terça-feira, 19 de setembro de 2017

Retratos dos trabalhadores da laranja em Duartina (SP) e a dura realidade de quem sobrevive no campo




A difícil rotina dos assalariados rurais que trabalham na colheita da laranja em
Duartina (SP) pode ser percebida no rosto marcado pelo sol, nas mãos grossas da
labuta diária e nas dores físicas crônicas de quem precisa colher o máximo de
sacas possível para conseguir ganhar o mínimo.

O salário que gira em torno de R$ 1 mil, às vezes nem isso, é conquistado em
condições precárias, com pouco tempo para alimentação, não acesso à higiene
pessoal, transporte caindo aos pedaços, em jornadas que chegam a 8 horas – 12
horas por dia.  O perfil de quem trabalha na colheita da laranja em Duartina é
em grande parte de analfabetos ou semi-analfabetos, moradores da cidade, de
regiões vizinhas e migrantes vindos da região Norte- Nordeste.

Diante da baixa escolaridade se submetem às piores condições de trabalho e temem
o desemprego. Esses trabalhadores, que tentam se agarrar ao mínimo de direitos
que as empresas ainda garantem, pouco ou nada sabem sobre a Reforma Trabalhista,
e a única certeza que têm é de que a situação, que já não é boa, vai piorar.

Há 16 anos colhendo laranja, Cícera Maria Cândida Rodrigues, 53 anos, mãe de
três filhos e avó de três netos, retira na colheita da laranja, junto com o
marido, o sustento da família. Enfrenta uma jornada das 7h às 16h, podendo se
estender para 17h, dependendo do quão longe estão do local onde avançaram na
colheita. Ela consegue colher uma média de 100 caixas de laranja por dia de
trabalho.

O transporte é feito em ônibus sem estrutura mínima de conforto e segurança.
Quando os trabalhadores são questionados sobre as condições desse transporte, a
resposta vem com a praticidade de quem só quer ir e voltar e não ser deixado no
meio do caminho. É comum o ônibus quebrar e muitos terem que enfrentar a penúria
de ficar na estrada a espera de conserto, que pode demorar até duas horas.
Poucos falam da falta de conforto ou de estruturas básicas como cinto de
segurança, apenas exaltam que os “motores estão bons” e os levam sem maiores
transtornos.

“Ônibus bom mesmo, não tem não, às vezes quebra no caminho, e dependendo do
horário a gente espera consertar e ainda vamos para o serviço”, explica.

A saúde desses trabalhadores é outro elemento que preocupa, mas acaba ficando em
segundo plano, porque comer vem na frente.  O kit de sobrevivência é composto
pela marmita de isopor, que mantém a comida quente por mais tempo, e a garrafa
de água.

Os equipamentos de segurança obrigatórios, como bonés, roupas mais grossas para
se proteger do sol, luvas, caneleira, óculos e botinas são o mínimo de proteção
para quem convive com o agrotóxico usado nas lavouras, o sol e horas de trabalho
braçal.  Mas nem todos usam tudo. Protetor solar é item de luxo e não fornecido
pela empresa, soro (mais eficaz para hidratação) também só é fornecido por
empresas maiores.

“Sobre equipamento de proteção, nem todo mundo usa óculos. Protetor solar, só em
uma firma que eu trabalhei que davam, as outras não costumam dar não. Se a gente
quiser, tem que comprar”, conta Cícera.

“Veneno eles passam ali no nosso lado, a gente está em uma quadra e eles passam
o veneno na outra, se passar veneno à noite, quando serena, respiga tudo na
gente, porque junta o veneno e o sereno. A gente tem medo do veneno, mas fazer o
quê?”, questiona.

A trabalhadora reclama de dores nas pernas de ficar subindo e descendo escada.
“Dependendo da fazenda, você é obrigado a colher quatro ruas [quadras de plantio
da laranja] e em cima de escadas, em pomares maiores, e às vezes as ruas são
subidas, é trabalhoso. Tem muita mulher que reclama do peso, diz que dá problema
no ovário, de ficar carregando muito peso, eu não sei, é o que dizem”, comenta.

“É bem raro as pessoas que descansam mais de uma hora. Eu mesma acabo de comer,
uns 15 minutos depois e já volto pro trabalho”, conta a trabalhadora.

Quando está chovendo não é permitido o trabalho, mas Cícera conta que não é bem
assim na prática. “Se tiver chovendo muito, a gente não entra, mas se tiver
chuvisqueiro a gente entra, e sai de lá ‘tomado’ banho”, revela.

O acesso ao banheiro é dificultado. Conforme os trabalhadores vão avançando na
colheita e as quadras vão sendo deixadas para trás, o banheiro químico, que
deveria ser mudado de lugar junto a essa movimentação, em grande parte dos casos
não muda. O que acontece é que o trabalhador tem de andar cerca de 1 km ou até
mais para ter acesso a ele. Com isso, acabam fazendo suas necessidades ali, no
mato mesmo, homens e mulheres sem acesso ao mínimo.

Natalício Rodrigues, marido de Cícera, conta também que só sabe fazer isso da
vida. Já cortou cana e depois da falência de duas empresas foi para a colheita
da laranja, trabalho que enfrenta até hoje.
Também reclama das metas estabelecidas na lavoura e que pela idade, 58 anos,
estão cada vez mais difíceis de serem alcançadas. “Eu tenho 58 anos e já não
faço o que uma pessoa nova faz. Eles pedem a média de 100 caixas, eu consigo
tirar até 60 – 80 caixas, e aí a gente é criticado ou ameaçado de ser mandado
embora, porque a média deles é alta”, diz.

Sobre o veneno na lavoura, ele também diz que a forma como é a manipulação não é
a correta. “Só uma empresa que eu conheço que passa o veneno de avião e no dia
não deixa as pessoas trabalharem. As outras não”, conta.  Natalício acredita que
é o veneno que provoca um efeito misterioso em seus olhos na alta safra. “Quando
começa a safra da laranja a gente vai ao banheiro e parece que tem pus no canto
dos olhos, quando acaba safra some e eu acho que é o veneno”.

Até a morte de um companheiro de trabalho ele já presenciou. “O rapaz estava
armando um bag [saco de laranja], eram umas 11h, deu num negócio nele, quando
vimos estava morto, foram buscar o corpo às 18h, sete horas depois. Eu achei uma
falta de respeito, porque o cara morto ali e todo mundo trabalhando, como se
nada tivesse acontecido”, lembra indignado.

Governo que retira do pobre para encher os bolsos de dinheiro dos ricos
Para mudar esse quadro, diante de um governo que está até o pescoço envolvido em
escândalos de corrupção, Natalício é incisivo. “Enquanto nós estamos sofrendo,
lá eles estão enchendo caixas, malas, cuecas de dinheiro. O povo tinha que se
reunir e ir para cima, está faltando a união do pobre”, avalia.

Sua companheira Cícera também fala com descrença dos atuais políticos. “É uma
pouca vergonha, né, para gente eles querem tirar e para eles aumentar”,
indigna-se. “O povo tinha que barrar isso aí. Cada vez está ficando mais difícil
para nós, do que jeito que estão fazendo não vamos conseguir nem comer daqui uns
tempos”, completa. “O certo é tirar esse Temer”, arremata.

Intimidação
O medo de represália é ainda muito presente nas lavouras da laranja. Por isso,
muitos preferem silenciar diante de situações absurdas. Como uma mulher, que
acometida por um mioma, diante de dores fortíssimas e praticamente com uma
hemorragia permanente, ainda insistia em trabalhar, “porque não tinha outro
jeito”. Seu salário era complemento de renda para o companheiro que se aposentou
colhendo laranja.

Não quis se identificar por medo, mas relatou que após uma melhora no quadro
preferiu continuar trabalhando, mesmo sabendo dos riscos e tendo que enfrentar
as péssimas condições de higiene no local de trabalho.

O marido, indignado, temia pela saúde da companheira, e a incentivava a
denunciar. Assim como ela, outra colega de trabalho teve que pedir afastamento
por um quadro gravíssimo de depressão. E assim como outros que saíram acometidos
pelo câncer.

No pomar a dura realidade
Em uma visita a uma plantação ali da região, na Fazenda Santa Elisa, que é
fornecedora de laranja para a Cutrale, os dirigentes do Sindicato dos
Trabalhadores da Laranja de Duartina puderam confirmar o que muitos
trabalhadores não disseram por medo ou falaram com vontade de mudança.

Uma camada espessa e branca cobria as folhagens sinalizando que o veneno havia
passado por ali.



Foram observadas diversas irregularidades, como trabalhadores trabalhando sem
luvas, não cumprimento do mínimo de pausa para o almoço de uma hora, além de o
banheiro químico estar distante dos trabalhadores.

Muitos, segundo Abel Barreto, já são acometidos pela quase inexistência de suas
digitais, porque o ácido do suco da casca da laranja provoca uma lesão que só é
revertida após meses de não contato com a fruta.

As falas monossilábicas dos trabalhadores que trabalham no local indicavam que
não podiam perder tempo e que o patrão estava à espreita. Assim como
economizavam nas palavras, economizam nas poucas horas para o descanso, para o
almoço, para aumentar nas sacas colhidas.



Uma ilusão, segundo Abel, que tentava explicar que quanto mais o trabalhador
trabalha, mais lucro garante para o patrão e mais é explorado. “No final das
contas, nada mais sobra para ele, só doença ou a morte mais rápida”, disse.

Trabalho de Base
A cidade de Duartina já foi conhecida pelas plantações de café, bicho da seda,
cana de açúcar e agora o que se vê nas estradas que cortam a cidade são as
plantações de laranja. O cheiro da fruta na cidade de 15 mil habitantes impera e
é o que movimenta a economia não só de Duartina, mas também em cidades vizinhas.

