quarta-feira, 2 de setembro de 2015
"Desligamento" e reacção interna
"Desligamento" e reacção interna
por Prabhat Patnaik [*]
Há uma visão forte em alguns círculos de esquerda, especialmente em
certos círculos da esquerda europeia, de que qualquer desligamento do
capitalismo global leva a um fortalecimento da reacção interna.
Naturalmente, mesmo na Europa isto não é necessariamente a visão dominante
da esquerda. Exemplo: os comunistas e outros segmentos da esquerda grega
– os quais defendem que a Grécia abandone a Eurozona ao invés de aceitar
as medidas de "austeridade" impostas pela chamada "troika" dos credores –
obviamente não aceitam seriamente esta conexão entre o desligamento de uma
instituição supranacional do capital e a reacção interna; mas ela
representa um ponto de vista significativo. E em vários círculos de
esquerda e de liberais progressistas em países do terceiro mundo como o
nosso, especialmente naqueles círculos que são intelectualmente
influenciados por estes segmentos da esquerda europeia, tal visão
prevalece: ela argumenta que muito embora a globalização seja
prejudicial para as condições de vida do povo trabalhador em países como o
nosso, tem de ser combatida por meios diferentes dos do desligamento, uma
vez que este só pode promover forças reaccionárias internas.
O que são estes meios diferentes nunca é deixado claro e a questão da sua
eficácia na defesa dos interesses do povo nunca é discutida. No entanto,
esta visão, de que o desligamento da globalização, através entre outras
coisas da imposição de controles transfronteiriços sobre fluxos de capital
e de mercadorias, conduz à promoção de forças reaccionárias internas,
detém uma influência considerável. De facto, no festival de Kochi há
alguns anos, Slavoj Zizek, o conhecido filósofo marxista esloveno,
argumentou que qualquer desligamento da globalização, ao promover o
"nacionalismo" e um recuo para dentro do país do terceiro mundo que o
tente, vai contra uma perspectiva internacionalista, ou no mínimo
cosmopolita, a qual é essencial para manter as forças reaccionárias
internas à distância.
Não pretendo entrar na discussão das possíveis alternativas para o
desligamento. Uma vez que os próprios oponentes do desligamento não
explicam tais alternativas, muito menos argumentam explicitamente a favor
delas, não precisamos entrar nesse território. Além disso, é lógico que
não havendo movimentos internacionais de camponeses e nem realmente
movimentos internacionais eficazes de trabalhadores, para resistir aos
efeitos da globalização, isto é, uma vez que a nação permanece como a
arena primária da resistência de classe contra os efeitos da globalização,
se tal resistência tiver êxito em chegar ao poder ela não tem alternativa
senão desligar-se da globalização. No entanto, o que pretendo fazer não é
repetir estes pontos óbvios mas ao invés disso chamar a atenção para um
"paradoxo aparente" que implica toda esta questão. E este consiste no
facto de que não é o desligamento da globalização mas sim a própria
globalização que conduz aos fortalecimento de forças reaccionárias em
países como o nosso; de que não é o "nacionalismo" dirigido contra a
globalização, o qual é uma expressão da hegemonia do capital financeiro
internacional, que promove a reacção por "olhar de dentro", mas ao invés
disso é o próprio capital financeiro internacional que promove a reacção
como meio de reter sua hegemonia.
PARALELO PERTURBADOR
Aqui há de facto um paralelo perturbador entre a crítica do Banco Mundial
à estratégia de substituição de importações do período dirigista, a qual
levou ao desenvolvimento de auto-suficiência significativa em tecnologia e
na capacidade de produzir bens, como sendo a de "olhar para dentro",
portanto errada, e o argumento destes segmentos da esquerda de que o
desligamento da globalização, sendo "olhar para dentro", é errado porque
conduz à reacção interna. Dizer isto não é difamar estes segmentos de
esquerda, mas simplesmente sublinhar dois pontos: primeiro, "olhar para
dentro" e "olhar para fora" não são expressões de classe; utilizá-las sem
levar em conta o contexto de classe pode portanto camuflar aspectos
cruciais da realidade social. Segundo, na medida em que estas expressões
são utilizadas apesar da consciência da realidade social, uma vez que
"olhar para fora" significa necessariamente forjar laços fortes com um
mundo dominado pelo imperialismo, aqueles segmentos da esquerda que
desaprovam uma trajectória de "olhar para dentro" estão a subestimar os
efeitos deletérios da dominação imperialista.
Eles assim o fazem por duas possíveis razões: ou porque não reconhecem
de todo a presença do imperialismo como um fenómeno (embora possa
reconhecer "o império" como uma entidade empírica, ou reconhecer e
condenas "aventuras imperialistas" individuais tal como no Iraque onde os
países avançados estavam de olho nos recursos petrolíferos), ou porque,
baseando-se nos escritos de Marx sobre a Índia no princípio da década de
1850, vêem um "lado positivo" na exposição do "terceiro mundo" às
principais potências capitalistas. Se bem que este "lado positivo" possa
ter sido historicamente pertinente, ele não tem relevância uma vez que
os povos do terceiro mundo levantaram-se em revoltas anti-imperialistas a
fim de impor a descolonização. (De facto, pretender um "lado positivo"
para o imperialismo depois de se ter verificado a descolonização
equivale a negar o papel histórico positivo da própria descolonização).
Uma vez que aceitamos a natureza permanente do imperialismo e vemos a
actual globalização como uma expressão do mesmo, embora naturalmente num
contexto mudado, o desligamento da globalização num mundo onde resistência
e lutas são organizadas nacionalmente torna-se um ítem necessário na
agenda. E também constitui o meio para ultrapassar, ao invés de abrir
caminho, a reacção interna.
Isto é óbvio no nosso próprio contexto. A luta anti-colonial na Índia
activou o povo e mobilizou-o em torno de uma agenda que incluía entre
outras coisas uma pessoa-um voto, certos direitos fundamentais para todo
cidadão, igualdade diante da lei sem consideração de casta, religião e
género e separação da religião do Estado, toda esta agenda representou uma
ruptura drástica em relação à desigualdade social praticados durante
milénios. Grande parte desta agenda está hoje ameaçada, em perigo de ser
minada de facto pelas forças comunais que ocupam as principais posições
no Estado, com a ajuda da oligarquia corporativo-financeira que está
alinhada com o capital financeiro internacional. Estas forças comunais,
vale a pena recordar, estiveram completamente arredadas da luta
anti-colonial, nem um único dos seus ícones e líderes esteve alguma vez
nela envolvido (e Savarkar, que esteve envolvido a princípio, dela
dissociou-se depois de apresentar uma "desculpa" aos governantes
coloniais).
Dito de modo diferente, a "modernidade" no sentido da ultrapassagem da
herança de milénios de desigualdade institucionalizada e o entendimento da
noção de uma fraternidade de "cidadãos" iguais, embora representando por
si mesma mais o ideal do que os projectos da ordem burguesa, não pode ser
alcançada nem através de uma ligação ao imperialismo, nem sob a égide da
burguesia interna que forja esta ligação com o imperialismo e com a sua
agência principal na era da globalização, isto é, o capital financeiro
internacional. O progresso rumo à própria "modernidade" é uma tarefa
delegada à esquerda em sociedades como a nossa. Por isso ela tem de lutar
contra a hegemonia do capital financeiro internacional e, portanto, pelo
desligamento de uma ordem por ele dominada.
O "capital financeiro", enfatizou Lenine, quer sempre a "dominação". Por
isto ele deve dividir o povo, promover o comunalismo, minar a activação
política do povo e subverter todas as tendências para a realização de uma
"fraternidade de cidadãos iguais", a qual é o declarado ideal da
democracia. A luta contra o capital financeiro é necessariamente
inclusiva, ao passo que a hegemonia do mesmo é necessariamente
acompanhada pela imposição do divisionismo, pelo farejar das linhas de
fractura da sociedade pré existente a fim de exacerbá-las.
Mas então, pode-se perguntar, como explicar a abundância de movimentos
fundamentalistas e reaccionários que encontramos nestes dias por todo o
terceiro mundo, os quais posicionam-se em absoluto contraste com o
humanismo aparentemente professado e pregado pelos países capitalistas
avançados (aos quais designamos como potências imperialistas) que
posteriormente aparecem como oásis de "modernidade" e tolerância dentro
de um oceano de fanatismo e intolerância? Subjacente a este fenómeno está
um facto de considerável importância, nomeadamente a destruição
sistemática pelas próprias potências imperialistas do surto progressista
que representou a luta anti-colonial no terceiro mundo, da "modernidade"
que a luta anti-colonial representou.
IMPERIALISMO, PAI DOS FANÁTICOS
Todas as arenas principais do fundamentalismo islâmico de hoje são
lugares que estiveram outrora na vanguarda de lutas progressistas do
terceiro mundo e cada uma de tais lutas foi destruída pelo imperialismo. O
regime democrático laico de Mossadegh no Irão, apoiado pelo Partido Tudeh,
foi derrubado, com a ajuda do ayatola Kashani, porque ousou nacionalizar o
petróleo. O partido Baath de Saddam Hussein foi ajudado pelo imperialismo
a derrubar o regime progressista do general Kassem no Iraque, o qual fora
apoiado pelos comunistas; e posteriormente o próprio regime de Saddam
Hussein que pelo menos era laico foi derrubado, mais uma vez pelo
imperialismo, o qual deliberadamente promoveu a divisão xiitas-sunitas a
fim de fortalecer sua posição. O regime do presidente Sukarno, na
Indonésia, o qual tinha o apoio dos comunistas, foi derrubado pelo
imperialismo num sangrento golpe militar de Suharto, ao qual se seguiu um
massacre que matou meio milhão de comunistas, e hoje o fundamentalismo
faz sentir sua presença na Indonésia. O Sudão, outro lugar onde forças
fundamentalistas estão a levantar a cabeça, tinha o maior Partido
Comunista da África, mas um golpe de Nimieri apoiado pelo imperialismo
tomou o poder e o líder comunista, camarada Mahjoub, foi executado. E é
claro que no Afeganistão foi o imperialismo que promoveu a jihad contra
o regime apoiado pela União Soviética e que desovou o Taliban e a Al
Qaeda.
Em suma, o imperialismo, que por toda a parte aparece como o benigno
defensor de "valores humanos" contra os fanáticos fundamentalistas, é ele
próprio o pai dos fanáticos. Ele sistematicamente destruiu todos os
regimes progressistas, laicos e nacionalistas no terceiro mundo, enquanto
promovia directamente os fanáticos fundamentalistas ou deixava o cenário
vazio preparado para eles.
Isto não quer dizer que os regimes laicos nacionalistas do terceiro mundo
não tivessem as suas próprias falhas, fraqueza e contradições. Sabemos na
Índia do compromisso com o latifundismo (landlordism) em que entrou o
governo pós independência, compromisso esse que esvaziou a viabilidade do
regime económico dirigista. Histórias semelhantes podem ser repetidas a
partir de outros contextos. Mas o ponto básico é isto: nunca foi
permitido aos países do terceiro mundo resolverem suas próprias
contradições e antagonismo de classe. O imperialismo, inevitavelmente,
entrou por toda a parte; interveio por toda a parte e o resultado da sua
intervenção foi o fortalecimento por toda a parte das forças da reacção.
Portanto, ver a reacção como o produto de uma estratégia de "olhar para
dentro", e uma ultrapassagem da reacção como ficando facilitada pela
ligação ao imperialismo, é ignorar um ponto crucial acerca da realidade
contemporânea.
30/Agosto/2015
[*] Economista, indiano, ver Wikipedia
O original encontra-se em
peoplesdemocracy.in/2015/0830_pd/“de-linking”-and-domestic-reaction .
Tradução de JF.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
http://resistir.info/patnaik/desligamento_30ago15.html
2/9/2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
La mujer que ocupó la fábrica
Lavaca
Antonia Argota es petisa, morocha, peronista, matancera y acaba de contar que
vivió 45 días con cinco policías (tres hombres, dos mujeres) dentro de la
fábrica recuperada que hoy preside en Lomas del Mirador, a sólo tres cuadras de
Ruta 3, y a menos de 10 minutos de Capital Federal.
“¿45 días?”, es la repregunta, tonta y asombrada.
“45 días”, es la respuesta, concisa y sonriente.
Antonia deja un espacio al silencio. El grabador lo registra. Ella también:
sonríe.
El silencio también se registra cuando se suben las escaleras que conducen a la
enorme Cooperativa 10 de Noviembre -ex “Lanera El Mirador S.A.”-, adormecida
durante las últimas semanas por una merma en la producción que detuvo las
máquinas con las que esta empresa textil trabaja la fibra acrílica que después
se exhibe en forma de bellos tejidos en hilanderías de la calle Corrientes. El
silencio le duele a Antonia y al resto de los casi 20 integrantes de esta
fábrica sin patrón del oeste del conurbano bonaerense: si no hay producción,
tampoco hay dinero.
La cooperativa trabaja a fasón, es decir, para otras empresas que le proveen la
materia prima y, luego, la comercializan. No tiene marca propia. Producen para
Nube, que elabora hilados gruesos. Ese fue el motivo, explica Antonia, del
parate: el traicionero invierno de la temporada 2015 les jugó una mala pasada, y
los días primaverales acumularon un stock que aún no pudo venderse. “No pudieron
sacar el material y nos cortaron el trabajo de una semana a la otra”, dice la
mujer. “Arrancamos de vuelta con algunos clientes que sabemos que trabajan
hilado fino, pero de a poquito. Te traen 500 kilos, pasan dos o tres semanas, a
veces un mes, y te vuelven a traer 500, porque quieren ver cómo va el panorama
con el tema de las votaciones. Muchos especulan con eso”.
Para tomar una idea de la magnitud: la fábrica estaba trabajando hasta 1800
kilos por semana, casi 8 mil al mes. “Con eso estaba a pleno. Inclusive
trabajábamos algunos feriados, algunos domingos. Y cuando hubo mucho material
ingresaron más personas. Llegamos a ser 23 compañeros. Pero vinieron temporadas
malas y algunos buscaron irse”. La gran deuda es la marca propia. ¿Por qué no?
“Sale muy cara”, dice Antonia. “Y si querés comprar de a 200 ó 300 kilos, no te
traen. La compra tiene que ser mil kilos para arriba. Imposible: estamos
hablando de 4,20 dólar el kilo”. A 8 mil kilos por mes, serían casi 34 mil
dólares: 334 mil pesos mensuales.
Antonia suspira: “Hoy por hoy estamos así”.
