terça-feira, 18 de junho de 2019

O Lava Jatismo se resume a Sérgio Moro?




Luís Fernandes

Os recentes vazamentos de diálogos e áudios entre o ex-juiz Sérgio Moro
e membros da Operação Lava Jato desnudam, cada vez mais, a seletividade
e orientação política dessa operação e o seu conluio com diversos
setores da grande mídia, em especial a Rede Globo e, até mesmo, com
membros do STF. A imagem de Sérgio Moro passou a ser amplamente
questionada para além do limitado espectro da esquerda política, mas até
mesmo, por políticos de direita, oligopólios midiáticos (antes
apoiadores) e empresários. Tal fato deve ser comemorado, afinal tais
documentos comprovam amplamente as denúncias que grande parte dos
movimentos populares e partidos de esquerda faziam sobre a operação.
Além disso, Moro, como nas palavras do procurador da república e seu
seguidor político Deltan Dallagnol, é o grande líder que despontou a
partir dessa operação.

No entanto, ainda predomina a crítica, à direita e à esquerda, de que o
grande problema da ação de Sérgio Moro seria o seu desvio institucional,
sua imparcialidade como juiz e sua promíscua relação com a operação que,
sem dúvida, mais parece a ação de conspiradores. Esses elementos são
importantes para a crítica, mas se apenas se resumirem a isso não iremos
desnudar e compreender a raiz social, econômica, política e jurídica do
dito combate à corrupção no país.

Para início de conversa, ao estudarmos os depoimentos, vazamentos,
documentos e informações divulgadas pela Lava Jato, constatamos um
complexo e longínquo sistema de corrupção nas entranhas do capitalismo
brasileiro. Segundo o historiador Pedro Henrique Campos[1], a associação
promíscua entre as empreiteiras nacionais e o Estado brasileiro tem suas
origens na acumulação desenvolvimentista do capitalismo nacional,
passando por JK e se ampliando sob a ditadura empresarial militar. Não
obstante, a maioria das grandes empreiteiras brasileiras foram fundadas
e se transnacionalizaram nesse período.

É notório que o surgimento de movimentos ou a simples instrumentalização
política da corrupção não é algo novo na história brasileira. Movimentos
históricos como o tenentismo, a oposição ao getulismo, a eleição de
Jânio Quadros, o golpe de 1964 e o impeachment de Fernando Collor de
Mello tiveram a crítica à corrupção como uma de suas pautas, se não a
principal. Além disso, ao contrário do que se propaga por alguns
aparelhos privados de extrema direita, a relação promíscua entre
monopólios privados e governos não começou durante os governos do PT[2].

Em novembro de 2015, em pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada
pelo jornal Folha de São Paulo, a corrupção era vista como principal
problema do país na opinião dos 34% dos entrevistados, à frente de
temáticas como segurança, emprego, saúde e educação. O levantamento foi
realizado logo após a prisão do pecuarista José Carlos Bumlai – amigo do
ex-presidente Lula – e simultaneamente às prisões do senador Delcídio do
Amaral (PT-MS) e do banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, todas
decretadas pela Lava Jato. Além disso, cresciam as pressões pelo
impeachment da presidente Dilma Roussef, assim como a cassação do então
presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

A atual crise brasileira, aberta em 2013, se potencializou através da
ascensão de uma nova coalizão de direita ao poder. Uma crise que combina
aspectos institucionais, políticos e econômicos. Se a recessão e a
estagnação econômica não são as mais profundas da nossa história
econômica, a recuperação do PIB pós crise já é a mais lenta. No bojo
desse cenário, emergem inúmeros debates acadêmicos e políticos que
perpassam a questão do “combate à corrupção”. A Operação Lava Jato, o
desmantelamento da Petrobras e das transnacionais brasileiras, em
especial no ramo da construção civil, o impeachment da presidente eleita
Dilma Roussef, a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva e o seu impedimento
para concorrer às eleições presidenciais, o governo Temer e os novos
rearranjos institucionais e econômicos promovidos pelo governo Bolsonaro
colocam a chamada “agenda anticorrupção” como uma das principais pautas
do país.

Identificamos que ainda existe uma grande dificuldade no interior do
campo progressista de conseguir responder politica e teoricamente à
questão contemporânea do “combate à corrupção”. A seletividade,
principalmente da Operação Lava Jato e a judicialização da política [3]
são os principais argumentos críticos entre a maioria das organizações
populares. Por outro lado, num viés mais acadêmico, o jurista Walfrido
Warde (2018) critica a espetacularização do combate à corrupção, através
de um sistema que acaba unindo policiais, auditores, promotores, juízes
e outros membros da burocracia estatal. Segundo o autor, esse sistema
sem planejamento resulta na demolição da economia e desestabilização
política. Já para o historiador Moniz Bandeira, o “combate à corrupção”
faria parte de uma estratégia do imperialismo norte-americano, a fim de
recuperar e manter sua hegemonia. Bandeira aponta os vínculos
ideológicos e materiais entre juízes brasileiros, parte da classe
dominante brasileira e ONGs com o Departamento de Estado dos EUA (PT NA
CÂMARA, 2016).

Essas abordagens, acadêmicas ou não, revelam uma argumentação crítica
concentrada em questões jurídicas, políticas e geopolíticas do tema da
corrupção. A máxima iluminista de que a corrupção é a apropriação do
público pelo privado faz com que ela seja encarada como um elemento
a-histórico e inato a todo e qualquer processo social e político. E
mais: o grande produtor da corrupção seria o Estado e a “política”,
legitimando toda a propaganda neoliberal. No Brasil, o principal
conceito sociológico e histórico difundido, que busca explicar a
corrupção estrutural, é o patrimonialismo. A temática do
patrimonialismo, extraída de fundamento originário do pensamento
político de Max Weber, no Brasil, assumiu inúmeras formas presentes na
obra de historiadores e cientistas sociais, como Sérgio Buarque de
Holanda, Raymundo Faoro e Oliveira Vianna. Em comum, esses autores
identificam o patrimonialismo como um sistema de dominação tradicional,
e no Brasil, um legado do processo colonial.

Para Buarque de Hollanda (HOLLANDA, 2006), o processo histórico-cultural
resultou num indivíduo médio brasileiro, o “homem cordial”, isto é, um
indivíduo com extrema dificuldade de lidar de forma impessoal e formal
com as relações sociais, pois os laços de pessoalidade e de intimidade –
próprios do ambiente familiar – transcenderiam a esfera privada e
eclodiriam na pública. Segundo o cientista político Raymundo Faoro,
através da sua mais notável obra Os donos do Poder (1977), a explicação
para as mazelas do Estado e da Nação pode ser mais manifestamente
encontrada ao nos debruçarmos sobre o caráter específico da formação
histórica brasileira, em especial sobre seu passado colonial[4]. O
patrimonialismo seria, para Faoro, a característica mais marcante do
desenvolvimento do Estado brasileiro através dos tempos. Esse fenômeno
gerou os estamentos políticos, os verdadeiros donos do poder. O
estamento seria uma camada de indivíduos que se organiza e que é
definido pelas suas relações com o Estado. Conforme Faoro, “os
estamentos governam, as classes negociam”. Os estamentos são órgãos do
Estado, as classes são categorias sociais (econômicas). A corrupção
seria uma das principais formas de reprodução e manutenção dos
privilégios para o estamento político.

Oliveira Vianna (1982), um dos principais ideólogos do Estado Novo,
criticou a importação política e jurídica de modelos europeus para
explicar a realidade brasileira. Além disso, compreendeu que, diante das
particularidades da colonização portuguesa, o indivíduo brasileiro seria
essencialmente individualista, desenvolvendo uma visão de mundo
privatizada. Entre as elites, isso resultaria no “clã político” ou “clã
eleitoral”, uma perspectiva bairrista, desprovida de perspectiva
nacional e coletiva. A corrupção seria instrumento endêmico para a
continuidade desse tipo de patrimonialismo.

Curiosamente, patrimonialismo e corrupção são tratados como elementos
estruturais e legados do passado colonial, não capitalista, no Brasil. O
núcleo fundamental dessas análises seria a formação histórica do
indivíduo social. Numa perspectiva inserida na tradição marxista,
Armando Boito Júnior compreende que a corrupção é um elemento da
ideologia burguesa do Estado, mesmo a burguesia tendo uma relação
ambivalente com a prática de corrupção. Boito Júnior sustenta que é a
classe média, por sua constituição objetiva e subjetiva, que considera a
corrupção como o mal maior da sociedade. No entanto, para o autor, é
flagrante a ausência de reflexões mais aprofundadas sobre a questão da
corrupção entre os marxistas.

Essa ausência repercute em respostas insatisfatórias por parte dos
setores democráticos e de esquerda. O “núcleo individual-punitivo”[5],
para compreender e lidar com a questão da corrupção, continua sendo
reproduzido acriticamente pela maioria da esquerda brasileira. Segundo
Guilherme France, consultor da ONG Transparência Internacional, a pauta
anticorrupção é uma pauta da direita e da esquerda. Segundo o
especialista, apesar de ser uma “questão em comum” entre os diversos
campos políticos, a direita, tradicionalmente, prefere tratar a
corrupção de maneira penal e instrumentalizar a questão, a fim de
defender privatizações e o enxugamento da máquina pública; já a
esquerda, apesar de concordar com as punições, prefere medidas de
controle e participação popular (MACEDO, 2018).

A Transparência Internacional é uma ONG fundada em 1993 e financiada por
grandes corporações e pelo Departamento de Estado dos EUA. Essa
organização tornou-se um símbolo da internacionalização do “combate à
corrupção”. Também em 1993, grandes campanhas anticorrupção foram
lançadas por USAid, Banco Mundial, The Open Society Institute, Nações
Unidas, FMI e OCDE. A Transparência Internacional, atuando em dezenas de
países em todos os continentes, defende os méritos de um governo
transparente, uma “sociedade civil forte” e reformas políticas e
culturais que combatam a corrupção. A filial brasileira dessa ONG virou
a grande referência política do “combate à corrupção”. Durante as
eleições de 2018, a Transparência Internacional, junto a outras cinco
ONGs[6], organizaram o movimento Unidos contra a Corrupção, que lançou
um documento intitulado “Novas medidas contra a corrupção”(UNIDOS CONTRA
A CORRUPÇÃO, s/d).

O documento foi dividido em 12 eixos: sistemas, conselhos e diretrizes
nacionais anticorrupção, participação e controle social, prevenção da
corrupção, medidas anticorrupção para eleições e partidos políticos,
responsabilização de agentes públicos, investidura e independência de
agentes públicos, melhorias do controle interno e externo, medidas
anticorrupção no setor privado, aprimoramento da resposta do Estado à
corrupção no âmbito processual penal e aprimoramento da resposta do
Estado no âmbito da improbidade administrativa e instrumentos de
recuperação do dinheiro desviado. Nele, a corrupção é encarada como algo
sistêmico e o Estado seu principal promotor e gerenciador. O núcleo
individual-punitivo concentra as principais medidas em torno do aumento
de penas e criminalização, enquanto as medidas preventivas e educativas
são norteadas por essa perspectiva geral.

Curiosamente, Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (PSOL), Geraldo
Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e Ciro Gomes (PDT) sinalizaram
apoio ao documento e iniciativa. Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad
(PT) não se pronunciaram, o que despertou críticas na grande mídia
(MILITÃO, 2018). É flagrante a dificuldade de setores críticos,
democráticos e de esquerda formularem sobre a questão para além do
moralismo e de sua instrumentalização política. Para Alysson Leandro
Mascaro (2017), em termos jurídicos, a esquerda brasileira e mundial
reproduz noções juspositivistas, naturalizando a chamada “ideologia
jurídica”, o que resulta numa defesa acrítica e sem conteúdo social da
democracia.

É verdade que movimentos anticorrupção e suas associações
internacionais, dentro e fora do Estado, não se fortaleceram apenas na
atual conjuntura. A perspectiva “contra lavagem de dinheiro e corrupção”
amplia-se concomitantemente ao processo de desregulamentação e hegemonia
financeira do capitalismo internacional. A ausência de regulamentação,
controle social e estatal das transações financeiras em muito
facilitaram a reprodução de capitais oriundos de atividades ilegais,
como o tráfico de armas, drogas, pessoas e comércio sexual. Por mais que
muitos bancos e instituições financeiras dos países imperialistas lucrem
com atividades ilegais, é interessante, por fins geopolíticos e
econômicos, que se reprima (seletivamente) tais atividades, a fim de não
gerar uma burguesia periférica que monopolize esses negócios. Já em fins
dos anos 1980, o G7 criou o FATF (Financial Action Task Force), também
chamado de GAFI (Grupo de Ação Financeira Internacional), uma
organização internacional intergovernamental dedicada à troca de
informações entre as unidades de inteligência financeira dos seus
Estados-membros, e que também exerce um papel normativo/sancionador, ao
expedir recomendações e avaliar o cumprimento delas pelos países.

Desde 1996, a Organização das Nações Unidas (ONU) acrescentou a
corrupção como uma das divisões no escritório das Nações Unidas sobre
drogas e crime (UNDOC). O objetivo do escritório é implementar medidas
que reflitam o resultado das convenções internacionais sobre controle
das drogas, crime organizado transnacional e corrupção. A Convenção das
Nações Unidas contra a Corrupção foi aprovada em 2003 pela Assembleia
Geral dessa instituição. O Brasil foi apoiador e participou de todas as
convenções desde então. Também em 2003, o então Ministro da Justiça,
Marcio Thomaz Bastos, cria a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção
e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA). A ENCCLA é a principal rede de
articulação para o arranjo e discussões em conjunto com uma diversidade
de órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, das esferas
federal e estadual e, em alguns casos, municipal, bem como do Ministério
Público de diferentes esferas, e para a formulação de políticas públicas
voltadas ao combate à corrupção e à lavagem de dinheiro. O Departamento
de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, por
intermédio da Coordenação Geral de Articulação Institucional, funciona
como secretaria executiva da ENCCLA (ENCCLA, s/d, b).