O Sindicato dos Trabalhadores de Duartina, que organiza 5 mil trabalhadores, e
recentemente filiou-se à CSP-Conlutas, é um dos poucos que atua de forma
combativa para alertar essa categoria sobre seus direitos.

Muitos sindicatos, no entanto, ligados à patronal, acabam subvertendo essa
ordem. Ao invés de mobilizar, caem na burocratização, com acordos rebaixados e
que só pioram a realidade já calamitosa de quem colhe laranja para viver.

A descrença dos trabalhadores nas instâncias sindicais é uma realidade que o
Sindicato de Duartina vem tentando mudar, fazendo trabalho de base e alertando
os trabalhadores sobre seus direitos.

A intimidação dos patrões e o medo de perder o emprego são outros elementos que
fazem os trabalhadores por vezes se afastarem. É o que avalia o presidente do
Sindicato, que busca no trabalho de base, dia a dia, no corpo a corpo encorajar
essa categoria a lutar por seus direitos.

“O corpo a corpo é um trabalho bem árduo, mas que tem ser permanente se a gente
quiser levar para o trabalhador consciência e a clareza da importância deles e
de que são eles que constroem a riqueza desse Brasil. Só assim podemos mudar
essa realidade e a escravidão que esse trabalhador vive”, salienta Abel.

A reportagem da CSP-Conlutas acompanhou o dirigente em uma panfletagem para a
divulgação de um curso sobre saúde do trabalhador. O ponto de parada dos ônibus
empoeirados da viagem dos pomares de laranja até a casa dos trabalhadores foi o
local escolhido pelo sindicalista.



Quem busca e leva esses trabalhadores são os chamados “gatos”, ou seja, paus
mandados dos patrões que, ao avistarem Abel no ponto de chegada, paravam mais
adiante o veículo ou passavam direto.

Quando conseguia abordar um ou outro trabalhador, Abel explicava sobre o curso,
a importância da saúde do trabalhador, enquanto em passos apressados muitos só
queriam mesmo encontrar o caminho de casa.

O dirigente retornou no dia seguinte, ainda de madrugada, às 4h30, nesse mesmo
ponto de chegada dos ônibus.  Muitos recebiam o convite com interesse e soltavam
a sua indignação com o atual governo quando era abordados: “é um abaixo-assinado
para tirar o Temer? Se for, assino, já”.

Alguns aproveitam a conversa para tirar dúvidas sobre os seus direitos.
Perguntas como “a gente é obrigado a trabalhar na chuva? Porque lá onde eu
trabalho, teve gente que trabalhou” eram corriqueiras. O dirigente respondia que
aquilo era ilegal e que era preciso que os trabalhadores denunciassem para o
Sindicato para que as providências pudessem ser tomadas.

O agronegócio e governo estão moendo pessoas



O mercado da laranja representa 70% de todo o agronegócio. Fatura milhões às
custas da exploração dos trabalhadores. Um verdadeiro cartel existe no mercado
em que três empresas atuam e subcontratam outras. São elas a Cutrale, Citrosuco
e Louis Dreyfus.

Segundo o dirigente da Feraesp (Federação dos Assalariados Rurais de São Paulo)
Aparecido Bispo, o Cido, o mercado da laranja está carteirizado, pois as
empresas não são concorrentes uma da outra, mas na realidade são parceiras que
criaram uma associação denominada CitrosBR, em que negociam para vender no
mercado internacional. “O Brasil hoje é um cartel da indústria de laranja que
explora o mercado de venda, explora os produtores de terra e os trabalhadores
assalariados e determina a regra do valor da caixa, do produto. No Brasil é
proibido, tem uma CPI que está rolando contra esse absurdo”.

Para Cido, outro drama que logo vai acometer o trabalhador será a mecanização,
que, segundo ele, daqui uns cinco anos será uma realidade, gerando desemprego e
mais exploração.

Sobre as mudanças nas leis trabalhistas, o dirigente só apontou mais
precarização para o trabalhador da laranja. “A safra dura de seis a oito meses,
então o trabalhador entra, faz a safra, é demitido, dá entrada com o seguro
desemprego que dura de três a quatro meses; nesse período ele se utiliza do
seguro até a alta da safra. Com essa nova lei, o patrão não vai querer demitir,
porque ele pode simplesmente mandar o trabalhador para casa e só chamar quando
precisar, então é vantagem para o patrão”, argumenta.

O dirigente culpa todos os governos sobre a atual situação dos trabalhadores do
campo. “Todos os governos foram parceiros dos latifundiários, do agronegócio e
não dos trabalhadores. Basta a gente ver a bancada ruralista e a força que tem.
Eu lembro quando o Lula foi presidente, ele chamou os usineiros de heróis,
infelizmente, podemos ver o resultado disso hoje, trabalhadores desempregados ou
trabalhando em condições precárias e os usineiros estão aí, muito bem,
obrigada”.

Não houve nenhuma política em prol dos trabalhadores, sobretudo quando se fala
em reforma agrária. “O que se tem é uma luta social de trabalhadores rurais, que
na falta de expectativa acabam se mobilizando nas ocupações de terra, e o
governo para tentar segurar a pressão acaba cedendo para aquele grupo, em uma
fazenda ou outra, mas no Brasil não tem uma política para atender os
trabalhadores rurais, porque os trabalhadores rurais trabalham com a terra,
então o governo deveria ter uma política para eles”, avalia.

Unidade campo e cidade
O trabalhador rural é dividido em pequeno produtor, assalariado rural e da
agricultura familiar. Pensando na unidade desses trabalhadores a luta pela
reforma agrária é central dentro do setorial do campo.  Além disso, a unidade e
fortalecimento dos trabalhadores do campo e da cidade é um desafio constante.

Como relacionar as pautas específicas, com as mais gerais, é o fio que conduz o
trabalho. “A luta precisa ser integrada entre o pessoal da roça e da cidade
porque os dois estão perdendo emprego e diretos, ambos estão ficando sem
moradia, sem terra. Nós temos que entender que nós fazemos tudo. A laranja nós
que plantamos, nós que colhemos, nós que moemos e enviamos para fora do Brasil.
O trabalhador é quem engarrafa isso, coloca nas lojas e vende, então estamos em
todo o processo de produção”, explica Abel. “Só defendendo o salário não damos
resposta. Temos que fazer um trabalho integrado”, disse.

Abel complementa dando o exemplo de como essa exploração é feita. “O sistema
corrupto rouba a gente de todas as formas. Um trabalhador ganha R$ 0,50 centavos
para colher uma caixa com 150 laranjas, vai tomar um suco que custa R$ 5 reais,
em que são utilizadas quatro laranjas, isso é mais do que um roubo, só que é
legalizado, é uma exploração vergonhosa que sofremos. É preciso se indignar. Só
tem um jeito que é nos unir e mudar, porque o dia em que nós falarmos basta e
não aceitarmos mais, acaba essa farra. Eu acredito na reação”, concluiu.
In
CSP CONLUTAS

http://cspconlutas.org.br/2017/09/retratos-dos-trabalhadores-da-laranja-em-duartina-sp-e-a-dura-realidade-de-quem-sobrevive-no-campo/
19/9/2017