Los señores de traje
La cooperativa 10 de Noviembre reinició la producción en agosto de 2009 luego de
dos años y medio. Lanera El Mirador cerró en 2007 sin presentar ningún drama
económico. “No tenía problema, estaba lleno de material”, recuerda Antonia. “Las
máquinas estaban llenas de material. Se había acumulado y la semana anterior
habían entrado varios fardos, grandes como esta mesa. Ni siquiera teníamos
problemas de cobro. Éramos 50 personas trabajando a pleno”.
Dice Antonia: “Todo comenzó por un problema interno”.
El problema interno detonó tres años después del fallecimiento del dueño. El
relato oscila entre su viuda, unos primos, y una serie de conflictos familiares
que se desataron con el correr de las semanas, y que derivó en movimientos
sospechosos dentro de la fábrica que los trabajadores fueron percibiendo de a
poco. Antonia recuerda que la fotografía habitual de la empresa, con las
máquinas encendidas, los hilos enganchados y las madejas listas para salir, se
fue manchando con la visita de misteriosos hombres de traje que llegaban para
mirar las maquinarias. Un día notaron que uno de esos hombres llevaba en el
traje una etiqueta que decía Conotex. “¡Era la empresa de las máquinas!”,
recuerda hoy Antonia. “Yo pregunté por qué venían, y me respondieron que era
porque la empresa había solicitado un préstamo y venían a verificarlas porque
estaban como garantía. ¡Todo mentira! Venían porque se estaba por poner en venta
la fábrica: la empresa iba a cerrar”.
Cuarenta y cinco
La alarma se encendió. A la visita de los hombres de traje se sumaban rumores
que otras compañeras habían escuchado en el sindicato. No dudaron un segundo:
reunieron las pruebas que tenían hasta entonces y presentaron una denuncia
formal en el Ministerio de Trabajo. La jugada fue estratégica porque fijó la
postura de los trabajadores de cara a los futuros conflictos: querían mantener
sus fuentes de empleo. El patrón, Juan Carlos Borrino, negó todas las
acusaciones. Los trabajadores ya contaban con un abogado para asesorarse. Las
audiencias fueron pasando una a una. Adriana Daquisto, 14 años en la fábrica,
recuerda como si hubiera sido ayer las palabras del patrón en una de las
jornadas en el Ministerio: “Esta empresa la abrí cuando yo quise y la voy a
cerrar cuando yo quiera”. Las tensiones iban en aumento.
El 9 de noviembre de 2007 -era viernes- tres muchachos fueron a la fábrica. Se
presentaron como militantes de Polo Obrero (el movimiento piquetero del Partido
Obrero) y pidieron hablar especialmente con Antonia Argota. Eran aproximadamente
las 17:30. Antonia bajó y los miró. Nunca los había visto en su vida. Recuerda
ese momento: “Me preguntaron si podíamos reunir a todos los compañeros que
ingresaban al día siguiente por la mañana. Dijeron que el patrón, el día 10 de
noviembre, a las 14:30 horas, iba a venir y a cambiar todas las cerraduras”.
Acudieron al día siguiente ante el inesperado aviso. Se metieron. Esperaron.
Pasaban los minutos. ¿Será verdad? ¿Será mentira? Eran las 14:29. “Exactamente a
las 14:30 llegó el patrón con 10 ó 15 patrulleros, personal de seguridad privada
y cinco cerrajeros”. Todo un arsenal. Pero la fábrica estaba tomada. El patrón
comenzó a gritar. Los policías pudieron desalojar a los trabajadores, pero no
podían tocar a las mujeres. Quedaron tres adentro. Una de ellas era Antonia.
“¡Quedamos con cinco policías!”, exclama Antonia. “Eran dos mujeres y tres
hombres contra nosotras tres. Pero a la primera semana se bajó una: tenía un
bebé de 7 meses. Abandona. A los días abandona la otra: tenía un chico chiquito.
Quedé yo. 45 días. Y cinco policías”.
45 días, sola, en una fábrica, con cinco policías.
Hoy Antonia Argota es la presidenta.
La ira
Subsistió más de un mes en el lugar donde había trabajado 25 años. La tenía
clara: “Sabía que si salía, ya estaba: perdíamos toda la lucha”. No se fue.
Afuera, en la calle, sus compañeros habían montado una carpa esperando el
momento para volver a entrar. Sumaron apoyo de otras cooperativas y fábricas, de
vecinos, de organizaciones sociales. Armaron ollas populares. Antonia no se
movía. “Un día se me acercó un señor policía, grande de edad, me agarró y me
dijo si podía hablar con él. Me dijo que nunca me acercara a la puerta, porque
había muchísima plata puesta para que me sacaran a la calle. Imaginate: ni me
acercaba”.
Antonia valora ese gesto. “Se hizo una convivencia”, recuerda. “Trajeron una
cafetera eléctrica para que tomemos café. Y una estufa, porque dormía arriba de
un banco con frazadas que me dieron los vecinos. Otras veces nos alcanzaban
fideos. Mis compañeros le daban a los policías la comida por una ventanita y
ellos me la traían”. Dice que los policías eran pagos: terminaban sus horarios
de trabajo y llegaban porque hacían adicionales. “Nunca vino un fiscal con una
orden de desalojo”, comenta. “Nosotros siempre dijimos que estábamos
resguardando nuestro lugar de trabajo y que estábamos cuidando las máquinas, que
son nuestra garantía de cobro de sueldos adeudados”.
Esa posición fue clave. “Legalmente también nos movimos bien”, expresa. Sin
embargo, fueron 45 días los que estuvo allí. “Es una cosa que vos no lo pensás”,
responde. “Son actos que nacen de adentro con la bronca, con la rabia.
Imaginate: entré a esta empresa cuando tenía 16 años, soltera. Me casé
trabajando en esta empresa, tuve mis hijas trabajando en esta empresa, tuve mi
nieto trabajando en esta empresa. Era una historia de mi vida, familiar: todo lo
que yo sé ahora y que puedo volcar al trabajo que hago lo aprendí estando en
esta empresa. Era una madre soltera, separada, con dos hijas, que trabajaba
sábado, domingo, feriado. Vivía acá, prácticamente”.
Sigue Antonia: “En ese momento pensás en todo y no pensás en nada. Los años que
trabajé acá no me los devolvía nadie. Y teníamos compañeras grandes. ¿A dónde
íbamos a ir? ¿Por qué nos hacían esto? Es la ira tuya la que te hace defenderte
y subsistir cada día. Vos te ponés más fuerte. Porque van pasando cosas, sí,
pero no: yo tengo que seguir parada y con la bandera en mano”.
Después de 45 días ingresaron todos los compañeros y compañeras
Empezaba otra batalla que sigue hasta hoy.
El Gran Hermano
Ocuparon la fábrica durante dos años y medio. De 2007 hasta 2009 la producción
estuvo parada. Dos años y medio sin trabajar ni ver un centavo. El impacto se
sintió: de 50 trabajadores quedaron 12. Algunos quedaban haciendo guardia, otros
salían a buscar trabajo. El fondo de desempleo ayudaba algo, pero tampoco mucho.
“Muchos compañeros eran grandes, no los querían tomar en ningún lado”, dice
Andrea Daquisto. El camino fue durísimo. En el transcurso de la lucha, uno de
los trabajadores (Rubén Palma) se enfermó. “Se fue agravando cada vez más
mientras más se estiraba esto. Quedó inválido. Murió de un infarto”.
En 2010 murió otro obrero: Hugo Cejas. “Salía a buscar trabajo y no lo querían
tomar en ningún lado por la edad. Tenía 54 años”, cuenta Antonia. “Eso le trajo
conflictos con su pareja. Empezó a entrar en un estado depresivo. Lo ayudamos
acompañándolo al médico, estando con él. Un día se fue y no regresó. Lo
encontraron después de varias horas. Se ahorcó en su casa”.
No fue fácil la supervivencia. Muchas de las trabajadoras dormían con sus hijos
en la fábrica durante sus turnos. Los niños iban al colegio y al jardín desde la
propia empresa. Se llevaban los guardapolvos, las mochilas, los útiles. “La vida
estaba totalmente cambiada”, sintetiza Josefina Argota, 16 años como obrera
textil, que hacía guardias los fines de semana. “Mi nene en ese momento tuvo que
hacer una historia para el colegio. Contó la historia de la cooperativa. Del
comienzo. La maestra le preguntó si era real lo que había escrito. Le dijo que
sí, que todo eso le había pasado a su mamá cuando cerró el patrón las puertas de
la fábrica y ella se quedó sin su fuente de trabajo. Gracias a esa historia se
llevó un 10”.
Salían a buscar cartón, botellas. Los chicos acompañaban. “Para ellos era una
experiencia de juego”, dice Claudia Bellini, 5 años en la cooperativa, venía a
acompañar a su madre. “Una no quería que pasaran por las cosas que pasamos
nosotras, por eso decíamos: ´Hagamos que sea para ellos un juego´. Así les
explicamos el valor de las cosas y el sacrificio que una tuvo que hacer”.
Argota: “La convivencia en ese tiempo fue como la casa de Gran Hermano”. No
bromea.
María Alejandra Gallo trabajó un año, se fue y volvió cuando se conformó la
cooperativa. Tiene experiencia en la familia: su papá es uno de los trabajadores
que recuperó Cristalerías San Justo, también en La Matanza. “¿Por qué apostar a
esto? Porque era lo que hacías y sabías que funcionaba. Había mucho trabajo. Sí,
está bien, había un patrón, pero las que trabajábamos éramos nosotras”.
Daquisto: “Gracias a nosotras él tenía lo que tenía”.
Gallo: “Lo más importante estaba, y era saber quién podía hacer el trabajo:
nosotras. Fue una alegría enorme el día que nos pusieron la luz y cuando
prendimos las máquinas para escuchar cómo andaban. Era una fiesta”.
Argota: “Te revuelve muchas cosas. Cuando nos trajeron la primera materia prima
después de dos años y medio, fue una alegría. Nos dio fuerza saber que estábamos
en nuestra fuente de trabajo y que éramos nosotros los que íbamos a remar y a
manejar esto entre todos los compañeros”.
Bellini: “Por eso cuesta hacerles entender a los nuevos que entrar a la
cooperativa que no van a hacer sólo su trabajo y allí va a terminar todo. A
veces hay poco entusiamo, pero es porque no la luchó y no estuvo para aguantarla
como estuvimos nosotras”.
Argota: “Piensan, a veces, que como es una cooperativa y no hay patrón pueden
hacer lo que quieren. Los horarios no lo respetan, porque piensan que nadie lo
va a controlar”.
Las mujeres están hablando de la disciplina de la autogestión.
Esa es otra batallas que siguen hasta hoy.
Una familia
La producción está detenida pero el trabajo no se detiene. Las goteras y las
intensas lluvias de las últimas semanas empujaron a un grupo de trabajadores a
arreglar el techo. Es en la terraza de la fábrica donde habla Ricardo Herrera,
31 años, 13 en la fábrica, hoy tesorero de la cooperativa: “El conflicto fue
duro. Aguantamos y apostamos, primero, por los compañeros, y después siempre
creí en la cooperativa, en que íbamos a salir adelante todos juntos. Y hoy
seguimos luchando, pese a las épocas buenas y malas. Cuando arrancamos no
sabíamos nada: sólo manejar una máquina. Y de ahí uno tenía que empezar a
reunirse con clientes, con proveedores. Uno se apichona, pero es hasta aprender
a pararse de igual a igual. Nosotros discutimos con grandes clientes que vienen
con saco y corbata, pero nosotros, con nuestra ropa de trabajo, tenemos que
hablarles de igual a igual”.
Gustavo Matías Gómez, 23 años, hincha de Almirante Brown, explica que esa
dignidad se construye día a día: “Cuesta hacerles entender a mis amigos qué es
trabajar en una cooperativa. Piensan que es una de las creada por el Estado.
´Ustedes se rascan todo el día. Total, siempre les van a pagar”, me dicen. Más
de una vez respondí: ´Vení una semana seguida a mi trabajo, fijate el esfuerzo
que hacemos para tener lo que tenemos y cobrar, no como vos, que por más que
hagas o no tu producción, a fin de mes vas a tener tu plata´. Si nosotros no
entregamos la producción en tiempo y forma, nos vamos a llevar menos a fin de
mes. Por eso tenemos que tirar todos para el mismo lado”.
Herrera: “No es que fuimos cooperativistas desde la cuna. Somos una empresa
recuperada. El patrón nos empujó a esto. Ahí nos fuimos instruyendo y cambiando
el pensamiento. Cuando estaba el patrón, venía y preguntaba las mismas cosas
ocho veces. No me interesaba. Si algo se rompía, tampoco. Hoy uno cuida sus
cosas como si fuera su casa. Y lo es: es nuestro segundo hogar”.
Qué hacer
Antonia habla y detrás suyo, sobre la repisa de una biblioteca, reposan una foto
con Néstor Kirchner y otra con Cristina Fernández. “Soy peronista desde la cuna.
Mi familia es peronista de Perón y de Evita. Mi abuela me cuenta que mi abuelo
estuvo preso cuando el peronismo estaba proscripto”.
En medio del silencio de las maquinarias, cuenta que pocas veces tramitaron
subsidios para la cooperativa. “Teníamos trabajo”, dice. Este fue el año que más
se movieron. El objetivo a mediano y largo plazo es tener materia prima propia y
producir una marca autónoma. Hacia allí se enfocarán las próximas demandas de la
fábrica. Aun así, la plata que sí pudieron recibir la invirtieron en los
respuestos de las máquinas: “Son muy caros”. Antonia subraya entonces dos
instancias clave en la lucha de las empresas recuperadas: el antes y el después.
El antes -clave, por supuesto- está signado por las batallas judiciales y
policiales. Los 45 días de Antonia adentro y la carpa afuera se convierten así
en una de las experiencias que condimentan la épica de un movimiento aún en
formación. El después es el presente, que también implica el futuro, y conlleva
nuevos aprendizajes cada día. Y dispara una pregunta: ¿cómo sostenemos la
autogestión?
“Uno de los problemas que tenemos es a la hora de hacer trámites”, responde
Antonia para ejemplificar una de las dificultades actuales que atraviesan al
sector. “Desde el Estado no pueden distinguir de las cooperativas creadas por el
propio Estado que las que nacen dentro de la economía social. Somos empresas
recuperadas, y cada vez que tenemos que tramitar algo debemos llevar la ley de
expropiación para que entiendan que no recibimos un sueldo del gobierno, sino
que nuestra plata sale de lo que trabajabamos mes a mes. Tampoco hay contadores
ni abogas que sepan trabajar y entiendan sobre cooperativas de trabajo dentro de
la economía social”.