Nos quase 15 anos de funcionamento, a ENCCLA tornou-se o principal polo
de formulação de políticas públicas, cooperação internacional e formação
de agentes públicos no combate à corrupção. Dentre os seus resultados
estão a capacitação de mais de 18 mil agentes públicos, através do
Programa Nacional de Capacitação e Treinamento para o Combate à
Corrupção e a Lavagem de Dinheiro; elaboração de sistemas de TI, visando
à transparência dos órgãos públicos; elaboração do Plano de Diretrizes
de Combate à Corrupção e a proposição de inúmeros anteprojetos e
propostas de alterações a projetos de lei nos seguintes temas:
organizações criminosas, lavagem de dinheiro, a Lei 12.683/12[7],
extinção de domínio (perdimento civil de bens relacionados a atos
ilícitos), prescrição penal, intermediação de interesses (lobby), sigilo
bancário e fiscal, improbidade administrativa, responsabilização da
pessoa jurídica, dentre outros (ENCCLA, s/d, a). Ações e encontros
gerais e dos grupos de trabalho da ENCCLA, em especial para a formulação
do Plano de Diretrizes de Combate à Corrupção, dialogam com organizações
e representantes da “sociedade civil”. Os grupos anticorrupção que mais
aparecem como colaboradores do ENCCLA são a Transparência Internacional
e o Instituto Ethos[8].

A ENCCLA, enquanto espaço de formulação de políticas anticorrupção
também foi uma resposta dos governos petistas, em especial pós-escândalo
do Mensalão, às pressões da oposição à direita, setores do judiciário,
acordos internacionais e grande mídia. Durante os governos petistas, o
caldo cultural anticorrupção na sociedade brasileira era crescente. A
composição do PT com diversos grupos conservadores – a maioria deles
vinculados ao PMDB –, a política de privilégios com as empresas chamadas
de “campeãs nacionais”, a oposição à direita liderada pela grande mídia
(tendo como principal diretriz a questão moral), a institucionalização
dos movimentos populares e, até mesmo, um certo oportunismo eleitoral de
partidos de esquerda ajudaram a contribuir para que existisse um
diagnóstico quase consensual de que a corrupção seria um dos principais
problemas do país.

Em 2010, por inciativa de ONGs e juristas, a Lei da Ficha Limpa foi
aprovada por unanimidade na Câmara Federal e no Senado. Mudaram as
condições de inelegibilidade, acrescentaram exigências e tornaram mais
rigorosos os critérios já existentes. As principais alterações foram:
aumentar o número de crimes que barram candidaturas, não esperar que um
caso criminal transite em julgado e ampliar para oito anos o tempo que
um político fica proibido de disputar um cargo eletivo (após o
cumprimento da pena), caso seja de fato barrado. A pressão por um
aparato legislativo mais punitivo e maior “independência” do Poder
Judiciário e do Ministério Público foram, assim, pautas incorporadas
pelos governos petistas e sua base de sustentação[9]. Desde a primeira
década dos anos 2000, setores do judiciário brasileiro e, até mesmo, da
Polícia Federal firmavam parcerias, cursos de capacitação e troca livre
de informações.

Segundo documento divulgado pelo Wikileaks, em 2009, após a boa
receptividade do seminário sobre “crimes financeiros ilícitos”,
promovido pelo Projeto Pontes (bancado com recursos dos EUA), cursos de
formação em São Paulo e Curitiba foram solicitados por juízes,
promotores e policiais brasileiros, interessados em aprofundar o
conhecimento sobre como, por exemplo, arrancar, de maneira prática,
revelações de acusados de lavagem de dinheiro e outras testemunhas.
Sérgio Moro participou do seminário na condição de palestrante, em
outubro de 2009, expondo, de acordo com o telegrama recebido pelo
governo dos EUA, as “15 questões mais frequentes nos casos de lavagem de
dinheiro nas cortes brasileiras”.

Em 2011, o governo brasileiro se recusou a assinar um tratado na OMC que
apontava pela necessidade de maior transparência nas licitações
públicas. O acordo era restrito a um pequeno número de países europeus e
os EUA. Parte do objetivo do acordo era viabilizar a participação
competitiva de empresas norte-americanas e europeias nas licitações de
prestações de serviços na Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e nos Jogos
Olímpicos, em 2016. O governo brasileiro foi pressionado e a questão
repercutiu na imprensa brasileira (CHADE, 2011)[10].

No bojo deste processo, desde a descoberta das reservas de petróleo no
pré-sal, a Petrobras era um alvo direto da guerra jurídica articulada
pelo imperialismo norte-americano e setores da classe dominante
brasileira em nome do “combate à corrupção”. No Brasil, a política do
governo de promover o avanço da oligopolização da economia nacional,
mediante relações privilegiadas com o governo, gerava fissuras e
disputas políticas, econômicas e regionais interburguesas. Já para os
EUA, era fundamental abrir mais mercados às corporações norte-americanas
para a exploração do pré-sal e outros setores econômicos no Brasil, na
América Latina e África.

Em 2013, os documentos divulgados por Edward Snowden, ex-analista
contratado pela NSA, comprovam a espionagem sobre a então presidente
Dilma, assessores, ministros e diretores da Petrobrás. A resposta da
presidente foi de denúncia na Assembleia da ONU e cancelamento de sua
viagem agendada aos EUA. Após o pedido formal de desculpas do presidente
dos EUA, Barack Obama, Dilma amenizou o tom das suas críticas. Em 2014,
sites nos EUA ofereciam recompensas para que investidores fizessem
denúncias de corrupção da Petrobrás com base na lei FCPA[11] (SILVA
JÚNIOR, 2014).

Também em 2013, em agosto, após a jornada de manifestações de massa no
país, a então presidente Dilma sanciona a lei anticorrupção. A lei
endurece penas por crimes de corrupção no país, criminaliza o “caixa
dois” nas eleições, cria acordos de leniência para empresas etc. Um dia
após sancionar essa lei, Dilma também aprovou, sem vetos, a lei de
organizações criminosas. Nessa última, regulamentava a chamada
“colaboração premiada”, método bastante utilizado pela Operação Lava
Jato. Na época, o Instituto Ethos considerou uma grande vitória e se
orgulhou da mobilização da classe empresarial, desde 2004, quando a ONG
participou do Conselho Nacional de Transparência Pública e Combate à
Corrupção. Além disso, a organização saudou a articulação internacional
em torno da temática que reuniu a UNDOC, o Pacto Global, a Patri
Políticas Públicas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(PNUD) e o Fórum Econômico Mundial (INSTITUTO ETHOS, 2013).

Em 2014, o Ministério da Justiça organiza reuniões do Grupo de Trabalho
sobre Suborno Transnacional da Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Grupo de Trabalho Anticorrupção do
G20. Nessas reuniões, representantes brasileiros falaram dos esforços de
combate à corrupção no país, dentre eles, a Operação Lava Jato, e
requereram ajuda. Os EUA, por meio do FBI, ampliaram a equipe no Brasil
especializada na lei de combate à corrupção no exterior (FCPA), a fim de
facilitar a troca de informações.

A “luta contra a corrupção” aparenta ser um elo importante entre setores
da burguesia brasileira, da burocracia estatal e de interesses do
imperialismo estadunidense no continente latino-americano. Um documento
lançado em 2016, assinado por 23 acadêmicos norte-americanos na América
Latina (dos quais, boa parcela trabalhou no governo Obama), sustentava
que o próximo presidente dos EUA deveria trabalhar com os governos da
América Latina para estabelecer um painel independente de juristas e
autoridades públicas para coordenar a batalha que os países da região
estão travando contra a corrupção nos setores público e privado (U.S.
SCHOLARS WORKING GROUP, s/d). Os graves problemas econômicos
experimentados pelos países da região, em especial na América do Sul,
são apontados como oportunidade para os EUA. Os EUA são os primeiros ou
segundos maiores parceiros comerciais de praticamente todos os países da
região e, diferente da China, importam bens e serviços mais
sofisticados, de modo geral, segundo o documento supracitado. Os
acadêmicos sustentam uma política externa dos EUA mais próxima e
intervencionista, fortalecendo a OEA.

Os impactos da Operação Lava Jato não se encerram exclusivamente no
Brasil, mas avançam para o resto da América Latina. Em 2018, além da
condenação do ex-presidente Lula, outros oito ex-presidentes (ou
ex-vice-presidentes) latino-americanos foram condenados ou já estão
presos, sendo a maioria lideranças de centro-esquerda e com relações
diretas com a expansão do capitalismo brasileiro. No entanto, os efeitos
da operação não se restringem ao universo jurídico, político e
midiático. A partir das investigações e condenações de empresários,
políticos e lobistas, a Lava Jato desencadeou um complexo e acelerado
processo de desmonte, desnacionalização, desestruturação produtiva da
economia nacional e o reforço da hegemonia das atividades financeiras no
processo de acumulação.

Segundo Campos (2019), a operação Lava Jato, a grosso modo, teve como
resultado o rompimento da barreira de proteção que resguardava às
empresas brasileiras de engenharia o mercado doméstico de obras e
serviços. Toda a seletividade criada pelo cartel das empreiteiras caiu
por terra com a fragilização das empresas decorrente das investigações,
punições e exposição pública das firmas. Mesmo após a abertura
neoliberal do mercado em 1991, as maiores construtoras brasileiras
conseguiram manter o controle sobre o mercado de obras públicas do país
nos anos 1990 e 2000. Para a manutenção desse poder, os empresários
usavam a sua força política, sua inserção no parlamento, nas eleições e
junto às agências estatais e todos os métodos ilegais e legais.

Apesar da grande depressão e estagnação da economia brasileira, a partir
de 2015, nenhum ramo econômico foi mais afetado pela crise do que o de
petróleo e gás. A Petrobras e todo o seu arcabouço de cadeias de
produção também foram desmontados.Com exceção dos anos de 1990[12], a
Petrobras historicamente se caracterizou como uma das principais
demandantes das empresas brasileiras de engenharia. Era uma diretriz da
companhia, na maior parte das suas gestões, a valorização de firmas
nacionais para realizar obras como refinarias, oleodutos e plataformas.

Conforme já amplamente denunciado pela Associação dos Engenheiros da
Petrobrás (AEPET), o golpe de 2016 levou à radical reversão da política
no ramo do petróleo. Os casos de corrupção serviram de justificativa
para a retirada da Petrobras da condição de operadora do pré-sal e
afastamento das empresas brasileiras fornecedoras de serviços da
estatal. Foram usados também para respaldar a venda de ativos da
companhia, como a subsidiária Liquigás, adquirida pelo grupo Ultra, e a
rede de dutos no Sudeste, obtida pela canadense Brookfield. Houve a
atenuação da política de conteúdo nacional e aceleração dos leilões do
pré-sal pela ANP, com recuo da Petrobras e favorecimento das petroleiras
estrangeiras. No balanço das cinco rodadas de leilões, a Petrobras ficou
com 25% das reservas, as inglesas Shell e BP com 26,2%, as norte
americanas ExxonMobil e Chevron com 20% e as chinesas CNOOC, CNPC, CNODC
e Repsol Sinopec com 9,5%.

Concomitante a esse processo, os EUA articulam iniciativas que
fortalecem a presença de empresas, fundos de investimento e bancos
estadunidenses no financiamento em infra estrutura no continente latino
americano. O “BUILD ACT” e o “America Crece” são exemplos dessas
iniciativas. A primeira pretende modernizar a capacidade estadunidense
de financiamento ao desenvolvimento, através do qual os EUA estariam
dispostos a contribuir com até 60 bilhões de dólares através da
Corporação Financeira Internacional para o Desenvolvimento (IFC), uma
organização criada em 2018 que une os orçamentos da Agência dos Estados
Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e da Corporação de
Investimento Privado Internacional (OPIC). Por sua vez, o “America
Crece” versa pela articulação de investimentos estadunidenses no setor
energético em países latino americanos[13].

Andrew Korybko (2018), jornalista russo, ao estudar as situações da
Síria e Ucrânia, sustenta que existe um novo padrão de intervenção dos
EUA para alterar governos não tão alinhados aos seus interesses, chamado
por ele de “guerras híbridas”. As guerras híbridas combinariam
revoluções coloridas (manifestações de massa e caos social), utilizando
as novas redes e mídias como principal instrumento de mobilização contra
governos, para aplicação de guerras não convencionais contra os
inimigos, através de meios midiáticos, jurídicos e até do armamento de
grupos fundamentalistas e neofascistas.

Assim sendo, podemos afirmar que, neste início de século XXI, o “combate
à corrupção” perpassa por elementos jurídicos, políticos, geopolíticos,
ideológicos e econômicos. No entanto, ao contrário de outros períodos,
quando a pauta anticorrupção era utilizada politicamente como base
ideológica e de mobilização ou cooptação de lideranças populares, em
especial pelas classes dominantes articuladas com o imperialismo norte
americano, no atual cenário constatamos uma intensa relação entre o dito
combate à corrupção e a radicalização de transformações reacionárias na
base econômica (desindustrialização) e superestruturais (restrições
democráticas) no capitalismo periférico.

Desde os fins dos anos de 1960, o modo de produção capitalista passa por
intensas transformações. Sendo assim, compreendemos que seria um
equívoco não relacionarmos a questão da corrupção com a própria dinâmica
contemporânea da produção, circulação, acumulação, necessidade de
valorização de capitais e às lutas de classe, uma vez que buscamos uma
perspectiva totalizante sobre o tema. Desnaturalizar tal fenômeno nos
exige compreender as formas legais e ilegais de corrupção predominantes
e vitais para as atuais formas de acumulação de capital.

