista comenzaría a perder parte de su impulso en 1956, con el XXº Congreso del PCUS y la “desestalinización” de la URSS, cuando empezó una deriva hacia la “reconciliación” con el capitalismo y a abrir crecientes espacios al revisionismo interno. 

La ruptura entre la URSS y China, precisamente a raíz de ese proceso soviético (que la China de Mao no aceptó, y que sin embargo más tarde, cuando la revolución china se hizo bujarinista con Deng Xiaoping, la alejaría aún más de la URSS, apartándose del internacionalismo y del enfrentamiento al capitalismo, patrones estos últimos que todavía la caracterizan en la actualidad), fue otro mazazo para el movimiento comunista, que recibiría el golpe más duro con la caída de la URSS. Golpe del que todavía no se ha recuperado la humanidad, al perderse en gran medida el proyecto, la praxis y el horizonte socialista para la mayor parte de las sociedades del mundo desde entonces.

En esa pérdida hay que contar también con que casi todos los partidos herederos de la III Internacional, que otrora se guiaron por la URSS, no sólo quedaron huérfanos de dirección estratégica o en la práctica imposibilitados de ella (la estrategia precisa de fuerza para poder llevarse a cabo), sino que a gran velocidad se fueron socialdemocratizando o aceptando el marco del capitalismo como incuestionable, esto es, el único posible (en Europa este proceso se dio bajo el nombre de “eurocomunismo”, mientras que en NuestraAmérica tuvo lugar más como neodesarrollismo y diversos populismos, los cuales también arraigarían en África).

La deriva de la gran mayoría de partidos comunistas y organizaciones crecidas bajo el ala de la III Internacional, les llevaría a posiciones cada vez más conniventes con el capitalismo salvaje de la globalización unilateral comandada por Estados Unidos. 

Llegando a formar parte incluso de gobiernos de la OTAN y de la UE -por lo que ha recibido la designación de “izquierda otanista” o, como la propia CIA la bautizara, “izquierda compatible” con el Sistema-. Igualmente, las organizaciones sindicales que nacen ante la absorción de las centrales clásicas por el Sistema, no van más allá de éste, no son capaces de cuestionar el relato global del capitalismo, especialmente por lo que se refiere a su división imperial del mundo, ni a trascender, por tanto, un accionar economicista, en el mejor de los casos con algunos tintes sociales siempre dentro del orden del Sistema.

Resulta obvio decir que con esa deriva los PCs no pueden sino dejar de perder militancia (que no sólo es una cuestión de afiliación), presencia social y algo que proponer a las sociedades, haciéndose por el contrario parte del problema. Ello se evidenciaría aún más según avanzaba la decadencia capitalista y su brutal ofensiva de clase contra las poblaciones del mundo.

 3. Crisis capitalista

 Las condiciones de degeneración del modo de producción capitalista se han ido agudizando desde finales del siglo XX hasta hoy. 

A partir del último cuarto de aquel siglo cada vez ha sido más difícil ocultar que el menguante desarrollo de las fuerzas productivas ha ido dando paso a cada vez más fuerzas destructivas, con el consiguiente declive del conjunto de la civilización a que dio lugar. 

Ello radica en toda una cadena de razones, como la dilución del valor y mengua del plusvalor parejo a la tecnificación de los procesos productivos, la galopante reversión del capital a su forma simple de dinero (cada vez como elemento de especulación y ganancia rentista, y no tanto de inversión productiva), un endeudamiento público y privado insostenible, una economía crecientemente ficticia, un acuciante estrés climático, el manifiesto agotamiento de materiales y energía fósil, así como la imparable expansión de un “valor negativo”: plagas, epidemias, deterioro de recursos, saturación de sumideros, contaminación generalizada, pérdida de fertilidad de los suelos, salinización, estrés climático, desaparición de nitratos y de fósforo, sobreexplotación, sobre-empobrecimiento y extenuación de las poblaciones…

Todo ello da como resultado lo que algunos autores han señalado como una “tormenta perfecta”, pues la hipotética solución a uno de esos factores significaría el agravamiento inmediato de otros. La destrucción social y ambiental, el desmoronamiento de las sociedades en la casi totalidad del mundo, así lo testimonia.

Sin embargo, a falta de sepultureros o agentes colectivos organizados por el socialismo, el capitalismo ha podido rescatarse a sí mismo, especialmente inventándose dinero de la nada para hacer como que su economía sigue funcionando, pero también, obviamente (cualquiera de sus crisis lleva a ello) aumentando la explotación de la fuerza de trabajo, apropiándose de su patrimonio colectivo, llevando la sustracción del salario a cotas más altas, según mercantiliza más aspectos de la vida y la encarece en su conjunto.

El progresismo o nueva izquierda del Sistema 

Es en este contexto histórico de orfandad, desorientación de clase y mortífera ofensiva capitalista, en el que en el siglo XXI (y sobre todo tras la crisis de 2008) aparece o cobra más cuerpo -aprovechando el nicho político dejado por la neoliberalización de la socialdemocracia clásica y la socialdemocratización-liberal de los partidos comunistas mayoritarios-, un progresismo como una suerte de neosocialdemocracia que “vende” de nuevo la idea de que el capitalismo puede ser reformable y hacerse “justo”, “democrático” e “igualitario” a poco que se voten sus opciones (lo de tener arraigo obrero-trabajador y bregarse en las luchas sociales en general, pugnar por erigir pueblos auto-organizados y estructuras políticas resultantes de ello, ni se considera). En adelante, no se hablará de “clases” ni de sus luchas, ni de “socialismo” y mucho menos de “tomas del poder”.

Términos como “gente”, “99%”, “los de arriba y los de abajo”… van sustituyendo aquella conciencia de clase trabajadora por un neolenguaje deliberadamente vago e impreciso, con intención de “atrápalo todo”, que no dice nada concreto sobre la raíz de las cosas, al tiempo que congruentemente con ello se hace gala de reivindicar ante todo políticas de identidad, particularistas, o se enarbolan luchas parciales, segmentadas e incomunicadas entre sí (cuando no directamente corporativas y exclusivistas), en vez de universales y con proyección común hacia una sociedad que pueda satisfacer el conjunto de luchas y reivindicaciones. 

Ni que decir tiene que la toma del poder y la desarticulación de los elementos básicos del capitalismo ni pasa por su imaginación.

Es por eso que a esa nueva ola no le sería problemático subirse a la vieja socialdemocracia, que encuentra en ella un punto de reenganche en la atracción del electorado, dado que nada puede ofrecer en cuanto a modificar las claves de la explotación o sobreexplotación de clase y las dolorosas secuelas que el capitalismo va dejando en sus poblaciones. También, por supuesto, las organizaciones socialdemocratizadas de la III Internacional se incorporarían a la cola de esa tendencia, pasando de supuestas “vanguardias” a retaguardias de la misma, a remolque de las neoizquierdas.