Antonia, en medio del doloroso silencio de las máquinas textiles, deja una
enseñanza: “El sistema judicial y contable es uno solo. Y ahí hay que saber bien
qué decir y qué hacer”.
Esa es la batalla que sigue hasta hoy.
In
LAVACA
http://www.lavaca.org/notas/cooperativa-10-de-noviembre/
27/8/2015
domingo, 30 de agosto de 2015
El caso de Zanon - empresa recuperada argentina
El caso de Zanon
R. Amador, M. Pollo, L. Meyer y M. R. Solinas
Ideas de Izquierda
León Trotsky escribió alguna vez que “la conciencia no está hecha del mismo
material que las vías del ferrocarril”; los cambios que se producen en ella, y
cómo a través de ellos la clase obrera puede llegar a convertirse de objeto de
explotación en artífice de su destino, acaudillando al conjunto de los oprimidos
para hacer la revolución, son cuestiones a las que el revolucionario ruso dedicó
ríos de tinta. Las lecciones que los trabajadores sacan de su experiencia
práctica, y cómo los revolucionarios contribuyen a ellas, son una pieza
fundamental de sus reflexiones. Estas se condensaron en su estrategia y
programa.
En esta nota queremos reflejar cómo la experiencia de Zanón (hoy FaSinPat)
permitió –dentro de la lucha de clases reciente en la Argentina y como ejemplo a
nivel internacional– mostrar la vitalidad del Programa de Transición. Como
cuenta Raúl Godoy [1]:
…desde que conquistamos la comisión interna de Zanon venimos luchando por la
unidad de las filas obreras, ganamos el apoyo de toda la fábrica contra la
burocracia por plantear “a igual trabajo, igual salario” y que queríamos una
comisión interna para terminar con la división de efectivos y contratados al
interior de las empresa. Así empezó nuestra historia [2].
Una salida obrera ante la crisis
Desde antes del 2001, el proceso ceramista se dio en medio de una crisis
profunda tanto económica como política que volvió necesario desplegar una salida
de fondo ante el lock-out empresario. En medio del hundimiento generalizado,
mostró una alternativa clasista ante el cierre de las fábricas.
El argumento para cerrar la fábrica por parte de la patronal era que daba
pérdidas. El reclamo de que se abran sus libros de contabilidad y se termine con
el “secreto comercial” con el que esconden sus ganancias y el “vaciamiento” de
las empresas [3] les permitió a los trabajadores desbaratar el preventivo de
crisis –artilugio legal usado por las patronales para aducir crisis que
difícilmente puede ser comprobadas y que les permite despedir en masa con la
mitad de indemnización y cambiar el convenio laboral–.
Ante el cierre de la fábrica los trabajadores decidieron mantener las fuentes de
trabajo, tomar la fábrica y ponerla a producir. Demostraron, de ese modo, que
podían producir sin patrones, y postularon la expropiación sin pago y la
estatización o nacionalización bajo gestión de los trabajadores para poner la
fábrica al servicio de un Plan de Obras Públicas –una salida que plantea el
Programa de Transición ante el cierre de empresas–, que fue levantada por un
puñado de fábricas que se referenciaban en Zanon y mostraban una salida ante el
problema de la desocupación que golpeaba a más del 20 % de la clase trabajadora.
Otra de las consignas motoras que levantaron los ceramistas ante los despidos
fue que podían trabajar todos repartiendo las horas de trabajo con igual salario
entre todas las manos disponibles. Es una gran consigna en momentos de crisis
profundas del capitalismo, cuando son millones los que son arrojados a la calle
y son los capitalistas los que quieren salvarse solos, cerrando empresas y
llevando su capital a otros lugares o invirtiendo en otros negocios. Estas
medidas retoman el legado del Programa de Transición, como expresa uno de sus
dirigentes:
Muchas veces señalé que la política que impulsamos en Zanon no la inventamos
nosotros sino que la tomamos del Programa de Transición de León Trotsky.
Nosotros sabíamos que ante las crisis cuando los patrones quieren hacerla pagar
a los trabajadores, tenemos que exigir la apertura de los libros contables de
todas las empresas para mostrar ante la población lo que han ganado. Y que si
los capitalistas no pueden dar lo único que tienen los obreros bajo el
capitalismo, el derecho a ser explotados, entonces hay que sacar de sus manos
los medios de producción, mediante la expropiación y el control obrero de cada
fábrica que cierre o despida [4].
Hegemonía obrera
Esta lucha no hubiera podido mantenerse en pie durante todos estos años si no
fuera porque desde el inicio, junto al surgimiento del primer levantamiento de
desocupados –el Cutralcazo–, los ceramistas conquistan la Comisión Interna y
comienzan una práctica militante de unir las filas obreras adentro y comenzar a
relacionarse con los fenómenos de vanguardia neuquina y nacional, participando
de los paros nacionales y llevando a cabo todo tipo de acciones desde la
fábrica. Allá por el 2001 los ceramistas unieron sus reclamos a los del
Movimiento de Trabajadores Desocupados (MTD) de Neuquén y otras organizaciones
de desocupados. Con la recuperación del Sindicato (SOECN) no cesaron en su
política de Coordinación Obrera, tomando a su vez el conjunto de los reclamos de
los explotados.
Los Encuentros regionales, permitieron sentar las bases de lo que luego tomó la
forma organizativa de la Coordinadora del Alto Valle [5]. Los encuentros de
Fábricas Recuperadas, la hermandad con los mapuches en defensa de sus tierras,
la coordinación con la lucha de los estatales y docentes, es parte de los
centenares de ejemplos en donde están los ceramistas apoyando y coordinando con
los conflictos por todo el país, como lo fue éste año en el Encuentro convocado
por los trabajadores en lucha de Lear y de Madygraf:
Esa unidad en la acción es muy buena, entonces hay que avanzar en trabajar
juntos en lo estratégico de impulsar organizaciones de democracia directa que
unan las filas de los trabajadores y tengan independencia de clase del Estado,
los empresarios y sus partidos. La tarea es recomponer las filas obreras tras
una nueva estrategia que yo definiría con dos ideas: autoorganización e
independencia de clase [6].
Es éste un gran ejemplo del papel que está llamada a jugar la clase obrera si
conquista hegemonía, es decir, el liderazgo como representante de toda su clase,
pero también de los sectores oprimidos de la sociedad, tomando sus demandas.
Es con este objetivo y con esta práctica política que desarrollan la constante
elaboración de un programa que se expresó en las campañas y en los hechos,
tomando el enorme problema de la vivienda en la provincia, la denuncia a las
petroleras que saquean los recursos naturales, el acceso a la salud y la
educación, incluso al arte, como ejemplo de la libertad para esparcimiento de
los jóvenes con los grandes recitales (gratuitos o a precios populares) en la
planta.
Esta pelea se dará en todos los terrenos: en las calles, en las fábricas, en los
barrios, e incluso desde el Parlamento, como recientemente lo hizo desde su
banca de diputado Raúl Godoy –donde cobra lo mismo que un trabajador y dona el
resto a las luchas– impulsó el proyecto de Ley por la Nacionalización del
petróleo y el gas bajo control de los trabajadores, entre otras tantas demandas.
Así expresa él esta idea fuerza, que lograron llevar adelante en la práctica a
lo largo de estos 14 años de gestión obrera:
Para nosotros devolverle a la comunidad, que hizo lo imposible para que no nos
desalojen, tiene su máxima expresión en el hecho de tomar sus necesidades como
propias, como parte del programa por el que luchamos. Los tomamos y mostramos
que los trabajadores tenemos la posibilidad de darle una solución a esos
problemas si luchamos junto a ello. Es en gran parte por ello que nuestra meta
es la estatización bajo control obrero y un plan de obras públicas para
enfrentar los problemas de desocupación, de vivienda, de salud y de educación.
Como parte de un programa transicional, mientras propagandizamos en pequeño, que
al eliminar la propiedad privada de los medios de producción, al socializarlos,
existe la posibilidad de producir para las necesidades sociales y no para la
ganancia de unos pocos empresarios [7].
La experiencia realizada con los movimientos de desocupados mostró en potencia
lo que podía significar si los sectores combativos y clasistas avanzan en
recuperar los sindicatos hoy manejados por la burocracia. Esto mostró en la
práctica la importancia que tiene dotar de una política no corporativa a los
sindicatos, porque como afirmaba Trotsky: “Los sindicatos y otras organizaciones
de masas deben ligar a aquellos que tienen trabajo con los que carecen de él,
por medio de los compromisos mutuos de la solidaridad” [8]. Sólo con esta
política pueden los sindicatos llegar a los millones que están por fuera de
ellos: “Los sindicatos, aún los más poderosos, no abarcan más del 20 al 25 de la
clase obrera y por otra parte, sus capas más calificadas y mejor pagadas”,
analizaba Trotsky.
Son experiencias importantes para la Argentina actual, donde el nivel de
sindicalización es inusualmente alto comparado con otros países, pero así y todo
es apenas del 37% de la clase trabajadora. El resto están por fuera de los
sindicatos, muchos directamente en negro y sin ningún tipo de derechos.
Los nuevos estatutos del SOECN: retomando las mejores experiencias del
sindicalismo clasista
Tanto la Tercera como la Cuarta Internacional, que concentran las mejores
tradiciones de la clase obrera, consideraron indispensable trabajar en los
sindicatos reconocidos por los trabajadores como “organizaciones de masas” para
la lucha por reivindicaciones parciales y transitorias. Pero al mismo tiempo
alertaban que agrupaban (como ahora) sólo a una parte minoritaria de los
trabajadores, incluso muchas veces el sector más conservador. Esto obliga a
tener una política hacia los sindicatos para transformarlos en su contenido,
organización y programa, donde se imponga la más amplia democracia obrera y la
independencia absoluta del Estado, lo que plantea como tarea de primer orden
expulsar a la burocracia sindical. Pero considerando que éstos no son fines en
sí, sino medios para llegar al conjunto de la clase obrera y dotarla de un
programa que vaya más allá de sus reivindicaciones inmediatas.
León Trotsky señala en el Programa de Transición, que en nuestra época, los
sindicatos dirigidos por las burocracias sindicales se han ido constituyendo
cada vez más directamente en instrumentos con los que cuenta el Estado para
contener la lucha del movimiento obrero, los dirigentes de los sindicatos
burocratizados dejan de ser los representantes de los intereses de los
trabajadores ante las patronales y el Estado, y son llamados a actuar cada vez
más como agentes de éste ante la clase trabajadora, y “en los períodos agudos de
lucha de clases, los aparatos dirigentes de los sindicatos se esfuerzan por
convertirse en amos del movimiento de masas para domesticarlo”. Lejos de que
este hecho implicara un abandono de los sindicatos, Trotsky afirma:
De todo lo anterior se desprende claramente que, a pesar de la degeneración
progresiva de los sindicatos y de sus vínculos cada vez más estrechos con el
Estado imperialista, el trabajo en los sindicatos no ha perdido para nada su
importancia, sino que la mantiene y en cierta medida hasta es aún más importante
que nunca para todo partido revolucionario [9].
A partir de la recuperación del Sindicato, la experiencia de los obreros
ceramistas de Neuquén trasciende una vez más, con la redacción y posterior
aprobación de los nuevos estatutos del sindicato el 16 de julio de 2005. Luego
de meses de debates en asambleas y de la realización de un plenario de
delegados, los obreros de las cuatro fábricas de cerámicas del SOECN votan las
distintas propuestas de artículos del estatuto.
Con las nuevas normas que rigen a su sindicato, los trabajadores logran el
objetivo de “poner a disposición nuestro nuevo estatuto como una herramienta de
trabajo y debate para empezar a poner en pie una nueva tradición clasista en
este movimiento obrero que se está despertando”. Lo absolutamente innovador del
“Estatuto Social del SOECN, como expresión escrita que plasma y cristaliza una
práctica política, radica básicamente en que “hace ley” tres cuestiones:
La democracia obrera: “El SOECN es un sindicato que tiene como principio y
forma de trabajo la asamblea de trabajadores. Las asambleas de fábrica y del
sindicato son la autoridad máxima”. Se incorpora a los cuerpos de delegados
por sector, se establece una proporcionalidad en los cargos directivos para la
minoría (caso inédito en los sindicatos industriales de Argentina) y la
libertad para todas las tendencias que se reivindican de la clase trabajadora
y defienden sus intereses y no los empresariales. Asimismo, los dirigentes
cobran igual que cualquier trabajador y son revocables, a la vez que aquellos
referentes que hayan estado rentados durante un período deben volver al puesto
en la máquina.
La independencia de clase: “El SOECN es una organización sindical de lucha y
defensa de los intereses económicos y sociales de los trabajadores ceramistas
en la actual sociedad capitalista. En la sociedad hay cada vez más una
reducida minoría que disfruta de todas las ventajas del desarrollo económico,
social y tecnológico; mientras el resto está condenada a la sobreexplotación,
la desocupación y los bajos ingresos. Por eso el SOECN reconoce, se orienta y
basa su práctica en la lucha de clases y bajo los principios del sindicalismo
clasista, conservando su plena independencia del Estado y sus instituciones,
del gobierno y de todas las organizaciones patronales”.
El internacionalismo y el antiimperialismo: “El SOECN reconoce que la clase
obrera no tiene fronteras. Somos hermanos de los trabajadores y los pueblos
pobres y oprimidos de América Latina y el mundo. Luchamos contra la dominación
de las potencias imperialistas que saquean al mundo con su secuela de hambre y
guerras. La fraudulenta deuda externa o la intromisión del imperialismo en las
principales fuentes de riqueza nacional, como es el caso del petróleo y el gas
en nuestra región, consolida su dominio sobre los instrumentos y medios de
reproducción, impidiendo el desarrollo nacional independiente y soberano. El
SOECN libra una lucha consecuente por los legítimos intereses de la clase
trabajadora” [10].
Las definiciones que se incluyen en esta reforma son inéditas para la tradición
dominante de los sindicatos en la Argentina. Con la redacción y aprobación de
sus nuevos estatutos cristalizan la experiencia de Zanon como un ejemplo de
lucha para el conjunto de los trabajadores, retomando la tradición de los
sindicatos clasistas de los ‘70. Pero lo más significativo de la reivindicación
del sindicato ceramista como clasista y antiburocrático es que rompe con el
modelo sindical peronista fuertemente burocratizados, implantado en la Argentina
desde la segunda mitad del siglo XX. Esto implicó una creciente subordinación
del sindicalismo al Estado y, tal como señala Daniel James en Resistencia e
integración, “cada vez más, los sindicatos se incorporaron a un monolítico
movimiento peronista y fueron llamados a actuar como agentes del Estado ante la
clase trabajadora, que organizaban el apoyo político a Perón y servían como
conductos que llevaban las políticas del gobierno a los trabajadores” [11]. Esta
idea se enfrenta por las antípodas al planteo de independencia de clase que
defienden los ceramistas.