Segundo Netto e Braz (2009), existem três traços indeléveis do
capitalismo contemporâneo: os bárbaros indicadores sociais, o padrão
destrutivo de desenvolvimento das forças produtivas e a crescente
financeirização do capital. O economista marxista Ernest Mandel
compreende que, a partir de 1966, o modo de produção capitalista entrou
numa nova fase, marcada pelo esgotamento das ondas longas expansivas,
que limitam o capitalismo a fases de expansão mais curtas, e pelo
predomínio de períodos mais dilatados de estagnação e recessão. O
pensador franco-belga reconstitui as causas múltiplas desse processo ao
longo da história econômica. Com base na lei do valor e do
desenvolvimento desigual e combinado, Mandel sustenta que a formação e
articulação do mercado mundial dá-se de forma diferenciada ao longo da
história do capitalismo e o móvel desses processos é a busca por
superlucros[14]. Isso significa que não há um nivelamento das taxas de
lucro entre os capitalistas. Para Mandel, a expansão motivada pela
terceira revolução tecnológica levou a uma concentração agigantada de
capital, superior até mesmo às possibilidades de reinvestimento, que
gradualmente foram ampliando os espaços de valorização do valor por fora
dos circuitos produtivos. A elevada composição orgânica do capital
trouxe dificuldades crescentes, presentes até hoje, para compensar esse
aumento, num nível que pudesse manter altas taxas de lucro.

No esteio dessas premissas históricas se configura o chamado
neoliberalismo ou a mundialização das finanças, conforme define François
Chesnais. Para Duménil e Lévy (2014), tratar o neoliberalismo, em geral,
ainda é uma abstração. A acumulação sob hegemonia das finanças possui
formas distintas no mundo. No entanto, segundo os autores, é importante
compreender o neoliberalismo como uma nova configuração de poder entre
as classes sociais e seus compromissos. Além disso, devemos compreender
as dificuldades de manutenção da hegemonia norte-americana no topo da
pirâmide do sistema imperialista. Conforme nos ensina Marx, o sistema do
capital é produção e reprodução de capital, valor que deve buscar
incessantemente se valorizar mais, um todo que articula produção,
circulação e consumo. Desde a década de 1970, constatamos as
dificuldades de valorização do capital e seus desdobramentos. Se o
neoliberalismo é um grande insucesso em termos de expansão prolongada da
economia capitalista, também é um sucesso na concentração de riquezas e
na formação de megacapitais.

O processo de financeirização ou, como destaca Virgínia Fontes (2010), a
hegemonia do capital monetário e fictício, são importantes mecanismos
desenvolvidos para o capital buscar se valorizar com mais intensidade e
rotatividade em todo o mundo. A crise permanente, intensificada em 2008,
aciona a lei do valor e as contratendências procuram retomar as
condições que, ao menos, amenizem a dinâmica violadora da lei. A
incontrolabilidade de um sistema que cria riqueza demais, comércio em
excesso e mercado em abundância precisa ser contida. Capitais excedentes
devem ser desvalorizados; dificuldades de realização da mais-valia devem
ser mitigadas pelo crédito; empresas em dificuldades devem ser salvas ou
absolvidas; a pulverização do mercado deve dar lugar a formas mais
centralizadas, e até monopolizadas, de comércio e financiamento;
salários e outros gastos com a força de trabalho devem ser deprimidos;
etc. Segundo Marcelo Braz (2016), esses e outros elementos,
temporariamente, dão uma sobrevida ao capital: suplanta-se a estagnação
ou a recessão, dá-se a retomada e criam-se condições para um novo auge.

Esses “outros elementos” são fundamentais para iniciarmos a difícil
tarefa de situar as formas legais e ilegais de corrupção dentro da atual
economia política capitalista, na perspectiva da teoria do valor
marxista. E é o geógrafo David Harvey que nos ajuda nessa empreitada.
Para Harvey (2018), uma das formas encontradas pelo capitalismo para
resolver, mesmo que momentaneamente, o problema da sobreacumulação seria
a intensificação de formas mais predatórias, violentas e fraudulentas de
acumulação, o que o autor chama de “acumulação por espoliação”. Esse
tipo de acumulação seria um processo exterior ao sistema, resultante de
barreiras históricas, alcançadas pelo capitalismo por meio da produção
industrial. Valorizações fraudulentas de ações e fundos de pensão,
falsos esquemas de enriquecimento imediato, a destruição estruturada de
ativos por meio da inflação, a dilapidação de ativos mediante fusões e
aquisições, privatizações, expropriação de camponeses, índios e
quilombolas são alguns exemplos desse tipo de acumulação. Harvey compara
a “acumulação por espoliação” com a “acumulação originária de capitais”
descrita por Marx em O Capital (MARX, 2009; 2014; 2018). Esse último
foi, segundo Marx, um processo histórico que se fundamentou na
violência, pilhagem, furto e roubo, que resultou na acumulação de
capitais, os quais foram reinvestidos em novos, mais abrangentes e
complexos processos de produção e circulação.

Mandel e, mais tarde, Virgínia Fontes ponderam que formas de acumulação
primitiva de capitais não seriam apenas situadas numa fase histórica do
capitalismo, mas, sim, um elemento estruturante e permanente no interior
do sistema, em especial, nos países periféricos. Segundo o economista
franco-belga:

Em outras palavras, a acumulação primitiva de capital e a acumulação de
capital através da produção de mais-valia não são apenas fases
sucessivas da história econômica, mas também processos econômicos
convergentes. Até hoje, ao longo de toda a história do capitalismo,
processos de acumulação primitiva de capital têm constantemente
coexistido junto à forma predominante de acumulação de capital, através
da criação de valor no processo de produção. […] Embora esse processo de
acumulação primitiva já pressuponha a existência do modo de produção
capitalista, ao contrário do processo histórico de acumulação primitiva
de capital, descrito por Marx, e embora seu papel nos países
capitalistas já industrializados seja insignificante, ele é, apesar
disso, de importância considerável nos países coloniais e semicoloniais
– os chamados países ‘em desenvolvimento’. Em geral, nessas áreas, o
processo permanece, quantitativa e qualitativamente, mais decisivo para
a estrutura social e o desenvolvimento econômico do que a criação de
mais-valia no decorrer do processo de produção. [MANDEL, 1982]

Sendo assim, por mais que sejam tímidas as interpretações marxistas
sobre a relação entre capitalismo contemporâneo e corrupção, é possível,
por meio da crítica da economia política, melhor localizar o papel de
formas legais e ilegais de corrupção para a produção e reprodução de
capitais. Qual seria o papel do “combate à corrupção”, por meio de
políticas públicas e ações repressivas dentro dessa lógica, na história
recente do Brasil? Certamente seria ingenuidade acreditar que toda a
engenhosidade de operações “anticorrupção”, seus múltiplos efeitos,
relações internacionais e internas se resumiriam à sua principal figura
pública. Portanto, Moro pode ser resgatado pelo grande capital, mas o
jacobinismo reacionário da Lava Jato e toda a estrutura política e
econômica que essa operação impulsiona não.

[1] http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/article/view/35617

[2] Desde a ditadura empresarial militar, foram públicos inúmeros
escândalos de corrupção política. Eis alguns casos: Caso Magnesita
(1972), Caso Halles (1974), Caso General Eletric (1976), Caso Lutfalla
(1977), Caso Paulipetro (1979), Escândalo Coroa Brastel (1982), o Caso
Brasilienvest (1985), a CPI da Corrupção (1988), o Escândalo de Mombaça
(1989), o Esquema PC Farias (1992), o Escândalo dos Anões do Orçamento
(1996), CPI do Banestado (2003), a Operação Anaconda (2003), a Operação
Praga do Egito (2003), o Escândalo dos Correios (2005), o Mensalão
(2005), o Escândalo do IRB (2005), o Esquema de desvio de verbas no
BNDES (2008), a Operação Sexta Feira 13 (2009), a Operação Mãos Limpas
(2010), a Operação Lava Jato (2014), a Operação Zelotes (2015), a
Operação Greenfield (2016), a Operação Calicute (2016), o Escândalo das
Tornozeleiras Eletrônicas (2017), a Operação Leviatã (2017) etc.

[3] Com tonalidades e conteúdos diferentes essa foi a principal crítica
desenvolvida em documentos do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido
Democrático Trabalhista (PDT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB),
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Comunista Brasileiro
(PCB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento
dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

[4] Em seus estudos, Faoro analisa a estrutura de poder patrimonialista
adquirida do Estado português por nossos antepassados, tendo sido este
inteiramente importado em sua estrutura administrativa para a colônia na
época pós-descobrimento, fato que depois foi reforçado pela
transmigração da Coroa Lusitana no século XIX. Em sua acepção, tal
modelo institucional foi transformado historicamente em padrão a partir
do qual se estruturaram a Independência, o Império e a República do Brasil.

[5] Isto é, a corrupção vista como um desvio individual e a sua forma
mais eficaz de combate seria a sua criminalização.

[6] As outras ONGs a organizarem o movimento “Unidos contra a Corrupção”
foram o Instituto Ethos, Observatório Social do Brasil, Movimento de
Combate à Corrupção Eleitoral (MCEE), Contas Abertas e Instituto Cidade
Democrática. A força tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público
do Paraná, coordenada por Deltan Dallagnol, foi uma das principais
apoiadoras da iniciativa.

[7] A Lei nº 12.683/12 permite o enquadramento em qualquer recurso com
origem oculta ou ilícita e permite punições mais severas. Entre as
principais alterações da nova lei, está a possibilidade de punição para
lavagem de dinheiro proveniente de qualquer origem ilícita. A lavagem só
se configurava em crime se o dinheiro envolvido viesse de uma lista
predefinida de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, terrorismo,
contrabando de armas, sequestro, crimes praticados por organização
criminosa e crimes contra a administração pública e o sistema
financeiro. A lei também altera dispositivos que criam o Conselho de
Controle de Atividades Financeiras (COAF), ampliando os tipos de
profissionais obrigados a enviar informações sobre operações suspeitas,
alcançando doleiros, empresários que negociam direitos de atletas,
comerciantes de artigos de luxo etc. (BRASIL, 2012).

[8] O Instituto Ethos, criado em 1998 por um grupo de empresários e
executivos brasileiros, é uma OSCIP cuja missão “é mobilizar,
sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma
socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma
sociedade justa e sustentável”.

[9] Questão reconhecida publicamente por Sérgio Moro ao expedir a
sentença da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

[10] Antes disso, o Brasil concordou em liderar junto aos EUA o programa
internacional Governo Aberto. O programa visava, a partir de metas
traçadas pelos próprios governos, a tornar os serviços públicos mais
eficientes, transparentes e menos corruptos.

[11] Lei anticorrupção norte-americana voltada para o exterior.

[12] Durante os anos 1990, houve um processo de reformulação da estatal,
com ampliação da participação privada na companhia e gestão como tal,
com valorização da produção em detrimento da industrialização e
preferência dado aos fornecedores mais baratos, mesmo que fossem no
exterior.

[13] Ver:
https://revistaopera.com.br/2019/06/12/eua-e-a-disputa-pela-infraestrutura-na-america-latina/

In
PCB
https://pcb.org.br/portal2/23394/o-lava-jatismo-se-resume-a-sergio-moro/
17/6/2019

sábado, 15 de junho de 2019

Éxitos en la lucha por el Control Obrero en Smurfit Kappa Planta Petare




Prensa Lucha de Clases

El 24 de septiembre de 2018, la empresa multinacional irlandesa, Smurfit
Kappa, dedicada a la elaboración de cartón, cajas y empaques; cesó sus
operaciones en Venezuela luego de 68 años, dejando en situación de
incertidumbre a casi 2.000 trabajadores, tanto empleados directos e
indirectos, vinculados por medio de contratistas y otro tipo de
asociaciones.

Previamente el 23 de agosto, el Estado, por medio de la SUNDDE y el
Ministerio de Comercio, sancionó a Smurfit Kappa por especulación,
boicot y desestabilización a la economía, y detuvo a 2 gerentes de la
empresa, decretando también una intervención por 60 días a las
instalaciones de la multinacional. Luego de estas intervenciones de la
SUNDDE, el día 24 de septiembre todos los trabajadores amanecieron con
sus prestaciones sociales depositadas en sus respectivas cuentas
bancarias, la empresa les dejo ese depósito mas un correo electrónico
donde les informaba que había culminado su relación laboral y que por lo
tanto Smurfit Kappa se retiraba de Venezuela.

La empresa alego «desconsolidación» en el mercado venezolano y que por
lo tanto no podría  continuar operando en esas condiciones. Ante este
escenario, los trabajadores de las plantas a nivel nacional decidieron
tomar las instalaciones y mantenerse en las mismas en pie de lucha con
el fin de resguardar las instalaciones y preservar sus puestos de
trabajo, donde algunos compañeros han vendido su fuerza de trabajo por
mas de 30 años de servicio.

Ante este panorama, los obreros, apegándose a los artículos 148 y 149 de
la Ley Orgánica del Trabajo, los Trabajadores y Trabajadoras (LOTTT),
 acudieron al Ministerio del Poder Popular Para el Proceso Social de
Trabajo para solicitar la ocupación y reinicio inmediato de las
actividades productivas. Dicha respuesta por parte del Estado, se dio el
18 de octubre mediante la gaceta 41.505. En esta gaceta el Estado, por
medio del ministerio con competencia, violentó o saltó lo dispuesto en
el artículo 149 de la LOTTT y en lugar de nombrar una Junta
Administradora conformada estrictamente por trabajadores como lo
establece la ley, designó a Hugo Cabezas como Autoridad Única Nacional.
Ésta Autoridad Única se ha encargado de nombrar gerentes en cada planta
de Smurfit Kappa a nivel nacional, donde son 9 las entidades fabriles
que posee la empresa en toda Venezuela.

En el caso concreto de la planta Smurfit  Kappa Cartón de Venezuela,
ubicada en Petare -al este de Caracas, mantuvo a alrededor de 150
trabajadores, incluyendo 116 trabajadores obreros de nómina diaria más
los empleados y  contratistas, que se mantuvieron en las instalaciones
de la empresa resguardandolas las 24 horas del día y haciendo trabajos
de mantenimiento preventivo y voluntario durante un lapso de 3 meses,
tiempo en el cual lo pasaron sin cobrar salarios. Los trabajadores
conscientes y con sentido de pertenencia, participaron y se involucraron
en todas las jornadas organizadas por los delegados sindicales y de
prevención que quedaron al frente de la empresa una vez que la
transnacional los dejo a la deriva.