Sin embargo, la clase capitalista transnacional sí ejerce una rotunda política de clase, y desde 2008 intensifica los mecanismos de explotación, desposesión y dominación para intentar sostener el crecimiento. Entre los más destacados:

a. El pillaje y saqueo de las finanzas públicas: se da una transferencia de riqueza sin precedentes del ámbito público a las arcas del capital transnacional. Se socializan las pérdidas en un momento en que las grandes empresas transnacionales registran niveles récord de ganancias. Los Estados extraen también cada vez más excedente de las sociedades para entregárselo a las finanzas globales, mientras se mercantiliza el conjunto de actividades de la vida social y natural. Todo vinculado también a una montaña de deuda que ya supera el 365% del PIB mundial.

b. La especulación financiera (ya en 2008 los mercados de derivados alcanzaron los 2.3 billones de dólares al día) y la masiva emisión de dinero sin valor, primero a tasas de interés cero o incluso negativas y después alzadas bruscamente en el camino de arruinar a buena parte de los actores económicos (incluida la mayor parte de la población) y quedarse aún más deprisa con sus activos, propiedades y patrimonio.  La mercantilización de lo público, del conjunto de actividades que sostienen la vida y la inflación de precios de productos básicos (alimentación, vivienda, motorización…) van también en ese camino.

c. Frente a la crisis de sobreacumulación, la economía de guerra se vuelve también eje central de crecimiento en la economía global, un crecimiento militarizado o exacerbación bélica de la Desposesión de las poblaciones del mundo, con la consiguiente reordenación de todo el entramado sistémico del capitalismo hacia su vertiente más postdemocrática y autoritaria, que da pie, entre otras muchas consecuencias, a que vaya calando estructuralmente de nuevo una cultura de disciplina y mando.

Todo esto da como resultado el aumento de la explotación de la fuerza de trabajo y lapérdida de su poder adquisitivo, deterioro acelerado también de los salarios indirecto y diferido, empobrecimiento generalizado de la población y un exacerbado crecimiento de la desigualdad, entre otras muy duras consecuencias. Lo cual provoca un creciente hastío de las poblaciones, que, sin alternativas reales a lo que ocurre y sin organización ni cauces políticos y sociales para rebelarse de forma eficaz, comienzan a ver a las distintas versiones electorales del Sistema como parte de lo mismo.

Es en ese deterioro social que el propio Sistema pergeña su “versión antisistémica”: opciones proto-fascistas (listas para dar paso directamente al fascismo -o neofascismo- si las condiciones sociales lo requieren, con versiones más o menos duras según vaya la correlación de fuerzas entre las clases). 

Es decir, que la falta de respuestas reales para las condiciones de vida de la población, el vacío de alternatividad (que no de alternancia), la nula proclamación (ni intento de erección) de un proyecto socialista superador del capitalismo, lleva, una vez más en la historia, a las izquierdas clásicas y a las neoizquierdas a ir dejando el paso franco a las ultraderechas proto-fascistas. Más aún según el Sistema se hace irreformable y deteriora machaconamente las condiciones de vida de las poblaciones del mundo, en una creciente espiral de explotación, empobrecimiento, guerra, muerte y caos.

Como quiera que las izquierdas del Sistema (auto-confinadas en la institucionalidad burguesa) ni tienen ningún programa o proyecto ni pueden nada contra todo ello (al tiempo que su impotencia las hace perder aún más sus posibles bases), las salidas autoritarias-neofascistas para las poblaciones comienzan a verse por cada vez más sectores sociales sin memoria histórica alguna (porque nadie tampoco se la proporcionó) como “alternativa” a seguir. El Sistema ya se encarga de promocionar y sustentar ese señuelo de alternativa con todos sus medios y aparataje.   

¿Y entonces?

Ante ello, frente a la dinámica de todo o nada en la que entra el modo de producción capitalista, a las fuerzas altersistémicas que aún pugnan por enfrentar el capitalismo no les queda sino descolonizar las propias conciencias (desparasitarlas de la ideología de la clase dominante), luchar por recuperar la idea del socialismo entre la población, marcar con claridad lo que es un auténtico programa alternativo, implicarse en la miríada de luchas que la sociedad lleva a cabo de forma segmentada y desarticuladas entre sí, para darlas una proyección común hacia un objetivo de sociedad también común. 

Reconstruir la III Internacional (a falta de que alguna fuerza mundial pudiera convocar una V), deviene también una tarea perentoria. La cual bien puede empezar por la articulación de un Frente Internacionalista (Antimperialista) Mundial.

Em

OBSERVATORIO DE LA CRISIS

https://observatoriocrisis.com/2025/12/23/las-razones-historicas-del-progresismo-y-de-su-estafadora-impotencia/

23/12/2025 


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Lenin en el siglo XXI


La renuncia a conquistar el poder conduce a convalidar el estatus quo. Esa deserción provoca el desengaño de la población previamente ilusionada con las promesas de la izquierda. Todas las experiencias negativas del progresismo en América Latina han derivado de esa renuncia a batallar por el poder, luego de llegar al gobierno

Claudio Katz, economista argentino

La aparición de nuestro libro sobre Lenin ha incentivado presentaciones y comentarios, que confirman el renovado interés por la obra del líder bolchevique. Esa recepción converge con jornadas y nuevos textos, que evalúan el significado del revolucionario ruso.

El silencio contemporáneo que rodea a una granfigura del marxismo comienza revertirse. Ese olvido retrata el desarme político y la fragilidad teórica que afectaa gran parte de la izquierda. Mientras que la ultraderecha renació exaltando a sus referentes, el campo opuesto enmudeció, escarbó teorías en otros ámbitos y archivó a sus líderes del pasado. Lenin fue escondido, al mismo tiempo que Hayek, Nozick o Rothbard resurgían de las cenizas. 

En plena euforia del anarco-capitalismo se impuso la autocensura a la simple mención de la lucha de clases, el socialismo o la revolución. Como esa resignación impide librar batallas políticas, cabría esperar que el incipiente retorno de Lenin inaugure una contraofensiva de la izquierda.

La lectura del gran dirigente comunista estuvoafectada en el pasado por la canonización y la selección decitas para justificar algún rumbo político. También prevalecían las interpretaciones dogmáticas, que omitían el sentido de sus intervenciones. Pero estas anomalías eran defectos de poca monta, en comparación al entierro posterior de su obra o a los estudios recientes, acotados aun mero propósito académico.

La recuperación de Lenin transita por retomar al teórico que renovó la ciencia política, introduciendo nociones que ordenan la evaluación de la coyuntura, la etapa o las relaciones de fuerza.

El fundador de la Unión Soviética legó un método para registrar el protagonismo de los sujetos, la centralidad del enemigo principal y la dinámica de los acontecimientos. Enseñó la forma de abordar el análisis concreto de un escenario, con la mira puesta en las consecuencias y las tareas que se derivan de esa caracterización.

En el cenit de su elaboración, Lenin propuso líneas de acción para lidiar con cinco procesos relevantes de su época: la generalización de guerras entre potencias imperialistas, la batalla contra la ultraderecha, la inminencia de la revolución, el carácter terminal de la crisis capitalista y la proximidad del socialismo. ¿Cuáles son las similitudes y diferencias de esos diagnósticos con el marco actual? ¿Cómo evaluar parecidos y contrastes entre una y otra era?

LAS GUERRAS EN CURSO

Lenin distinguió dos tipos de conflagraciones. En un casillero ubicó los conflictos que oponían a las potencias imperialistas rivales por el dominio de los mercados y las colonias. Resaltó ese perfil de la Primera Guerra Mundialy convocó a denunciar a los bandos en disputa, rechazando el alistamiento y propiciando el abandono de las trincheras. Fomentó ese derrotismo, proclamando que el enemigo se encontraba en la propia casa y no en la frontera opuesta.