Pero los sindicatos, incluso barriendo a la burocracia sindical, por sus propios
fines y composición no pueden ser la herramienta para conquistar la total
emancipación de la clase obrera y el pueblo pobre. Como explica Trotsky: “los
sindicatos no ofrecen, ni pueden ofrecer, dadas sus tareas, composición y formas
de reclutamiento, un programa revolucionario acabado; por tanto, no pueden
sustituir al partido” [12]. Es por ello que nuestra militancia en los sindicatos
es un medio para llegar a las amplias masas obreras y para conquistar cientos y
miles de militantes obreros que se propongan construir un partido de la clase
trabajadora que se prepare para los momentos de crisis y tenga la fuerza para
conducir a millones de trabajadores, jóvenes y mujeres en el combate contra los
capitalistas para vencerlos e instaurar una sociedad sin explotadores ni
explotados.
A modo de conclusión
Es esta una experiencia resistente ya desde hace 14 años, mostrando en potencia
que la clase obrera puede dar respuesta al conjunto de los explotados y
oprimidos.
En cada lucha de la clase trabajadora de la que los revolucionarios somos parte,
no intervenimos partiendo de cero, buscamos aportar las lecciones que a lo largo
de la historia de la lucha de clases se fueron concentrando en un programa, una
práctica y una estrategia revolucionaria para la emancipación del proletariado y
el conjunto de los oprimidos. Es en esas experiencias donde para nosotros vive
el legado de León Trotsky a quien en este número de Ideas de Izquierda queremos
reivindicar.
Estas mismas luchas aportan innumerables experiencias a los explotados a la vez
que conclusiones políticas y es pertinente para los revolucionarios que sobre
ellas ayudemos a las masas “en el proceso de la lucha, a encontrar el puente
entre sus reivindicaciones actuales y el programa de la revolución socialista.
Este puente debe consistir en un sistema de reivindicaciones transitorias,
partiendo de las condiciones actuales y de la conciencia actual de amplias capas
de la clase obrera a una sola y misma conclusión: la conquista del poder por el
proletariado” [13], como planteara Trotsky en el Programa de Transición. Sin
esto hablar de revolución es utópico.
La práctica del PTS en el movimiento obrero tiene que ver con este legado.
Podemos decir que desde esta perspectiva hemos intervenido en los distintos
conflictos intentando aportar a que los trabajadores reconozcan su fuerza, hagan
una experiencia con la patronal, el Estado, el gobierno y las direcciones
sindicales, reconociendo enemigos y buscando aliados, para que, a partir de la
propia experiencia, avancen en su conciencia y puedan desarrollarse los aspectos
más radicalizados y avanzar en la independencia política.
Como sintéticamente dejamos expresado, es en la experiencia ceramista donde en
momentos de crisis pudimos ver elementos avanzados de la confluencia del
programa de los revolucionarios con el movimiento obrero. De esta manera, Zanon
como fábrica bajo gestión obrera, y su sindicato clasista, deja un legado, un
verdadero hilo de continuidad entre los años de resistencia menemista, la caída
de De la Rúa, el ascenso de kirchnerismo y el surgimiento de un proceso de
sindicalismo de izquierda que comienza a configurarse en este fin de ciclo.
Legado que puede ser retomado en las próximas crisis por la vanguardia que forme
parte de los futuros ascensos de la lucha de clases.
Notas
[1] Uno de los principales gestores de esta experiencia, dirigente del PTS y
diputado de Neuquén por el Frente de Izquierda y de los Trabajadores.
[2] Entrevista en La Verdad Obrera, 27/2/2003.
[3] León Trotsky (1938), El programa de Transición y la fundación de la IV
Internacional, Buenos Aires, Ediciones IPS-CEIP, 2008, p. 75.
[4] Extractos del discurso de Raúl Godoy en el Acto Internacionalista realizado
en Buenos Aires frente al 70 aniversario del asesinato de León Trotsky, en La
Verdad Obrera, 26/10/2010.
[5] Esta coordinadora llegó a agrupar a más de 64 organizaciones y mil
asistentes durante un plenario que se realizó en las instalaciones de Zanon en
agosto de 2002. Era integrada por ceramistas, desocupados del MTD, estatales de
la rama salud de ATE-CTA, docentes de ATEN de varias localidades, obreros de la
construcción, organismos de derechos humanos, estudiantiles y personalidades de
la región, además de partidos políticos de izquierda.
[6] La Verdad Obrera, 21/08/2014.
[7] Encuentro de trabajadores ocupados y desocupados 2005, La Verdad Obrera,
06/02/2005.
[8] León Trotsky, ob. cit., p. 75.
[9] Ídem.
[10] Ver “Estatuto del Sindicato Ceramista del Neuquén e Informe de Gestión
Obrera”.
[11] Daniel James, Resistencia e integración, el peronismo y la clase
trabajadora argentina 1946-1976, Buenos Aires, Ed. Siglo XXI, 2006.
[12] León Trotsky, ob. cit.
[13] Ídem.
Roberto amador, obrero de SMATA.
Marco Pollo, obrero de MadyGraf.
Laura Meyer y María R. Solina, IPS Karl Marx-CEIP León Trotsky.
Fuente:
http://www.laizquierdadiario.com/ideasdeizquierda/el-legado-de-leon-trotsky-y-el-movimiento-obrero/
In
REBELION
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=202570
29/8/2015
sábado, 29 de agosto de 2015
"Faz 20 anos que a esquerda só pensa em eleição"
João Pedro Stédile, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST) (entrevista a Marco Weissheimer)
Há alguns meses, ou mesmo anos, João Pedro Stédile, uma das principais
lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), vem repetindo
algumas advertências dirigidas à esquerda brasileira, relacionadas à evolução da
conjuntura política nacional e internacional.
Uma dessas principais advertências consiste em alertar sobre a importância de
não resumir a luta política à luta eleitoral e de não sucumbir às armadilhas da
política tradicional, como abraçar o financiamento privado de campanhas como um
método natural de fazer política.
A crise política iniciada após a reeleição de Dilma Rousseff e a ofensiva da
oposição e dos setores mais conservadores do país com o objetivo de derrubar a
presidenta eleita pelo voto popular recolocou essas advertências na ordem do
dia.
Na última sexta-feira, Stédile esteve em Porto Alegre para participar de um
debate na abertura do 14º Congresso Estadual da Central Única dos Trabalhadores
(CUT). Em entrevista ao Sul21, ele falou sobre a conjugação de três crises no
presente - econômica, política e social -, sobre as movimentações de seus
principais protagonistas e seus possíveis desdobramentos.
E apontou aquele que considera ser o principal desafio da esquerda neste
período: "Construir força popular organizada. A esquerda desaprendeu a fazer
trabalho de base, de conscientizar o povo, de fazer pequenas reuniões. Faz 20
anos, que a esquerda só pensa em eleição", disse Stédile.
Sul21: Na última semana, tivemos uma nova série de manifestações contra e a
favor da presidenta Dilma Rousseff e a denúncia oferecida contra o presidente da
Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na tua opinião, como esses
eventos influenciam no atual clima de instabilidade política que marca a
conjuntura nacional?
João Pedro Stédile: O Brasil está vivendo um período muito confuso e complexo
onde, a cada semana, surgem fatos que complicam mais ainda a leitura da
conjuntura na qual inserem esses dois episódios que citou na tua pergunta. Essa
complexidade, na avaliação do MST e dos movimentos sociais como um todo, deve-se
ao fato de estarmos vivendo um período que conjugou três crises.
Temos uma crise econômica, que afeta a economia brasileira que não cresce há
dois anos e deve ficar ainda mais uns dois sem crescer, com um forte processo de
desindustrialização que já se reflete inclusive na classe trabalhadora, com
aumento do desemprego e diminuição do salário médio. Temos também uma crise
social, cuja ponta do icebergapareceu nos protestos de junho de 2013. O governo
adotou uma retórica de diálogo, porém, todos aqueles problemas sociais que eram
substrato para as mobilizações de junho, nenhum deles se resolveu, pelo
contrário. Os problemas da moradia, do transporte público, do acesso à
universidade, todos eles se agravaram. Essa crise social ainda não eclodiu, está
latente, mas existe. E, por fim, temos uma crise política cuja origem é o
sequestro da democracia brasileira feito pelos capitalistas por meio do
financiamento privado das campanhas eleitorais. As dez maiores empresas do país
financiaram cerca de 70% dos parlamentares, processo este que gerou os Cunha da
vida e os seus 300 aliados. Hoje, a população não se reconhece nos políticos.
Diversas pesquisas de opinião apontam os políticos com o menor índice de
credibilidade. Então, temos uma dicotomia aí. O que acontece na política não
reflete na sociedade, ou só reflete negativamente.
Todos os dias nós temos evidência dessas três crises. Se lermos o Valor
Econômico, por exemplo, veremos os reflexos da crise econômica. Se consultarmos
os movimentos populares ouviremos relatos de todos eles sobre os problemas
sociais que vem se avolumando. E, na política, é o que você citou. Todo dia
temos fatos novos.
Sul21: E quais são, na sua avaliação, os possíveis desdobramentos dessa
conjugação de crises?
João Pedro Stédile: A dificuldade para sair dessa crise geral é que as classes
ainda não se puseram de acordo sobre o que fazer. Seria preciso criar um novo
bloco histórico e social que se constituísse numa maioria capaz de encontrar a
saída. Isso, em geral, se materializa em períodos eleitorais. O problema é que
nós acabamos de sair de uma eleição. Então, nós vamos levar quatro anos, durante
todo o governo Dilma, para encontrar essa maioria. Essa é a dificuldade.
Nessas tentativas de saída de crise, o que está sendo mais ou menos sinalizado?
A burguesa, no sentido clássico do termo, mais conhecida como os empresários ou
o poder econômico, já apresentou a sua proposta de saída. Não é um programa
formalizado, mas vem sendo apresentado em suas reuniões e discursos. Essa
proposta consiste em realinhar a economia brasileira aos Estados Unidos, que foi
um pouco o que aconteceu em 1964. A ideia é que os americanos venham para cá,
invistam e tirem a economia da crise, ampliando o mercado para as empresas
brasileiras que entrariam de maneira subalterna numa relação com a economia
industrial norte-americana.
Em segundo lugar, consiste em diminuir o papel do Estado, que hoje se expressa
nas propostas de cortar gastos sociais, de diminuir o número de ministérios, de
diminuir os gastos com a Previdência, etc. Tudo isso é firula para voltar a
velha tese de que o mercado é que resolve.
Em terceiro lugar, é diminuir o custo da mão de obra. Esse é o programa deles,
que ainda não pode ser explicitado, pois, em sua essência, esse programa é o
neoliberalismo, que foi derrotado nas últimas quatro eleições. Eles não podem
simplesmente apresentá-lo de novo. Precisam dourar a pílula.
Então, a burguesia está fazendo esse movimento para tentar construir uma
maioria em torno do seu programa. Como fazem isso? Pautando essas propostas no
Congresso Nacional. Todas as iniciativas do bloco do Eduardo Cunha caminham na
direção desse programa: diminuir custo, diminuir Estado, privatizações, abrir a
economia e reaproximá-la com os Estados Unidos. Além disso, também pautaram o
Judiciário e a grande mídia comercial, da qual a Globo é a grande porta-voz.
Esse movimento representa o maior grau de unidade que eles conseguiram até
agora, com manifestações da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro),
do Renan Calheiros, presidente do Senado, e com setores do PSDB. Tenho absoluta
convicção, pela recente entrevista do Mendonça de Barros, que Serra e Alckmin,
embora não possam aparecer publicamente, concordam com esse programa. Mas eles
não podem aparecer.
Sul21: Você referiu o movimento que vem sendo articulado pelo grande
empresariado e seus braços políticos para a superação da crise. E quantos aos
demais setores da sociedade, é possível vislumbrar alguma movimentação que busca
saídas para os atuais impasses?
João Pedro Stédile: Nós temos outro segmento, que é a chamada classe média, ou
pequena burguesia como denominava Marx. Estamos falando aqui daquela classe
média que o Marcio Pochmann menciona no Atlas da Exclusão Social, que, pela
renda que tem, representa entre 5 e 10% da população e que sonha um dia em virar
burguesia. Qual é o programa que essa classe média apresenta para sair da crise?
Golpe na Dilma! Mas isso não é programa, não resolve nenhuma das três crises.
Por isso que a burguesia, que é mais esperta, está dizendo para eles: Calma,
vocês podem ficar latindo aí na Paulista, em Copacabana, mas isso não é saída
para a crise.
O próprio Temer disse isso para eles quando afirmou que não adiantava colocá-lo
no lugar da Dilma, pois a crise tem outras raízes. Pelo contrário, se houvesse
um golpe institucional, se criaria uma quarta crise, uma crise institucional,
que levaria os movimentos sociais e populares para as ruas. Isso desarrumaria
todas aquelas regras do Estado burguês que, apesar da crise política, todo mundo
segue respeitando. Se isso acontecesse, por que não poderíamos, por exemplo,
pedir o impeachment do Sartori ou do Alckmin, cujas campanhas também foram
financiadas por empresas privadas. Então, a saída dessa classe média é burra. A
nossa sorte, e a deles também, é que representam uma parcela muito pequena da
sociedade. É por isso que as mobilizações deles não aumentam. E tem que ser
feitas sempre no domingo, né? É muito mais um festival, ao qual eles têm
direito, do que propriamente uma luta política.
Do lado de cá, temos a classe trabalhadora, que não está conseguindo apresentar
um programa de saída para a crise. Neste momento, as direções de organizações
como CUT, UNE, MST, os movimentos de luta pela moradia, estão tentando unificar
uma agenda. O que conseguimos construir de unidade até aqui é um programa
defensivo contra o golpe, em defesa dos direitos, contra o neoliberalismo, ou
seja, é uma defesa do passado, não é avançar como nós queremos. Então, para a
classe trabalhadora também está sendo difícil construir um programa propositivo
capaz de retomar a ofensiva na direção das mudanças que defendemos. Essa é uma
dificuldade real e é neste ponto em que nós estamos.
Sul21: Quais as perspectivas de superar essa dificuldade?
