terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Monsanto: 25 doenças que podem ser causadas pelo agrotóxico glifosato



Por Alexis Baden-Mayer
Do Sin Permiso


A Monsanto investiu no herbicida glifosato e o levou ao mercado com o nome
comercial de Roundup em 1974, após a proibição do DDT. Mas foi no final dos anos
1990 que o uso do Roundup se massificou graças a uma engenhosa estratégia de
marketing da Monsanto. A estratégia? Sementes geneticamente modificadas para
cultivos alimentares que podiam tolerar altas doses de Roundup. Com a introdução
dessas sementes geneticamente modificadas, os agricultores podiam controlar
facilmente as pragas em suas culturas de milho, soja, algodão, colza, beterraba
açucareira, alfafa; cultivos que se desenvolviam bem enquanto as pragas em seu
redor eram erradicadas pelo Roundup.


Ansiosa por vender seu emblemático herbicida, a Monsanto também incentivou os
agricultores a usar o Roundup como agente dessecante, para secar seus cultivos e
assim fazer a colheita mais rapidamente. De modo que o Roundup é usado rotineira
e diretamente em grande quantidade de cultivos de organismos não modificados
geneticamente, incluindo trigo, cevada, aveia, colza, linho, ervilha, lentilha,
soja, feijão e beterraba açucareira.


Entre 1996 e 2011, o tão difundido uso de cultivos de Organismos Geneticamente
Modificados (OGM) Roundup aumentou o uso de herbicidas nos Estados Unidos em 243
milhões de kg – ainda que a Monsanto tenha assegurado que os cultivos de OGM
reduziriam o uso de pesticidas e herbicidas.


A Monsanto falsificou dados sobre a segurança do Roundup e o vendeu para
departamentos municipais de parques e jardins e também a consumidores como sendo
biodegradável e estando de acordo com o meio ambiente, promovendo seu uso em
valetas, parques infantis, campos de golf, pátios de escola, gramados e jardins
privados. Um tribunal francês sentenciou que esse marketing equivalia a
publicidade enganosa.


Nos quase 20 anos de intensa exposição, os cientistas documentaram as
consequências para a saúde do Roundup e do glifosato na nossa comida, na água
que bebemos, no ar que respiramos e nos lugares em que nossas crianças brincam.


Descobriram que as pessoas doentes têm maiores níveis de glifosato em seu corpo
do que as pessoas sadias.


Também encontraram os seguintes problemas de saúde que eles atribuem à
exposição ao Roundup e/ou ao glifosato:


1) TDHA: nas comunidades agrícolas, existe uma forte relação entre a exposição
ao Roundup e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, provavelmente
devido à capacidade do glifosato de afetar as funções hormonais da tireoide.


2) Alzheimer: no laboratório, o Roundup causa o mesmo estresse oxidativo e
morte de células neurais observados no Alzheimer. Isso afeta a CaMKII, uma
proteína cuja desregulação também foi associada à doença.


3) Anencefalia (defeito de nascimento): uma pesquisa sobre os defeitos no tubo
neural de bebês cujas mães viviam em um raio de mil metros de distância de onde
se aplicava o pesticida mostrou uma associação entre o glifosato e a
anencefalia; a ausência de uma grande porção do cérebro, do crânio e do
pericrânio formado durante o desenvolvimento do embrião.


4) Autismo: o glifosato tem um número de efeitos biológicos alinhados a
conhecidas patologias associadas ao autismo. Um desses paralelismos é a disbiose
observada em crianças autistas e a toxicidade do glifosato para bactérias
benéficas que combatem bactérias patológicas, assim como a alta resistência de
bactérias patógenas ao glifosato. Além disso, a capacidade do glifosato de
facilitar a acumulação de alumínio no cérebro poderia fazer deste a principal
causa de autismo nos EUA.


5) Defeitos de nascença: o Roundup e o glifosato podem alterar a vitamina A
(ácido retinoico), uma via de comunicação celular crucial para o desenvolvimento
normal do feto. Os bebês cujas mães viviam em um rádio de 1 km em relação a
campos com glifosato tiveram mais que o dobro de possibilidade de ter defeitos
de nascença segundo um estudo paraguaio. Os defeitos congênitos se
quadruplicaram na década seguinte a que os cultivos com Roundup chegaram ao
Chaco, uma província da Argentina na qual o glifosato é utilizado entre 8 e 10
vezes mais por acre do que nos EUA. Um estudo em uma família agricultora nos EUA
documentou elevados níveis de glifosato e defeitos de nascença em crianças, tais
como ânus não perfurados, deficiências no crescimento hormonal, hipospádias
(relacionada à normalidade da abertura urinária), defeitos no coração e
micropênis.


6) Câncer cerebral: em um estudo comparativo entre crianças sadias e crianças
com câncer cerebral, os pesquisadores detectaram que, se um dos pais estivera
exposto ao Roundup dois anos antes do nascimento da criança, as possibilidades
de ela desenvolver câncer no cérebro dobravam.


7) Câncer de mama: o glifosato induz o crescimento de células cancerígenas no
peito por meio de receptores estrógenos. O único estudo em animais a longo prazo
de exposição ao glifosato produziu ratas com tumores mamários e reduziu a
expectativa de vida.


8) Câncer: pesquisas de porta em porta com 65 mil pessoas em comunidades
agrárias da Argentina nas quais o Roundup foi utilizado – conhecidas como
cidades fumigadas – mostraram médias de câncer entre duas e quatro vezes maiores
do que a média nacional, com altos índices de câncer de mama, próstata e pulmão.
Em uma comparação entre dois povos, naquele em que o Roundup fora aplicado, 31%
dos moradores tinham algum familiar com câncer, ao passo que só 3% o tinham em
um povoado sem Roundup. As médias mais elevadas de câncer entre as pessoas
expostas ao Roundup provavelmente surgem da reconhecida capacidade do glifosato
de induzir danos ao DNA, algo que foi demonstrado em inúmeras pesquisas de
laboratório.