La organización de los trabajadores bajo Control Obrero y con los
delegados al frente de la misma, ha dado muy buenos resultados desde el
mismo momento que los obreros asumieron la responsabilidad de luchar por
mantener sus puestos de trabajo. Ya en el mismo mes de diciembre la
empresa estaba productiva generando recursos para pagar salarios y
cubrir sus costos de funcionamiento. A finales del mes de diciembre los
trabajadores pudieron cobrar sus utilidades mas los salarios caídos que
habían dejado de percibir durante los meses anteriores y también entró
en funcionamiento la empresa de vigilancia  para resguardar las
instalaciones de la planta. En el mes de enero, la empresa ya estaba
completamente productiva y con los trabajadores cobrando sus salarios de
manera continua como siempre lo venían haciendo. Para el mes de febrero,
los trabajadores gracias a su gestión pudieron reactivar el servicio de
comedor en la planta. Dicho comedor les proporciona el desayuno, el
almuerzo y la cena para los que laboran en el turno nocturno. Asimismo,
los trabajadores han realizado jornadas de pintura y poda de arboles en
la comunidad aledaña de manera periódica y voluntaria. Para el mes de
marzo los trabajadores lograron activar el servicio de transporte para
el personal, el cual ahora posee rutas hacia el oeste de Caracas y para
Guarenas-Guatire. Este beneficio jamas lo ofreció la empresa cuando
estaba bajo administración de los capitalistas.También se ha activado el
Servicio Medico dentro de la planta.

Ademas de todo lo anterior, los trabajadores han conseguido aumentos de
salario sustanciales que han buscado mejorar la calidad de vida de los
obreros de la planta, que sabemos no corresponde a la tónica general
para el proletariado venezolano en estos momentos tan difíciles,
marcados por la crisis estructural del capitslismo venezolano y la
crisis orgánica del sistema capitalista global.

La gerencia nacional y de la planta en particular -designada para
administrar la empresa por parte del Estado- al evidenciar el éxito del
Control Obrero, no ha obstaculizado hasta ahora la implicación obrera
directa en la administración de aspectos claves en la producción de la
fábrica, a diferencia de lo acontecido en el resto de plantas de Smurfit
Kappa a nivel nacional. Lo anterior, constituye un caso inusual y
excepcional que se contrapone a la infinidad de experiencias de Control
Obrero que han sido hundidas y ahogadas por la burocracia. Sin embargo,
hay razones de sobra para pensar que tal permisividad no podrá
mantenerse inalterable por mucho tiempo. El ferreo control con el que la
burocracia estatal está dirigiendo el resto de fábricas de la empresa a
nivel nacional, el abierta oposición del gobierno y la dirigencia
bolivariana al Control Obrero, y la política de apertura al capital
privado  (incluidas las privatizaciones), son razones de peso que
fundamental tal sospecha. Los trabajadores de la planta Petare deben
manternerse firmes en su labor, reforzando a su vez su vinculación con
el resto del movimiento obrero del sector gráfico y a nivel general. Es
preciso que los trabajadores de dicha fábrica inicien, en la medida de
lo posible, campañas de socialización de su ejemplar experiencia, que
evidencie los logros y posibilidades del Control Obrero, primero entre
las demás plantas de Smurfit Kappa, para luego extenderla hacia el resto
del movimiento proletario. El caso de Smurfit Kappa Petare constituye
una bandera que muestra que los trabajadores si pueden llevar las
riendas de la producción y de la sociedad en su conjunto. 

Los camaradas trabajadores de Smurfit Kappa Cartón de Venezuela – planta
Petare, son dignos de un reconocimiento por el trabajo que están
realizando, son un ejemplo demostrando de que la clase obrera esta en
capacidad de tomar el poder de manera organizada. Aquí vemos una muestra
para quienes no creen en el Control Obrero y mas bien apuestan a confiar
en los capitalistas creyendo que ellos van a desarrollar las fuerzas
productivas. Estos compañeros han demostrado que la planta Smurfit Kappa
Petare no solo es productiva, viable y sustentable sino que quienes
laboran allí pueden tener mejores condiciones de trabajo y calidad de
vida que cuando estaban bajo el mando de la administración capitalista.
Esto es una muestra al mundo de que en medio de la crisis del
capitalismo a nivel mundial, los propios trabajadores pueden sacar
adelante la producción sin necesidad de burgueses, banqueros y patrones
parásitos. 

In
LUCHA DE CLASES
https://luchadeclases.org.ve/?p=7446
15/5/2019

terça-feira, 11 de junho de 2019

El primer laboratorio farmacéutico recuperado del mundo está en Buenos Aires



Mario Hernandez



/La Justicia Comercial de la Ciudad de Buenos Aires otorgó una
autorización provisoria para que las trabajadoras y los trabajadores del
ex laboratorio Roux Ocefa continúen la explotación de las dos plantas
ubicadas en Villa Luro y Mataderos. Desde octubre del año pasado
realizaban una permanencia pacífica para recuperar sus fuentes de
trabajo. Y lo consiguieron: están poniendo a punto la fábrica para
convertirse en el primer laboratorio recuperado del mundo. Ya abrieron
un bachillerato para adultos, están diagramando un centro cultural y
pensando una consejería en violencia llevada adelante por mujeres del
Movimiento Nacional de Empresas Recuperadas. “Es un gran esfuerzo, pero
demostramos algo: con laburo y constancia se puede recuperar trabajo”,
dicen lxs trabajadorxs. / /Se suma a las 37 empresas sin patrón de la
era Macri./ / /

La historia comienza en 1887 y en París porque allí nació Julián Augusto
Roux, trabajador en Laboratorios Clin-Comar, un joven al que, según la
biografía, su “espíritu visionario e inquieto” lo llevó a radicarse en
Argentina en 1912. En 1935 fundó Laboratorios OCEFA -luego Roux-Ocefa-,
que se convirtió en uno de los principales exportadores de la industria
farmacéutica local durante la Segunda Guerra Mundial: fue el primer
creador de soluciones parentales (sueros) y de bolsas para la
recolección de sangre.

El inquieto y visionario Julián presidió el laboratorio hasta su muerte,
en 1975. Desde entonces Roux Ocefa quedó posicionada como una compañía
farmacéutica de excelencia que fabricaba y comercializaba más de 100
productos con una planta estable de 500 trabajadores y trabajadoras.
Tenía ocho delegaciones regionales y una Fundación para acompañar y
contribuir a la comunidad médica con investigación, docencia y
divulgación científica. Luego de su muerte, la dinastía familiar
continuó por generaciones con la empresa hasta llegar a su nieto, Julián
Mariano Roux.

Omar Rodríguez -54 años, 34 en la empresa, encargado del sector de
Esterilizaciones- dice que los conoció a todos y que recuerda como si
fuera hoy una frase que escuchó el primer día que “Juliancito” llegó: “A
esta empresa la destruyo en 10 años. Estoy esperando un cambio de
gobierno que me favorezca”.

*Crónica de una muerte anunciada *

Bruno Di Mauro, presidente de la cooperativa, recuerda: “Los más grandes
cuentan que todo arrancó hace más de diez años: menos producción, cero
mantenimiento, se perdían repuestos y todo se ataba con alambre. De tres
años a hoy, empezó un desdoblamiento de sueldos, pagos en cuotas, y en
junio de 2016 entraron en concurso de acreedores. Sólo se endeudaban
más. Un laboratorio no suele tener problemas de mercado: los problemas
son financieros”.

El 2016 lo pasaron con movilizaciones a Casa Rosada y volanteadas en el
barrio. Pero el año nuevo fue drástico: el 2 de enero de 2017 intentaron
suspender a todo el personal. “Ocupamos. Nos quedamos tres meses y
medio, con todo lo que significa: la mayoría acá tiene más de 45 y 50
años. En todo ese proceso no vimos un peso. Y, desde ahí, ya empezamos a
discutir la posibilidad de una cooperativa de trabajo”, relata Bruno.

Sin embargo, el sindicato (la Asociación de Trabajadores de la Sanidad
Argentina, que dirige el titular de la CGT, Héctor Daer) no tenía la
misma idea y presentó un posible comprador de la empresa, Carlos
Villagra, a cargo de la Asociación de Farmacias Mutuales y Sindicales.
Villagra se hizo cargo de los 50 millones de dólares de deuda de la
compañía y prometió la activación de la planta en 45 días. No era un
objetivo sencillo: en Villa Luro y Mataderos (la otra planta) quedaban
300 trabajadorxs y había un agujero financiero con 290 cheques rebotados
que superaban los 21 millones de pesos.

En abril asumió la nueva conducción: “Nos depositaron 30.000 pesos a
cada uno y nos prometieron pagar los sueldos. Con una propuesta así,
decidimos levantar la medida”. El gremio envió a la puerta de la fábrica
a 150 delegados con bombos y banderas: “Nos pareció terrible. Una
compañera les dijo que no había nada para festejar. Habíamos perdido
tres compañeros: uno se suicidó y otros dos murieron por depresión. Hubo
familias destruidas en todo este proceso”, continúa Bruno.

“Villagra se fue porque decía que perdía mucha plata”. El sindicato
acercó un nuevo candidato: Ariel García Furfaro, propietario del
laboratorio Ramallo. Los trabajadores y las trabajadoras sólo tuvieron
que googlear el nombre para entender lo que se venía. “Tenía un modus
operandi: comprar un laboratorio cerca de la quiebra, vaciarlo, llevarse
las patentes y las máquinas y dejar a la gente en la calle”. Plantearon
ante el juez Sebastián Sánchez Cannavó que se declarara nula la venta de
acciones para evitar una nueva estafa: “Le dijimos que diera la quiebra,
que nos otorgara la continuidad, pero que por favor no permitiera que se
instalara esta gente”, comenta Bruno.

El juzgado la rechazó, apelaron, pero el 1º de marzo arribó la nueva
administración. La profecía se cumplía: “En seis meses echaron a 200
compañeros”. El 24 de septiembre se activó la mayor alarma. “Nos echaron
a todos, la fábrica quedó vacía y mañana se quieren llevar las máquinas
que quedan”, recuerda Bruno el llamado telefónico. Al día siguiente
empezaron el acampe. La primera medida que votaron fue poner a un
enfermero para tomar la presión gratis en el barrio. Los vecinos les
agradecieron con agua, lonas para que no se mojaran, colchones y comida.

La batalla seguía en dos frentes: la calle y el juzgado. El expediente
había llegado hasta la Cámara de Apelaciones en lo Comercial, pero una
jueza les trababa la firma: “Se estaba poniendo picante, y no queríamos
seguir tirados en la calle”. Finalmente, la Cámara denegó la prórroga
del concurso. “Volvimos al juzgado con el fallo, pero nos enteramos que
el juez no dictó la quiebra sino una intervención por tres meses. Ahí
dijimos basta: no tenemos más tiempo”. Convocaron a una conferencia en
la puerta de la empresa el 2 de octubre, comunicando que iban a ingresar
a la planta. Y no volvieron a salir.

*La marcha hacia la cooperativa *

Desde entonces, lxs trabajadorxs exigieron al juez Sánchez Cannavó que
les otorgara la continuidad. E l juez otorgó una autorización provisoria
y por el plazo de 90 días a la Cooperativa de Trabajo Farmacoop LTDA
para que continúe con la explotación de las dos plantas ubicadas en la
calle Medina 138 y Piedrabuena 3253, ambas de esta Ciudad, sus
certificados y sus marcas, según consta en la resolución.

La decisión del juez comercial Sebastián Sánchez Cannavó se conoció el
30 de abril: allí reconoce que la Ley de Quiebras incentiva a las
cooperativas como continuadoras de la empresa al subrayar que “la
conservación de la fuente de trabajo es una de las causas en las que
puede fundarse la continuación”. El fallo contrapone con argumentos a
favor de lxs trabajadorxs la resolución de la sindicatura, que había
rechazado el plan de explotación que había diseñado la cooperativa.

En su resolución, el juez Sánchez Cannavó toma como verosímil el relato
de la cooperativa y recuerda que en 2017 habían denunciado persecuciones
“a quienes se alzaron en defensa de los derechos de los trabajadores”.
También sostiene que la decisión de la sindicatura (rechazar el plan de
explotación porque la cooperativa no cuenta con el número de obrerxs
necesarixs) es insuficiente porque considera que, sin esa autorización,
“la cooperativa difícilmente pueda encarar las gestiones necesarias
requeridas” por la Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y
Tecnología Médica (ANMAT) o, a su vez, cumplir con los reclamos que se
le pudieran exigir.

El fallo notifica al Ministerio de Desarrollo Social y a la Secretaría
de Trabajo para que “preste asistencia” a la cooperativa, y apunta: “Se
trata, por el contrario, de darle preeminencia a una solución de
continuidad con miras en la conservación de las fuentes de trabajo”.

“La resolución nos dejó muy conformes, más allá de los plazos que se
proponen. Sabemos que las continuidades nunca son definitivas, hasta que
puedas expropiar o hacer una compensación de créditos o comprar la
quiebra. Ahora, necesitamos la habilitación por parte de la ANMAT
(Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica)
para volver a elaborar. Venimos trabajando hace 9 meses para este
momento y tenemos todo bastante encaminado. No podíamos avanzar hasta
tener la continuidad”, resumió el presidente de la cooperativa, Bruno Di
Mauro.

Además de la actividad farmacéutica, funcionará en el laboratorio un
bachillerato popular. *“ * La resolución exige que se genere una
actividad social. Por eso, estamos armando el bachillerato con gente de
la CEIP Histórica, del IMPA, que nos acompañan en la lucha. También
estamos armando con un grupo de trabajadores del arte y de la cultura un
centro cultural. Se trata de abrir la fábrica a la comunidad y devolver
algo al barrio”, consideró Di Mauro.

Y también las compañeras del Movimiento Nacional de Empresas Recuperadas
(MNER) van a crear una consejería de violencia.