João Pedro Stédile: Espero que, nos próximos meses consigamos avançar na direção
desta unidade da classe trabalhadora para construir um programa, não defensivo,
mas que apresente propostas para a saída das crises econômica, política e
social. Talvez já tenhamos uma maior unidade no tema da crise política, com a
defesa de uma Reforma Política construída por meio de uma Assembleia Nacional
Constituinte. Este Congresso não fará essa reforma e os partidos não têm força
para aprová-la no cenário atual. No fundo, a saída de um programa construído
pela classe trabalhadora vai depender de um componente que ainda não está no
cenário, que é a classe trabalhadora se mobilizar e ir para a rua. Até agora, só
foram para a rua as mediações, os militantes. A grande massa segue sentada em
casa assistindo tudo pela televisão. Por isso que as nossas mobilizações também
têm mantido o mesmo tamanho.
Contudo, essa massa e as nossas mediações têm uma arma potente que ainda não
foi usada: a greve geral, que afeta diretamente o lucro dos capitalistas. A
perspectiva de parar a produção um dia, dois dias, uma semana, coloca em pânico
a burguesia. No fundo, esse é o maior medo que eles têm. Por isso não querem ver
o circo pegar fogo, pois a lona cairia também sobre as suas cabeças.
Sul21: Você mencionou algumas organizações há pouco que estão tentando unificar
uma agenda comum e não mencionou nenhum partido político entre elas.
Considerando que o partido que vem governando o Brasil há 13 anos atravessa uma
série crise política e os demais partidos de esquerda parecem não ter força para
apresentar uma alternativa, a conjuntura está convocando os movimentos sociais a
assumir um maior protagonismo, a exemplo do que ocorreu na Bolívia há alguns
anos?
João Pedro Stédile: É evidente que os partidos políticos no Brasil, tanto os da
burguesia quanto os da esquerda, estão em crise. Os da burguesia foram
substituídos pela Globo. Quem dirige ideologicamente as ideias da direita no
Brasil é a Globo. Os dirigentes partidários da direita brasileira estão
completamente desmoralizados. Estão aí os Eduardo Cunha, os Ronaldo Caiado da
vida. E a esquerda precisa fazer uma autocrítica séria porque caiu só no
eleitoralismo e, mesmo nesta esfera, não se preocupou em defender uma reforma
política. Ao invés disso, fez o jogo da burguesia, abraçando o financiamento
privado das campanhas e caindo na arapuca que a Lava Jato expressa. Se não
mudarmos as regras políticas, não vai ser de dentro dos partidos que virá a
solução. Os partidos já estão enlambuzados. Uma reforma política rejuvenesceria
os partidos mas estes não têm força para colocar massa na rua em defesa dessa
reforma. Então, isso só poderá ser feito por meio de uma ampla coalizão de todas
as forças populares, com todas as formas de mediação de que a classe
trabalhadora dispõe, sejam pastorais, sindicatos, movimentos populares,
partidos, etc.
Agora não é o momento de discutir quem vai ser protagonista, mas sim de juntar
todas as forças para fazer um debate na sociedade e junto às nossas bases sobre
quais são as saídas para a crise que está posta e é inegável. Eu não sei como
será essa saída. Isso dependerá da correlação de forças e da dinâmica da luta de
classes. Acho muito ruim queremos copiar algum exemplo.
Tenho visto algumas pessoas dizendo que temos seguir o exemplo do Podemos, da
Espanha, ou do Syryza, da Grécia.
A história da Espanha é outra e o Tsipras durou apenas três meses. Então, cada
país tem a sua dinâmica e nós, brasileiros, teremos que inventar a nossa. A
ousadia que nos cabe é inventar. Quando quisemos copiar, erramos. Quisemos
copiar o modelo do financiamento privado de campanhas. Deu no que deu. O
componente principal da ousadia que precisamos ter é que precisamos levar esse
debate para as massas e fazer com elas se mobilizem e decidam ir para as ruas,
criando uma efervescência, um novo dinamismo na política brasileira. No meio
dessa efervescência, também vão surgir novos líderes. Não adianta ficar olhando
para trás e procurando onde estão os líderes do passado.
A dinâmica da luta de classes vai forjar novas lideranças e novas formas de
organização também.
Sul21: Na tua opinião, há um avanço de ideias e valores conservadores no Brasil,
de uma direita mais orgânica e extremada, ou é muita fumaça o que está
aparecendo nas ruas?
João Pedro Stédile: Eu acho que é muita fumaça. Nas raízes do povo brasileiro há
energias muito saudáveis. O povo brasileiro é solidário, trabalhador e digno.
Agora, essa fumaça é resultado da hegemonia ideológica da burguesia nos meios de
comunicação. A Globo é a principal responsável pela projeção desses falsos
valores, desse negativismo que afirma que todo mundo é corrupto. Ela projeta
essas ideias e valores todos os dias, em suas novelas, em seus noticiários. Aí
devemos buscar a causa dessa fumaça que esconde a realidade. E nós não temos
meios de comunicação de massa alternativos. Ficamos lutando em trincheiras, com
uma página aqui, um boletim ali. Não temos um meio de comunicação nacional que
consiga fazer esse debate com a sociedade. O que está faltando na sociedade
brasileira é debate sobre os seus problemas e suas possíveis soluções.
Sul21: Neste momento, há vários grupos se reunindo e discutindo a necessidade de
formação de novas frentes de esquerda e de setores progressistas da sociedade.
Esses grupos vêm conversando entre si?
João Pedro Stédile: Do ponto do vista do diagnóstico, todo mundo está com a
mesma leitura, ou seja, que a crise é grave, complexa e vai demorar. Mas não há
unidade quanto às possíveis saídas. Não tem um programa. Como estão se movendo
as forças, acredito que teremos várias frentes. Nós estamos colocando energia na
construção de uma que já tem nome, a Frente Brasil Popular, que junta partidos
tradicionais, movimentos populares, a UNE, o Levante Popular da Juventude, as
pastorais, entre outras organizações. Nós vamos fazer uma conferência nacional
dia 5 de setembro em Belo Horizonte para ver se avançamos em nosso programa. Mas
acredito que outros grupos de esquerda vão formar outras frentes, alguns porque
tem uma vocação mais eleitoral e querem tirar proveito dessa crise do PT.
No entanto, não creio que uma frente de esquerda limitada em sua base social,
por mais clareza ideológica que tenha, consiga acumular força. Agora, mais do
que saber para onde tu tem que ir, é preciso ter força social acumulada. E, em
períodos de crise, para ter essa força social acumulada, é preciso contar com
todos os que querem mudanças, sem exclusão ideológica. No caso da Frente Brasil
Popular, o espectro de forças com que estamos trabalhando é quem votou na Dilma
no segundo turno, que não são poucos. Se conseguirmos aglutinar numa frente
cerca de 54 milhões de brasileiros, teremos uma força suficiente para
impulsionar mudanças dentro do governo e se preparar para o pós-Dilma.
Sul21: Uma última questão. Se fosse possível definir numa frase o principal
desafio que a esquerda brasileira tem hoje, qual seria ela na tua opinião?
João Pedro Stédile: Construir força popular organizada. A esquerda desaprendeu a
fazer trabalho de base, de conscientizar o povo, de fazer pequenas reuniões. Faz
20 anos, que a esquerda só pensa em eleição. Temos que parar um pouco de pensar
em eleição. Não que a eleição não seja importante. Claro que é importante, pois
faz parte da democracia. Nós temos feito bons diálogos com o Tarso (Genro) no
sentido de que a esquerda precisa recuperar mais o Gramsci. Como viveu num
momento de crise do movimento operário italiano, ele tem reflexões que são
apropriadas para o período que estamos vivendo. Entre as várias contribuições de
Gramsci, uma delas é essa visão de que na luta por mudanças sociais, a luta de
classes se manifesta em todos os espaços da vida social. Aparece numa rádio
comunitária, num sindicato, num bairro, numa igreja, num jornal, numa fábrica,
no comércio, numa praça. Todos são espaços de disputa. E nós, no passado
recente, reduzimos tudo isso à disputa eleitoral.
Precisamos preparar a classe trabalhadora para que ela possa disputar, com as
suas ideias, todos os espaços da vida social, pois tudo isso é poder político,
não só o governo. Para isso, precisamos também recuperar o trabalho de formação
de militantes, que a esquerda abandonou. Há uma juventude aí que está a ver
navios. A formação política é o casamento permanente entre luta de massas e
formação teórica. E a esquerda não fez nenhuma das duas coisas neste último
período. A luta de massa foi reduzida à eleição e a formação teórica foi
abandonada. Felizmente, a direita está recolocando em nossa pauta a importância
da luta de massa. Se não formos para a rua disputar com eles, eles vêm pra cima
de nós.
In
port.pravda.ru
http://port.pravda.ru/cplp/brasil/29-08-2015/39352-esquerda_eleicao-0/#
29/8/2015
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Who Controls the Past Controls the Future: Why Does West Hate Stalin?
Who Controls the Past Controls the Future: Why Does West Hate Stalin?
Ekaterina Blinova
On August 23 Europe marked a so-called "European Day of Remembrance for Victims
of Stalinism and Nazism" coinciding with the date of the signing of the
Molotov-Ribbentrop Pact; one of the purposes of this "day of remembrance" is to
equate Stalin with Hitler, the USSR with Nazi Germany, Professor Grover Carr
Furr told Sputnik.
By attacking and stigmatizing the Soviet past the US and its NATO allies are
targeting today's Russia and its leadership that is unwilling to bow before the
West; anyway, the USSR never did anything remotely comparable to what major
Western countries did in the last century — the US and NATO have been by far the
most aggressive and murderous power in the world since WW2, US expert in Soviet
history Professor Grover Carr Furr of Montclair State University told Sputnik.
Illogical as it may seem, despite the fact that the USSR collapsed decades ago
the Western propaganda machine continues to vilify Soviet Russia; first
British-American historian Robert Conquest and later American scholar Timothy
Snyder have contributed a lot to the anti-Soviet and anti-Russian propaganda
campaign.
"Why [there is] so much anti-Stalin and anti-communism? Anti-communism because
communism is the antithesis to capitalism. And anti-Stalin because the Stalin
period in the USSR was the period when the world Communist movement did so much
that was good. Also, anti-Stalinism and anticommunism because of the huge
atrocities of capitalism and imperialism in the 20th century, which continue
today," Professor Furr emphasized.
Cold War: Western Historians on Intelligence Service
The professor pointed out that historian Robert Conquest (the author of "The
Great Terror: Stalin's Purges of the 1930s" who passed away on August 3, 2015)
had been working for the British Information Research Department (IRD) since its
establishment and up to 1956. The IRD, originally called the Communist
Information Bureau, was founded in 1947, when the Cold War era began.
"[The IRD's'] main task was to combat Communist influence throughout the world
by planting stories among politicians, journalists and others in a position to
influence public opinion," Professor Furr explained.
Conquest's work was to contribute to the so-called "black history" of the Soviet
Union, the professor noted, "in other words, fake stories put out as fact and
distributed among journalists and others able to influence public opinion."
"His book The Great Terror, a basic anti-communist text on the subject of the
power struggle that took place in the Soviet Union in 1937, was in fact a
recompilation of text he had written when working for the secret services. The
book was finished and published with the help of the IRD. A third of the
publication run was bought by the Praeger Press, normally associated with the
publication of literature originating from CIA sources," Professor Furr pointed
out.
The professor remarked that to our days Conquest remains one of the most
important sources of material on the Soviet Union for anti-communist and
Russophobic historians.
The propagandist activity, masquerading as scholarship, was aimed against the
USSR and coordinated by US/British intelligence.
Furr noted that Conquest periodically met with heavy criticism from prominent
Western scholars, which blasted him for "consciously falsifying information"
about the Soviet Union. In fact Conquest just used any source that was hostile
to Stalin and the USSR, turning a blind eye to the fact whether it was reliable
or not.
Needless to say that British-American historian Robert Conquest has lots of
"followers," especially today, when Western-Russian relations have deteriorated
tremendously. The blatant falsification of history used as a traditional Cold
War tool has caught a second wind.
"He who controls the past controls the future. He who controls the present
controls the past," as George Orwell wrote in his famous book "1984."
Unsurprisingly though, the Western historical discourse is currently flooded
with politicized myths about the USSR and Joseph Stalin.
One of those who contribute a lot to the blackening of Soviet Russia is Timothy
Snyder, the Housum Professor of History at Yale and author of Bloodlands. Like
Conquest, he is a celebrated Western author praised by both American right-wing
and liberal sources.
While attacking Stalin, Snyder is trying to convince his readers that Hitler was
no worse but in some sense "less evil" than the Soviet leader. Snyder goes even
so far as to suggest that "in order to carry out the murder of the Jews [the
Holocaust],… Adolf Hitler depended on Joseph Stalin [and his methods]," as
Professor David A. Bell remarked in his recent review of Snyder's "Black Earth"
for the National Interest.
Remarkably, Snyder is largely following in the footsteps of Conquest — his
narrative is based on controversial sources, rumors, semi-truths always hostile
to the USSR, as Professor Furr exposed in his book "Blood Lies: The Evidence
that Every Accusation Against Joseph Stalin and the Soviet Union in Timothy
Snyder's Bloodlands Is False."
Molotov-Ribbentrop Pact: Truth and Lies
Untold Story of Molotov-Ribbentrop Pact: Why USSR Inked Non-Aggression Treaty
With Hitler
The story of the 1939 Molotov-Ribbentrop Pact narrated by Snyder and other
anti-communist historians is also full of incorrect assumptions.
"They say that in the treaty 'the Soviet Union and Nazi Germany agreed to divide
astern Europe between themselves.' This is false. The treaty, in a secret
clause, marked all of Eastern Poland as the 'Soviet sphere of influence.' This
meant that when the German army defeated the Polish army, (a) the German army
would have to withdraw from Eastern Poland, remaining hundreds of miles away
from the pre-1939 Soviet border; (b) Poland would remain in existence, and
hopefully be willing to ally with the USSR against Hitler," Professor Furr
stressed.
Furr pointed out that the USSR had been trying hard to get Poland, the UK and
France to agree to "collective security," that would oblige each country to
declare war on Germany if Hitler attacked Poland. Alas, Warsaw and London
refused to conclude any such treaty.
"The 'Munich Accords' of October 1938, where the UK and France had given Hitler
a large part of Czechoslovakia (later they also gave Hitler all the Czech gold
reserves too) had proven that the capitalists wanted Hitler to attack the USSR.
The anti-communist and anti-Semitic Polish government also snatched a piece of
Czechoslovakia at this time," Grover Furr emphasized.