La otra modalidad bélica que señaló el líder bolchevique, estaba determinada por atropellos a los países dependientes o por agresiones imperiales al resto del mundo. Ese tipo de embestidas consumaban los colonialistas contra África, Asia o América Latina y frente a ese caso, Lenin propuso cerrar filas contra el enemigoprincipal. Destacó que su derrota abría caminos para conquistas democráticas, logros sociales y cursos de emancipación. 

Tras su fallecimiento se verificó en la Segunda Guerra Mundial, un nuevo conflicto entre potencias y las distinciones de Lenin contribuyeron a comprender las diferencias de esa conflagración con su antecedente. Fue visible la prioridad de derrotar al fascismo y la Unión Soviética aunó fuerzas en esa batalla con varias potencias occidentales.

Siguiendo estas orientaciones se puede apreciar, que en los conflictos actuales prevalece más una confrontación contra el adversario prioritario, que un choque entre competidores igualmente imperialistas.

El Pentágono y sus servidores son los artífices y responsables del genocidio en Palestina, la piratería en el Caribe y las provocaciones de la OTAN desde Ucrania.Washington despliega tropas en Asia contra China y en Medio Oriente contra Irán. No se verifican amenazas en el sentido opuesto. Estados Unidos, las potencias europeas eIsrael no logran exhibir algún indicio de ataques a susterritorios o a zonas lindantes. 

Registrar estos datos y razonar en la tradición legada por Lenin, es crucial para posicionar a la izquierda en elpeligroso escenario bélico que se avecina. La acelerada militarización tiende a transformar la era previa del neoliberalismo y la globalización, en una nueva época de intensos enfrentamientos armados. Ese curso ya se verifica en el asedio a Venezuela, el incendio de Medio Oriente, el rearme de Europa para confrontar con Rusia y la concentración de marines frente a China.

CENTRALIDAD DEL ANTIIMPERIALISMO

Por el carácter de las guerras en marcha, recobra vigencia la política antiimperialista que auspició Lenin. El dirigente soviético maduró esa estrategia, recordando que el capitalismo funciona potenciando una gran variedad de opresiones (género, raza, cultura, religión). Asignó a la sumisión nacional una incidencia especialmente gravitante, porque suscita reacciones populares que retroalimentan la lucha social contra el capitalismo.

Partiendo de esa constatación, Lenin defendió el derecho a la autodeterminación de los pueblos de Europa Oriental, que anhelaban forjar Estados nacionales propios, al cabo de siglos de opresión rusa, austro-húngara u otomana. Cuando esa lucha nacional se trasladó al continente asiático, resaltó la convergencia de los procesos de liberación nacional y social y sentó las bases del antiimperialismo contemporáneo.

En el siglo XXI esta política vuelve al centro de la escena, para resistir la agresión del imperialismo estadounidense. Washington compensa el declive de su economía con atropellos geopolíticos e intervenciones bélicas. Por eso reaparecen las matanzas en gran escala, la virulencia del terrorismo de Estado y el desconocimiento del derecho internacional. Israel asesina opositores en cualquier lugar del mundo, los marines disparan contra los pescadores del Caribe y la OTAN ensaya provocaciones en el espacio aéreo ruso.

Lenin subrayó la importancia de priorizar la confrontación con el enemigo imperial, en polémica con los socialdemócratas de derecha, que descalificaban esa lucha con pretextos eurocentristas y justificaciones colonialistas. Sus argumentos conservan una llamativa actualidad, frente a los teóricos social-liberales, que actualmente convalidan al sionismo o aprueban las intervenciones de la OTAN. Sus trilladas excusas de “expandir la democracia”, “ampliar la civilización” o “defender los derechos humanos” tienen poca credibilidad.

Se ha repetido, también, que el antiimperialismo es un concepto obsoleto frente al avance de la globalización, la transnacionalización del capital y la conversión de las viejas burguesías nacionales en estamentos locales. Pero esas afirmaciones han perdido consistencia con la misma velocidad que fueron expuestas.

El antiimperialismo se recicla en forma sistemática, junto a la recreación de la dependencia y el subdesarrollo, que generan las transferencias de valor de la periferia al centro. Esos drenajes perpetúan las desigualdades y la opresión nacional, al mismo ritmo que se expande y acumula el capital. 

Lenin destacó que ese tormentoso proceso renueva el nacionalismo y diferenció tres variantes de esa corriente. Distinguió el patriotismo reaccionario en las metrópolis de los promotores del desarrollo burgués en la periferia y ponderó las variantes revolucionarias de los desposeídos de esas zonas. 

La corriente retrógrada alcanzó su cenit con el fascismo, la conservadora propició el desarrollismo y lossectores radicales forjaron Bandung, la OLAS y la Tricontinental. La vigencia de esta misma clasificación se verifica plenamente en la actualidad. Bolsonaro, Trump o Le Pen se alistan en el primer grupo, el progresismo latinoamericano en el segundo y las expresiones insurgentes -como el chavismo- en el tercero. Al igual que en la época de Lenin, reúnen respectivamente a los enemigos, adversarios y socios de la izquierda.

Lenin subrayó la importancia de estas distinciones para definir estrategias de alianza y confrontación. Debatió con los teóricos que descalificaban a todas las variantes del nacionalismo, con simplificadas reivindicaciones delinternacionalismo comunista. Señaló que esa abstracta contraposición, desconocía la diferencia básica que separa al patriotismo de una potencia opresora, de su equivalente popular en los países dependientes. 

Esta misma crítica mantiene gran validez contra los objetores actuales del antiimperialismo, que tan solo resaltan el antagonismo entre los capitalistas y los trabajadores. Omiten por completo las contradicciones que oponen a las potencias opresoras con los países dominados de la periferia. Ignoran, además, que el capitalismo se expande recreando múltiples formas de opresión,entrelazadas con la explotación del trabajo. Ese agobio ha derivado, por ejemplo, en las grandes luchas contemporáneas del feminismo, el ambientalismo o el anti racismo 

El forjador de la URSS remarcó, que en lugar de contraponer ese tipo de acciones correspondía potenciarlas, reconociendo la variedad de identidades presentes en los distintos segmentos de los oprimidos. Señaló que la conciencia de clase no se opone a las convicciones nacionales, ni a la batalla por la igualdad degénero, raza o étnica.

La incomprensión de esta dinámica obstruye el entendimiento del nacionalismo e impide captar por qué el patriotismo de Bolsonaro es tan distinto al de Chávez. Sin Lenin esa diferenciación se torna inexplicable.

FRONTALIDAD CONTRA LA ULTRADERECHA

Es útil retomar a Lenin para ordenar la batalla contra la oleada reaccionaria, que comanda Trump, secundan Le Pen, Meloni y Absacal e implementan Milei, Kast o Bolsonaro. Esa retrógrada marea, canaliza gran parte del descontento generado por décadas de crisis económica, degradación social y hastío con el sistema político. 

La ultraderecha encauza ese malestar generando tensiones entre los propios empobrecidos. Ataca a los inmigrantes, a los marginados y a las minorías étnicas, conlíderes que adoptan actitudes contestarias y poses disruptivas. 