domingo, 17 de setembro de 2017

Hacia una tasa de ganancia mundial - una vez más



Michael Roberts 

Ya en 2012, me impresionó el trabajo de David Zachariah que calculó las tasas de ganancias nacionales de forma comparativa utilizando datos de las Extended Penn World Tables. Estas tablas fueron compiladas por Adalmir Marquetti que amplió los datos de la Tabla Mundial de Penn para permitir que los economistas marxistas pudieran hacer estimaciones más útiles del nivel y la evolución de la tasa de ganancia para muchos países en el período comprendido entre comienzos de la década de 1960 hasta la Gran Recesión de 2008-9.
Partiendo de esta base de datos, fui más allá de Zacarías, que elaboró las tasas de ganancia para países concretos y compilé un cálculo ponderado de la tasa de ganancia de las siete principales economías capitalistas (G7) y también de las llamadas economías BRIC (Brasil, India, Rusia y china) con el fin de calcular una 'tasa de ganancia mundial'.
El concepto de una 'tasa de ganancia mundial' en términos marxistas está abierto a la discusión. Pero a medida que nos acercamos a los 150 años de la publicación del primer volumen de El Capital de Marx (una obra que será analizada por los mejores estudiosos marxistas en un simposio que he organizado junto con el Kings College, Londres), es importante señalar que Marx siempre consideró el modo de producción capitalista como un sistema mundial, a pesar de que cualquier análisis concreto tiene que basarse en las economías nacionales, en particular, Gran Bretaña en tanto que la economía capitalista más importante en época de Marx.
La mayoría de los cálculos de la rentabilidad del capital en términos marxistas tienden a limitarse a los EEUU, que sigue siendo la economía capitalista más importante en el siglo XXI, o en estados capitalistas individuales. En nuestro próximo libro, El mundo en crisis, con G Carchedi hemos reunido una serie de estudios realizados por jóvenes economistas marxistas de todo el mundo para mostrar el movimiento de las tasas de ganancia en muchos países en los últimos 50-100 años. Proporcionan análisis empíricos en profundidad y confirman la validez de la ley de la rentabilidad de Marx.
Pero Marx tenía una visión del capitalismo como un sistema mundial, que en los últimos 150 años se ha demostrado correcta, en la medida en que el capitalismo se ha establecido como el modo de producción dominante a nivel mundial con la exclusión casi total de otros modos anteriores de producción (la esclavitud, el absolutismo, el feudalismo, etc.). Por lo que el concepto de una tasa de ganancia mundial se hace más creíble - a pesar de que las barreras nacionales sobre el comercio, los flujos de capital y la mano de obra permanecen, de modo que distorsionan la tendencia a la igualación de las tasas de ganancia a través de las fronteras en una sola.
Así, en 2012, trabajé el concepto de una tasa de ganancia mundial simplemente ponderando una tasa promedio para el G7 y los BRIC. He actualizado este trabajo en 2015 (Revisiting a world rate of profit June 2015) mediante el uso de otras fuentes, en particular, la base de datos AMECO de la UE, el trabajo pionero de Esteban Maito, que analizó las 14 principales economías capitalistas para elaborar una tasa mundial ; y también las Penn World Tables.
Mediante la comparación de estas cuatro fuentes, encontré que “se confirma que la tasa de ganancia mundial ha sufrido un declive secular en el período de postguerra”, pero que “ley de la tendencia decreciente de la tasa de ganancia de Marx, no implica que la tasa de ganancia tiene que caer en una línea recta a través del tiempo. Los factores opuestos que entran en juego durante un periodo de tiempo puede superar la tendencia”.  Mis resultados muestran que este fue el caso entre mediados de los años 1970 o antes, hasta finales de 1990 o comienzos del 2000 (dependiendo de la forma de cálculo). Hubo un periodo neoliberal de recuperación de la rentabilidad, pero llegó a su fin mucho antes de la Gran Recesión. La rentabilidad mundial caía ya la primera mitad de la década del 2000 en la mayoría de los cálculos.
Lo más importante es que los resultados muestran que “los cambios en la tasa de ganancia en el período de postguerra siguen la ley de Marx, a saber, que su reducción a largo plazo ha sido acompañada de un aumento de la composición orgánica del capital que ha superado cualquier aumento en la tasa de plusvalía alcanzada por los capitalistas, al menos en las economías del G7. La rentabilidad aumentó en el período neoliberal porque dominó el factor opuesto de una tasa de explotación creciente”.
Se acaba de publicar un nuevo estudio de Ivan Trofimov del Kolej Yayasan Saad Business School, Malasia, en el PSL Quarterly Review de junio de 2017 titulado Las tasas de ganancia en los países capitalistas desarrollados: una investigación de las series temporales. (Trofimov sobre las tasas de ganancia). Como dice Trofimov, su papel “analiza la hipótesis de la caída a largo plazo de las tasas de ganancia (la tendencia de las tasas de ganancia a caer a largo plazo) que ha sido recurrente en la economía clásica y los intentos para validar empíricamente si las tasas de ganancia en las economías desarrolladas han disminuido en las últimas décadas”.
Trofimov utiliza las Extended Penn World Tables como hemos hecho Zacarías y yo y estudia 21 países durante un período de 40 años a partir de la década de 1960. Como Zacarías y yo hemos argumentado, Trofimov señala el valor de esta serie de datos.  “El uso de una muestra más amplia durante una serie temporal suficientemente larga tiene ventajas; permite el examen de las tendencias seculares en las tasas de ganancia más allá de las fluctuaciones cíclicas; nos ayuda a rastrear cambios estructurales y políticos que tuvieron lugar durante las últimas décadas en los países desarrollados”.
Sí, hay un problema con los datos de las Tablas Penn. Dada la naturaleza de las contabilidades nacionales (que no diferencian entre actividades productivas y no productivas e incluyen al sector publico y al capital inmobiliario), “tal elección metodológica puede ser problemática, por lo que se refiere a una posible interpretación de los resultados empíricos desde la perspectiva de la economía política marxista” . Pero se compensa por la coherencia y la consistencia de los resultados. Trofimov también aporta un valor adicional en su estudio mediante el uso de “una batería de pruebas econométricas” para apoyar con cierto grado de consistencia la dirección y el movimiento de diversas tasas de ganancia nacionales.
¿Cuales son los resultados de Trofimov? Como dice, “la observación visual sugiere que durante el periodo de estudio (de 1964 a finales de los años 2000) las tasas de ganancia tendían a la baja en Austria, Canadá, Japón, Portugal, España, Suiza y EEUU. Tendencias al alza probablemente en Luxemburgo y Noruega. En otras economías o bien no hubo una tendencia clara, o eran visibles cambios de tendencia y comportamientos aleatorios“.
Y la “inspección visual de estas cifras también sugiere dos patrones distintos de las tasas de ganancia en la mayoría de las economías: caída hasta mediados o finales de la década de 1970, seguida de una reversión parcial o completa”  En otras palabras, Trofimov confirma lo que la mayoría de los estudios sobre las contabilidades nacionales individuales han establecido para el movimiento de la tasa de ganancia 'marxista' en los EE UU y muchas de las principales economías capitalistas.
Sin embargo, Trofimov señala que la evidencia visual (mirar un gráfico) puede inducir a error acerca de si se ha producido un aumento o disminución de la tasa de ganancia en el tiempo. Y cuando aplica una serie de pruebas estadísticas, llega a la conclusión de que “no hay evidencia firme que apoye la hipótesis de la disminución a largo plazo de las tasas de ganancia en toda la economía de todas las economías desarrolladas. En lugar de ello, lo que aparece es un patrón diverso del movimientos de las tasas de ganancia, incluyendo tendencias determinadas crecientes o decrecientes, descensos escalonados, trayectorias aleatorias, o la estabilidad y la reversión a la media“.
Eso suena como una mala noticia para la opinión generalmente aceptada de que la rentabilidad del capital en la mayoría de las economías importantes fue menor en 2009 que en 1964. Sin embargo, Trofimov afirma que “coeficientes estadísticos de tendencia positiva significativos, sin embargo, sólo se dan en el caso de Grecia (en un nivel significativo del 10%), los Países Bajos y Noruega (a un nivel del 5%). Se observó una tendencia negativa en 10 casos (Australia, Austria, Canadá, Dinamarca, Francia, Japón, Portugal, España, Suiza y los Estados Unidos). Un coeficiente de tendencia negativa estadísticamente significativo aparece en los casos de Canadá, Portugal, Suiza y los EEUU (a un nivel significativo del 5%)“. 
Por lo tanto, casi todas las grandes economías tenían una menor rentabilidad en 2009 en comparación con 1964 y las únicas excepciones eran economías más pequeñas como Luxemburgo, Noruega o Grecia. No es difícil considerar una excepción a la ley de Marx el pequeño centro financiero y paraíso fiscal de Luxemburgo y, como dice Trofimov, en relación con Grecia y Noruega, “en el primer caso esto podría atribuirse a la rápida transformación de la economía en el 1960-1980 a partir de un nivel relativamente bajo; en el segundo caso, el aumento de la rentabilidad en toda la economía podría haber sido impulsada por el crecimiento del sector del petróleo“.
En realidad, creo que el resultado en el caso griego es desconcertante. Diversos trabajos realizados por economistas marxistas griegos no encuentra este aumento generalizado de la rentabilidad griega durante todo el período y el propio gráfico de Trofimov para Grecia no lo muestra visualmente. En nuestro próximo  libro El mundo en crisis, Maniatis y Passas establecen que la tasa de ganancia griega fue menor a comienzos del siglo XXI que en la década de 1960, a pesar de que hubo un fuerte aumento en la década de 1980.
Por supuesto, su cálculo utiliza diferentes categorías que Trofimov. Y, como explica Trofimov, “no hay una correspondencia perfecta entre las contabilidades nacionales y las variables de Marx (por ejemplo, capital constante y variable y plusvalía).”
Sin embargo, en el caso de los EEUU, al comparar los datos de las tablas ampliadas de Penn y los de la contabilidad nacional de Estados Unidos (trabajo hecho por mí anteriormente), no parece haber una estrecha correspondencia. Se aprecia la crisis de rentabilidad bien conocida desde mediados de la década de 1960 hasta principios de 1980; después un período de recuperación en el periodo neoliberal hasta 1997 y luego un nuevo período de descenso de la rentabilidad que culmina en la Gran Recesión.
Aunque los EEUU son la economía capitalista más importante, ¿cuál fue la tendencia de todas las grandes economías? ¿Esta en lo cierto Trofimov al concluir que “en general, el comportamiento de las tasas de ganancia ha demostrado ser muy diverso, por lo tanto, es poco probable que se pueda defender la existencia de “leyes generales sobre las tasas de ganancia” o que sólo una hipótesis sea correcta.” 
Bueno, fui de nuevo a las Tablas Penn ampliadas y rehice mi tipo medio ponderado de ganancia para las economías del G7. La definición de Trofimov de la tasa de ganancia de las tablas es:
“Y-Nw-D / K; donde Y es el índice de la cadena del PIB real en 2005 a paridad del poder adquisitivo (PPA), K es el stock de capital fijo neto normalizado en 2005 PPP, D es la depreciación estimada a partir de K , w es el salario real promedio en 2005 PPP, y N es el número de trabajadores empleados”.
Utilice la misma fórmula, excepto que en el denominador añadí el capital variable (NW) para que coincida con la fórmula de Marx exactamente, s / c + v. ¿Es correcto? Sigue siendo un tema de debate (ver aquí la medición del capital variable y el cálculo de la tasa de ganancia).
Después de la ponderación de los datos con el PIB, llegué a una tasa de ganancia para el G7 para el periodo 1964-2009 de la siguiente manera (mis datos y metodología están disponibles para quién los pida).
Me tomé algunas libertades con los datos de Alemania, que no estaban disponibles antes de 1984, dada la división de Alemania entre el oeste y el este hasta 1989. Pero mis supuestos para los datos correspondientes al período 1964-1984 son realistas, en mi opinión.
Lo que mis resultados muestran es que la tasa de ganancia del G7 cayó secularmente en 1964-2007 - como en todos los otros estudios; la caída tuvo lugar principalmente en los años 1970 - al igual que en los EEUU; hubo una recuperación de proporciones modestas durante el período neoliberal de la década de 1980, que alcanzó su punto máximo a finales de 1990 - de nuevo como en los EEUU. La posterior recuperación después de la recesión de 2001 dio lugar finalmente a una fuerte caída en la Gran Recesión de 2008-9. Estos datos confirman mis resultados originales de 2012 y 2015.
Con el fin de estar más cerca de una 'tasa de ganancia mundial', hay que añadir las economías emergentes al resultado para el G7. LO que haré en una próxima nota. Y no se puede olvidar la obra de Esteban Maito ( http://gesd.free.fr/maito14.pdf).
Es evidente que se necesita más investigación para acercarse a una tasa de ganancia 'marxista', como señala Trofimov, “ Estas cuestiones exigen la elaboración de unas tablas de contabilidad nacionales marxistas antes del análisis de las tasas de ganancia de la formulación de Marx. En primer lugar, dado que una gran parte de la actividad económica en los países desarrollados es improductiva según la formulación marxista, el nivel global de la tasa de ganancia es probable que se sobreestime. En segundo lugar, las actividades no productivas, típicamente del sector servicios, tiende a aumentar en las últimas décadas, lo que significa que las caídas estimadas en las tasas de ganancia podrían ser más drásticas, y ciertos incrementos estimados podrían ser menos sustanciales“.
Sí, la siguiente tarea es desarrollar una tasa de ganancia mundial en base al capital productivo - una tarea de Hércules.
es un reconocido economista marxista británico, que ha trabajador 30 años en la City londinense como analista económico y publica el blog The Next Recession.
Fuente:
https://thenextrecession.wordpress.com/2017/09/09/towards-a-world-rate-of-profit-again/
Traducción:
G. Buster