In September 1939 the German army occupied Poland and the Polish government fled
the country to Romania. When there is no government, there is no state.
"Hitler's men told the Soviets they were ready to permit a pro-Nazi,
anti-communist Ukrainian state in the former Eastern Poland. So the Soviets had
no choice but to occupy Eastern Poland. 'Eastern Poland' was not really Polish
anyway. It had been seized by force from Soviet Russia by imperialists in 1921.
Most of the population was Ukrainian, Belorussian, and Jewish," the professor
underscored.
Professor Furr stressed that the significance of the Molotov-Ribbentrop Pact is
enormous: it helped to save the USSR, and therefore all Europe, from Hitler's
domination:
"If the German army had been able to start their attack 300 miles closer [to the
Soviet border] the Nazi hordes would have taken Moscow. If Hitler had conquered
the USSR he would have had the immense material and human resources of this
gigantic country to turn against England. Hitler had already conquered almost
all of Europe," he emphasized.
So why do Snyder and his associates refuse to admit it?
By Attacking USSR West Targeting Today's Russia
Post WW2 World Order: US Planned to Wipe USSR Out by Massive Nuclear Strike
Professor Furr elaborates that mainstream western "experts" are not interested
in finding out the truth.
"Conquest was, and Snyder is, a propagandist. I call their work "propaganda with
footnotes." The footnotes and scholarly apparatus are necessary to fool the
media and those intellectuals who will help to propagate their anti-Stalin and
anti-communist lies," he told Sputnik.
"Snyder's aim — and it is not only he, by a long shot, there are many others —
is to equate Stalin with Hitler, the USSR with Nazi Germany, and communism with
Nazism. That is also the purpose of this "day of remembrance" of August 23, and
the position taken by the Polish, Ukrainian, Hungarian, and other far-right
governments," Furr underscored.
"I try to point out at the end of "Blood Lies: The Evidence that Every
Accusation Against Joseph Stalin and the Soviet Union in Timothy Snyder's
Bloodlands Is False," with some help from Prof. Domenico Losurdo, that it is
accurate to compare Churchill with Hitler, or Daladier, or Chamberlain, but not
Stalin. The USSR was as different from Nazism as could be, while Hitler and the
Nazis were quite popular with Western politicians," he added.
President Ronald Reagan meets in the White House Oval Office with conservative
leaders of Washington's national defense establishment. (File)
But why is Washington so anti-Russian?
The professor explained that unlike Gorbachev or Yeltsin, President Putin does
not bow before Washington and NATO, adding that the US' capitalist competition
will inevitably lead to imperialist competition and war.
"In my experience — limited, I admit — there is a lot of naivete about US
foreign police. The USA has been by far the most aggressive and murderous power
in the world since WW2, and it continues to be. Military bases in well over 100
countries, the largest military machine in the world by far. We should not be
naive. No country builds such a military without intent to use it. So they are
preparing for the next war," Professor Furr told Sputnik.
"My point is this: the USSR and world communist movement never did anything
remotely comparable to what the capitalists and imperialists did in the last
century. And this is unacceptable [for capitalists]. They must show communism
and Stalin to be worse than, not better than, what the capitalists and
imperialists were doing. Lying is the only way," Professor Grover Furr
concluded.
In
Sputnik
http://sputniknews.com/politics/20150825/1026165590/why-does-west-hate-stalin.html
25/8/2015
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
A era das guerras imperiais
Das guerras regionais, às "mudança de regime" e à guerra global
por James Petras
O ano de 2015 está a ser vivido em meio a grandes perigos.
As guerras estão a propagar-se por todo o globo.
As guerras estão a escalar quando novos países são bombardeados e os
velhos são devastados com intensidade cada vez maior.
Países onde se haviam verificado mudanças relativamente pacíficas através
de eleições recentes estão agora à beira de guerras civis.
Trata-se de guerras sem vitoriosos, mas plenas de perdedores; guerras que
não acabam; guerras onde ocupações imperiais são confrontadas com
resistência prolongada.
Há infindáveis torrentes de refugiados de guerra a atravessarem
fronteiras. Pessoas desesperadas são detidas, degradadas e criminalizadas
por serem os sobreviventes e as vítimas de invasões imperiais.
Agora grandes potências nucleares confrontam-se directamente na Europa e
na Ásia: NATO versus Rússia, EUA-Japão versus China. Será que estes
fluxos de sangue e de guerras convergirão numa irradiação selvagem
esvaziada do seu precioso sangue vital?
A viver perigosamente: A ascensão da maré de conflitos violentos
Não há dúvida de que guerras e ameaças militares substituíram a
diplomacia, negociações e eleições democráticas como os meios principais
de resolução de conflitos políticos. Ao longo deste ano (2015) as guerras
propagaram-se ultrapassando fronteiras e escalaram em intensidade.
Os aliados da NATO, EUA, Turquia e UE atacaram abertamente a Síria com
incursões aéreas e tropas terrestres. Há planos para ocupar o sector
Norte daquele país devastado, criando o que o regime Erdogan chama uma
"zona amortecedora" ("buffer zone") com limpeza do seu povo e das suas
aldeias.
Sob o pretexto de "combater o ISIS", o governo turco está a bombardear os
curdos (civis e combatentes da resistência) e seus aliados sírios. Na
fronteira Sul da Síria, Forças Especiais dos EUA aceleraram e expandiram
operações a partir das suas bases na Jordânia no interesse dos terroristas
mercenários – financiados pelos Estados monárquicos do Golfo.
Mais de 4 milhões de sírios tiveram de fugir dos seus lares e tornaram-se
refugiados, mais de 200 mil foram mortos desde que a guerra patrocinada
pelos EUA-UE-Turquia-Arábia Saudita contra o governo laico sírio foi
lançada há quatro anos atrás.
Dúzias de terroristas, mercenários e grupos sectários dilaceraram a Síria
em feudos rivais, pilharam seus recursos económicos e culturais e
reduziram a economia em mais de 90 por cento.
A intervenção militar EUA-UE-Turquia estende a guerra ao Iraque, ao
Líbano e... à Turquia – atacando governos laicos, grupos étnicos
minoritários e a sociedade civil laica.
As monarquias feudais da Arábia Saudita e da União dos Emirados Árabes
invadiram o Iémen com tanques, lançaram ataques aéreos contra um país sem
quais defesas anti-aéreas. Grandes cidades são devastadas. Tropas
terrestres sauditas e veículos blindados estão a matar e ferir milhares de
pessoas – principalmente civis. O brutal bloqueio aéreo e marítimo saudita
aos portos do Iémen levou a uma crise humanitária, pois dezenas de milhões
de iemenitas enfrentam a fome imposta deliberadamente por uma grotesca e
obscena monarquia rica.
Os combatentes da resistência iemenita, expulsos das principais cidades,
estão a preparar-se para uma guerra de guerrilha contra os monstros
sauditas e seus fantoches. Sua resistência já se estende por cima das
fronteiras da ditadura absolutista saudita.
As brutais tropas israelenses de ocupação, em colaboração com
"povoadores" armados colonialistas, aceleraram sua violenta captura de
terras palestinas. Eles avançaram a limpeza étnica de habitantes
palestinos, beduínos, drusos e cristãos substituindo suas comunidades por
colonatos racistas "só de judeus".
Assaltos diários contra os enormes "campos de concentração" de Gaza
acompanham um bloqueio armado da terra, do ar e da água, impedindo a
reconstrução das dezenas de milhares de lares, escolas, hospital, fábrica
e infraestrutura destruídos no ano passado pela guerra relâmpago
israelense.
A contínua anexação e a limpeza étnica israelenses de território
palestino eliminam qualquer processo diplomático; guerras coloniais têm
sido e continuam a ser a política preferencial de Israel ao tratar com
seus vizinhos árabes e populações cativas.
Guerras na África, resultantes de anteriores intervenções dos EUA-UE,
continuam a devastar o continente. A Somália, o Sudão e a Líbia são
dilacerados por conflitos sangrentos entre regime apoiados pelos EUA-UE e
movimentos armados islâmicos e de resistência nacionalista.
Por toda a África do Norte e subsaariana, regimes apoiados pelos EUA-UE
provocaram levantamentos armados na Líbia, Nigéria (Boko Harem), Egipto
(ISIS, Fraternidade Muçulmana et al:), Chat, Níger, Sudão do Sul, Somália
e outros lugares.
Ditadores de clientes imperiais egípcios e etíopes dominam com mãos de
ferro – financiados e armados pelos patrocinadores da UE e dos EUA.
Furiosas guerras imperiais por todo o Médio Oriente e Sul da Ásia.
Centenas de experientes oficiais militares iraquianos baathistas, que
foram expulsos ou encarcerados e torturados pelo exército de ocupação
estado-unidense, fizeram agora causa comum com combatentes islâmicos para
constituir o ISIS e efectivamente ocupar um terço do Iraque e uma porção
estratégica da Síria.
Há explosões diárias de bombas em Bagdad, minando este cliente dos EUA.
Avanços estratégicos do ISIS estão a forçar os EUA a retomar e escalar seu
papel de combate directo.
O recuso dos EUA-Bagdad e a derrota dos militares iraquianos treinados
pelos EUA face à ofensiva baathista-islamista é a abertura de uma guerra a
longo prazo e em grande escala no Iraque e na Síria. A guerra aérea turca
contra os curdos no Iraque escalará a guerra no Norte do Iraque e a
estenderá ao Sudeste da Turquia.
Mais perto de "casa", o golpe apoiado pela UE-EUA em Kiev ("mudança de
regime" e a tentativa de impor o domínio oligárquico e ditatorial
favorável ao Ocidente na Ucrânia detonaram uma prolongada guerra
civil-nacional que devasta o país e contrapõe proxies da NATO contra
aliados apoiados pela Rússia no Donbas.
Os EUA, Inglaterra, Polónia e outras potências da NATO estão
profundamente comprometidos a empurrarem a guerra até as fronteiras da
Rússia.
Há uma nova Guerra-fria, com a imposição de sanções económicas de grande
amplitude dos EUA-UE contra a Rússia e a organização de grandes exercícios
militares da NATO às portas da Rússia. Não é de surpreender que estas
provocações deparem-se com uma grande contra-resposta – a acumulação de
forças militares russas. A captura do poder na Ucrânia pela NATO, a qual
primeiro levou a uma guerra local étnica, agora escala para uma
confrontação global e pode avançar rumo a uma confrontação nuclear no
momento em que a Rússia absorve centenas de milhares de refugiados da
carnificina na Ucrânia.
O regime fantoche dos EUA no Afeganistão tem confrontado um grande avanço
do Talibã em todas as regiões, incluindo a capital, Cabul.
A guerra afegã está a intensificar-se e o regime de Cabul apoiado pelos
EUA está em retirada. As tropas estado-unidenses mal podem avançar para
além dos seus bunkers.
No momento dos avanços militares dos Talibãs, seus líderes pedem a
rendição total dos fantoches de Cabul e a retirada das tropas dos EUA. A
resposta dos EUA será uma prolongada escalada da guerra.
O Paquistão, eriçado com armas estado-unidenses, enfrenta um grande
conflito junto às suas fronteiras com a Índia e uma guerra permanente nos
seus semi-autónomos estados do Noroeste fronteiriços com movimentos de
guerrilha islamistas e de etnia pachtun apoiados por partidos políticos
regionais de massa. Estes partidos exercem controle de facto sobre a
região Noroeste proporcionando santuário e armas para militares Talibãs
que operam no Afeganistão e no Paquistão.
Conflitos armados étnico-religiosos persistem na China ocidental, na
Birmânia e no Norte da Índia. Há movimentos populares de resistência em
grande escala no militante Nordeste da Tailândia que se opõem à actual
ditadura militar-monárquica em Bangkok.
No século XXI, no Sul e Sudeste da Ásia, tal como no resto do mundo,
guerras e conflitos armados tornaram-se centrais na resolução de
diferenças étnicas, sociais, tribais e regionais com estados centrais:
diplomacia e eleições democráticas foram tornadas obsoletas e
ineficientes.
América Latina – à beira
Explosivos movimentos violentos da direita extra-parlamentar tencionam
derrubar ou "impedir" governos eleitos latino-americanos de
centro-esquerda através de grandes confrontações com o estado e a massa
dos seus apoiantes.
No Equador, Venezuela e Brasil, grupos de oposição apoiados pelos EUA
estão empenhados em manifestações violentas, destinadas a derrubar os
regimes eleitos. No caso do Equador, "sectores populares", incluindo
alguns líderes indígenas e sectores do movimento sindical, apelaram a um
"levantamento" para o derrube do Presidente Correa. Eles parecem
inconscientes do facto de que os oligarcas da extrema-direita que agora
controlam postos chave nas três principais cidades (Guaiaquil, Quito e
Cuenca) serão os beneficiários reais dos seus "levantamentos".
A Direita ressurgente encara a "mudança de regime" violenta como o
primeiro passo rumo à "liquidação total" de uma década de reformas
sociais, organizações regionais independentes e política externa
independente.
"Guerra civil" pode ser uma expressão demasiado forte para a situação na
América Latina neste momento – mas esta é a direcção para a qual a
oposição apoiada pelos EUA está a apontar. Confrontados com a confusão e
dificuldade em desalojar regimes em vigor através de eleições, os EUA e
seus proxies locais optaram pela coreografia da violência de rua,
sabotagem, lei marcial e golpes – a serem seguidos por eleições
desinfectadas – com candidatos examinados pelos EUA.
Guerra e violência correm desenfreadas por todo o México e na maior parte
da América Central. Nas Honduras, um golpe militar apoiado pelos EUA
derrubou o independente Presidente Zelaya eleito pelo voto popular. O
regime proxy dos EUA que se seguiu tem assassinado e encarcerado centenas
de dissidentes pró democracia e conduzido milhares a fugirem à violência.
Os "Acordos de Paz" negociados na década de 1990 pelos EUA em El Salvador
e na Guatemala efectivamente bloquearam qualquer reforma agrária e
redistribuição de rendimento que pudessem ter levado à reconstrução das
suas sociedades civis. Isto levou a mais de duas décadas de insatisfação
em massa, à ascensão de gangs armadas cujo número ultrapassa os 100 mil
membros e uma média de seis a dez milhares de homicídios por ano com El
Salvador a tornar-se a "capital do crime do hemisfério" em termos per
capita. O número de assassinatos anuais sob os "Acordos de Paz"
intermediados pelos EUA agora excede o número de mortos a cada ano durante
a guerra civil.