*El futuro *

Los trabajadores están esperando que el juez dictamine la quiebra y que
el INAES les otorgue la matrícula de la cooperativa. Bruno será el
presidente: “No nos quedó otra que estudiar y capacitarnos en la
industria, que en el mundo es la más rentable en términos de costos y
beneficios: comprás por toneladas y vendés por miligramos. La ganancia
es extraordinaria. Hoy es algo que discutimos: además de recuperar las
fuentes de trabajo, es importante que empecemos a plantear otra forma de
salud, de brindar medicamentos que no sean caros al pueblo y crear
farmacias sociales”.

Querían bautizar al laboratorio Shangai, por un tema de *Los Redondos*
(Sorpresa en Shangai), que dice: “El que abandona no tiene premio”. El
INAES no los dejó: se llamarán FarmaCoop. Presentaron un proyecto
técnico de viabilidad para ponerlo en funcionamiento que propone la
recuperación de 100 puestos de trabajo en diferentes etapas, pero
consideran que con 25 ya pueden poner todo en funcionamiento. “Si
estuviera todo en regla, si no se hubieran robado las máquinas, si
tuviéramos toda la mercadería, la activaríamos hoy”. Por eso, hacen
guardia las 24 horas y el trabajo es la puesta a punto del laboratorio.
Mientras tanto, comercializan productos de otras cooperativas que
aglutina el Movimiento Nacional de Empresas Recuperadas (MNER) para
costear el día a día.

*Trabajadores despedidos de Canale solicitan apoyo solidario a la
parrilla que gestionan colectivamente *

Mientras esperan la resolución que apruebe definitivamente la
cooperativa que formaron luego del vaciamiento de la patronal, los
trabajadores de Canale organizaron una parrilla popular, para la cual
solicitan ayuda.

/Parrilla “La Canale”. Abierta todos los días las 24 horas. Santa
Catalina 184-Lavallol. Teléfono: 2123-7766. /

*Fuentes: * Tiempo Argentino, MU, Resumen Latinoamericano.

*Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante
una licencia de Creative Commons
<http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/es/>, respetando su
libertad para publicarlo en otras fuentes.*

In
REBELION
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=257049
11/6/2019

domingo, 9 de junho de 2019

El premio Nobel de medicina Richard J. Roberts denuncia que las farmacéuticas bloquean medicamentos que curan porque no son negocio





    Por: Agencias

*El ganador del premio Nobel Richard J. Roberts denuncia la forma en la
que operan las grandes farmacéuticas dentro del sistema capitalista,
anteponiendo los beneficios económicos a la salud y deteniendo el avance
científico en la cura de enfermedades porque curar no es tan rentable
como la cronicidad.*

En esta entrevista, el Premio Nobel de Medicina Richard J. Roberts,
denuncia que los fármacos que curan no son rentables y por eso no son
desarrollados por las farmacéuticas que, en cambio, sí desarrollan
medicamentos cronificadores que sean consumidos de forma serializada.

Esto, señala Roberts, también hace que algunos fármacos que podrían
curar del todo una enfremedad no sean investigados. Y se pregunta hasta
que punto es válido que la industria de la salud se rija por los mismos
valores y principios que el mercado capitalista, los cuales llegan a
parecerse mucho a los de la mafia.

*¿La investigación se puede planificar?*
– Si yo fuera ministro de Ciencia, buscaría a gente entusiasta con
proyectos interesantes; les daría el dinero justo para que no pudieran
hacer nada más que investigar y les dejaría trabajar diez años para
sorprendernos.

*– Parece una buena política.*
– Se suele creer que, para llegar muy lejos, tienes que apoyar la
investigación básica; pero si quieres resultados más inmediatos y
rentables, debes apostar por la aplicada…

*– ¿Y no es así?*
– A menudo, los descubrimientos más rentables se han hecho a partir de
preguntas muy básicas. Así nació la gigantesca y billonaria industria
biotech estadounidense para la que trabajo.

*– ¿Cómo nació?*
– La biotecnología surgió cuando gente apasionada se empezó a preguntar
si podría clonar genes y empezó a estudiarlos y a intentar purificarlos.

*– Toda una aventura.*
– Sí, pero nadie esperaba hacerse rico con esas preguntas. Era difícil
obtener fondos para investigar las respuestas hasta que Nixon lanzó la
guerra contra el cáncer en 1971.

*– ¿Fue científicamente productiva?*
– Permitió, con una enorme cantidad de fondos públicos, mucha
investigación, como la mía, que no servía directamente contra el cáncer,
pero fue útil para entender los mecanismos que permiten la vida.

*– ¿Qué descubrió usted?*
– Phillip Allen Sharp y yo fuimos premiados por el descubrimiento de los
intrones en el ADN eucariótico y el mecanismo de gen splicing (empalme
de genes).

*– ¿Para qué sirvió?*
– Ese descubrimiento permitió entender cómo funciona el ADN y, sin
embargo, sólo tiene una relación indirecta con el cáncer.

*– ¿Qué modelo de investigación le parece más eficaz, el estadounidense
o el europeo?*
– Es obvio que el estadounidense, en el que toma parte activa el capital
privado, es mucho más eficiente. Tómese por ejemplo el espectacular
avance de la industria informática, donde es el dinero privado el que
financia la investigación básica y aplicada, pero respecto a la
industria de la salud… Tengo mis reservas.

*– Le escucho.*
– La investigación en la salud humana no puede depender tan sólo de su
rentabilidad económica. Lo que es bueno para los dividendos de las
empresas no siempre es bueno para las personas.

*– Explíquese.*
– La industria farmacéutica quiere servir a los mercados de capital…

*– Como cualquier otra industria.*
– Es que no es cualquier otra industria: estamos hablando de nuestra
salud y nuestras vidas y las de nuestros hijos y millones de seres humanos.

*– Pero si son rentables, investigarán mejor.*
– Si sólo piensas en los beneficios, dejas de preocuparte por servir a
los seres humanos.

*– Por ejemplo…*
– He comprobado como en algunos casos los investigadores dependientes de
fondos privados hubieran descubierto medicinas muy eficaces que hubieran
acabado por completo con una enfermedad…

*– ¿Y por qué dejan de investigar?*
– Porque las farmacéuticas a menudo no están tan interesadas en curarle
a usted como en sacarle dinero, así que esa investigación, de repente,
es desviada hacia el descubrimiento de medicinas que no curan del todo, sino
que cronifican la enfermedad y le hacen experimentar una mejoría que
desaparece cuando deja de tomar el medicamento.

*– Es una grave acusación.*
– Pues es habitual que las farmacéuticas estén interesadas en líneas de
investigación no para curar sino sólo para cronificar dolencias con
medicamentos cronificadores mucho más rentables que los que curan del todo y
de una vez para siempre. Y no tiene más que seguir el análisis
financiero de la industria farmacológica y comprobará lo que digo.

*– Hay dividendos que matan.*
– Por eso le decía que la salud no puede ser un mercado más ni puede
entenderse tan sólo como un medio para ganar dinero. Y por eso creo que
el modelo europeo mixto de capital público y privado es menos fácil que
propicie ese tipo de abusos.

*– ¿Un ejemplo de esos abusos?*
– Se han dejado de investigar antibióticos porque son demasiado
efectivos y curaban del todo. Como no se han desarrollado nuevos
antibióticos, los microorganismos infecciosos se han vuelto resistentes
y hoy la tuberculosis, que en mi niñez había sido derrotada, está
resurgiendo y ha matado este año pasado a un millón de personas.

*– ¿No me habla usted del Tercer Mundo?*
– Ése es otro triste capítulo: apenas se investigan las enfermedades
tercermundistas, porque los medicamentos que las combatirían no serían
rentables. Pero yo le estoy hablando de nuestro Primer Mundo: la medicina
que cura del todo no es rentable y por eso no investigan en ella.

*– ¿Los políticos no intervienen?*
– No se haga ilusiones: en nuestro sistema, los políticos son meros
empleados de los grandes capitales, que invierten lo necesario para que
salgan elegidos sus chicos, y si no salen, compran a los que son elegidos.

*– De todo habrá.*
– Al capital sólo le interesa multiplicarse. Casi todos los políticos –
y sé de lo que hablo- dependen descaradamente de esas multinacionales
farmacéuticas que financian sus campañas. Lo demás son palabras…

La entrevista fue publicada originalmente por el diario español Vanguardia.

*Biografía*

Richard J. Roberts nació en Derby, Inglaterra, en 1943. Estudió
inicialmente Química, posteriormente se traslada a Estados Unidos, donde
desarrolla actividad docente en Harvard y en el Cold Spring Harbor
Laboratory de Nueva York. Desde 1992 dirige los trabajos de
investigación del Biolabs Institute, de Beverly, (Massachusetts).

Obtuvo el Premio Nobel de Fisiología y Medicina en 1993, compartido con
Phillip A. Sharp, por su trabajo sobre los intrones, fragmentos de ADN
que no tiene nada que ver con la información genética. Pudieron
describir que la información depositada en un gen no estaba dispuesta de
forma continua, sino que se encontraba fraccionada.

Los primeros experimentos los realizaron sobre material genético de
virus, particularmente de adenovirus.

Ambos llegaron a la conclusión de que el ARN ha tenido que preceder en
la evolución al ADN.

In
APORREA
https://www.aporrea.org/actualidad/n343021.html
8/6/2019

sexta-feira, 7 de junho de 2019

La refundación de una izquierda para el siglo XXI







Entrevista con Miguel Riera



Proseguimos aquí la serie de artículos y entrevistas dedicados a la
refundación de la izquierda. En esta entrevista, el autor de /Por una
universidad democrática/ sitúa al movimiento altermundista como la
piedra basal de una nueva izquierda para el siglo XXI.

 --------

Parece que casi todo el mundo está de acuerdo en que hay que “refundar
la izquierda”, pero el acuerdo con frecuencia se desvanece cuando se
intenta llenar de contenido esa expresión. ¿Qué elementos te parecen
determinantes para que pueda hablarse con propiedad de una refundación
de la izquierda?
La izquierda viene refundándose, desde hace aproximadamente una
década, en lo que se ha llamado movimiento alterglobalizador o
altermundista. Ahí, en este movimiento de movimientos, están ya
representados los sujetos del cambio. Ahí se ha ido bosquejando también
lo que podría ser el programa para cambiar el mundo de base. Y ahí hay
también una amplia red de redes para la configuración de una izquierda
mundial.

Lo que falta ahora es dar forma política organizada a todo ese
movimiento social y encontrar la palabra nueva y compartida para hacer
frente a la barbarie existente.



¿Y entonces cuál es papel de la actual izquierda política?

Primero potenciar el movimiento altermundista y, con él, los
movimientos sociales críticos del neoliberalismo y alternativos al
capitalismo salvaje realmente existente. Aunque ahora esté pasando por
un bache, el movimiento altermundista es, junto con algunos de los
procesos políticos latinoamericanos, el obstáculo más serio con que ha
topado el capitalismo en los últimos tiempos (aparte, obviamente, de sus
propias contradicciones). Creo que si no se desarrolla a fondo este
movimiento social global no se puede ni hablar de recuperación de la
izquierda política, al menos en los países ricos del mundo.

La izquierda política tradicional, la formada por los partidos
socialistas y comunistas, para entendernos, hace tiempo que se declaró
insolvente para cambiar el mundo de base o que quedó desfasada. La
izquierda verde que surgió en Europa a finales de los setenta con la
pretensión de ser una nueva izquierda alternativa ya no se diferencia en
nada sustancial de la otra a la hora de la verdad. Deduzco de ahí que no
son los movimientos sociales los que tienen que aprender de los partidos
organizados, como se dice a veces, sino éstos los que tienen que
aprender del tipo de actuación de los movimientos sociales de los
últimos veinte años.

Y luego, una vez aprendido que la izquierda política no está para
“encauzar” movimientos sino para potenciarlos fundiéndose con ellos, lo
que habría que hacer, en mi opinión, es reinventar un tipo de
organización sociopolítica lo más parecido a lo que fue la Primera
Internacional.



¿Ese planteamiento implicaría una refundación previa de la izquierda
política?

Depende de lo que se entienda por refundación. Desde hace ya
bastantes años la izquierda política, sobre todo en Europa, ha seguido
un camino inverso al que exigía el proceso de globalización en curso: en
vez de acentuar el carácter internacionalista y mundialista con el que
nació, la izquierda política organizada se volvió sobre sí misma,
disolvió los lazos internacionales que tenía y se hizo cada vez más
localista y particularista. Esto ha afectado también a los principales
sindicatos, que por lo general, y con algunas excepciones, vienen
limitándose a la defensa de los intereses de lo que antes se llamaba
“aristocracia obrera”, país por país.

En esas condiciones la izquierda política y los sindicatos a ella
vinculados han quedado completamente desarmados para hacer frente a los
poderes que hegemonizan el proceso de globalización. Tal como está
configurada ahora, la izquierda política puede conseguir quizás ciertos
éxitos temporales en las elecciones en tal o cual país, pero
prácticamente no tiene nada serio que oponer a los organismos
internacionales que dominan en el mundo actual. Esto era ya patente hace
un montón de años, cuando en Italia, por ejemplo, se creó Refundación
Comunista, pero se ha hecho meridiano durante la última crisis.

Para decirlo de manera que me pueda entender todo el mundo: en este
momento no sólo el gran capital sino incluso una institución tan
decadente y envejecida como la iglesia católica u organizaciones
no-gubernamentales nacidas hace cuatro días tienen más vínculos y más
presencia internacional que la izquierda política. Lo cual es nefasto
para los trabajadores del mundo y es una ridiculez de dimensiones
históricas, sobre todo teniendo en cuenta que esta izquierda de la que
estamos hablando nació anunciando la mundialización del capital y
declarando que los obreros no tienen patria. Así que, vista la cosa de
esta perspectiva, no hay duda de que la izquierda política tiene que
refundarse. O resucitar, diríamos algunos…



Por otra parte, la crisis de los foros sociales es evidente. Si no
surge una referencia política clara capaz de forzar avances hacia una
transformación real, los entusiasmos se diluyen, y al final cada grupo
se dedica a su pequeña parcela. ¿Crees que es posible avanzar en una
articulación de los movimientos sociales?