In
SIN PERMISO
http://www.sinpermiso.info/textos/hacia-una-tasa-de-ganancia-mundial-una-vez-mas
16/9/2017

Respeito aos direitos humanos na República Bolivariana da Venezuela

 

      – Declaração apresentada no 36º período de sessões do Conselho de Direitos

      Humanos da ONU, 11-29/Setembro.

       por CETIM [*] 

       1 - Preocupados com a apresentação unilateral da situação na Venezuela
      incitando à violência, o CETIM deseja apresentar os esclarecimentos
      seguintes no espírito do respeito pelo direito à informação, consagrado na
      Carta Internacional dos Direitos Humanos.
       2 - Desde a primeira vitória do falecido Hugo Chávez nas eleições
      presidenciais em 1998, um processo de transformações socioeconómicas,
      políticas e culturais profundo mas pacífico, está em curso na Venezuela. A
       partir desta data e até ao êxito eleitoral do actual presidente Nicolas
      Maduro em Abril de 2013, as forças políticas que se reclamavam de um
      programa progressista comum ganharam a quase totalidade das eleições
      organizadas no país – de forma livre e democrática como certificaram
      numerosos observadores estrangeiros independentes. Ao mesmo tempo, as
      estruturas da sociedade democratizaram-se amplamente, em particular graças
      ao desenvolvimento de formas de participação popular e comunal e os
      direitos dos cidadãos venezuelanos progrediram consideravelmente. Não
      reconhecer estes avanços das liberdades civis e políticas, e da democracia
      em geral assim como os direitos económicos, sociais e culturais,
      implicaria negar uma evidência.
       3 - Durante este período, alguns dos líderes da oposição, apoiados pelo
      governo dos Estados Unidos da América, revelaram ao mundo a sua concepção
      de democracia em reiteradas ocasiões:
       i) Em Abril de 2002, ao intentarem um golpe de Estado contra a ordem
       constitucional, derrotado pela mobilização popular.
       ii) A partir de Dezembro de 2002, com o lock-out do sector petrolífero,
       ao qual o Governo respondeu assumindo a controlo da companhia petrolífera
      Petróleos de Venezuela S. A e iniciando as missões sociais
       iii) Durante todo o período que se examina, por incessantes operações de
      sabotagem da economia nacional, organizadas em colaboração com os grandes
      proprietários privados hostis à democratização.
       O povo e os sucessivos governos, sempre a partir de eleições, fizeram
      frente aos ataques das facções mais reaccionárias da oposição com firmeza,
      no entanto mantendo a paz.
       4 - Muitas vezes reiterada nas urnas, a ligação de uma ampla maioria dos
      venezuelanos ao processo de transformações do país explica-se por sólidas
      razões. Os progressos sociais foram enormes desde 1999 em todos os
      sectores: saúde, educação, cultura, alimentação, alojamento,
       infraestruturas, serviços públicos, emprego, pensões. As estatísticas
      estão disponíveis para o demonstrar. A tomada de controlo por parte do
      Estado do coração da economia – o sector petrolífero – permitiu pela
      primeira vez na história do país uma distribuição mais justa do rendimento
      derivado dos recursos naturais. Consequentemente, as desigualdades
      começaram a diminuir significativamente, embora ainda falte percorrer um
      longo caminho neste domínio. Hoje, a Venezuela, a seguir a Cuba é a
      sociedade menos desigual da América Latina. É evidente que tudo isto,
       obtido em benefício da maioria, não pode satisfazer os mais ricos.
       5 - Sob a direcção do presidente Chávez, a Venezuela tomou parte activa
      na construção de um mundo mais equilibrado, não unipolar. A "Aliança
      Bolivariana para os Povos da Nossa América" – Tratado de Comercio dos
      Povos (ALBA), abriu a perspectiva de relações regionais de cooperação e
       solidariedade situando-se numa posição oposta aos princípios de
      concorrência e maximização dos lucros privados, utilizados pela
      globalização capitalista. O mesmo aconteceu com as iniciativas aplicadas
      para permitir ao Sul subtrair-se à influência do FMI e dos oligopólios
      financeiros dominados pelo Norte. Um novo impulso reavivou o espírito de
      independência latino-americano, levando à criação de instituições comuns
      na região. Este importante avanço para os povos do Sul não poderia obter a
       aprovação das potências do Norte nem dos seus intermediários locais.
       6 - Nestas circunstâncias não é surpreendente observar que o processo de
      transformações sociais na Venezuela levanta vagas de ataques mediáticos
      furibundos, tanto no país como no estrangeiro. Estas campanhas de
      imprensa, rádio e televisão, mas também através da internet e redes
      sociais, orquestradas pelas potências do dinheiro, incitam ódios e
      difundem mentiras contra o movimento progressista. Contrastam contudo com
      o silêncio dos mesmos meios de comunicação dominantes no momento do golpe
      de Estado militar que derrubou o presidente Zelaya nas Honduras (2009) e
      dos "golpes de Estado parlamentares" que puseram fim aos mandatos dos
      presidentes Lugo no Paraguai (2012) e Roussef no Brasil (2016). Esta
      escalada mediática aumentou de intensidade após a morte de Hugo Chávez e
      da eleição à presidência em 2013 do continuador do seu projecto Nicolás
      Maduro. A coexistência de facto foi interrompida pelo triunfo dos diversos
      partidos da oposição nas eleições legislativas de Dezembro de 2015,
      impulsionando os seus líderes mais extremistas a sentirem-se autorizados a
      imitar projectos anteriores, como o hondurenho, paraguaio ou brasileiro,
      fundamentalmente antidemocráticos e a dar um passo maior desencadeando uma
      ampla operação de desestabilização da Venezuela.
       7 - Esta escalada de violência contra o presidente Maduro, legitimamente
       eleito, passou inicialmente por um voto parlamentar de auto amnistia dos
      crimes e delitos (e ao reconhecimento de facto como tais!) cometidos pelos
       líderes da oposição. Agravada em seguida por uma tentativa, rapidamente
      abortada por não terem sido cumpridas as exigências legais, de convocar um
      referendo cujo objectivo era destituir o presidente Maduro. Finalmente, e
      durante vários meses, o endurecimento de uma facção dos opositores, muito
      divididos, materializou-se sob a forma de apelos a uma intervenção de
      potências estrangeiras, na esperança de vê-las intervir nos assuntos
       internos e questionar a soberania nacional. Foi, em primeira instância, a
       Organização dos Estados Americanos que se mobilizou com o fim de excluir
      a Venezuela desta instituição, sem ter em conta os interesses nacionais.
      Os mais fanáticos opositores, que conhecem o apoio das massas populares ao
      Governo do presidente Maduro e ao processo de transformações, aspiram a
      nada menos que a uma intervenção militar exterior contra o seu país.
       8 - Quer sejam venezuelanos ou estrangeiros, os poderes que apoiam esta
       oposição levam a cabo dentro de Venezuela uma guerra económica. Mediante
      o controlo da maioria dos meios de produção na industria e na agricultura,
      vêm sendo capazes de afectar a satisfação das necessidades da população
      organizando consciente e desumanamente, com a cumplicidade de redes
      identificadas como subordinadas aos Estados Unidos, a retenção e a