En todos los casos, promueven el autoritarismo reaccionario para gobernar por decreto y purgar a los adversarios. Priorizan la sumisión de la Justicia y el sometimiento del Congreso, para criminalizar las protestas populares y revertir las conquistas democráticas.

¿Qué aporta Lenin para confrontar con semejante enemigo? Una guía para la izquierda combativa. El líder bolchevique convocó en su época a la unidad de accióncontra la ultraderecha. Llamó a confrontar en la calle, subrayando que la derrota de los reaccionarios constituía el punto de partida de un proyecto alternativo.

También señaló que los compromisos con fuerzas progresistas, no debían eliminar la confrontación políticacontra un sector vacilante e inconsecuente, cuya primacía desemboca en invariables frustraciones populares. Remarcó la necesidad de construir una fuerza de izquierda, que demostrara en los hechos, cómo se doblega al enemigo retrógrado.

Lenin expuso esas conclusiones a partir de su propia experiencia. Enfrentó a la ultraderecha en 1917, cuando gobernaba Kerensky luego de la revolución de febrero. Para tumbar a ese mandatario, las fuerzas oscurantistas se agruparon en torno a Kornilov e intentaron un golpe militar restaurador de alguna variante del alicaído zarismo.Ese levantamiento fue derrotado mediante la contundente respuesta de los trabajadores, campesinos y soldados,agrupados en torno a organismos populares denominados sóviets.

Lenin conceptualizó esa respuesta, que tuvo incontables reproducciones exitosas. En América Latina, las asonadas derechistas fueron doblegadas en muchas oportunidades por la acción popular. En los últimos años perdieron la partida en Venezuela, Bolivia, Cuba y Brasil. Pero también se registraron resultados inversos, cuándo el planteo leninista de actuar con decisión contra los golpistas, quedó neutralizado por los temores y titubeos del progresismo. 

Esta contraposición de consecuencias positivas y negativas no se limita a los escenarios extremos de aplastamiento o triunfo de un alzamiento militar. Se extiende también al ciclo político corriente. La restauración conservadora gana la disputa en las urnas,cuándo el progresismo decepciona al pueblo y queda aislada, cuándo prevalece la iniciativa por abajo en sintonía con el legado de Lenin.

REVOLUCIONES Y REBELIONES

Durante el siglo XX el líder bolchevique fue el símbolo de la revolución y por esa razón fue identificado en América Latina con Fidel. En los años 70, todos los debates en la izquierda revolucionaria giraban en torno a cómo efectivizar esa transformación radical. La lucha armada en las ciudades o en el campo y la insurrección en los bastiones fabriles, era contrapuesta a los caminos parlamentarios de transición pacífica al socialismo. 

Los modelos de revolución triunfante se asentaban en la variedad de caminos seguidos por los comunistas de Yugoslavia, China, Vietnam o Cuba. A su vez, las numerosas experiencias fallidas en Europa Occidental, Asia o América Latina suscitaban controvertidas evaluaciones y balances. Lenin era la referencia para explicar los éxitos y fracasos de todas las intentonas socialistas.

La implosión de la Unión Soviética modificó esa trayectoria e introdujo severos cuestionamientos a la conveniencia del curso revolucionario. Pero sus objetores nunca lograron demostrar, cómo el pasaje del capitalismo al socialismo podría soslayar ese viraje radical. 

Las clases dominantes no resignarán sus privilegios y cuentan con poderosos dispositivos estatales para garantizar sus ventajas. Lenin subrayó que la revolución constituía un acto (o proceso) ineludible, para avanzar hacia un estadio pos capitalista. La validez de ese postulado persiste, aunque la dinámica para ponerlo en práctica haya cambiado.

Esa modificación obedece, ante todo, a la ofensiva patronal que consolidó el neoliberalismo, con la precarización del empleo y la destrucción de conquistas sociales. El desplome de la URSS afectó, además, la vieja expectativa en un devenir socialista y la generalización de los sistemas constitucionales, alteró adicionalmente la dinámica política.

Otra importante mutación se verificó en la intensidad de la intervención popular. Esas respuestas no se diluyeron, ni perdieron gravitación, pero las explosiones revolucionarias fueron sustituidas por grandes rebeliones. Ese cambio fue muy visible en América Latina y se corroboró en la Primavera Árabe y en las revueltas de Europa.

Estas diferencias han distinguido, tanto a la primera oleada de rebeliones del siglo XXI (Venezuela, Ecuador, Bolivia y Argentina), como a la marea posterior (Bolivia, Chile, Colombia, Perú), de las revoluciones en Cuba o Nicaragua en la centuria pasada.

Los levantamientos contemporáneos expresaron la indignación popular y el anhelo de producir cambios drásticos, pero no incluyeron las construcciones paralelas al Estado, las formas de poder popular o los desenlaces militares, que caracterizaron a las revoluciones. No emergieron sóviets, ejércitos o comunas que desafiaran abiertamente la dominación capitalista.

Lenin fue muy sensible a esa escala de las sublevaciones. Diferenció los períodos de activa resistencia de las etapas (o coyunturas) pre revolucionarias, revolucionarias y pos revolucionarias. Manejó con mucha cautela y seriedad esas categorías.

La mera descripción de los levantamientos actuales no clarifica su dinámica. El espíritu leninista induce a observarlos con entusiasmo, pero el realismo leninista convoca a evaluarlos con la mayor objetividad posible.

CAPITALISMO Y SOCIALISMO

La crisis final del capitalismo que Lenin entrevió y explicitó en numerosas oportunidades constituía una percepción válida en su época. Presenció la catástrofe bélica y el derrumbe de varios imperios, en medio de explosiones revolucionarias, con protagonismo de la clase obrera y enorme influencia de las ideas socialistas, comunistas o anarquistas entre los trabajadores. 

El líder bolchevique nunca evaluó el estado de salud del capitalismo con patrones meramente económicos. Su mirada se ubicaba en las antípodas de esos diagnósticos, que eran muy frecuentes entre los socialdemócratas de su era. Estimaba próximo el colapso del capitalismo, por la corrosión que afectaba a ese sistema en múltiples planos. Cuando en los últimos años de su vida observó el reflujo de la marea revolucionaria en Europa, ajustó también su diagnóstico del capitalismo.

En el siglo XX, ese sistema atravesó por distintas etapas de recomposición y crisis, junto a coyunturas de estabilización y colapso. Su continuidad actual tiene catastróficas consecuencias para la sociedad, pero esos efectos no determinan rumbos de dinámica terminal, ni fechas predeterminadas de extinción. 

Una lectura leninista del capitalismo justamente subraya que su desaparición no será un fenómeno endógeno, determinado por el agotamiento de las fuerzas productivas. Los únicos sepultureros del sistema serán sus víctimas y ese entierro requerirá una acción política,asentada en la convicción de superarlo con un modelo socialista.

En la centuria actual, el capitalismo genera las mismas tragedias que suscitaba en los años de Lenin.Basta con registrar la magnitud del desastre climático,para notar hasta qué punto opera como un régimen explotador y depredador. Pero ni siquiera por esos terroríficos impactos planetarios, el capitalismo colapsará por sus propios desequilibrios internos. Será erradicado cuándo un sujeto social transformador comande su reemplazo.