Desde luego el bajonazo de los foros sociales en este momento es una
evidencia. Y es, además, una evidencia llamativa, teniendo en cuenta las
características de esta crisis y que el Foro Social Mundial venía
anunciándola desde hace años, criticando abiertamente el sistema que la
ha producido y propugnando medidas alternativas que ahora podrían aplicarse.

En cambio, no estoy tan seguro de que haga falta ahora una referencia
/política/ para impedir que se diluyan los entusiasmos e ilusiones que
crearon los foros sociales. Al menos si por “referencia política clara”
se entiende alguna forma de partido político parecido a los que hemos
conocido hasta ahora, incluyendo ahí, por supuesto, a los que se han
llamado “verdes” y “ecosocialistas”. La diferencia en ellos entre
“política” y “politiquería” no está suficientemente clara y ahí sigue
rigiendo la tendencia a la burocratización en cuanto se toca poder (o
“podercito”).

Me explicaré mejor: una cosa es la repolitización de los movimientos
sociales alternativos, o sea, la conciencia política, que me parece
necesaria, y otra, muy distinta, pretender que tal o cual partido con
pretensiones electorales es ya un “referente político” de lo alternativo.

No creo que los jóvenes activos en el movimiento altermundista y en
otros movimientos sociales vayan a ilusionarse ahora con un referente
político de esas características. En primer lugar, porque una parte de
estos jóvenes están aún en alguno de esos partidos, y eso les produce,
por lo que yo sé, más malestar que ilusión. Y en segundo lugar, porque
la gran mayoría de los jóvenes activos en las organizaciones que de
verdad se mueven, empezando por el “movimiento de movimientos”, no
quieren ni oír hablar de tales partidos como referente. Cosa que se
comprende: no por la juventud, sino por los errores que hemos cometido
quienes hemos estado en ellos.

Si uno se fija en las novedades atractivas que hoy funcionan como
referente de la izquierda propiamente dicha en el mundo pronto llega a
la conclusión de que son (sobre todo antes de tocar poder)
organizaciones sociopolíticas en un sentido amplio, laxo, ligero, más
próximas a los movimientos que a los partidos, o combinaciones de las
dos formas históricas. Hay dos rasgos que considero claves en estos
referentes: la primacía de lo social sobre lo político y el respeto a la
diversidad o pluralidad interna.

Precisamente por eso te decía antes que habría que reinventar un tipo de
organización sociopolítica parecido al de Primera Internacional. Dar la
primacía a lo social sobre lo político es algo que compartieron
marxistas y anarquistas, socialistas y libertarios de la primera hora.
Lo que el nuevo referente, vamos a decir sociopolítico, mejor que
político, tendría que aprender es el respeto a la diversidad o
pluralidad de culturas (también de culturas políticas) en el seno de los
movimientos y de las organizaciones. Por dos razones. Primera: porque
esa falta de respeto fue la tumba no sólo de la Primera Internacional
sino de las que siguieron. Y segunda: porque sin ese respeto es
inconcebible hoy en día una organización mundial que aspire a un mundo
nuevo en un mundo como este, al mismo tiempo tan globalizado y con
tantas lenguas, culturas, costumbres y habilidades diferentes y
constantemente en contacto.

-Hablas de una organización inspirada en los primeros tiempos de la
Primera Internacional. Eso suena a la Quinta Internacional que propuso
Samir Amin, una idea que sólo ha encontrado eco, y muy desfigurado, en
la Venezuela de Chávez. ¿Crees que es realista pensar que se trata de
algo posible?/



-Bueno, en realidad la idea de una organización inspirada en la Primera
Internacional no es tan nueva. De eso hablábamos ya hace treinta años,
en los orígenes de la revista /mientras tanto,/ cuando dialogábamos aquí
sobre marxismo y anarquismo con Martínez Alier y con otros amigos
libertarios. Y cosas de parecido tenor recuerdo haber leído, también por
entonces, en las páginas de /El Viejo Topo. /Si la memoria no me falla,
también Chomsky propuso una variante de esta misma idea hace ya años,
cuando estaba naciendo el movimiento anti-globalización. Es cierto que
Samir Amin por un lado y Chávez por otro han perfilado de maneras
distintas la idea de una Quinta Internacional inspirada en la Primera,
pero el hecho mismo de que la idea se haya reiterado, a pesar de las
diferencias, es ya indicio de que se necesita algo así. Concretar la
idea es difícil, muy difícil. Todo lo que tiene que ver con la
superación de las trágicas heridas históricas de la izquierda
revolucionaria es difícil y delicado de tratar. Pues eso implica
reconocer errores y en algunos casos aceptar la culpa por asesinatos
cometidos en nombre de la propia tradición. Pero deberíamos actuar,
también en esto, como si fuera posible, tratando de crear las
condiciones de posibilidad para una nueva Internacional.



-En tu opinión, ¿cuál sería el primer paso para dar forma política
organizada a todo ese movimiento social, como señalabas al principio?/


Lo de la forma política organizada vendría luego. Yo respetaría de
momento lo que hay ya organizado en la izquierda alternativa,
potenciando, como digo, el movimiento alterglobalizador, la red de
redes, y comparando, mientras tanto, esto que hay ahora con experiencias
históricas anteriores. La organización alternativa no suele salir de los
partidos políticos o sindicatos preexistentes, sino más bien por
desarrollo de movimientos sociales potentes que en un determinado
momento buscan tener continuidad y que acaban integrando a las
organizaciones preexistentes o a gran parte de los afiliados a éstas.

Pienso que este proceso también está ocurriendo ahora y que va a seguir
ocurriendo. Izquierda Unida se creó porque había una importante presión
movimentista previa (contra la OTAN, antimilitarista, etc.) que
coincidió con la crisis de todos, o casi todos, los partidos políticos a
la izquierda del PSOE. La peor de las hipótesis en esas circunstancias
es que tal o cual de los partidos que formen parte del movimiento
amplio, de la red de redes, se crea lo suficientemente fuerte para dar
el salto por sí solo a la arena electoral en representación de todo el
movimiento. Eso es algo que crea divisiones y desconfianzas que tardan
tiempo en curarse.

Por tanto, a la hora de concretar, y antes de entrar en la forma
política organizativa, tendríamos que tratar de aclarar los objetivos,
los fines, las medidas alternativas que habría que tomar. Siguiendo ese
hilo, si es que se acepta seguirlo, podríamos partir de un principio
general y, además, generalmente apreciado por todas las corrientes y
tradiciones de izquierda que en el mundo han sido. Algo así como: /De
cada cual según sus capacidades; a cada cual según sus necesidades./
Creo que todavía hay algunos viejos que recuerdan eso, pero apostaría a
que también a los jóvenes sensibles altermundistas les parece bien.
Luego, en función de este principio general, y atendiendo sobre todo a
las necesidades de las gentes que están en peor situación, podríamos ir
concretando algunas medidas que hay que tomar.

En esto de las medidas concretas, y para no inventarse nada desde fuera,
seguramente bastaría con repasar lo que han dicho y escrito los teóricos
del movimiento altermundista de los últimos años o, si se prefiere,
aquellas cosas por las que se han movilizado millones de personas en los
cinco continentes. Y, eso sí, habría que ordenar el listado de las
reivindicaciones y de las medidas, jerarquizando éstas en función de las
necesidades y capacidades de los de abajo: ni explotados (excluidos),
sobreexplotados, esclavizados, desempleados, precarios, oprimidos,
humillados, ofendidos y desgraciados (y póngase en femenino la parte
correspondiente).

 -Hablas de “ordenar el listado de las reivindicaciones y de las
medidas”. ¿Qué propondrías para ir poniendo el hilo en la aguja?/



De las medidas concretas que estaban ya recogidas en la mayoría de
los documentos de la izquierda altermundialista y que también han estado
en el origen de tantas y tantas manifestaciones, seguramente habría que
priorizar, en el plano global, estas cuatro: 1ª Condonación de la deuda
externa a los países empobrecidos; 2ª Dedicación del 0,7% del PIB de los
países ricos a ayudar a las poblaciones de países en peor situación
socio-económica*; *3ª Garantía para la soberanía alimentaria de los
pueblos y poblaciones afectados por el intercambio desigual*; *y 4ª
Tasación de las transacciones comerciales internacionales y de los
flujos especulativos de capitales, dedicando lo recaudado a políticas
sociales para mejorar la situación de los desfavorecidos.

Esto supondría, claro está, reestructurar, disolver o abolir los
principales organismos económico-financieros internacionales actualmente
existentes y, desde luego, democratizar la organización de las Naciones
Unidas. Yo veo en la realización de medidas así una de las condiciones
de posibilidad, necesaria, para abordar con justicia el asunto de la
crisis ecológica global, que es el otro gran problema de la humanidad en
la actualidad. Pues la conciencia del problema no basta.

En lo más próximo, en lo local, estatal o regional, una izquierda digna
de ese nombre tendría que hablar claro, sobre todo después de lo que
hemos visto en la última crisis. Para contactar de verdad con los que
quieren otro mundo esa izquierda tendría que decir, creo yo, cosas así:



1º Ninguna reforma del mercado laboral que no venga precedida por la
reforma del mercado financiero y por el pago, con intereses, de los
daños causados por los especuladores;

2º Ningún tipo de ayuda pública, estatal o ciudadana a bancos, entidades
financieras y aseguradoras que no venga precedida por el reparto social
de los beneficios previamente obtenidos por esas entidades privadas;

3º Ninguna medida de ajuste y austeridad que no vaya precedida por la
reducción de la jornada laboral, la abolición de los trabajos precarios
y la puesta en práctica del principio “a igual trabajo, igual salario”;

4º Ningún reparto del trabajo para pobres y desgraciados que no vaya
precedido por el reparto equitativo de la riqueza y por una renta básica
de ciudadanía;

5º Ninguna ley de extranjería que no venga precedida por el
reconocimiento de que los inmigrantes son, en primer lugar, trabajadores
y hermanos de los trabajadores del país de acogida.



En ese contexto no debería considerarse aceptable ningún discurso de
democratización de nada que no fuera precedido por el ejemplo patente de
la democratización de la gestión de las grandes empresas privadas,
empezando por la banca y las grandes corporaciones de la información y
la comunicación. Toda propuesta de democratización que no empiece por la
democratización real de la empresa de quien la hace se considerará, sin
más, materia para chistes de El Roto…

Supongo que en cosas así piensa la gente cuando piensa por dónde podría
empezar el socialismo del siglo XXI.


            Fuente: Entrevista realizada por Miguel Riera y publicada en
            el nº 269 de El Viejo Topo, junio de 2010, bajo el título
            /Potenciar la red de redes. /


In
EL VIEJO TOPO
https://www.elviejotopo.com/topoexpress/la-refundacion-de-una-izquierda-para-el-siglo-xxi/
4/6/2019

quinta-feira, 6 de junho de 2019

El fantasma comunista en su laberinto (Notas “desde un oscuro rincón del mundo”)



Néstor Kohan (Cátedra Che Guevara de Argentina)