      escassez de produtos alimentares e necessidades básicas; exportações em
      contrabando transfronteiriço de bens subvencionados – incluindo petróleo;
      manipulação de preços no mercado interno e distorções da taxa de cambio da
      moeda nacional no mercado negro; evasão fiscal e fugas massivas de
      capitais; e, em general, uma sabotagem sistemática da economia nacional
      destinada a submergi-la numa "crise" artificialmente mantida. A impressão
      de "caos" que daqui resulta serve de pretexto aos bancos estrangeiros e a
      algumas organizações internacionais para elevar o "risco do país" e,
      portanto, o custo do endividamento – quando as linhas de crédito exterior
      não são simplesmente interrompidas. O objectivo prosseguido é tentar
      desestabilizar o processo de transformações sociais em curso, privar o
      Estado das suas fontes de rendimentos e minar a moral do povo pela
       intensificação da escassez, desordens e descontentamentos. Isto é
      totalmente inaceitável.
       9 – Nenhuma das razões das dificuldades encontradas – que têm menos a ver
      com erros de gestão do Governo do que com a vontade deliberada dos seus
      opositores – é objectivamente analisada pelos meios de comunicação
      dominantes. Lógico: os proprietários dos grandes meios de comunicação têm
       interesse em pôr fim a este processo de transformações democráticas que,
      pelo exemplo que representa, questiona a ordem subjacente ao seu domínio.
      Por esta razão, os projectores incidem actualmente sobre os acontecimentos
      de rua em Caracas ou noutras cidades do país, apresentados como acções de
      manifestantes "pacíficos" (quando não retratados como "heróis"),
      reprimidos por uma suposta "ditadura". No tumulto actual não se pôde
      evitar excessos de ambas partes. Porém, estranhamente encobrem-se os
      crimes, inegáveis, perpetrados pelas facções extremistas destes
       "manifestantes" – entre os quais figuram grupos organizados de ideologia
      de recorte fascista e bandos de delinquentes financiados pela oposição
      mais radical para semear o terror – cujas exacções são excitadas com
      irresponsáveis apelos à violência, e em crescendo, vindo além disto de
      alguns parlamentares. Assim, entre falsa informação e fotografias
       retocadas, é o mito de um novo episódio das "revoluções coloridas" que se
      inventa, ao estilo de quem, nestes últimos anos, promoveu facções de
       extrema-direita servis aos Estados Unidos acedendo ao poder mediante o
      recurso à força. Estas manipulações de informação, tão grosseiras como
      perigosas, insultam todos os jornalistas íntegros, calcando o direito dos
      cidadãos à informação, fazendo o jogo dos adeptos da guerra civil, mas não
      poderiam enganar os observadores honestos.
       10 - Para encontrar uma saída, necessária para a situação especialmente
      dolorosa que vivem os venezuelanos, o presidente Maduro anunciou no
      passado dia 1 de Maio a sua decisão de convocar uma Assembleia Nacional
      Constituinte. Perante a negativa obstinada dos opositores mais brutais em
      reiniciar as negociações com o Governo legítimo do país, esta iniciativa
      traduz uma intenção presidencial de apaziguamento e de alargar o âmbito
      das discussões construtivas ao conjunto dos componentes da sociedade.
      Representa igualmente a consolidação das conquistas e dos objectivos
      sociais efectuados desde 2003, das formas existentes de participação
      democrática e as bases da soberania [1] que se buscam através da reforma
      da Constituição. A palavra é dada novamente ao povo, donde surge todo o
      poder, pelo voto. Tal como se conhece actualmente, esta Assembleia
      Constituinte compõe-se de 545 representantes, eleitos por sufrágio directo
      e secreto por circunscrição territorial ou sector profissional (delegados
      de municípios, comunidades indígenas, e também estudantes, empresários,
      trabalhadores, camponeses e pescadores, deficientes e reformados).
       11 - Não se trata aqui de subestimar os limites ou de desvalorizar as
       insuficiências do processo de transformações na Venezuela; nem de parecer
      querer ignorar os motivos de desaprovação, ou inclusivamente de
      exasperação, de numerosos cidadãos – motivos geralmente vinculados aos
      males herdados do sistema capitalista, de que o processo em curso não se
      emancipou totalmente (insegurança persistente, casos de corrupção,
       desigualdades reduzidas mas ainda muito elevadas, mentalidade rentista…).
      Não obstante, é necessário compreender que a parte fundamental dos
      problemas que a grande maioria dos Venezuelanos conhece presentemente tem
      por origem a hiperconcentração da propriedade dos meios de produção nas
      mãos de una pequena minoria de proprietários, suficientemente poderosos (e
      apoiados do estrangeiro) e que têm a capacidade de submergir o país numa
      "crise" – cuja organização está a seu cargo –, de prejudicar o bem-estar
      da população e fomentar a multiplicação de aptos de violência. Por
      conseguinte, nós pronunciamo-nos pelo regresso imediato à calma e ao
       diálogo, pelo respeito pela autodeterminação do povo venezuelano e o
      aprofundamento do processo de transformações democráticas que livre e
      corajosamente se iniciou há duas décadas, no espírito de progresso social,
      justiça e independência do presidente Chávez, mantendo-se fiel às acções e
      ensinamentos de Simón Bolívar [2]
       12 - No contexto das múltiplas crises (políticas, socioeconómicas,
      culturais, de alimentação, climáticas, migratórias…) e conflitos armados
      em muitas regiões do mundo, é irresponsável desencadear o caos na
       Venezuela. Os que persistem nesta via implicam as suas responsabilidades
      face ao direito internacional e deveriam responder perante a justiça pelos
       seus aptos.
       13 - Em vista do precedente, consideramos que a Venezuela necessita
      apoio, tanto da parte dos Estados como dos órgãos das Nações Unidas, de
      acordo com a Carta da Nações Unidas e do direito internacional sobre os
      direitos humanos, e não de uma campanha de ódio e desestabilização.
       Notas
       [1] Ver: Samir Amin (2017), La Souveraineté au service des peuples,
       CETIM, Genebra
       [2] Ler: Rémy Herrera (2017),  Figures révolutionnaires de l'Amérique
      latine , Delga, París, 2017 
      [*] Centro Europa-Terceiro Mundo. Trata-se de um centro de pesquisa sobre
       as relações Norte-Sul e uma organização activa nas Nações Unidas para
      defender e promover os direitos económicos, sociais e culturais e o
      direito ao desenvolvimento. Pretende ser uma interface para disseminar as
      análises e propostas dos movimentos sociais do Sul e do Norte. Foi criado
      em 1970. O seu lema é: "Não há um mundo desenvolvido e outro
      subdesenvolvido, mas sim um mundo de mal desenvolvido". Esta declaração
      escrita do CETIM foi elaborada pelo Dr. Rémy Herrera, investigador do
      CNRS, Paris, e apresentada no 36º período de sessões do Conselho de
      Direitos Humanos da ONU, de 11 a 29 de Setembro,   Ponto 4 da ordem de
      trabalhos: Situações relativas aos direitos humanos que requerem a atenção
      do Conselho.
       Ver também:
        Declaração escrita do CETIM acerca de Cuba
       Original encontra-se em  www.cetim.ch/.... . Tradução de DVC. 
       Esta declaração encontra-se em  http://resistir.info/ .  