El desplome financiero del 2008 confirmó ese curso, al ratificar que una crisis económica intrínseca no genera de por sí la extinción del capitalismo. El modelo neoliberal, globalizado, financiarizado y precarizadorcondujo a un derrumbe potencial de inédita escala. Colapsaron las Bolsas, se desplomaron los bancos y las empresas dejaron de operar, pero el sistema finalmente sobrevivió mediante un rescate estatal.

El capitalismo se mantuvo en pie por la ausencia de fuerzas políticas embarcadas en su erradicación. De esa carencia ha emergido el modelo de inédita desigualdad y explotación, que actualmente encabezan los milmillonarios del mundo digital.

La expectativa de Lenin en un rápido avance del socialismo se consolidó con el surgimiento de la Unión Soviética. Esa esperanza persistió durante la mayor parte del siglo XX, alimentada por victorias de otras revoluciones y por la constitución de un campo autodenominado socialista, que albergó a una tercera parte del mundo.

Esa perspectiva sufrió un drástico revés con la implosión de la URSS, porque ese desplome generó un quiebre en la conciencia socialista transmitida de una generación a otra. El acervo comunista que inauguró el bolchevismo y enriqueció China, Vietnam o Cuba quedó seriamente afectado por la regresión política que introdujo el fin de la Unión Soviética.

La ultraderecha actual ha buscado reforzar ese deterioro con una paranoia anticomunista, que incluye la diabolización de Lenin. Pero el paradójico resultado de esa campaña es la novedosa reaparición de una agenda con matices socialistas. 

El propio macartismo enceguecido de los grupos autoritarios contribuye a reinstalar el proyecto poscapitalista. Como sitúan a todos sus adversarios en el ignominioso universo del socialismo, tienden a suscitar una espontánea simpatía hacia ese ideal, entre las víctimas de sus agresiones. Los afectados frecuentemente desconocen la historia, el contenido o los propósitos del socialismo. Para ellos, lo ocurrido con la Unión Soviética es un acontecimiento del pasado, tan lejano como cualquier otro episodio del siglo XX.

Lo sucedido con el nuevo alcalde Mamdani en Nueva York es ilustrativo de este viraje. El impetuoso candidato a ese cargo se presentó con la orgullosa etiqueta de socialista y conquistó la administración de esa monumental ciudad norteamericana. No sólo respondió a la campaña trumpista manteniendo en alto su perfil socialista, sino que asentó esa impronta en encuestas, que confirmaron el favoritismo local por el socialismo. El retorno de Lenin comienza a despuntar por inesperados caminos.

GOBIERNO Y PODER

Las diferencias que distinguen al escenario actual del prevaleciente en la época de Lenin, inducen a considerar estrategias de la izquierda amoldadas a un nuevo contexto. El líder bolchevique justamente convocaba a rechazar las fórmulas preestablecidas, para buscar políticas que permitan avanzar hacia el socialismo, en el marco específico de cada era.

En el período actual, ese rumbo transita por ganar el gobierno y disputar el poder militar, mediático, económico y judicial, en una larga batalla que signada por triunfos de la izquierda en las urnas. Se ha corroborado que ese paso otorga legitimidad para avanzar hacia otros terrenos. Es un debut frecuente, pero no invariable. El chavismo (y sus análogos del Sahel africano) no comenzaron por ahí. Pero sólo los triunfos en los comicios aportan consistencia para los desafíos subsiguientes.

Con esas victorias, las fuerzas socialistas tan solo acceden a un pequeño eslabón del poder real, que las clases capitalistas detentan a través de su manejo del Estado. Al cabo de tantos años de gimnasia electoral, salta a la vista en América Latina la enorme distancia que separa al gobierno del poder. 

Con el éxito en el sufragio se accede (en el mejor de los casos) a la presidencia, los ministerios y a cierto sostén parlamentario. Desde esas instancias se puede comenzar una transformación radical, si existe plena consciencia que el poder sustancial se localiza en otros ámbitos y que su conquista requiere desplegar una batalla frontal para manejarlos. 

Las clases dominantes no resignarán ese control a los sectores populares, que deberán avanzar hacia la captura de esos resortes por múltiples vías. En esa disputa se juega la posibilidad de iniciar un proceso de emancipación.

La batalla exige, ante todo, una transformación democrática integral del sistema político, para que los ciudadanos conquisten un verdadero poder de decisión. Se ha verificado que la Asamblea Constituyente es un paso decisivo, para ampliar los restringidos derechos de los regímenes políticos actuales. 

Las experiencias exitosas abren compuertas para ese viraje (Venezuela, Bolivia, Ecuador), pero no garantizan su continuidad. Los episodios fallidos (Argentina, Brasil, Chile) introducen un freno, que obstruye de entrada el camino hacia el poder.

Los triunfos electorales y la secuencia intensa de votaciones, crean el escenario para comenzar la democratización. Ensanchan el alcance del sufragio a otrosámbitos y auspician nuevas formas de institucionalidad,cuya performance no está predeterminada. Los modelos políticos se configuran al calor de las luchas populares y siempre adoptan modalidades inesperadas.

Pero en todos los casos, el motor de estas transformaciones es el poder popular construido desde abajo, mediante la acción directa, la movilización y laparticipación activa en la gestación de instancias paralelas y complementarias del sistema institucional. 

Ningún proyecto de la izquierda podrá avanzar, si se desenvuelve en los acotados ámbitos de la institucionalidad burguesa. Esa estructura perpetúa la dominación de las clases capitalistas y el amoldamiento a esa restricción, consolida el estatus quo, sepultando losproyectos de transformación social. 

Lenin insistió en este presupuesto de la lucha por el socialismo. Subrayó la naturaleza capitalista del Estado y la insoslayable necesidad de transformar radicalmente a esa entidad, para abrir el sendero hacia otra sociedad.

Pero descreía también de la mera copia del curso seguido en Rusia. Alertó especialmente contra la simplificada ingenuidad de repetir el rumbo de los sóviets y resaltó la importancia de las tradiciones parlamentarias en Europa Occidental. En esa región, las elecciones periódicas ya estaban incorporadas a la vida política corriente. 

El líder bolchevique polemizó con sus colegas comunistas que omitían ese dato y señaló la conveniencia de apuntalar gobiernos de los trabajadores, surgidos del sufragio a través de coaliciones socialistas. Debatió incluso la postura a seguir en la eventualidad de ofertas ministeriales en esas administraciones. 

Para Lenin, los sóviets podían complementar y acelerar la trayectoria de procesos inaugurados por victorias en las urnas. Anticipó con esas observaciones un curso de singular vigencia en el siglo XXI.

En ese terreno se verifican complementariedades, con adversarios del propio campo marxista, como Kautsky. El dirigente soviético enjuició acertada y duramente a ese oponente, por su cuestionamiento de la revolución rusa ylo consideró un renegado de la causa socialista. Pero utilizó esa calificación de desertor, porque anteriormente formaba parte de la propia familia. Fue un colega de Lenin en la batalla contra el social-liberalismo de Bernstein y hasta 1910 era ponderado como el principal referente delmarxismo.