El capitalismo a debate
Después de varias décadas de guisos recalentados posmodernos, sopas “posmarxistas”, ensaladas reformistas y postres “poscoloniales” a la carta, la discusión sobre el capitalismo mundial vuelve al centro de la mesa. En los movimientos sociales, en las organizaciones políticas y en el mundo cultural. Ya nadie se conforma con los “microrrelatos”, los “micropoderes”, la “microhistoria”. Todos los pretextos y malabarismos para no hacerse cargo de las crisis salvajes que atraviesan al sistema capitalista son apartados, como migajas sucias, fuera del mantel. El incendio de la crisis del 2008 no se apaga. El fuego se extiende. El planeta cruje. Cada vez se vuelven más impostergables las explicaciones totalizantes sobre lo que atravesamos. ¿Estaremos, por fin, en una época de capitalismo “desterritorializado” e interdependiente, sin imperialismos, metrópolis, dependencias ni periferias, donde un grupo de vendedores ambulantes de un barrio perdido de Haití juega el mismo papel en el sistema mundial que el Bundesbank alemán, una aldea lejana de Indonesia tiene el mismo rango de poder financiero y político-militar que Wall Street o el Pentágono? ¿O tal vez sigamos ubicados, aunque no nos demos cuenta, en el antiguo capitalismo keynesiano de posguerra, con cadenas de producción de valor ancladas en cada país y capitales regulados a escala puramente nacional? ¿Fue totalmente inocua la contraofensiva capitalista iniciada en septiembre de 1973 en Chile, luego extendida a la Argentina de 1976 y finalmente aplicada durante 1979-1980 en el Londres de Margaret Thatcher y en el Washington de Ronald Reagan? ¡Qué alguien acerque una explicación por favor y nos aclare el panorama! ¿No estaremos viviendo quizás una nueva fase del imperialismo, en la cual se combinan las revoluciones tecnológicas del capitalismo tardío que estudió Ernest Mandel, los cinco monopolios mundiales que explicó Samir Amin y la reconquista planetaria por desposesión sobre la que nos alertó David Harvey? Sea cual sea la respuesta correcta, lo que está claro es que a partir de la crisis feroz del 2008 y la reconversión de los antiguos fanáticos del libre comercio en “proteccionistas” y “guerreros comerciales” (EEUU, Alemania, China, etc.), sumadas a las invasiones, bombardeos, bloqueos económicos e intervenciones políticosmilitares imperialistas de la última década, cualquier análisis serio del presente ya no puede seguir repitiendo los tics, los slogans y las modulaciones de la “coexistencia pacífica” de 1960. Aquel tosco y demasiado inocente “pacifismo” de Nikita Kruschev de los viejos documentales en blanco y negro; una década más tarde adoptado en las metrópolis occidentales por el eurocomunismo (acompañado de refinadas y exquisitas argumentaciones epistemológicas), hoy… ¡atrasa!
Plantear que la gran meta estratégica del comunismo es… “la paz” (así, en general, como hablaban los soviéticos) y la defensa de “la democracia” (también en general, sin especificaciones ni apellidos), está demodé. No va más. No se corresponde con el planeta en que vivimos.
¿Flower power frente al imperialismo o estrategia comunista?
El mundo cambió. Lamentablemente no lo hizo para mejor. El hippismo de John Lennon y Yoko Ono, junto con el flower power, quedaron en el hermoso rincón de la nostalgia estética y la memoria musical. Lejos de aquellos pelos largos y sus protestas pacifistas en las sábanas blancas, nuestro mundo actual se parece mucho más a las sombrías imágenes distópicas donde proliferan las invasiones, las bases militares a escala planetaria, la vigilancia global, la represión de las masas empobrecidas migrantes y las guerras por recursos naturales no renovables. Si tenemos los pies sobre la tierra y no confundimos el principio del placer (y la imaginación psicodélica) con el principio de realidad, el trauma de la caída del Muro de Berlín y las añejas nostalgias, hoy inoperantes, deben superarse de una buena vez. De nada sirve invocarlas periódicamente para reinventar nuevos reformismos. En un libro reciente, Estudiando la contrainsurgencia de Estados Unidos. Manuales, mentalidades y uso de la antropología (2019), el antropólogo mexicano Gilberto López y Rivas describe el sistema mundial capitalista de nuestra época. Es sólo un intento posible, pero a nuestro entender muy útil y realista. A la hora de definir las características centrales y el tipo de capitalismo que predomina en nuestros días, el autor de hecho impugna las versiones apologéticas de una supuesta globalización “homogénea, plana, sin asimetrías ni desarrollos desiguales”. Gilberto López y Rivas plantea que el sistema capitalista de nuestro presente conforma un imperialismo global lanzado sin escrúpulo alguno a una “recolonización del mundo”. Su tesis, arriesgada y precisa, desmonta en la práctica ese lugar común de las academias (financiadas por fundaciones “desinteresadas” como la NED o la USAID) según la cual “en un mundo globalizado, gobernado por la información y el capitalismo cognitivo, Estados Unidos, Europa occidental y los países capitalistas más desarrollados ya no necesitan de América Latina, África ni los países pobres de Asia, es decir, del Tercer Mundo”. Esa formulación trillada, repetida hasta el cansancio por especialistas en guerra psicológica, opinólogos del marketing mediático y diletantes varios a sueldo del imperio, se da de bruces con las guerras permanentes contra países periféricos, los bombardeos “humanitarios” contra los llamados “estados fallidos”, las invasiones político-militares contra las sociedades dependientes, los bloqueos económicos y comerciales contra cualquier gobierno desobediente —despectivamente nombrado como un “régimen” por el sólo hecho de no arrodillarse ante las órdenes de las embajadas estadounidenses, la Unión Europea o las recetas del FMI y el Banco Mundial— y el saqueo ininterrumpido de los recursos naturales y la biodiversidad del Tercer Mundo. Ese proceso renovado de dominación y apropiación o el intento de llevarlo a cabo por métodos violentos, constituye la manifestación de un “neocolonialismo imperialista”, según el riguroso análisis de Gilberto López y Rivas. Toda una definición.
El arcoíris de la bandera roja
Dentro de ese contexto global, no cabe la pasividad. Las resistencias son múltiples. Aunque no todas tienen la misma capacidad de organización, movilización
ni la misma nitidez ideológica para convocar y unir a escala internacional los enojos populares, las rebeldías antisistémicas y las disidencias contra “el nuevo orden mundial”, cada día más caótico, cruel y despiadado. Las banderas de las masas oprimidas y los movimientos sociales a escala planetaria tienen los colores más diversos, desde el verde ecologista y el violeta feminista hasta el emblema multicolor LGTBI, entre muchísimas otras expresiones de la palestra rebelde. Pero de todos los colores y matices, necesariamente variados y coexistentes, creemos que el horizonte rojo del marxismo sigue siendo la perspectiva teórico-política más abarcadora, inclusiva e integradora y la que permite articular y unir todas las demás rebeldías a escala mundial, como hace algunos años señaló la pensadora de Estados Unidos Ellen Meiksins Wood en su conocido libro La renovación del materialismo histórico. Democracia contra capitalismo  (2000).
La nueva resistencia. Polémicas a 90 años de la Primera Conferencia Comunista sudamericana
Hace “apenas” 90 años, cuando no existía internet ni la TV, destacamentos de diversas organizaciones revolucionarias de Nuestra América se reunieron en Buenos Aires [Argentina] para organizar la resistencia de las clases trabajadoras, el mundo plebeyo y popular. Se trataba entonces de enfrentar en forma unida y organizada al imperialismo de aquel tiempo y su famosa crisis capitalista de 1929. La reunión de 1929 tuvo lugar en Nuestra América, diez años después de que en 1919 los bolcheviques fundaran la Internacional Comunista (de la que se cumplen actualmente 100 años). La obra que reúne las intervenciones, ponencias, debates y discusiones de aquel rico encuentro histórico lleva por título El movimiento revolucionario latinoamericano. Versiones de la Primera Conferencia Comunista latinoamericana del 1 al 12 de junio de 1929. Fue editada por “La correspondencia Sudamericana”, Buenos Aires, 1929. El grueso volumen —durante muchos años en poder de escasos coleccionistas— hoy se puede leer y descargar íntegra y gratuitamente del siguiente link: http://cipec.nuevaradio.org/?p=92 [El ejemplar escaneado lo hemos obtenido de la biblioteca personal del historiador marxista Rodolfo Puiggrós, de allí que varias páginas lleven el sello de su archivo]. En algunas investigaciones y libros intentamos analizar los ejes y discusiones de aquella legendaria reunión que intentaba desarrollar en Nuestra América las enseñanzas de Lenin y los bolcheviques, tomando mate, escuchando música latinoamericana y conversando en idioma castellano. No abundaremos ahora en esos análisis. Sin embargo, 90 años después, nos enteramos que en abril de 2019 se han vuelto a reunir organizaciones comunistas de varios países (Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Colombia, Paraguay, Perú, Uruguay y Venezuela) en Montevideo, Uruguay. Estas organizaciones han publicado un documento conjunto donde, invocando aquella Conferencia Comunista de 1929, intentan describir cómo ven el capitalismo actual y cuales deberían ser las estrategias y tácticas para luchar contra él. Puede consultarse la Declaración del Encuentro de Partidos Comunistas de Suramérica en el siguiente link:  http://www.pcu.org.uy/index.php/noticias/item/3110 (fechada en la web el 30 de abril de 2019). A esa reunión no asistieron todos los comunistas del continente. Algunos nucleamientos, incluso, realizaron fuertes críticas al documento. Por ejemplo, puede
consultarse: A propósito de la Declaración de Montevideo. Respuesta del Comité Central del Partido Comunista de México, en el siguiente link: http://comunistas-mexicanos.org/partido-comunista-de-mexico/2213-por-cuestion-deprincipios (fechada en la web el 24 de mayo de 2019). Hasta donde sabemos y tenemos noticias, la organización comunista de Cuba (en otras décadas, en vida de Fidel, cabeza ideológica de la revolución continental nuestro-americana) no sólo no ha participado sino que además ni siquiera se ha manifestado acerca de ninguna de las dos posiciones encontradas. Desde que fue disuelto el célebre “Departamento América” del comunismo cubano (otrora conocido como “Departamento de Liberación Nacional”, bajo dirección de Manuel Piñeiro Losada [“el gallego”; comandante “Barbarroja”]), Cuba se pronuncia a escala internacional prioritariamente a través de su Ministerio de Relaciones exteriores. Pero en esta ocasión ni siquiera por esa vía oficial-diplomática-institucional se han escuchado o leído pronunciamientos cubanos. En medio de este debate político-ideológico abierto a escala continental y ante el silencio de Cuba, una tercera organización que hasta hace muy poco tiempo se reclamaba y definía como comunista, tampoco se pronunció en el debate, pues está atravesando una crisis aguda al borde de la división, hecha pública por todos los medios de comunicación del mundo. Se trata de las antiguas FARC-EP [Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia-Ejército del Pueblo, vinculadas anteriormente al Partido Comunista Clandestino de Colombia – PCCC], definidas antes de su desarme, reconversión y de la firma con el Estado colombiano como un “partido comunista en armas”. Lo que está claro es que ya nadie se atribuye ni ejerce la función internacional de “partido guía”. Ni el antiguo partido comunista de Rusia (que lideraba el universo “prosoviético”), ni el de China (otrora a la cabeza de la constelación maoísta), ni el de Corea del norte, ni el de la antigua Albania, ni el de Grecia, ni el ya mencionado partido comunista de Cuba (durante décadas, faro de las insurgencias latinoamericanas e incluso con influencias directas en las Panteras Negras de EEUU). Aunque existen afinidades, simpatías y acercamientos internacionales, el comunismo mundial ya no tiene Vaticano ni Meca ideológica. Y si esto sucede con el mundo comunista, algo no demasiado distinto experimenta también la galaxia de corte trotskista, dividida en no menos de ocho coordinadoras, todas autobautizadas “Cuarta Internacional”, pero en la práctica ninguna de ellas aglutina más de diez representaciones, de distintos países (en el caso de las mayoritarias, varias otras están integradas por apenas dos o tres grupos distintos).
Contrainsurgencia, correlación de fuerzas y problema nacional
El debate abierto en 2019, entonces, tiene muchas aristas. Desde cómo definir el nuevo tipo de capitalismo mundial hasta el proyecto alternativo por el cual se debería luchar si se pretende resistir y cambiar el mundo. ¿Los marxistas y en particular los comunistas deben tener un proyecto progresista, de reformas democráticas y en defensa de la paz o, en cambio, deberían tratar de construir alianzas y acumular fuerzas en función de un proyecto revolucionario, antimperialista y anticapitalista? Cuando avanzan las fuerzas de la extrema derecha, neofascistas y antinstitucionales (en el caso latinoamericano: Brasil, Colombia, ambos bajo los paraguas de Estados Unidos e Israel, aunque algunas de estas corrientes neofascistas también proliferan en Europa), ¿las fuerzas comunistas
deben defender, como estrategia, el parlamento, la legalidad, la constitución y la paz a cualquier costo o, en cambio, se deben preparar para enfrentar mediante todas las formas de lucha posible la contrainsurgencia, hoy realimentada y atizada en tiempos de ofensiva capitalista? En el plano de la estrategia a largo plazo, cuando en América Latina “el ciclo progresista” se debilitó notablemente y la derecha más agresiva muestra su puño de hierro, ¿los comunistas deben promover frentes democráticos, siguiendo las viejas consignas de Jorge Dimitrov y el Séptimo Congreso de la Internacional Comunista de 1935 o en cambio deben propiciar un frente único de las fuerzas revolucionarias, antifascistas, antimperialistas y anticapitalistas? En el ámbito de las tácticas a corto plazo, ¿cuál debería ser la propuesta a presentar en el seno de los movimientos de masas para derrotar a los gobiernos neoliberales (Macri en Argentina, Bolsonaro en Brasil, Duque-Uribe en Colombia, Piñera en Chile, etc.)? ¿Priorizar “la paz y la democracia”, diluyéndose en partidos tradicionales del sistema que encabecen las encuestas electorales, sin mostrar la identidad propia (o incluso escondiéndola) o, por el contrario, promover frentes unitarios de liberación que tengan como objetivo recuperar la soberanía nacional pisoteada por el imperialismo (desde lo económico, lo productivo y lo financiero hasta lo territorial y lo geopolítico) y por lo tanto tratar de influir ideológicamente en las grandes masas que participan de procesos electorales con una identidad definida a través de un programa antineoliberal pero al mismo tiempo proponiendo medidas antimperialistas y con perspectivas anticapitalistas? La disyuntiva es actual, es urgente, pero tiene larga historia. Recordemos que ya en aquella Conferencia Comunista de 1929 el grupo liderado por Victorio Codovilla (con anuencia del PC de la Unión Soviética, presente a través del bujarinista Jules Humbert-Droz [“camarada Luis”]) terminó imponiendo la estrategia continental de la revolución democrática burguesa, “agrariaantimperialista”, basándose en su supuesto “feudalismo” latinoamericano. Posición hegemónica que enfrentó, con nombre y apellido, las propuestas de los delegados de José Carlos Mariátegui, quien proponía como estrategia continental lo siguiente: “La misma palabra revolución, en esta América de las pequeñas revoluciones, se presta bastante al equívoco. Tenemos que reivindicarla rigurosa e intransigentemente. Tenemos que restituirle su sentido estricto y cabal. La revolución latinoamericana será nada más y nada menos que una etapa, una fase de la revolución mundial. Será simple y puramente la revolución socialista. A esta palabra agregad, según los casos, todos los adjetivos que queráis: «antiimperialista», «agrarista», «nacionalistarevolucionaria». El socialismo los supone, los antecede, los abarca a todos” (editorial de la revista Amauta: “Aniversario y balance” [septiembre de 1928]. Noventa años después, reaparece el debate. Nos quedamos sólo en la defensa de “la democracia” a secas, en general, o nos esforzamos por disputar la hegemonía político cultural tirando de la cuerda hacia posiciones socialistas, entrecruzadas, en Nuestra América, con antiguas, postergadas e irresueltas demandas étnico-nacionales (como sucede con la nación mapuche, los más de treinta pueblos-naciones del estado plurinacional de Bolivia, los pueblos originarios del Perú, los del Ecuador, los de Guatemala, los de México, etc.).