In
RESISTIR.INFO
http://resistir.info/venezuela/cetim_11set17.html
17/9/2017

sábado, 16 de setembro de 2017

As Brigadas anarquistas da OTAN


Thierry Meyssan

Apresentado no Ocidente como a concretização de uma simpática utopia, o
novíssimo «Rojava» é na realidade um Estado colonial, desejado e montado com
violência por Washington. Desta vez trata-se de expulsar as populações do Norte
da Síria e de as substituir por gente que não é natural de lá. Para realizar
esta limpeza étnica, o Pentágono e a CIA mobilizaram combatentes nos círculos da
extrema-esquerda europeia. Thierry Meyssan revela este projecto insano, em curso
desde há um ano e meio.

  Em Fevereiro de 2016, o «Czar anti-terrorista» da Casa Branca, Brett McGurk,
  foi enviado pelo Presidente Obama para supervisionar a batalha de Aïn al-Arab
  (Kobane). Na ocasião, ele foi condecorado pelo YPG, cuja casa-mãe —o PKK
  turco— é no entanto considerado por Washington como «terrorista».
«A guerra, é a paz. A liberdade, é a escravatura. A ignorância, é a força».
George Orwell, 1984.
Nos anos de 1980-90, a sociedade curda era extremamente feudal e patriarcal. Ela
era mantida num grande sub-desenvolvimento, o que levou os curdos a revoltar-se
contra as ditaduras militares que se sucederam em Ancara [1].
O Partido dos trabalhadores do Curdistão (PKK) era uma organização
marxista-leninista, apoiada pela União Soviética, lutando contra as ditaduras
dos generais kemalistas, membros da OTAN. Ele libertou as mulheres e juntou-se
aos combates progressistas. Com a ajuda de Hafez el-Assad, instalou um campo de
treino militar na planície libanesa de Bekaa, sob a protecção da Força de Paz
síria, ao lado do campo da FPLP palestina.
Durante este período, o PKK não achava qualificativos suficientemente duros
contra «o imperialismo americano».
Aquando da dissolução da URSS, o PKK dispunha de mais de 10. 000 soldados a
tempo inteiro e de mais de 75. 000 reservistas. Esta guerra de libertação
destruiu mais de 3. 000 aldeias e provocou mais de 2 milhões de deslocados.
Apesar deste imenso sacrifício, ela foi um fracasso.
Detido no Quénia, em 1999, durante uma operação conjunta dos serviços secretos
turco, norte-americano e israelita, Abdullah Öcalan foi preso na ilha de İmralı,
no Mar de Mármara. O PKK afundou-se, dividido entre o seu chefe preso, favorável
a uma negociação de paz, e o seus lugar-tenentes, para quem a guerra se tornara
um modo de vida. Ainda ocorreram alguns atentados, sem que se saiba
verdadeiramente quais os que foram provocados por combatentes, que se recusavam
a desarmar, ou por uma facção da gendarmaria, o JITEM, que recusava igualmente o
cessar-fogo.
No início da «Primavera Árabe», Abdullah Öcalan reconstruiu o PKK a partir da
sua cela, em torno de uma nova ideologia. No seguimento de negociações secretas
com a OTAN, na prisão de İmrali, abandonou o marxismo-leninismo em favor do
«municipalismo libertário». Ele que sempre lutara contra a Turquia afim de
construir seu próprio Estado, o Curdistão, considerava agora que todo o Estado
é, em si mesmo, um instrumento de opressão [2].
Os militantes do PKK que tinham sido forçados a fugir da Turquia, durante a
guerra civil, encontraram refúgio no norte da Síria [3]. Em nome dos seus,
Öcalan comprometera-se por escrito a jamais reivindicar território sírio. Em
2011, no início da guerra ocidental contra a Síria, os curdos formaram milícias
para defender o país que os tinha acolhido e que os havia naturalizado.
No entanto, a 31 de Outubro de 2014, um dos dois co-presidentes do YPG, o ramo
sírio do PKK, Salih Muslim, participou numa reunião secreta no palácio do Eliseu
com o Presidente francês François Hollande e o seu homólogo turco, Recep Tayyip
Erdoğan. Ele viu ser-lhe prometido o posto de chefe de Estado, se concordasse em
se envolver na recriação do Curdistão… mas, na Síria.
De imediato, a Coligação (Coalizão-br) Internacional, que os Estados Unidos
acabam de criar pretensamente contra o Daesh (E. I.), apoiou o YPG,
fornecendo-lhe dinheiro, formação, armas e um enquadramento. Esquecidas portanto
as imprecações contra Washington, tornado agora um tão excelente aliado. A
organização curda começou a expulsar os habitantes das regiões às quais tinha
deitado o olhar de cobiça.
  Publicidade norte-americana
Uma vez que não tinha havido até aí nenhum combate do YPG contra o Daesh (EI),
os Estados Unidos encenaram um terrível confronto em Ain al-Arab, rebaptizada
para a ocasião com o nome kurmandji de Kobane. A imprensa internacional foi
convidada a cobrir o acontecimento sem correr perigo. Esta cidade está
localizada na fronteira sírio-turca e os jornalistas puderam seguir os combates
com binóculos a partir da Turquia. Ignora-se aquilo que verdadeiramente se
passou em Ain al-Arab, uma vez que a imprensa não foi autorizada a lá entrar. No
entanto dispõe-se de imagens filmadas por tele-objectiva e parecendo confirmar
de longe os comunicados relatando a selvajaria dos combates. Seja como for, o
Ocidente unanimemente concluiu que os curdos eram os aliados de que eles
precisavam contra o Daesh(EI) e a Síria.
  «Nem Deus, nem Estado!», venham defender o Estado de «Rojava» e lutar «contra
  todas as forças da reacção», ao lado do Império americanos
A imprensa ocidental assegura que metade dos soldados curdos são mulheres, como
estatutariamente metade das instâncias dirigentes do PKK / YPG. Ora, sobre o
terreno a sua presença é raríssima. Os jornalistas afirmam igualmente que elas
aterrorizam os jiadistas, para os quais ser morto por uma mulher seria uma
maldição interditando o acesso ao paraíso. Curiosamente, a mesma imprensa ignora
que o Exército Árabe Sírio inclui também batalhões femininos, que os jiadistas
atacam com a mesma raiva que dispensam aos seus homólogos do sexo masculino.
Apesar das aparências, o YPG não é tão numeroso como afirma. Muitos curdos
sírios consideram os Estados Unidos como um potência inimiga e a Síria como a
sua nova pátria. Eles recusam a seguir as fantasias de Salih Muslim. Assim, o
Pentágono adicionou aos «seus« curdos, não só alguns mercenários árabes e
assírios, mas sobretudo militantes da extrema-esquerda europeia.
Da mesma forma que a CIA alistou brigadas de dezenas de milhares de jovens
muçulmanos ocidentais para fazer deles islamistas, do mesmo modo, ela recrutou
anarquistas europeus para formar Brigadas Internacionais, dentro do modelo das
que se bateram em 1936, em Barcelona, contra os fascistas. Encontra-se assim,
como tropas complementares do YPG/OTAN, o Batalhão Antifascista
Internacionalista (Europa Central), a Brigada Bob Crow (Ingleses e Irlandeses),
a Brigada Henri Krasucki (Franceses), as Forças Internacionais e Revolucionárias
da Guerrilha do Povo (Americanos), a União Revolucionária para a solidariedade
internacional (Gregos), a União do Partido marxista-leninista (Espanhóis) e
todos os grupúsculos turcos pro-EU (DK, DKP, MLSPB-DC, PDKÖ, SI, TDP, TKEP/L ,
TKPML), citando apenas os mais salientes [4].
  Vinde lutar contra o Capital, com as Forças especiais dos Estados Unidos em
  «Rojava» !
A batalha de Ain al-Arab, suposta de opondo jovens Sírios favoráveis ao Califado
a jovens Curdos, custou sobretudo a vida, de uma parte e de outra, a jovens
Europeus em busca de um mundo melhor. Os países europeus inquietam-se com o
possível retorno de jovens jiadistas a suas casas, mas não do de jovens
anarquistas, afinal também perigosos. Provavelmente porque é muito mais fácil
manipular estes últimos e de os reciclar nas próximas aventuras imperialistas.
Em Junho de 2015, o Partido Democrático dos Povos (HDP), a nova expressão
política do PKK, recebeu um abundante apoio financeiro e enquadramento da CIA,
contra o AKP de Recep Tayyip Erdoğan. Subitamente, ele atingiu o mínimo dos 10%
de votos necessários para entrar na Grande Assembleia Nacional e conseguiu 80
deputados.
A 17 de Março de 2016, o YPG proclamou a autonomia de «Rojava», quer dizer da
língua de terra ligando a região do Curdistão Iraquiano ao mar Mediterrâneo, a
todo o comprimento da fronteira sírio-turca, mas unicamente do lado sírio.
Entretanto «Rojava» incluiria ainda, parcialmente, a zona de Idlib actualmente
ocupada pela Alcaida.
Sendo este Estado proclamado por gente que daí não é natural em detrimento dos
autóctones, trata-se, pois, de um projecto colonial, comparável a Israel,
auto-proclamado na Palestina por judeus que aí haviam comprado terras. A
denominação «Rojava» foi escolhida para distinguir este território do
«Curdistão» que, como tal, se localiza na Turquia, onde foi proclamado em 1920
pela conferência de Sèvres [5].
Numa altura em que o emirado da Alcaida em Idlib e o califado do Daesh(EI) em
Rakka vão encolhendo progressivamente, a OTAN prossegue o seu plano de divisão
da República Árabe Síria e ambiciona criar o «Rojava» de Kameshli.
A imprensa ocidental observa deslumbrada esta «Rojava», adornado com todas as
virtudes da moda: pacifista, igualitária, feminista, ecologista, favorável à
construção da identidade de género, etc. [6]. Pouco importa que o YPG seja um
exército. Pouco importa que ele lute contra os históricos habitantes do Norte da
Síria, os árabes e os assírios, uma vez que no papel formou com eles as Forças
Democráticas.

Na Síria, as Brigadas anarquistas europeias combatem sob o comando
norte-americano.
Os programas do YPG sírio e do HDP turco correspondem à estratégia militar dos
EUA. Desde 2001, o Pentágono prevê, a médio prazo, «a remodelagem do
Médio-Oriente Alargado», quer dizer a divisão dos grandes Estados em pequenos
Estados homogéneos, incapazes de lhe resistir. A mais longo prazo, prevê
lançá-los uns contra os outros até fazer regredir a região ao caos original.
Não foi «Rojava» proclamada como Estado independente porque, segundo o “novo”
Öcalan, todo o Estado-Nação seria um mal em si mesmo. De acordo com a OTAN, é
apenas um Estado autónomo que deverá se confederar com outros Estados autónomos
como os que irão suceder ao Estado-Nação Sírio, uma vez que tenha sido
derrubado. Segundo o teórico de referência do «municipalismo», o Norte-americano
Murray Bookchin, para funcionar de maneira democrática, as comunidades
libertárias devem ser homogéneas. É por isso que o «pacifista» YPG procede
actualmente à limpeza étnica de «Rojava».