Las miradas que aportó Kautsky en ese período son provechosas para el escenario actual, porque auspiciaban un programa muy radical para llegar electoralmente al gobierno y avanzar hacia el poder, introduciendo laplanificación de la economía y la organización de milicias obreras. Proponía una administración superadora del corporativismo, que incluyera al grueso de la ciudadanía y advertía la necesidad de responder con la fuerza a la previsible reacción de la burguesía. 

Su modelo fue retomado por la III Internacional, con propuestas de gobierno de los trabajadores para los países del mundo occidental con arraigada institucionalidad. Este legado aporta pistas de interés para la actualidad

RITMOS Y ACELERADORES

El nuevo escenario introduce temporalidades más prolongadas que las avizoradas por Lenin, para avanzar hacia el socialismo. El creador de la Unión Soviética concebía una trayectoria de aceleradas mutaciones en lapsos cortos, que permitirían una dinámica simultánea de acceso al gobierno, captura del Estado y transformación de la sociedad. La percepción de ese vertiginoso desenlace, se asentaba en el efecto internacional de la revolución en Rusia. Lenin suponía que ese triunfo suscitaría dinámicas semejantes en el resto del mundo. 

El socialismo era imaginado por todos los militantes comunistas, como un devenir próximo y alcanzable en pocas generaciones. Esa expectativa no se efectivizó, pero tuvo sólidos indicios de aproximación en la segunda mitad del siglo XX y retrocedió con la implosión de la URSS. 

Nadie sabe si una trayectoria semejante volverá a resurgir en el futuro. Esa ausencia induce a concebir el proyecto socialista en lapsos más prolongados, que losprevistos a principios del siglo XX. Conduce a reforzar la estrategia de concebir en cada país, proyectos específicos de la izquierda para acceder al gobierno, manejar el Estado y transformar de la sociedad. Son tres instancias diferenciadas, que suponen distintos pasos para avanzar de un ámbito al otro. No existe una receta común para ese trayecto, pero si un rumbo general compartido. 

Como las cortas temporalidades que estimaba el líder bolchevique no están a la orden del día, el escenario actualinduce a retomar las categorías de Gramsci. El dirigente italiano aportó conceptos de largo plazo, extendiendo las nociones que Lenin desenvolvió para las coyunturas. Lassituaciones revolucionarias que indagaba el líder bolchevique fueron reconsideradas por Gramsci como crisis orgánicas. El teórico sardo observó el sustrato más pausado y sinuoso de los vertiginosos contextos disruptivos, analizados por su compañero ruso.

Esa atención por los procesos largos, tiene su correlato en la estrategia socialista de desgaste y en la conquista de la hegemonía, que Gramsci postuló diferenciando las trasformaciones en el Estado y en la sociedad. Nunca concibió esas trayectorias en la clave socialdemócrata de eternización del capitalismo, que supusieron muchos intérpretes de su obra. Gramsci mantuvo siempre una estrecha sintonía con el proyecto leninista de erradicar el actual sistema de explotación. Es importante registrar esa complementariedad, para evaluar con una lente política leninista, las semejanzas del contexto actual con el panorama percibido por Gramsci.

Los procesos que en pasado debutaban con logrosrevolucionarios, en el marco contemporáneo se perfilancomo un efecto de exitosas revueltas. El sustento inmediato del cambio radical en organismos de poder popular, podría ser anticipado ahora por victorias electorales. Esta ampliación de la secuencia, no modifica la trayectoria de la ruptura que exige el salto hacia el socialismo. La revolución puede ser precedida por rebeliones, pero debe irrumpir en algún momento, para consagrar el pasaje del control popular del gobierno al manejo directo del Estado.

Ese viraje es irrealizable, sin acciones revolucionarias que impongan el reemplazo del poder burgués. También la llegada de la izquierda al gobierno puede seguir los senderos clásicos de una elección, pero la gestación de otro Estado es inconcebible por un continuado tránsito por ese sendero. El despunte de la nueva sociedad, solo podráasentarse en el poder popular directo de las comunas o asambleas, que Lenin conceptualizó a la luz de los sóviets.

Ese viraje presupone un proceso de radicalización, que Lenin observaba con una óptica semejante a Trotsky.Ambos pensadores recogieron esa mirada de Marx, que fue posteriormente compartida por Mao, Ho Chi Minh,Fidel y todos los lideres comunistas, que transformaron laresistencia antiimperialista en cursos de gestación socialista. 

La acepción específica de ese rumbo -que Trotsky interpretó como una revolución permanente- tuvo varias confirmaciones positivas en el siglo XX. Se corroboróque, en ciertos países subdesarrollados, las ansiadas metas democráticas, agrarias o nacionales que impulsan la revolución, sólo pueden alcanzarse mediante una dinámica ininterrumpida de mutaciones socialistas.

Pero los cambios registrados en el espectro contemporáneo de esos países, exigirían una gran redefinición de ese principio. Más problemática es la aplicación de ese concepto al escenario no revolucionario que impera en la actualidad. Las mismas prevenciones se extienden al Programa de Transición, que Trotsky concibió en la catastrófica era de la entre guerra. El puente entre lo que demandan los trabajadores y rechazan los capitalistas, no reproduce en la actualidad las secuencias de esa época. El contexto actual exige focalizar la atención en otros campos.

LOS ÁMBITOS DE LA DISPUTA

La propuesta de combinar los sufragios convencionales periódicos, con distintas formas de democracia directa para pavimentar un proyecto socialista,es una enseñanza de tendencias potenciales de las últimas décadas. No es presupuesto abstracto. Se ha corroborado -especialmente en América Latina- que las crisis generadas por colapsos económicos, desplomes políticos o levantamientos populares, suelen desembocar en nuevas elecciones que interpelan a la izquierda. 

Los chantajes, proscripciones, manipulaciones yfraudes que rodean a esos comicios, no anulan su centralidad y tampoco la ascendente deserción de los votantes reduce su gravitación. El marco político sigue siendo distinto al que imperaba en la época dictatorial de Batista, Videla o Pinochet. Y por esa razón mantiene su vigencia la estrategia de acceder electoralmente al gobierno para disputar el poder.

Lo que se ha tornado más visible son los ámbitos del poder real, que rodean al sistema político y cuyo manejo resulta indispensable para construir una sociedad igualitaria. 

El poder militar define, ante todo, quién maneja los resortes de cada país. Qué ya no existan dictaduras explícitas como en el pasado, no reduce la preeminenciade las Fuerzas Armadas. En cualquier situación límite, la intervención de los gendarmes inclina la balanza. La derecha no ha podido con Venezuela por la lealtad del ejército al proyecto bolivariano y pudo reconquistar el gobierno de Bolivia, Ecuador o Perú por el control estadounidense del alto mando.

El poder judicial ha exhibido un inédito protagonismo político. Instrumenta operativos de Lawfare en forma sistemática, para erosionar a los gobiernos progresistas. Recurre al montaje de la corrupción para implementar esos operativos, con una doble vara de enjuiciamientosguionada por los grupos capitalistas. Los tribunales operan como un poder subterráneo que acorrala a los legisladores, intimida a los ministros y chantajea a los presidentes, hasta imponer la agenda que definen los dueños de las tierras,las minas o las empresas de cada país. 