¿Tiene sentido suicidar una insurgencia? Balance de inventario
Al evaluar las diferencias actuales entre los comunistas del cono sur y los mexicanos, no debería perderse de vista el contexto regional y la correlación de
fuerzas a escala continental. En ese horizonte, preguntamos con la cabeza fría y absoluta serenidad: ¿fue una buena decisión desarmar (¿o suicidar?) el mayor ejército revolucionario del continente cuando proliferan y se multiplican las bases militares estadounidenses? (Sobre este tema puede consultarse la voluminosa obra de Telma Luzzani (2012): Territorios vigilados. Cómo opera la red de bases militares norteamericanas en Sudamérica. Buenos Aires, Editorial Debate). Desde 2012, cuando ese documentado libro se publicó, hasta hoy, las bases militares estadounidenses han ido en aumento. No es ningún secreto que el gobierno del presidente Macri ha entregado parte del territorio argentino para esas nuevas bases. En el libro Estudiando la contrainsurgencia de Estados Unidos (2019) de Gilberto López y Rivas se encuentran varias descripciones detalladas de los distintos tipos de bases operativas estadounidenses fuera del territorio norteamericano. Al levantar la barrera geopolítica que la insurgencia comunista —con una experiencia práctica de más de medio siglo de lucha— interponía entre los estados de Colombia y Venezuela, ¿no se les dejó las manos libres al paramilitarismo y al narco estado colombiano para que arremeta contra el gobierno bolivariano del chavismo e intente, de la mano de los “halcones” del Pentágono y la administración Trump, derrocarlo por vías violentas? ¿Quizás el gobierno cubano imaginó que, ayudando a desactivar, en nombre de “la paz”, el último contingente político-militar comunista de envergadura, se aflojaría el bloqueo criminal norteamericano contra esa isla heroica y rebelde? Por lo poco que uno conoce, parecería ser que dicho bloqueo está más duro que nunca… ¿Tal vez el gobierno del presidente legítimo de Venezuela, pensó que, desaparecida la guerrilla bolivariana, el estado colombiano iba a respetar, finalmente, la ley, el derecho internacional y la “buena vecindad”? Las apariencias indican lo contrario. Desaparecidas las FARC-EP como fuerza beligerante, el uribismo (el oficial y el paralelo) está más cebado que nunca… y sus paramilitares pueden disponer de la frontera para cometer todo tipo de fechorías y felonías contra el valeroso y abnegado pueblo venezolano. Mientras tanto, al interior de Colombia, el Estado ha ejecutado a 135 ex combatientes, desarmados, asesinados a sangre fría. Sin contar toda la militancia social y de derechos humanos que ha sido reprimida en los últimos meses. Hasta el periódico The New York Times, insospechado de posiciones marxistas, publicó en Estados Unidos un artículo firmado por Nicholas Casey, generando un revuelo de alcance internacional. Allí alerta sobre las ejecuciones extrajudiciales en Colombia, el papel del ex presidente Uribe y el desconocimiento permanente del actual presidente Duque a los acuerdos de paz. Hasta 79 congresistas del Partido Demócrata de los Estados Unidos han pedido a la Casa Blanca suspender todo apoyo a los saboteadores (estatales) de la paz en Colombia. Según el diario norteamericano, el gobierno ultraderechista de Iván Duque y sus principales mandos militares ordenaron volver a la sucia práctica de las “falsos positivos”. Esto es, ejecutar a civiles disfrazándolos de insurgentes y aumentar los “caídos en combates” (falsos) a como dé lugar. Hasta tal punto el periódico The New York Times dio en la tecla que las fuerzas armadas de Colombia iniciaron una investigación interna para descubrir las fuentes militares que dejaron fluir la información de esos nuevos operativos contrainsurgentes. Ante semejante evidencia, ¿tiene sentido seguir tercamente abrazados a un papel firmado en La Habana del cual la burguesía colombiana y su inmenso aparato de guerra se ríe en público?
Neutralizar, desarmar, dividir y aniquilar
Esas parecen haber sido las fases estratégicas de la contrainsurgencia colombiana, dirigida con mucha precisión desde Estados Unidos e Israel. Quizás haya llegado la hora de interrogarse por las debilidades ideológicas que permitieron semejante operación. ¿O fue sólo “perfidia”? ¿Alcanza la categoría de “perfidia” para explicar todo ese proceso? En ese contexto se inscribe el triste y bochornoso “affaire” en torno al secuestro —completamente ilegal y tirado de los pelos— de Jesús Santrich, acusándolo de narcotraficante, burdo montaje al mejor estilo DEA/CIA. ¿Cómo explicarlo? Valiéndose de un montaje digno del famoso computador mágico de Raúl Reyes (de donde brotaban los delirios más hilarantes, las historias más descabelladas), se  reclutó a un militante de la organización, siguiendo el manual de operaciones de la CIA. Todo el mundo recuerda cómo Philip Agee, antiguo agente de “la compañía” que escribió hace décadas un libro famoso: Inside the Company [traducido al castellano con el título Diario de la CIA], describe el clásico método de reclutamiento de la inteligencia estadounidense: el dinero. Mediante este método, el montaje DEA/CIA contra el revolucionario ciego Santrich, apeló una vez más a la figura del “arrepentido” (así los llamaban en la Italia de los años ’70 cuando el estado burgués venció a las Brigadas Rojas; en Argentina los denominaban “quebrados”, en cada país se los conoce con nombres diferentes. Pero en este caso no se trata de algún antiguo militante revolucionario que no aguanta la tortura y colabora —como en Italia o Argentina—sino de alguien que se cruza de bando sin apremios físicos sino a partir del dinero). En el montaje contra Jesús Santrich (dirigente insurgente comunista y bolivariano, pero también escritor, poeta, músico y filósofo), su “acusador” tomó un vuelo inmediato hacia los EEUU donde inmediatamente comenzó a trabajar, según los medios de comunicación, para la DEA, como en la serie más imaginativa de Netflix). ¿Qué objetivo persiguió ese injusto, ilegal y cruel encarcelamiento? En nuestra opinión los objetivos fueron varios. Además de la humillación pública de un dirigente revolucionario conocido a escala internacional —típica operación de guerra psicológica para causarle bajas morales a la tropa enemiga—, el principal objetivo consistió en dividir a las FARC y a todos los comunistas de Colombia. Generar intrigas, enfrentar entre sí a los revolucionarios, debilitar todo proyecto de cambio. Una vieja receta… que el reformismo acepta con tal de que el sistema lo tolere. Las pruebas están a la vista. Parte de la dirigencia oficial del nuevo partido reciclado, que ya no menciona la palabra “marxismo” ni “comunismo”, trató de desentenderse de Santrich. Incluso alguno de sus editorialistas estrellas, ahora converso, dio cierta credibilidad al montaje oficial dejando en manos de la víctima la carga probatoria de su inocencia, en lugar de negar rotundamente lo que a todas luces era una maniobra fabricada artificialmente contra uno de sus compañeros. Ese mismo editorialista estrella que, con evidentes intenciones de provocación política, acusó a Iván Márquez de estar “asesorado” por expertos trotskistas extranjeros. ¡La derecha feliz, aplaudía a rabiar! La familia comunista se desangraba y dividía sin pena ni gloria a cambio de… nada. Eso motivó que Iván Márquez, principal líder insurgente (quien en agosto de 2017 quedó primero en las votaciones de la nueva organización con 888 votos, mientras que Rodrigo Londoño Echeverri [“Timoléon Jiménez”, “Timochenko”]
quedó en el quinto puesto, por debajo incluso de los votos obtenidos por Jesús Santrich), escribiera una carta pública titulada “A los guerrilleros en los ETCR y a todos los colombianos” que se puede consultar en el siguiente link: https://www.lahaine.org/mundo.php/a-los-guerrilleros-en-los (publicada en la web el 21 de mayo de 2019). En ella hacía una autocrítica pública por la entrega de armas al estado colombiano antes de concretar lo prometido. En lugar de leer con humildad el llamamiento, reflexionar en conjunto, asumir debilidades y pensar un plan colectivo a futuro para intentar reconstruir —en las nuevas condiciones— lo políticamente perdido, la carta pública de Iván Márquez fue respondida al instante por Rodrigo Londoño quien “decretó” que Iván Márquez… era separado de las FARC. La decisión de Londoño fue aplaudida por toda la derecha y los medios de comunicación monopólicos, amenazando a los dirigentes políticos, ex guerrilleros, ante un eventual regreso a la lucha. Cumplido el objetivo, Santrich es puesto en libertad. Estados Unidos y el narco estado colombiano ya habían obtenido lo que querían.
Reflexionando “Desde un oscuro rincón del mundo”
Hace medio siglo el viejo profesor marxista Rodolfo Puiggrós escribió que como los argentinos no hemos logrado tomar el poder y hacer nuestra propia revolución socialista vamos por el mundo inspeccionando revoluciones ajenas. Esa filosa ironía de Puiggrós, lúcida y sabia, me acompaña desde la primera vez que la leí. Es un llamado a la humildad. Un bien escaso en nuestra izquierda. No obstante, respetando las decisiones políticas de cada país, al menos se puede opinar. Creemos que las únicas opciones revolucionarias no son las que se autodenominan exclusivamente “PC”. Mucha agua ha corrido bajo el puente desde la Conferencia Comunista de 1929 y de la otra, aún más grande, de 1960 (“de partidos comunistas y obreros”), por mencionar sólo dos. Si dejamos de lado las denominaciones y las autoproclamaciones: ¿dónde está representado hoy el movimiento revolucionario latinoamericano? La respuesta no es tajante ni matemática. Está en el espacio de los “PC” pero también en otros espacios políticamente contiguos, que muchas veces se han formado en polémica con los “PC”. Existen también otras coordinaciones, no denominadas exclusivamente “PC”, pero que implícitamente asumen esa cultura, como el Movimiento Continental Bolivariano (MCB), donde el marxismo y la herencia de Lenin se entrecruzan con las historias de lucha independentistas (en este caso simbolizadas en la figura de Simón Bolívar, aunque también habría que agregar al Che Guevara). ¿No será hora de revitalizarlo y ampliarlo? Y en paralelo también existen movimientos que se nutren del marxismo, entrecruzándolo con el indianismo revolucionario (como en el caso de Bolivia y el de Chiapas), o también con la teología de la liberación, de inspiración marxista y cristiana (como es el caso de Brasil y de algunos países centroamericanos). En todos estos casos y espacios, una de las claves centrales para afrontar los desafíos pendientes es asumir una posición internacionalista que no dependa de “capitales” ni “vaticanos” o “mecas” ideológicas: sea Moscú, Pekín, La Habana, París, Atenas, etc. La discusión entre reformismo y revolución se ha complejizado. ¿Cincuenta años de guerra civil sólo para alcanzar la paz? ¿No estaba en la agenda la transformación social, la toma del poder, la revolución? Quien haya visto siquiera en la web algún video del viejo Manuel Marulanda sabe perfectamente que el líder
insurgente con más años de insurgencia de todo el continente (pues comenzó incluso antes que Fidel) repitió una y mil veces: “Que nadie se confunda. Nosotros luchamos por el poder. Ese es el mejor sueño y el más grande que hemos soñado: el poder” (se puede buscar en youtube o en otras plataformas de la web. Mientras dice esto, el viejo líder colombiano se sonríe ante la cámara). Lo que quizás habría que preguntarse y explicar es el desarme ideológico, anterior a todo desarme político o militar. ¿Cómo y por qué razones se llevó a cabo? ¿Cómo se podría revertir? Aunque importantísimo, quizás la cuestión no sea en qué momento se realizó “la dejación de las armas”, sino las razones por las cuales se tomó semejante decisión política. Tampoco resulta determinante si en el cono sur únicamente se plantea la lucha por la democracia y el progresismo, dejando el socialismo para un horizonte ya indistinguible en el tiempo y en el espacio. El problema es que se ha vuelto a reflotar la muy antigua cultura del “frente democrático”. Aquellas viejas tesis de Dimitrov, pero de una manera muchísimo más light y descafeinada. Porque una cosa es que, en una coyuntura determinada, en una situación concreta, no haya fuerzas suficientes para plantearse la tomar del poder y el socialismo y algo totalmente distinto es que ese proyecto se archive definitivamente y se abandone para la eternidad. Recordamos cuando el joven Hugo Chávez dijo, con enorme lucidez y valentía política: “Hemos fracasado….por ahora”. Otra sería la historia de este continente si hubiera dicho: “Hemos fracasado”. Y punto. En nuestra modesta opinión, no se trata de volver a la nostalgia, ponerse una camiseta con la sigla CCCP (URSS), como suelen hacer algunos jóvenes que cultivan la moda “retro”. Tampoco se trata de seguir girando en torno a si Trotsky reprimió anarquistas en Kronstadt y si Stalin a su vez asesinó a Trotsky y si a su turno Kruschev traicionó a Stalin volcándose hacia el pacifismo, redoblado hasta el paroxismo por el eurocomunismo y así de seguido. No. Definitivamente no. Lo que se trata es de abandonar el síndrome del Muro de Berlín. Recuperar la ofensiva ideológica. Tener los pies en la tierra y no caer en la doble moral de proclamar consignar ultra-radicales manteniendo una practica cotidiana ultrareformista. Sabemos que la coyuntura no juega a nuestro favor. Pero no abandonemos la perspectiva revolucionaria. Si en un contexto de contrainsurgencia global, las organizaciones marxistas revolucionarias tienen que hacer alianzas con fuerzas que no son anticapitalistas, habrá que ser flexibles. Los movimientos de liberación nacional (recordemos el ejemplo vietnamita, por no mencionar otros más cercanos) así lo exigieron. Pero eso no implica diluirse, borrar la propia identidad, carecer de una estrategia propia ni soltar para siempre el sueño de la revolución socialista. “Todo es ilusión, menos el poder”, escribió Lenin alguna vez. Mariátegui, Mella y Farabundo Martí se plantearon el poder, incluso cuando no pudieron concretarlo. Fidel, el Che, Marulanda, Marighella, etc. siguieron ese camino. Otros y otras, que no se definieron dentro de la cultura “PC” (como Robi Santucho, Raúl Sendic, Miguel Enríquez, Carlos Fonseca, Roque Dalton, Camilo Torres, etc,) en la práctica… dieron su vida por la revolución y el comunismo. Se llamaran como se llamaran. Su memoria, que es la nuestra, se merece mucho más que ir a remolque de
la burguesia.

In
LAHAINE
https://www.lahaine.org/mundo.php/el-fantasma-comunista-en-su
1/6/2019