In
VOLTAIRENET
http://www.voltairenet.org/article197860.html
12/9/2017

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Crise no Brasil é obra do imperialismo, diz Requião



Em palestra magna ministrada, no dia 6 de setembro, durante o 11º Congresso
Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), em Curitiba, o senador
paranaense Roberto Requião (PMDB) garantiu que a atual conjuntura é resultado de
um projeto do imperialismo que defende interesses próprios, “na desgraçada luta
pela dominação dos recursos minerais, do petróleo e do minério”

Em palestra magna ministrada, no dia 6 de setembro, durante o 11º Congresso
Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), em Curitiba, o senador
paranaense Roberto Requião (PMDB) garantiu que a atual conjuntura é resultado de
um projeto do imperialismo que defende interesses próprios, “na desgraçada luta
pela dominação dos recursos minerais, do petróleo e do minério”.
“Essa política moribunda da Europa financia o golpe e derrubou um governo eleito
pelo voto popular”, disse o senador. Segundo ele, o governo Temer (PMDB) toma
decisões referenciadas no documento chamado “Ponte para o Futuro”, elaborado
pelo economista gaúcho que escreve no jornal Estado de São Paulo, Marcos Lisboa,
e por alguns economistas de bancos ou financiados pela estrutura bancária
brasileira. “Nós temos que enfrentar o capital financeiro no Brasil, que tem
Meirelles na Fazenda”, pontuou, reafirmando a falta de coesão no partido.
“É uma tragédia anunciada”, enfatizou. De acordo com ele, essas propostas estão
de acordo com as considerações do Consenso de Washington e com a teoria da
dependência, formulada por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Paleta, economista
italiano naturalizado argentino. Essa teoria diz que “nós brasileiros não temos
empresários capazes e esgotamos nossa capacidade de criação e construção, que
nossa engenharia não vale nada e que os nossos trabalhadores são incapazes. E
aponta como solução para a retomada do crescimento a dependência absoluta ao
comando de empresários capazes de construir os países de primeiro mundo”,
explicou.
Celeiro do mundo
Requião também declarou que se, essa política prosseguir, o país irá regredir no
tempo e se transformar no “celeiro do mundo”. Isso significa que o Brasil será
mero fornecedor de commodities, produtos agropecuários ou minerais com baixo
custo, para os países desenvolvidos do mundo. “Este cenário interessa
fundamentalmente ao bloco norte americano, bem como à China, que se transformou
na “fábrica do mundo”, associada à Rússia. Nós passamos a ser objeto de cobiça
dessa guerra que não é mais ideológica. É uma guerra geopolítica de potências
tentando viabilizar suas economias internas sem se preocupar com o que acontece
com o país provedor das matérias primas”, analisou.
Venda territorial
O senador avaliou que a agricultura brasileira possui grande produtividade. “Nós
temos uma produtividade igual ou superior à norte-americana. Mas eles querem
expandir isso. Expandir como? Com a venda de propriedades agrícolas, de espaços
territoriais brasileiros para estrangeiros de qualquer natureza. Dessa forma,
nós não estaríamos alavancando a produtividade”, comentou.
Para Requião, essa política avança sobre as reservas naturais da Amazônia, de
forma a liberar áreas de proteção ambiental para produção de cobre por
mineradoras, principalmente para as canadenses, que são as que se demonstram
mais interessadas.
Esse “aumento de produção”, com abertura de espaço e uma tecnologia que já é
nossa, com uma injeção maior de recursos financeiros e mecanização nos levará,
necessariamente ao desemprego.
“Quando nos transformamos em “celeiro do mundo”, não estamos viabilizando os
empregos necessários para conseguirmos uma relativa paz social para
sobrevivência dos trabalhadores, das suas famílias e garantia de seus salários”,
disse.
Contramão das soluções
Para Requião, a reforma trabalhista e o fim dos investimentos públicos atua na
contramão das soluções apontadas pela história de superação de crises econômicas
e sociais, como as tomadas nos Estados Unidos, durante a grande recessão com a
crise imobiliária da Flórida na década de 30. “Ela foi superada com políticas
extremamente claras, por meio de uma aliança entre o capital produtivo e o
trabalho. Ao contrário de toda asneira que faz o atual governo do Brasil, a Ford
propõe a diminuição da carga horária, ou seja, menos horas e mais gente
trabalhando, garantindo por lei o salário mínimo, para viabilizar o poder
aquisitivo”, disse.
O senador ainda destacou que, ao propor tais medidas, o atual governo imaginou
que o Brasil receberia investimento norte-americano, com o objetivo de utilizar
mão de obra barata. Segundo ele, os formuladores dessa reforma apostaram,
também, na ideia de que a oportunidade de trabalho extraordinariamente mal
remunerada poderia barrar a possibilidade de revolta das camadas populares.
Contudo, o senador acredita que o Brasil viveu um período de conquistas sociais
e que os trabalhadores jamais se conformarão com uma regressão para uma posição
de colônia.
“O Brasil tem saída. Se nós nos inspirarmos nesse modelo de recuperação de
crise, nós saímos da mesma forma e muito rapidamente”, ratifica.
Retomada do crescimento
A recuperação e a valorização da Petrobras são apontadas por Requião como
caminho principal para o crescimento e a retomada de desenvolvimento do país.
“No Brasil, a Petrobras é a responsável por 70% dos investimentos realizados no
país, e são esses os investimentos e a política de compra de sumos nacionais que
alavancavam nossa economia”, defende. “A história do mundo é a guerra do
petróleo. O petróleo é o sangue mineral que impulsiona as economias. E nós
estamos entregando sem conflito, na bandeja”.
Requião avalia que é imprescindível conter o processo de entrega do patrimônio
nacional. Neste sentido, foi criada no Congresso Nacional, uma Frente
Nacionalista pela Soberania, que conta com 201 deputados e 18 senadores. Uma das
propostas da Frente é a realização de um referendo popular, junto às eleições de
2018, “para que o povo diga SIM ou NÃO para essas medidas de entreguismo de
terra, de reforma trabalhista, de entrega da Amazônia, de entrega da Petrobras”.
Ele defende, também, mobilização popular. “Com certeza, conseguiremos alguma
coisa a partir de mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares,
presença nas ruas e protestos”.
Congresso
O 11º Consenge ocorreu em Curitiba, de 6 a 9 de setembro, com cerca de 300
participantes. O evento foi realizado pela Federação Interestadual de Sindicatos
de Engenheiros (Fisenge), que tem sede no Rio de Janeiro, e pelo Sindicato dos
Engenheiros do Paraná (Senge-PR). Ao longo dos quatro dias, filiados aos 12
sindicatos que compõem a Federação, oriundos de todas as regiões do Brasil,
tiveram como debate central a defesa da engenharia e da soberania nacional.

In
BRASIL247
https://www.brasil247.com/pt/247/parana247/316941/Crise-no-Brasil-é-obra-do-imperialismo-diz-Requião.htm
13/9/2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