La derecha que controla ese dispositivo, ya instauróla norma de encarcelar a los mandatarios adversos. Ningún proyecto popular puede despuntar sin democratizar esa justicia y sin anular los privilegios cuasi feudales, que detenta el alto funcionariado de los tribunales.

Una gravitación aún mayor ha demostrado el poder mediático, que manipula la información, a través de la prensa, la televisión y las redes sociales. Por esos canales transmite la ideología que configura la mirada corriente ylos prejuicios de gran parte de la población. Recurre a un bombardeo cotidiano para responsabilizar a los gobiernos progresistas por las penurias diarias, mientras exculpa a los poderosos de esas adversidades. Los medios de comunicación hegemónicos han reforzado el imperio de la mentira, sepultando en su esfera los últimos vestigios de profesionalidad del periodismo.

La izquierda siempre disputa en minoría en ese ámbito y no puede hacer valer un mínimo de información veraz, sin introducir una drástica democratización de ese campo. Necesita imponer leyes que equilibren el poder de la prensa y regulen el funcionamiento de las redes sociales. Esos desafíos en el plano judicial o mediático presentan una envergadura muy superior a la época de Lenin.

Pero la centralidad de la economía como principalcampo de batalla, mantiene una gravitación semejante a la centuria pasada. Allí se concentra el poder capitalista, con la misma contundencia que en la era del líder bolchevique. 

En ese ámbito hay cambios significativos en elsendero de transformación, que fueron anticipados por el propio Lenin. El forjador de la URSS propició el reemplazo de un modelo de planificación total, impuesto por la emergencia bélica (Comunismo de guerra) por un esquema combinado de regulación estatal, con alta incidencia del mercado (Nueva Política Económica). 

Ese esquema de la NEP ha sido exitosamente retomado por China, para protagonizar el mayor desarrollo productivo de la era contemporánea. Beijing adoptó los principios de mixtura de la primacía estatal con lacomplementación mercantil. Su versión está muy distanciada del curso avizorado por Lenin, en la medida que incluye la presencia de una clase capitalista que extrae plusvalía, expande beneficios y acumula capital. Pero el cimiento general de largo plazo es semejante.

La NEP de Lenin es igualmente inspiradora de la dinámica que podrían seguir los procesos de transformación en América Latina. Es un modelo que prioriza los cambios en los sectores estratégicos de cada país. Allí resulta indispensable la propiedad estatal. En otros ámbitos debería prevalecer una coexistencia con segmentos mercantiles y capitalistas bajo el comando delEstado. La convivencia, negociación y disputa con el sector privado es un ingrediente de la paulatina construcción de un proyecto poscapitalista.

REFORMA Y REVOLUCIÓN 

La estrategia esbozada en esta actualización de Lenin,presupone una mirada de la reforma y revolución, como dos procesos continuos que se complementan e integran sin oponerse. Las conquistas dentro del sistema permiten afianzar la confianza popular en sus propias fuerzas, preparando a los sujetos para las acciones radicales que exige la superación del capitalismo. 

Los trabajadores son los artífices de ambos hitos, sin que nadie pueda anticipar cuántas y cuáles serán las reformas compatibles (e incompatibles) con el escenario imperante. Ese interrogante quedará zanjado en la propia lucha, en un marco de grandes sorpresas. Hay reformas muy pequeñas, que pueden precipitar el estallido del sistema y otras muy profundas, que pueden ser absorbidas por el orden vigente. Ese desemboque depende del contexto económico y de la confrontación clasista. 

El marco keynesiano de derrota del fascismo e ímpetu del socialismo en los años del Estados de Bienestar, fue radicalmente distinto al escenario neoliberal de unipolaridad y ofensiva patronal de las últimas décadas. La variabilidad de esos universos imposibilita conocer con antelación, cuáles son los procesos de reforma que podrían devenir en dinámicas revolucionarias.

Lenin coincidía con Luxemburgo en la complementariedad de ambos procesos y en el rechazo a oponerlos en forma abstracta. Subrayó la primacía de una u otra dinámica en distintas coyunturas. Las dos figuras apuntaron a forjar una consciencia popular revolucionaria, a partir de la experiencia acumulada con los logros reformistas. Resaltaron en común que esas convicciones eran indispensables para afrontar los momentos de quiebre del capitalismo

Los teóricos marxistas contemporáneos, como Bensaid, que siguieron y enriquecieron esas pistas,desarrollaron un programa de reformas no reformistas para recrear la perspectiva revolucionaria. Con miradas del mismo tipo, Poulantzas destacó la compatibilidad de la batalla en el marco institucional con las luchas sociales que retroalimentan los triunfos electorales de la izquierda.

El estudioso griego destacó que en esa combinación de confrontaciones dentro y fuera del Estado, esimportante distinguir la ampliación de conquistas en la esfera pública, del fortalecimiento del Estado como ente de opresión. Señaló que los logros en el primer terreno son claves para la disputa por el poder en las distintas áreas del Estado. También aquí Lenin fue enriquecido con observaciones gravitantes para el siglo XXI.

Una pertinencia de la misma índole tiene el legado de los teóricos austro-marxistas, que en la misma época de Lenin protagonizaron los éxitos municipales de “Viena la Roja”. Esa experiencia fue el primer antecedente de gestión de la izquierda de grandes concentraciones urbanas. Su modelo operó de hecho como una referencia,para el manejo de varias ciudades latinoamericanas en las últimas décadas. El mismo esquema ha cobrado nuevarelevancia, con el impactante triunfo del candidato socialista a la alcaldía de Nueva York. 

Ese éxito de Madmani es el primer contrapeso significativo a la oleada ultraderechista, en las grandes metrópolis del Primer Mundo. Confrontó y desbarató el chantaje de Trump, con un discurso de oposición al magnate. Defendió a los inmigrantes y propuso la implantación de impuestos progresivos, reivindicando además la causa palestina. 

En una alianza de la izquierda radical y liberal,Madmani logró canalizar el rechazo al establishment Demócrata, movilizó una nueva base juvenil y trabajadora, integró la creatividad de las redes con la militancia callejera y recuperó figuras de la historia socialista de Estados Unidos. 

Sus antecesores del austro-marxismo mantuvieron fuertes tensiones con Lenin, que objetó la ausencia de voluntad revolucionaria de esa corriente, para seguir el camino inaugurado por la URSS. Pero esas falencias, no anulan otras fructíferas elaboraciones de ese sector. Particularmente importantes fueron sus propuestas de pavimentar caminos al socialismo, combinando el parlamento con los consejos obreros. 

Postularon un sendero para llegar al gobierno a través de las elecciones y otro para sostenerlo ulteriormente, mediante una variedad de la democracia integrada. Ese rumbo contiene parentescos con la experiencia en curso en Venezuela. Ese país se ha transformado en un relevante laboratorio para concebir dinámicas socialistas.

En respuesta a las conspiraciones de la derecha, las agresiones del imperialismo, las sanciones económicas y las campañas golpistas, ha emergido allí una singular combinación de la democracia representativa y participativa. 

Las instituciones convencionales coexisten con las comunas, como dos instancias de gestión por arriba y por abajo. Mixturan el sufragio periódico y la delegación a los legisladores, con la intervención directa del poder comunal. Ya es un proceso de varias décadas, en medio del estado de excepción y la amenaza de invasión imperial. Esa experiencia permite evaluar en la práctica,los méritos del modelo austro-marxista que Lenin observó con interés.