A "capital da carnificina" real do hemisfério é o México. Mais de 100 mil
pessoas foram assassinados durante a "guerra às drogas" apoiada pelos EUA
que perdura há uma década – uma guerra que se tornou uma guerra
patrocinada pelo estado contra o povo mexicano.
A guerra interna tem permitido ao governo mexicano privatizar e vender as
jóias da coroa da economia nacional – a indústria petrolífera. Enquanto
milhares de mexicanos são aterrorizados e massacrados, as companhias de
petróleo dos EUA e da UE estão curiosamente blindadas em relação aos
senhores da guerra. O mesmo governo mexicano, sua polícia, oficiais e
militares, que colaboram com os senhores da droga na divisão dos milhares
de milhões de dólares da droga, protegem as companhias petrolíferas e seus
executivos. Afinal de contas, os narco-dólares são lavados por bancos em
Nova York, Miami, Los Angeles e Londres para ajudar a alimentar a
especulação!
Das guerras regionais à nuclear
Guerras regionais e locais propagam-se sob a sombra de uma guerra mundial
que assoma. Os EUA movem suas armas, aviões, bases e operações para as
fronteiras russa e chinesa.
Nunca tantas tropas e aviões de guerra estado-unidenses foram colocados
em tantas localizações estratégicas, muitas vezes a menos de uma hora de
viagem de grandes cidades russas.
Nem mesmo durante as alturas da Guerra-fria os EUA impuseram tantas
sanções económicas contra empresas russas.
Na Ásia, Washington está a organizar grandes tratados comerciais,
militares e diplomáticos destinados a excluir e minar o crescimento da
China como competidor comercial. Washington empenha-se em actividades
provocatórias comparáveis ao boicote e bloqueio do Japão que levou à
Segunda Guerra Mundial na Ásia.
A abertura da "guerra por intermediários" ("warfare by proxy") na
Ucrânia é talvez o tiro de partida da Terceira Guerra Mundial na Europa. O
golpe patrocinado pelos EUA-UE em Kiev levou à anexação da Ucrânia
Ocidental. Em resposta à ameaça de violência para com a maioria de etnia
russa na Crimeia e a perda da sua base naval estratégica no Mar Negro, a
Rússia anexou a Crimeia.
No período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha anexou a
Áustria. De maneira semelhante dos EUA-UE instalaram um regime fantoche
em Kiev através de um putsch violento, o qual faz parte dos seus passos
iniciais rumo a tomadas de poder na Ásia Central. A acumulação militar
inclui a instalação de grandes bases militares avançadas, com carácter
ofensivo, na Polónia.
O regime de direita recém-eleito em Varsóvia, do presidente Andrzej Duda,
pediu que a Polónia se tornasse a base de operações militares central da
NATO e a linha de frente numa guerra contra a Rússia.
Guerra e mais guerra e as torrentes de refugiados que nunca acabam
As guerras imperiais dos EUA e da UE devastaram as vidas e condições de
sustento de milhões de pessoas no Sul da Ásia, na África do Norte e ao Sul
do Saara, na América Central, no México, no Balcãs e agora na Ucrânia.
Quatro milhões de refugiados sírios juntaram-se aos milhões de refugiados
afegãos, paquistaneses, iraquianos, iemenitas, somalis, líbios, palestinos
e sudaneses que fogem das bombas dos EUA-UE, dos drones e de mercenários
ao seu serviços que devastam seus países.
Milhões de refugiados de guerra escapam rumo à segurança na Europa
Ocidental, juntando-se aos milhões de refugiados económicos que fugiram
da privação do mercado livre na Lituânia, Letónia, Estónia, Bulgária,
Roménia, Polónia, Balcãs e outros satélites da UE.
Começa o pânico entre a população civil da Europa Ocidental quando
centenas de milhares cruzam o Mediterrâneo, o Egeu e os Balcãs.
Multidões de refugiados perecem a cada dia. Dezenas de milhares
apinham-se em centros de detenção. Os mercados de trabalho locais estão
saturados. Os serviços sociais são esmagados.
Os EUA constroem muralhas e campos de detenção para os milhões que tentam
escapar às duras consequências dos mercados livres centralizados pelo
império no México, ao narco-terror e ao "acordo de paz" fraudulento que
induz violência na América Central.
Quando as guerras ocidentais avançam, os refugiados desesperados
multiplicam-se. Os pobres e indigentes escalam os portões imperiais a
gritarem: "Vossas bombas e vossa destruição das nossa terras
conduziram-nos aqui, agora deveis tratar connosco na vossa pátria ".
Fomentar a guerra de classe entre os refugiados e os "nativos" no
Ocidente imperial pode não estar na agenda ... por agora, mas o futuro da
sociedade "civil" na Europa e nos EUA é negro.
Enquanto isso, mais e mesmo maiores guerras estão no horizonte e milhões
de civis adicionais serão desenraizados e enfrentarão a escolha de morrer
de fome, fugir com suas famílias ou combater o império. As fileiras de
combatentes experientes e enfurecidos estão a inchar no Afeganistão,
Iraque, Líbia, Iémen, Ucrânia e alhures.
Os EUA e a UE estão a tornar-se fortalezas armadas. A polícia
estado-unidense trata a cidadania marginalizada como um exército
ocupante, assaltando afro-americanos, imigrantes e dissidentes – enquanto
saqueia comunidades pobres ... e protege os ricos...
Conclusão
A guerra está por toda parte e a expandir-se. Nenhum continente ou
região, grande ou pequeno, está livre do contágio da guerra.
Guerras imperiais geraram guerras locais ... ateando fugas em massa num
ciclo que nunca acaba. Não há histórias diplomáticas com êxito real! Não
há acordos de paz duradouros e viáveis!
Alguns sabichões podem protestar contra esta análise: Eles apontam a
recente aproximação EUA-Cuba como um "êxito". Mas convenientemente
esquecem que os EUA ainda estão a subverter o maior parceiro comercial de
Cuba , a Venezuela; que os principais proxies regionais de Washington
estão a pedir mudança de regime entre aliados de Cuba no Equador, Brasil
e Bolívia e que Washington está a ameaçar cada vez mais mercados
alternativos de Cuba na Rússia e na China. A visão da bandeira
estado-unidense a flutuar ao vento do lado de fora da sua embaixada em
Havana pouco faz para encobrir o punho de ferro de Washington que ameaça
aliados de Cuba.
Outros mencionam o acordo de paz EUA-Irão como um grande "êxito". Eles
ignoram que os EUA estão a apoiar a sangrenta invasão saudita do vizinho
Iémen e o massacre de comunidades xiitas; que os EUA proporcionaram a
Israel um mapa pormenorizando todo o sistema de defesa do Irão e que o EUA
e a UE estão a bombardear o aliado sírio do Irão sem piedade.
Quanto aos acordos dos EUA com Cuba e o Irão, serão eles duradouros e
estratégicos ou apenas movimentos tácticos imperiais que preparam para
assaltos ainda maiores?
A epidemia da guerra não está a retroceder.
Refugiados de guerras estão ainda a fugir; eles já não têm lares ou
comunidades.
A desordem e a destruição estão em aumento, não em diminuição; não há
reconstrução para sociedades estilhaçadas, nem em Gaza, nem Faluja, nem no
Donbas, nem em Guerrero, nem em Aleppo.
A Europa sente os tremores de uma grande conflagração.
Há americanos que ainda acreditam que dois oceanos os protegerão.
Dizem-lhes que colocar mísseis da NATO nas fronteiras da Rússia e
estacionar navios de guerra ao largo das costas da China e construir
muralhas electrificadas com arame farpado ao longo do Rio Grande os
protegerão. Tal é a sua fé nos seus líderes e propagandistas.
Que pacote de mentiras! Mísseis inter-continentais podem "chover" sobre
Nova York, Washington e Los Angeles.
É tempo de acordar!
É tempo de travar a impetuosa corrida dos EUA-UE para a III Guerra
Mundial!
Onde começar? A Líbia foi irreversivelmente destruída; é demasiado tarde
ali! A Síria, Iraque e Afeganistão estão em chamas. Estamos a ser
mergulhados cada vez mais profundamente na guerra enquanto nos dizem que
estamos retirar! A Ucrânia absorve mais armas e mais tropas!
Podemos realmente ter paz com o Irão se não pudermos controlar nosso
próprio governo quando ele dança ao ritmo israelense? E Israel insiste na
guerra – que nós travemos a guerra para eles! Como o criminoso de guerra
general e primeiro-ministro Ariel Sharon certa vez disse a alguns
preocupados americanos sionistas: "Perturbação com os EUA? Nós os levamos
pelo nariz...!"
Olhe simplesmente para as famílias aterrorizadas que fogem da carnificina
no Médio Oriente ou no México.
O que fazer?
Quando eliminaremos nossas baixas e nos livraremos dos grilhões destes
fabricantes de guerra – estrangeiros e internos?
22/Agosto/2015
Ver também:
"Os EUA financiam a imigração maciça para a Europa"
Guerras híbridas, novo instrumento dos EUA
O original encontra-se em
www.globalresearch.ca/the-age-of-imperial-wars/5470957
In
RESISTIR.INFO
http://resistir.info/petras/petras_22ago15.html
24/8/2015
por James Petras
O ano de 2015 está a ser vivido em meio a grandes perigos.
As guerras estão a propagar-se por todo o globo.
As guerras estão a escalar quando novos países são bombardeados e os
velhos são devastados com intensidade cada vez maior.
Países onde se haviam verificado mudanças relativamente pacíficas através
de eleições recentes estão agora à beira de guerras civis.
Trata-se de guerras sem vitoriosos, mas plenas de perdedores; guerras que
não acabam; guerras onde ocupações imperiais são confrontadas com
resistência prolongada.
Há infindáveis torrentes de refugiados de guerra a atravessarem
fronteiras. Pessoas desesperadas são detidas, degradadas e criminalizadas
por serem os sobreviventes e as vítimas de invasões imperiais.
Agora grandes potências nucleares confrontam-se directamente na Europa e
na Ásia: NATO versus Rússia, EUA-Japão versus China. Será que estes
fluxos de sangue e de guerras convergirão numa irradiação selvagem
esvaziada do seu precioso sangue vital?
A viver perigosamente: A ascensão da maré de conflitos violentos
Não há dúvida de que guerras e ameaças militares substituíram a
diplomacia, negociações e eleições democráticas como os meios principais
de resolução de conflitos políticos. Ao longo deste ano (2015) as guerras
propagaram-se ultrapassando fronteiras e escalaram em intensidade.
Os aliados da NATO, EUA, Turquia e UE atacaram abertamente a Síria com
incursões aéreas e tropas terrestres. Há planos para ocupar o sector
Norte daquele país devastado, criando o que o regime Erdogan chama uma
"zona amortecedora" ("buffer zone") com limpeza do seu povo e das suas
aldeias.
Sob o pretexto de "combater o ISIS", o governo turco está a bombardear os
curdos (civis e combatentes da resistência) e seus aliados sírios. Na
fronteira Sul da Síria, Forças Especiais dos EUA aceleraram e expandiram
operações a partir das suas bases na Jordânia no interesse dos terroristas
mercenários – financiados pelos Estados monárquicos do Golfo.
Mais de 4 milhões de sírios tiveram de fugir dos seus lares e tornaram-se
refugiados, mais de 200 mil foram mortos desde que a guerra patrocinada
pelos EUA-UE-Turquia-Arábia Saudita contra o governo laico sírio foi
lançada há quatro anos atrás.
Dúzias de terroristas, mercenários e grupos sectários dilaceraram a Síria
em feudos rivais, pilharam seus recursos económicos e culturais e
reduziram a economia em mais de 90 por cento.
A intervenção militar EUA-UE-Turquia estende a guerra ao Iraque, ao
Líbano e... à Turquia – atacando governos laicos, grupos étnicos
minoritários e a sociedade civil laica.
As monarquias feudais da Arábia Saudita e da União dos Emirados Árabes
invadiram o Iémen com tanques, lançaram ataques aéreos contra um país sem
quais defesas anti-aéreas. Grandes cidades são devastadas. Tropas
terrestres sauditas e veículos blindados estão a matar e ferir milhares de
pessoas – principalmente civis. O brutal bloqueio aéreo e marítimo saudita
aos portos do Iémen levou a uma crise humanitária, pois dezenas de milhões
de iemenitas enfrentam a fome imposta deliberadamente por uma grotesca e
obscena monarquia rica.
Os combatentes da resistência iemenita, expulsos das principais cidades,
estão a preparar-se para uma guerra de guerrilha contra os monstros
sauditas e seus fantoches. Sua resistência já se estende por cima das
fronteiras da ditadura absolutista saudita.
As brutais tropas israelenses de ocupação, em colaboração com
"povoadores" armados colonialistas, aceleraram sua violenta captura de
terras palestinas. Eles avançaram a limpeza étnica de habitantes
palestinos, beduínos, drusos e cristãos substituindo suas comunidades por
colonatos racistas "só de judeus".
Assaltos diários contra os enormes "campos de concentração" de Gaza
acompanham um bloqueio armado da terra, do ar e da água, impedindo a
reconstrução das dezenas de milhares de lares, escolas, hospital, fábrica
e infraestrutura destruídos no ano passado pela guerra relâmpago
israelense.
A contínua anexação e a limpeza étnica israelenses de território
palestino eliminam qualquer processo diplomático; guerras coloniais têm
sido e continuam a ser a política preferencial de Israel ao tratar com
seus vizinhos árabes e populações cativas.
Guerras na África, resultantes de anteriores intervenções dos EUA-UE,
continuam a devastar o continente. A Somália, o Sudão e a Líbia são
dilacerados por conflitos sangrentos entre regime apoiados pelos EUA-UE e
movimentos armados islâmicos e de resistência nacionalista.
Por toda a África do Norte e subsaariana, regimes apoiados pelos EUA-UE
provocaram levantamentos armados na Líbia, Nigéria (Boko Harem), Egipto
(ISIS, Fraternidade Muçulmana et al:), Chat, Níger, Sudão do Sul, Somália
e outros lugares.
Ditadores de clientes imperiais egípcios e etíopes dominam com mãos de
ferro – financiados e armados pelos patrocinadores da UE e dos EUA.
Furiosas guerras imperiais por todo o Médio Oriente e Sul da Ásia.
Centenas de experientes oficiais militares iraquianos baathistas, que
foram expulsos ou encarcerados e torturados pelo exército de ocupação
estado-unidense, fizeram agora causa comum com combatentes islâmicos para
constituir o ISIS e efectivamente ocupar um terço do Iraque e uma porção
estratégica da Síria.
Há explosões diárias de bombas em Bagdad, minando este cliente dos EUA.