9) Intolerância ao glúten e doença celíaca: peixes expostos ao glifosato
desenvolveram problemas digestivos que são reminiscentes da doença celíaca.
Existem relações entre as características da doença celíaca e os conhecidos
efeitos do glifosato. Isso inclui desajustes nas bactérias das tripas,
deslocamento de enzimas implicadas na eliminação de toxinas, deficiências
minerais e redução dos aminoácidos.


10) Doença crônica nos rins: os aumentos no uso do glifosato poderiam explicar
as recentes ocorrências de falências renais entre os agricultores da América
Central, do Sri Lanka e da Índia. Os cientistas concluíram que, “embora o
glifosato por si só não provoque uma epidemia de doença renal crônica, parece
que ele adquiriu a capacidade de destruir os tecidos renais de milhares de
agricultores quando forma complexos com água calcária e metais nefrotóxicos”.


11) Colite: a toxidade do glifosato sobre bactérias benéficas que eliminam a
clostridia, assim como a alta resistência da clostridia ao glifosato, poderia
ser um fator significativo na predisposição ao sobrecrescimento da clostridia. O
sobrecrescimento da clostridia, especialmente da colite pseudomembranosa, foi
comprovado como causa da colite.


12) Depressão: o glifosato altera os processos químicos que influem na produção
da serotonina, um importante neurotransmissor que regula o ânimo, o apetite e o
sono. O desajuste da serotonina é vinculado à depressão.


13) Diabetes: Os níveis baixos de testosterona são um fator de risco para o
tipo 2 de diabetes. Ratos alimentadas com doses significativas de Roundup em um
período de 30 dias, abrangendo o começo da puberdade, tiveram uma redução na
produção de testosterona suficiente para alterar a morfologia das células
testiculares e o início da puberdade.


14) Doença cardíaca: o glifosato pode alterar as enzimas do corpo, causando
disfunção lisossomal, um fator importante nas doenças e falências cardíacas.


15) Hipotireoidismo: uma pesquisa realizada de porta em porta com 65 mil
pessoas em comunidades agrícolas na Argentina nas quais se usa o Roundup
encontrou médias mais elevadas de hipotireoidismo.


16) Doença inflamatória intestinal: o glifosato pode induzir a deficiência
severa do triptófano, que pode levar a uma grave doença inflamatória intestinal
que desajusta severamente a capacidade de absorver nutrientes por meio do
aparato digestivo devido à inflamação, hemorragias ou diarreia.


17) Doença hepática: doses muito baixas do Roundup podem alterar as funções das
células no fígado, segundo um estudo publicado em 2009 na “Toxicology”.


18) Doença de Lou Gehrig: a deficiência de sulfato no cérebro foi associada à
Esclerose Lateral Amiotrófica. O glifosato altera a transmissão de sulfato do
aparelho digestivo ao fígado, e poderia levar a uma deficiência de sulfato em
todos os tecidos, incluindo o cérebro.


19) Esclerose múltipla: encontrou-se uma correlação entre uma incidência
aumentada de inflamação de intestino e a Esclerose Múltipla. O glifosato poderia
ser um fator causal. A hipótese é que a inflamação intestinal induzida pelo
glifosato faz com que bactérias do aparelho digestivo se infiltrem no sistema
circulatório, ativando uma reação imune e, como consequência, uma desordem
autoimune, resultando na destruição da bainha de mielina.


20) Linfoma Não-Hodgkin: uma revisão sistemática e uma série de meta-análises
de quase três décadas de pesquisas epidemiológicas sobre a relação entre o
linfoma não-hodgkin e a exposição a pesticidas agrícolas concluiu que o linfoma
de célula B tinha uma associação positiva com o glifosato.


21) Doença de Parkinson: os efeitos danosos dos herbicidas sobre o cérebro
foram reconhecidos como o principal fator ambiental associado a desordens
neurodegenerativas, incluindo a doença de Parkinson. O início de Parkinson após
a exposição ao glifosato foi bem documentado, e estudos em laboratório mostram
que o glifosato provoca morte celular característica da doença.


22) Problemas na gravidez (infertilidade, morte fetal, aborto espontâneo): o
glifosato é tóxico para as células da placenta, o que, segundo os cientistas,
explicaria os problemas na gravidez de trabalhadoras agrícolas expostas ao
herbicida.


23) Obesidade: uma experiência consistente na transmissão de uma bactéria do
aparelho digestivo de um humano obeso para os aparelhos digestivos de ratos
provocou obesidade nos ratos. Tendo o glifosato produzido uma mudança nas
bactérias do aparelho digestivo de produtores de endotoxinas, a exposição ao
glifosato poderia, dessa forma, contribuir com a obesidade.


24) Problemas reprodutivos: estudos de laboratório em animais concluíram que os
ratos machos expostos a altos níveis de glifosato, tanto no desenvolvimento
pré-natal ou da puberdade, padecem de problemas reprodutivos, incluindo o atraso
na puberdade, a baixa produção de esperma e a baixa produção de testosterona.


25) Doenças respiratórias: as mesmas pesquisas com 65 mil pessoas na Argentina
descobriram médias mais elevadas de doenças respiratórias crônicas.


Alexis Baden-Mayer é editor do Organic Consumers Fund.

Tradução de Daniella Cambaúva.

IN
MST
http://www.mst.org.br/2015/02/18/monsanto-25-doencas-que-podem-ser-causadas-pelo-agrotoxico-glifosato.html
18/2/2015

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