EXPERIENCIAS, SUJETOS, ORGANIZACIONES

La disputa por el poder militar, judicial, mediático y económico es la meta central de un acceso de la izquierda al gobierno por la vía electoral. Si ese propósito no es reconocido, enunciado y explicitado con gran intensidad previa, el triunfo en los comicios será sucedido por una frustración política. 

Ese fracaso puede ser inmediato, pausado o demorado, pero es un desemboque inexorable, porque la renuncia a conquistar el poder conduce a convalidar el estatus quo. Esa deserción provoca el desengaño de la población previamente ilusionada con las promesas de la izquierda. 

Todas las experiencias negativas del progresismo en América Latina han derivado de esa renuncia a batallar por el poder, luego de llegar al gobierno.

La inoperancia y esterilidad de gran parte de esas administraciones fue el corolario de su impotencia defensiva, justificada con discursos institucionalistas. Esa retórica reforzó su aprisionamiento a la inmovilizadora telaraña del sistema político burgués.

En esa incapacidad del progresismo se ha montado la ultraderecha para retomar la iniciativa. Del fracaso de Alberto Fernández, Dilma, Boric o Castillo surgieron Milei, Bolsonaro, Katz y Boluarte. Por los mismos desengaños con el progresismo neoliberal estadounidense despuntó Trump y por las desilusiones con la socialdemocracia emergieron Le Pen, Meloni y Farage.

Toda la obra de Lenin es una advertencia contra esos efectos y su relectura tiene una enorme pertinencia actual, para desenvolver una batalla política sistemática contra el progresismo. El líder bolchevique fue la contracara de esa corriente y demostró que el debate constante con ese sector permite forjar una izquierda consecuente. Solo esa construcción superadora permitirá encauzar las próximas rebeliones hacia un camino de triunfo.

El sujeto social de esa transformación es otro tema en debate. Lenin apostaba al protagonismo del proletariadoindustrial y derivó esa gravitación del liderazgo que exhibía la clase obrera rusa en la batalla contra el zarismo. Registraba el mismo peso abrumador de los trabajadores fabriles en las luchas sociales de Europa. 

Nunca dedujo esa primacía de un mero presupuesto teórico. Se mantuvo muy atento a la realidad y no vaciló en denunciar, por ejemplo, el rol regresivo de los sectores mejor pagos del proletariado inglés. Preservó una mirada flexible sobre las fuerzas sociales ubicadas a la vanguardia de la confrontación. Observó cómo se dirimía en la práctica ese liderazgo. 

En Lenin ya estaba presente la crítica a la sociología del sujeto transformador privilegiado, que obnubiló a importantes sectores de la izquierda durante el siglo XX. Esa tradición dogmática quedó refutada por la incidencia dominante del campesinado, en las gestas revolucionarias de China y Vietnam y fue confirmada por la gran variedad de protagonistas populares en las sublevaciones de África y América Latina.

Las transformaciones del capitalismo contemporáneo han ratificado esa plasticidad. Se ha conformado una clase trabajadora ampliada con todos los individuos que viven de su trabajo, sometidos relaciones laborales de explotación formal y precarizada. 

La influencia política de la izquierda sobre estos sectores, ya no presenta los nítidos cortes del sociales del pasado. Basta observar la incidencia de la ultraderecha entre los segmentos industriales, para corroborar esavariabilidad. Hay que evaluar estas mutaciones con la perspicacia de Lenin, archivando todos los vestigios de cerrazón, que oscurecen la comprensión de la realidad contemporánea.

Con la misma óptica hay que revisar la rígida asociación, que habitualmente se establece entre Lenin y la construcción de un partido centralizado, vertical y disciplinado. Se observa en forma equivocada a esa fórmula como un dato invariable.

En los hechos, ese modelo correspondió a la batalla clandestina contra el zarismo y fue naturalmente repetido en las gestas contra las dictaduras de Asia, África y América Latina. Mantiene su vigencia para todos los escenarios de confrontación militarizada. 

Pero el propio Lenin subrayaba la diferencia del escenario ruso con el contexto alemán y sugería también el ingreso de los comunistas al laborismo inglés. No propiciaba un formato único de organización política. Tan solo remarcaba la necesidad de sólidos agrupamientos para superar las limitaciones de la lucha social. 

Lenin destacaba que ese último ámbito permite conquistas significativas, pero es insuficiente para batallar por una sociedad igualitaria. Ese proyecto requiere forjar una conciencia socialista entre los trabajadores, que se desenvuelve a través de la acción política. La forma peculiar de la organización que condensa ese proceso es un tema abierto y amoldado al contexto de cada país.

ORGULLO Y MELANCOLÍA 

Lenin es una fuente de incontables aprendizajes, si es leído con el ojo puesto en la ocurrido desde su fallecimiento. Esa óptica transita por jerarquizar a los autores marxistas que han actualizado la estrategia socialista.

El gran barómetro de esa evaluación es la factibilidad de las políticas en debate. Lenin era frontalmente hostil a cualquier razonamiento divorciado de esa aplicabilidad. Se sentiría totalmente extraño frente a un homenaje de su obra, que exaltara el socialismo como un proyecto anhelado pero irrealizable. No habría soportado que se enalteciera a la revolución, como un episodio tan memorable como carente de viabilidad.

El líder bolchevique era ajeno a la mera descripción de los acontecimientos y muy reacio a proclamar, en forma desconsolada, la inexistencia de alternativas. Estimaba que, si esas opciones no estaban la vista, habría que buscarlas en las fuerzas subyacentes. Y habría sugerido recurrir a otras fuentes de inspiración, si las concepciones utilizadas para descubrir esas tendencias eran inapropiadas. 

Sin esa libertad de pensamiento para indagar los caminos de la emancipación, no hay forma de batallar contra el capitalismo, resucitando el entusiasmo de las nuevas generaciones. 

El líder bolchevique se ubicaba en las antípodas de los melancólicos de izquierda, que exaltan con amargura su derecho al desencanto, cómo si ese pesimismo aportara alguna contribución al entendimiento o a la transformación de la realidad. Nuestro Lenin no rehúye los tremendos obstáculos del proyecto emancipatorio, pero propone remontarlos con reflexión, militancia y convicciones comunistas.

RESUMEN

La relectura de Lenin contribuye a comprender la naturaleza imperial de las confrontaciones bélicas, la centralidad del antiimperialismo y la batalla contra la ultraderecha. Permite notar que las rebeliones actuales divergen de las revoluciones precedentes, que el capitalismo afronta otros desequilibrios y que el socialismo repunta en la adversidad. También esclarece la estrategia de llegar al gobierno para disputar el poder con radicalización y nuevas temporalidades, en la confrontación militar, judicial, mediática y económica. 

El socialismo municipal y las Comunas mixturadas con el Parlamento pavimentan la combinación de reforma con revolución. La izquierda despunta en polémica con el progresismo y con sujetos sociales y organizaciones políticas variadas. Necesita retomar la convicción y archivar la melancolía.

Em

Observatorio de la crisis

 https://observatoriocrisis.com/2025/12/21/lenin-en-el-siglo-xxi/

21/12/2025