Avanços estratégicos do ISIS estão a forçar os EUA a retomar e escalar seu
papel de combate directo.
O recuso dos EUA-Bagdad e a derrota dos militares iraquianos treinados
pelos EUA face à ofensiva baathista-islamista é a abertura de uma guerra a
longo prazo e em grande escala no Iraque e na Síria. A guerra aérea turca
contra os curdos no Iraque escalará a guerra no Norte do Iraque e a
estenderá ao Sudeste da Turquia.
Mais perto de "casa", o golpe apoiado pela UE-EUA em Kiev ("mudança de
regime" e a tentativa de impor o domínio oligárquico e ditatorial
favorável ao Ocidente na Ucrânia detonaram uma prolongada guerra
civil-nacional que devasta o país e contrapõe proxies da NATO contra
aliados apoiados pela Rússia no Donbas.
Os EUA, Inglaterra, Polónia e outras potências da NATO estão
profundamente comprometidos a empurrarem a guerra até as fronteiras da
Rússia.
Há uma nova Guerra-fria, com a imposição de sanções económicas de grande
amplitude dos EUA-UE contra a Rússia e a organização de grandes exercícios
militares da NATO às portas da Rússia. Não é de surpreender que estas
provocações deparem-se com uma grande contra-resposta – a acumulação de
forças militares russas. A captura do poder na Ucrânia pela NATO, a qual
primeiro levou a uma guerra local étnica, agora escala para uma
confrontação global e pode avançar rumo a uma confrontação nuclear no
momento em que a Rússia absorve centenas de milhares de refugiados da
carnificina na Ucrânia.
O regime fantoche dos EUA no Afeganistão tem confrontado um grande avanço
do Talibã em todas as regiões, incluindo a capital, Cabul.
A guerra afegã está a intensificar-se e o regime de Cabul apoiado pelos
EUA está em retirada. As tropas estado-unidenses mal podem avançar para
além dos seus bunkers.
No momento dos avanços militares dos Talibãs, seus líderes pedem a
rendição total dos fantoches de Cabul e a retirada das tropas dos EUA. A
resposta dos EUA será uma prolongada escalada da guerra.
O Paquistão, eriçado com armas estado-unidenses, enfrenta um grande
conflito junto às suas fronteiras com a Índia e uma guerra permanente nos
seus semi-autónomos estados do Noroeste fronteiriços com movimentos de
guerrilha islamistas e de etnia pachtun apoiados por partidos políticos
regionais de massa. Estes partidos exercem controle de facto sobre a
região Noroeste proporcionando santuário e armas para militares Talibãs
que operam no Afeganistão e no Paquistão.
Conflitos armados étnico-religiosos persistem na China ocidental, na
Birmânia e no Norte da Índia. Há movimentos populares de resistência em
grande escala no militante Nordeste da Tailândia que se opõem à actual
ditadura militar-monárquica em Bangkok.
No século XXI, no Sul e Sudeste da Ásia, tal como no resto do mundo,
guerras e conflitos armados tornaram-se centrais na resolução de
diferenças étnicas, sociais, tribais e regionais com estados centrais:
diplomacia e eleições democráticas foram tornadas obsoletas e
ineficientes.
América Latina – à beira
Explosivos movimentos violentos da direita extra-parlamentar tencionam
derrubar ou "impedir" governos eleitos latino-americanos de
centro-esquerda através de grandes confrontações com o estado e a massa
dos seus apoiantes.
No Equador, Venezuela e Brasil, grupos de oposição apoiados pelos EUA
estão empenhados em manifestações violentas, destinadas a derrubar os
regimes eleitos. No caso do Equador, "sectores populares", incluindo
alguns líderes indígenas e sectores do movimento sindical, apelaram a um
"levantamento" para o derrube do Presidente Correa. Eles parecem
inconscientes do facto de que os oligarcas da extrema-direita que agora
controlam postos chave nas três principais cidades (Guaiaquil, Quito e
Cuenca) serão os beneficiários reais dos seus "levantamentos".
A Direita ressurgente encara a "mudança de regime" violenta como o
primeiro passo rumo à "liquidação total" de uma década de reformas
sociais, organizações regionais independentes e política externa
independente.
"Guerra civil" pode ser uma expressão demasiado forte para a situação na
América Latina neste momento – mas esta é a direcção para a qual a
oposição apoiada pelos EUA está a apontar. Confrontados com a confusão e
dificuldade em desalojar regimes em vigor através de eleições, os EUA e
seus proxies locais optaram pela coreografia da violência de rua,
sabotagem, lei marcial e golpes – a serem seguidos por eleições
desinfectadas – com candidatos examinados pelos EUA.
Guerra e violência correm desenfreadas por todo o México e na maior parte
da América Central. Nas Honduras, um golpe militar apoiado pelos EUA
derrubou o independente Presidente Zelaya eleito pelo voto popular. O
regime proxy dos EUA que se seguiu tem assassinado e encarcerado centenas
de dissidentes pró democracia e conduzido milhares a fugirem à violência.
Os "Acordos de Paz" negociados na década de 1990 pelos EUA em El Salvador
e na Guatemala efectivamente bloquearam qualquer reforma agrária e
redistribuição de rendimento que pudessem ter levado à reconstrução das
suas sociedades civis. Isto levou a mais de duas décadas de insatisfação
em massa, à ascensão de gangs armadas cujo número ultrapassa os 100 mil
membros e uma média de seis a dez milhares de homicídios por ano com El
Salvador a tornar-se a "capital do crime do hemisfério" em termos per
capita. O número de assassinatos anuais sob os "Acordos de Paz"
intermediados pelos EUA agora excede o número de mortos a cada ano durante
a guerra civil.
A "capital da carnificina" real do hemisfério é o México. Mais de 100 mil
pessoas foram assassinados durante a "guerra às drogas" apoiada pelos EUA
que perdura há uma década – uma guerra que se tornou uma guerra
patrocinada pelo estado contra o povo mexicano.
A guerra interna tem permitido ao governo mexicano privatizar e vender as
jóias da coroa da economia nacional – a indústria petrolífera. Enquanto
milhares de mexicanos são aterrorizados e massacrados, as companhias de
petróleo dos EUA e da UE estão curiosamente blindadas em relação aos
senhores da guerra. O mesmo governo mexicano, sua polícia, oficiais e
militares, que colaboram com os senhores da droga na divisão dos milhares
de milhões de dólares da droga, protegem as companhias petrolíferas e seus
executivos. Afinal de contas, os narco-dólares são lavados por bancos em
Nova York, Miami, Los Angeles e Londres para ajudar a alimentar a
especulação!
Das guerras regionais à nuclear
Guerras regionais e locais propagam-se sob a sombra de uma guerra mundial
que assoma. Os EUA movem suas armas, aviões, bases e operações para as
fronteiras russa e chinesa.
Nunca tantas tropas e aviões de guerra estado-unidenses foram colocados
em tantas localizações estratégicas, muitas vezes a menos de uma hora de
viagem de grandes cidades russas.
Nem mesmo durante as alturas da Guerra-fria os EUA impuseram tantas
sanções económicas contra empresas russas.
Na Ásia, Washington está a organizar grandes tratados comerciais,
militares e diplomáticos destinados a excluir e minar o crescimento da
China como competidor comercial. Washington empenha-se em actividades
provocatórias comparáveis ao boicote e bloqueio do Japão que levou à
Segunda Guerra Mundial na Ásia.
A abertura da "guerra por intermediários" ("warfare by proxy") na
Ucrânia é talvez o tiro de partida da Terceira Guerra Mundial na Europa. O
golpe patrocinado pelos EUA-UE em Kiev levou à anexação da Ucrânia
Ocidental. Em resposta à ameaça de violência para com a maioria de etnia
russa na Crimeia e a perda da sua base naval estratégica no Mar Negro, a
Rússia anexou a Crimeia.
No período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha anexou a
Áustria. De maneira semelhante dos EUA-UE instalaram um regime fantoche
em Kiev através de um putsch violento, o qual faz parte dos seus passos
iniciais rumo a tomadas de poder na Ásia Central. A acumulação militar
inclui a instalação de grandes bases militares avançadas, com carácter
ofensivo, na Polónia.
O regime de direita recém-eleito em Varsóvia, do presidente Andrzej Duda,
pediu que a Polónia se tornasse a base de operações militares central da
NATO e a linha de frente numa guerra contra a Rússia.
Guerra e mais guerra e as torrentes de refugiados que nunca acabam
As guerras imperiais dos EUA e da UE devastaram as vidas e condições de
sustento de milhões de pessoas no Sul da Ásia, na África do Norte e ao Sul
do Saara, na América Central, no México, no Balcãs e agora na Ucrânia.
Quatro milhões de refugiados sírios juntaram-se aos milhões de refugiados
afegãos, paquistaneses, iraquianos, iemenitas, somalis, líbios, palestinos
e sudaneses que fogem das bombas dos EUA-UE, dos drones e de mercenários
ao seu serviços que devastam seus países.
Milhões de refugiados de guerra escapam rumo à segurança na Europa
Ocidental, juntando-se aos milhões de refugiados económicos que fugiram
da privação do mercado livre na Lituânia, Letónia, Estónia, Bulgária,
Roménia, Polónia, Balcãs e outros satélites da UE.
Começa o pânico entre a população civil da Europa Ocidental quando
centenas de milhares cruzam o Mediterrâneo, o Egeu e os Balcãs.
Multidões de refugiados perecem a cada dia. Dezenas de milhares
apinham-se em centros de detenção. Os mercados de trabalho locais estão
saturados. Os serviços sociais são esmagados.
Os EUA constroem muralhas e campos de detenção para os milhões que tentam
escapar às duras consequências dos mercados livres centralizados pelo
império no México, ao narco-terror e ao "acordo de paz" fraudulento que
induz violência na América Central.
Quando as guerras ocidentais avançam, os refugiados desesperados
multiplicam-se. Os pobres e indigentes escalam os portões imperiais a
gritarem: "Vossas bombas e vossa destruição das nossa terras
conduziram-nos aqui, agora deveis tratar connosco na vossa pátria ".
Fomentar a guerra de classe entre os refugiados e os "nativos" no
Ocidente imperial pode não estar na agenda ... por agora, mas o futuro da
sociedade "civil" na Europa e nos EUA é negro.
Enquanto isso, mais e mesmo maiores guerras estão no horizonte e milhões
de civis adicionais serão desenraizados e enfrentarão a escolha de morrer
de fome, fugir com suas famílias ou combater o império. As fileiras de
combatentes experientes e enfurecidos estão a inchar no Afeganistão,
Iraque, Líbia, Iémen, Ucrânia e alhures.
Os EUA e a UE estão a tornar-se fortalezas armadas. A polícia
estado-unidense trata a cidadania marginalizada como um exército
ocupante, assaltando afro-americanos, imigrantes e dissidentes – enquanto
saqueia comunidades pobres ... e protege os ricos...
Conclusão
A guerra está por toda parte e a expandir-se. Nenhum continente ou
região, grande ou pequeno, está livre do contágio da guerra.
Guerras imperiais geraram guerras locais ... ateando fugas em massa num
ciclo que nunca acaba. Não há histórias diplomáticas com êxito real! Não
há acordos de paz duradouros e viáveis!
Alguns sabichões podem protestar contra esta análise: Eles apontam a
recente aproximação EUA-Cuba como um "êxito". Mas convenientemente
esquecem que os EUA ainda estão a subverter o maior parceiro comercial de
Cuba , a Venezuela; que os principais proxies regionais de Washington
estão a pedir mudança de regime entre aliados de Cuba no Equador, Brasil
e Bolívia e que Washington está a ameaçar cada vez mais mercados
alternativos de Cuba na Rússia e na China. A visão da bandeira
estado-unidense a flutuar ao vento do lado de fora da sua embaixada em
Havana pouco faz para encobrir o punho de ferro de Washington que ameaça
aliados de Cuba.
Outros mencionam o acordo de paz EUA-Irão como um grande "êxito". Eles
ignoram que os EUA estão a apoiar a sangrenta invasão saudita do vizinho
Iémen e o massacre de comunidades xiitas; que os EUA proporcionaram a
Israel um mapa pormenorizando todo o sistema de defesa do Irão e que o EUA
e a UE estão a bombardear o aliado sírio do Irão sem piedade.
Quanto aos acordos dos EUA com Cuba e o Irão, serão eles duradouros e
estratégicos ou apenas movimentos tácticos imperiais que preparam para
assaltos ainda maiores?
A epidemia da guerra não está a retroceder.
Refugiados de guerras estão ainda a fugir; eles já não têm lares ou
comunidades.
A desordem e a destruição estão em aumento, não em diminuição; não há
reconstrução para sociedades estilhaçadas, nem em Gaza, nem Faluja, nem no
Donbas, nem em Guerrero, nem em Aleppo.
A Europa sente os tremores de uma grande conflagração.
Há americanos que ainda acreditam que dois oceanos os protegerão.
Dizem-lhes que colocar mísseis da NATO nas fronteiras da Rússia e
estacionar navios de guerra ao largo das costas da China e construir
muralhas electrificadas com arame farpado ao longo do Rio Grande os
protegerão. Tal é a sua fé nos seus líderes e propagandistas.
Que pacote de mentiras! Mísseis inter-continentais podem "chover" sobre
Nova York, Washington e Los Angeles.
É tempo de acordar!
É tempo de travar a impetuosa corrida dos EUA-UE para a III Guerra
Mundial!
Onde começar? A Líbia foi irreversivelmente destruída; é demasiado tarde
ali! A Síria, Iraque e Afeganistão estão em chamas. Estamos a ser
mergulhados cada vez mais profundamente na guerra enquanto nos dizem que
estamos retirar! A Ucrânia absorve mais armas e mais tropas!
Podemos realmente ter paz com o Irão se não pudermos controlar nosso
próprio governo quando ele dança ao ritmo israelense? E Israel insiste na
guerra – que nós travemos a guerra para eles! Como o criminoso de guerra
general e primeiro-ministro Ariel Sharon certa vez disse a alguns
preocupados americanos sionistas: "Perturbação com os EUA? Nós os levamos
pelo nariz...!"
Olhe simplesmente para as famílias aterrorizadas que fogem da carnificina
no Médio Oriente ou no México.
O que fazer?
Quando eliminaremos nossas baixas e nos livraremos dos grilhões destes
fabricantes de guerra – estrangeiros e internos?
22/Agosto/2015
Ver também:
"Os EUA financiam a imigração maciça para a Europa"
Guerras híbridas, novo instrumento dos EUA
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