DEZ ANOS DEPOIS DO COMEÇO DA GRANDE RECESSÃO


Por Michael Roberts*


Passaram dez anos desde o começo da crise financeira global, com a notícia que o
banco francês BNP tinha suspendido a cotização dos seus fundos hipotecários de alto
risco devido «a um problema de liquidez».
Ao fim de seis meses, a torneira do crédito fechou-se e as taxas de juro
interbancárias dispararam (ver gráfico). Os bancos de todo o mundo começaram
a ter grandes perdas nos fundos derivados que tinham criado para lucrarem com
o boom da habitação que tinha estoirado nos EUA, e começaram a tremer. E os
EUA e o mundo entraram no que mais tarde se chamou A Grande Recessão, a
pior queda de produção e do comércio mundial desde a década de 1930.
Dez anos mais tarde, é bom recordar algumas das lições e implicações desse
terramoto económico.
Em primeiro lugar, as instituições oficiais e os economistas ortodoxos não a
viram chegar. Em 2002, o chefe do Banco da Reserva Federal, Alan Greenspan,
a que chamavam «o grande professor», por aparentemente ter concebido um
importante boom económico, anunciou que os derivados, isto é, as inovações
financeiras nos fundos hipotecários, etc., tinham «diversificado o risco», de modo
que os «choques que afetam o conjunto da economia são melhor absorvidos e
menos propensos a provocar quebras em cascata que pudessem ameaçar a
estabilidade financeira». Ben Barnanke que por fim foi presidente do FED
durante a crise financeira global, tinha dito em 2004 que «as últimas décadas
viram uma acentuada redução da volatilidade económica», que ele denominou
de a Grande Moderação. Ainda em 2007, o FMI concluiu que «nas economias
avançadas, as recessões económicas tinham praticamente desaparecido no
período do pós-guerra».
Uma vez que se tornou patente a profundidade da crise em 2008, Greensran
afirmou perante o Congresso dos Estados Unidos: «estou num tal estado-dechoque
que não posso acreditar nisto». Perguntaram-lhe: «por outras palavras,
chegou à conclusão que a sua visão do mundo e a sua ideologia estavam
erradas, que não funcionavam?» (Presidente do Comité de Supervisão do
Congresso, Henry Waxman). «Efetivamente, essa é precisamente a razão
porque pela qual me surpreendi, porque durante 40 anos, ou mais, uma
considerável quantidade de dados demonstrava que funcionavam
excecionalmente bem».
Os grandes economistas ortodoxos não responderam melhor. Quando lhes
perguntaram qual era a causa da Grande Recessão, se não era o rebentar da
bolha do crédito, o laureado com o prémio Nobel e um dos principais
economistas neoclássicos da Escola de Chicago, Eugene Fama, respondeu:
«Não sabemos o que causa as recessões. Não sou um especialista em
macroeconomia, por isso ela não me preocupa demasiado. Nunca soubemos.
Até hoje continuam os debates sobre a causa da Grande Depressão. A teoria
económica não é muito boa quando tem de explicar as oscilações na atividade
económica… Se pudesse ter previsto a crise, tê-lo-ia feito. Não a vi chegar.
Gostava de saber mais sobre a causa dos ciclos económicos».
O que em breve viria a ser o economista chefe do FMI, Olivier Blanchard,
comentou em retrospetiva que «A crise financeira coloca uma crise
potencialmente existencial da macroeconomia. (…) alguns fundamentos
[neoclássicos] básicos estão em questão, por exemplo, a separação limpa entre
os ciclos e as tendências “ou” as ferramentas econométricas, na base de uma
visão de um mundo estacionário à volta de uma tendência, estão a ser
questionados».
Mas também a maioria dos chamados economistas heterodoxos, incluindo os
marxistas, viram vir a crise e consequente Grande Recessão. Houve algumas,
poucas, exceções: Steve Keen, o economista australiano previu uma crise do
crédito baseado na sua teoria de que «o elemento essencial que dá lugar às
depressões é a acumulação de dívida privada» e que nunca tinha sido maior que
em 2007 nas principais economias. Em 2003, Anwar Shaikh calculou que a
queda da rentabilidade do capital e a descida do investimento dariam lugar a
uma nova depressão. E um discípulo escreveu em 2005: «Não houve ua tal
coincidência de ciclos desde 1991. E desta vez (diferentemente de 1991),
estarão acompanhados de uma queda da rentabilidade no quadro de um ciclo de
Kondratiev de queda dos preços. Tudo está de rastos em 2009-2010! Isto sugere
que podemos esperar uma crise económica muito severa, de uma intensidade
desde 1980-82 ou antes». (A Grande Recessão).
Quanto ás causas da crise financeira mundial e a consequente Grande
Recessão, foram analisadas até à saciedade desde então. A economia
convencional não previu a crise e não foi capaz de a explicar depois. A crise
adotou claramente um a forma financeira: o colapso dos bancos e outras
instituições financeiras e as armas de destruição massiva financeiras, para usar a
famosa frase de Warren Buffett, o investidor com mais êxito dos mercados de
valores do mundo. Mas muitos caíram de novo na teoria da probabilidade, um
evento entre mil milhões; um ‘cisne negro’ como afirmou Nassim Taleb.
Alternativamente, o capitalismo inerentemente instável e as depressões
ocasionais eram inevitáveis. Greenspan adotou este ponto de vista: «Não
conheço nenhuma forma de organização económica baseada na divisão de
trabalho (refere-se ao ponto de vista de Adam Smith de uma economia
capitalista), desde um laissez-faire sem restrições a uma planificação central
opressiva que tenha tido êxito no momento de conseguir alcançar ao mesmo
tempo o máximo crescimento económico sustentável e uma estabilidade
permanente. A planificação central decididamente não, e duvido muito que a
estabilidade se possa alcançar nas economias capitalistas, dado que os
mercados são sempre turbulentos e aproximam-se, mas nunca atingem o
equilíbrio». E acrescentou: «a menos que haja uma decisão da sociedade de
abandonar os mercados dinâmicos e estabelecer alguma forma de planificação
central, temo que prevenir bolhas, no final, seja inviável. Mitigar as suas
consequências é tudo o que podemos esperar».
A maioria dos dirigentes económicos oficiais como Blanchard e Bernanke só
viam os fenómenos superficiais da crise financeira e chegaram à conclusão que
a Grande Recessão foi o resultado da imprudência financeira de uns bancos não
regulados ou do ‘pânico financeiro’. Isto coincidiu com alguns pontos de vista
heterodoxos inspirados pelas teorias de Hyman Minsky, o economista
keynesiano radical da década de 1980, de que o sector financeiro é
inerentemente instável devido ao «sistema financeiro necessário para a
vitalidade e o vigor capitalistas, que traduz o espírito animal empresarial na
procura do investimento real, albergar um potencial de expansão fora do
controlo, impulsionado pelo auge do investimento». Steve Keen, um discípulo de
Minsky explica-o assim: «o capitalismo é inerentemente defeituoso, sendo
propenso a auges, crises e depressões. Esta instabilidade, na minha opinião,
deve-se às caraterísticas que o sistema financeiro deve possuir se for coerente
com um capitalismo real». A maioria dos marxistas adotaram um ponto de vista
semelhante ao de Minsky, ao interpretar a Grande Recessão como a
consequência da ‘financeirização’ e da criação de uma nova forma de fragilidade
em capitalismo.
Um dos principais keynesianos, Paul Krugman arremeteu contra os erros da
escola neoclássica, mas não ofereceu nenhuma explicação própria, para além de
que se tratava de uma ‘falha técnica’ que necessitava e podia ser corrigida
através da restauração da procura efetiva.
Muitos poucos economistas marxistas recuperaram a explicação original de Marx
sobre as causas das crises comerciais e financeiras e das depressões produtivas
resultantes. Um deles foi G. Carchedi, que resumiu este ponto de vista no seu
excelente, mas amiúde ignorado Behind the Crisis, assim: O ponto básico é que
as crises financeiras são provocadas pela redução produtiva da economia. Deste
modo chega-se a um ponto em que tem de haver uma deflação repentina e
massiva nos sectores financeiros e especulativos. Apesar de parecer que a crise
se gerou nestes sectores, a causa última reside na esfera produtiva e na queda
da taxa de lucro». De acordo com essa explicação, o melhor livro sobre a crise
continua a ser o de Paul Mattick Jr., Business as usual.
E de facto, a rentabilidade nos sectores produtivos das grandes economias
capitalistas era historicamente baixa em 2007, como vários estudos
demonstraram. Nos EUA, a rentabilidade atingiu o seu ponto máximo em 1997, e
o aumento da rentabilidade no boom do crédito de 2002-06 foi elevadíssima nos
sectores financeiros e imobiliário. Isto provocou um enorme crescimento do
capital fictício (ações e dívida) que não podia ser justificada por uma substancial
melhoria dos lucros do investimento produtivo.
No seu conjunto, os lucros começaram a cair em 2006, mais de um ano antes da
crise do crédito rebentasse em agosto de 2007. A queda dos lucros significou um
excesso de acumulação de capital e, portanto, uma forte redução do
investimento. Uma queda na produção a que se seguiu no emprego e nos
ingressos. É isto a Grande Recessão.
Desde o fim dessa recessão em meados de 2009, a maioria das economias
capitalistas experimentaram uma recuperação muito débil, muito mais débil que
depois de outras recessões anteriores no pós-guerra, e em alguns aspetos,
inclusive, mais débil que na década de 1930. Um recente relatório do Instituto
Roosevelt de JW Mason conclui que «não há precedentes da debilidade do
investimento no ciclo atual. Quase dez anos depois, o a inversão real mantém-se
em menos de 10% acima de 2007. É tudo muito lento, inclusive em relação ao
anémico ritmo de crescimento do PIB e muito baixo em termos históricos».
Assim, a Grande Recessão converteu-se na Longo Depressão da forma como foi
descrita, um termo também adotado por muitos outros, incluindo economistas
keynesianos como Paul Krugman e Simon Wren-Lewis. Por que razão não foi a
Grande Recessão seguida de uma recuperação económica ‘normal’ das taxas de
investimento e de produção anteriores? Os economistas da corrente monetarista
argumentam que os governos e os bancos centrais foram lentos no momento de
reduzir as taxas de lucro e adotar as ferramentas monetárias ‘não convencionais’
como a flexibilização quantitativa. Mas quando o fizeram, estas políticas não
parecem ter conseguido reativar a economia e alimentaram apenas um novo
boom bolsista e creditício.
A escola neoclássica que se deve reduzir a dívida, já que limita a capacidade das
empresas para intervir, enquanto os governos diminuem o acesso ao crédito
devido aos seus altos níveis de endividamento. Ignoram a razão da elevada
dívida pública, a saber, o enorme custo do resgate dos bancos a nível mundial e
a queda das receitas fiscais provocada pela recessão. Ao contrário, os
keynesianos dizem que a Longa Depressão se deve à ‘austeridade’, isto é, ao
facto de os governos tratarem de reduzir a despesa pública e equilibrar os
orçamentos. No entanto, as provas que apoiam esta conclusão não são
convincentes.
O que os pontos de vista neoclássicos, keynesianos e heterodoxos têm em
comum é negar a função dos lucros e da rentabilidade nas fases de alta e de
crise em capitalismo. O resultado é não procurarem uma explicação para o baixo
investimento como consequência da baixa rentabilidade.
No entanto, a correlação entre lucros e investimento é elevada e permanentemente
confirmada, e na maioria das economias capitalistas continua a ser inferior a 2007.
Depois de dez anos e uma fase de longa recuperação económica, mas
claramente muito débil do ‘ciclo económica’, em breve temos aí outra crise?
Assim parece sugeri-lo a história. Na minha opinião não será provocada por outra
crise imobiliária. Na maioria dos países os preços do imobiliário ainda não
recuperou para os níveis de 2007, apesar das baixas taxas de juro, e da
modéstia do volume das transações de casas.
A nova chispa é provável que seja o próprio sector industrial. A dívida corporativa
continuou a subir em todo o mundo, particularmente nas chamadas economias
emergentes. Apesar das baixas taxas de juro, uma importante parte das
empresas mais débeis apenas são capazes de pagar as suas dívidas. A empresa
S&P Capital IQ assinalou que a massa recorde de 1,84 biliões de dólares em
efetivo em poder das empresas não financeiras dos EUA mascara uma dívida de
6,6 biliões de dólares. A concentração de dinheiro em efetivo das 25 maiores
empresas, que representam 1% das empresas, é atualmente mais de metade do
dinheiro acumulado em efetivo, quando há cinco anos era de 38%.
O enorme falatório sobre os gigantes como a Apple, Microsoft, Amazon e as suas
resevas em dinheiro oculta a situação real das grandes empresas
As margens de lucro global estão a reduzir e os lucros das empresas financeiras dos
Estados Unidos estão a cair.
E agora, os bancos centrais, a começar pela Reserva Federal dos Estados
Unidos, começaram a reverter a «flexibilização quantitativa» e a aumentar as
taxas de juro. O custo dos empréstimos e do serviço da dívida existente vai
crescer, precisamente no momento em que a rentabilidade está a cair.
Esta é uma receita para uma nova crise, dez anos depois da última de 2008.
* Michael Roberts economista marxista britânico trabalhou 30 anos na City
londrina como analista económico.
Este texto foi publicado em: http://www.sinpermiso.info/textos/diez-anosdespues-
d el-comienzo-de-la-gran- recesion
Tradução de José Paulo Gascão

In
O DIÁRIO.INFO
https://www.odiario.info/b2-img/DEZANOSAPSOCOMEODARECESSOPOR.pdf
12/9/2017